sábado, 30 de agosto de 2008

Ip up to date


Josias de Souza
Quem é inimigo de quem na política? Quem apóia quem nas eleições de 2008? As perguntas vêm a propósito dos palanques municipais, uma das graças do momento.
Alguns deles conferem à expressão “coerência política” uma aparência de velha louca. Uma maluca que faz tricô com o novelo de suas próprias contradições.
O mapa brasileiro está apinhado de alianças esquisitas. Experimente-se, de saída, olhar para Natal.
Ali, há quatro anos, o tratamento mais cortês que o peemedebista Garibaldi Alves mereceu da petista Fátima Bezerra foi o de “ladrão”.
Pouco depois, no Senado, Garibaldi se tornaria relator de uma investigação cujo ânimo em relação a Lula e ao petismo rendeu apelido apocalíptico: “CPI do Fim do Mundo.”
Pois não é que agora Garibaldi está, junto com Lula, no palanque de Fátima Bezerra? Voltem-se os olhares agora para Salvador.
O PT local é representado pelo candidato Walter Pinheiro. Mas o governador petista Jaques Wagner flerta com Antonio Imbassahy (PSDB) e com João Henrique (PMDB).
Hoje tucano, Imbassahy alçou vôo na política agarrado às asas de um ACM cujas práticas o petista Jaques Wagner se propõe a varrer da Bahia.
Henrique é apoiado por Geddel Vieira Lima. Um amigo de FHC que, antes de tornar-se ministro de Lula, dissera o seguinte sobre a hipótese de o PMDB aceitar cargos:
“A meu ver, não é imoral. É aético, politicamente, que isso seja feito com partidos e parlamentares que não foram às ruas defender as bandeiras de Lula.”
Em São Paulo, José Serra (PSDB) prefere o ‘demo’ Gilberto Kassab ao tucano Geraldo Alckmin. Em Minas, Aécio Neves (PSDB) tricota com o petista Fernando Pimentel.
O mesmo PT que se insurge contra a amizade colorida de Pimentel com Aécio engole a proximidade do governador Marcelo Déda (PT) com o tucanato sergipano.
O espaço de um único artigo é pequeno demais para realçar todos os pontos do tricô da “coerência política”, essa velha louca. Assim, melhor encaminhar o texto para um arremate.
Diz-se que o eleitor brasileiro só dá atenção a nomes, não a partidos políticos. Seria uma distorção que não contribui para o bom funcionamento da democracia brasileira.
É verdade. Mas os políticos não ajudam a aperfeiçoar os costumes, eis o que se deseja realçar. A diversidade dos palanques como que acomoda os Batmans e os Coringas da política num mesmo saco.
Aos olhos do eleitor, super-heróis e bandidos tornam-se iguais. Os partidos e seus filiados viram um amontoado mal definido.
Algo que a sabedoria popular convencionou chamar de “farinha do mesmo saco”. Uns seriam a cara esculpida e escarrada dos outros.
É óbvio que ninguém é igual a ninguém. Mas, se os partidos, se os próprios políticos buscam de maneira tão frenética a indiferenciação, como exigir mais do eleitor?
Se são todos iguais, como pode o eleitor escolher conscientemente entre um e outro? Como decidir em quem votar? Pior: para que votar?

Sábado em queda livre

POLÍTICA TAMBÉM É COISA PARA MULHER

Autora: Josenira Fraga

I

Toda mulher brasileira
Tem que se conscientizar
Que política é necessário
Pra juntas representar
E conquistar seus direitos
E poder se organizar

II

Ser cidadã hoje em dia
É saber participar
Construindo as propostas
De forma bem popular
Exigindo os direitos
De ser votada e votar.

III

A política é uma arma
Pra exercer a cidadania
È um direito do povo
Defender a democracia
Mulher que sabe lutar
Sobe de categoria

IV

Nossa Constituição
Nos garante a liberdade
O que preciso fazer
É lutar por igualdade
Defender nossa família
E toda comunidade

V

O compromisso político
De toda mulher atuante
Garante a sociedade
Uma defesa importante
Unidas podemos ter
Um Brasil mais confiante.

VI

Temos que ter garantias
De um Estado democrático
Que nos garanta o direito
De não sermos segregados
Superar a humilhação
Sem sermos subjugados

VII

Trabalhar é um direito
Que a mulher conquistou
Mas ainda tem barreiras
Que ainda não supero
Temos que juntas lutar
E mostrar nosso valor

VIII

As mulheres candidatas
Tem que se aprimorar
E procurar debater
Sabendo argumentar
Buscar o conhecimento
E saber politizar

IX

Para saber escolher
Os nossos representantes
Devemos priorizar
Uma conduta brilhante
Honradez e competência
São valores importantes

X

Sendo a mulher candidata
Prefeita ou Vereadora
Poderão participar
De forma propagadora
Ajudando a conscientizar
As mulheres eleitoras

XI

Toda mulher no poder
Deverá fortalecer
Sua representação
Sabendo estabelecer
Defendendo a igualdade
Dos que vivem a sofrer

XII

A situação da mulher
Na política nacional
Precisa modificar
De forma original
Ganhando as eleições
Do poder Municipal

XIII

A mulher Vereadora
Constrói a legislação
Defende Políticas Públicas
Enfrenta qualquer questão
Protegendo as mulheres
Contra a violação

XIV

Sendo ela uma Prefeita
Que sabe administrar
Saber honrar o seu mandato
Procurando formular
Educação para todos
Moradia e bem estar

XV

Os direitos das mulheres
Tem que saber defender
Assistência e saúde
E a prevenção proceder
Ensinando todo dia
A saúde proteger

XVI

Direito a alimentação
Segurança e Lazer
São pontos obrigatórios
Pra política defender
Formação profissional
Pra mulher sobreviver

XVII

Combater a violência
Que vem sofrendo a mulher
Com a Lei Maria da Penha
O homem não faz o que quer
Sabendo denunciar
Lei defende a mulher

XVIII

Saber combater o tráfico
É luta fundamental
Esclarecendo a mulher
Do turismo sexual
Defendendo a eliminação
Com assistência integral

XIX

O combate a violência
Que hoje a mulher sofre
Depende de sua luta
Desde o sul até o norte
Combatendo sempre unidas
Seremos muito mais forte

XX

Pra mulher participar
E ser uma militante
Precisa mobilizar
De forma bem atuante
Defender a ação política
Junto ao seu representante

XXI

As mulheres candidatas
Deve sempre aprimorar
Suas idéias políticas
Pra poder facilitar
Conquistando a liberdade
E poder administrar


XXII

Tenha sempre consciência
Na hora que for votar
Afirmando as semelhanças
Muito vai colaborar
Fortalecendo a bancada
Que vai nos representar

XXIII

Vamos todas nesta luta
Defender com muito ardor
Os direitos e deveres
De um povo sofredor
A liberdade começa
Na direito ao amor

XXIV

Mais um ano de eleição
Vamos ter que enfrentar
Por isso querida amiga
Não esqueça de votar
Na bancada feminina
Que vai nos representar

GRUPO AUTÔNOMO DE MULHERES – GAM
NATAL- RN - 2008

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Nossa terra, nossa gente

Prefeitura Municipal de Ipaumirim
- do orkut de Geysa -


Tempo de campanha. Ninguém faz mais nada a não ser politicagem. Bom período para fazer um balanço do que foi feito com o crédito que o eleitor premiou os políticos. É bom pensar nisto antes de votar. Com tantas secretarias, muita coisa deve ter sido realizada. Mas não é hora só de criticar, é também hora de agradecer aos funcionários que exerceram seus cargos com dignidade. Principalmente aqueles que - pela sua onipresença - são capazes de estar em tantos lugares ao mesmo tempo.
Preciso registrar que, em janeiro de 2008, estive na PMI e fui muito bem atendida pelos funcionários. Ponto positivo. Há algum tempo atrás, fui na mesma prefeitura e o funcionario me atendeu tão mal que eu pensei que tinha me equivocado e entrado numa estribaria. Depois, informalmente, falei com Luiz Alves que, na ocasião, também era prefeito e registrei a falta de educação do funcionário. Claro que eu não pretendo ser e nem sou uma pessoa especial mas sou uma cidadã decente, razoavelmente instruída e tenho consciencia dos meus deveres e direitos. Fiquei pensando o que este tipo de funcionário é capaz de fazer com uma pessoa humilde e necessitada que não tem a mínima noção do que o poder público lhe deve. Já não sei precisamente o ano mas lembro que, logo depois do episódio, conversamos no café da manhã oferecido pela ACRI aos filhos e amigos da terra, lá no antigo Colégio XI de Agosto. Após escutar minhas ponderações sobre o ocorrido, o prefeito me disse que vinha trabalhando no sentido de treinar melhor os seus funcionários para atendimento da população. Pelo menos, comigo, deu resultado na vez seguinte que apareci por lá.
O que exerci foi apenas o meu direito de ser bem atendida numa repartição pública que tem obrigação de atender bem porque é paga com os impostos vindos do nosso suado dinheirinho.
Se aprendessemos a registrar nossas reclamações, talvez as coisas melhorassem mais ainda. Precisamos aprender a cobrar mas precisamos também aprender a colaborar com o bem estar do município, cuidar da saúde, dos idosos, dos jovens e das crianças. Exercer a cidadania é participar positivamente para o bem estar coletivo.
Publico a seguir a relação dos agentes municipais conforme foi informado pela própria PMI ao TCM/CE. São eles que, bem ou mal, prestam serviços ao município. Vale reconhecer o talento e a capacidade dos bons funcionários. Aos outros, cabe ao próximo gestor preparar um bom programa de treinamento para orientá-los a servir melhor.


