sexta-feira, 30 de novembro de 2007

SÁBADO EM QUEDA LIVRE


COM QUANTOS EQUÍVOCOS SE FAZ UM DILEMA ?


(ARCO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO)

Recebo, hoje, três documentos: duas cartas e uma notificação. A primeira carta vem de Zenira, amiga da cidade, a quem todos devemos, além de tudo, o carinho e a atenção que sempre dedicou às causas do município. O segundo documento é a cópia de uma notificação do 9° Distrito Operacional do Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes – IGUATU, órgão vinculado à Secretaria de Infra-Estrutura do Governo do Ceará. O documento vem assinado pelo pároco Padre José Ranilson, como recebedor da notificação, em 08.11.2007. O outro documento é uma cópia da carta da vereadora Joselba Maria Alencar Diniz dirigida ao Deputado Estadual Neto Nunes solicitando sua intercessão junto ao DERT.
O teor do documento emitido pelo DERT solicita a retirada, no prazo de 30 dias, do Arco de Nossa Senhora da Conceição localizado na rodovia CE 286, km 05, por invadir o eixo da rodovia.
Muitas questões podem ser consideradas na discussão e eu partiria do princípio de que o respeito às normas e legislação pertinentes é fundamental em qualquer situação para a construção de uma sociedade civilizada. Não menos importante é ter a consciência que autoritarismo nas relações entre o poder e o povo é um exercício ultrapassado e pouco conveniente principalmente em tempos de eleição. Seria ingenuidade desacreditar, mesmo descrente dos políticos, que é através do poder constituído, das instituições e da sociedade organizada que as negociações costumeiramente avançam. É preciso que esse poder se manifeste, não solitariamente pela vereadora mas por toda a Câmara Municipal, pela Prefeitura, pela Igreja, pelas organizações sociais para encontrar um encaminhamento que contemple a todos.
A construção do arco feita ao calor do entusiasmo da religiosidade popular foi um equívoco porque não procurou saber as demandas legais para construção de obras em via publica. Acostumados que sempre fomos ao abandono do poder constituído, a comunidade foi aprendendo que ela tem que construir sozinha suas próprias soluções. Foi assim que, ingenuamente, quis embelezar a entrada da cidade e reverenciar sua crença.
Como aquele braço de rodovia sempre esteve ao abandono, recebendo, vez em nunca, uma meia sola de camada asfáltica para que o povo se lembre que há uma tênue diferença entre uma estrada e um buraco, então acredito que equivocadamente todos pensaram que, por ser assim, também não precisava pedir permissão para homenagear a padroeira na entrada da cidade. A maior prova do descaso dos órgãos públicos com a estrada é que tantos anos depois de construído, foi que descobriram que ali havia um arco, o que não deixa de ser prosaico quando se sabe que toda rodovia demanda uma fiscalização constante.
Cá pra nós, não é só o arco que atrapalha, ali também falta acostamento, falta conservação, falta sinalização compatível, falta segurança portanto o arco pode até ser um pretexto mas não se sustenta como motivo para melhorar a qualidade da via. E aquela ponte estreita, antiga, inadequada ali na entrada da cidade, após o arco, ninguém viu? Quem vai construir uma ponte nova que garanta um tráfego seguro?
O documento da notificação sequer registra os metros que invadem a faixa. Tem um tracinho lá no primeiro parágrafo onde há a denúncia do desacordo com a legislação. Embora reconhecendo as admoestações, fica complicado entender a arrogância do IMPRORROGÁVEL. Improrrogável é a segurança pública incluindo a qualidade das nossas rodovias. Improrrogável é a necessidade de saúde pública, hospitais funcionando, remédios disponíveis, população bem atendida. Improrrogável é uma educação de qualidade, qualificação dos professores, merenda escolar decente. Improrrogável é a luta contra a exclusão social. Improrrogável é a necessidade dos governos – Federal, Estadual e Municipal – prestarem contas aos cidadãos da aplicação dos impostos que pagamos. No território dos improrrogáveis, o modesto arco fica no fim da fila. E olha que a fila é interminável... talvez as geleiras polares se derretam e a gente não chega lá. Tomá-lo como referencia para exercício de autoridade até parece uma anedota.
E a paróquia, por que não se move? Por que fica estática em vez de estar ao lado dos fieis exercendo uma mediação para buscar resolver o conflito a contento?
A carta da vereadora representa um apelo ao deputado que veio buscar votos na terra e que justo por esta razão precisa estar perto das demandas da comunidade. Não só ele, mas todos os que aqui vieram garimpar votos. Correta está a vereadora no seu apelo solitário mas há muito tempo sabemos que estas coisas se resolvem através da interferência coletiva das lideranças políticas locais e do poder constituído. Cadê esse pessoal? Está hibernando no mormaço do verão enquanto espera a autorização para a abertura das porteiras da campanha para fazer a costumeira varredura de votos?
É preciso que a comunidade se organize e busque a negociação mas que a lição também sirva para mostrar a todos que os tempos são outros e que é preciso conhecer, analisar e propor as coisas dentro das normas estabelecidas porque , como se diz popularmente, ruim com elas, pior sem elas.
(Maria Luiza, Recife 30.11.2007)
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CONEXÃO IP
(Caio Josué e Cleidinha)

Reinauguração da Igreja

Nesta última quinta-feira 29/11, Ipaumirim entrou em clima de festa, com a reinauguração da Matriz Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Juntamente com a festa de reinauguração, aconteceu a abertura das festas de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município.
Logo no início, as 18:30 houve uma procissão da praça Pe. Cícero até a Matriz, em seguida a celebração da Santa Missa, e às 21:00 houve uma adoração ao Sagrado Santíssimo.
Nas festas de Nossa Senhora, as pessoas saem em procissão da igreja para as comunidades como, por exemplo, Alto Bandeirante, Vila São José, etc. Após a celebração da missa é servido um café da manhã para os participantes, o café é feito pelas pessoas da comunidade, que dividem as despesas e o trabalho. A festa se estende até o dia 08/12.

ANIVERSARIANDO


Aniversariando, na última semana de novembro,Terezinha Paiva Nóbrega. Grande abraço do blog para você e que venham muitas outras festas com muita saúde, paz e alegria de viver.





Dezembro inicia com o aniversário de Luiz Gonzaga, filho de Josecy e Socorro. Vai firme que estamos torcendo por você!!!








quinta-feira, 29 de novembro de 2007

LETRAS DE IPAUMIRIM

"Letras de Ipaumirim" é um título provisório que adotei até terminar o prazo de votação do título da seção quando será utilizado aquele com maior número de indicações.


Sinto muito por não sentir

Inestimável sentimento que do seu peito emana.
Que a torna valiosa e distinta entre os seres.
Para que perceba quão egrégia é, nobre donzela,
Só ao homem Deus concedeu a graça do amor,
Mas muito poucos alcançam o privilégio de amar.

Deve o amor ser natural, impessoal, decerto intátil.
Posto que não se doa, aliena-se, oferece-se.
Porque brota sem semeio, cresce em campo infértil,
Com reciprocidade floresce e frutifica,
E, com universal liberdade, serenamente vive.

Deve ser o amor ininteligível, portanto.
Indefinível também o é, mesmo versado em muitas línguas.
Às vezes dói, às vezes não.
Às vezes vai, às vezes volta, às vezes não.
Há amor de pai, amor de mãe,
Amor de amigo, amor de irmão,
E o amor de nós? Sei não.

Sei não, amor de nós!
Que de mim não germinado
Que de você já florescente.
Sei não, amor de nós!
Que de mim nada prometo
Que de você nada me cobre.

Suplico, preclara ninfa,
Não me culpe se doer
Não me culpe se sofrer
Não me culpe,
Não me culpe, simplesmente,
Por não sentir o amor que você sente.

(José Ribeiro, Brasília)
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O MUNDO DOS MEUS SONHOS


O mundo dos meus sonhos é diferente
Deste mundo de agora que magoas a gente.
No mundo dos meus sonhos existe amor e paz
Os homens não se odeiam e há diálogo até demais.

O mundo o que eu quero tem fantasias
Todo mundo tem direito de amar e sonhar
As noites são tão calmas quanto os dias,
E ninguém procura ninguém pra matar.

O mundo que ao fechar os olhos eu vejo
É saudável, cheio de ternura e carinho
O homem trocou as armas pelo beijo
Todos estão juntos, não há ninguém sozinho.


