terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Juventude: A utopia da onipotência


(Flávio Gikovati)

- Para derrotar o medo, alguns jovens acreditam ser imunes a qualquer perigo. Vestem a couraça da onipotência e põem em risco seu futuro e sua vida. Até que um dia descobrem porque não são “imortais”.

A adolescência é uma fase extremamente difícil da vida. Talvez a mais difícil. Temos que nos comportar como adultos sem dispor de cacife para isso. Temos que ser fortes e independentes quando ainda nos sentimos inseguros e sem autonomia de vôo. Temos que mostrar autoconfiança sexual, mesmo sendo totalmente inexperientes. Temos que formar um juízo a nosso respeito – se possível positivo –, mas nos falta a vivência para aprofundar o autoconhecimento. Enfim, temos que ser ousados e corajosos, embora a cada passo surja o medo para nos inibir.

O que fazer? Frente a tantas incertezas, acabamos seguindo os modelos sugeridos pela própria cultura. Passamos a imitar nossos heróis, “travestindo-nos” de super-homens e de mulheres maravilha. Assim, encobrimos nossas dúvidas e inseguranças. Elas que sejam reprimidas e enviadas para o porão do inconsciente. Nós seremos os fortes e destemidos, para nós nada de errado ou ruim irá acontecer. Construímos uma imagem de perfeição, de criaturas especiais, particularmente abençoadas pelos deuses. Resultado: nos sentimos onipotentes e, a partir daí, não há coisa no mundo que possa nos aterrorizar, uma vez que estamos revestidos de proteções extraordinárias.

Este “estado de graça” irá perdurar por um tempo variável. É um período bastante complicado para as pessoas que convivem com o jovem, pois ele sabe tudo, faz tudo melhor, acha todo o mundo “alienado” e “burro”. Só ele é competente e sábio. No entanto, para o próprio jovem, a frase parece muito positiva. Ele, finalmente, se sente bem, forte, seguro e não tem medo de experimentar situações novas. Pode montar o cavalo mais selvagem com a certeza absoluta de que não cairá em hipótese alguma. Mais tarde, quando não for mais tão ousado e confiante, se lembrará dessa época da vida como a mais feliz. Afinal de contas, a sensação de euforia é sempre inesquecível.

Na verdade, ninguém teria nada contra a onipotência, se ela correspondesse à realidade. Porém, não é isso que os fatos nos ensinam. Sabemos que, entre os jovens, são exatamente os mais confiantes aqueles que se envolvem em todo tipo de acidentes graves, quando não fatais. São estes jovens que dirigem seus carros na estrada, durante a madrugada, com o “pé na tábua”. Não sentem medo porque “é óbvio que os pneus não irão estourar” e “é lógico que não irão adormecer ao volante”. São estes jovens que saem de uma festa e, alcoolizados, vão a toda a velocidade para a praia. Sua “imortalidade” só é desmentida por um acidente fatal. Aliás, para ser sincero, parece incrível que não ocorra um maior número de acidentes.
Alguns jovens, onipotentes e filhos diletos dos deuses, andam de motocicleta sem capacete. Desafiam a chuva e o asfalto molhado, depois de usar tóxicos ou ingerir álcool. Fazem curvas superperigosas. Não se intimidam porque “para eles nada de mal irá acontecer”. E morrem ou ficam paralíticos, interrompendo vidas que poderiam ser ricas e fascinantes. Estes mesmos jovens utilizam drogas em doses elevadas, porque se julgam imunes aos riscos da overdose e suas graves conseqüências. Chegam a compartilhar seringas, ao injetar tóxicos na veia, pois “é claro que não terão AIDS”. E, pela mesma razão, continuam a ter relações sexuais com parceiros desconhecidos, sem sequer tomar o cuidado de usar camisinha.

