segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Canção de fim de ano

(Antônio Maria)

Que dia maravilhoso haverá, aquele em que for possível telefonar para os melhores amigos e dizer-lhes que houve um ligeiro engano, que não teria sido preciso escrever coisa alguma? E que, dali em diante, nada mais se escreverá, a não ser os nomes e os números necessários das pessoas e das coisas.
Que boa impressão a de ser-se uma parte do coral, um grito em meio às vozes que clamam o gol, um gemido noturno, entre os muitos e repetidos gemidos, na imensa e fria sala do hospital de indigentes! E que absurda e amiga paz a de saber-se que a lua e a flor, o rio e a queixa, nada foi mais lua ou flor, mais rio ou mais queixa, por causa do que se disse. A própria mulher foi sempre bela ou fêmea, antes e a salvo da minha poesia e das minhas mãos!
Vivi entre o que viveu. Fui multidão e povo, um lugar ocupado, uma rescendência de suor, uma voz que pediu licença, um olhar que mendigou prazeres e uma parte milesimal dos pés que povoaram. Das minhas mãos, prefiro não contar, a não ser na custosa confissão de que foram mãos vadias. De bem, fizeram a bênção e o carinho... mas o carinho é vadio e, em toda vez que se aparta de Deus, é proibido. Prevalece, portanto, o existente da multidão, o corista, aquele que não foi o solista de beleza alguma e que, por isso, se sente irresponsabilizado dos erros de maneira especial e destacada!
Sou o rosto fora de foco de uma fotografia em que dezenas de pessoas aparecem em segundo plano. Posso ter ou não a barba crescida; posso trazer ou não uma flor no peito; posso chorar até, e ninguém botará reparo. A fotografia passará de mão em mão e todos os que comigo estiverem desfocados só serão odiados quando não houver mais nada a odiar em primeiro plano.
Só assim é — se o homem real e constante — o que sente o gosto e o cheiro da vida. A maioria se evade de sua condição real, para fazer ou imitar o êxito. Entretanto, só o êxito casual é verdadeiro. Exemplo de êxito casual: a beleza. Exemplo de beleza: a mulher bela. Uma mulher sentou-se à minha frente. Tinha luz própria... E tanta, que um fanal de evidente claridade iluminou minhas mãos, quando em gestos inúteis (as mãos) procuravam supor os seus múltiplos encantos. Mas não me quero perder além do homem real e constante, portanto, desenvolto.
Só farei, sem pudor e remorso, aquilo que fizer com desenvoltura. Principalmente, a poesia e o amor. O amor ou é desacanhado, destro, irrefletido... ou é suor. A poesia também. Por isso volta-se a multidão, vivem-se as imunidades corais e espera-se a vinda casual da poesia e do amor.
Sou o homem real, que sua, que mente, que disfarça, que teme, que inveja e cobiça. Tive e tenho os meus momentos de suicida. Não gosto que me conheçam aquém e além de um homem constantemente exposto ao erro e ao crime. É dever do ser humano pressentir em seu semelhante um sem-número de intimidades inconfessáveis. O grande e verdadeiro amor ao próximo é aquele que ama os erros mostrados e pressupostos.
Além da verdade, só existe a multidão, que exime o homem das proclamações e o ampara das conseqüências de sua coragem. Depois de cumprida a Verdade, ter-se-á conquistado o silêncio. "O silêncio alcançado à custa de sempre dizer a mesma coisa" (João Cabral de Melo Neto).
Só creio em dois estados de lucidez: o dos bêbados e dos poetas. Ambos são negados. Mas essa negação ainda não é a definitiva. Lucidez não é, por exemplo, comprar-se uma vitrola por cem dólares e se vendê-la por vinte contos. Isto seria melhor chamado de "paciência"... ou "organização"... ou ainda "paciência organizada". Lucidez não é ainda ir-se hoje para Brasília e voltar-se, daqui a três anos, com cem milhões. A isto eu chamaria de "disciplina para fazer o fácil". A grande lucidez dos poetas estaria, por exemplo, neste verso de Fernando Pessoa: "Em tudo quanto olhei, fiquei em parte". A lucidez dos bêbados é difícil de defender, porque existem mil bêbados diferentes na humanidade. Mil que partem de dois: o bom e o mau. Ambos são lúcidos e, se um desagrada, é porque sua natureza repele o estado angelical e luzente da bebedice.
O conhecimento incessante da verdade faz com que o homem caminhe para o anjo. Chegarão primeiro os que mais depressa conheceram ao seu semelhante, tanto quanto a si mesmo. Nunca foi impossível o exato conhecimento próprio. É necessária, porém, a coragem bastante, para que cada qual se veja e se pegue, se espie e se apalpe, em cada um dos seus mais íntimos espaços físicos e morais. Que as constantes feiúras a encontrar não nos retraia os olhos (no caso, o sentir) e as mãos. Depois, será mais fácil conhecer-se o próximo. E depois, então, mesmo que se minta, só se saberá da utilidade e do consolo da verdade. Faltará ânimo para o fingimento e a fuga, quando acreditarmos em que ninguém engana ninguém e em que somos capazes de conhecer o próximo, desde o instante inicial do primeiro conhecimento.
A sintomatologia do mal é evidente e constante. O homem mau ri errado. Por isso, deve-se viver em multidão. Falar e rir em coro, andar e parar em batalhões. Viver entre os que, simplesmente, estiverem vivendo. A vida coral nos alivia da obrigação do êxito, do êxito que é casual (e verdadeiro) ou é fabricado e cínico. Desconfiai dos feitos que são repetidamente comemorados com jantares e missas de ação de graças!
É esta uma simples canção de fim de ano. Escrevia, confessando-me e comprometendo-me em cada uma das minhas pequenas descobertas. Se não atingi, rondei mais das vezes a insolente verdade dos homens e das coisas. Em vez disso, escreveria uma crônica de Natal... Mas, em tudo o que eu dissesse do Nascimento de Cristo e fraternidade humana, correria o erro constante de repetir: "Natal, Natal, bimbalham os sinos...".

