sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sábado em queda livre

Hoje, optamos por continuar a transcrição do Boletim Informativo do SINSERMI, iniciada ontem, por várias razões. Entre outras, para que a comunidade de Ip aprenda que se organizar ainda é a melhor forma de lutar pelos próprios interesses. Esta consciencia quebra a força da politicagem miuda que nunca levou o município à frente. Homenagear o SINSERMI pela luta e parabenizá-lo pela coragem de pensar diferente. Divulgar para os filhos e amigos de Ip que vivem espalhados pelo Brasil e pelo mundo mais uma conquista do pessoal da terra.
MLuiza
Recife - PE


Expediente
Presidente - Terezinha Goncalves de Barros Ferreira
Sec. de Comunicação e Imprensa - Veridiana Jorge Santana de Albuquerque
Sede – Rua Miceno Alexandre, s/n , Centro – CEP 63.340-000

Ipaumirim – Ceará.
Telefone – (88) 3567.1216
E-mail - sinsermi@bol.com.br
Redação – Sinsermi,
Colaboradores - Valdecy Alves e José Ribeiro
Diagramação - José Ribeiro
Fotografia – Sinsermi, José Ribeiro
Filiação – CUT , FETAMCE
Tiragem – Mil exemplares
Distribuição gratuita. Todas as opiniões emitidas são de responsabilidade do Sindicato dos Servidores Municipais de Ipaumirim – Ceará.


Diretoria do SINSERMI


Presidente: Terezinha Gonçalves



Vice-Presidente: Ana Lúcia Lucena

1a. Tesoureira: Maria do Carmo Lucena
2a. Tesoureira: Raimunda Dias Rolim
1a. Secretária: Vilauba Nádia de Sousa Sales
2a. Secretária: Vera Lúcia Coelho
Sec.de Assuntos Jurídicos: Marcos Vulpiano
Secretária de Comunicação e Imprensa: Veridiana Jorge Santana
Secretária de Formação Sindical: Maria de Fátima Silva
Secretária de Política Sindical: Maria do Socorro Silva

Conselho Fiscal Efetivo:
Maria de Liege Sales
Marta Maria Ribeiro
Helena Dias de Sales
Suplentes
José Alberto da Silva
Alcileno Santana Quaresma
Francisco Galdino deFreitas

HISTÓRICO DO SINSERMI: 06 Anos em defesa do Servidor Municipal

Audiência na Justiça do Trabalho em Iguatu-CE


O SINSERMI foi fundado no dia 12 de janeiro de 2002, tendo à frente um grupo de servidores que no período estavam afastados de suas funções em conseqüência de uma liminar concedida pelo TJ-CE que foi cassada no dia 09 de maio de 2002.
Tudo começou no dia 23 de janeiro de 2002, quando um grupo de sete professoras entra com uma ação na justiça do trabalho, na cidade de Iguatu, pedindo a reintegração das mesmas. Após seis audiências, no dia 16 de julho do mesmo ano, foi concedida por um juiz trabalhista uma liminar determinando sua reintegração. O município recorre da decisão.
Após essa primeira vitória, um novo grupo formado por 93 servidores ingressam com uma ação idêntica, cuja primeira audiência se realizou no dia 27 de agosto do mesmo ano. Ocorridas
outras audiências, no dia 05 de novembro o juiz trabalhista concede liminar que determina a reintegração dos 93 servidores, e mais uma vez o município recorre.


Servidores sentados na sala de entrada da prefeitura


No dia 25 de março de 2003, o primeiro processo é julgado procedente, o prefeito recorre. Em outubro de 2003, 07 professoras são reintegradas definitivamente. Nos demais processos o prefeito recorre ao Tribunal Superior do Trabalho (Brasília). Nesse período, o Sindicato se organizava com mais força diante de tanta injustiça, perseguição e humilhação, apesar de não
ter como se manter, já que seus filiados estavam sem receber salários.
Em março de 2004, mais um processo é julgado e 15 concursados são reintegrados de forma definitiva. O prefeito é intimado, mas descumpre a ordem judicial e durante dois meses mantém os reintegrados sentados no hall de entrada da prefeitura, sem receber salários. No mês de maio do mesmo ano, o juiz Paulo Regis Machado determina o bloqueio de R$ 7.200,00 na conta da Prefeitura de Ipaumirim. Essa quantia seria destinada ao pagamento dos salários referentes aos meses de março e abril. Através de alvará, o juiz libera o valor bloqueado e o pagamento aos servidores é realizado pelo próprio sindicato.

O Ministério Público de Ipaumirim e o Sindicato ingressam com uma ação civil pública e no dia 06 de junho de 2005, o então juiz da Comarca de Ipaumirim, Dr. Cláudio Augusto Marques de Sales determina a imediata reintegração de todos os servidores públicos municipais que estavam afastados. No mesmo ano, desta vez na Procuradoria Regional do Trabalho, em Fortaleza,
é firmado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), onde ficou acordado que o prefeito deveria cumprir as seguintes cláusulas:

° Pagar aos servidores remuneração não inferior ao mínimo;
° Liberar três (03) membros da Direção Efetiva do Sindicato;
° Efetuar o desconto na folha de pagamento da contribuição sindical;
° Substituir por funcionários concursados todos os servidores temporários (obrigatoriedade de realizar concurso).



Servidores na entrada da prefeitura

No dia 28 de outubro de 2005 é realizado um Almoço de Confraternização, em comemoração ao dia do Servidor Público.
No ano de 2006 é realizado o Concurso Público da Cidade de Ipaumirim cumprindo uma das cláusulas do TAC. No dia 18 de julho de 2006, o Sindicato realiza Ato Público com a finalidade de discutir uma pauta de reivindicações, cujos itens eram: abertura de negociação; igualdade salarial; pagamento do salário mínimo e implantação do PCC (Plano de Cargos e Carreiras).
Em mais um encontro na Procuradoria do Trabalho, o gestor de Ipaumirim se compromete a realizar o reajuste dos salários e promover a isonomia salarial, como proposto pelo Sindicato. Ainda nessa audiência, ficou acordado que o Sindicato entregaria ao prefeito, até o dia 05 de janeiro de 2007, uma proposta de PCCs para a Educação, tendo o município até o dia 26 de
janeiro do mesmo ano para oferecer uma contraproposta.
Em 04 de janeiro, o Sindicato realiza uma Assembléia com profissionais da Educação que contou com a presença de mais de 90% da classe, onde foi apresentada a proposta de PCCs. No dia seguinte é protocolado, junto a Administração Municipal, o anteprojeto de Lei “PCCs”, cumprindo o acordo firmado na Delegacia Regional do Trabalho.

Seminário do Fundeb

Ainda em 2007, o Sindicato adere a duas paralisações nacionais, uma no dia 22 de maio e outra no dia 27 de agosto, a fim de sensibilizar as autoridades governamentais em todas as esferas quanto à melhoria na qualidade do ensino, remuneração dos profissionais da educação, dentre outras.
Fonte: Informativo do SINSERMI. IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008

Quem pergunta quer saber

O que fazem os vereadores de Ipaumirim?
É fácil. Visite a Câmara Municipal todas as quintas-feiras a partir das 10h e verá.

Por que falta merenda nas escolas e creches do município?

Por que o prefeito de Ipaumirim não paga a bolsa aos professores que fazem faculdade, nem o adicional aos guardas noturnos?

Por que falta merenda nas escolas e creches do município?

Você conhece o grupo de conselheiros da merenda escolar?
Provavelmente não. É lamentável a omissão desse conselho. Pois eles deveriam fiscalizar a compra, verificar a qualidade dos produtos e acompanhar a distribuição dos alimentos.

Todo mundo quer saber se houve falha no sistema do TCM (Tribunal de Contas dos Municípios), já que os arquivos enviados a esse Tribunal, referentes à prestação de contas de Ipaumirim, consta a vinculação do nome de um motorista da prefeitura ao CPF de quem ocupa a função de prefeito. Esse mesmo servidor está relacionado em todas as secretarias e subsecretarias do executivo, sendo que no gabinete do prefeito acumula dois cargos. Afirma ele que nunca recebeu qualquer valor além do seu salário.

Outra irregularidade é a de uma professora que também exerce a curiosa função de 'preparadora de areia', percebendo um salário de cerca de R$ 1.000,00, entretanto, com o CPF pertencente à secretária de educação. A professora afirma que nunca observou qualquer adicional ao seu ordenado.

Por que o gestor municipal insiste em não acrescentar os 60% do Fundeb ao salário dos profissionais da educação, como manda a lei?
Fonte: Informativo do SINSERMI. IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008

PRINCIPAIS CONQUISTAS DO SINSERMI EM 06 ANOS

O SINSERMI, como fruto de suas lutas diárias ao longo dos seis anos de fundação, conquistou várias vitórias. Conheça algumas delas:
1. Assegurou direitos dos servidores concursados, através de ações propostas na Justiça do Trabalho e de Ações Civis Públicas, o que resultou na reintegração de 150 servidores;

2. Salário mínimo hoje é realidade aos servidores estáveis e aposentados;

3. Hoje 1/3 de férias já está sendo pago como manda a lei;

4. Liberação dos Dirigentes Sindicais;

5. Servidores da Câmara Municipal tiveram seus salários atualizados após seis anos congelados;

6. O Município realizou concurso público em cumprimento de determinação da Procuradoria do Trabalho, resultado de uma ação conjunta do Sindicato e do Ministério Público;

8. Contribuição sindical descontada diretamente na folha;

9. Telefonistas que exerciam cargo de professor, tiveram seus direitos reconhecidos pela Justiça do Trabalho.

10. Equiparação e reajuste salarial no ano de 2007.

11. Sete professoras recebem o pagamento dos salários referentes aos 30 meses que estiveram afastadas do cargo.

Fonte: Informativo do SINSERMI .
IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008

SINDICATO DOS SERVIDORES DE IPAUMIRIM: MARCO HISTÓRICO DA CIDADANIA


Sem dúvida que a fundação do Sindicato dos servidores é um marco histórico na luta social dos trabalhadores e trabalhadoras no serviço público de Ipaumirim. A história das lutas sociais, a relação trabalhadores x município-patrão, relação servidores com o Poder Legislativo, com o Poder Judiciário, com o Ministério Público, com as entidades da sociedade civil... Situação
nova, revolucionária. Um exemplo de como se luta por direitos, a construção da cidadania participativa passa a ganhar outros parâmetros.
A Constituição Federal consagra a democracia participativa no parágrafo único do artigo 1º como forma de aperfeiçoar o próprio instituto da democracia, que se faz também de forma
representativa, através dos eleitos. Só que a democracia participativa exige entidades que a tornem realidade a participação, mera ferramenta que exige a presença de um sujeito que a mova, no caso o Sindicato tem sido um mobilizador na concretude da democracia participativa. Quando provoca a Câmara Municipal, quando realiza audiências públicas, quando provoca reuniões e debates junto ao Poder Executivo, quando debate problemas municipais nas rádios locais. Assim o que era teoria metafísica na Constituição, meros direitos sociais previstos tornam-se realidade com as ações do Sindicato e das suas lideranças.
Maquiavel, cientista político italiano, afirma que para ser um grande líder não basta a pessoa nascer com talento, nem dom para liderança. Tem de nascer no momento certo. O mesmo pode
ser dito do Sindicato dos Servidores de Ipaumirim, que não se trata simplesmente de mais um sindicato nas estatísticas do IBGE ou do Ministério do Trabalho. Não é apenas UM sindicato ! Mas O Sindicato. Mas de uma resposta a uma opressão descomunal as injustiças praticas pelo prefeito, mas fruto de uma cultura de toda a história municipal. CULTURA QUE ESTÁ SENDO BANIDA E NÃO DEVE VOLTAR.
O sindicato fundado por professoras injustamente demitidas, justa e tardiamente reintegradas. Sindicato fundado quando todos acreditavam que o prefeito e seus apoios faziam dele um deus, a
própria lei. Sindicato que trouxe para a luz do tabuleiro histórico a afirmação de que deve prevalecer a força da lei, não a lei da força e do abuso medieval. Sindicato que provou, mesmo diante da lentidão do Judiciário, que a justiça é construção da luta, não favor ou presente do Poder Judiciário. Sindicato que nos últimos anos deu a maior lição de cidadania no Município. Sindicato que sempre está, estará e tem o dever de estar sempre do lado do justo e dos trabalhadores, pouco importando quem seja o partido ou o prefeito no Poder. Pois tudo passa, mas o servidor fica !
A categoria consciente, participativa, coesa, cada vez mais se filiando, cada vez mais fortalecendo sua entidade, que não passa da materialização dos seus anseios coletivos, fruto da soma dos interesses individuais. No caso de Ipaumirim, até o presente, a luta tem sido para o prefeito cumprir o que está na Lei, na Constituição Federal, todos sempre violados de forma acintosa.
Num primeiro momento a luta tem sido a favor da legalidade e da moralidade. Demorará a algum tempo, pois a categoria organizada não tem condições de resolver a curto prazo uma verdadeira
bagunça e cultura de abuso do Poder praticada há anos. Muita coisa resolvida: reintegração dos demitidos, garantia de pagamento do salário mínimo aos servidores da ativa e inativos, concurso público, prestação de contas do FUNDEB, rateio do abono anual, reajustes salariais, liberação de dirigentes sindicais, elaboração e emendas a projetos de leis, passeatas, manifestos, panfletos, audiências públicas, denúncias ao Poder Judiciário, denúncias ao Ministério Público Estadual e Federal.... Assim a luta tem sido enorme, franca e assim continuará por muitos anos, até implementação de todos os direitos, para em seguida praticar o segundo passo: MANTER AS CONQUISTAS E AMPLIAR OS DIREITOS.
Assim, de parabéns o Sindicato pelo jornal, por sua tênue mas fantástica história, pela missão que o aguarda e o fortalecerá com as vitórias que virão como o vai-e-vem das ondas do mar.
De parabéns o Município que ganhou para sempre um ato social, que sempre estará na luta e para sempre mudou a realidade local.
Sindicato exemplo, parâmetro e escola da cidadania político-social.
Dr. Valdecy Alves
Valdecyc_alves@yahoo.com.br

Fonte: Informativo do SINSERMI. IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008

Rápidas - Tudo pode acontecer


Surgiu, de maneira surpreendente, no intento de concorrer ao executivo, um nome pouco conhecido no meio dos comuns: o do Sr. Bosco Macedo. Com ele tive a oportunidade de conversar e ouvir seus projetos para Ipaumirim. É válido dizer, bastante nobres, coerentes, inovadores,
progressistas. Um homem cheio de boas intenções, mas pretendendo disputar o pleito na condição de candidato único. Com a definição (até que ponto) do nome do Dr. Geraldo, pelo do grupo de Miraneudo, o Bosco praticamente saiu de cena. Talvez fosse melhor começar concorrendo na posição de vice-prefeito para sentir o termômetro político social do município.
Tudo pode acontecer.