Como eu queria ainda poder alcançar
Esse mundo que povoa os sonhos meus
Um mundo onde se aplica o verbo amar
E a força do homem emana da fé em Deus.

(Fátima Dore)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

QUINTO PECADO

Receitas enviadas por Flávio, do arquivo de Oneida.


Bacalhau no Forno à Antiga

Para 4 pessoas

Ø 4 postas de bacalhau, demolhadas
Ø 1,5 kg de batatinhas
Ø Sal qb.
Ø 3 dl de azeite
Ø 3 dentes de alho
Ø 2 cebolas
Ø Salsa picada

Lave as batatinhas e leve-as ao lume a cozer com pele em água temperada com sal; depois escorra-as e, com cuidado, retire-lhes a pele. Num tabuleiro, deite 1 dl de azeite, depois os dentes de alho e as cebolas, cortadas às rodelas, e, por cima, coloque as postas de bacalhau.

Em volta do bacalhau, disponha as batatas peladas e, sobre cada posta, uma rodela de cebola. Regue com o restante azeite. Leve a forno a 190º, cerca de 40 minutos, regando, uma vez por outra, com o próprio azeite. Sirva polvilhado com salsa picada e acompanhe com salada a gosto e azeitonas.

Bacalhau à Espanhola

Ingredientes

Ø l kg de bacalhau sem pele nem espinhas
Ø 2 cebolas
Ø 4 tomates maduros
Ø 250 g de azeite
Ø 100 g de azeitonas pretas
Ø 2 pimentos vermelhos
Ø 2 dentes de alho
Ø 2 colheres de sopa de salsa picada
Ø sal
Ø 2 colheres de sopa de vinagre.

Preparação:

Demolha-se o bacalhau durante 12 horas mudando-lhe a água 2 vezes. Escorre-se bem e corta-se em bocados grandes. Cortam-se todas as hortaliças em tiras largas e misturam-se com o bacalhau. Tempera-se com azeite, vinagre, sal e alho picado. Coloca-se numa taça e serve-se enfeitado com as azeitonas.

Conselho Final:

Nesta salada, o bacalhau deve ficar saboroso, nem salgado nem insípido. Por isso, o tempo de demolho depende muito da peça de bacalhau que se utilizar. O melhor é ir provando o bacalhau ao longo do demolho, até se atingir o ponto certo.

Lasanha com Bacalhau e Creme de Alhos


Ingredientes:

Ø 8 folhas de lasanha
Ø 500 g de bacalhau demolhado
Ø 400 ml de leite
Ø 200 ml de nata liquida
Ø 8 dentes de alho
Ø óleo
Ø sal e pimenta.

Preparação:

Aquecem-se os alhos com a nata à volta de 20 minutos, e passam-se pela batedora até ficar um creme fino. Coloca-se o bacalhau numa panela com água fria, leva-se ao lume e retira-se quando levantar fervera. tapa-se e deixa-se repousar durante 20 minutos. Escorre-se e desfia-se.

Põe-se o bacalhau numa frigideira, acrescenta-se meio copo de óleo quente e aquece-se em lume brando. Quando ferver, acrescentasse outro copo de óleo e o leite. Deve ficar uma mistura suave. Tempera-se de sal e pimenta e rectifica-se o ponto de sal. Colocam-se as folhas de lasanha de duas em duas num prato de forno, alternado com camadas de bacalhau e terminando com massa.

Cobre-se tudo com creme de alhos e coze-se em forno brando durante 45 minutos. A meio da cozedura, é aconselhável tapar o recipiente com papel de alumínio para que não queime. Serve-se quente.

Conselho final:

Esta lasanha também se pode fazer com atum, quando não haja tempo para preparar o bacalhau.

Bacalhau com Alhos e Pimentão

Ingredientes:

Ø l kg de bacalhau em postas
Ø 8 dentes de alho
Ø l colher de sopa de pimentão doce
Ø l ramo de salsa
Ø azeite
Ø alguma farinha.

Preparação:

Põe-se o bacalhau de molho durante 24 horas. Convém que as postas sejam grandes e o bacalhau de primeira qualidade. Muda-se a água duas vezes. Escorre-se bem o bacalhau, passa-se por farinha e frita-se em abundante azeite, substituindo-o as vezes que forem necessárias para que as postas não enegreçam. Colocam-se as postas numa travessa.

Noutra frigideira aquece-se azeite e fritam-se nele os dentes de alho cortados em pedacinhos. Quando comecem a dourar, acrescenta-se o pimentão e refoga-se tudo ligeiramente. Acrescenta-se a salsa lavada e picada e deita-se e a fritada de alhos por cima das postas de bacalhau. Serve-se quente.

Conselho final:

Convém estar com muita atenção à temperatura do azeite onde se frita o alho, já que o pimentão se queima com facilidade e quando isto acontece larga um sabor e um cheiro bastante desagradáveis que poderiam estragar o prato.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

QUARTA VIA


Curso capacita cidadãos para fiscalizar os gastos públicos
...
Criar um verdadeiro exército de fiscais do dinheiro público. É esse o objetivo de um curso que começou a ser ministrado esta semana pela Internet. A iniciativa integra um programa mais amplo, coordenado pela Controladoria Geral da União (CGU), que busca capacitar agentes municipais e lideranças locais para o controle das despesas com programas de governo.
Cerca de 300 pessoas de todo o Brasil estão matriculadas na primeira edição do curso, que a partir do ano que vem será oferecido todos os meses. A expectativa da Controladoria é de capacitar, anualmente, 3.600 indivíduos, para que eles passem a atuar como fiscais da administração pública.
Esta é a primeira vez que a CGU promove um curso à distância aberto para o público em geral. De acordo com o gerente de fomento ao fortalecimento da Gestão e Controle Social da CGU, Mário Vinícius Spinelli, essa primeira experiência mal começou e já superou as expectativas. Em menos de dois dias da abertura das inscrições pela Internet, na página do órgão, todas as vagas foram preenchidas. “Tivemos muita procura mesmo após o encerramento das matrículas”, ressaltou Spinelli o que demonstra o grande interesse do cidadão comum em contribuir com a fiscalização do dinheiro que sai do seu próprio bolso por meio dos impostos.
A idéia de oferecer o curso surgiu dos bons resultados obtidos com o programa “Olho Vivo no Dinheiro Público”, por meio do qual técnicos da CGU visitam municípios com o objetivo de conscientizar e levar a agentes municipais ferramentas de acompanhamento dos programas de governo. “Percebemos que as atividades presenciais não eram suficientes para atender a demanda nos municípios. A solução foi oferecer uma capacitação à distância, abrindo o leque de público”, explica o gerente. Para a primeira edição do curso Controle Social foram abertas cinco turmas com 60 alunos cada, uma para cada região do país.
A servidora pública Narciza Rodrigues, 55 anos, não pensou duas vezes quando ficou sabendo do curso. Mesmo trabalhando o dia inteiro na prefeitura de seu município e cuidando da casa, ela consegue arrumar tempo para dar atenção às três filhas, ao marido e às aulas. “Chego em casa e entro na Internet depois das 11 horas da noite para acompanhar o conteúdo. Tenho muito interesse no tema e se precisar fico até de madrugada estudando”, afirma. Em Maxaranguape, município de nove mil habitantes do Rio Grande do Norte, próximo a Natal, Narciza é conhecida por participar de conselhos comunitários, ONGs e grupos de discussão. “Quanto mais as pessoas se informarem maior será o controle social. É essencial que o cidadão conheça os seus direitos e deveres para que aumente sua participação”, defende.
A funcionária pública, no entanto, lamenta que em seu município seja a única a participar do curso. “O Brasil é enorme e os órgãos de fiscalização não conseguem controlar a aplicação dos recursos em todas as partes. Meu sonho é que um dia possamos formar uma rede de pessoas na sociedade brasileira aptas a participar como fiscais e trocar experiências sobre a qualidade de aplicação do dinheiro público. É muito mais difícil meter a mão no bolso das pessoas quando elas conhecem seus direitos”, acrescenta. Ao término das aulas, Narciza pretende reunir todo o material disponibilizado na Internet e montar apostilas para discutir com os colegas de Maxaranguape e dos municípios vizinhos. “Convido as pessoas para uma reunião informal para debatermos os temas. Quanto mais pessoas fizerem isso, aos poucos, conseguimos grandes avanços", conclui.
Para facilitar o aprendizado e incentivar a participação das pessoas, as aulas são divididas em três módulos. O primeiro deles busca conscientizar o aluno para a importância da participação nas questões que afetam a sociedade. Em seguida, são apresentados conceitos básicos sobre órgãos controladores, transparência, orçamento, entre outros. Por último, os participantes aprendem como proceder para encaminhar denúncias aos órgãos responsáveis. “O nosso objetivo é sensibilizar as pessoas e dar noções básicas para que elas possam exercer o controle social”, acrescenta Spinelli.
O conteúdo é transmitido de maneira didática, com a participação de personagens que reproduzem a heterogeneidade da população brasileira. “O Rafa é um jovem participativo, enquanto a Dona Zefa vive reclamando de tudo mas não quer participar. Tem ainda o Adonias, uma criança interessada e atuante na escola, o que demonstra que todos podem exercer o controle social, independente da idade”, destaca Spinelli. Para sanar as dúvidas cerca de 10 técnicos da CGU ficam à disposição dos participantes, no intuito de esclarecer ou aprofundar qualquer questão. No final do curso os alunos que participarem de no mínimo 70% das atividades propostas receberão um certificado emitido pela Escola de Administração Fazendária (Esaf). O próximo curso será oferecido em janeiro do próximo ano e as inscrições poderão ser feitas pelo site http://www.cgu.gov.br/.
Mariana Braga
Do Contas Abertas