Aqueles que não morrem ou não ficam gravemente doentes, um dia acordam desse sonho em que flutuavam em “estado de graça”. Acordam porque lhes aconteceu algo: aquele acidente considerado impossível. Caíram do cavalo. Eles também são mortais! Então, tomam consciência de toda a insegurança e de toda a fragilidade que os levaram a construir a falsa armadura da onipotência. Ao se tornarem criaturas normais, sentem-se fracos. Antes era muito melhor. Sim, mas era tudo mentira. Agora, o mundo perdeu as cores vibrantes da fantasia. Vestiu os meios-tons da realidade. Eles não conseguiram domar o cavalo selvagem e foram derrubados no chão. Terão de aprender a cair e se levantar. Terão de aprender a respeitar mais os cavalos! Terão de saber que todas as doenças, todos os acidentes, todas as faltas de sorte poderão persegui-los. E – o que é mais importante – terão de enfrentar com serenidade a plena consciência de que são vulneráveis. Este é um dos ingredientes da maturidade: ter serenidade na viagem da vida, mesmo sabendo que tudo pode nos acontecer

Fonte: http://www.flaviogikovate.com.br/artigos/texto/juventude_a_utopia_da_onipotencia.htm

Lembra-me uma frase que um dia eu li e que de uma outra maneira meu pai sempre me ensinou mas que só a maturidade foi mostrando-me que a sabedoria longe está da arrogância e do medo de reconhecer limites..

"Desterra dos teus estudos a arrogância, não tenhas presun­ção pelo que sabes, que tudo quanto sabe o mais sábio homem do inundo é nada em comparação ao que lhe falta saber." (Juan Luis Vives)

Juan Luis Vives ( 1492-1540) - Humanista e filósofo espanhol de expressão latina nascido em Valência, considerado o pai da moderna psicologia e chamado de o cristianizador do Renascimento. Oriundo da tradicional família Vives, estudou humanidades no Estudo Geral de Valência e, aos 17 anos, entrou para a Universidade de Paris, onde freqüentou os cursos de dialética com Gaspar Lax de Sariñena e Jean Dilaert. Após defender o doutorado, viajou através da Flandres, desenvolvendo diversas atividades e, finalmente, estabelecendo-se em Bruges (1512), como convidado da família valenciana Valladaura. Nomeado (1520) professor da Universidade de Lovaina, estabeleceu uma amizade com Erasmo, iniciando-se como literato e desenvolvendo sua brilhante carreira de humanista e sua fé católica. A pedido de Erasmo, procedeu (1521) a revisão de De civitate Dei de Santo Agostinho, restabelecendo o respectivo texto e efetuando um comentário que viria a ser publicado em Basiléia (1522). Convidado por Tomás More, foi para a corte inglesa, como preceptor da princesa Maria. Também foi leitor da rainha Catarina de Aragão, mulher de Henrique VIII, e ensinou no Corpus Christi de Oxford. Tendo melhorado a sua situação econômica, casou (1524), em Bruges, com Margarida Valldaura, mas, em virtude de ter recusado a apoiar Henrique VIII por ocasião de seu divórcio de Catarina, perdeu a pensão real (1527). Ainda ficou três anos em Inglaterra, até que uma detenção de seis meses o persuadiu a regressar a Bruges, onde retornou ao ensino e defender livremente sua fé católica. Começou a sofrer de ataques de gota (1533) e, no final da sua vida, ficou paralítico vítima de artrite dolorosa, o que não o impediu de escrever até à sua morte, em Bruges. Suas últimas cartas formaram uma espécie de testamento espiritual que, recolhidas por sua fiel Margarida, foram reunidas em De veritate fidei christianae (1543). Entre as obras de caráter social escreveu o magnífico tratado De subventione pauperum, dedicado ao burgomestre do Senado de Bruges (1526), de Da Instrução (1531), dedicada a D. João III, obra que induziu o rei a fundar a Universidade de Coimbra, e A Alma e a Vida (1538), que muitos consideram a sua melhor obra e que o levou a ser considerado o pai da moderna psicologia. Outras obras importantes foram Declamationes Sullanae (1520), De institutione foeminae christianae (1523), De reatione studii puerilis (1523), Satellitium animae (1524), Introduction ad sapientiam (1524), De dissidiis Europae et bello Turcico (1526), De conditione vitae christianorum sub Turca (1526), De officio mariti (1528), De tradentis disciplinis (1531), De artibus (1531), De communione rerum (1535), Censura de Aristotelis operibus (1538) e os Exercícios de Língua Latina (1538).
Fonte:http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JuanVive.html