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Boatos a parte, para reforço da indefinição na corrida eleitoral de Ipaumirim, o pré-candidato Leylton continua firme no seu propósito de concorrer ao executivo como cabeça de chapa. Só que, até agora, não dispõe do apoio declarado do prefeito atual, do qual é vice, nem de lideranças de peso.
Tudo pode acontecer.
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O Dr. Geraldo, enfim, recebeu o apoio do seu grupo (será?). Agora o impasse está na escolha do vice-prefeito. Melhor que fosse do distrito de Felizardo. Uma comunidade que dispõe de fortes lideranças, especialmente femininas, de um eleitorado capaz de decidir uma eleição, deve a ela ser atribuído merecido reconhecimento.
Por outro lado, falatórios dão conta de uma possível aliança do Dr. Geraldo com o pré-candidato do PT, Leylton Nery, na condição de o Dr. Luiz não participar nem do acordo nem de apoio à chapa. Como o Bola ainda não lançou nome para dar prosseguimento ao seu modelo administrativo, poderia se pensar que estaria fora da concorrência. Sendo bom estrategista, certamente nos bastidores coisas estão a acontecer. Não será surpresa se ele se juntar, de alguma forma e de última hora, ao grupo de Miraneudo. Se isso ocorresse, estaríamos vislumbrando, nitidamente, o famigerado acordão.
Tudo pode acontecer.

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Fala-se que o acordão, a bestial traição ao eleitorado, já não tem mais sentido. Ora, o prefeito ainda não apresentou sucessor, supostamente por falta de opção.
Comenta-se que apresentará um nome no momento propício. Quem? Quando?
Tudo pode acontecer.

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Teremos candidato, da terra, a deputado estadual?
Tudo pode acontecer

Fonte: Informativo do SINSERMI.
IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008

PROFESSORES DE IPAUMIRIM FAZEM MANIFESTAÇÃO REIVINDICANDO MELHORIA SALARIAL

Servidores em Assembléia



O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipaumirim reuniram-se no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, no dia 17 de abril último, onde um grande número de professores discutiu
assuntos de interesse da classe. Os pontos principais da pauta foram a implantação do Plano de Cargos e Carreiras e Reajuste Salarial. Um dos motivos é o fato de educadores, com formação até 4º pedagógico, estarem recebendo R$ 390,00, ou seja, abaixo do mínimo nacional que é R$ 415,00.
O Sindicato mostrou-se preocupado com a situação do município, visto o mesmo está incluído
entre os 30 municípios com pior educação no Estado do Ceará. A presidente salientou que ao invés de procurar incentivar aos seus professores com salários dignos, encorajá-los a investir em reciclagem e aperfeiçoamento dos seus conhecimentos, agem de forma contrária. O prefeito não reajustou os salários da classe, bem como de todos os funcionários que recebe acima do mínimo. Também se recusa a pagar a bolsa mensal aos educadores que cursam faculdade, incentivo instituído por lei de iniciativa do prefeito atual, em sua administração anterior no ano de 2001, e que até o momento não vem sendo cumprida por ele próprio.
Diante disso, o Sindicato ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho para que a citada norma
venha a ser cumprida Muitas questões trabalhistas já foram denunciadas à Procuradoria do Trabalho. Em algumas, o gestor de Ipaumirim, Luiz Alves de Freitas, celebrou acordos, homologados pela Procuradoria do Trabalho, contudo, muitos sequer foram cumpridos. Dentre quais: pagamento de adicional noturno aos guardas municipais, 13º aos cargos comissionados que também são efetivos, além da implantação do Plano de Cargos e Carreiras e Salários, cuja proposta já está entregue na Câmara Municipal para análise desde 27/02/2008. Até o
momento, a Casa do Legislativo não demonstrou nenhum interesse em discutir a matéria.
Diante da omissão do Legislativo do governo do município, os professores aproveitaram
a oportunidade e saíram em passeata até aquela Casa. Munidos de cartazes, exibiram o montante das verbas do FUNDEB enviadas pelo Governo Federal ao município. Com base nisso,
apresentaram um paralelo entre o que é gasto com uma criança numa escola particular e outra numa escola municipal e o que é pago pelo governo por aluno.
Eis os dados:
Estimativa anual para o ano de 2008 – R$ 2.397.632,00;
Valor Anual relativo aos 60% - R$ 1.438.579,20;
Valor do FUNDEBMensal relativo aos 60% - R$ 107.920,42;
Folha de Pagamento relativa aos 60% - média – R$ 66.477,00.
Quando nos referimos aos 60%, estamos falando do quantum que a lei prevê para ser gasto como os profissionais do magistério. Diante da apresentação desses valores, os professores
demonstraram o seu sentimento de menosprezo e indignação por não verem o seu trabalho
reconhecido. Observaram ainda, o descaso da administração pública que não obedece às leis e
não cumpre acordos, mesmo os firmados em juízo.
O Presidente da Câmara, após muita insistência de uma vereadora, recebeu os servidores e abriu espaço para que o Sindicato explanasse o que continha nos cartazes. Usando a palavra, o
Sindicato alertou que seus membros estão decididos a paralisarem suas atividades caso o governo municipal não reajuste os salários, bem como passe a negociar a implantação do Plano de Cargos e Carreiras. Acrescentou ainda, que o Sindicato tem cumprido o seu papel, que é lutar pelos direitos dos servidores através de negociações pacíficas e abertura e diálogos. Contudo, essa disposição não vem encontrando reciprocidade. Um exemplo disso, é que no dia 17/03/2008, este Sindicato protocolou junto a Prefeitura Municipal uma pauta de
reivindicação, que depois de muita insistência, o prefeito agendou para o dia 30 de abril às 11hs, na sede da prefeitura, uma reunião com a executiva do SINSERMI para discutir a referida pauta. O sindicato compareceu dia e hora marcada, sendo que o prefeito, apresentando desculpas vazias, adiou a reunião. Foi mais uma demonstração contumaz de desrespeito, descaso e falta de compromisso com a comunidade.
O SINSERMI e a comunidade só têm a lamentar.
Fonte: Informativo do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipaumirim - SINSERMI
IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Nossa terra, nossa gente

Terezinha Gonçalves de Barros Ferreira

PALAVRA DE PRESIDENTE

Fundado em 12 de janeiro de 2002, o SINSERMI nasceu do desejo de unificar a luta dos trabalhadores no serviço público municipal que, ano após ano, sem defesa, eram feridos em
sua dignidade pelas farpas humilhantes das injustiças . Hoje, em seus seis anos de fundação, a entidade já conquistou notável credibilidade, graças às suas ações e lutas, tendo como princípios básicos, responsabilidade, moralidade e ética. Contamos com uma estrutura para atender bem o
nosso associado, colocando à disposição nossa sede, que está localizada na Rua Pref. Alexandre Gonçalves, nº 190 (em frente ao DETRAN), onde dispomos de internet, meio de comunicação que encurta a distância entre as instituições que nos assessoram como: FETAMCE e CUT. Estas têm nos favorecido na batalha diária pelos nossos direitos. A trajetória do Sinsermi é marcada
efetivamente por grandes lutas em defesa da democracia e pelo exercício da cidadania. Para tanto, não se exime de combater as injustiças e as irregularidades relacionadas ao serviço úblico. Os desafios são grandes, mas a crescente organização dos servidores municipais tem permitido ao SINSERMI enfrentar a truculência, na sua grande maioria, perversa e irresponsável, por parte da administração pública municipal. As dificuldades são uma constante, mas a superação tem sido a marca do SINSERMI.
Todas as nossas lutas precisam ser conhecidas não só por nossos associados, mas também pela comunidade em geral. Assim, o Informativo Sinsermi, em sua segunda edição, é a nossa mais
importante ferramenta para atingir esse fim, levando esclarecimentos sobre os direitos trabalhistas dos servidores municipais de Ipaumirim, bem como um chamamento a toda a
sociedade para o despertar da consciência cidadã.
Por tudo isso, convidamos você, servidor que ainda não é filiado, para fazer parte do SINERMI. Sua filiação, além de nos fortalecer, também lhe assegurará na proteção e exigência dos seus direitos trabalhistas. Com o seu apoio, a nossa luta terá mais força e representatividade para
combater os abusos e injustiças de que se vale o poder público municipal.

Fonte: Informativo do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipaumirim - SINSERMI
IPAUMIRIM - CE ANO 6 - Nº MAIO DE 2008


Enviado por Cesário Lucena:

Gostaria que se possível, vc inserisse no blog alagoinha, o link para o informativo comemorativo ao 6º ano do SINSERMI.
Considero o referido sindicato, como um marco para os ipaumirinenses, em especial para os servidores publicos municipais.
O SINSERMI é formado por pessoas que não se renderam a mesmice e foram em busca de seus direitos, os quais, haviam sido decepados pelo Executivo municipal. Após meses e meses de lutas, aproximadamente 200 servidores, que haviam sido demitidos, conseguiram seus empregos de volta. Essa vitória, se deve em grande parte a um grupo de apenas 7 pessoas, que contaram com a ajuda de um advogado que abraçou a causa, não só com profissionalismo, mas, com muita determinação e paixão.
O SINSERMI, após 6 anos de existência, além de desempenhar o seu papel, que é a luta pelos direitos dos servidores, tornou-se o principal orgão fiscalizador do municipio de Ipaumirim, o sindicato hoje, assume o papel que seria de responsabilidade do Legislativo. Espero que a diretoria do sindicato, seja sempre composta de pessoas que tenham como missão primordial, a defesa dos interesses de coletividade, e que não se deixem levar pelo assédio de gestores inescrupulosos.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

QUINTA DA ENTREVISTA: Caetano Veloso

Caetano Veloso



Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta



Músico critica a esquerda paulista, defende Mangabeira Unger e reclama da "inércia" no país, "salvo-conduto para cada um se mostrar irresponsável" . NA SAÍDA DO SHOW de Caetano Veloso no Rio, uma celebridade diz que amou "Ordem e Progresso", o novo espetáculo do cantor baiano. Ordem e progresso? A bandeira pública de Caetano é outra: "Obra em Progresso" -espetáculo em cartaz às quartas, no Vivo Rio, no aterro do Flamengo, Rio, até 18 de junho, no qual o repertório mistura músicas inéditas e releituras. Mas a variação paródica do lema positivista estampado no símbolo nacional não é ruim para servir também como análise sobre a realidade brasileira. O país é como o show: obra em progresso.

PLÍNIO FRAGA
DA SUCURSAL DO RIO


Caetano, 65, reclama da existência de uma "inércia de o Brasil ter sido desimportante" que puxa para trás os que tentam fazer coisas importantes por aqui. "As pessoas ficam com medo de assumir responsabilidade. Isso é inconsciente, mas é verdade. Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta." Caetano se apresenta na Europa em julho e agosto e depois volta ao Rio para a continuidade dos shows, do qual resultará o novo disco. Daí "Obra em Progresso". Na sexta, falou à Folha sobre show, disco e também sobre ordem e progresso.


FOLHA - O título do novo disco será "Transamba"?
CAETANO VELOSO - Não sei se será o título do disco. É o apelido que dou para o negócio que a gente está fazendo. Pode ser o título do disco, pode ser que não. Essa palavra veio na minha cabeça porque tem muito a ver com o que a gente está buscando. E a palavra "transa" [título de LP de 1972] está ali inteirinha. Como trabalho musical é um aprofundamento do diálogo entre eu e os três músicos. A criação deste som que ficou bacana no "Cê". Estamos aprofundando por um lado que nem estava sugerido no "Cê".