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TERÇA POESIA E PROSA

AMOR - O INTERMINÁVEL APRENDIZADO
(Affonso Romano de Sant'Anna )


Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem. Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas. Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.
Se enganava.
Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado. Sim, o amor é um interminável aprendizado.
Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.
De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem. E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.
Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.
Depois de folhear um, dez, centenas de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.
O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.
Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.
O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.
Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.
O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.
Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.
E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.
Absurdo.
Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?
Adolescente amava de um jeito. Adulto amava melhormente de outro. Quando viesse a velhice, como amaria finalmente? Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta? Coisa de demente.
Não era só a estória e as estórias do seu amor. Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.
Estava sempre perplexo. Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.
Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.
O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.
Optou por aceitar a sua ignorância.
Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.
E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.

(Texto extraído do livro "21 Histórias de amor", Francisco Alves Editora – Rio de Janeiro, 2002, pág.11.)


Affonso Romano de Sant'Anna nasce em Belo Horizonte, no dia 27 de março de 1937, filho de Jorge Firmino de Sant'Anna, Capitão da Polícia Militar mineira, e de D. Maria Romano de Sant'Anna. Criado em Juiz de Fora, tem uma infância de menino pobre, trabalhando desde muito cedo para pagar seus estudos. Entre um e outro biscate, aproveita para ler os livros que consegue nas bibliotecas do Serviço Social da Indústria (SESI). Filho de pais protestantes, é criado para ser pastor. Aos 17 anos prega o evangelho em várias cidades de Minas Gerais, visita favelas, prisões e hospitais, convivendo com pessoas pobres e sofridas. Leva a elas sua mensagem. Essa experiência irá influir, futuramente, no estilo de seus textos e poesias, com forte conteúdo social. Custeia seus estudos na Faculdade de Letras de Belo Horizonte, tornando-se bacharel. Em 1956, esteve envolvido com movimentos de vanguarda e, no ano seguinte, com sua voz de barítono, passa a fazer parte do "Madrigal Renascentista", à época regido pelo maestro Isaac Karabtchevsky. Fez parte dos movimentos que transformaram a poesia brasileira, sempre interagindo com grupos inovadores e construindo sua própria linguagem e trajetória. Data desta época a participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Como poeta e cronista, foi considerado pela revista "Imprensa", em 1990, como um dos dez jornalistas formadores de opinião por desempenhar atividades no campo político e social que marcaram o país nos anos 60. Coloca em seu primeiro livro, lançado em 1962, "O Desemprego da Poesia", seu inconformismo com a atuação do poeta da época que não possuía a força dos poetas do século XIX. Analisa o desencontro do poeta no seu tempo e sua frustração pessoal. O poeta era tido como um ser boêmio, romântico, fora de época. Em 1965, muda-se para Los Angeles onde, durante dois anos, dá cursos de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia. Nasce sua primeira filha, Fabiana. Lança seu primeiro livro de poesias "Canto e Palavra".Em 1968, retorna aos Estados Unidos para, durante dois anos, participar como bolsista do International Writing Program, na cidade de Iowa, dedicado a jovens escritores de todo o mundo. Apresenta, na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1969, sua tese de doutoramento "Carlos Drummond de Andrade, o Poeta "Gauche", no Tempo e Espaço", publicada em 1972 e que lhe garantiu os quatro prêmios mais importantes no universo literário brasileiro. Casa-se, em 1971, com Marina Colasanti, escritora e jornalista, segundo ele sua melhor crítica e também musa inspiradora. Nasce, em 1972, sua segunda filha, Alessandra. Leciona na Pontifícia Universidade Católica - PUC e na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.De 1973 a 1976, dirige o Departamento de Letras e Artes da PUC/RJ. Para o curso de Pós-Graduação em Letras, realizado em 1976 na PUC/RJ, promove a vinda de conferencistas internacionais, entre os quais Michel Foucault, sociólogo francês. Houve grande repercussão da visita de Foucault ao país, que se encontrava em pleno regime ditatorial. Lança seu segundo livro de poesias "Poesia sobre Poesia". Em 1976, volta aos Estados Unidos para lecionar Literatura Brasileira na Universidade do Texas. Em 1978, torna-se professor de Literatura na Universidade de Colônia, na Alemanha. Lança "A grande fala do índio guarani".Lança, em 1980, o livro de poesias "Que país é este?", cujo poema título é publicado com destaque pelo "Jornal do Brasil". Leciona, durante dois anos, na Universidade Aix-en-Provence, na França, como professor visitante. Em 1984, assume no "Jornal do Brasil" a coluna anteriormente escrita por Carlos Drummond de Andrade, o que viria confirmar a opinião do conhecido crítico Wilson Martins de que o biografado seria o sucessor de Drummond. O jornal publica seus poemas na página de política, e não no suplemento literário, iniciativa pioneira e insólita, o que faz com que Sant'Anna mude seu conceito sobre o próprio emprego do poeta na sociedade. Percebe mais claramente que a função do poeta está vinculada, primeiramente, ao fato de que ele precisa ter uma linguagem eficiente, ter domínio de todas as técnicas, falar sobre assuntos que interessem às pessoas em geral, sem narcisismo nem subjetivismo, e encontrar um veículo eficiente para projetar o seu trabalho, no caso o jornal. Considera o livro ainda muito elitista, sofisticado, de acesso impossível às camadas mais pobres de nossa sociedade. Saber que seus poemas, como: "A Implosão da Mentira", "Que país é este?" (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão) e "Sobre a atual vergonha de ser Brasileiro", estavam sendo lidos nas casas, nas praias, nos clubes, transformados em poster e colocados nas paredes de escritórios e sindicatos, em muito o gratifica e o ensina que os poetas têm que re-achar o seu lugar existencial e estético dentro da sociedade. Publica pela Editora Rocco seu primeiro livro de crônicas, "A Mulher Madura", em 1986. Em março do ano seguinte participou do Congresso "Les Belles Etrangères", onde foram reunidos dezenove escritores brasileiros em Paris e no mesmo ano publica com sua esposa a antologia "O Imaginário a Dois". Em 1989 participou do "IV Encontro de Poetas do Mundo Latino", realizado no México. Em 1990, nomeado Presidente da Fundação Biblioteca Nacional (a oitava maior biblioteca do mundo, com mais de oito milhões de volumes), cargo que ocupa até 1966, onde defronta-se, na prática, com sua própria frase a respeito do país: "Nós estamos muito à frente, mas estamos ainda muito atrás de nós mesmos". Informatiza a Biblioteca, cria o Sistema Nacional de Bibliotecas, reunindo 3000 instituições e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30000 voluntários em 300 municípios brasileiros. Lança a revista "Poesia Sempre", de circulação internacional, e apresenta edições especiais sobre a América Latina, Itália, Portugal, Alemanha, França e Espanha. Preside o Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC), no período 1993/1995), sendo também o Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas (1995/1996), que reúne 22 instituições. Cronista do jornal "O Globo", tem também participação em programas na TV Globo onde cria um novo gênero, algo entre a literatura e o jornalismo. Durante a Copa do Mundo, a TV Globo encomenda-lhe dez textos sobre os jogos, que deveriam ser escritos num espaço de duas horas, ligados à imagem e inteligíveis pelo país inteiro. O mesmo acontece com relação à Fórmula I. Também, nesse mesmo gênero, escreveria um poema por ocasião da morte do Presidente Tancredo Neves. Na sua opinião, a televisão, ao contrário do que muitos dizem, não veio para acabar com a literatura. É um veículo moderno e eficiente de promoção da literatura. Proferiu conferências em diversos países, entre outros: México, Dinamarca, Chile, Canadá, Argentina, Portugal, Estados Unidos e Espanha. Foi agraciado com o Prêmio Especial de Marketing — concedido pela Associação Brasileira de Marketing, pelo trabalho realizado frente à Biblioteca Nacional.