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cine Ipaumirim: Corrompendo Paulo


INFORMAÇÕES SOBRE O FILME

Título: Corrompendo Paulo

Gênero: Ficção

Diretor: Tiago Moreno

Elenco: Augusto Madeira, Babi Xavier, Camile dos Anjos, José Marinho, Lavínia Vlasak, Mouhamed Harfouch, Tom Schubert

Ano: 2004

Duração: 15m

Cor: Colorido

Bitola: 35mm

País: Brasil

Sinopse: Paulo tem 28 anos. Ele trabalha na mesma agência de banco há dez anos. Namora Beatriz desde sempre. Sua rotina é quebrada quando uma mulher misteriosa entra em sua agência e em sua vid

Ficha Técnica

Produção: Sambacine

Fotografia: Gustavo Borges

Roteiro: Patrícia Freitas

Som Direto: Marcos Dreer

Direção de Arte: Daniel Pinha

Montagem: Daniel Garcia

Música: Júlio Moura

Festivais

Brazilian View Film Festival 2005

Mostra Cine Rota 22 - 2005

Fonte: http://www.portacurtas.com.br/filme.asp?cod=2622

Autoestima 10.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Domingo memorioso: Dr. Waldemar Pires Ferreira


Saulo Péricles Brocos Pires Ferreira

Dr. Waldemar Pires Ferreira nasceu em Cajazeiras, na Rua Padre Rolim, em 9 de fevereiro de 1911. Era o primogênito do casal Galdino Pires Ferreira (Major Galdino) e Crisantina Pires Sobreira Cartaxo Rolim (D. Cartuxinha). Seus avós paternos eram por parte de pai, Lindolfo Pires Ferreira (Major Lindolfo) e Leopoldina Bandeira Pires Ferreira (Mãe Maroca), o primeiro natural de Umari-PB, e a outra pernambucana da Ilha de Itamaracá que residiam em Sousa. Seus avós maternos eram Hygino Gonçalves Sobreira Rolim (Major Hygino) e Ana Cartaxo Rolim (Mãe Nenzinha) ambos cajazeirenses. Eram seus irmãos: Hygino Pires Ferreira (Dr. Gineto), Graciette Pires Maia (D. Ciete), Diva Pires Cordeiro, Maria Antonieta Pires (Tizinha) e Dr. Lindolfo Pires Ferreira (Dr. Lineto), com exceção do último, todos já falecidos.

Aprendeu suas primeira letras com seu pai, após o trabalho, em que me dizia que a boa aprendizagem começa em casa. Posteriormente estudou na escola do Prof. Crispim Coelho e outros educandários em Cajazeiras, que entre outras professoras existiu, segundo me contou, uma de nome D. Alcides, que ele muito apreciava e sabedor de que seria solteira, segundo me contou, chegou a pedi-la em casamento com menos de dez anos, ocasião em que foi severamente repreendido conforme os severos costumes da época. Seus contemporâneos nesse período que lembro mais foram, além de seu irmão Gineto, Dr. João Guimarães Jurema (futuro procurador da República) Antonio Guimarães Moreira, Prof. de Direito da UFPB, Mons. Vicente Freitas e Antonio da Costa Assis (Tota Assis). Depois estudou em diversas escolas de centros mais adiantados, concluindo Humanidades (o atual segundo grau) no Lyceu Paraibano, onde, dentre outros, foi colega do futuro governador Ernani Satyro.

Prestou vestibular e foi aprovado na Faculdade de Medicina da então recém formada Universidade do Brasil, em que os cursos superiores do Rio de Janeiro foram cingidos em tal nome. Sua faculdade, ainda existente, situa-se na Praia Vermelha, então o mais prestigiado centro de medicina do País. No cursar dessa academia, assistiu ao desenrolar da Revolução de 1930 em seu principal cenário.