14/12/1956
O texto acima foi extraído do livro "Com vocês, Antônio Maria", Editora Paz e Terra - Rio de Janeiro, 1994, pág. 134.
Antônio Maria Araújo de Morais nasceu no Recife, em 17 de março de 1921, filho de Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais. Junto com os irmãos Rodolfo, Maria das Dores, Consuelo, e inúmeros primos, teve uma infância feliz, conforme se depreende de suas crônicas sobre os bons momentos desfrutados, nessa época, em sua terra natal. Nelas nos conta sobre a mãe carinhosa, os tempos de colégio, as aulas de música, as lições de francês, os mergulhos no rio e os "banhos salgados", as férias na usina Cachoeira Lisa, deixada por seu avô materno, Rodolfo Araújo. (...) Seu primeiro emprego, aos 17 anos, foi o de apresentador de programas musicais na Rádio Clube Pernambuco. Vencido o primeiro degrau, no ano de 1940, mês de março, vem para o Rio a bordo do Ita "Almirante Jaceguai", "com quatro roupas novas e cinco contos no bolso", para ser locutor esportivo na Rádio Ipanema. Ficou pouco tempo no Rio — 10 meses — sem ser notado. Passou fome, foi humilhado e preso. Retornou ao Recife e se casou, em maio de 1944, com Maria Gonçalves Ferreira. Logo muda-se para Fortaleza, tendo ido trabalhar na Rádio Clube do Ceará. Depois de um ano vai para a Bahia como diretor das Emissoras Associadas, tendo ali conhecido e feito amizade com Di Cavalcanti, Dorival Caymmi e Jorge Amado. Volta ao Rio de Janeiro, em 1947, já com dois filhos, Rita e Antônio Maria Filho, como diretor artístico da Rádio Tupi. Convocado por Assis Chateaubriand foi o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada em 20 de janeiro de 1951, tendo trabalhado também como cronista de O Jornal. Durante mais de 15 anos escreveu crônicas diárias. Assinou, até 1955, as colunas "A noite é grande" e "O Jornal de Antônio Maria", nesse diário. No jornal O Globo manteve, por pouco tempo (início de 1959), a coluna "Mesa de Pista", tendo então se transferido para a Última Hora. Ali voltou a assinar "O Jornal de Antônio Maria" e "Romance Policial de Copacabana", esta última com crônicas e reportagens. Graças ao dinheiro que o governo Getúlio Vargas despejou em troca de apoio político, no fim de 1952 a rádio Mayrink Veiga partiu para o ataque contra a Tupi e passou a contratar seus grandes nomes. Antônio Maria foi um dos primeiros contratados, por 50 mil cruzeiros, o mais alto salário do rádio no Brasil. Com Paulo Soledade, assinou alguns shows na boate Casablanca e, em 1953, chegou a subir toda noite ao palco do Night and Day, no Edifício Serrador, localizado no centro do Rio, para apresentar "A Mulher é o Diabo", revista de Ary Barroso. Era um homem de 7 instrumentos, como se dizia.(...) Autor de jingles comerciais em parceria com Geraldo Mendonça e com o Maestro Aldo Taranto, acabou compondo letra para um samba que falava numa "poltrona surrada / um cigarro apagado / só nós dois e mais nada..." Não fez sucesso, mas pouco depois compôs um frevo, que foi o primeiro de uma série de cinco, chamado Frevo nº. 1 do Recife, gravado pelo Trio de Ouro em agosto de 1951. Nesse mesmo ano, com Fernando Lobo, compõe o samba Querer Bem, gravado por Aracy de Almeida. No ano seguinte duas gravações na voz de Nora Ney se transformam em grande sucesso na programação das rádios brasileiras: Menino Grande e Ninguém me ama. (...) foram seus parceiros, entre outros: Fernando Lobo, Moacyr Silva, Vinicius de Moraes, Zé da Zilda e Reynaldo Dias Leme. Alguns dos intérpretes de suas músicas: Nora Ney, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Lúcio Alves, Doris Monteiro, Jamelão, Ângela Maria, Aracy de Almeida, Agostinho dos Santos, Dircinha Batista, Luiz Bandeira e Claudionor Germano, além de Nat King Cole, que gravou Ninguém me ama e Tuas mãos. Antonio Maria, cardiopata desde a infância, faleceu fulminado por um enfarte do miocárdio na madrugada de 15 de outubro de 1964, em Copacabana, quando se dirigia para o Le Rond Point; mesmo tendo sido socorrido por amigos que o viram cair e que se encontravam na boate O Cangaceiro, em frente daquele restaurante. Bom de copo e de garfo, Maria se auto-intitulava "cardisplicente", uma mistura de cardíaco com displicente. Profissão: Esperança.

domingo, 30 de dezembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

QUEM NOS ANOS 50/60 NÃO VIU ESSE FILME?
(O CARTAZ ORIGINAL NA INTERNET ESTÁ PROTEGIDO E NÃO PUDE CAPTURAR A IMAGEM MAS É ESSA MESMA DO DVD)
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Onde está nosso Cinema Paradiso ?