domingo, 25 de novembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

Hoje, teremos apenas algumas fotos e as alterações do blog. Eu tinha selecionado outras fotos mas o computador tá muito lento e amanhã não terei tempo. Segunda-feira, estarei viajando e só na terça feira funcionaremos normalmente. No próximo Domingo, falaremos sobre a Família Jorge, com texto, fotos e depoimentos. Já temos alguns outros textos sendo produzidos e, aos poucos, vamos publicando. Recebi algumas sugestões de titulo para uma próxima coluna, a enquete está ao lado e você pode votar ajudando a escolher o nome ou sugerindo outros nomes através do e-mail luiza_ipaumirim@yahoo.com.br
O crescimento e a consolidação do nosso blog pode ser creditada a presença e contribuição de todos os que escrevem, os que lêem e os que criticam. De alguma coisa que iniciou sem muita pretensão, vemos crescer uma alternativa de comunicação comunitária utilizando um suporte tecnológico de largo alcance. O exercício da liberdade criativa que permite incorporações e diversidades é o charme do nosso blog. Se a cada dia estamos mais abertos a participação, estaremos também mais atentos para que esta participação seja construtiva. Criticar sim. Difamar não. A nós, tudo que diz respeito a nossa comunidade é importante. É fundamental que as pessoas não tenham receio de participar e nós vamos adaptando o perfil do blog para favorecer a inclusão de novos colaboradores.
Ontem, publiquei um conto interessante – não sei se vocês gostaram – que mostra que através de coisas simples podemos ir trabalhando a composição da memória. É importante compreender que a memória é seletiva e portanto uma lembrança nunca é necessariamente igual para todos embora possa conter elementos comuns. Vamos construindo a memória do município a partir das nossas contribuições individuais. Mas não pretendemos ser apenas memória, somos também presente e, de uma certa forma, futuro. Nesta perspectiva, para adaptar o blog, fizemos algumas alterações e deslocamentos de seções.

ALTERAÇÕES PARA O BLOG

Domingo – permanece igual – DOMINGO MEMORIOSO
Segunda feira – permanece igual – SEGUNDA BEM HUMORADA
Terça feira – permanece igual - TERÇA POESIA E PROSA
Quarta feira – permanece igual - QUARTA VIA
Quinta feira – permanece igual – QUINTO PECADO
Sexta-feira – (alterada) - passa a atuar com um espaço de publicação de valores locais, com articulistas fixos e contribuições eventuais. Poderá conter mais de uma matéria quando houver disponibilidade. Alguns nomes já confirmaram participação nesse espaço: Josecy Almeida, Fátima Dore, Maria do Carmo Brito, Josenira Holanda , Irma Macedo, Vânia Maria, Gildaci, entre outros, mas qualquer pessoa pode colaborar. Inclui artigos, crônicas, poemas, entrevistas, resenhas, etc... O material deve ser enviado para luiza_ipaumirim@yahoo.com.br
O nome desse espaço é que precisamos escolher. “Valores da terra” é um nome bem “batido”. Vamos sugerir alguns nomes para a seção e faremos uma enquête no próprio blog pedindo para os leitores apontarem o mais sugestivo.

Sábado – permanece SÁBADO EM QUEDA LIVRE , agregando mais uma coluna CONEXÃO IP.
Conexão IP
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Lembrando que não publicamos posts anônimos, todos deverão identificar-se enviando o seu e-mail para confirmação de recebimento. O e-mail só será publicado com autorização do autor.

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sábado, 24 de novembro de 2007

ÁLBUM

Time de futebol da Cruzada Eucarística
(Foto gentilmente enviada por Tadeu Menezes)
De pé, da esquerda para direita: Xeringa, Amaro Filho, Zezinho de Cirilo Serra, Strauss, Luizinho de Zacarias e Nena.
Sentados: Evandro de Seu Afonso, não identifiquei, Faquito, Besouro e Tadeu.

CONVITE DA FESTA DA 1a. TURMA DE DOUTORES DO ABC E DOS QUINTANISTAS DO GRUPO ESCOLAR D. FRANCISCO DE ASSIS PIRES
1957


FOTO TIRADA EM 1958

(foto do meu arquivo )
Da esquerda para a direita: Jarismar Gonçalves, Vicente Gomes de Morais, Alexandre Gonçalves, Luiz Leite da Nóbrega e Geraldo de Pio Saraiva.


FOTO DE 15 DE OUTUBRO DE 1952

ZENIRA E SEUS ALUNOS
(foto do meu arquivo )

Estão presentes nesta foto: Flavio Lúcio, Zé Nery, Zé de Mestre Joaquim, Nery, Guedinha, Marinete Ribeiro, Amazonina, Silvani Ribeiro, Maria Manilza, Socorro Lustosa, Nilda Almeida, Socorro de Nair, Nazaré Sampaio, Socorro Duarte, Dorinha Duarte, Alaíde, Letícia, Odete Freitas, Jacira Saraiva, Maria Ribeiro, Maria de Dona Cecília Nery, entre outros. Essa pequenininha de pé, perto de Zenira, sou eu e a outra que está com o braço no rosto não sei que é. Tem outras pessoas que lembro quem são mas não lembro o nome, se você souber pode ajudar-nos a identificar.


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

SÁBADO EM QUEDA LIVRE


GUILHERME AUGUSTO ARAÚJO FERNANDES
(Mem Fox)
...
Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era tão velho assim. Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.Ele gostava da Sra. Silvano que tocava piano. Ele ouvia as histórias arrepiantes que lhe contava o Sr. Cervantes. Ele brincava com o Sr. Valdemar que adorava remar. Ajudava a Sra. Mandala que andava com uma bengala. E admirava o Sr. Possante que tinha voz de gigante. Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela também tinha quatro nomes, como ele. Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos. Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
- Coitada da velhinha - disse sua mãe.
- Por que ela é coitada? - perguntou Guilherme Augusto.
- Porque ela perdeu a memória - respondeu seu pai.
- Também, não é para menos - disse sua mãe.
- Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
- O que é memória? - perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
- É algo de que você se lembre - respondeu o pai.
Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava piano.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo quente, meu filho, algo quente.
Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar que adorava remar.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia, já que ela havia perdido as suas. Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo, e colocou-as com cuidado numa cesta. Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também. Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a delicadamente ao lado das conchas. Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha. Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de sua cesta.
"Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas", pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar. Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul, todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua tia. Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar. Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido para guerra e que nunca voltou. Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha, que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau. Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado. E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido encontrada, por um menino que nem era tão velho assim.

Fonte:
FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984.
http://www.educarede.org.br/educa/img_conteudo/Hist%C3%B3ria%20e%20Mem%C3%B3ria.htm

CONEXÃO IP


Conexão IP publica noticias de Ipaumirim, aniversários, fatos sociais, baladas, casamento, batizado e informações de interesse da comunidade de filhos de Ipaumirim e seus descendentes. Assim, tanto recebe notícias diretamente de IP quanto de outros lugares. A cobertura em Ipaumirim será feita por Cleidinha e Caio Josué que administrarão as informações da região. As noticias do pessoal de fora podem vir diretamente para o e-mail luiza_ipaumirim@yahoo.com.br .