MLuiza
Recife - PE

Prefeitura Municipal de Ipaumirim: Gabinete do Prefeito

Câmara Municipal de Ipaumirim


PMI: Procuradoria Geral do Município

PMI: Secretaria de Administração e Finanças


PMI: Secretaria de Infra-estrutura urbana e Desenvolovimento Industrial


PMI: Secretaria de Agricultura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente


PMI: Secretaria de Saúde


PMI; Secretaria de Desenvolvimento Social/Fundo Municipal Dir. da Cirança e do Adolescente

PMI: Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania/Fundo Municipal de Assistencia Social

PMI: Secretaria da Educação/Fundo Municipal da Educação

PMI: Secretaria da Educação/Fundeb


PMI: Secretaria de Cultura, Desporto, Turismo e Lazer


PMI: Encargos Gerais do Município

Prefeitura Municipal de Ipaumirim: Reserva de Contingência

Fonte: http://www.tcm.ce.gov.br


Cidadania

Como ter Acesso aos Documentos dos Municípios

Legislação:
Constituição Estadual: art. 42 caput, §§ 1°A, 1°B e 1°C, 1° E, com redação dada pela EC n° 47/01; Lei n° 4.320/64, arts. 85 e 86 e arts. 101 a 106; Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF arts. 48 e 49; Resolução do TCM n° 12/1998; Resolução do TCM n° 06/2004; Instruções Normativas do TCM n°(s) 01/2001, art. 13; 02/06, 03/06 e 01/2007.

Conceito:
A Instrução Normativa n° 01/2007 desta Corte de Contas, estabelece que o meio de remessa de dados ao TCM será através do Sistema de Informações Municipais – SIM e em formato eletrônico (pdf) feito em folha de papel A4.
A partir da data de 12 de abril de 2007, os Órgãos, os Fundos Especiais e as Unidades Gestoras sujeitas à fiscalização do TCM, incluídas as Câmaras Municipais, não remeterão ao TCM, a documentação mensal e relatórios, em pastas e papéis.
Todos os dados relativos aos balancetes analíticos mensais e os respectivos registros relativos às receitas e despesas executadas no exercício, serão enviados a este Tribunal por meio informatizado, através do Sistema de Informações Municipais – SIM, conforme padrão definido no Manual do SIM, com o conteúdo da documentação comprobatória da execução orçamentária e extraorçamentária em meio informatizado.
A documentação será devidamente organizada e arquivada no Município para eventual e imediata exibição ao Tribunal de Contas dos Municípios, à Câmara e a qualquer cidadão.

Fique informado

Sefaz e TCM assinam convênio para troca de informações
O Secretário da Fazenda, Mauro Filho, e o presidente do Tribunal de Contas dos Municípios, Ernesto Sabóia, assinaram nesta sexta-feira (29), às 9 horas, na sede da Sefaz, convênio de cooperação técnica para o intercâmbio de informações necessárias ao desenvolvimento das atividades do TCM-Ce e da Sefaz-Ce, no combate à improbidade administrativa e à sonegação fiscal.
A parceria envolve os sistemas gerenciais dos dois órgãos fornecendo, inclusive, subsídios para que os gestores municipais possam checar a regularidade de seus possíveis fornecedores. Com a operação, servidores da Sefaz terão acesso eletrônico, ao sistema de prestação de contas mensais dos municípios do Estado do Ceará (Sistema de Informações Municipais - SIM), bem como à documentação relativa às prestações de contas mensais das prefeituras, especialmente às notas fiscais necessárias à comprovação de transações mercantis sujeitas à tributação do ICMS.
Em contrapartida, a Sefaz deverá autorizar e liberar o acesso para os servidores do TCM-Ce às informações dos contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Cadastro de Veículos (IPVA). "Pretendemos com a medida, além de aumentar a eficiência de nossas operações, evitar possíveis contratações irregulares nas administrações municipais", explica o secretário da Fazenda, Mauro Filho.
No acordo entre os dois órgãos está prevista ainda a participação dos servidores do TCM em cursos, seminários, workshops e eventos congêneres, promovidos pela Secretaria da Fazenda, quando os temas abordados sejam de interesses de ambos.
Assessoria de Imprensa da Sefaz
Fernanda Teles
(fernandateles@sefaz.ce.gov.br/ 3101.9113)
Fonte: http://www.ceara.gov.br/pls/portal/

Ip, onde anda você?

Desenvolvimento melhora em 88 municípios cearenses

O estudo Firjan comparou o índice de desenvolvimento dos 184 municípios cearenses nos anos de 2000 e 2005. Treze deles tiveram queda na comparação entre os índices. Por outro lado, outros 88 obtiveram uma elevação superior a 20% no espaço de cinco anos. Por duas vezes, Paracuru ficou em segundo lugar
Além de utilizar os dados de 2005, o relatório do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) também realizou um estudo com os dados de 2000 e comparou os dois, mostrando as cidades que evoluíram ou não no desenvolvimento humano durante o período. De acordo com o estudo, dos 184 municípios cearenses, 13 tiveram queda na comparação entre os índices. Por outro lado, outros 88 obtiveram uma elevação superior a 20% no espaço de cinco anos.
Por duas vezes o município de Paracuru, a 101 quilômetros de Fortaleza, ficou em segundo lugar nos índices de 2005 e 2000 no Estado, e ainda teve uma melhora na qualidade de vida de 6,7% durante o período. A educação foi quem elevou a média do município, saindo de 0,5716 em 2000 para 0,7665 depois de cinco anos. Por outro lado, os empregos formais reduziram de 0,6988 para 0,5752 na avaliação do último ano.
O município de Granjeiro, a 488 quilômetros de Fortaleza, obteve um crescimento nos indicadores de emprego e renda, educação e saúde com aumento de 64,7% entre os dois índices. Ele saiu de um patamar de 0,296103 para 0,487753 impulsionado, principalmente, pelos dados de saúde, com 0,6844. O município saiu de uma classificação baixa para regular. Apesar do ganho, entretanto, Granjeiro está bem atrás nos dados, ocupando a classificação de 137 no ranking. De acordo com dados do Anuário do Ceará, publicação do Grupo O POVO S.A., a maior parte da economia vem do setor de serviços (76,6%) e 100% de sua região é coberta por equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) e foi um dos municípios aprovado pelo Unicef em 2004. Enquanto Granjeiro obteve melhoras significativas nos indicadores do IFDM, Parambu, a 408 quilômetros da Capital, obteve uma redução em seu desempenho e caiu da situação de regular para uma classificação baixa. Em 2000, ele estava na 66ª posição, com um índice de 0,4563, impulsionado pelos empregos formais no município. Cinco anos depois, o município ocupa a última posição entre todos do Ceará, com IFDM de 0,3781. Foi a queda no emprego e renda, que saiu de 0,4815 em 2000 para 0,1635 nos dados colhidos cinco anos depois. O setor de serviços, com 65,6%, é que impulsiona a economia. Mas a cobertura do PSF atinge 62%, segundo dados do anuário do Ceará.
O POVO tentou entrar em contato, por telefone, com o prefeito de Granjeiro, Emanuel Clementino (PSDB), e o vice Genecias Noronha (PMDB). Foi tentado contato com a Prefeitura, mas O POVO não obteve resposta até o fechamento desta edição. (Marcos Cavalcante)
ojo: o anuário pode ser uma excelente fonte de debates e propostas a discutir com os candidatos. Já tentei conseguir (comprar ou adquirir) o anuário mas está dificil. Entrei em contato com a Secretaria das Cidades, com a Casa Civil, a assessoria de comunicação da Assembléia Legislativa entre outros órgãos para ver se consigo encontrar a publicação. Ninguem sabe informar o caminho para aquisição. No setor de comunicação parece que o Ip não perde para o Ceará. Na era da tecnologia da informação, a comunicação acontece nos ritmos lento, lentamente e parado.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A pouca margem de manobra dos municípios