FOLHA - Por que fazer uma canção chamada "Baía de Guantánamo", uma das inéditas do show?
CAETANO - Eu lia sobre aquilo na imprensa, mas nunca imaginei fazer uma canção. Quando eu vi o filme "Caminhos de Guantánamo" [produção inglesa de 2006], parte ficção, parte documentário, comentando com uma pessoa amiga, num e-mail, eu coloquei aquela frase ["O fato de os americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar"]. Fiquei com ela na cabeça. É um negócio seco, ficou só aquilo. É uma frase que dá conta do mal-estar que senti diante daquela situação irregular quanto aos direitos humanos, produzida pelos americanos na ilha de Cuba, onde eles têm a base de Guantánamo desde o século 19. Se você falar em questão de como são observados os direitos humanos e as questões de liberdade e respeito aos homens, sou 100% mais EUA do que Cuba. E eles, os americanos, os defensores das sociedades abertas, apresentam muitas vezes o caso de Cuba, como um lugar onde não se respeitam as liberdades. Que aconteça isso na base de Guantánamo, sendo que são os americanos que estão desrespeitando os direitos humanos, me abala, me provoca mal-estar. Justamente porque eu sou neste ponto do lado dos americanos. Se eu fosse o tipo de cara de esquerda, pró-Cuba, anti-EUA, não seria nenhum abalo para mim.


FOLHA - Que reflexos terá nos EUA a disputa Obama ou Hillary contra McCain na sua opinião?
CAETANO - Uma coisa boa é que vai acabar a administração Bush. Todo mundo sabe que a Hillary Clinton apresentava uma maturidade maior, um traquejo maior em política, o modo como falava, se apresentava. Mas Obama é um sujeito mais simpático. Ele é mais bonito, parece mais sincero. Tem um atrativo pessoal, não é um atrativo técnico. Obama parece meu pai, é um mulato, parece um cara de Santo Amaro [cidade baiana onde Caetano nasceu]. Me sinto mais próximo dele do que daquela mulher que parece uma perua de tailleur. Adorei o discurso dele sobre raça. É uma abordagem mais brasileira, multipolar, reconhecendo a mestiçagem. Sem se resumir àquela coisa bipolar americana. Ouvi dizer que ele mesmo disse: pareço mais um brasileiro. De fato.


FOLHA - Obama foi aluno de seu amigo Mangabeira Unger, que, depois de dizer que o governo Lula era o mais corrupto da história, assumiu um cargo de ministro de Assuntos Estratégicos.
CAETANO - É normal. Mangabeira sempre militou com suas idéias à esquerda. Esteve ligado ao PDT e ao Brizola por muito tempo, depois por um período bem mais curto a Ciro Gomes, no que, aliás, coincidia totalmente comigo. Foi José Almino Alencar [sociólogo e escritor] quem me chamou a atenção para que lesse os artigos dele na Folha. Eu li e gostei muito. Li o livro dele "Paixão". Li muito de "Política". Li esse livro de filosofia que se chama "The Self Awakened". Tenho muito interesse nele porque parece pôr a discussão política brasileira num nível diferente do habitual. Pensa de uma maneira que pode ser produtiva. Ele vem tentando se aproximar do poder real para fazer com que algumas idéias dele sejam testadas, experimentadas, postas em prática. Pouco antes de Lula ganhar em 2002, ele escreveu na Folha, naquela coluna estreitinha da segunda página, que não era hora de discutir. Lula iria ganhar, então tinha de colaborar com ele. Foi o que ele fez.


FOLHA - Mas depois afirmou que era o governo mais corrupto da história.
CAETANO - A história do mensalão foi realmente um escândalo, uma porcaria, uma coisa nojenta gritante. Alguns outros episódios assim vêm acontecendo, como esse -menor, porém não menos nojento- do novo dossiê, com Dilma e todo esse negócio. O Mangabeira, quando do episódio do mensalão, criticou durissimamente. Quando Lula chamou, ele aceitou, porque é coerente com o projeto que tem: aproximar-se do poder, dando forças à esquerda, para experimentar idéias produtivas de esquerda. Por que justamente esse escrúpulo, que ninguém exige nem do próprio Lula? Foi a única coisa que a imprensa exigiu do Mangabeira quando ele foi chamado. Tem duas coisas aí: uma que o Mangabeira não é muito simpático, apesar de, para mim, ele ser um sujeito espetacular. Mas ele também não faz muita questão de ser afável como os outros brasileiros. Ele mostra aquele aspecto prussiano para marcar diferença. Deseja marcar um certo distanciamento, contribui para que ficasse antipático para os jornalistas. Mas também a rejeição é por causa da novidade, da criatividade do pensamento dele. É uma mistura de ciúme e medo de experimentar verdadeiras mudanças até de pensar. Vejo assim. Você entendeu o que eu disse?


FOLHA - Por que acha que ele é folclorizado?
CAETANO - Porque todas as pessoas que tentam coisas importantes para o Brasil sofrem com essa inércia de o Brasil ter sido desimportante, uma espécie de salvo-conduto para cada um se mostrar irresponsável na sua área. As pessoas ficam com medo de assumir responsabilidade. Isso é inconsciente, mas é verdade. Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta, que a língua portuguesa é uma porcaria, que todo mundo escreve errado e ninguém reclama. Tudo aqui é desrespeitado. Tudo que aponte para um negócio que crie responsabilidade... O Brasil vem fazendo isso, está crescendo, se afirmando, apesar disso... Essa força que puxa para trás, que segura, que dificulta é enorme. Essa reação a Mangabeira é uma manifestação disso.


FOLHA - Você não está com o governo, mas o governo está com você ao menos em relação a amigos como Mangabeira e Gilberto Gil.
CAETANO - Cara, fui crítico do Lula, sou crítico do Lula e do governo, mas sou um crítico modesto. Porque não sou cientista político nem faço política nem quero me meter. Mas Lula não é qualquer pessoa. Não é um episódio de somenos importância. Desde que fiz 18 anos, gosto de votar. Meu pai me botou na cabeça que isso tem um valor cívico e me emociono, me lembro de meu pai. Gosto desse ritual democrático. Mas nunca chorei dentro da cabine. Só quando votei em Lula. Fiquei emocionado, meus olhos encheram d'água. É porque era Lula. Não é assim. Não é fácil. Quando vejo o povo brasileiro continuar, atrasadissimamente, na festa da posse de Lula -a única coisa que aconteceu até hoje- entendo. Me identifico com esse sentimento. Eu também sou moreno como vocês (risos). O fato é que não se pode perder a objetividade e a exigência crítica. A tradição latino-americana é de pais da pátria, caudilhos, líderes populistas. Recaídas nisso são freqüentes e um risco permanente. Não quero ser condescendente com esse negócio.


FOLHA - Como vê a possibilidade de a sucessão de Lula caminhar para a disputa entre a ministra Dilma Rousseff e o governador José Serra?
CAETANO - Dilma pelo menos não é de São Paulo, não é da USP. Serra não é propriamente USP, mas essa esquerda paulista já encheu, já deu o que tinha que dar. E é o que Lula é também.


FOLHA - Por que você assinou o manifesto contra as cotas raciais?
CAETANO - Acho muito complexo, discutível, mas neste momento assinei contra para dar força... A maioria das pessoas que, como eu, vem da posição de esquerda, gente legal, todo mundo tem que ser a favor... A maioria dos grupos de movimento negro -não todos, porque há um grupo de movimento negro que assinou contra, o Movimento Negro Socialista. Assinei para dar um peso a esta outra posição. Tem valor abordar o assunto, mas não acho que seja um negócio simples assim aplicar cotas, como os americanos já fizeram. A sentimentalização das relações desiguais que se dá na sociedade influiu no modo como se encara a questão racial brasileira também para o bem e para o mal. Já deveríamos ter negros em posições mais visíveis. Pessoas visivelmente negras. Acho que é coerente que nos EUA aconteça isso e no Brasil não. O governo mais conservador que os EUA teve nas últimas décadas foi o governo Bush. E a figura forte de seu governo é uma mulher negra. Isso é resultado de uma luta aberta nos EUA. E aqui, como nunca houve uma luta aberta...


FOLHA - Nosso racismo cordial...
CAETANO - É. Acho que é bacana, um jeito do Brasil que o Brasil tem de resolver com as suas complexidades... Não venham para cá importar racialismo americano...


E Ipaumirim? Como está? A população precisa saber.


Escolas públicas reprovadas


Pesquisa foi realizada pela Seduc com 146 mil alunos de cinco mil escolas públicas estaduais e municipais do CearáO resultado do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará, o Spaece-Alfa 2007, revela um quadro assustador na alfabetização de crianças matriculadas em escolas públicas do Estado e cursando o 2º ano do Ensino Fundamental, equivalente à antiga 1ª série. De acordo com os dados, quase metade dos estudantes de até sete anos de idade – o que corresponde a 47,4% - não são alfabetizados. Eles estão dentro da sala de aula e mal conhecem as letras que formam o próprio nome.

Em pior condição estão os alunos de Senador Sá, Baixio e Abaiara que são incapazes até disso. A maior parte dos municípios, no total de 93, está na escala de intermediário, com escores entre 100 e 125. Entre eles, Fortaleza, Maracanaú, Iguatu, Juazeiro do Norte, Aquiraz e Eusébio. Nesses locais, os estudantes já conhecem padrões silábicos mais complexos e compreendem textos muito simples.


Reprovação


Dos 184 municípios do Estado, apenas 14 conseguiram escores acima de 150 pontos e estão na faixa de nível desejável na alfabetização de crianças. Dos que estão nesse nível, apenas Sobral, com 188 pontos, possui 70% dos alunos capazes de ler com fluência, escrever sem dificuldades, entender e produzir novas informações que não estão explícitas no texto.A escala de proficiência da avaliação é constituía por cinco níveis: até 75 pontos – alunos não alfabetizados; de 75 a 100 – alfabetização incompleta; de 100 a 125 – intermediário; e 125 a 150 – suficiente e acima de 150 – desejável. A média do Estado é de 118,9, ou intermediária, em que os alunos apresentam condições mínimas de alfabetização.

O Spaece-Alfa 2007 foi aplicado em dezembro do ano passado para 146 mil alunos de cinco mil escolas públicas estaduais e municipais dos 184 municípios cearenses. A avaliação teve como objetivo a produção de informações sobre a proficiência dos alunos desta série em leitura. O resultado foi divulgado na manhã de ontem, no Centro de Convenções, pelo governador Cid Gomes, e a titular da Secretaria de Educação Básica do Estado, Izolda Cela, com a presença de prefeitos e secretários de Educação.

Cid Gomes brincou durante o evento, quando entregou os boletins dos 14 melhores municípios como se fosse um ‘oscar’ e arrancou aplausos dos presentes. O resultado do Spaece, diz, é desafiador. “Não adianta culpar ninguém e sim arregaçar as mangas e trabalhar em prol dessas crianças”, afirmou. Ele preferiu não citar os municípios em pior condição, mas se limitou a dizer que é necessário firmar parcerias.


MUNICÍPIOS

Resultado da pesquisa deve servir de reflexão


O presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação do Ceará (Undime/CE), Flávio Araújo Barbosa, ressaltou a importância da avaliação e elogiou a condição hoje alcançada pelo Ceará. “Já estivemos pior”, ressaltou. Barbosa convocou os prefeitos com escores muito baixos a não esconderem os resultados por ser ano eleitoral.

O presidente da Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece), João Dilmar da Silva, disse o que resultado do Spaece 2007 não deve trazer lamúrias para quem não alcançou escores acima da média e sim de reflexão. “O importante é que todos os municípios estão conscientes do esforço que têm que fazer para avançarmos ainda mais nos índices da educação”.

Abaiara é um dos dez municípios que apresentaram os maiores índices de analfabetismo entre os alunos do 2º ano do ensino Fundamental do Estado. O município obteve uma pontuação de 71,1 pontos na escala de proficiência de leitura na avaliação, que vai de zero até 75 pontos no nível dos alunos não alfabetizados. Por telefone, a secretária de Educação de Abaiara, Maria Ivonete Bezerra Moreira, disse que estava “surpresa“ com os baixos resultados da avaliação da Seduc. Admite, no entanto, que uma pesquisa realizada no ano passado constatou que “há falhas na educação dos alunos do pré-infantil das escolas locais”.

A reportagem do Diário do Nordeste tentou entrevistar, por telefone, as secretárias de Educação dos municípios de Senador Sá, Regina Helena Magalhães, e de Baixio, Maria Adília de Menezes. Em todas as tentativas, as chamadas telefônicas não foram atendidas.




O QUE ELES PENSAM

Cidades com melhores médias


O resultado da pesquisa da Secretaria de Educação do Estado apresentando Sobral como o município cearense com maior índice de alunos alfabetizados demonstra que ainda temos um longo caminho a seguir. Lógico que alcançar o primeiro lugar é muito bom, mas não podemos nos acomodar. Os índices são um desafio a mais para a nossa administração. É um trabalho que não posso comemorar sozinho, porque peguei o caminho já trilhado pela ex-Secretária de Educação de Sobral e atual titular da Seduc. O nosso objetivo agora é atingir o índice de 93% dos estudantes alfabetizados.

José Leônidas Cristino

Prefeito de Sobral

Não existe receita para esse sucesso. Mucambo alcançou esse índice graças ao esforço de todos que fazem a educação no Município. O nosso primeiro passo para alfabetizar as nossas crianças e adolescentes foi fazer um diagnóstico da situação da educação. Depois, começamos a investir pesado na formação dos professores, no seu aperfeiçoamento. Investimos também em equipamentos para as escolas. Esse trabalho de aperfeiçoamento vem sendo desenvolvido há oito anos. A motivação dos que fazem a educação do Município é a responsável pelos resultados alcançados no dia-a-dia.

Vilebaldo Aguiar

Prefeito de Mucambo




ENTREVISTA


"Não se pode fazer de conta que está tudo caminhando para melhor"

IZOLDA CELA
Secretária de Educação do Estado


Qual a sua avaliação com relação ao resultado da Spaece-Alfa 2007?
A pesquisa revela um quadro desafiador para o Estado, onde apenas 52 municípios alcançaram a escala de proficiência suficiente. É preciso mais comprometimento por parte dos gestores em investir na educação. Ainda estamos em uma situação desconfortável e precisamos avançar um longo caminho que exige decisão política.