Quem viu o belíssimo filme italiano, escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore que, em 1989, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro sabe do que estou falando. Mas não vou contar o enredo para despertar a curiosidade dos que não o assistiram e, de repente, quem sabe, decidem procurar uma locadora para ver ou até mesmo rever esse obra de amor ao cinema acompanhada da linda trilha sonora de Ennio Morricone. O filme emociona pelo enredo, música, leveza das imagens.
Há algum tempo, lançamos, através do blog, a idéia de recuperarmos a experiência do cinema em Ipaumirim exercitando o que eu sempre chamo garimpo paciente, coletivo e sempre aberto às novas descobertas sobre o nosso passado. Em vez de compor um texto, optamos por publicar retalhos de memória de forma a estimular as lembranças e buscar novos elementos que ofereçam mais consistência para construção da memória do cinema em nossa cidade.
Minha mãe, Maria Eunice, me contou que no dia em que eu nasci (12.07.1951) houve uma projeção na parede externa atrás da igreja que fica no largo da rua 14 de Dezembro. Ela lembra da perturbação de vovó entre o nascimento da primeira neta, atravessando pra lá e pra cá, entre a casa dela e a dos meus pais cruzando o público que assistia a projeção. Ela não lembra outros detalhes e não sabe quem teria emprestado um lençol para fazer-se tela. Mas, antes disso, o cinema já devia ter chegado por lá, com projeção em sala fechada, conforme o depoimento de Blandina Gonçalves que publicamos a seguir. O depoimento de Blan é a referencia mais remota que temos até o momento.
As minhas lembranças registram Padre Argemiro (alguém sabe o sobrenome???) como primeiro projecionista dos filmes que eu assisti, na década de 50, também na parede externa atrás da igreja, portanto no mesmo local a que minha mãe faz referência. Durante as missões religiosas que a Diocese do Crato realizava periodicamente, o padre encantava a platéia de adultos e crianças. Aliás, as missões da Diocese eram sempre mais divertidas que as de Frei Damião. Enquanto o conservadorismo fundamentalista do frade exortava para os perigos do mundo e a sedução do pecado, as missões da diocese enchiam a praça de gente que, após a cerimônia religiosa, deleitava-se vendo as modernidades do mundo através do cinema. Mesmo com tantas vidas de santos, entre outros dramas e comédias, os filmes eram a grande atração, muito mais interessantes que nos preocuparmos com os nossos pecados e a salvação das nossas almas.
Nesse período, o bispo da Diocese do Crato era D. Francisco de Assis Pires mas em virtude de sua saúde fragilizada, ele tinha como bispo auxiliar, D. Vicente de Araújo Matos, não lembro qual dos bispos participavam dessas missões nem de quem teria sido a idéia de trazer junto o cinema.
Lembro que as crianças sentavam no chão da rua e ficávamos ali vendo o desfilar de filmes no que era, para nós, o melhor da festa. Uma vez, o padre – não o Argemiro mas o pároco que assistia o filme na calçada da casa de meu avô – começou a perceber um tumulto na platéia e foi verificar o que ocorria. Eu, com um cipó, cutucava a meninada. O padre me puxou pelo braço, entregou-me ao meu avô e tive que ver o filme de castigo, sentada numa cadeira, na calçada, junto com minha família. Esse dia foi péssimo pra mim, naturalmente.
Tentei entrar em contato com a Fundação Padre Ibiapina, através da internet, para ver se eles tinham registro dessas projeções que acompanhavam as missões da Diocese. Infelizmente, o “Fale conosco” deles não funciona ou não lhes interessou a nossa busca. O certo é que não deram a mínima atenção a nossa solicitação.
Buscando na internet, encontrei a informação seguinte: “Antes, os filmes eram passados nas paredes amareladas da Igreja N. Sra das Dores pelo padre Argemiro. Que idéia maluca desse padre! A gente sentava no chão e esperava até as lâmpadas da rua serem apagadas. Ficava um breu! A gritaria tomava de conta. Não eram somente crianças, não! Gente grande, também. Quando a luz do projetor acendia e a luz projetava imagens em movimento na parede os nossos pequenos corações se agitavam. Eu nem lembro direito se tinha algum filme de santo, desses de céu, inferno, anjos e demônios. Não lembro não! Eu não esqueço é daquele filme que a gente chamava de “carro doido”. O carro passava por debaixo de trem, voava, batia em postes, atravessava casas... Era uma zona! A gente ria de perder o fôlego. Inesquecível!”
(Luiz Carlos Salatiel, Cinema no Cariri: primórdios.
Fonte : http://cariricult.blogspot.com/2007_07_22_archive.html)

Procurei ainda alguma informação sobre cinema no interior do Ceará em Ari Bezerra Leite, cinéfilo e pesquisador da História do Cinema no Ceará, mas não encontrei referências que pudessem oferecer mais informações sobre essa inteligente estratégia da igreja em associar os seus propósitos com o cinema, atraindo um maior número de pessoas para a festa religiosa.
Lembro também dos meninos – meninas, não – que faziam suas projeções em caixas retangulares enrolando em dois carretéis, movidos por uma manivela feita de arame, os filmes que montavam recortando figuras de revistas. Nós assistíamos a projeção por um pequeno orifício feito na caixa enquanto o dono da engenhoca rodava a manivela pelo lado de fora.
Mais adiante, muitos meninos montavam sua máquina de projeção nas caixas vazias de leite doadas pela Aliança para o Progresso.
Depois, eu lembro do cinema de Eutrópio. Gordo, com um rosto engraçado, corria uma lenda que ele passava os filmes de cueca. O cinema funcionava perto do chafariz, num dos prédios que foi de Luiz Barbosa. Posteriormente foi Banco do Brasil.
A cabine montada sobre um palanque de madeira que ele subia pesadamente com os rolos de filme. A sala de projeção em nada lembra os cinemas de hoje. O calor infernal, duras cadeiras de madeira, fitas tremidas, não havia sincronia entre voz e personagem. Meninos vendendo pipoca, picolé no meio da projeção, era uma loucura. Psiu! Psiu! Psiu! Era o grito de guerra dos incomodados para acalmar a criançada indócil. Também era comum alguma mãe aflita abrir a porta do cinema e gritar perguntando se o filho estava por lá. Dizia-se, ainda, que Eutrópio dormia enquanto os filmes passavam e quando a fita quebrava, ele emendava com o rolo de outro filme. Era uma gritaria dentro do cinema. Eutrópio residia em Cajazeiras e tinha um cinema na periferia daquela cidade.
Depois de Eutrópio, parece que instalaram um cinema num prédio pequeno, devia ser um local comercial na esquina ao lado de onde atualmente funciona algumas secretarias da Prefeitura Municipal, perto do beco do velho Custódio. Não sei de quem era, já ouvi falar que era de Cícero Maciel.
No fim dos anos 60 com a chegada da energia de Paulo Afonso, a TV trazia para dentro das casas, as novelas, as novidades do mundo e as pessoas que lotavam os primitivos cinemas, animavam as praças públicas e as conversas nas calçadas.
É muito pouco mas é o que, no momento, eu lembro.