Bruno Lima Rocha

É parte constitutiva da campanha eleitoral nos municípios uma série de promessas absurdas feitas por candidatos a vereadores. Sem nenhuma conotação elitista, reconheço o problema como muito sério. Para contribuir no debate, inicio aqui uma série de artigos a respeito dos limites já existentes para a gestão dos municípios. Começo pela maior das camisas de força, a Lei Complementar Federal No. 101 de 4 de maio de 2000, também conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Entendo que existem aspectos negativos na LRF, e estes não são poucos. Mas, neste artigo, apenas ressalto seus pontos que vejo como positivos. Na gíria, a LRF amarra os municípios, para o bem e para o mal. Isto porque os obriga a gastar no máximo 60% de sua receita corrente líquida com a folha de pagamento de pessoal. Deste montante, 54% vão para o Executivo municipal e os outros 6% a ser repartido no Legislativo e com o Tribunal de Contas do Município (quando este existir). Prevendo as tentações de alienação de patrimônio público por parte de prefeitos com ânsias privatizantes e problemas de caixa, a LRF tem uma precaução. Há um dispositivo que impede a alienação de patrimônio público para cobrir folha, já que os recursos conseguidos com a privatização não podem ser aplicados para cobrir salário. Ou seja, a municipalidade pode se endividar, mas não vender o pouco que têm.
A simples existência de uma Lei assim é interessante porque impede gastanças e "trens da alegria" tão conhecidos dos brasileiros. Também é positivo constar na LRF a previsão de transparência total. Qualquer cidadão ou entidade da sociedade civil pode ter acesso às contas do Chefe do Executivo durante todo o mandato. Se o direito é exercido ou não, ou se as contas apresentadas são inteligíveis para a maioria dos munícipes, é outro tema. Apenas a capacidade de exigir a abertura de contas é uma quebra com o tradicional mandonismo dos políticos locais. Outro dado a favor da lei é a responsabilização legal sobre os ordenadores de despesa. Todo e qualquer gasto público tem um CPF que o assina e por este se encarrega. Eis o porquê de a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal operarem sobre terreno fértil na punição de desvios municipais.
Comparemos estas informações básicas com o teor da competição de votos para a vereança. Infelizmente, duvido muito que a maior parte dos candidatos a vereador sequer consiga se defender num debate sobre a LRF. Ficam duas dúvidas cruéis. Como pode alguém se candidatar a algo que não compreende como funciona? E, como pode um partido indicar a alguém para concorrer a um posto para o qual não está minimamente preparado?

Ip... onde estás que ninguém te vê?

Sistema Telessaúde será ampliado para 100 cidades
Rita Célia Faheina
da Redação

Técnicos de nove municípios cearenses realizaram ontem o treinamento para operar o sistema do Projeto-Piloto Nacional de Telessaúde que foi implantado, no Estado, há um ano. Até o fim de 2008, o projeto estará implantado em 100 municípios cearenses
27/08/2008

Até o fim deste mês, o Projeto-Piloto Nacional de Telessaúde estará implantado em 55 municípios do Estado. Desde a inauguração, em agosto do ano passado, o Projeto vem realizando teleconsultas (através de web conferências) nas áreas de cardiologia e dermatologia. Cerca de 100 mil eletrocardiogramas já foram feitos pela Internet nesse período. Ontem, técnicos de nove municípios cearenses participaram de um treinamento, na sede do Núcleo do Projeto, em Fortaleza, no laboratório de informática da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, no Campus do Porangabussu.

Os 22 técnicos dos municípios de Acaraú, Aurora, Caririaçu, Caucaia, Cruz, Fortim, Paraipaba, Pentecoste e Ubajara receberam o treinamento para operar no sistema que permite as consultas, exames e troca de experiências entre os profissionais de saúde. O coordenador do Núcleo no Estado, médico cirurgião Luiz Roberto de Oliveira informa que, até o fim do ano, o Projeto-Piloto Nacional de Telessaúde estará implantando em 100 municípios do Ceará. Ele diz que os treinamentos para os municípios onde o Projeto já funciona são freqüentes e o Núcleo dá suporte para o funcionamento contínuo. "O secretário João Ananias (da Saúde do Estado) quer implantar nos 184 municípios cearenses", completa.

Teleconsulta

Além dos profissionais de cardiologia e dermatologia, serão integrados ao Telessaúde os neurologistas. A primeira teleconsulta, que inaugurou o Projeto-Piloto no Ceará, foi transmitida no dia 6 de agosto do ano passado, do município de Baturité, a 97 quilômetros de Fortaleza, para o auditório da Reitoria da UFC, no bairro Benfica, em Fortaleza. A consulta à distância foi feita por um médico generalista a um paciente de 28 anos, do sexo masculino. Ele queixava-se de dor forte no peito.

O médico generalista discutiu o caso com uma cardiologista do Hospital Universitário Walter Cantídio, apresentou o eletrocardiógrafo e perguntou se havia necessidade de encaminhar para uma unidade da Capital. Tudo por meio de webconferência. Após a análise do exame, foi constatado que o paciente não tinha risco de doença cardiovascular, não sendo necessário encaminhar para um hospital de Fortaleza.

O coordenador do Núcleo no Ceará, Luiz Roberto de Oliveira, diz que um dos principais objetivos do projeto é atuar nas áreas assistencial e educacional. Serão promovidos cursos de especialização para os médicos do Programa Saúde da Família (PSF) e está prevista ainda a criação da Biblioteca Regional de Medicina. Um acervo virtual que deve reunir publicações de suporte ao Projeto Telessaúde.

FIQUE POR DENTRO

O Projeto Piloto Nacional de Telessaúde em Apoio à Atenção Básica é apoiado pelo Governo Federal através do Ministério da Saúde. Cada núcleo, nos Estados, é ligado a uma universidade. No Ceará, a sede do projeto é o Laboratório de Informática da Faculdade de Medicina da UFC, no bairro de Porangabussu.

As propostas do Projeto são: apoiar na formação e atualização permanente dos profissionais de saúde (visão educacional) e na parte assistencial; oferecer a possibilidade do profissional de saúde que está no município, de ter uma segunda opinião médica (contato com outros especialistas antes de encaminhar o paciente para outro tipo de atendimento).

Um dos critérios para implantação do Telessaúde é que o município tenha banda larga. Isso porque será utilizado a webconferência (pela Internet). O núcleo da UFC tem médico de plantão para atender à demanda dos municípios participantes do projeto. O contato poderá ser via e-mail, fax ou por meio da webconferência.

A teleconsulta é transmitida da sala de uma unidade básica de saúde que dispõe de um computador com webcam e conectado à Internet. Do local, o médico entra em contato com o médico do Núcleo, discute o diagnóstico, condutas de tratamento, pode enviar exames para que o laudo seja fornecido ou para esclarecer dúvida.

Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/814969.html

CONCURSO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) publicou, na edição de ontem do Diário Oficial do Estado, edital para realizar concurso público para provimento de cargos pertencentes ao quadro de pessoal. Serão oferecidas 60 vagas para o cargo de Analista de Controle Externo. A Fundação Carlos Chagas (FCC) será responsável pela aplicação do concurso público.Desse total, serão oferecidas oito vagas para a área de Auditoria de Obras Públicas, seis para Auditoria de Tecnologia da Informação e as 46 restantes para Auditoria Governamental. Dentre as vagas oferecidas, cinco serão reservadas a candidatos portadores de deficiência, com a seguinte distribuição: Auditoria de Obras Públicas (uma vaga), Auditoria de Tecnologia da Informação (uma vaga) e Auditoria Governamental (três vagas).
Podem se candidatar graduados de nível superior em qualquer área, mediante apresentação de diploma devidamente expedido por instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação. O edital está disponível nos endereços eletrônicos do Tribunal de Contas do Estado (www.tce.ce.gov.br) e da Fundação Carlos Chagas (http://www.fcc.org.br/).
As inscrições para o concurso serão realizadas, exclusivamente, por meio da Internet, no endereço eletrônico da Fundação Carlos Chagas, no período de 11 de setembro às 20h30 do dia 30 de setembro (horário de Brasília). A aplicação das provas está prevista para o dia 2 de novembro de 2008, em Fortaleza.

Fonte: http://tarsoaraujo.blogspot.com/

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Até tu, Brutus?