Onde estão os problemas mais graves?
Existem duas categorias que interferem na qualidade da educação: o extra-escola e o intra-escola. A primeira, encontra-se nas condições socioeconômicas adversas da maioria das famílias. O intra, aquele que podemos intervir, está na falta de responsabilidade de prestar contas acerca dos resultados da educação, falta de seleção baseada em capacidade.


O que é preciso fazer para reverter o quadro?
Não se pode fazer de conta que está tudo caminhando para melhor. É preciso compromisso político, a garantia de capacitar professores, técnicos, e não somente inaugurar salas de aulas. Tem muita gente comprometida, mas com ações sem foco, sem conseqüências práticas.


ARTIGO

Desafio de alfabetizar
RUI RODRIGUES AGUIAR
Oficial de Projetos do Unicef


A educação brasileira iniciou o século XXI com desafios pendentes do século passado. O mais dramático é o de conseguir alfabetizar todas as crianças antes dos oito anos de idade na rede pública. Segundo dados divulgados pelo governo do Ceará, de cada 100 crianças matriculadas no segundo ano do ensino Fundamental, 48 não conseguem alcançar os níveis mínimos de escrita, compreensão e leitura de um texto adequado à série e à idade.

O índice de analfabetismo na escola corresponde à taxa de mortalidade infantil na saúde. Em 1987, o Ceará iniciou o enfrentamento do problema da mortalidade infantil: de cada mil crianças nascidas naquele ano, 106 não conseguiam comemorar o seu primeiro aniversário. Passados 21 anos, o Estado reduziu este indicador para menos de 20 crianças mortas por 1000 nascidas vivas. A vitória conseguida na área da saúde deve inspirar o esforço que hoje é feito na alfabetização de crianças. Os caminhos são semelhantes: a) chegar a cada criança a partir de pessoas da própria comunidade: as professoras alfabetizadoras podem melhorar o seu desempenho e o dos seus alunos se receberem a formação e incentivos necessários; b) monitorar os resultados localmente; c) ampliar a cobertura e a qualidade do atendimento de educação infantil; d) ampliar o uso da literatura infantil no letramento e alfabetização de crianças: o Ceará é um dos maiores centros brasileiros de criação e produção de literatura infantil.


LÊDA GONÇALVES
Repórter

QUARTA VIA


Um ministro performático
Eugênio Bucci

Mais que um novo personagem, o que invadiu a Esplanada dos Ministérios esta semana foi um estilo desconcertante - e de alto impacto. Comecemos recapitulando os atos recentes.
Já na semana passada, no dia 14, quando seria confirmado como o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc estava em Paris. De lá deu uma entrevista ao Jornal da Globo. Para demonstrar como era ingrata a pasta que lhe confiavam, trouxe à baila o nome de Blairo Maggi, que, além de plantar soja e governar o Mato Grosso, apóia o governo Lula: “Você pega o governador do Mato Grosso, ele próprio o maior produtor de soja do mundo, com a polícia na mão dele, e se deixar ele planta soja até nos Andes, então não é mole.”
A declaração não chegou a ser um desastre ambiental, mas abalou o equilíbrio ecológico da coalizão governista. O mal-estar prosseguiu quando Maggi, em nota, assegurou não possuir nem terras nos Andes nem o posto de maior produtor do planeta. Desde então, as declarações de Carlos Minc não saem das manchetes.
Na segunda-feira, dia 19, ele desembarcou espetacularmente em Brasília: “Tremei, poluidores, tremei!” Quem tremeu foram as redações. A frase repercutiu em toda a imprensa e, ainda ontem, virou título de editorial no Estado. Na mesma segunda, ao se despedir dos repórteres, lançou outra palavra de ordem: “Saudações ecológicas e libertárias!” Performático, sem dúvida. Ele mesmo cuidou de avisar: “Vou ser performático na defesa do meio ambiente. Não vou virar vidraça e nem me enforcar na gravata.”
Mas o que será que significa isso, um ministro performático?
O adjetivo é recente nos dicionários. Segundo o Houaiss, a palavra nasceu por volta de 1970, no mundo das artes. Performáticos eram os artistas que, nas décadas de 70 e 80, montavam aqueles espetáculos high-tech misturando música, dança, vídeos e efeitos especiais diversificados, como os shows comandados pela americana Laurie Anderson. Depois, o vocábulo caiu na boca do povo. Atualmente, pode-se dizer que qualifica o estilo de quem sabe atrair a toda hora os holofotes e se afina com bandeiras da chamada pós-modernidade. Um bom sinônimo para performático - deveria entrar nos dicionários - é Carlos Minc. Suas opiniões sobre outras matérias comportam controvérsias, mas, quanto à aplicação do adjetivo a si mesmo, está coberto de razão. Ninguém é mais performático do que ele.
A intelectual americana Camille Paglia disse certa vez que só vale a pena falar a língua das manchetes. Performática quando quer, ela sabe dar às suas próprias palavras a mais estridente visibilidade. É o que faz o novo ministro. De coletinho folgado e cabelos longos, ainda que ameaçados de extinção, o homem é um happening midiático, uma metralhadora de sentenças bombásticas. Comparado à sua antecessora, a discreta Marina Silva, um símbolo da causa, que lembra uma orquídea em sua exuberância frágil, Carlos Minc está mais para uma motosserra ensandecida varrendo uma plantação de soja. Nele tudo conflui para a comunicação trepidante: suas roupas, seu penteado e seu vocabulário se unem em mensagens concentradas de grande efeito. O que, se é novo em Brasília, não é exatamente uma novidade no campo da ecologia.
Um dos pioneiros na matéria foi justamente o Greenpeace. Entrar com um barquinho inflável na frente de um baleeiro em alto mar é o que há de performático. Essas encenações a céu aberto juntam estética e política em alta temperatura jornalística. Inspiradas nas intervenções urbanas tramadas por artistas plásticos nos anos 70, elas combinam, de forma indissociável, o ato de comunicar ao ato político em si. Traduzindo: o ato político - barrar o curso de um baleeiro para impedi-lo de matar baleias - e o ato de comunicação - mostrar ao mundo inteiro que se quer protestar contra as baleias - se fundem num único ato de protesto. O Greenpeace fala a língua do espetáculo e, ao mesmo tempo, ataca a ordem estabelecida.
Ser performático - na política ou em qualquer outro campo - é próprio dos que precisam desesperadamente se manter nos noticiários. Num tempo dominado pelas imagens estarrecedoras, pelas falas cortantes e pelos gestos escandalosos, ser performático é vital para quem não vive sem aparecer - ou para quem depende de aparecer para poder agir.
Para um ministro, porém, a opção preferencial pela linguagem performática acarreta complicações. É verdade que, ao romper com formalidades vazias (como as gravatas que enforcam), Minc espana o pó dos velhos ritos, o que tem um efeito positivo. Suas performances poderão constranger os articuladores de operações sombrias e os senhores das devastações clandestinas, e isso seria muito bom. Por outro lado, sendo um representante do governo e, portanto, do poder, ele se encontra obrigado a observar algumas regras “caretas”, como a regularidade e todos os imperativos da rotina administrativa - coisas que provocam alergia nos mais radicais. Um ministro de Estado, enfim, não tem como ir muito longe em sua vertente performática.
Sem querer desanimar ninguém, é bom lembrar que, na democracia, o Estado não se pode pretender teatral. Muito menos performático. Quanto menos estetizado ele for, mais impessoal e mais universal será. O poder democrático deve primar pela constância, pela previsibilidade e pela serenidade. Sem isso os cidadãos, as empresas e as instituições não têm parâmetros para prosperar. Aliás, com as árvores também é assim. Para germinar, crescer, florir e dar frutos, elas dependem da regularidade dos ciclos da natureza. A gritaria ecológica cumpre sua função civilizadora, mas até as árvores precisam de um pouco de sossego.
Eugênio Bucci é pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (USP) e colunista do Observatório da Imprensa
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terça-feira, 27 de maio de 2008

TERÇA POESIA E PROSA

O casamento do futuro
(Martha Medeiros)


Recentemente gravei uma entrevista com a apresentadora Patrycia Travassos, do programa Alternativa Saúde (GNT), para ir ao ar na semana dos namorados, em junho. Achei que falaríamos apenas sobre amenidades, mas chegando lá, a conversa girou em torno dos casamentos do futuro: como serão as relações daqui pra frente?
Onde fui me meter. Já que havia esquecido minha bola de cristal em casa, tentei sair de fininho, mas antes que eu pudesse escapulir o diretor disse: gravando!
É sempre um assunto delicado. Em minha defesa, aviso: sou romântica. Acredito que uma vida sem amor é uma vida árida, e não estou me referindo a amor pelos filhos, por amigos, por cachorros. Estou falando de homens e mulheres que nunca se viram até que um dia, uau. Acontece.
E tem mesmo que acontecer. Não se pode desistir de amar por causa da propaganda contra: amor não dura, amor vira amizade, amor faz sofrer. Tudo verdade, mas e daí?
Não restando saída, encarei a câmera e fiz minha previsão, que nem é original, já que há inúmeros exemplos práticos ao nosso redor: o casamento "até que a morte os separe" está com os dias contados.
Um casamento único será raro. As pessoas terão no mínimo dois casamentos, talvez três. Pessoas excessivamente animadas terão mais. Alguma novidade nisso? Nenhuma. É só olhar para os lados. Não há mais sedentarismo emocional.
Homens e mulheres não estão morrendo aos 60 anos, como antigamente, e sim aos 90, aos 100. Essa longevidade alterou nossos planos. Ganhamos praticamente uma vida adicional, e pode-se fazer muita coisa com ela, inclusive reapaixonar-se.
É o fim da era do "pra sempre". Mais valerá uma relação que dure uma ou duas décadas, porém intensa, do que uma eterna, porém passível de um tédio brutal. As crianças saberão desde cedo que o pai e a mãe seguirão os mesmos ad infinitum, porém haverá novos arranjos familiares, com madrastas e padrastos sendo absorvidos, assim como novos irmãos. Já é assim, não é?
A única diferença é que, nos dias de hoje, essa desagregação ainda gera muita culpa e sofrimento. No que a Igreja Católica, claro, dá sua gentil contribuição. Ainda somos vistos como hereges que carregam um coração de pedra.
De minha parte, tenho um coração mole, me emociono com histórias de amor e valorizo as longas parcerias: se forem honestas e apaixonantes, o que mais se pode desejar? Mas se deixarem de ser, não há razão para hipocrisia.
Já começa a ser aceita a idéia de que a diminuição do tempo de convívio não constitui um fracasso amoroso. Um dia haverá uma mudança total de mentalidade (não parcial, como hoje) que gerará uma sociedade menos ansiosa, menos iludida e, quem sabe, até menos infiel.
Foi isso o que eu mais ou menos disse naquela entrevista, e todos que estavam lá concordaram - mas éramos um bando de artistas, e opinião de artista vale menos que um palito de fósforo usado, como se sabe. Então aguardemos o tal futuro chegar.
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A esperança
(Paulo Sant'ana)
Eu tenho uma desconfiança de que uma das causas básicas da loucura é a ausência completa da esperança.
Porque está comprovado que a causa básica do suicídio é a ausência mais completa da esperança. E quando o desesperado não consegue suicidar-se por qualquer razão, entre tantas a falta de coragem, ele acaba enlouquecendo.
Isso tudo porque quando a gente passa pela rua e vê aquela multidão indo e vindo, o que a move é, em última essência, a esperança.
O que leva as pessoas à frente é a esperança.
Até mesmo as pessoas felizes circunstancialmente têm a esperança de que continue sua felicidade - ou de que, se ela se for, retorne em outra oportunidade.
Os crentes de todas as religiões nutrem a esperança de serem acolhidos no reino dos céus, de encontrarem-se em outra vida com seus profetas e com Deus.
Apenas, no caso dos crentes, a esperança tem outro nome: fé. Mas a fé é a base de todas as religiões. Por ela, os fiéis têm a certeza de que serão salvos, que estão no único caminho certo. E isso os anima na vida e os faz diferentes das outras pessoas desnorteadas ou repletas de dúvidas. As mulheres jovens se incendeiam na esperança de virem a ser mães. E as mulheres que já foram mães têm como única razão de vida a esperança de que seus filhos se realizem e sejam felizes.
O cadete tem esperança de vir a ser coronel, o soldado de vir a ser sargento, o taxista de vir um dia a deixar de ser empregado e vir a ser proprietário de um táxi.
É imprescindível a esperança na vida das pessoas. Nem que seja a esperança de vir a ter esperança.
A capacidade de pensar de um cérebro, de pulsar de um coração e de manter-se ereto e movimentar-se de um corpo dependem da esperança.
Quando não houver mais esperança, a pessoa desiste e morre. Ou enlouquece, é o meu palpite, porque a ciência ainda não identificou bem a causa da loucura.
Eu aposto que é a ausência mais completa da esperança.
Por isso é que Chesterton, um dos maiores pensadores modernos, disse "que louco é aquele de quem tiraram tudo menos a razão".
E o que quis dizer Chesterton com isso? Que foram tiradas tantas coisas de uma pessoa, todos os seus encantos, sonhos, haveres, afetos, crenças, a esperança, todos os seus valores, destroçaram-na e decepcionaram-na tanto, que acabou sobrando-lhe só a razão. Sozinha, ela também soçobrou e deu lugar à loucura.
A pessoa virou nada porque a razão não sobrevive sem os fatos.
Os fatos é que muitas vezes se desenrolam desastradamente sem a razão.
Toda a energia do homem deriva da esperança, isto é, da convicção, da certeza ou até dúvida de que poderá vir a ser feliz.
Como já expliquei outra vez, em face de que a felicidade, por ser efêmera, não existe, o dever do homem, em última análise, é procurar vir a ser menos infeliz.
Mas mesmo não podendo vir a ser feliz, porque a felicidade não existe, o homem obviamente sobrevive sem a felicidade.
Mas não tem nenhuma chance de sobreviver sem a esperança de ser feliz.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

100perdao.blogspot


SEGUNDA BEM HUMORADA

FEIA

Uma mulher mal-encarada, antipática e muito, muito feia, entra numaloja com duas crianças. O gerente da loja, querendo ser gentil, pergunta para a mulher:
- São gêmeos?
A mulher, fazendo uma careta que faz com que fique ainda mais feia, diz:
- Não, paspalho! O mais velho tem 9 e o mais novo tem 7 anos. Porquê? Você, realmente, acha eles parecidos, seu idiota?
- Não..., diz o gerente: é que é difícil acreditar que a senhora foi comida duas vezes!!