Formou-se em 1934, sendo, com 23 anos, o mais jovem da turma. Depois dedicou-se a preparação e defesa de sua tese de doutorado, que versou sobre tuberculose, naturalmente na fase pré-antibiótico. (Ele afirmava que antes do antibiótico, os médicos eram mais expectadores que curadores dos pacientes; este tinha trazido mais dignidade à profissão de médico). Sua tese de doutoramento foi elogiada e publicada pelo Governo do Estado da Paraíba.

Entre seus professores destaca-se o eminente Dr. Miguel Couto que dá nome a um dos maiores hospitais do Rio de janeiro. Entre seus numenrosos colegas contemporâneos cito Dr. Rinaldo De Lamare (Pediatra), Jorge Marssilac (que depois seria fundador do Hospital do Câncer), Pedro Bloch (futuro dramaturgo), Arthur da Távola (futuro Senador) e Noel Rosa (compositor, que abandonou o curso).

Embora reconhecido e solicitado para prestar seus serviços na Capital Federal (que todos os anos visitava), decidiu voltar para seu Estado, por ter a convicção que sua terra precisava mais de seus serviços que a Capital Federal. Tendo a noção que Cajazeiras já se destacava na medicina daqueles tempos, optou por vir a prestar seus serviços na terra de seu pai, Sousa, aonde residia sua avó materna. Desse tempo, tem-se a notícia que cunhou o nome de "Cidade Sorriso" para Sousa, como chamam-na até hoje, por decliná-lo em um discurso proferido num 7 de setembro, enquanto lá residia. Como existia o transporte ferroviário daquela época, utilizava-o para prestar seus serviços e participar da vida social na região. Tem-se notícia que dançava bem, especialmente o tango. Tanto que mais tarde, recém-casado, visitou Buenos Aires, sua única viagem além fronteiras.

Falecida sua avó em Sousa, seus pais o chamaram para vir desempenhar suas funções em Cajazeiras, e lhe ofereceram o consultório medico que usaria até o fim de sua carreira, à Praça João Pessoa nº 40, onde ele trouxe o primeiro laboratório de análise (naqueles tempos o médico deveria ser multifunção) e pouco depois o primeiro aparelho de Raios X da região, de 50.000 amperes. Dois avanços enormes, se considerados à época. Nesse tempo, começou a trabalhar onde seria sua primeira casa: o Hospital Regional de Cajazeiras, recém fundado. Também naquela casa, viria a conhecer, visitando um doente, uma parenta sua que viria a ser sua futura esposa, Iracles Rolim Brocos, com que viria após se casar, ser conhecida na cidade como Ica Pires, que dispensa apresentações.

No HRC, Dr. Waldemar viria a desempenhar todas as funções destinadas a um médico: diretor, vice-diretor e, principalmente, médico plantonista, cirurgião e clínico, juntamente com outros ícones da nossa Medicina, que fizeram de Cajazeiras, o centro de referência e excelência em toda a região, inclusive Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e todo o oeste da Paraíba, em que pacientes eram para cá encaminhados - diferentemente do que se sucede hoje, as ambulâncias vinham. Estava entre ilustres colegas, como Otacílio Jurema, José Jurema, João Isidro, Celso Matos, Deodato Cartaxo, Sabino Rolim Guimarães, Julio Bandeira e Epitácio Leite, alcançando a próxima geração de médicos, que cito Iemirton Braga, Francisco Guimarães e Deusdedt Leitão, tendo a certeza de cometer omissões imperdoáveis. Esses, e os que não me recordo, fizeram a diferença e colocaram Cajazeiras num patamar invejável no sertão da Paraíba e circunvizinhanças, somente seria superado pelo Cariri Cearense depois de décadas.