Paulo Coelho, Toninho Buda (centro) e Sylvio Passos
1985

O Escravo de Paulo Coelho
Michel Arbache
( 26 August 2008 )

“Os Vampiros são às vezes bons e às vezes maus. E às vezes bons e maus”.

Esta epígrafe do livro “Manual Prático do Vampirismo”, que Paulo Coelho supostamente teria escrito, bem poderia também epigrafar esta incrível história que, graças ao “drible da vaca” que Fernando Morais (autor da biografia ‘O Mago’) deu no seu biografado, todo mundo pôde conhecer – e que agora eu repasso neste artigo.
Há um engenheiro aqui em minha cidade chamado Antônio Walter Sena Jr, de 58 anos. Se você chegar aqui e procurar por este nome, quase ninguém vai saber responder... Mas se você perguntar por "Toninho Buda", a coisa melhora um pouco. Agora, se eu disser que Toninho Buda foi “escravo” de Paulo Coelho, então a coisa esquenta.
Toninho Buda é uma figura fantástica que se popularizou nos anos oitenta em shows nos quais aparecia como performático; declamando poemas e fazendo vivas à Sociedade Alternativa. Embora "porra-louca", Toninho não era um cidadão inconseqüente... Pés no chão (ou quase isto), ele nunca dispensava exercícios físicos e era figurinha carimbada nas maratonas – seja em Juiz de Fora ou seja em Nova York.
No início dos anos oitenta, Toninho montou um restaurante macrobiótico em Juiz de Fora e passou a ministrar palestras gratuitas sobre os benefícios de uma alimentação saudável. Foi numa dessas palestras que conheci Toninho. Lembro perfeitamente das suas preocupações já naquela época: os perigos da química nos alimentos; o desenfreado uso dos agrotóxicos...
Quando esteve em Juiz de Fora para se apresentar num dos memoráveis festivais de rock da cidade, Raul Seixas, acompanhado do seu parceiro Paulo Coelho, resolveu experimentar o rango daquele recanto “macrô" da rua São Mateus. Foi ali que nasceu a forte amizade entre Raul, Paulo e Toninho.
Pouco tempo depois daquele encontro em Juiz de Fora, Toninho, a pedido de Paulo Coelho, escreveu ‘Manual Prático do Vampirismo’. Competente na escrita, ele gastou apenas três dias e meio para concluir a obra e entregar para o seu amigo Paulo Coelho providenciar a edição. A co-autoria seria, pois, uma interação de competências: Toninho entraria com a criação intelectual e Paulo entraria com seus ótimos contatos editoriais no Rio.
Alguns meses depois, ao folhear o Jornal do Brasil, Toninho leu a boa nova: o livro seria lançado num hotel de luxo do Rio. O correio teria atrasado na entrega do convite ao autor, que pegou um ônibus e partiu para integrar a festa do lançamento. Toninho chegou à festa antes de Paulo. Pegou um livro no stand e ficou maravilhado com o resultado; com o acabamento... Mas quando começou a folhear a obra, Toninho começou a ficar nervoso; e deprimiu-se com a trágica descoberta: Paulo Coelho era o verdadeiro “vampiro mau”. Em nenhuma página; em nenhum cantinho de rodapé aparecia qualquer menção a Toninho.... Daí caiu a ficha: o correio não tinha atrasado na entrega do convite... porque não existia convite! Pois Paulo Coelho simplesmente roubara a criação do engenheiro. A dramática situação de Toninho talvez só um escritor iniciante entenderia: sentir-se um penetra na festa de lançamento do seu próprio livro. O único valor que Toninho recebeu pelo livro foi simplesmente este: uma refeição.
Algum tempo depois, Toninho foi contratado por Paulo Coelho para a famosa viagem à Espanha (Caminho de Santiago). A função do contratado, que ganharia 200 dólares por mês, seria ajudar na feitura do livro que seria o pontapé inicial para que o “mago” se tornasse um dos maiores vendedores de livros do planeta: “O Diário de Um Mago”. Na ocasião, Paulo gostava de repetir uma frase de Nelson Rodrigues: “O dinheiro compra até amor sincero”. Quando novamente “caiu a ficha” de que estava sendo explorado por um cínico incorrigível, Toninho Buda resolveu abandonar a idéia da Sociedade Alternativa e voltou a ser engenheiro em Juiz de Fora.
Consciente de que ninguém acreditaria na sua história, Toninho optou por guardar segredo sobre a verdadeira face de seu “amigo”. Mas quis o destino que um golpe audacioso do escritor Fernando Morais, biógrafo autorizado de Paulo Coelho, trouxesse toda a verdade à tona – e contra a vontade do biografado.
Acontece que Fernando Morais teve carta branca do biografado para buscar as fontes da sua pesquisa. Mas o que Paulo Coelho não esperava era que Morais, inadvertidamente, fosse descobrir um baú escondido no quartinho de empregada de um imóvel no Rio. O baú estava lacrado e constava no testamento do “mago” da seguinte forma: tinha que ser imediatamente incinerado logo após a morte de Paulo Coelho. O motivo era óbvio: ali continha muitas verdades impublicáveis. Entre vários escritos, Fernando Morais descobriu que Paulo Coelho sempre se referia a Toninho Buda como “meu escravo” – revelação esta que surpreendeu (e chocou) o próprio Toninho.
Enfim, opto por encerrar este artigo num estilo bem paulo-coelhiano: “num golpe mágico, quis o destino que a força da verdade abrisse o baú para tomar vida na própria biografia do mentiroso”.
Saiba mais sobre Toninho Buda: http://www.toninhobuda.com/
Toninho Buda sendo entrevistado pela Rede Globo:http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL592189-7084,00.html
Fonte: http://blogln.ning.com/forum/topic/

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

TERÇA POESIA E PROSA

Henri Matisse, A mesa posta, 1897
100x131cm
Coleção Stravros S. Niarchos
.
MEMÓRIA



MINHA FAMÍLIA anda longe,
com trajos de circunstância:
uns converteram-se em flores,
outros em pedra, água, líquen;
alguns, de tanta distância,
nem têm vestígios que indiquem
uma certa orientação..

°°°
Minha família anda longe,
- na Terra, na Lua, em Marte -
uns dançando pelos ares.
outros perdidos no chão..

°°°
Tão longe, a minha família!
Tão dividida em pedaços!
Um pedaço em cada parte...
Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços...
Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.
Vejo lábios, vejo braços,
- por um momento persigo-os;
de repente, os mais exatos
perdem sua exatidão.
Se falo, nada responde.
Depois tudo vira vento,
e nem o meu pensamento
pode compreender por onde
passaram nem onde estão..

°°°
Minha família anda longe.
Mas eu sei reconhecê-la:
um cílio dentro do oceano,
um pulso sobre uma estrela,
uma ruga num caminho
caída como pulseira,
um joelho em cima da espuma,
um movimento sozinho
aparecido na poeira...
Mas tudo vai sem nenhuma
noção de destino humano,
de humana recordação..

°°°
Minha família anda longe.
Reflete-se em minha vida,
mas não acontece nada:
por mais que eu esteja lembrada,
ela se faz de esquecida:
não há comunicação!
Uns são nuvem, outros, lesma...
Vejo as asas, sinto os passos
de meus anjos e palhaços,
numa ambígua trajetória
de que sou o espelho e a história.
Murmuro para mim mesma:
"É tudo imaginação!".

Mas sei que tudo é memória.....


Cecília Meireles, OBRA POÉTICA. Editora Nova Aguilar, p. 171-172

Hospital no Cariri


O edital de licitação para as obras do Hospital Regional do Cariri será lançado nesta segunda-feira, 25, no município de Abaiara, a 520 quilômetros de Fortaleza, pelo governador Cid Gomes. A unidade hospitalar vai ser construída numa área localizada no chamado triângulo Crajubar, entre os municípios de Juazeiro, Crato e Barbalha e devem ser investidos R$ 57,8 milhões. Trata-se do primeiro hospital da rede estadual no Interior que vai atender nas áreas de urgência e emergência de alta complexidade. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), serão 209 leitos, 20 Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 15 leitos semi-intensivos. O hospital terá ainda oito salas cirúrgicas e a previsão é de sejam realizadas, por ano, 7.872 cirurgias de média e alta complexidade, além de 9.504 de pequena complexidade. Segundo a Sesa, o número esperado de internações é de 6.760 por ano e 29.568 consultas ambulatoriais no mesmo período. A previsão de conclusão das obras é de 18 meses.