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Dois soldados

Dois soldados trocam impressões:
- Então, por que te alistaste?
- Porque sou solteiro e gosto de guerra.
- E tu?
- Porque sou casado e gosto de paz.


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Um indivíduo saiu para jogar bingo (quando eles estavam abertos) com 100 reais. Ao longo da noite, ele perdeu quase tudo: sobraram só 10 reais. Já eram 5 horas da manhã e ele tinha que voltar para casa de táxi.Ele saiu do bingo e foi até um ponto de táxi, e perguntou pro motorista:
- Oh, mano, eu tenho só 10 paus e tenho que ir até Sapopemba. São 5 da manhã e tá um frio danado... Quebra o meu galho, vai!
O motorista não deu a mínima e falou:
- Eu não trabalho pra sustentar vagabundo que joga dinheiro fora.
O cara ficou pê da vida e, já que estava tudo perdido mesmo, resolveu gastar o restinho no Bingo. Teve uma sorte dos diabos e ganhou 1000 reais. Pensou consigo mesmo e resolveu voltar para o ponto de táxi. Quando chegou lá, viu que o taxista mal educado estava agora na última posição da fila do ponto. Chegou para o primeiro taxista da fila e falou:
- Oh, chefe, eu te dou 200 pilas se você me levar pra casa e, no caminho, fazer sexo oral em mim...
O taxista ficou nervosíssimo e quase bateu no cara. Ele vai no segundo taxista e faz a mesma oferta. Esse também fica bravíssimo e diz que não levava nem a pau. O sujeito sai fazendo essa proposta táxi por táxi e sempre recebendo a mesma resposta. Finalmente, chega até aquele taxista mal educado, abre a porta, entra no carro e fala:
- Oh, mano, agora eu arranjei grana, pode manobrar o carro e ir pra Sapopemba.
O taxista sai com o carro, passando na frente de todos os outros taxistas. O passageiro cutuca o ombro dele e pede:
- Agora, dá tchauzinho para os seus colegas, dá!

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Um homem reclamava ao delegado, na polícia:
- Doutor, um ladrão entrou em casa esta madrugada e nem eu nem a mulher percebemos.
O delegado registrou a queixa e depois de três dias convocou o homem novamente.
- Nós prendemos o elemento. Agora só falta fazer ele devolver o que levou da sua casa.
- Eu posso levar um papo com ele, delegado?
- Por quê?
- Se ele me explicar como é que conseguiu entrar na minha casa de madrugada sem acordar a minha mulher, eu retiro a queixa.

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Presente de aniversário

A mulher, querendo um carro esporte novo, virou-se para o marido e disse:
- Meu amor, meu aniversário está chegando... Quero um presente-surpresa. Para te ajudar, vou dar uma dica:- Quero algo que vá de zero a cem em menos de 5 segundos. Pode ser de qualquer cor.
No dia do aniversário ela ganhou uma balança de banheiro novinha, cor-de-rosa!!!
O marido ainda está desaparecido...

domingo, 25 de maio de 2008

Domingo: fábula de Esopo

O parto da montanha

Há muitos e muitos anos uma montanha começou a fazer um barulhão. As pessoas acharam que era porque ela ia ter um filho. Veio gente de longe e de perto, e se formou uma grande multidão querendo ver o que ia nascer da montanha. Bobos e sabidos, todos tinham seus palpites. Os dias foram passando, as semanas foram passando e no fim os meses foram passando, e o barulho da montanha aumentava cada vez mais. Os palpites das pessoas foram ficando cada vez mais malucos. Alguns diziam que o mundo ia acabar. Um belo dia o barulho ficou fortíssimo, a montanha tremeu toda e depois rachou num rugido de arrepiar os cabelos. As pessoas nem respiravam de medo. De repente, do meio do pó e do barulho, apareceu ... um rato.

Moral: Nem sempre as promessas magníficas dão resultados impressionantes.


Do livro: Fábulas de Esopo - Companhia das Letrinhas

O jornal O Povo, hoje, apela para esta fábula remetendo aos problemas da escolha de vice para Prefeitura de Fortaleza. Comparando com a política de Ip, eu iria além e aquém. Faz quanto tempo que nem promessas temos?
Mas, voltando a questão do(a) vice, quanta negociação!
Millor Fernandes diz que "a ociosidade é a mãe de todos os vices". Quem sabe se definíssemos um programa decente livraríamos os vices deste constrangimento de aparecer sempre como papagaio de pirata.
A propósito, no meu trabalho já fui vice. Hoje, sou titular e continuo sem entender para que servem os vices. Acho até que são sacrificados nos seus empreendimentos e possibilidades.
O vice não é o sombra, precisa ter personalidade própria, audácia, iniciativa.
Estamos praticamente em junho e Ip não tem vice. Por que? Porque o vice nunca é escolhido pela sua capacidade de agregar algo significativo ao governo mas como aquele que pode trazer mais votos.
Eita mentalidade pobre!!!! Conformem-se, no mundo todo é assim. Mas que é humilhante, isso é!
MLuiza

sábado, 24 de maio de 2008

Álbum da semana

Socorro Rodrigues

Simone Vieira

Juciclea Gouveia

Joelma Rolim

Nailton e Maria Josué



Aucy

Pedro Alexandre Neto
(filho de Gilberto e Zilda)


Nazaré, Jaqueline e Caroline
(filhas de Jacques e Chaguinha)


Arabelle e suas princesas

Vanda Luna na frente do Hotel Castro Alves
- do orkut de Geysa-


Zenith Melquíades


Dona Lusa Freitas


Seu Amaro e Dona Anísia
- do orkut de Vic Farias -


Amanda e Aline



- filhas de Vicente Bidu e Mundinha -




Nossa terra, nossa gente

Belas fotos de Erivando no seguinte endereço eletrônico:
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Mistéeeeeeeeerio..........
Olha o que achei num site de relacionamento:
"Localização: Brasil, IPAUMIRIM, CE
Último Acesso: 12/05/08
ADVOGADO, 48 ANOS, CARINHOSO, AMANTE DE MULHERES BONITAS E SENSUAIS
Quem será?????????
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Cairo
Quero agradecer a crônica que vc me enviou. Muitissimo obrigada.
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Ipaumirim tem tanta gente com habilidades para bordado, pintura, costura, etc... Já não está na hora de promover os artistas da terra? Integrá-los em algum programa da Secretaria de Cultura ou alguma uma atividade que divulgue os seus trabalho. Eu já tenho visto belos trabalhos manuais produzidos em Ipaumirim e/ou por filhos de Ip mas nunca vi uma iniciativa municipal para valorizar a criatividade do nosso povo. Quem sabe uma exposição bem organizada na festa de São Sebastião. Precisamos perder o complexo de avestruz e essa mania de ficar com a cabeça enfiada na terra.






Habilidades com o pincel

Celia de Minervina


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Arte da terrinha
Telas pintadas por Salim
(do blog de Cleidinha)

As pinturas de Salim estão expostas na Escola Estadual e outras nsas residências de algumas pessoas em Ip.

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Dora Santos

Todos os dias abro o blog de Ipaumirim, além de tantas coisas boas que ali encontro como as homenagens, aproveito para matar a saudade, como olhar as fotos das ruas é como se eu estivesse andando por elas. Eu fiquei 20 anos sem ir em Ipaumirim e muita coisa mudou, eu particularmente prefiro falar das coisas que mudaram pra melhor como, o acréscimo de ruas, como a rua nova e ficou uma maravilha e a saida pro sítio marco. Visitei também o alto Bandeirante e achei bem desenvolvido. Fui muito bem recebida pela minha família tão simples mas com muito amor no coração, agradeço a Deus por ter permitido que a minha mãe D. Nair lá da rua Posto Médico viesse passear aqui em Porto Velho - Ro, e dai como não tinha quem a acompanhase até Ipaumirim, eu como filha e que ha 20 anos não ia em Ipaumirim acabei acompanhando, e meu esposo Nilson Santos ficou cuidando de tudo aqui enquanto viajava. Quero agradecer o imenso carinho de pessoas que me abraçaram ao me encontrar como Drª. Geysa e seu pai José Henrique, Blandina e Zé Gonçalves, madrinha Socorro e todos lá na rua Posto Médico, tia peta, Marieta, Josimar e todos da família de seu Afonso no sítio Caatinga, Novinha de Sebastião Josué e tantas outras pessoas. Só faltou mais uma coisa boa, que foi te conhecer pessoalmente. E Quero aproveitar e falar de uma pessoa muito especial que conheci através da página do orkut de Drª. Geysa que é sua prima Norma Suely que é casada com o Luiz Alves e moram na cidade de Manaus e que é uma leitora assídua do blog de Ipaumirim. Desejo a vc Luiza sucesso com esse blog que mata a minha saudade e a de muitos filhos de Ipaumirim que a muitos anos moram fora e digo mais não passarei mais 16 anos para voltar em Ipaumirim, e da próxima vez que eu for, irei pessoalmente te conhecer.Que Deus te abençoe ricamente e abundantemente..............Um grande abraço de Dora Santos uma filha natural e apixonada por Ipaumirim.um abraço também a todos.

Dora, obrigada por nos visitar. Este blog é de todos nós. Escreva sempre que quiser , é bom saber notícias dos conterrâneos que estão longe. abraço.

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De Joana D'Arc

As vezes fico me perguntando como anda a educação em Ipaumirim. Aqui os alunos das escolas públicas estaduais, participam de olimpíadas de português e matemática, a nivel Nacional, também participam do ENEM(Exame Nacional do Ensino Mèdio) uma grande parte desses alunos são aprovados, concorrem a bolsa do Governo Federal, vão fazer suas faculdades na Capital, e eu muitas vezes fico me perguntando. Os alunos de Ipaumirim participam dessas coisas? Não escuto nada a respeito, não leio nada sobre isso, o que você acha?Seria bom fazermos uma pesquisa e divulgarmos as conquistas desses alunos? Um abraço.

Joana

No meio de tantas notícias entristecedoras como o descaso dos colégios de Ipaumirim, outro dia vi uma notícia, de novembro do ano passado, no Jornal da Ciência. Fiquei contente com estes sobreviventes depois da reprovação geral que as escolas de Ip levaram no MEC. Até noticiamos no blog a vergonha que foi. O que sempre ouço falar é que até as arquibancadas do antigo XI de Agosto estão desmoronando e no Estadual não se ouve uma só palavra de elogio. Dá pena. Eu sou de uma geração que estudou no Grupo Escolar D. Francisco de Assis Pires e muito me orgulho da escola pública que frequentei. Infelizmente, as nossas escolas na atualidade são motivo de vergonha tal o estado de decadência em que se encontram. Como se pode estimular alunos que não acreditam na dignidade da sua escola? A autoestima anda abaixo de zero e eu, se fosse da banda nobre da política olharia para as escolas até porque a educação é função da família, do poder político e da escola. Mas se eu fosse da banda podre da política certamente deixaria tudo como está. Abaixo transcrevo a noticia que encontrei no Jornal da Ciência. Ninguem sequer sabe quem são estes jovens.
JC e-mail 3384, de 06 de Novembro de 2007.

