quarta-feira, 14 de maio de 2008

QUARTA VIA


TÉRMICA A CARVÃO EM FORTALEZA É ABSURDO

Eng. José Antonio Feijó de Melo
Recife, maio de 2008




Através de duas matérias jornalísticas da Agência Folha, que me foram enviadas pelo Econ. Rubens Vaz da Costa, acabo de tomar conhecimento do iminente início das obras de implantação de uma usina termelétrica a carvão mineral, na cidade de Fortaleza, bem como das primeiras reações que se esboçam por parte da população da Capital cearense para impedir a concretização de tal projeto.
Confesso que já tinha ouvido falar dessa e de outras usinas similares, mas sinceramente não acreditava que esse projeto fosse adiante, pois imaginava que a insanidade reinante em certas áreas do setor elétrico nacional não chegava a tais limites.
É impensável como em pleno século XXI se pretende implantar, praticamente dentro de uma grande cidade, uma usina a carvão que, do ponto de vista do meio ambiente, constitui a pior e mais poluidora fonte primária de energia para produção de eletricidade jamais utilizada pela humanidade. Somente a extrema ganância de certo capitalismo selvagem que infelizmente ainda encontra guarida no Brasil, associada à ingenuidade de alguns técnicos, pode explicar tamanho absurdo.
O carvão mineral é altamente danoso em todas as fases da sua cadeia de produção e a sua utilização somente se justificou e se justifica na falta de alternativas. O carvão mata na mina, seja por meio de grandes acidentes, seja pela destruição dos pulmões dos mineiros. Polui o ambiente no entorno da mina, atingindo cidades e contaminando atmosfera, nascentes e riachos. Polui ao longo do seu transporte e nas áreas de estocagem. E da sua queima resultam grandes quantidades de CO2 e de enxofre, além de vários outros resíduos nocivos, provocando aquecimento global e chuva ácida, entre outros efeitos negativos. E saliente-se que, apesar dos grandes esforços já empreendidos, até hoje não se conseguiu desenvolver tecnologia capaz de eliminar satisfatoriamente tais efeitos.
Assim, somente se o Brasil possuísse carvão mineral de boa qualidade e em abundância se poderia aceitar a sua utilização para produção de energia elétrica, mas restringindo-a a usinas implantadas na “boca da mina”, como se costuma dizer, para eliminar o transporte do carvão e assim reduzir os seus efeitos negativos. Junto a uma grande cidade, jamais. Aliás, o Brasil dispõe de algum carvão em minas localizadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Mas, infelizmente, todos sabem que se trata de um carvão de baixa qualidade, que não possibilita um uso mais intensivo. Mesmo assim, já vem sendo utilizado há bastante tempo por algumas usinas térmicas situadas próximas às minas, embora de forma limitada.
Porém, importar carvão do exterior para produzir eletricidade aqui no Brasil seria um despautério. Significaria recuar técnica e historicamente pelo menos um século. Saibam aqueles que ainda não conhecem a evolução do setor elétrico nacional que no Recife, por exemplo, como em várias outras cidades brasileiras, no início do século XX, portanto faz cerca de 100 anos, a produção de energia elétrica começou justamente por meio de uma usina térmica a carvão importado da Inglaterra. Esta usina foi implantada pela empresa de capital estrangeiro que recebera as concessões para explorar na capital pernambucana os serviços de distribuição de energia elétrica e de transporte por bondes elétricos, além de distribuição de gás encanado e de telefones.
Entretanto, já nos anos trinta do século passado, as fornalhas a carvão da referida usina foram substituídas, passando-se a caldeiras queimando derivados de petróleo, situação esta que perdurou até 1955, quando finalmente chegou ao Recife e logo a seguir a todo o Nordeste a energia de origem hidrelétrica (renovável, limpa e barata) produzida pela CHESF no rio São Francisco.
Aqui, evidencia-se a insanidade que hoje representa a pretendida térmica a carvão de Fortaleza. O Brasil possui um imenso potencial hidrelétrico, do qual até hoje somente foram explorados cerca de 30%. Ainda restam à nossa disposição cerca de 70% dessa fonte energética limpa, renovável e barata com que a Mãe Natureza presenteou o nosso País. Pensar que querem trocá-la por uma fonte altamente suja, finita e mais cara, não dá para entender!
Como também não dá para entender por que órgãos de licenciamento ambiental concedem licença para implantação de uma térmica a carvão dentro de uma metrópole, enquanto dificultam por todos os meios a licença para implantação de hidrelétricas, cujo balanço global comparativo entre vantagens e desvantagens para o meio ambiente mostra-se altamente favorável às fontes hidráulicas.
Finalmente, para não ficar sem registro, vale salientar que o empreendedor desse absurdo que seria essa usina a carvão de Fortaleza é o mesmo que já levou para lá o “elefante branco” que hoje é a usina térmica a gás antes denominada Termoceará, agora rebatizada de S. C. Jereissati, de 220 MW, que tanto prejuízo já trouxe para a Petrobrás (segundo se fala, da ordem de um bilhão de reais), antes sócia e hoje proprietária única da usina que pelo menos há sete anos lá se encontra paralisada, incapaz de gerar regularmente um kilowatt-hora sequer, por falta de gás natural.
Portanto, se há conveniência de mais energia elétrica em Fortaleza, não há necessidade de novos investimentos para construção de nenhuma nova usina, muito menos a carvão. Basta fazer chegar gás natural para a usina S. C. Jereissati e para a sua co-irmã Termofortaleza, que tem capacidade de 300MW e pertence ao grupo ENDESA, a qual também permanece paralisada pela falta do combustível. Isto, por si só, dispensaria o investimento e a “sujeira” de uma térmica a carvão.