Fique de olho: quem paga a conta é sempre você


DESCASO DOS PREFEITOS COM RECURSOS DA SAÚDE É DENUNCIADO PELA CGU
Por: Luciano Augusto


O descaso dos prefeito brasileiros, aí incluindo pelo menos dois do Ceará, o de Acopiara, Antonio Almeida e o de Milhã, foi apontado pela Controladoria Geral da União(CGU). Os números assustam e mostram a rede de irregularidade que se sanada poderia solucionar o problema da saúde brasileira. Novamente, quem está no alvo dessas denúncias de corrupção é a Fundação Nacional de Saúde, a Funasa, presidida pelo advogado cearense Danilo Forte.
Leia mais sobre esse assunto em matéria do jornal Correio Brasiliense:
Tema do dia - sangria na saúde
Descaso e má-gestão de prefeitos
CGU constata diversas fraudes, como a utilização da verba para compra de enfeites natalinos e salgadinhos
Alana Rizzo e Thiago Herdy
Do Estado de Minas

A esperança de melhorias nas condições de saúde de milhões de brasileiros se desfez nas mãos de prefeitos que receberam recursos federais para obras e compra de equipamentos, iniciaram os projetos mas não os levaram até o fim. Objetos de convênios inacabados representam a maior fatia dos R$ 426,4 milhões da saúde que desapareceram no submundo da política e da má-gestão nos últimos cinco anos, segundo os relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU). Foram R$ 73,8 milhões, quase 20% do total.
Os documentos de fiscalização produzidos pelos auditores são ilustrados com centenas de imagens que dão a dimensão exata do dano à União e citam exemplos de diversas naturezas. São José do Divino, na Região do Rio Doce, em Minas Gerais, recebeu R$ 209 mil para furar seis poços artesianos, mas concluiu apenas dois. Em Abadiânia, em Goiás, os recursos eram para a construção de um aterro sanitário, mas a obra ficou incompleta e o lixão ainda é usado na cidade (leia abaixo). Esqueletos de concreto e tubos sem função foi o que encontraram os técnicos da CGU ao visitarem as obras do sistema de esgoto de Alegre, no Espírito Santo. As obras do posto de saúde da rodoviária de Acopiara, no sertão do Ceará, estão paradas há dois anos.
O segundo lugar no ranking de irregularidades no uso da verba federal da saúde ficou com as despesas realizadas em desacordo com as determinações de portarias do Ministério da Saúde ou usadas para cobrir buracos da administração municipal. Foram R$ 70,1 milhões gastos em ações com objetivos diferentes do combinado — desde cobertura de folhas de pagamento de servidores de secretarias diversas, aluguel, tarifas bancárias e contas de consumo a despesas inimagináveis, como eletroeletrônicos, acessórios femininos, cosméticos, salgadinhos e enfeites natalinos. Despesas sem comprovação representaram 14,3% do total de gastos irregulares. As prefeituras não conseguiram mostrar aos técnicos da CGU como usaram R$ 60,8 milhões transferidos aos cofres municipais. Problemas de toda ordem relacionados a processos de licitação foram responsáveis por um prejuízo de R$ 52,9 milhões, ou 12,4% do total.
São relatados casos como o de Itaberaba, na Bahia, em que a empresa do irmão do prefeito apresentou uma proposta maior que a do concorrente e mesmo assim ganhou o certame. Ou então de Érico Cardoso, também na Bahia, onde todas as obras fiscalizadas pela CGU foram licitadas e vencidas por empresas ligadas ao prefeito e executadas por operários da administração municipal. A repetição dos mesmos erros de português em propostas de concorrentes foi um dos elementos que ajudaram os auditores a descobrir que o processo de licitação fora forjado em Acaraú, no Ceará.



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O verme da corrupção
Dos R$ 1,6 bilhão destinados ao setor, R$ 426,5 milhões desaparecem no submundo da política e da má-gestão
Alana Rizzo, Maria Clara Prates e Thiago Herdy
Do Estado de Minas

De norte a sul do país, a corrupção, o desperdício e a má-gestão desviam do dinheiro público investido na saúde a cifra milionária de R$ 426,5 milhões. O valor equivale a 25% dos R$ 1,6 bilhão, repassados pelo Ministério da Saúde, nos últimos quatro anos, a 1.341 municípios, dos 5.562 existentes no Brasil. Os dados são oficiais. Estão nos relatórios de fiscalização da Controladoria-Geral da União (CGU). O Correio e o Estado de Minas fizeram minucioso e inédito levantamento desses dados, montaram um banco de dados que possibilita uma radiografia detalhada do ataque ao erário e percorreram as cinco regiões do país para comprovar as irregularidades.
As informações jogam por terra a idéia de que falta investimento público na área da saúde. Em temporada de discussão sobre fontes de financiamento, se CPMF ou CSS, os números comprovam que o problema está nas administrações municipais, que não se constrangem em investir recursos do Programa de Atenção Básica na promoção de festas, confecção de abadás para carnaval temporão, compra de eletrodomésticos, ou, simplesmente, desviar o dinheiro por meio de inúmeras licitações fraudulentas.
A União, gestora dos recursos, também tem sua parcela de responsabilidade no desperdício, que penaliza especialmente as comunidades mais carentes, em estados pobres ou ricos. Na gastança da cifra bilionária, ela lava as mãos com a ausência de fiscalização e a falta de controle na liberação das verbas. Uma simples análise nos convênios da Fundação Nacional de Saúde, para saneamento público revela um esquema de corrupção que começa com a aprovação de obras sem projetos, alteração da proposta sem análise da documentação, uso de contas sem fiscalização nos municípios. Isso reforça que as calorosas discussões pelo Congresso das fontes de financiamentos da saúde passam longe do verdadeiro problema, estampado em documento público produzido pelo próprio governo federal.
Os exemplos estão por todo o país e serão mostrados ao longo desta semana. Para se ter uma idéia, em Acopiara, perdida no sertão do Ceará, foram investidos mais de R$ 10 milhões em apenas dois anos, em obras de abastecimento de água e construção de banheiros. Ainda assim, Francisco Alves, de 65 anos, precisa percorrer diariamente um quilômetro, sob sol, para buscar água para sobreviver. Lá, Joseane Ananias da Silva, de 25 anos, vive em extrema pobreza, com o marido e cinco filhos, que estão desnutridos.
Na comunidade de Serraria dos Garcias (CE) deveria existir água encanada. No lugar disso, só o esqueleto do projeto, abandonado há dois anos. O drama não é menor em Careiro da Varzéa, no Amazonas, onde a população precisa viajar uma hora e meia de barco para conseguir atendimento médico, em Manaus. Isso vale para um simples procedimento como um parto ou para conseguir um soro antiofídico para picada de cobra. O município não tem hospital, apesar dos 20 mil habitantes. Os médicos do Programa Saúde da Família só trabalham na parte da manhã.
Na região mais rica do país, o Sudeste, o drama persiste. Na pequena Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, em Minas, recursos da ordem de R$ 1.233.018 não aliviaram o sofrimento da população. Em Paracambi, na Baixada Fluminense, equipamentos adquiridos com o dinheiro público estão encaixotados há pelo menos três anos e impedem o funcionamento de um hospital. O recurso da saúde tem destino certo determinado por lei, mas na prática, simples disputas políticas não permitem que a população seja beneficiada, como ocorre na cidade. O verde das vastas plantações do rico Norte do Paraná não é capaz de esconder a má aplicação do dinheiro público. No município 1º de Maio, a bóia-fria Maria Helena Soares, de 75 anos, hipertensa, tem de andar 15 minutos a pé para conseguir medir a pressão, procedimento que deve ser uma rotina semanal. Mesmo recebendo verba para manter equipe do posto de saúde, que conta com três carros, as visitas domiciliares estão suspensas no conjunto popular. Distante apenas 100km do Distrito Federal, os moradores de Abadiânia, em Goiás, convivem com o risco que representa o lixo espalhado pela cidade. O Ministério da Saúde repassou meio milhão de reais para construção de um aterro sanitário, erguido parcialmente e sem normas técnicas, que enterraram a esperança de dias melhores.
Maiores detalhes acessar:
http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20080824/fotos/a2-1.jpg
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Água encanada fica só na promessa dos políticos
A verba de R$ 1 milhão destinada a obras de abastecimento de Acopiara (CE) evaporou. A população sobrevive graças a um pequeno açude
Alana Rizzo
Do Estado de Minas