Ceará premia com medalhas vencedores de Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas

Serão premiados alunos de 66 municípios, liderados por Fortaleza, Sobral, Tabuleiro do Norte e Juazeiro do Norte Os 307 alunos do Ceará que venceram a II Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) serão homenageados na quarta-feira (dia 7), às 16h, no Centro de Convenções, com a entrega de 43 medalhas de ouro, 86 de prata e 178 de bronze. A solenidade marca também a realização da III edição do Projeto Linguagem das Letras e dos Números, o Numeratizar –, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior. Participam do evento os secretários Izolda Cela, da Educação, e René Barreira, da Ciência, Tecnologia e Educação Superior. O Numeratizar, realizado em parceria com a Secretaria de Educação, foi precursor no país das olimpíadas de matemática em escolas públicas e deu origem ao evento nacional, que vem sendo conduzido pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação. René Barreira destacou o papel das Olimpíadas na identificação de talentos, que não é privilégio apenas das escolas privadas, no estímulo à indução para fazer chegar os melhores alunos às Universidades e às carreiras nas áreas da ciência e tecnologia. O secretário informou que este ano vão receber medalhas os alunos de 66 municípios do Ceará, que estão sendo trazidos a Fortaleza numa operação logística organizada pela Secitece.Também professores, diretores de escolas, secretários municipais de Educação e prefeitos compõe as delegações dos municípios que virão à solenidade. A Secitece prevê a presença de 2 mil pessoas. Alunos de Fortaleza vão receber 174 medalhas, seguidos pelos de Sobral com 11 medalhas; Tabuleiro do Norte com oito e Limoeiro do Norte com sete medalhas. Alunos de Juazeiro do Norte vão receber seis medalhas; os do Crato quatro – o mesmo de Forquilha, Tianguá, Maracanaú e Quixadá. Ganharam três medalhas os alunos de Acopiara, Crateús, Ipaumirim, Jijoca, Moraújo, Quixeramobim e Russas.Com duas medalhas serão homenageados alunos de Acaraú, Barreira, Beberibe, Camocim, Caucaia, Guaraciaba do Norte, Iguatu, Morada Nova, e Trairi. (...)
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52026

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Amanhã

Postarei amanhã porque hoje não deu tempo. Juntarei os posts dos dois dias. Boa Noite.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

QUINTA DA ENTREVISTA: FHC

FHC critica mesquinharia e propõe grande debate nacional a Lula
Ricardo Kotscho
(18/05)



“Parece eu... A minha situação hoje também é essa”, brinca o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao ler as primeiras linhas do subtítulo do meu livro "Uma Vida Nova e Feliz", que lhe trouxe de presente, onde está escrito: “...sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá...”



Afável como de costume e mais tranqüilo do que nunca, FHC estava sentado numa moderna poltrona igualzinha à do presidente da República no Palácio do Planalto. Conversamos sem pressa no final de tarde da última terça-feira, em seu confortável gabinete no sexto andar de um prédio bem antigo que dá vista para o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, onde está instalado o Instituto Fernando Henrique Cardoso, seu atual local de trabalho.
FHC criticou o vazamento de seus gastosComeçamos falando da sua rotina de vida depois que deixou a Presidência da República, há mais de cinco anos - “a vida de ex-presidente é melhor do que a de presidente” -, da família, das palestras e dos livros, das muitas viagens pelo Brasil e ao exterior, do que ele mais sente falta dos seus tempos de poder.
Aos poucos, entramos nos assuntos políticos. FHC falou com franqueza sobre acertos e erros dos seus oito anos de mandato. Alternou críticas com elogios ao governo do presidente Lula. Analisou os cenários para as próximas eleições municipais e para a sucessão presidencial em 2010, as relações entre mídia e política, e entre PT e PSDB. Previu que a CPI dos Cartões Corporativos não vai dar em nada. E se queixou que o presidente Lula nunca lhe fez um gesto para abrir o diálogo com o PSDB, depois de uma transição das mais civilizadas.
Só no final da entrevista, quando lhe perguntei o que diria ao presidente Lula, se o encontrasse naquele dia, sobre o episódio do vazamento de despesas sigilosas do seu governo, FHC levantou o tom de voz para mostrar sua indignação, mas em seguida propôs um grande debate nacional para discutir os rumos do País e mostrou-se disposto a participar dele.
O principal trecho da entrevista com o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gostaria de dizer ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
“Será que você não está vendo o que está acontecendo? Você acha que tem cabimento nós chegarmos a esse grau de mesquinharia, dadas às relações que nós sempre tivemos, que sempre foram boas? Lula, você não acha que chegou o momento de pensar maior? O Brasil está indo para um outro patamar e a política está indo para o buraco. Não dá para a gente pensar grande? Não dá para haver um debate sobre temas importantes - o que vamos fazer com essa riqueza petrolífera que está aí, por exemplo? Eu estou disposto a entrar nesse debate, esse seria um grande debate nacional, sim. Nós estamos apequenando a política”.
A seguir, a íntegra da nossa conversa, que durou pouco mais de uma hora:
IG: O que é melhor: a vida de presidente da República ou a de ex- presidente da República?
FHC
: Sem dúvida, a vida de ex-presidente. Porque você tem a recordação da Presidência e, como toda memória, você vai selecionando... Você guarda o que foi agradável, o que deu certo... E vai esquecendo o que não funcionou...
IG: É a memória seletiva...
FHC: É isso, memória seletiva. A vida de ex-presidente, pelo menos no Brasil, é uma vida agradável. A população brasileira é muito cordata. Eu deixei a Presidência já há quase seis anos e trabalho aqui hoje muito tranqüilo, sem me preocupar com segurança, por exemplo...
IG: Foi isso que eu reparei quando cheguei. Na portaria do prédio ninguém me pediu documentos, subi direto, sem crachá...
FHC: Nada, nada... Não existe isso aqui. Mesmo quando eu saio a pé com a Ruth, vou a algum restaurante lá perto de casa, vou ao cinema, não tenho nenhuma preocupação com segurança, embora oficialmente eu tenha direito como ex-presidente. Então eu uso mais como motorista e, eventualmente, quando eu vou viajar, para me ajudar. Mas eu não tenho essa preocupação porque não precisa. Desde que eu saí da Presidência, só vi gestos de simpatia. Até porque aqueles que não são simpáticos a mim são educados o suficiente para não se manifestar. Quando você está na Presidência, não, é diferente, quem é contra você se manifesta... Então a vida de ex-presidente, deste ponto de vista, é uma vida tranqüila. Não vou dizer que a de presidente também não seja boa. São momentos diferentes da sua vida, da história. Eu nunca neguei que exerci a Presidência com energia e com satisfação, com prazer, mas eu acho que a vida de ex-presidente é melhor. E sou apenas um ex-presidente. Fiz questão de não ser candidato a mais nada, não é?
IG: Não tem queixa da vida?
FHC: Não tenho queixa da vida!
IG: Como é a rotina do ex-presidente FHC quando está em São Paulo? O que mais gosta de fazer? Dá tempo de pegar os netos na escola?
FHC: Eu tenho cinco netos, mas já estão todos grandinhos e nenhum mora em São Paulo. Quatro moram no Rio e um em Brasília, que é a mais moça, tem 13 anos. Os meus netos vêm com muita freqüência a São Paulo. Gosto de jogar cartas com o meu neto de 14 anos. Jogo buraco com ele, com os amigos dele. Isso a gente faz com muita satisfação. Outro dia eu e Ruth nos encontramos com a neta que tem 18 anos e está na Inglaterra. Nós estávamos na Espanha, ela foi nos encontrar para passar uns dias conosco, sair para jantar, essas coisas todas. A minha rotina aqui em São Paulo é a rotina de um acadêmico, um professor aposentado. Eu fico em casa de manhã, quando posso sempre eu fico em casa.
IG: No apartamento em Higienópolis...
FHC: Isso... Sempre morei ali e continuo lá. E lá eu leio, escrevo, fico em casa de manhã; de tarde, geralmente eu venho para cá. Aqui, o que eu faço? Eu recebo pessoas que vêm me procurar para conversar, ou então participo de seminários, que há muitos aqui, ou discuto com o pessoal do instituto sobre os trabalhos que eu estou fazendo, pesquisas e tal...
IG: Quantas pessoas trabalham aqui com o senhor ?
FHC: Aqui no Instituto deve ter umas 20 pessoas, mas a maior parte é para tratar da documentação do meu período de governo.
IG: Encontrei aqui o Sergio Fausto (assessor de FHC), que não via há muito tempo...
FHC: Sergio Fausto trabalha diretamente comigo, ele é uma espécie de chefe de gabinete. É o nosso diretor de toda a atividade referente a projetos e seminários. A parte relativa à documentação é com a Daniele Adaion (assessora), que já trabalhava no Palácio do Planalto e está comigo desde os tempos do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). E tenho um assessor internacional, o diplomata Miguel de Oliveira, que é ministro do Itamarati. Fora isso tem uma porção de gente que trabalha aqui na parte de documentação, na parte dos arquivos. É isso que eu faço quando eu estou aqui no Brasil. À noite, vou para casa. Às vezes alguém vai jantar lá em casa ou eu vou jantar na casa de algum amigo. Vou muito a concertos, sou presidente da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), então vou muito aos concertos. Quando eu posso, vou ao cinema, a Ruth gosta muito de teatro também... Enfim, eu tenho uma vida normal, como sempre tivemos. Eu leio nos jornais que estou fazendo ativamente política e tal... Não é verdade. Eu converso, participo de discussões, mas eu não atuo no dia-a-dia da vida política, nem do PSDB.
IG: E não sente falta disso?
FHC: Olha, eu não sinto falta porque, quando eu quero, eu tenho espaço, né? E tenho também na mídia, quando eu quero tenho espaço. Não tenho do que me queixar. Não sinto falta daquela vida política diária porque nunca fui muito afeito a esse tipo de coisa, a esse tipo de vida. Eu sempre fui um pouco ambivalente, um pouco professor e acadêmico, um pouco atuando na área política.
IG: E como tem sido sua atividade durante as viagens aqui e no exterior? Sua principal atividade pública desde que deixou o governo são as palestras. Quantas por mês? Quais os temas mais freqüentes? O senhor se acha bem remunerado? Ainda dá aulas? Está escrevendo algum livro?
FHC: Vamos por partes. Durante cinco anos dei aulas nos Estados Unidos, na Universidade de Brown, no Instituto de Relações Internacionais. Eu sou o que eles chamam lá de “professor of life”, que significa o seguinte: tenho uma função fixa, mas eu dou as aulas que eu quero, umas conferências, recebo estudantes. Algumas vezes ia dar aula no curso normal mesmo, dava Sociologia, dava Desenvolvimento Econômico, História da América Latina. Ficava por lá 40 dias por ano. Este ano parei, não renovei o contrato. Agora sou do Conselho de Direção do Instituto, vou lá apenas uma vez por ano. E aí faço um seminário, mas não é regular. Fora isso, recebo uma vez por mês aqui nesse Instituto alunos de escolas públicas e privadas que estão no último ano do ciclo secundário. São uns 50, 60 estudantes que vêm aqui de cada vez, visitam o Instituto, assistem a um vídeo que mostra o que tem lá embaixo, o setor de documentação e tal, e aí eles vão conversar comigo. Sobre o quê? Eles propõem o tema. A última que veio aqui foi uma Escola Técnica da Penha, escola pública, os alunos queriam que eu falasse sobre as metrópoles e a urbanização. Outros querem discutir o sistema eleitoral ou como é que funciona a relação do Executivo com o Legislativo. Enfim, é variado...
IG: É como se fosse uma entrevista coletiva...
FHC: É como uma entrevista. Dou uma aula sobre o tema, falo uns 40 minutos e depois fica aberto para perguntas. Isso leva umas duas horas e é muito interessante. Agora não converso de política com eles...
IG: O senhor não fala de política?
FHC: Não, nada de política partidária. Eles sempre perguntam, mas eu procuro me esquivar porque não é bom misturar os papéis. Fora isso, eu faço palestras, e que tipo de palestras? Geralmente as faculdades e universidades propõem discussões em termos mais econômicos, empresarias, a situação do Brasil. Às vezes, elas são remuneradas, e bem remuneradas. Eu tenho um agente aqui e um outro no exterior, que é o mesmo do Clinton (Bill Clinton, ex-presidente dos EUA). Agora estou reduzindo bastante isso. Palestra remunerada eu faço no máximo uma vez por mês porque cansa. Viajar é muito cansativo. Muitas vezes eu viajo e faço palestra de graça também. São seminários, encontros na Universidade, aí eu não cobro ninguém. Mas quando é empresa, ou quando eles vão ganhar dinheiro com a sua palestra, aí tem que pagar!
IG: Isso aí virou uma grande indústria...
FHC: Virou uma grande indústria e, no meu caso, isso é bastante bem pago...
iG : E está preparando algum livro novo?