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IGREJA REFORMADA PARA A FESTA DA PADROEIRA

A tão esperada reforma da Igreja Matriz de Ipaumirim- CE foi concluída nessa última quinta-feira, 22 de novembro de 2007. A igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, elevada a categoria de paróquia em 1961, construída no século passado já passou por pequenas reformas, e agora no ano de 2007 passou por uma grande restauração iniciada no mês de agosto e concluída em novembro.
A igreja passou por um longo e trabalhoso processo de pintura realizado por um excelente profissional paraibano, mais conhecido como Francisco que deixou um belíssimo trabalho para o povo ipaumirinense. Podemos ver a beleza de seu trabalho muito bem caracterizada nos mínimos detalhes da pintura. Também não era para menos Francisco já esteve em Roma exibindo o seu trabalho sempre elogiado e reconhecido.

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UMA BOA NOTÍCIA


(Galego do sofá)

Depois de passado mais de um mês desde a ocorrência do incêndio acontecido na rua Miceno Alexandre, no prédio que fica nos fundos da casa do seu Raimundo de Mano (e que a ele pertence), local onde funcionava o ponto de trabalho do Galego do Sofá (esposo da Anísia, filha da dona Loia), sabe-se hoje, que o profissional está de volta ao trabalho que sempre desempenhou com qualidade: a restauração de sofás das pessoas da nossa comunidade e das cidades circunvizinhas. O fato ocorreu em conseqüência de um curto-circuito que destruiu imediatamente aquele estabelecimento e tudo quanto nele havia.Todos que estavam perto e que moravam próximos do prédio ajudaram como puderam para tentar inibir o terrível fogo, mas o que conseguiram foi impedí-lo de passar para as residências vizinhas, pois do local só sobrou mesmo as paredes... O que houve de bom nisso, foi ver a solidariedade do povo ipaumirinense que sensibilizado com a situação demonstrou total apoio ao casal vitimado pelo incidêncio. Que bom saber que moramos numa localidade tão fraterna, tão amiga! O ponto de trabalho do Galego, fica agora na esquina do antigo hospital, e ele está trabalhando contente e a todo vapor.Que Deus abençoe a todos que ajudaram ao Galego e a sua amada família e que também derrame suas bênçãos sobre esse cidadão tão trabalhador, honesto e ordeiro.

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NIVER

Aniversariando hoje Dr. Almir Alves Costa dos Santos, Coordenador do CVT de Ipaumirim. Grande abraço e tudo de bom para o amigo.

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RECANTO DAS LETRAS

A conterrânea Luma Dore publica sua produção literária no endereço http://recantodasletras.uol.com.br/ . Vamos prestigiar o seu trabalho visitando o site.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

SEXTA CRÔNICA

O AMOR ACABA
(Paulo Mendes Campos)
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O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Fonte: (O amor acaba: crônicas líricas e existenciais. 2a ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 21-22).

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

QUINTO PECADO


Hoje, vamos sair um pouco da rotina das receitas e falar de uma coisa mais séria que diz respeito a nós todos enquanto cidadãos. Um dos temas que mais se discute na atualidade é a questão da segurança alimentar. Como é um assunto que vem, aos poucos, tornando-se corriqueiro ainda nos deixa inseguros em relação a sua compreensão. Assim, selecionei um texto que será útil para começarmos a entender a problemática da segurança alimentar, discutir sua importância, cobrar políticas públicas e acompanhar mais de perto as ações dos governos - federal, estadual e municipal - na execução de programas que tratam do tema. Junto com o texto, publicamos alguns sites onde o leitor pode buscar mais informações.
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Segurança alimentar: um conceito em construção
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O entendimento de segurança alimentar, para o leigo, pode variar do total desconhecimento até a intuição de alguns aspectos que o conceito geral abrange. Mas são tantos os detalhes envolvidos nessa complexa e ampla expressão que nem mesmo as políticas públicas conseguem abarcá-los em sua totalidade. E seja para os governantes, seja para os pesquisadores que fomentam as discussões na área, tanto no Brasil, quanto a nível internacional, trata-se de um conceito que vem sendo construído no decorrer do tempo e consolidado nos debates sobre direitos humanos ao longo das últimas três décadas.

Cunhado no início dos anos 70, o conceito de segurança alimentar se referia, originalmente, a países, e não a indivíduos ou famílias, e o foco das atenções eram os problemas globais de abastecimento. Um dos marcos iniciais de disseminação do termo foi a Conferência Mundial de Alimentação, realizada em Roma, em 1974, onde segurança alimentar foi definida como a garantia de adequado suprimento alimentar mundial para sustentar a expansão do consumo e compensar eventuais flutuações na produção e nos preços. “Este conceito original não considera a possibilidade de que o país tenha alimentos e a população não possa ter acesso a eles”, comenta Héctor Maletta, da Universidade Politécnica de Madrid, na Espanha, um dos responsáveis pelo Projeto Regional para a Formação em Economia e Políticas Agrárias e de Desenvolvimento Rural na América Latina.

Nos anos seguintes à Conferência de Roma, o reconhecimento do problema crítico de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo e a evidência de que a chamada Revolução Verde – expansão da agricultura pelo avanço tecnológico – não iria reduzir automaticamente os níveis de pobreza e má nutrição no planeta levaram a uma redefinição de segurança alimentar. Em 1983, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, em inglês) incluiu no conceito a garantia do acesso físico e econômico das pessoas à alimentação básica que elas necessitavam. Em 1986, um relatório do Banco Mundial introduziu uma distinção entre insegurança alimentar transitória, decorrente de desastres naturais, colapsos econômicos ou conflitos bélicos, e insegurança alimentar crônica, associada a problemas estruturais de pobreza e de baixa renda.

Uma semente dessa idéia começou a ser plantada no Brasil, também nos anos 80, por pesquisadores como o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que havia fundado em 1981 o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), organização não governamental sem fins lucrativos dedicada ao estudo das realidades econômicas, políticas e sociais no país. No início dos anos 90, o Ibase e o IBGE divulgaram um estudo intitulado “Mapa da Fome”, que apontava 32 milhões de pessoas no Brasil com renda familiar insuficiente sequer para comprar uma cesta básica por mês. Esse estudo desencadeou a famosa campanha de Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria e Pela Vida, encabeçada por Betinho, que conseguiu, em apenas um ano, doações de alimentos não perecíveis de 25 milhões de pessoas em mais de quatro mil comitês espalhados pelo país.

Em 1993, o presidente Itamar Franco atendeu ao apelo da sociedade civil gerado pela campanha de Betinho e criou a primeira versão do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) – substituído pelo Conselho de Comunidade Solidária, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e reativado dez anos depois de sua criação pelo presidente Lula. “As políticas públicas no Brasil passaram a incorporar o foco de segurança alimentar e nutricional a partir de trabalhos desenvolvidos por muitos pesquisadores, embora nas políticas você ainda tenha uma incorporação muito parcial do enfoque”, afirma Renato Maluf, pesquisador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e assessor especial e membro do Consea.

Segundo ele, no Brasil, a interpretação inicial era diferente do sentido original de food security, devido a um esforço, aqui, para se construir uma visão de segurança alimentar que fosse além da mera disponibilidade de bens alimentares de consumo. Mesmo assim, a questão do acesso aos alimentos sempre esteve no foco tanto das políticas nacionais quanto das internacionais. Em 1994, a FAO, lançou o seu Programa Especial de Segurança Alimentar, centrado na ajuda a vários países para o aumento da produção de alimentos, para conter os índices de fome e subnutrição. Nesse mesmo ano, o Brasil realizou a Primeira Conferência Nacional de Segurança Alimentar, na qual a insegurança alimentar do brasileiro, fortemente vinculada à idéia de acesso aos alimentos, foi associada à concentração de renda e de terra no país.

“A política nacional de segurança alimentar e nutricional vem sendo construída e a incorporação das várias dimensões [que o conceito abrange] vem sendo gradativa”, afirma o assessor especial do Consea. Essa incorporação de outros aspectos ao conceito original também foi gradativa a nível internacional. Em meados dos anos 90, o acesso ao alimento para uma vida ativa e saudável, dentro do conceito de segurança alimentar, passou a abranger questões como preferência individual, balanço nutricional e inocuidade dos alimentos (sua inofensividade à saúde). A exemplo do marco inicial de 1974, foi novamente em Roma que aconteceu a Cúpula Mundial de Alimentação, em 1986, onde se traçou a meta de erradicar a fome em todos os países do mundo e reduzir o número de pessoas subnutridas pela metade até 2015. Esse evento consolidou o seguinte conceito:

“A segurança alimentar, nos níveis individual, familiar, nacional, regional e global, é alcançada quando todas as pessoas têm, a todo momento, acesso físico e econômico a alimentos inócuos [que não oferecem riscos à saúde] e nutritivos para satisfazer suas necessidades dietéticas e preferências alimentares, para uma vida ativa e saudável”.