Fortaleza — Sob o sol escaldante do Ceará, moradores da zona rural de Acopiara, a 345km de Fortaleza, enfrentam todos os dias uma caminhada até o açude mais próximo para buscar água. As incontáveis promessas de que a água encanada chegaria à casa de cada morador continuam. Em ano de eleições, são reforçadas pelos candidatos à prefeitura.
Mas Natalino Walter da Silva, de 73 anos, já desistiu. “Não acredito mais”, comenta o morador do distrito de Carretão. Ele e a mulher, Maria Cecília Nogueira, de 70, moram há 44 anos na área e estão cansados das desculpas. “Primeiro, foi falta de verba. Depois, não pode porque é ano de eleição. Tem também a mudança no projeto, falta de espaço”, cita.
Em frente à casa dele estão 22 manilhas da obra de abastecimento de água que seria feita. Há pelo menos um ano, ele vê todos os dias o esqueleto da obra que iria facilitar sua vida e de outras 12 famílias da região. “Já que não vão terminar, podiam pelo menos tirar isso daí, que fica atrapalhando a passagem”, diz Maria Cecília.
A família, por conta própria, construiu um pequeno açude, que serve também aos vizinhos. “Vendi seis gados”, reclama Natalino. Em tempos de seca, o medo ronda a família. “Agora está mais tranqüilo por conta do açude, mas já sofremos muito. Ele colocava os jarros no jeguinho cedo e saía andando, onde encontrasse água trazia. Dormia rezando para chover, para encher os açudes”, recorda Cecília. A poucos metros dali, Josefina Cleide da Silva, de 44, carrega na cabeça a água para a família. É esste esforço que garante o banho e a comida dela, do marido, da sogra e da filha. Quando chega em casa, divide nos jarros a água. “Tem que economizar. Já me acostumei a ir buscar, mas seria muito melhor ter direto em casa”, sonha.
No lado oposto da cidade, no Bairro Serraria dos Garcias a obra foi feita pela metade. Há três meses, a caixa d’água começou a funcionar. O projeto previa a retirada da água de um açude, mas por enquanto usam a água de um velho poço. Só que ela é insalubre e não pode ser consumida. Os próximos meses preocupam os moradores, já que o poço seca no fim do ano. A disponibilidade da água também não é muita. “Eles ligam às 7h e por volta das 8h fecham o registro. Então, temos que colocar a água nos baldes e deixar guardada”. Seu marido, o aposentado Francisco Alves, de 65 anos, conta com a ajuda do jegue Pretinho na hora de buscar a água. A obra, segundo ele, não mudou nada sua rotina. “Continuo tendo que ir no açude.”
Construção
Todas essas obras fazem parte de um convênio milionário firmado entre a prefeitura e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) para construção do sistema de abastecimento de água em sete bairros, assinado em dezembro de 2005. O valor do projeto é de R$ 1.052.776 e durante a fiscalização da Controladoria-Geral da União (CGU) nenhuma estava funcionando.
A CGU contesta a dispensa de licitação para a obra. A justificativa da prefeitura é emergência e calamidade pública. No entanto, apesar de a ordem de serviço ter sido emitida em 17 de maio de 2006, até hoje nem todos os sistemas implantados se encontram em funcionamento. De acordo com a Controladoria, para usar esse dispositivo legal a prefeitura deveria solucionar a situação emergencial em 180 dias.
O prefeito Antônio Almeida, candidato à reeleição, não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso. Em ofício enviado à CGU, em 26 de setembro de 2007, ele diz que determinou ao secretário de Saúde que tomasse todas as providencias relacionadas à obra.

SEGUNDA BEM HUMORADA


Tempos pós-modernos


- Mãe, vou casar!
- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...
- E quando eu vou conhecer o meu.. A minha.. O Murilo?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá ! Biscoito... Já gostei dele.. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?
- Por quê?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o papai não vai aceitar?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metades com bigode.
- Mãe, que besteira... Hoje em dia praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada.. Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como?
- Veruska...
- Ah bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe!!- Tá, tá... Tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto.
- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero... A Veruska.
- Que Veruska?
- Namorada da Bel...
- Peraí. A ex-namorada do teu atual namorado... É a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é.... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem?
- Da Bel.
- Mas logo da Bel ?! Quer dizer então.... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska .
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel, além de mãe, é tia... Ou tio... Porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
- Exato!
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe?!
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas...
- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior...Com incesto no meio!
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei! E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber ? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...
- Que...?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente vai ser foda!

NUDEZ MINEIRA


Dois cumpadre de Uberaba tavam bem sossegadim fumando seus respectivo cigarrim de paia e proseano.Conversa vai, conversa vem, eis que a certa altura um deles pergunta pro outro:
- Cumpadre, u quê quiocê acha desse negóço de nudez?
No que o outro respondeu:
- Acho bão, sô!
O outro ficou assim, pensativo, meditativo...e perguntou de novo:
- Ocê acha bão purcaus diquê, cumpadre?
E o outro:
- Uai! É mió nudês do que nunosso, né mesmo?

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O EMPRESÁRIO E O MINEIRIM!

Num certo dia, um empresário viajava pelo interior de Minas. Ao ver um peão tocando umas vacas, parou para lhe fazer algumas perguntas:
- Acha que você poderia me passar umas informações?
- Claro, sô!
- As vacas dão muito leite?
- Qual que o senhor quer saber: as maiáda ou as marrom?
- Pode ser as malhadas.- Dá uns 12 litro por dia!
- E as marrons?- Tamém uns 12 litro por dia!
O empresário pensou um pouco e logo tornou a perguntar:
- Elas comem o quê?
- Qual? As maiáda ou as marrom?- Sei lá, pode ser as marrons!
- As marrom come pasto e sal.
- Hum! E as malhadas?
- Tamém come pasto e sal!
O empresário, sem conseguir esconder a irritação:
- Escuta aqui, meu amigo! Por quê toda vez que eu te pergunto alguma coisa sobre as vacas você me diz se quero saber das malhadas ou das marrons, sendo que é tudo a mesma resposta?
E o matuto responde:
- É que as maiáda são minha!
- E as marrons?
- Tamém!

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INDO PARA A PESCARIA...

Os dois mineiros se encontram no ponto de ônibus em Cocalinho para uma pescaria.
- Então cumpade, tá animado? pergunta o primeiro.
- Eu tô, home!
- Ô cumpade, pro mode quê tá levano esses dois embornal?
- É que tô levano uma pingazinha, cumpade.
- Pinga, cumpade? Nóis num tinha acertado que num ia bebê mais?!
- Cumpade, é que pode aparece uma cobra e pica a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole que é pra mode num sinti a dô.
- É... e na outra sacola, o que qui tá levano?
- É a cobra, cumpade. Pode num tê lá...

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MINEIRIM COMPRANDO PASSAGEM

O mineirin vai a uma estação ferroviária para comprar um bilhete.
- Quero uma passage para o Esbui - solicita ao atendente.
- Não entendi; o senhor pode repetir?
- Quero uma passage para o Esbui!
- Sinto muito, senhor, não temos passagem para o Esbui.
Aborrecido, o caipira se afasta do guichê, se aproxima do amigo que o estava aguardando e lamenta:
- Olha, Esbui, o homem falou que prá ocê não tem passagem não!

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A PESQUISADORA E O MINEIRIN

Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho perdido no interior de Minas.
- Essa terra dá mandioca?
- Não, senhora. - responde o roceiro.
- Dá batata?
- Também não, senhora!
- Dá feijão?
- Nunca deu!
- Arroz?
- De jeito nenhum!
- Milho?
- Nem brincando!
- Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
- Ah! ... Se plantar é diferente..

domingo, 24 de agosto de 2008

Meio ambiente: a abelha, o milho e você



Milho transgênico leva abelhas a buscar refúgio nas cidades

Apicultores alemães estão levando suas abelhas para centros urbanos para evitar que o mel seja contaminado pelo milho transgênico. Em 2007, morreram cerca de 30% de sua população na Alemanha. Atualmente, 330 das 550 variedades de abelhas silvestres são consideradas espécies em perigo. Nos EUa, em 2007, em regiões de 24 Estados, até 70% da população de abelhas morreram em circunstâncias estranhas

Julio Godoy (IPS)

BERLIM – Para as abelhas alemãs, o campo já não é apenas o que costumava ser. Fugindo dos inseticidas e dos cultivos transgênicos, agora buscam abrigo nas cidades. No dia 15 de julho, seis apicultores alemães levaram suas abelhas até Munique para salvá-las do milho geneticamente modificado que foi plantado perto de sua aldeia, Kaisheim, a 80 quilômetros da cidade. “Se nossas abelhas entrarem em contato com o milho geneticamente modificado, e o mel for contaminado por ele, não poderemos vendê-lo”, disse à IPS Karl Heinz Bablock, um dos seis apicultores. Na Alemanha os transgênicos são legais, mas não podem ser destinados ao consumo humano.