Fonte: ILUMINA/Nordeste. Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético

(Enviada por Flávio Lúcio)
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Por que Marina Silva já foi tarde


Marina sofreu bombardeio desde o 1º mandato de Lula

Ministra fez várias concessões e teve de aceitar derrotas seguidas em 5 anos e 5 meses de governo, mas sai no instante em que desmatamento volta a aumentar.

AO FINAL do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, já estava claro para quem quisesse ver que seu governo não merecia Marina Silva. A voz ao mesmo tempo frágil e firme da ex-doméstica que chegou a senadora permanecia solitária na Esplanada. Era a única a defender que o desenvolvimento econômico não pode ser obtido a qualquer preço, porque não seria de fato desenvolvimento.
Lula repetiu a estratégia Fernando Collor com José Lutzenberger. Pôs Marina Silva na vitrine do MMA (Ministério do Meio Ambiente) para neutralizar pressões internacionais contra o país pela destruição da Amazônia. Funcionou por algum tempo. Tempo demais.
Era fácil deixar a ministra falando sozinha sobre "transversalidade". Soava como (e era de fato) uma abstração insistir na necessidade de injetar a questão ambiental em todas as esferas de decisão e planejamento do governo. O desenvolvimentismo lulista seguiu em frente.
Foram muitas as batalhas perdidas. Primeiro, perante o Ministério da Ciência e Tecnologia, a dos transgênicos. Depois de anos de omissão do governo FHC quanto ao plantio de soja geneticamente modificada contrabandeada da Argentina, Lula capitulou diante do agronegócio e do lobby dos biotecnólogos, permitindo a comercialização do grão ilegal.
Em seguida vieram várias concessões, fracassos e derrotas do MMA: explosão do desmatamento (que chegou a 27 mil km2 em 2004, segunda maior marca de todos os tempos); licenciamento ambiental da transposição do São Francisco e das grandes hidrelétricas na Amazônia; a decisão de construir Angra 3 e outras quatro usinas nucleares...
Apesar disso, Marina Silva continuava como um conveniente bode expiatório. A certa altura, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) parecia ser o maior entrave ao desenvolvimento nacional. Pior que a taxa de juros mais alta do planeta, a julgar pelo bombardeio dos jornalistas de negócios e dos ministérios interessados em camuflar a própria inoperância.
Mãe do PAC, mãe do PAS
O MME (Ministério de Minas e Energia), onde começou a ser gestada a mãe do PAC e também o embrião de um apagão, capitaneava o canhoneio. Entre um mandato e outro, a artilharia quase derrubou Marina Silva. Havia até candidato preferido do MME, segundo se especulava na época: Jerson Kelman, diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A proverbial raposa no galinheiro.
Marina Silva resistiu e ficou para um segundo mandato. Disse na época que o fez a pedido do próprio Lula. Afinal, o desmatamento na Amazônia vinha caindo, tendência que se confirmou ao longo do primeiro ano do segundo mandato. As cifras traumatizantes despencaram quase 60% em três anos. A ministra continuava bem na fita, pelo roteiro de Lula.
Aí começaram a surgir os primeiros sinais de que o desmatamento na Amazônia voltava a crescer. Era inevitável, diante da alta retomada no preço de commodities agrícolas, como soja, carne bovina e algodão. Enquanto isso, o frenesi dos biocombustíveis tomava conta do Palácio do Planalto.
Só os incautos acreditam que a expansão da produção será obtida apenas com aumento da produtividade e ocupação de áreas degradadas de pastagem. O empreendedor rural se dirige para onde encontrar a melhor combinação de terra e mão-de-obra baratas, solos férteis, topografia favorável e infra-estrutura logística. Soja e cana não desmatam a Amazônia, mas a pecuária, sim -e como.
Diante do trator pilotado pelo Ministério da Agricultura e teleguiado da Casa Civil, o espaço de manobra de Marina Silva se restringiu ainda mais. Nem ela fala mais em transversalidade, embora não deixe de apontar os riscos do excessos de entusiasmo com a expansão do agronegócio.
Os sensores de satélites, capazes de discernir florestas de verdade das áreas em processo de degradação, não se enganam a respeito. O desmatamento está em alta. É indiferente para eles que Lula, Dilma Rousseff e Marina Silva tenham lançado há poucos dias o enésimo programa desenvolvimentista, mais uma compilação de ações anteriormente providenciadas, e o batizem como PAS (Plano Amazônia Sustentável).
Lula tentou fazer blague na cerimônia, afagando a "mãe do PAS". Ao mesmo tempo, designou o ministro Roberto Mangabeira Unger (aquele do aqueduto ligando a Amazônia ao Nordeste) para coordená-lo.
O presidente ainda jactou-se de estar "criando uma nova China aqui". A infeliz frase presidencial -mais uma, apenas- não deve ter sido a causa do pedido de demissão da ministra. Mas nunca esteve nos planos de Marina Silva ajudar a armar a segunda maior bomba-relógio ambiental do planeta.