A questão do risco à saúde, incorporada desde então, envolve uma palavra em inglês (safety) que a exemplo do conceito geral (security) também se traduz por “segurança”. A ambigüidade desse termo, em português, que pode se referir tanto aos alimentos (seguros) quanto à prática alimentar (segura), pode levar a uma limitação do conceito. “Deve-se distinguir claramente a segurança alimentar (food security) da inocuidade dos alimentos (food safety). Esta última é uma condição necessária para que haja segurança alimentar, mas é apenas um aspecto. De nada valeria ter alimentos inócuos se estes não existem em quantidade suficiente ou se a população não tem acesso a eles”, esclarece Héctor Maletta, da Universidade Politécnica de Madrid.

“Da mesma forma, não pode existir segurança alimentar se os alimentos causam dano [à saúde], mesmo quando há acesso a eles em quantidade suficiente”, acrescenta. Além da questão do acesso ao alimento, a idéia de insegurança alimentar envolve ainda desde riscos por má conservação dos alimentos ou grande concentração de substâncias nocivas que eles possam conter, passando por formas de preparo ou processamento que destroem certos nutrientes essenciais, até condições gerais de saúde e saneamento ou possíveis reações alérgicas de algumas pessoas a alimentos específicos.

A percepção pública

Se para os cientistas e os definidores de políticas públicas o conceito de segurança alimentar é novo e controverso em determinadas situações, que dirá para o público leigo. Robson de Almeida, funcionário da Unicamp diz que nunca ouviu falar em segurança alimentar e não faz idéia do que seja isso. A mestranda em engenharia química Giselle Ferreira da Silva sugere que a expressão “está relacionada à higiene e à conservação dos alimentos”, associando o termo à idéia de risco que os alimentos podem oferecer para a saúde.

Entre os que conhecem a expressão, outro aspecto além do risco à saúde predomina na percepção dos leigos sobre segurança alimentar, influenciada pela campanha de Betinho e pelo recente programa Fome Zero do governo federal: a questão do acesso aos alimentos. “É claro que a fome, especialmente a fome crônica e as formas de fome oculta, como a desnutrição, são as dimensões mais evidentes e urgentes da segurança alimentar e nutricional. É uma visão que expressa o direito de que todos devem ter acesso aos alimentos e que ninguém passe fome”, observa Renato Maluf, do Consea. “Temos feito um esforço para construir uma visão em que o próprio combate à fome seja orientado com um enfoque de segurança alimentar e nutricional. Não se trata de distribuir alimentos de qualquer maneira, não é apenas uma questão de dar renda a quem não tem para que possa comprar alimentos. Tem [também] o tema de produção, o tema de hábitos alimentares e a questão de soberania alimentar envolvidos”, avalia.

Segundo o assessor especial, a definição de segurança alimentar do Consea prevê que a garantia de acesso regular e permanente a uma alimentação adequada leve em conta as condições econômicas, ambientais e culturais dos povos. Além disso, na questão da produção de alimentos, o Consea também estimula aquilo que tem sido uma das marcas do atual governo: a agricultura familiar. O Conselho atua, ainda, na área de educação alimentar, que envolve não apenas os hábitos alimentares e a alimentação balanceada, mas inclusive a preocupação ambiental para que a produção de alimentos seja sustentável e valorize a biodiversidade. “É um componente fundamental que a política seja construída com muita participação social”, conclui.
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SITES
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Nacionais
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ABIA - Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias (www.abia.org.br)
Ação da Cidadania (www.acaodacidadania.org.br/institucional/index.php)
Alimento Seguro (www.alimentoseguro.com.br)
ANBio - Associação Nacional de Biossegurança (www.anbio.org.br)
ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária (www.anvisa.gov.br)
CONSEA - Conselho de Segurança Alimentar do Rio Grande do Sul (www.stcas.rs.gov.br/consea/)
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (www.embrapa.br)
Fome Zero (www.fomezero.gov.br)
Higiene dos Alimentos (www.higienedosalimentos.com.br)
Ibase (www.ibase.org.br)
IBD - Instituto Biodinâmico (www.ibd.com.br)
INMETRO - Instituto Brasileiro de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (www.inmetro.gov.br/)
Nutrinews (www.nutrinews.com.br)
PAS - Programa Alimento Seguro (www.alimentos.senai.br)
Pólis - Instituto de Estudos, Formação e Assessorias em Políticas Sociais (www.polis.org.br)
Portal da Fome e Segurança Alimentar (www4.prossiga.br/fome/index.html)
SEBRAE (www.sebrae.org.br)
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Internacionais
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terça-feira, 20 de novembro de 2007

QUARTA VIA

¿Porqué no te callas?

Não se imagina um chefe de Estado europeu dirigir-se nesses termos publicamente a um colega europeu quaisquer que fossem as razões do primeiro para reagir às considerações do último. Esta frase é reveladora em diferentes níveis.

Boaventura de Sousa Santos

Esta frase, pronunciada pelo Rei de Espanha dirigindo-se ao Presidente Hugo Chávez durante a XVII Cúpula Iberoamericana realizada no Chile, no dia 10 de Novembro, corre o risco de ficar na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colônias. De fato, não se imagina um chefe de Estado europeu dirigir-se nesses termos publicamente a um colega europeu quaisquer que fossem as razões do primeiro para reagir às considerações do último. Como qualquer frase que intervém no presente a partir de uma história longa e não resolvida, esta frase é reveladora em diferentes níveis.
Ela revela, em primeiro lugar, a dualidade de critérios na avaliação do que é ou não democrático. Está documentado o envolvimento do primeiro-ministro de Espanha de então, José Maria Aznar, no golpe de Estado que em 2002 tentou depor um presidente democraticamente eleito, Hugo Chávez. Porque, naquela altura, a Espanha presidia à União Européia, esta última não pode sequer clamar total inocência. Para Chávez, Aznar ao atuar desta forma, comportou-se como um fascista. Pode questionar-se a adequação deste epíteto. Mas haverá tanta razão para defender as credenciais democráticas de Aznar, como fez pateticamente Zapatero, sem sequer denunciar o carácter antidemocrático desta ingerência?
Haveria lugar à mesma veemente defesa se o presidente eleito de um país europeu colaborasse num golpe de Estado para depor outro presidente europeu eleito? Mas a dualidade de critérios tem ainda uma outra vertente: a da avaliação dos fatores externos que interferem no desenvolvimento dos países. Num dos primeiros discursos da Cúpula, Zapatero criticou aqueles que invocam fatores externos para encobrir a sua incapacidade de desenvolver os países. Era uma alusão a Chavez e à sua crítica do imperialismo norte-americano.
Pode criticar-se os excessos de linguagem de Chávez, mas não é possível fazer esta afirmação no Chile sem ter presente que ali, há trinta e quatro anos, um presidente democraticamente eleito, Salvador Allende, foi deposto e assassinado por um golpe de Estado orquestrado pela CIA e por Henry Kissinger. Tão pouco é possível fazê-lo sem ter presente que atualmente a CIA tem em curso as mesmas táticas usando o mesmo tipo de organizações da “sociedade civil” para destabilizar a democracia venezuelana.
Tanto Zapatero como o Rei ficaram particularmente agastados pelas críticas às empresas multinacionais espanholas (busca desenfreada de lucros e interferência na vida política dos países), feitas, em diferentes tons, pelos presidentes da Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia e Argentina. Ou seja, os presidentes legítimos das ex-colônias foram mandados calar mas, de fato, não se calaram. Esta recusa significa que estamos a entrar num novo período histórico, o período pós-colonial, teorizado, entre outros, por José Marti, Gandhi, Franz Fanon e Amilcar Cabral e cujas primicias políticas se devem a grandes lideres africanos como Kwame Nkrumah. Será um período longo e caracterizar-se-á pela afirmação mais vigorosa na vida internacional dos países que se libertaram do colonialismo europeu, assente na recusa das dominações neocoloniais que persistiram para além do fim do colonialismo.
Isto explica porque é que a frase do Rei de Espanha, destinada a isolar Chávez, foi um tiro que saiu pela culatra. Pela mesma razão se explicam os sucessivos fracassos da União Européia para isolar Roberto Mugabe.Mas “¿porqué no te callas?” é ainda reveladora em outros níveis. Saliento três. Primeiro, a desorientação da esquerda européia, simbolizada pela indignação oca de Zapatero, incapaz de dar qualquer uso credível à palavra “socialismo” e tentando desacreditar aqueles que o fazem. Pode questionar-se o “socialismo do século XXI” - eu próprio tenho reservas e preocupações em relação a alguns desenvolvimentos recentes na Venezuela - mas a esquerda européia deverá ter a humildade para reaprender, com a ajuda das esquerdas latinoamericanas, a pensar em futuros pós-capitalistas.
Segundo, a frase espontânea do Rei de Espanha, seguida do ato insolente de abandonar a sala, mostrou que a monarquia espanhola pertence mais ao passado da Espanha que ao seu futuro. Se, como escreveu o editorialista de El País, o Rei desempenhou o seu papel, é precisamente este papel que mais e mais espanhóis põem em causa, ao advogarem o fim da monarquia, afinal uma herança imposta pelo franquismo. Terceiro, onde estiveram Portugal e o Brasil nesta Cúpula? Ao mandar calar Chávez, o Rei falou em família. O Brasil e Portugal são parte dela?