Meses atrás, Bablock e vários colegas seus apresentaram uma demanda judicial contra os cultivos geneticamente modificados, mas o tribunal determinou que, com essas plantações são legais, eram os apicultores que deveriam levar suas colméias para outro lado. ‘É sabido que as abelhas passam 90% de seu tempo de vida em um perímetro de três quilômetros. Mas, podem voar até 10 quilômetros sem problema. Estamos realmente felizes pelo fato de a cidade de Munique ter dado abrigo às nossas abelhas”, disse o apicultor.

Thomas Radetzki, diretor da união de apicultores Millifera, disse que as abelhas permanecerão em Munique “até o fim do verão” (boreal”). “Em meados de agosto termina o período de crescimento do milho e poderão voltar para casa”, acrescentou. Estes movimentos de abelhas se tornaram comuns por toda a Alemanha. “mas, em algumas regiões, como Brandenburgo, próximo a Berlim, é quase impossível escapar dos transgênicos. Estão por todos os lados e as abelhas entram em contato com eles”, afirmou Radetzki à IPS. Mas, não é a única ameaça que enfrentam.

As mudanças climáticas na agricultura, com a introdução de monoculturas e o uso intensivo de pesticidas, obrigam as abelhas a buscar refúgio nas cidades. Peter Rozenkranz, entomologista na Universidade de Stuttgart, disse à IPS que as monoculturas estão privando as abelhas de seu habitat natural. “Após algumas boas semanas na primavera, as abelhas se vêem ameaçadas pela fome, porque avançando o ano quase não restam flores”, acrescentou. Imagens obtidas via satélite mostram que “em vastas regiões, especialmente na zona oriental do país, não há nada que sirva de alimento para as abelhas”, ressaltou.

E, se não bastasse isso, os cultivos estão saturados de inseticidas e pesticidas, que quase em sua totalidade resultam ser fatais para as abelhas. Apicultores do Estado de Baden Wurttemberg informaram sobre a morte de centenas de abelhas em maio. Culparam um componente químico do inseticida Poncho Pro, usado para proteger das larvas as sementes do milho. Mnafred Raff, diretor da associação regional de apicultores, disse à IPS que mandou analisar suas abelhas depois das mortes em massa. “Encontramos em seus corpos abundantes traços desse produto químico”, afirmou.

Como conseqüência de uma demanda judicial apresentada por Raff e outros 700 apicultores de BadenWurtemberg, a gigante da indústria química e farmacêutica Bayer admitiu que Poncho Pro causou a morte, mas culpou os produtores de sementes pelo uso indevido desse produto. Viver nas cidades se tornou mais atraente para as abelhas, “porque as áreas verdes recreativas e os jardins têm uma vegetação variada e exuberante, que floresce ao longo de vários meses, desde o começo da primavera até o fim do verão”, afirmou Rosenkranz.

“Nas cidades, as abelhas só precisam voar algumas centenas de metros, de um parque público a uma sacada e dali até um jardim para encontrarem suculentas flores, em sua maioria livres de inseticidas”, acrescentou Rosenkranz disse que as abelhas estiveram sob ameaça de extermínio durante anos. Em 2007, morreram cerca de 30% de sua população na Alemanha. Atualmente, 330 das 550 variedades de abelhas silvestres são consideradas espécies em perigo. O panorama se repete em outros países, especialmente nos Estados Unidos: em 2007, em regiões de 24 Estados, até 70% da população de abelhas morreram em circunstâncias estranhas.

O desaparecimento dessas polinizadoras por excelência teriam profundas conseqüências ambientais, que iriam muito além da falta de mel. A escassez de alimentos se agravará se as colônias de abelhas deixarem de polinizar frutas e vegetais. (IPS/Envolverde)

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

Domingo com saudade de Maria do Carmo

Maria do Carmo Brito Mendes

Se já não é fácil passar dos cinquentinha com a consciência de que vivemos mais da metade da nossa vida, ainda temos que encarar as perdas. Dei-me conta disto depois que observei que tenho ido com mais freqüência aos velórios. Ainda bem que as pessoas estão mais civilizadas e os escândalos estão fora de moda. Livre do descontrole e dos espetáculos de exorcismo da dor, a morte parece menos constrangedora. Mesmo assim triste. Sempre será. Perder uma pessoa quer dizer que você nunca mais a terá, nem de perto nem de longe.
Essa semana, o blog perdeu uma colaboradora de primeira hora.
De memória prodigiosa, Maria do Carmo tinha muito que contar e muitos planos de escrever. Uma das coisas que ela adoraria escrever era sobre Zacarias Pontes, o velho fotógrafo de Ip. Ela se encantava com essa idéia no meio de tantas outras que pretendia contar-nos. Quando fizemos a lista das famílias, ela se lembrava de muita gente.
Maria do Carmo foi arrancada de Ipaumirim ainda criança e em circunstâncias muito dolorosas. A perda sua mãe foi traumática. Até hoje lembro detalhes porque éramos vizinhas e meu avô foi um dos primeiros a chegar no local da tragédia. Depois, me lembro dos dois, ela e o irmão, Antonio, almoçando na casa de vovó. Ela chamava meus avós papai Lalá e mamãe Lalá, forma carinhosa com que as minhas tias adotivas os tratavam. Lembrava coisas da minha infância que nem eu mesma lembrava.
Seu pai chamava-se Nel Brito, era barbeiro, sua mãe, Dona Santana, tinha uma escoliose proeminente. Toda tarde, D. Santana botava a cadeirinha de sola na calçada e ficava sentada. Era uma mulher triste, reservada e afável. Um dia cansou de viver. Naquela época, não conhecíamos a depressão e portanto não tínhamos noção de quanto ela pode ser devastadora.
Pouco tempo depois eles foram embora. Acredito que foi uma alternativa que o pai encontrou para preservar os filhos.
Naquela época, criança não tinha as atenções dos adultos nem nos momentos mais difíceis. Não participávamos dos problemas dos adultos mas em compensação ninguém nos tomava em conta para saber o que passava na nossa cabeça. Não havia essa sensibilidade. Quando meu avô faleceu, ninguém se deu conta do estrago que a perda fez dentro de mim.
Imagino o que era uma criança passar pelo trauma que ela passou, conseguir se levantar e guardar dentro de si todas as boas lembranças da infância. Ela tinha um carinho especial por D. Socorro Pontes, sua professora, e ficou muito feliz quando, através de Tadeu, pela internet, recuperou uma fotografia da sua turma.
Reencontrei-a em Cajazeiras quando fomos colegas no Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Eu era interna e ela externa. As freiras faziam questão de marcar essa diferença. Na mesma sala de aula, as internas sentavam em fila separada das externas. O contato era muito pouco porque os recreios também eram separados.
Ela sempre foi uma garota muito inteligente mas muito retraída, quietinha, no seu lugar, tirando boas notas. Nunca se misturava nas travessuras da turma.
Quando fui embora de Cajazeiras para o Crato e de lá para a vida, nunca mais a tinha encontrado. Perdi as referencias de todas as minhas colegas externas e fiquei com poucas lembranças das internas. Para ser sincera, lembro mesmo da minha turma da bagunça que deixava as freiras de cabelo em pé. Tanto não agüentaram que devolveram nosso passe aos nossos pais convidando-nos a pedir a transferência do colégio. Quanta intolerância e incompreensão com a vitalidade e a energia adolescente.
Ano passado a reencontrei no Orkut e retomamos os contatos. Entramos de cabeça no blog. Acho que o blog foi uma forma dela se reencontrar com as pessoas da sua infância. Eu tinha a sensação que ela precisava reconstituir o seu passado, perder o medo das suas dores, vencer suas lembranças. Abriu o coração nos seus textos. Discreta, como sempre, tinha receio até de citar nomes, mesmo que fosse falando bem da pessoa. Tinha planos de ir lá para minha casa, na Festa de São Sebastião, para rever as amizades. Mamãe era sua madrinha. Esperamos mas ela não pode ir. Já não estava bem de saúde e talvez tenha sido melhor se preservar de emoções fortes.
Guerreira, corajosa, feliz com a sua família e com os amigos, Maria do Carmo nos deixa o exemplo de que é possível reconstruir sempre, renascer a despeito das angústias e dos sofrimentos que a vida nos impõe.
Não consegui revê-la, minha mãe foi visitá-la quando ainda estava bem. Depois foi ao seu velório. De uma certa forma, ela reencontrou seus laços que haviam ficado no meio do caminho.