Recife, 30 de dezembro de 2007
Maria Luiza Nóbrega de Morais
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DEPOIMENTOS

"Tenho esta lembrança eu tinha 6 anos o meu pai era delegado da cidade, nomeado pelo estado, entao nós fomos ao cinema eu, Zé Henrique, ele e mamae, era no predio que hoje e de Dino, sei que foi animado. " (Blandina Henrique Gonçalves)

(Obs: Essa informação coincide com o princípio da década de 40)

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"Lembro do cinema de Wilson Barros, eu não pagava, pois ele era casado com Jacira, minha prima, filha de tio Zequinha. Você se lembra que Wilson foi seu vizinho por muitos anos ? Ele morou na casa que depois Cristina morou. Hoje não sei de quem é. O Cine Ipaumirim funcionou durante muito tempo no prédio onde foi a sapataria de Tonheta, aquele que matou a mulher. A primeira vez que fui ao cinema com uma namorada, aí por volta de 1959, foi no Cine Ipaumirim. A garota chamava-se Edmunda e era filha de Antônio Ernesto. Os irmãos dela estudavam comigo no Colégio Diocesano do Crato. Depois a família foi embora para Brasília e eu não tive mais notícia deles. O Cinema, ao contrário de outros que esporadicamente ali funcionaram, tinha assento próprio, e como os outros, somente uma máquina projetora, o que obrigava a intervalos na projeção a cada rolo de filme. Lembro de um, sem nome, que funcionava uma vez por semana em um prédio de armazém da fábrica de Luis Barbosa (onde depois foi a sede da ag. do Banco do Brasil). O proprietário era de Cajazeiras, e trazia a tralha toda sexta-feira (ou era sábado?). Os cartazes (avisos) eram feitos por um pintor de letreiros chamado"Zé Pintor", e os cavaletes colocados na calçada da esquina do escritório de Ademar Barbosa, onde hoje funciona o mercadinho de Zé de Bidu. Minha memória só alcança até aí. Algum tempo depois, já na segunda metade dos anos 1960, funcionou um outro cinema, mas este eu não freqüentei, pois já morava fora. Tenho somente a lembrança e não os detalhes. (Flávio Lúcio Bezerra de Oliveira).

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"Quando a quietude das noites de Ipaumirim reinava no mais absoluto silêncio, podia-se ouvir o estampido dos filmes de bang-bang na tela do cine Ipaumirim, de propriedade de Wilson Barros, que eu lembro, foi o nosso primeiro cinema. Anísio Silva despontava nas paradas de sucesso do rádio brasileiro com as músicas: Quero beijar-te as mãos, Sempre comigo, Onde estás agora, Tu somente tu, Alguem me disse e tantas outras. Funcionou de início em prédio vizinho a Zacarias, onde foi a sapataria do polêmico Tonheta. No final das películas exibidas, podia-se ver figuras de jovens da época, de muita beleza, deixando o recinto em direção a suas casas. Lembro-me da silhueta esbelta de algumas jovens da época. Ao ritmo do tinir dos saltos de seus sapatos altos, destacávamos Mundinha Serafim, Cira Sampaio, Miriam Barbosa, Blandina Henrique, Maria Gonçalves, Socorro Olímpio e tantas outras. Às 22 horas, as luzes se apagavam e elas tinham pressa de chegar em casa. o cinema mudou-se para o antigo armazém de Zé saraiva, vizinho á residência do Cabo félix. Quase no final da década de 60, surge o Cine Rex, de propriedade de Eutrópio, um cajazeirense que o trouxe a nossa terra, já tão desprovida de entretenimento. Além dos filmes, shows artísticos de grande expressão na época. Nilo Amaro e seus cantores de ébano, Luiz Gonzaga, Miguel Ângelo, Trio Nordestino, José Augusto - o homem do grande sucesso, Beijo gelado, Luiz Carlos Magno, José Roberto e tantos outros. Neste período, Ipaumirim estava sem energia elétrica e aguardava-se a tão sonhada Paulo Afonso. O cinema recebia, como algumas residências, a energia de Souza Fernandes e enquanto aguárdávamos o início das sessões ouvia-se Paulo Sérgio - A última canção, Agnaldo Timóteo - Meu grito e Coração de papel com Sérgio Reis. Eutrópio, muito gordo e sonolento, vez em quando dormia por cima da máquina até que um dia a máquina caiu sobre a cabine de compensado. Quando o cartaz surgia na esquina de Vicente Gomes e na esquina de Zé de Bidú, já sabíamos que nesse dia tínhamos filme. À tarde, dois garotos circulavam com o cartaz mostrando a película daquela noite. As lembranças de um passado não muito distante traz à tona momentos que fizeram parte da nossa juventude. Tínhamos os espectadores assíduos: Amazonina e Lila, ilma Alves e Zé Strauss, Bia e Antonio, Anita e Rocemar, Airton e Coruja, Salete Olímpio de Fernando, Bim e Graça de Senhor Damião, Fátima Osório e Uchoa, Célia Lustosa e Zezinho de Cirilo, Nilda Nery e Sérgio Sobreira, Valmir de Castro Alves e Toinha de Zé Neco, Faquito e Dasdorinha, Valtudes e Zefinha Batista, Zé Nilson e Socorro Vieira, Pedrinho e Valquíria gonçalves, Barbosa e Salete Jorge, Varneau e Socorro Ribeiro e tantos outros. Como disse o rei, Roberto Carlos: Belos tempos, belos dias." (Josecy Almeida)