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Fonte: http://www.agenciacartamaior.com.br

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

TERÇA POÉTICA, com Vinicius de Moraes

O Haver
Vinicius de Moraes

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
...
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
...
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
...
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
...
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
...
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
...
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
...
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
...
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
...
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
...
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

(15/04/1962)


Na tempestuosa madrugada de 19 de outubro de 1913, nascia o garoto Vinitius. A grafia está correta. Seu pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, um apaixonado pelo latim, dera a ele este nome. Naquela noite nascia na Gávea, o futuro garoto de Ipanema.
Escreveu seu primeiro poema de amor aos 9 anos, inspirado em uma colega de escola que reencontraria 56 anos depois. Seus amores eram sua inspiração. Oficialmente, teve nove mulheres: Tati (com quem teve Susana e Pedro), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli (mãe de Georgina e Luciana), Maria Lúcia Proença (seu amor maior, musa inspiradora de Para viver um grande amor), Nelita, Cristina Gurjão (mãe de Maria), a baiana Gesse Gessy, a argentina Marta Ibañez e, por último, Gilda Mattoso. Mulherengo? Não, “mulherólogo”, como ele costumava se definir. Tati, a primeira, única com quem casou no civil, é a inspiradora dos famosos versos “Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja imortal enquanto dure”. Deixou-a para viver com Regina Pederneiras. O romance durou um ano, depois do que ele voltou com Tati para deixá-la, definitivamente, em 1956 e casar com Lila, então com 19 anos, irmã de Ronaldo Bôscoli. Foi nessa época que o poeta conheceu Tom Jobim e o convidou para musicar sua peça Orfeu da Conceição. Desta parceria, surgiriam músicas símbolos da Bossa Nova como Chega de Saudade e Garota de Ipanema, feita para Helô Pinheiro, então uma garotinha de 15 anos que passava sempre pelo bar onde os dois bebiam. No ano seguinte, 1957, se casaria com Lucinha Proença depois de oito meses de amor escondido, afinal, ambos eram casados. A paixão durou até 1963. Foi pelos jornais que Lucinha, já separada, soube da ida de Vinícius para a Europa “com seu novo amor”, Nelita, 30 anos mais jovem. Minha namorada, outro grande sucesso, foi inspirado nela.
Em 1966, seria a vez de Cristina Gurjão, 26 anos mais jovem e com três filhos. Com Vinícius teve mais uma, Maria, em 1968. Quando estava no quinto mês de gravidez, Vinícius conheceu aquela viria a ser sua próxima esposa, Gesse Gessy. No segundo semestre de 69 começa sua parceria com Toquinho. No dia de seu aniversário de 57 anos, em 1970, em sua casa em Itapuã, Vinícius transformaria Gesse Gessy, então com 31 anos, em sua sétima esposa. Gesse seria diferente das outras e comandaria a vida de Vinícius como bem entendesse. Em 1975, já separado dela, ele se declara apaixonado por Marta Ibañez, uma poeta argentina. No ano seguinte se casariam. Ele tinha quase 40 anos mais que ela.
Em 1972, a estudante de Letras Gilda Mattoso conseguiu um autógrafo do astro Vinícius após um show para estudantes da UFF, em Niterói (RJ). Quatro anos depois o amor se concretizaria. O poeta , já sessentão; ela, com 23 anos. Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes das canções do LP Arca de Noé com Toquinho, Vinícius, já cansado, disse que iria tomar um banho. Toquinho foi dormir. Pela manhã foi acordado pela empregada que encontrara Vinícius na banheira com dificuldades para respirar. Toquinho correu para o banheiro, seguido de Gilda. Não houve tempo para socorrê-lo. Vinícius de Moares morria na manhã de 9 de julho. No enterro, abraçada a Elis Regina, Gilda lembrava da noite anterior, quando em uma entrevista, perguntaram ao poeta: “Você está com medo da morte?”. E Vinícius, placidamente, respondeu: “Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida”.
Fonte: http://memoriaviva.digi.com.br/vinicius/

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domingo, 18 de novembro de 2007

SEGUNDA BEM HUMORADA


Mentir é pecado e pode prejudicar as finanças.

Um sujeito se dirigiu à atendente da casa lotérica:
- Olha, não tenho a menor idéia sobre quais números escolher para comprar um bilhete da Loteria Federal. Você poderia me ajudar?
- Claro, respondeu ela, vamos lá. Durante quantos anos você freqüentou a escola?
- 8
- Perfeito, temos um 8.
- Quantos filhos você tem?
- 3 - Ótimo, já temos um 8 e um 3.
Quantos livros você já leu até hoje?
- 9
- Certo, temos um 8, um 3 e um 9. Quantas vezes por mês você faz amor com sua mulher?
- Caramba, isso é uma coisa muito pessoal - diz ele.
- Mas você não quer ganhar na loteria?
- Está bem, 2 vezes.
- Só??? Bom, deixa pra lá. Agora que já temos confiança um com o outro, me diga quantas vezes você já deu a bunda?
- Qual é a sua? - diz o homem - Sou espada!
- Não fique chateado. Vamos considerar então zero vezes. Com isso já temos todos os números: 83920.
O sujeito comprou o bilhete que correspondia ao número escolhido. No dia seguinte foi conferir o resultado. O bilhete premiado foi o de Nº 83921. Cheio de raiva, comentou:
- Puta que pariu!!! Por causa de uma MENTIRINHA BESTA eu não fiquei milionário !!!

BRIGA JUDICIAL

Um casal está brigando judicialmente pela guarda do filho. Na ultima audiencia o Juiz faz uma ultima pergunta a mãe:
- Qual o motivo que você me dá para que lhe conceda a guarda do seu filho?
E a mãe toda emotiva responde:
-Eu passei 9 meses com ele na barriga, ela saiu do meu ventre, é direito meu que ele fique comigo!
O juiz ouviu e dirigiu-se ao pai:
-E qual o motivo que você me dá para que lhe conceda a guarda do seu filho?
O pai, pensando logicamente, disse:
-Sr. Juiz, vou apenas lhe fazer uma única pergunta: Se eu colocar uma moeda numa maquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha ou da maquina?