Depois de casado, foi residir por alguns anos na casa de seu falecido sogro, próximo a antiga Estação Ferroviária e perto do HRC, que o tornava, abstêmio e sem outros vícios, sempre à disposição daquela casa de saúde. Na casa nasceram seus dois filhos com Ica, Jeanne em 1954, e eu em 1956: Saulo Péricles (Pepé - apelido herdado de meu tio Péricles falecido em 1952, grande amigo do Dr. Waldemar). Posteriormente a família se mudou para a praça Galdino Pires, vizinho a seus pais, onde resiram, quase todo tempo, até o falecimento de Ica, em 1979. Foi sócio fundador do Rotary Club de Cajazeiras, e presidiu o Cajazeiras Tênis Clube na década de 1950.

Já na década de 1960, ou no final da anterior, foi admitido como medico no SAMDU, posteriormente mudado de nome para INPS, que mantinha nesta cidade um posto de saúde funcionando 24 horas para serviços ambulatoriais e de emergência, onde foi plantonista até se aposentar compulsoriamente aos 70 anos em 1981, continuando no HRC até o começo da década de 90 em que logo depois desenvolveu a Doença de Alzheimer, que acomete muitos nossos familiares, e que haveria de matá-lo em 20 de outubro de 1996.

Após o falecimento de Ica, casou-se com Ilma Rodrigues, com quem teve um filho: Waldemar Pires Rodrigues Júnior, Hoje com 30 anos.

Tem como netos Mariana Pires Borsoi, nascida em 1981, arquiteta; Gabriel Pires Borsoi, em 1982, arquiteto, filhos de sua filha Jeanne com o também arquiteto Marco Antônio Borsoi, ambos nascidos em Recife e arquitetos; Lívia Pereira Brocos Pires nascida em 1982, dentista, Waldemar Pires Ferreira Neto, nascido em 1983, Mestre em Ciências da Computação, e Marina Pereira Brocos Pires, nascida em 1988, estudante de Farmácia, filhos de Saulo Péricles com a pedadoga Delmira Pereira Brocos Pires, todos cajazeirenses.

Resumidamente esta seria a vida de Dr. Waldemar Pires, mas existem muitos fatos, em que por se tratar de um elogio a sua vida e obra, não posso deixar de expor.

Primeiro uma rara qualidade, que por muito tempo foi tomada como defeito, o de não saber cobrar por seu trabalho: agora que se pode ter uma visão menos imediata, ele tinha compromisso apenas com a cura dos seus pacientes, sendo o pagamento uma mera e conseqüência sem tanto valor como o que se dá hoje. Decerto, às vezes, quando o paciente não dispunha de recursos, ele chegava a dar o dinheiro para o medicamento, sem nunca ter cobrado algo em troca, como por exemplo apoio político, como o fizeram vários de seus colegas, infelizmente prática estabelecida, de uma forma mais ou menos velada, até hoje.

Outra faceta me meu pai era seu proverbial esquecimento: mas, característica familiar decorria de algo me dito por um primo meu da nossa família Pires: somente esqueço o que não é importante. Apesar de não saber onde estaria seu carro, seus óculos (tinha vários reservas) não se conhece ele ter esquecido uma pinça, tesoura ou outro objeto em um paciente seu, muito menos ter errado sua medicação. No final de sua carreira, ante as novas marcas e medicamentos disponíveis, ele elaborou um “resumo da medicina” onde havia a doença e o medicamento correspondente, pois quando ele se formou, era o tempo de fórmulas manipuladas, em que ele era expert, e não as marcas comerciais.

Isso, sem contar seu excepcional saber cultural em vários campos e níveis, que eu, por herança, tento acompanhar sem ao menos sonhar em dispor desta cultura, em que entre outros, recitava "Os Sertões" de Euclides da Cunha de cor em longos trechos, além de vastíssimo conhecimento em várias outras áreas: foi professor no Diocesano de Física, área bastante distinta da Medicina. E quando da fundação da UFPB, foi convidado a ser professor, que recusou para não deixar sua terra e seus pacientes. Que foi candidato a vereador contra sua vontade pessoal, não fez campanha, e eleito com uma votação consagradora para a época, não assumiu, pois não era seu território. Bastante diferente de alguns políticos, em que é o poder pelo poder.