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“Na década de 60 instala-se uma casa de cinema denominada CINE SÃO SEBASTIÃO, pertencente ao senhor Eutrópio, que, nos finais de semana, trazia em sua bagagem rolos de fitas. Em seguida, o proprietário e operador do cinema dirigia-se até o prédio onde se achava a máquina de 16 mm, que operava os filmes elencados, para divertir as crianças, jovens e até idosos, os quais muito cedo da noite, formavam filas no prédio situado à Rua Prefeito Alexandre Gonçalves, próximo ao antigo chafariz de Luidio Barbosa. Naquele local funcionava o cinema, ali a moçada se deleitava com os filmes de Tarzan, O Rei da Selva, seriado do Zorro, seriado do Batman e tantos outros que faziam contagear o prazer daquela juventude sadia. Em certas ocasiões era necessário fazer a troca dos rolos de fitas, acendia-se a luz e a galera gritava: “Eutrópio, por que parou?” Mais tarde, a fita quebrava, da mesma forma outros gritos e, assim, continuava a sessão, que durava entre uma hora ou 1h10min.” (José Audisio Dias de Lima)

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"-Oi o filme Eutrópio .

Gritaram no cinema quando o fita do filme do Oscarito quebrou mais uma vez. Meu pai, o Seu Luiz, como para confortar seu filho na sua primeira ida ao cinema dizia:

- Meu filho, não se preocupe que o Eutrópio é especialista em consertar filme quebrado e depois do filme iremos tomar um refrigerante no Castro Alves.

Logo o cinema volta a escurecer e é a festa de pipoca e risos. Não demora e as luzes voltam a acender e todos gritam em uma só voz :

-Oi o filme, Eutrópio, se não eu quero meu dinheiro de volta.

O filme voltou a ser consertado e chegou ao final. Esta é a minha recordação da primeira vez que fui ao cinema no meu Ipaumirim. " ( Homero Arruda, filho de Seu Luiz Arruda)

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"CINEMA EM IPAUMRIM, EU LEMBRO MUITO BEM DO CINEMA DE EUTRÓPIO. ELE ERA DE CAJAZEIRAS MAS VINHA TODA SEMANA PARA IPAUMIRIM. LEMBRO DO PRÉDIO. DOS FILMES REPETITIVOS, DA MÁQUINA QUE QUEBRAVA A FITA A TODA HORA. E O QUE MAIS MARCOU ÉPOCA, PARA MIM, FOI UMA PELÍCULA POR NOME "SANGUE NO FAROL", POR QUE TINHÁMOS UMA AMIGA CUJA PELE ERA CHEIA DE SARDAS E OS MENINOS DEPOIS DE VEREM O FILME PASSARAM A CHAMÁ-LA DE SANGUE NO FAROL. LEMBRO BEM DE CADA DETALHE." (Fátima Dore)

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" Dos filmes, só lembro do padre Argemiro no campo que tinha aí perto da igreja onde Jackson do Pandeiro deu um show. Conheci Eutrópio, aqui, em Cajazeiras. Lembro muito pequena, assisti um filme não sei onde acho que foi na Sousa Fernandes ou próximo. O filme parece que era africano porque os personagens tinham pele escura. Lembro de uma parte que os homens vinham na mata e estava chovendo e de repente apareceu uma onça e correu atras deles , eu estava perto da tela e a tela era grande e quando onça se aproximou perto do telão eu pensei que ela fosse me pegar e "abri o berreiro" papai não quiz vir para casa e o filme perdeu a graça . O coração só faltava "sair pela boca" à proporção que o medo aumentava crescia tudo, tela , macacos, onças tudo que aparecia na minha frente ia crescendo de tamanho. Vc tá rindo? mas é porque não foi com vc" (Maria do Carmo Brito)

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"Da minha época, o que lembro do cinema em ipaumirim, não era esse senhor Eutrópio que vocês falam, era uma outra pessoa. Lembro de ter ido assistir um filme uma unica vez e quem passava esses filme, no meu tempo, era umrapaz chamado Salim. Ele era do Sítio Bananeiras, eu acho. Sei que ele acabou casando com uma prima minha, filha do meu tio Miguel, irmão do meu pai. Acho que todas as pessoas da minha idade devem saber de quem estou falando. Se puder ser útil em mais alguma coisa, pode perguntar.". (Gildaci Leandro)

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"Na minha época, era na rua Miceno Alexandre, vinha de Cajazeiras, o filme e Eutropio mas tenho poucas lembranças era muito menina, era todo sábado " (Gisele Henrique)

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'Quanto aos cinemas de Ipaumirim eu ñ tenho nada a acrescentar. Logo, nunca gostei de filmes, como ñ gosto de novelas, por isso sempre fui afastado dessas casas de diversão. Conheci seus proprietários. E conheci Eutropio pq era presidente de um time de futebol-"UNIÃO"- de Cajazeiras e quando ia jogar ele mandava pedir pra gente dar uma mãozinha.' (Zé Henrique Silva)

VALEU, GENTE! VALEU MESMO! MAS CONTINUAMOS NO GARIMPO E SE ALGUÉM QUISER ENVIAR MAIS INFORMAÇÕES SERÃO TODAS IMPORTANTES. NÃO SE PREOCUPEM SE HÁ CONTRADIÇÕES EM ALGUNS DADOS, ISTO FAZ PARTE DO PROCESSO. OBRIGADÃO.