(Escrito por Marcelo Leite às 07h58)

Fonte: http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2008-05-11_

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Crer em extraterrestres não ofende a fé, diz padre


Chefe dos astrônomos do Vaticano afirma ser possível a existência de vida inteligente fora da Terra e que ETs também seriam criaturas divinas
(AP)


Acreditar na existência de vida fora da Terra não contradiz a fé em Deus, afirmou o chefe do Observatório Astronômico do Vaticano, o padre jesuíta José Gabriel Funes, em entrevista publicada ontem no jornal L'Osservatore Romano.

A vastidão do universo - com centenas de bilhões de galáxias e trilhões de estrelas - indica que pode haver formas de vida extraterrestre, até mesmo vida inteligente, disse o jesuíta.

Na entrevista intitulada 'O extraterrestre é meu irmão', Funes questiona como podemos garantir que a vida não tenha se desenvolvido em outros lugares. Diz também que 'assim como há uma multiplicidade de criaturas na Terra, pode haver, lá fora, outros seres criados por Deus'.'

Isso não contradiz nossa fé, pois não impomos limites para a liberdade de criação divina', afirmou Funes.'

Assim como consideramos as criaturas terrestres como irmãos e irmãs, por que não podemos falar sobre um irmão extraterrestre? Seria também parte da criação', argumentou.

Segundo Funes, a ciência, sobretudo a astronomia, não contradiz a religião. A entrevista de página inteira aborda um tema recorrente no pontificado de Bento XVI, que tem dado ênfase em explorar a relação entre a fé e a razão.

A Bíblia 'não é um livro de ciência', disse Funes, e 'a busca de fatos científicos sobre o universo e sua origem não lança dúvidas sobre o papel de Deus em sua criação'.

Como exemplo, o sacerdote disse que acredita na teoria do Big Bang, que afirmou ser a mais plausível para explicar a criação do universo. De acordo com a teoria, o universo teria começado há bilhões de anos com a explosão de um único ponto superdenso que continha toda a matéria.Mas, ainda assim, 'continuo acreditando que Deus é o criador do universo e que não somos produto do acaso', disse.

PRESTÍGIO

O Observatório Vaticano está presente em dois continentes. A sede fica na residência de verão dos papas, o bucólico Castelo Gandolfo, a poucos quilômetros de Roma. O centro de pesquisas propriamente dito está localizado no interior do Estado do Arizona, nos Estados Unidos.

Em sua página na internet, numa seção voltada aos visitantes leigos, a instituição faz questão de deixar claro que os telescópios não são utilizados com o objetivo de procurar 'algo divino lá em cima'. O observatório é católico, mas não tem fins religiosos. 'Nem com um telescópio potentíssimo poderíamos ver Deus. Ele está além do universo, por trás de tudo que existe', acrescenta Funes.

Nos trabalhos científicos do observatório, o Vaticano não faz nenhum tipo de interferência. A escolha dos diretores, na prática, não precisa do aval do papa. Por isso, a instituição é respeitada internacionalmente. Tem acordos de cooperação com a Nasa, a agência espacial dos EUA. Seus padres astrônomos publicam estudos em prestigiosas publicações científicas.

Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/05/14/ger-1.93.7.20080514.14.1.xml

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