FHC: Eu escrevi três livros depois que deixei a Presidência da República. Um é A Arte da Política, que fez bastante sucesso, vendeu quase cem mil exemplares, é um livro grande. O outro é um livro para jovens que queiram se interessar por política, Cartas a um Jovem Político, e o terceiro chama-se The Accidental President of Brazil (O Presidente Acidental do Brasil), publicado em inglês só nos Estados Unidos. Fiz junto com um jornalista americano, mas que não sabia português. Não está traduzido porque, se traduzir, vai concorrer com o outro e também porque não é para um público brasileiro. Sempre estou escrevendo. Escrevi dois ensaios grandes e vou escrever mais um agora. Vou fazer um pequeno livro, uma espécie de revisão de um livro que escrevi faz muitos anos junto com o Milton Paletto, um chileno. Chama-se Dependência e Desenvolvimento na América Latina. Eu escrevi em 1968, 40 anos atrás. Aliás, fiz um seminário recentemente em Brown sobre esse livro, que agora vai ser publicado lá também. Participaram umas 30 pessoas de várias universidades, discutindo o impacto que esse livro teve na época nos Estados Unidos. Escrevi um ensaio sobre como eu encararia agora a América Latina à luz da metodologia que eu usei neste livro. Como muitas pessoas de má fé disseram para esquecer tudo o que eu escrevi, esse ensaio mostra que continuo pensando as mesmas coisas. Apesar das mudanças no Brasil e na América Latina, o modo de analisar não mudou. Depois escrevi um outro ensaio que vai ser publicado agora no livro do Otávio Barros (escritor), que é um ensaio longo sobre a globalização. Vai se chamar Um Mundo Surpreendente, que é na verdade uma análise da globalização, para mostrar que, em primeiro lugar, isso é antigo; segundo, falo desta nova etapa, essa coisa toda da China, que põe em xeque inclusive as teorias sobre dependência e desenvolvimento. Por que as matérias primas e os produtos de alimentação subiram muito de preço, muito mais do que os industriais? No passado, era o contrário, então eu analiso como é que o Brasil se ajeitou neste novo mundo, se inseriu neste novo mundo. Aí eu mostro que a abertura da economia, a estabilização e tudo o que me criticavam foram o que deram certo. O Brasil está hoje aí com um grau de investimento que não teria nunca se nós não tivéssemos feito o que eu fiz, e mostro como é que houve isso. Apesar das dificuldades, o Brasil hoje conseguiu dar um salto muito grande porque nós entendemos o que era a globalização e não ficamos como avestruz com a cabeça na areia.
IG: Este livro sai quando?
FHC: Sai agora em maio. Estou escrevendo um outro ensaio sobre o que é a política social-democrata, a política social em países como o Brasil. Vou juntar esses três ensaios e publicar um livrinho. Quer dizer, escrevendo eu estou sempre, lendo e escrevendo. Isso não tem solução... Leio muitas coisas ao mesmo tempo.
IG: Nas suas viagens ao exterior, qual é a sua percepção da imagem atual que o Brasil tem lá fora? O que mudou nessa imagem em relação ao tempo que o senhor viajava como presidente da República?
FHC: Acho que se consolidou a imagem do Brasil. Quando eu era ministro de Relações Exteriores, antes de ser presidente da República, fui ao Chile uma vez e disse que o Brasil tinha potencialidades, que o Brasil estava crescendo, mas todo mundo olhava para mim com uma descrença imensa, por causa da inflação. Depois, quando fui ministro da Fazenda, era também uma imensa dificuldade, falavam que o Brasil primeiro tinha que colocar ordem na casa. Nós pusemos ordem na casa. Então, no meu segundo mandato, quando eu viajava, já havia um reconhecimento grande por parte do Clinton (Bill Clinton, ex-presidente dos EUA), do Tony Blair (ex-premiê britânico), do Chirac (Jacques Chirac, ex-premiê e ex-presidente francês). Era uma relação em que eles reconheciam tudo o que fizemos, não só eu, mas o Brasil. E isso só fez melhorar de lá para cá. O Brasil tem hoje uma imagem positiva.
IG: Passados quase cinco anos e meio, do que mais o senhor sente falta dos tempos que morava no Palácio da Alvorada e mandava no País? O que melhorou e o que piorou no Brasil de lá para cá?
FHC: Bom, o que eu mais sinto falta é da convivência com as pessoas que me ajudaram muito. Não só das que fizeram o Plano Real, mas depois, também, das pessoas que implementaram as reformas na educação, na saúde, do Vilmar Faria (amigo e assessor especial na área social), que teve um enorme papel na criação de uma rede de proteção social. De fato, do que sinto falta mesmo é das pessoas, não é de situações, embora eu sempre tenha gostado de viver no Palácio da Alvorada. Essas questões de moradia a gente sabe que são transitórias mesmo e uma pessoa como eu, que já morou em várias partes do mundo, não fica tão apegado assim. Sinto falta é disso, das pessoas, até mesmo dos jornalistas, aquele contato constante...
IG : E o que melhorou, o que piorou no Brasil de lá para cá ?
FHC: Melhorou a economia. Indiscutivelmente, nós estamos vivendo um momento bastante positivo, acho que houve avanços também nos programas sociais, que se estenderam mais.
IG: O que piorou?
FHC
: Acho que toda a parte institucional. Talvez menos a Justiça, talvez até a Justiça tenha melhorado. O Supremo Tribunal Federal tem tomado posições boas, mais ativas. Acho que o Ministério Público também nunca deixou de progredir. Mas a relação do Legislativo com o Executivo piorou. Hoje, a gente não sente mais vitalidade no Legislativo e nem sente que o Executivo esteja empenhado num programa junto ao Legislativo para produzir uma mudança para o Brasil, reformas... Você sente propaganda, mas não sente rumo. Por outro lado, acho que a questão da corrupção também piorou. Sem julgar se é verdade ou falsa, quando você lê os jornais de hoje, qualquer jornal, a política virou polícia, virou página policial. Sempre houve uma certa tendência nessa direção, mas agora é avassalador. Eu sempre dizia no passado, tirando até emprestada uma frase do Werneck Viana, um cientista político do Rio de Janeiro, que dizia o seguinte: “PT e PSDB disputam entre si para saber quem é que comanda o atraso! Então tenho a impressão de que, em certos momentos, o atraso está nos comandando”.
IG: Melhor seria se eles disputassem para ver quem leva o Brasil para frente...
FHC: Para ver quem tira o País do atraso. Tirar do atraso, aliado com o atraso, não dá. No Congresso, tem muita gente atrasada. Os dois partidos que têm capacidade de tocar o Brasil para frente são esses dois, o PSDB e o PT. Mas tenho a sensação às vezes que o atraso está ganhando. Dá a sensação de que em vez do PT e do governo estarem liderando o processo, eles estão sendo puxados pelos fatos que vão acontecendo, que são fatos do passado, clientelismo, corrupção, uma visão arcaica. Não tudo, é claro, não quero ser exagerado na crítica, mas tenho essa sensação. Isso eu acho que vai mal, essa relação do Executivo com o Legislativo, a coisa da corrupção e a falta de governo, no sentido de eficiência de governo. A economia vai bem, a área social está avançando, mas falta isso. Falta um cimento, falta uma política que dê coesão ao País. Falam que as pessoas não se interessam mais por política porque vivem bem, estão felizes...
IG: Mas a vida dos brasileiros não melhorou mesmo?
FHC: Mais ou menos, porque tem áreas muito ruins, né? De qualquer maneira, não é aí que o calo aperta... É como se o País tivesse virado um grande mercado. E é até uma coisa paradoxal, o presidente Lula, que vem do outro lado, é hoje o arauto do mercado. O mercado é necessário, é importante, mas não pode ser tudo. Não pode ser só mercado e nem só o mercado dar o ritmo da vida.
IG: Como o senhor enfrentaria o problema da energia hoje? O Brasil tem de fato de escolher entre plantar para produzir energia e plantar para produzir alimento? Corremos o risco de um novo apagão?
FHC: O risco de um novo apagão existe porque o investimento na hidroeletricidade está baixo. Este ano as chuvas vieram, salvaram a situação. Mas não acho que a crise dos alimentos seja por causa da questão do etanol. Ao contrário, eu acho que isso é um avanço. O fato de nós termos agora carros flex (movidos a álcool e gasolina) é um avanço. E não é verdadeiro que a cana esteja expulsando a produção de alimentos. Isso pode estar acontecendo nos Estados Unidos, por causa do milho. O milho, sim, aí pode haver problema, o aumento do preço da soja e não sei o quê. Mas o aumento do preço dos alimentos não deriva dos combustíveis, deriva da situação da China e da Índia, que aumentaram muito a demanda, e também de uma riqueza do mundo que aumentou. Digamos que esta é uma questão equivocada. É de má fé dizer que foi por causa da cana que está havendo o agravamento da situação alimentar, isso não é verdadeiro.
IG: Do que o senhor mais se orgulha de ter feito nos seus oito anos de governo e do que o senhor mais se arrepende?
FHC: Acho que orgulho é uma expressão muito forte, mas o que eu acho que nós conseguimos fazer? Primeiro, a democracia. Para mim isso é importante. Não persegui ninguém, não botei ninguém na cadeia, não fiz chantagem, nada disso. E também com a oposição fiz uma transição absolutamente democrática, pensando no Brasil. Segundo, sem dúvida alguma, a estabilidade da economia. Isso foi garantido com muito sacrifício. Foi muito difícil, levou muito tempo. Estabilidade não é só o Plano Real. É também você colocar em ordem as finanças públicas. Como é que você põe ordem nos bancos, acaba com a dívida dos Estados? Enfim, é esse conjunto de coisas. Em terceiro, é que as mudanças nas áreas sociais, em dois setores, principalmente, naquilo que é universal, Educação e Saúde, foram um marco muito forte o meu governo. Pela primeira vez, todas as crianças foram para a escola, e melhorou também a qualificação do professorado. Mudamos as leis para poder fazer isso. O SUS não existia, existia só no papel. Na prática, foi montado no meu governo. Depois, as políticas sociais todas que deram origem ao que se chama hoje de Bolsa Família, mas que nasceram na Bolsa Escola, na Bolsa de Alimentação, na Bolsa Gás. Isso vem do tempo do Itamar (Itamar Franco, ex-presidente). Toda essa tecnologia nova de transferência de renda, com o cartão que dá acesso a dinheiro, que é dado à mulher, à mãe, quebrou o clientelismo...
IG: A dona de casa é quem recebe o dinheiro.
FHC: Quem recebe é ela.
IG: Mas quem faz as listas são as prefeituras.
FHC: Bom, esse é um problema difícil porque, como quem faz as listas são as prefeituras, o controle disso está sendo muito difícil, já era no meu tempo. Eu tinha certas dúvidas de juntar tudo num cartão só. Isso começou no meu governo, quando o novo governo assumiu já estava preparada na Caixa Econômica esta tecnologia para fazer a junção das bolsas. E eu tinha dúvidas, por quê? Porque, quando o Ministério da Educação dá Bolsa Escola, ele tem mais interesse em vigiar se as crianças estão mesmo assistindo às aulas; quando o Ministério da Saúde dá a Bolsa Maternidade, ele tem interesse em ver se a mulher está sendo bem atendida; quando a Previdência tira a criança do trabalho penoso, ela tem de fiscalizar para que não volte a ele. E, quando você junta tudo num só cartão, diminui o controle, fica mais burocrático. Essa junção das bolsas começou mesmo no meu governo, mas pessoalmente sempre tive dúvidas sobre isso porque acho que é um problema maior controlar se quem precisa está tendo de fato algum efeito na promoção social, se a criança está mesmo indo para a escola ou se a família está só recebendo dinheiro.
IG: E do que o senhor se arrepende?
FHC: Eu me arrependo de várias coisas. Eu acho que mandei reformas demais para o Congresso de uma vez só. A sociedade muda mais devagar do que eu gostaria. Comprei briga com todo mundo. Nós forçamos demais a marcha das reformas. Eu também poderia ter tentado a mudança no sistema de câmbio antes, quando eu deixei para fazer isso no começo do segundo mandato...
IG: Não foi por causa da reeleição?
FHC: A eleição foi em outubro de 1998, mas não foi por isso. Nós não fizemos porque tivemos medo da volta da inflação. Depois, ficou provado - engenharia de obra feita é mais fácil, né? – que a inflação não voltaria, como não voltou. A gente poderia ter feito a mudança cambial antes que não voltaria a inflação. De má fé, as pessoas, e inclusive o Delfim Netto repete sempre isso, disseram que era populismo cambial. É mentira, não foi para ganhar a eleição que adiamos a mudança.
IG: Ele e outros críticos disseram que essa crise cambial quebrou o País...
FHC: Isso é tudo lero-lero. Quem quebrou o País foi ele! Ele quebrou o Brasil em 1982, mas em 1999 não quebrou o País coisa nenhuma. O que acontece é que nós podíamos ter feito uma mudança antes.
IG: O senhor deve ter visto uma reportagem do “Financial Times”, publicada no último final de semana, em que o diário financeiro britânico faz a seguinte avaliação: “Lula deve deixar o cargo em 2010 proclamado como o presidente do grau de investimento, uma reputação bem melhor do que a do seu predecessor que, devido aos problemas enfrentados no setor de energia, saiu da Presidência taxado de presidente do apagão”. O que o senhor gostaria de responder ao jornal?