FELIZ 2008.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sábado em queda livre


IPAUMIRIM AGUARDA A DIVULGAÇÃO DE MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O VI ENCONTRO DE FILHOS E AMIGOS DE IPAUMIRIM



O Presidente da Associação Cultural e Recreativa de Ipaumirim, Dr. José Nery Vieira, sinaliza a
divulgação, antes da festa, dos nomes que serão agraciados com os títulos de benemérito em cerimônia a ser realizada na Camara Municipal. Enquanto isso, a equipe organizadora do VI Encontro encaminha os detalhes da organização da festa programando as ações de apoio logístico.
O Grande Carnaval da Saudade, atração com grande expectativa pela população, é o ponto alto da festa do dia 18. A organização do evento promete animar os participantes com antigas marchinhas e frevos carnavalescos resgatando a animação dos grandes carnavais do Clube Recreativo de Ipaumirim que faziam sucesso na região.
Para tranquilidade de todos, a comunidade aguarda mais informações sobre trânsito, segurança, serviços de bar e resturantes, sanitários químicos, estacionamento, entre outros itens que contribuem para garantir o sucesso da festa.
VAMOS DIVULGAR E PARTICIPAR DA FESTA CONVIDANDO AMIGOS E FAMILIARES PARA COMPARTILHAR DO TRADICIONAL EVENTO

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JÁDER NOGUEIRA SANTANA, SAUDOSA LEMBRANÇA

Fiquei muito feliz quando encontrei o seu blog. Sou filha da terrinha, herdeira dos filhos de Ipaumirim desde há muitos anos. Tanto o meu lado paterno quanto o materno, têm raízes nesta terra. Bisneta de José Ferreira de Santana, neta de Luis Pinheiro Barbosa.
Filha de JÁDER NOGUEIRA SANTANA e de Laíre Barbosa Santana. Dessa união, Ipaumirim ganhou mais três filhos: Lídia, Vera (eu) e Pedro Santana. Não posso esquecer dos outros dois filhos do segundo casamento: Jáder II e Iasmin, filhos que Ipaumirim certamente terá muito orgulho.
Filho que sempre defendeu a sua cidade, nunca tendo perdido o contato com as suas raízes. Orgulho para toda a família a homenagem que o nosso pai recebeu , sendo o fórum local agraciado com o seu nome. Ipaumirim, diante deste tão amável gesto, quis perpetuar a sua lembrança. OBRIGADA,CONTERRÂNEOS! Vera Barbosa Santana (foto)




NOTAS SOCIAIS

A casa de show BLITZ confirma animados shows para os dias 18 e 19 de janeiro com as bandas FORRÓ SACODE, FORRÓ LENHADA, SWING DO FORRÓ.

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Aguardamos a divulgação da programação religiosa.

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Aguardamos a divulgação das atrações da Toca do Jia

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Por enquanto, todo mundo se preparando para a grande festa de Senhor do Bonfim que acontece na vizinha cidade do Icó.

(Igreja do Bonfim , 1749, Icó)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Nossa terra, nossa gente: Ipaumirim também fez nome no futebol cearense

(Geraldino Saravá, capa da revista do Fortaleza)
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Nascido em Ipaumirim, filho de Altair Ferreira de Souza e Marieta Olímpio, desde criança jogava suas peladas nos campos improvisados da terra natal. Foi o maior artilheiro do Castelão com 98 gols, nenhum de bola parada, Jogou no Icasa, Ceará, Ferroviário, Tiradentes e Guarani de Sobral. Foi levado para o Guarani, em 1972, pelo técnico João Erivaldo Queiroz Damasceno.

(Geraldino, seu irmão Nena e Garrincha)
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Foi no Fortaleza onde ficou mais tempo que fez uma carreira vitoriosa com vários títulos. Centroavante nato, participou do quadrado de ouro do famoso Moésio Gomes onde participavam Pedro Basílio, Amilton Melo, Lucinho, Artuzão, Chinesinho, Louro e Zé Carlos, jogadores que marcaram época no futebol cearense e brasileiro. Moésio revolucionou o esquema tático do futebol brasileiro implantando o quadrado de ouro, esquema que protegia a subida dos laterais.


(Geraldino recebendo o troféu de maior artilheiro do Castelão com 98 gols.)

Entre outros recordes, Geraldino foi um jogador que fez cinco gols numa só partida nenhum de bola parada, foi artilheiro do campeonato cearense em 1979 com 28 gols, foi considerado o maior artilheiro do Castelão com 98 gols, maior artilheiro do Romeirão com 72 gols, Foi campeão cearense, como treinador, pelo ICASA, em 1992. Seu nome consta na lista dos ídolos do Fortaleza no site do clube http://www.fortalezaec.net/idolos
Atualmente, reside em Juazeiro do Norte onde exerce as funções de professor de educação física e ensina futebol para a garotada.