Em resumo, termino esta elogio com a frase lapidar de seu amigo e compadre João Claudino Fernandes: "Um homem que só nasce de 100 em 100 anos". Estamos esperando o próximo, e por enquanto fica esta singela homenagem desse filho que lhe deve mais do que tudo.

Obrigado, meu pai!


Saulo Péricles Brocos Pires Ferreira, filho de Waldemar, é engenheiro mecânico e advogado.
Fonte: http://coisasdecajazeiras.blogspot.com/2011/02/o-elogio-ao-homem-medico-dr-waldemar.html

Dr Waldemar Pires Ferreira foi referência também para a população de Ipaumirim. Na época, era um dos poucos médicos disponíveis na região e prestrou serviços incalculáveis ao nosso povo de IP. Na sua calma, foi médico de todas as horas e de todas as enfermidades. Bonita a homenagem que o blog Coisas de Cajazeiras prestou-lhe pela passagem do centenário do seu nascimento no ano 2011. Entre os textos, selecionei o de seu filho e repasso a todos.
ML

Devagar:não acelere a vida e não despreze o cuidado


(Antonio Rezende)

Não se pode viver sem mencionar a força da velocidade. Ela é uma marca do mundo contemporâneo. Derrubou regras e refez caminhos na comunicação. Mas é importante que você verifique o controle que ela exerce sobra a sua vida. Quantas vezes acordou antes do sinal do despertador? Costuma ler jornal e comer ao mesmo tempo? Desliga a TV antes de ouvir a última notícia? Resume história para ganhar tempo e aproveitar os minutos da noite, deixando seus filhos desconfiados das conversas e dos disfarces? Usa o telefone fixo, sem conseguir tirar o olho do celular, inquieto, celebrando cada toque com gestos nervosos?

Exemplos de pressa, de falta de paciência mínima não faltam. Aqui, estamos no blog, mas existe o e-mail. Muitos reclamam dos textos longos, quando eles têm no máximo 500 palavras. Estão esquecidos dos romances de Pamuk, do memorável Ulisses de Joyce ou de Cem anos de solidão de García Márquez. A quantidade incomoda, pois ela prende a passagem do tempo, argumentam os velocistas da vida. As questões de saúde provocadas pelas ansiedades assustam os governos, fazendo duvidar o valor das máquinas e suas fúrias aceleradas . O investimento é grande. Crianças possuem agendas, pais trabalham mais de 10 horas, surgem comportamentos estranhos. O afeto se desmancha, pois o cuidado com as pessoas é raro.

Há, porém, resistência. Nem todos embarcam no avião mais ligeiro, nem cultivam mensagens impessoais para ativar negócios e compromissos. Leia o que afirma Carlo Petrini do movimento internacional Slow Food: Ser Devagar significa controlar os ritmos de nossa vida. É você quem decide em que velocidade deve andar em determinado contexto. Se hoje quiser andar depressa, vou depressa; se amanhã quiser andar devagar, vou devagar. Estamos pelo direito de determinar nosso próprio andamento. O Slow Food conseguiu adeptos e reeducou a forma de se alimentar de muitos grupos sociais, sobretudo na Europa.

O que Petrini coloca não é o fim das tecnologias. Não vamos apagar conhecimento e se desfazer das facilidades que também auxiliam o bem-estar das coletividade. Novamente, a volta do debate sobre autonomia entra em cena. Qual o espaço de escolha que temos de conquistar para seguir a vida? Portanto, a velocidade não é um mal em si. Ela compõe a história e suas circunstâncias. A política da acumulação de riquezas é que nos leva a considerar os ritmos que podem nos assegurar confortos, nos encher de objetos sofisticados para diversão constante.

Observar a construção das relações sociais é fundamental para avaliar por onde trilha o lugar da autonomia. A prevalência da concentração de poder, a exaltação ao narcisismo, a expansão dos simulacros firmam a superficialidade. Estima-se, então, que o maior valor da vida é transformar o tempo em dinheiro. Daí, o menosprezo pelo cuidado, o avesso à alegria esticando os azares da depressão. Transformar a sociedade, numa vitrine, parecer ser o gosto da velocidade sem reflexão. Todos seríamos manequins orientados por fórmulas mágicas. Quebrar a autonomia é desfiar o fio de Ariadne, no temer o labirinto.Leia Devagar de Carl Honoré e não deixe escapar o sossego da vida.