FHC: Que ele está mal-informado! Não era isso que ele dizia na época do meu governo. Esta coisa do apagão não ficou como uma marca pessoal minha. É uma situação real do Brasil, e que não está resolvida até hoje. Nós escapamos do apagão há pouco tempo porque choveu. A questão do apagão ali não foi falta de investimento em eletricidade. Em média, nós investimos por ano muito mais do que o governo atual. Fizemos a conexão com a Venezuela, com a Argentina, com a Bolívia, na questão do gás. Ali o que houve foi falta de planejamento no manejo das águas. E por que houve isso? O ministro das Minas e Energia, que era do PFL, na verdade, achava, e talvez até com razão, que daria para atravessar o período de estiagem e não haveria apagão, e não houve apagão. Mas nós resolvemos fazer um racionamento rigoroso. Nós nos assustamos, nós mesmos dissemos ao País: “Ah! Tem que fazer racionamento e tal”. E não era essa a posição do Ministério até que mudou o ministro. O novo ministro não sabia como estava a situação, e nem eu... Portanto, o governo tem responsabilidade, eu não sabia o grau de gravidade da situação. Como é que podia não saber que havia um problema de água? Talvez nós pudéssemos não ter assustado tanto a população. Mas, enfim, isso não inibe o problema. O Brasil tem um problema de energia que não está resolvido.
IG: Como principal referência do PSDB, como o senhor está vendo a guerra entre tucanos que apóiam o Alckmin (Geraldo Alckmin, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo) e aqueles que defendem a aliança com o Kassab (Gilberto Kassab, prefeito e pré-candidato à reeleição)? O que o senhor considera o melhor para o seu partido? Por trás dessa disputa municipal já está em jogo a sucessão de 2010? O senhor tem algum palpite sobre quem será eleito presidente?
FHC: Em todos os partidos, sobretudo os partidos maiores, que têm mais chances de ganhar, quando se aproxima uma eleição, as opiniões se dividem, isso é normal. A opinião majoritária tem que prevalecer e todo mundo vai ter que ficar junto. Fiz uma análise algum tempo atrás: se a política fosse racional, era melhor preservar o Geraldo Alckmin para ser candidato ao governo de São Paulo. Entretanto, ele não gostou da minha observação. Ele quer ser candidato já e ele tem condições de ser. Eu achava melhor preservá-lo porque nós tínhamos condições de reeleger o prefeito atual agora e manter o governo do Estado em 2010, mas a política não é racional. Agora a gente tem que buscar um entendimento para evitar que haja uma guerra entre aliados. Não é fácil, mas vou me empenhar nisso. Vou seguir o meu partido.
IG: Quer dizer que agora o senhor apóia o Alckmin?
FHC: Eu apóio. Se a convenção votar por ele, vou apoiar o Alckmin, mas vou fazer de tudo para preservar a aliança. O Kassab é um bom prefeito, não é nosso inimigo, e a Prefeitura do Kassab é tucana também, então é uma situação difícil.
IG: E como é que fica o discurso do PSDB com candidato próprio?
FHC: Fica difícil, muito difícil... Por isso que eu queria outra solução. Agora, quanto ao palpite para a sucessão presidencial que você está me pedindo, acho o seguinte: não se pode nunca minimizar a força do governo, sobretudo quando o presidente está com popularidade e quando tem um partido que é aguerrido. Eu não minimizo essa força. Acho, entretanto, que daqui até o término do mandato muita coisa vai acontecer ainda. Não sei se para o bem ou para o mal, depende de como se levar as coisas. Na oposição, hoje, quando você olha as pesquisas, o PSDB tem um nome consolidado, que é o nome do Serra (José Serra, governador de São Paulo), e tem um nome promissor, que é o nome do Aécio (Aécio Neves, governador de Minas Gerais). Assim como eu disse sobre a questão da Prefeitura, a análise vale para a Presidência também. A partir de um certo momento, um dos dois, aquele que tiver mais chances, vai ter o meu apoio, e vou fazer tudo para que seja apoiado pelo outro. Porque, se não, não é partido. Nós temos chances de ganhar. Por quê? Porque nós temos influência nos dois grandes eleitorados do Brasil, São Paulo e Minas. Havendo uma boa postura e coesão interna nós ganharemos com qualquer um dos dois. Neste momento, está à frente o Serra. Ele tem por volta de 40% nas pesquisas e o Aécio tem cerca de 10%. Mas isso pode mudar. Os dois são do PSDB, os dois são bons governadores, o Aécio também é um bom governador. Vamos ver o que vai acontecer mais perto de 2010. Temos que criar um clima em que um apóie o outro, qualquer que seja. Você não pode dizer, “só vou apoiar se for o Serra”. Os dois são bons, eu vou com qualquer um dos dois.
IG: Analistas políticos têm insistido ultimamente em apontar a falta de unidade, de bandeiras, de projetos, de iniciativa da oposição. Com este vazio, muitos setores da mídia acabam assumindo este papel, que seria dos partidos de oposição, como o presidente Nicolas Sarkozy denunciou outro dia que estaria acontecendo na França. O que o senhor pensa disso?
FHC: Eu penso que é verdadeiro. A mídia no Brasil muitas vezes assume o papel dos partidos, fala pela sociedade. Não é que não exista quem fale. Mas, como o Congresso Nacional tem voz baixa no momento, a oposição fala, mas não é ouvida, e a oposição só vai ser ouvida quando ela definir os seus candidatos. Aí é que os candidatos vão ter que falar pela oposição. Porque numa democracia a palavra política que vale é de quem tem voto. Como tenho muita consciência do meu papel, falo como uma pessoa independente e sou ouvido nos círculos de opinião, mas não pelo povo. O povo só vai ouvir quem for candidato. Se eu quisesse ser ouvido pelo povo, eu tinha que ser candidato. Quando eu digo que não serei candidato, eu sei que não vou ser ouvido, mas aqueles que decidem que vão ser candidatos, esses têm obrigação de marcar posição.
IG: Qual seria a bandeira principal hoje de um candidato da oposição?
FHC: Vote em mim porque eu vou fazer o Brasil avançar mais. Não é dizer que não avançou. É dizer que eu vou fazer o Brasil avançar mais. O meu partido iniciou tudo isso, não é contra, mas eu vou poder avançar mais. Tenho mais competência técnica, tenho estilo, não estou marcado pela corrupção e vou fazer o Brasil avançar mais. Acho o seguinte: você tem que mostrar que o Brasil tem muita potencialidade econômica e vai avançar independentemente do governo. Os motores já estão em marcha. Agora o problema é que o candidato de oposição tem que dar segurança ao eleitor de que não vai perder o que já tem. Esse mundo é muito dinâmico, mas ele é muito inseguro para o povo, quer dizer, o povo não vai votar num candidato em que não veja garantias do tipo “olha, eu não vou piorar a sua vida, vou manter e melhorar”. Ambos têm credencial para dizer isso. O Serra teve papel muito importante como ministro da Saúde. Ele pode dizer “eu fiz o genérico, eu fiz o programa de combate à aids, eu fiz o SUS”. Tem que dizer que vai lutar pelo povo.
IG: E o Aécio tem o que para oferecer?
FHC: Ora, o Aécio é um grande governador de Minas, ele tem um apoio imenso em seu Estado.
IG: E qual seria a bandeira dele?
FHC: A dele seria a da eficiência da gestão e a simpatia. Cada um tem seu estilo, mas nós temos cartas para jogar.
IG: Nas minhas muitas viagens pelo Brasil, tenho sentido um abismo entre o permanente clima de fim de mundo encontrado entre políticos e jornalistas em Brasília, às voltas sempre com crises e CPIs, e o clima de alto astral que predomina em quase todos os setores da sociedade fora dos gabinetes do poder. Como sociólogo e estudioso do Brasil, como o senhor analisa esse descolamento entre o Brasil oficial e o Brasil real real que a gente vê por aí?
FHC: Esse descolamento é antigo e aumentou, e aumentou por quê? Porque a política se desgarrou da vida cotidiana do povo. Desgarrou, quer dizer, ela passou a ser uma conversa fechada entre políticos e jornalistas. É um mundo fechado e, mais ainda, visto pelo povo é um mundo de privilégio e de impunidade. Portanto, é um mundo que não tem credibilidade. Não é que a vida esteja boa para todo mundo, não está. Tem muitos problemas. É só você entrar na classe média para ver como ela está apertada. Vai ver a questão do emprego, que muitas vezes não existe, vai ver a escola, vai ver a saúde, tem muita reclamação, mas não está piorando. O que está piorando? A crença nas instituições.
IG: O senhor sente que, apesar de tudo isso, aumentou a auto-estima do brasileiro?
FHC: Eu acho que o brasileiro sempre teve boa auto-estima. As pesquisas mostram isso. O povo sempre acreditou no Brasil, mais do que os políticos e os jornalistas. Eu tinha essa mesma sensação no meu governo. O lado negativo era muito mais a fofoca da política, que fica uma coisa cansativa, repetitiva. Vou lhe dizer uma coisa: eu não tenho mais paciência para ler o que se chama editoria política dos jornais. Não tenho, porque é muita intriga, é jogar um contra o outro. Você sabe que é intriga. Vejo que dizem a meu respeito, sobre o que eu penso, o que eu falo... Isso não corresponde ao que eu penso, ao que eu falo, muitas vezes. O jornalista não é ele que faz a intriga, não. É outro que fala para ele. O sujeito vem aqui falar comigo e sai daqui contando para os jornalistas que eu disse não-sei-o-que, que eu penso isso ou aquilo, tira do contexto. Eu tenho por hábito o seguinte: fulano falou mal de mim, eu digo “ah, é? Está bem”. Não vou me preocupar, porque se você começar a se preocupar com isso... Olha, não há uma entrevista que eu dê, com pouquíssimas exceções como a sua, que não me forcem a falar mal para pinçar uma frase contra o Lula. Aí eles vão ao Lula e fazem a mesma coisa comigo. Uma pessoa que assiste à televisão, o que ela vê hoje? Ela vê esporte, crime, violência, bandalheira, corrupção, e o presidente Lula falando. Não tem mais nada.
IG: É uma obsessão por assuntos que vão se repetindo...
FHC: É o dia inteiro, todo dia a mesma pauta. É como fazer pesquisa de opinião pública e não ouvir o outro lado, só tem o nome do presidente Lula. Na televisão, ou está tudo ruim ou é o Lula falando, naturalmente falando bem dele e do governo. É assim que o povo se informa na televisão. O jornal é mais aberto, tem alguns colunistas excelentes. Não vou nominar, mas são quatro ou cinco de primeira grandeza. Agora, a reportagem, o dia-a-dia da política, é só fofoca!
IG: Fofoca e desgraça...
FHC: É, daqui e de fora. Agora mesmo tivemos esse terremoto na China, aquele tarado lá da Áustria, o tarado de São Paulo, é desesperador! E fica, fica, repete, repete, repete. Depois você vai querer que o povo se interesse por outros assuntos, não vai se interessar. Fica apático.
IG: Se o senhor se encontrasse hoje com o presidente Lula, o que gostaria de dizer a ele sobre esse episódio do vazamento de dados das despesas do seu governo? Como imagina que essa CPI dos cartões corporativos vai acabar? O que o senhor gostaria de dizer ao presidente Lula?
FHC: “Será que você não está vendo o que está acontecendo? Você acha que tem cabimento nós chegarmos a esse grau de mesquinharia, dadas às relações que nós sempre tivemos, que sempre foram boas?” Agora, fora isso, eu ia dizer a ele o que eu tenho escrito até: “Ô, Lula, você não acha que chegou o momento de pensar maior? O Brasil está indo para um outro patamar e a política está indo para o buraco. Não dá para a gente pensar grande? Não dá para haver um debate? Não é para falar do seu governo. É um debate nacional sobre temas significativos. Por exemplo, o que nós vamos fazer com a riqueza petrolífera que está aí? Como é que nós vamos olhar para o futuro?” Eu estou disposto a entrar neste debate. Este seria um grande debate nacional, sim.
IG: O senhor acha que um dia será possível fazer em São Paulo a aliança que PSDB e PT estão construindo com Aécio Neves e Fernando Pimentel (prefeito de Belo Horizonte) em Minas? Por que em Minas é possível e, em São Paulo, é tão difícil ou impossível?
FHC: Talvez porque PSDB e PT sejam
muito fortes em São Paulo. Eu digo isso já há alguns anos: a disputa entre PSDB e PT não é ideológica. Pode ter sido no passado, existem algumas questões, por exemplo, a visão de funcionamento do Estado, da democracia, no PSDB é diferente do que no PT. O PT é mais corporativista, mais aparelhador. Mas não é essa a briga principal nossa. É uma briga de poder apenas, saber quem é que vai mandar. Eles não passaram o tempo todo me acusando de neoliberal para depois fazer exatamente a mesma política que eu estava fazendo que não era neoliberal, nem a minha e nem a do Lula? Fizemos o que é possível no mundo de hoje em termos de compatibilizar o mercado com o interesse social. Mas não passaram o tempo todo só discutindo isso, fingindo que tinham um argumento ideológico? Queriam apenas ganhar a eleição e isso é natural, a política é assim. Então, aqui em São Paulo é difícil. Quando nós fizemos a transição, eu imaginei que, a partir de 2003, nós teríamos um diálogo maduro. Ao invés de ter um diálogo maduro, o Zé Dirceu (José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil) inventou a herança maldita da qual eles vivem até hoje - não da maldita, da boa. E o Lula nunca fez um gesto de diálogo, nunca. Definiram, a meu ver equivocadamente, o PSDB como adversário principal. Foram buscar apoio no que havia de mais podre na política brasileira, e deu no mensalão. E isso não é responsabilidade do PSDB, é do PT. Nós fizemos um caminho que não era de afastamento.
IG: E esse caminho tem volta?
FHC: Hoje é mais difícil porque as marcas vão ficando, você perde a confiança. Fizeram um dossiê contra a eleição do Serra, um dossiê de cartão corporativo agora. Vamos ver no que vai dar isso. Acho que não vai dar em nada. A minha tese é muito simples: não há gasto secreto nenhum, nunca pensei em gasto secreto, é uma invenção. O que precisa é ter um controle maior dos gastos, criar novos instrumentos. Duas coisas que estão erradas: a difusão dos cartões - me disseram, e eu não sei se é verdade, precisa verificar, que nós tínhamos cento e poucos e agora já são mais de 11 mil - e poder tirar dinheiro à vista. Deveria ser o oposto para deixar registrado o gasto. Esses são os dois erros fundamentais.
IG: Mas a CPI fica nesta história de que um gastou tanto nisso, o outro gastou xis naquilo...
FHC: É ridículo! É ridículo! E tem outra coisa: aparece lá, como se fosse gasto pessoal meu ou da Ruth o que é gasto dos palácios. Aluguel de carro. Uma que ela nem sabe que o carro é alugado, ela tem um carro da primeira-dama. Alugaram o carro da segurança sei lá de quem para estar viajando. Aí vem lá: 180 garrafas de champanhe nacional, sabe o que é isso? Despesa do dia 28 de dezembro de 1998. Claro, porque no dia primeiro de janeiro de 1999 teve uma recepção no Palácio por causa da posse. Gasto pessoal de FHC? Isso é ridículo... Nós estamos apequenando a política brasileira. Isso que eu diria ao Lula: “Não é possível, você não vê a que ponto chegamos?”

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ricardo_kotscho/2008/05/18/exclusivo_fhc_critica_mesquinharia_e_propoe_grande_debate_nacional_a_lula_1316779.html