Fontes: Orkut de Geraldino Saravá
http://www.fortalezaec.net
http://www.vozao.com.br/
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ADEUS, “SEU” ALBERTO!
(Marcos Rodrigues)

Saudade é uma palavra muito particular, que só pode ser encontrada nos Dicionários da língua portuguesa. Não é que só brasileiros e portugueses sintam saudade, mas é um sentimento que parece ser mais intenso entre nós. Nós sentimos mais os efeitos da saudade. Para nós ela pode ser linda, doce ou amarga. No meu caso, nesse instante, ela é amarga. Amarga porque a saudade que sinto agora é de uma das figuras mais importantes da minha história de vida. A saudade que toma conta do meu peito ao escrever estas linhas é da terna presença do poeta e historiador Alberto Alexandre Viana de Moura ou, simplesmente, Alberto Moura.
Sei, pela breve convivência que tive com ele, que o poeta e prosador considerava como um tesouro de inestimável valor os livros de sua biblioteca, dos quais tinha um ciúme tão grande que nem consigo mensurar. “Seu” Alberto, como eu o tratava, raras vezes deixava que alguém se aproximasse de seus preciosos volumes. É aqui onde entra a importância dele na minha formação educacional.
Um dos poucos orgulhos que admito sentir é o de ter gozado da confiança de “seu” Alberto. Menino pobre, sem condições de ter acesso às fontes de informação da época, posso dizer com orgulho; não o da soberba, maligno por natureza e que desprezo, mas o da altivez, o sentimento de dignidade pessoal, que tinha livre acesso aos livros da biblioteca particular de Alberto Moura.
Alguém pode imaginar o que isso significa? Eu tinha permissão para levar pra ler em casa qualquer um dos exemplares do acervo de “seu” Alberto! Ainda hoje me emociono quando essa lembrança me vem à mente. Foi na biblioteca de “seu” Alberto que conheci e aprendi a gostar de Malba Tahan, escritor e matemático brasileiro cujo nome de batismo era Júlio César de Melo e Sousa. Através de seus romances, Malba Tahan foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil.
Ah, “seu” Alberto! Algumas pessoas merecem viver para sempre. E o Senhor, com certeza, é uma delas. Apesar de “um tanto esquisito e reservado por temperamento, sempre procurando fugir de homenagens e elogios à sua pessoa”, Ipaumirim precisa imortalizar a figura de um de seu maiores estudiosos, para que as futuras gerações possam tomar conhecimento do seu legado de dedicação e amor pela terra adotiva que tanto amava, defendia e idolatrava através de suas composições poéticas. Até breve, Alberto Moura. Um dia nos encontraremos na Biblioteca do Senhor, onde tenho certeza de que o senhor está trocando idéias com os intelectuais que o inspiraram na sua caminhada aqui na terra.

Cajazeiras, 25.12.2007

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

QUINTO PECADO

QUINTO PECADO sai, hoje, das comilanças e entra na fase drinks porque fim de ano rola mesmo muito álcool. Lembrando sempre que menor de idade não deve beber e quem bebeu não deve dirigir, vamos ao humor popular: "SE FOR DIRIGIR NÃO BEBA MAS SE FOR BEBER ME CHAME"


(Wood e Stok, da turma da Re Bordosa, famosas tiras de Angeli)

ALEXANDER

Ingredientes:

(Serve 1 pessoa)

30ml Brandy ou Cognac 30ml, Creme de Cacau 30ml , Creme de Leite, Noz-moscada, Gelo

Copos: Copo Martini ou de vinho branco

Decoração / Guarnição:

Noz-moscada polvilhada sobre o drink depois de servido no copo.

Preparo:

Coloque gelo na coqueteleira e adicione todos os ingredientes. Bata tudo rápido e vigorosamente (+ ou - 10 segundos) e sirva coado. Em seguida polvilhe um pouco de noz-mascada ralada sobre o drink.

Dica

1. Substitua o creme de leite por sorvete de creme (3 bolas), e aumente a medida do brandy e do creme de cacau para 40ml cada. Bata tudo em um liquidificador. Neste caso não use gelo. Sirva em um copo do tipo longo (colins);

2. Substitua a noz-moscada por canela em pó.

BLOODY MARY
Ingredientes:
(Serve 1 pessoa)
50ml Vodka
150ml
Suco Tomate10ml
Suco
Limão
1 Colher (café) de sal
Tabasco
Molho Inglês
Gelo
Copos: Copo médio do tipo rocks ou old fashioned
Decoração / Guarnição:
1 canudo cortado proporcionalmente
1 pedaço de aipo (salsão) um pouco maior que o copo
Preparo:
Coloque bastante gelo na coqueteleira e adicione o suco de tomate + a vodka + o suco de limão. Em seguida adicione 1 colher de café de sal, 1 a 3 lances de tabasco (caso queira, + tabasco = + mais picante) e de 1 a 3 lances de molho inglês. Bata vigorosamente (+ ou - 10 segundos) e sirva com o próprio gelo. Caso queira, adicione mais gelo no copo. Coloque o pedaço de aipo dentro do copo.
MARGARITA
Ingredientes:
(Serve 1 pessoa)
50 ml de Tequila, 30 ml de Triple Sec, 20 ml de Suco de Limão, Gelo
Copos:Copo Martini ou Copo de Margarita.
Decoração / Guarnição:
Crusta de sal na borda do copo.
Preparo:
Corte uma fatia de limão e umedeça a borda da taça e em seguida cruste-a com sal previamente distribuído em um pires.Em uma coqueteleira com gelo (+ ou - 8 pedras), coloque a tequila, o triple sec e o suco de limão.Bata vigorosamente todos os ingredientes por 5 segundos aproximadamente.
Sirva-o coado na taça de margarita ou taça martini.
Dica
1. Existem várias opções de triple sec no mercado. As mais baratas são as nacionais, como por exemplo as marcas Bols ou Stock (Curaçao ou Curaçao Fino). Já o Cointreau pode ser nacional ou importado. E por fim você poderá optar pelo Grand Marnier, que seria uma opção digamos premium de triple sec;
2. Veja as opções Rita Frozen ou Rita Rocks