REVANCHE DA LOIRA

Uma loira e um matemático estão sentados lado a lado num vôo de São Paulo para Belém.O matemático pergunta se ela não quer participar de um joguinho interessante. A loira, muito cansada, diz que só quer dar um cochilo, agradece educadamente e se vira para a janela na intenção de tirar uma soneca.O matemático insiste e diz que o joguinho é fácil e muito divertido. Ele explica:
- Eu faço uma pergunta e, se você não souber a resposta, me paga R$ 5,00 e vice-versa.
Novamente ela declina a cabeça e tenta dormir um pouquinho. Mas, o chato insiste:
- Se você não souber a resposta me paga R$ 5,00 e se eu não souber a resposta, te pago R$ 500,00.
Isso chamou a atenção da loira, que, pensando que esse tormento não terminaria enquanto ela não participasse da brincadeira, decidiu concordar.
O matemático fez a 1ª pergunta:
- Qual a distância exata entre a terra e a lua?
A loira não disse uma palavra, abriu a bolsa, pegou uma nota de R$ 5,00 e entregou ao matemático.
- Ok... é a sua vez - disse ele, sorridente.
A loira então pergunta:
- O que é que sobe a montanha com 3 pernas e desce com 4 pernas?
O matemático, desconcertado, pega o seu laptop e pesquisa todas as referências sem obter nenhuma resposta. Pega o telefone do avião (airphone) e conecta em seu modem, procura em todos os bancos de dados e bibliotecas possíveis, sem obter nenhuma resposta. Frustrado, manda e-mail para todos os seus amigos e colegas de trabalho/profissão, sem nenhum sucesso. Após uma hora de pesquisa, ele pega os R$ 500,00 e entrega a loira, ela agradece e se vira para o lado para uma soneca.
O matemático, muito mal-humorado, cutuca a loira e pergunta:
- Muito bem, qual é a resposta?
Sem dizer uma palavra, a loira abre a bolsa, entrega mais R$ 5,00 ao matemático e volta a dormir.*
E AINDA DIZEM QUE AS LOIRAS SÃO BURRAS!!!!!

MÃE ADIVINHA…

O rapaz chega em casa muito animado e diz para sua mãe que se apaixonou e quer casar. A mãe inicia uma série de perguntas, e ele lhe faz então uma proposta:
- Mãe, por brincadeira, vou trazer aqui amanhã três mulheres e você irá tentar adivinhar com qual delas eu irei me casar.
A mãe concorda com o teste. No dia seguinte, ele traz à sua casa três mulheres lindíssimas. Elas sentam-se no sofá e ficam conversando com a mãe do rapaz durante um tempo. Depois de horas de conversa entre elas, o rapaz chega e pergunta:
- Então, mãe, você é capaz de adivinhar com qual eu vou me casar?
A mãe responde imediatamente:
- Com a do meio.
O rapaz fica surpreso e pergunta:
- É incrível, mãe. Você acertou! Mas como é que adivinhou?
A mãe responde:
- Não gostei dela.

A importância de um elogio

O marido olha-se no espelho e diz para a esposa:
- Estou tão feio, gordo, broxa, acabado ! Preciso de um elogio...
E a esposa responde:
- Sua visão está ótima, querido !!!!

sábado, 17 de novembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

IPAUMIRINENSES – UNINDO FORÇAS, DIVIDINDO RESPONSABILIDADES
(Fátima Dore)

Gostaria de comentar um fato que aconteceu em Ipaumirim extremamente triste e lamentável, mas que, todavia, serviu para ressaltar o valor do povo da nossa humilde terra. Não me prendo muito as datas ou décadas, talvez seja um grande defeito, uma falha imperdoável, todavia o desenrolar dos acontecimentos, basta fechar os olhos e cada detalhe me vem a tona com se fosse um vídeo tape gravado em meu cérebro.
Refiro-me a um grande incêndio que marcou época e nossa história – o da Beneficiadora de Algodão da Família Fernandes.
A Família Fernandes instalou-se em Ipaumirim e trouxe consigo a implantação da de Usina Algodoeira. Esta veio acirrar o crescimento de nossa cidade, ao tornar-se fonte geradora de emprego e renda, haja visto que, na época, a infra-estrutura da nossa região centrava-se principalmente no chamando “Ouro Branco” – o algodão.
Tudo ia de vento em popa e a cada dia a referida empresa melhor se estruturava e mais empregos, gerava, até que certa madrugada, a sua “sirena”, que só apitava para marcar o revezamento dos funcionários, nos despertou com seu grito assustador – Sabíamos que algo errado estava acontecendo.
Toda cidade, pouco a pouco, foi saindo às ruas e percebeu-se então que um clarão muito forte oriundo da usina enchia nosso espaço enquanto o cheiro e gosto de fumaça sufocava nossos pulmões – Uma falha no circuito elétrico da algodoeira havia deixado escapar uma fagulha de fogo abrindo palco para o maior incêndio que já se havia visto dentro da cidade – Até parecia as queimadas da roça quando o agricultor preparava a terra para o plantio esperando a chuva tão sonhada.
Como era de se esperar, nossa gente guerreira, ao invés de empreender fuga e buscar abrigo e segurança longe do fogo, todos arregaçaram as mangas, se desarmaram e abraçaram a causa. E um chover de braços, latas, baldes etc. começou a integrar-se ao cenário. O fogo rebelde ameaçava tudo destruir, todavia, homens, mulheres e até crianças corriam em busca de água para aplacar a fúria vermelha. O vento soprava forte e tudo parecia perdido, sem jeito, mas não para nossa gente que sem nenhum planejamento ou liderança organizou-se de uma forma tal que só mesmo tendo Deus à frente daquele pelotão de soldados da paz que só crescia a cada segundo.
Assim unido forças e dividindo responsabilidades – nossos guerreiros combatiam bravamente aquele fogo voraz e renitente – Uns traziam a água, outros repassavam para quem estava mais perto do fogo, enquanto outro grupo tratava de resfriar e remover para longe os fardos de algodão que estavam nos cômodos ainda não atingidos.
Foi quase um dia inteiro de luta, onde os atores daquele episódio, ainda que cansados, famintos e afetados pela poluição causada, por nenhum instante deram o braço a torcer e finalmente o inimigo foi vencido com a ajuda do criador que em sua infinita bondade, mandou uma suave neblina que veio suavizar o clima e a tensão existente. O monstro devorador finalmente transformou-se em cinzas, mas deixou em sua passagem a destruição e o lamento daqueles que o viram levar consigo o emprego com o qual sustentava o seu lar.
Como tudo na vida nesta vida, os problemas causados pela tragédia, pouco a pouco foram contornados, todavia, aqueles momentos de aflição, de luta e de medo, o tempo, jamais conseguirá demolir da lembrança de cada ipaumirinense que o sentiu na pele e na carne, nem daqueles que ouviram de terceiros de forma bem detalhada a narração do triste episódio, que com certeza é parte integrante da nossa história dando ênfase ao desempenho do povo bravio da nossa amada Alagoinha.


Oi Fátima

Lembro do incêndio, o sino da igreja tocando, a cidade em alvoroço. Mas não lembro se foi apenas um ou se alguns. A memória da Souza Fernandes precisa ser resgatada porque ela traz em si importantes elementos para a história da economia do município que já foi um grande produtor de algodão de fibra longa. Posteriormente, a venda para Carlos Alexandre e finalmente a venda das máquinas para o Paraguay representou o fim de um período que conta a pujança das safras, a importância do emprego temporário numa região pobre, as relações de trabalho no campo que sustentavam o abastecimento da usina com o algodão em caroço. Na verdade, precisaríamos também voltar a um período anterior, no tempo da bolandeiras e dos locomóveis de que fala Zé Macedo. Incluir nesse contexto também a Usina de J. Sarmento. Lembro claro dos fardos de algodão de Souza Fernandes distribuídos na volta da fábrica, cobertos de lona nas calçadas, da dinamização do pequeno comércio local, das festas, das roupas novas que ganhávamos quando a safra era promissora. Os caminhões passando carregados, os estivadores no incansável trabalho de carga e descarga e tanta coisa mais que se cada um contasse o seu pedaço teríamos contado a vida de todos. Nazaré Sampaio que trabalhou muitos anos na Souza Fernandes , com certeza, vai contar-nos parte dessa história e ajudar-nos a compor a memória coletiva da nossa cidade. Obrigada pela sua colaboração. Continue participando.

LEMBRANDO A TODOS QUE O TEMA COLETIVO DE DEZEMBRO É "CINEMA EM IPAUMIRIM " E QUALQUER UM PODE PARTICIPAR CONTANDO ALGUMA COISA. ALÉM DESTE TEMA , PODEM ENVIAR OUTRAS LEMBRANÇAS E COISAS QUE VOCÊ ACHAR INTERESSANTES. BASTA ESCREVER UM E-MAIL PARA luiza_ipaumirim@yahoo.com.br ou luizanobrega@hotlink.com.br