MLuiza
Recife - PE

A calçada da igreja

Igreja Matriz de Ipaumirim

O cenário desse texto não é um campo de futebol, um clube, um salão de beleza, ou um barzinho ,mas uma calçada, não uma qualquer, a da Igreja de Ipaumirim.
Eu nasci no dia 16 de julho de 1946. Nessa data teve inicio a participação da calçada da igreja na minha vida. Nesse dia pratiquei o primeiro ato imprudente, mamãe pediu a papai que fosse buscar mãe Petronila, para me ajudar a nascer, só que quando ele saiu, resolvi não esperar e nasci sozinha. Na volta quando ele já vinha, sabe onde? É isso aí acertou! Já ouviu o choro e mãe Petronila apenas cortou o umbigo.
Crianças ali ensaiaram os primeiros passos, entre elas estavam: Eu, Maria Luiza, Maria José, Geysa, Antonio, meu irmão e José Strauss, ambos de saudosa memória. Até porque quando as crianças demoravam a andar, as mães levavam seus filhos para a calçada da Igreja, pegavam nas duas mãozinhas e diziam: Vamos pra missa! E iam até entrar na casa do Senhor.
Quem dos arredores dessa localidade nunca brincou ou brigou na calçada da Igreja? Luís Carivaldo, Maria Luiza, Sônia, Chaguinha, Socorro Ribeiro, Rosa Maria, Vilani, Cícero ou Aristóteles, Graças, de Senhor Damião, Flaucides, Escolástica, Fátima Lemos, Faquito, Célia de Dedé, Antocildo,Vanda, Valquiria, José Mujica, Anchieta, Sebastião(Lau), Geraldo, Eraldo de Centor e outros mais. As brincadeiras e os brincalhões ainda se estendiam até dentro da Igreja. Inúmeras vezes, Maria Lourenço e Madrinha Beatriz nos deram broncas por estarmos correndo dentro da casa de Deus. Neli Cassiano cedo da noite ia rezar o terço, também não poupou os “pssius” e repreensões, dizendo: deixe de brincadeira dentro da igreja, menino! Espero que não se ofendam os citados e os que não foram citados também.
E a primeira missa à noite? Perdeu quem não estava lá. Tenho certeza que tinha mais gente na calçada da Igreja do que dentro, cada um que cochichava, que fazia comentários interessantes: quem já viu missa de noite é o fim do mundo; outro respondia: missa tem que ser em latim, o padre de costas para o povo e às 6:00Hs da manhã; outros acrescentavam nunca mais assisto missa!
Na Semana Santa os curiosos e curiosinhos, inclusive eu e meu irmão Antonio, ficávamos na calçada da igreja esperando Julinha e sua amigas(mulheres de vida livre)muito bem vestidas de trajes preto virem assistir as cerimônia da Quinta Feira Santa.Quem lembra o carnaval dos anos 50 em Ipaumirim? Na minha infância três carnavalescos me marcaram: Mundinho, filho de Raimundo Paulo, com trajes de bebê, João Bosco Macedo, com a bicicleta toda enfeitada, o chapéu com dizeres: ou casa de Noca ou mamãe sem nora e Jader(Bereco) que não ficava atrás. E qual seria o melhor local para vê-los passar? A calçada da igreja.
E os hipnotismos do padre Juarez, tinha crianças que bastava ver o padre, já fechava os olhos e começava a sorrir: vendo nossa Senhora ou entrava em desespero vendo o fogo do ínferno. Cícero ou Aristóteles, ao ser hipnotizado chorava vendo a mãe dele e nós, crianças ficávamos comovidas, chorando também, porque fazia pouco tempo que a mãe dele havia morrido. A meninada, logo cedo pela manhã, ao meio dia ou à noitinha já estava sentada na calçada da Igreja, em frente a casa de Zé Macedo.
Acredito, que não houve manifestação maior do que a passagem da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, talvez tenha sido o maior acontecimento neste local, houve muita emoção, muito choro, acenos com lenços brancos, até pombas deram show.
As missões de Dom Francisco de Assis Pires, também trouxe muita gente para a calçada da Igreja, me lembro de um incidente, que se não fosse trágico, seria cômico, uma mulher passou mal, durante a pregação devido o amontoado de pessoas e o calor, algumas pessoas correram para socorrer e o povo sem entender nada, sem saber o que estava acontecendo corria sem rumo e sem direção. O missionário começou a gritar: Calma, foi um ataque e quanto mais o frade gritava, foi um ataque, mas se entendia foi uma tapa, eu fui escapar na casa de Antonio Dantas, nesse corre corre saiu gente machucada.
Seria interessante citar os nomes dos namorados, dos anos 50 que participaram da história da calçada da Igreja, só que como há muito tempo sai de Ipaumirim, não sei quem casou com quem, então para evitar constrangimentos prefiro abrir espaço para que eles contem suas historias. Citarei algumas travessuras, sem contar os travessos, pois prometi guardar segredo. Na época moça decente, isto é, direita como chamavam os mais velhos, namorava sentado ao lado um do outro e aquele que sentasse muito próximo do namorado, as más línguas das “Caindinhas” ficavam ocupadas por um longo tempo. Nas festas da Igreja havia 2 partidos: azul e vermelho, quem era do azul usava lacinho azul, quem era do vermelho, lacinho vermelho e isso facilitava alfinetes e broches nas mãos da gurizada e a turma começava a brincar correndo, rodeando os casais, muitos desses se sentiam incomodados, o que eles não sabiam era que “os santinhos do pau oco” estavam unindo os casais com broches ou alfinetes e o nosso divertimento era observar quando eles se levantavam.Espero que o(a) mentor (a) dessa astúcia escreva um novo texto contando com mais detalhes.
A calçada da Igreja tinha outra turma cativa: papai, Maria Abreu Adautiva, Auta, esposa de Zé Maria, Socorro e Dorinha Duarte, Socorro Nóbrega, Maria Luiza, Vilani, Blandina, Miriam, Socorro Vieira, Luizete, Maria Gonçalves, Maria de Sousa, Olga, Ilca, Jandira, Anita... os assuntos variavam desde quem seria eleitos: Virgilio Távora ou Parsifal Barroso, até as paqueras ou “Flerts” hoje “ficas” das senhoritas Ipaumirinenses.Tem muito o que se contar da calçada da igreja: a festa do dia das mães; os filmes do padre Argemiro, a espera das aulas de Socorro Pontes, na sala de Carlota, a chegada dos noivos, batizados, anjos e defuntos, a reunião dos moradores do sitio são Pedro no final da feira, aguardando o caminhão, a comemoração da emancipação política; e a espera de uma das visitas mais ilustres de Ipaumirim Dr. Francisco Vasconcelos de Arruda, meu padrinho de batismo, a quem tenho um profundo respeito à sua memória.
Vi da calçada as procissões e as via sacras, os anúncios dos espetáculos do Circo Araujo, a peregrinação de Raimundo Rocha e Joana Doida, o abalroamento de bicicleta em Fátima Lemos, e o namoro de Heitor e Adalgisa, escondido de Dona Glória.
Quem conheceu Luiz Nóbrega, líder político, coerente, firme, hospitaleiro, fiel e Paizão? Não era somente seus filhos Dr. Luiz Filho, Sebastião Nóbrega, Maria Eunice, Maria Luiza, e Vilani, tinha seus filhos de coração Socorro Nóbrega, Maria das Dores e Socorro Duarte, dedicava amor paternal a Maria Abreu, Maria Henrique, Maria Lourenço, tinha outros adotivos: meia centenas de moradores do sitio São Pedro e a comunidade infantil de Ipaumirim. Seus filhos não dependiam de cor, sexo idade ou religião, porque seu coração enorme. Quem da minha idade não teve o afeto e o carinho de papai Lalá? Eu sim e louvo a Deus ,por isso. Mas realmente quero registrar o choro incontido de papai Lalá, na calçada da igreja, quando ele viu em 58, se não me engano, um grande número de pessoas faminta, de sacos vazios nas mãos em busca de alimentos para saciar a fome dos filhos. Imediatamente, após o choro, ele firme e decidido disse: ninguém fecha o comércio enquanto eu for vivo e providenciou alimentos para todos.
Um fato muito triste também aconteceu na minha vida, quando eu estava na calçada da Igreja, minha mãe suicidou-se jogando querosene e ateando fogo a seguir. Talvez tenha sido por isso que as lembranças da calçada ficaram durante tanto tempo em minha memória.
Como a vida é uma sucessão de alegrias e tristezas e uma seqüencia de fatos, a calçada da Igreja continua fazendo parte da minha historia.
Em 1998, após 50 anos, meu filho Pablo Sávio, portador de medalhas de artes marciais na categoria de Kung-fu, fez uma apresentação em meio a multidão e tendo como palco a calçada da Igreja, não sabendo ele nem os presentes que era mais um fato na participação da calçada da Igreja na minha vida. É isso aí...
(Texto de Maria do Carmo Brito Mendes)