Fonte: http://www.astuciadeulisses.com.br/

Modo de vida

Por mim, um terço do mundo ia preso, o outro era internado. E o que restasse era rico, feliz e magro para sempre.
Fonte: http://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/

sábado, 28 de janeiro de 2012

Navegando no que vale a pena

Devaneio ao Crepúsculo:

textos que Massao escreveu para Tide Hellmeister em 1994:

***Pois é, meu caro. Como diria Drummond, ‘o primeiro amor passou, o segundo amor passou..et la vie continue’.
Trinta anos se passaram e tudo ficou muito mais caótico. Tivemos que criar técnicas mais sofisticadas de sobrevivência,perder a ternura sem endurecer,aprender a dissimular sem mentir, a responder com perguntas, a proferir sem nenhum eco em resposta. Somos os mistificadores do caos. Que os deuses nos poupem. Somos uma hipótese sem tese.Indemonstráveis , portanto”.

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***Brecht aconselhava: ‘Quando tudo estiver perdido,monte um bar.’ Os bares proliferaram e disso nada resultou. Os bêbados é que mudaram.Não se faz mais ébrios como antigamente,sociais, brilhantes, abertos. A bebida, de dionisíaca passou a apolínea. E nada pior do que um etilista frio, individualista, calculista”.
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***Músicos, poetas, pintores,artistas, no geral e no particular,insurgi-vos! O mundo não é apenas um vasto circo de variedades, de consumo frenético. Viver é um ato prodigioso, uma dádiva a ser desfrutada, segundo a segundo, até a finitude. Á la Lispector; ‘Haverá um dia, em que haverá um mês, em que haverá uma semana, em que haverá um dia, em que haverá uma hora, em que haverá um minuto, em que haverá um segundo, e dentro do segundo haverá o não-tempo sagrado da morte transfigurada. Vida.’

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***Noves fora, zero.
Reiniciaremos tudo novamente?

(De Massao Ohno para Tide, outono de 1994)

Fonte: http://acervomohnoeditor.wordpress.com/

Massao Ohno (1936-2010), um Editor Brasileiro

Esquecido pela mídia brasileira, faleceu no último dia 11 de junho na cidade de Sorocaba o editor Massao Ohno, aos 74 anos. O maior editor de poesia do país quis ser filósofo, mas os pais migrantes o obrigaram a formar-se em Odontologia. Nunca exerceu a profissão de dentista e quando pode abriu uma gráfica, onde iniciou publicando apostilhas de cursinhos.
Foi a paixão pela poesia quem lhe deu satisfação e notoriedade até os anos 80. Considerado espécie de tábua da salvação para poetas não editados, publicou autores inéditos ou quase, mas de valor literário logo confirmado. Sem ele alguns jovens poetas da nova poesia brasileira não seriam publicados, por conta do desinteresse das editoras em livros de poesia. Entre os poetas brasileiros que editou há nomes tão conhecidos quanto Hilda Hilst, Olga Savary, Roberto Piva, Jorge Mautner, Carlos Vogt e Max Martins. E outros menos conhecidos ou bissextos, como Marly de Oliveira e Vera Brant.
A edições de Massao Ohno também eram reconhecidas de longe pelo apuro gráfico, logo anunciado nas capas sempre elegantes e originais, assinadas por artistas como Tomie Othake, Ianelli, Ciro del Nero, Wesley Duke Lee e Augusto Rodrigues. Com igual energia, dedicou-se à divulgação de nomes da poesia oriental, retomando a presença do haiku em especial e dos tankas na língua portuguesa.
Apesar da importância do editor paulista para a história do livro brasileiro, não se conhece um catálogo completo da Massao Ohno Editora. Deixou quatro filhos, nenhum com interesse no mercado editorial.

Fonte: blogflanar.blogspot.com