MARTINI
Ingredientes:
(Serve 1 pessoa)
90 ml de gimVermute seco, Gelo, Azeitona
Copos:Copo Martini
Utensílios:Copo Mixing-glass, colher bailarina e coador de bar.
Decoração / Guarnição:1 ou 2 azeitonas verdes, recheadas ou não.
Preparo:Ponha gelo em um copo martini para gelá-lo antes de servir o drinque. Ponha gelo em um mixing glass (6 a 8 pedras), mexendo-as em seguida com uma colher de bar (bailarina) até que o recipiente esteja gelado (mais ou menos 10 segundos).Retire o excesso de água utilizando um coador de bar e adicione o gim, mexa-o e misture-o ao gelo (10 a 15 segundos). Retire o gelo do copo e ponha um dash (traço) do vermute, movimente-o dentro do copo rapidamente e jogue o excesso fora em seguida. Coe e sirva o gim no copo, guarnecendo-o com uma ou duas azeitonas verdes, recheadas ou não.
Dica
1. Substitua o gim por vodka e a azeitona por uma cebolinha em conserva. Chame-o de Gibson;
2. Substitua o gim por vodka escura (Blavod) e a azeitona por uma cebolinha em conserva. Chame-o de Midnight;
3. Existem diversas marcas de ótimos gins ingleses no mercado. Deixemos está opção a seu critério. Já para o vermute, você poderá escolher um nacional mais barato, como por exemplo das marcas Contini ou Martini Rossi ou ainda o importado francês Noilly Prat (para muitos, o verdadeiro vermute para O Martini).

APPLE PIE

Ingredientes:

- 2 oz (50ml)de vodka gelada
- 2 oz (50ml) de suco de maçã gelado
- canela em pó
Modo de preparar:
- em um copo pequeno, coloque o suco de maçã e a vodka - polvilhe a canela em pó em cima da bebida e sirva
Dicas
1. Use a vodka escura (Blavod).
Chame-o de Mary Brown;
2. Bata todos os ingredientes separadamente da Blavod, sirva no copo e complete com a vodka escura, separando-a do suco temperado. Vá misturando conforme for bebendo-o. Chame-o de Marie Rouge et Noir;
3. Substitua ou acrescente 1 tira de cenoura ou 1 tomatinho japonês como guarnição;
4. Caso queira fazê-lo mais picante, adicione 1 ou mais lances de pimenta do reino.




A ESSAS ALTURAS, VOCÊ ESTÁ PRA LÁ DE RÊ BORDOSA






DRINK DOS DEUSES

INGREDIENTES:

1 vidro 100ml de leite de coco
1 copo (100ml) de suco de maracujá
1 copo(100ml) de groselha
+ ou - 1 lata de leite condensado
1 copo(100ml) de cachaça
gelo picado

MODO DE PREPARO:
Bater os 5 primeiros ingredientes no liquidificador e acrescentar o gelo na hora de servir.

E PRA FECHAR....... O FAMOSO DRINK CUBANO
EL MOJITO
Ingredientes:
* 50 ml de rum branco
* 1 colheres (sopa) de açúcar
* Suco de 1 limão
* 1/2 copo de água com gás (cerca de 100 ml)
* 1 ramo de hortelã (cerca de umas 10 a 12 folhas)
* Gelo picado a gosto
Modo de preparo:
1. Coloque os 4 últimos ingredientes no copo onde vai ser servido o drink
2. Amasse bem o hortelã (esse é o segredo do bom mojito)
3. Depois é só adicionar o rum e o gelo

AGORA...... É ENTREGAR A ALMA A DEUS!!!!!!!!!!!!

RÊ BORDOSA (ANGELI)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

QUARTA VIA

O passado medieval que retorna à Europa
(Madeleine Bunting*)

A verdade é que o Natal é propício à nostalgia. Nós relembramos nosso passado, respeitamos (ou nos rebelamos contra) as tradições de nossa família e carinhosamente fazemos um pastiche da história européia - um pouco da era vitoriana com um bocado de Idade Média. Os cartões de Natal que chegam ao tapete da entrada com suas curiosas iluminuras medievais, as visitas às catedrais... O Natal não seria Natal sem acenos carinhosos a nosso passado medieval.
Isso reflete um apetite curiosamente persistente. Ao que parece, poucos filmes de sucesso para crianças conseguem se sustentar sem referências à Idade Média. Mesmo que essa última não domine o enredo, ela está presente como pano de fundo. Enquanto As Crônicas de Nárnia, O Senhor dos Anéis e Shrek, de diversas maneiras, recheiam seus enredos com recursos medievais como castelos, rainhas e cavaleiros andantes, Harry Potter e o recém-lançado A Bússola de Ouro usa associações medievais para injetar aquele senso de luta épica de uma época em que o heroísmo e seu triunfo ainda eram críveis.
O “medieval” se tornou uma espécie de símbolo cultural, e serve a muitos propósitos. Não se trata apenas de enredos ou de uma estética admirável - ele também é usado como um termo pejorativo. As pessoas falam da África como medieval, ou argumentam que o Islã está “preso à Idade Média”. Medieval virou sinônimo de vidas curtas, difíceis, barbárie, e um uso arbitrário, brutal , da violência. Sentimos ao mesmo tempo uma atração e uma repulsa por esse período de nosso passado.
Cavando um pouco mais fundo, surgem algumas explicações fascinantes para a intensa circulação do medieval na cultura contemporânea. Apesar das enormes diferenças entre a Europa atual e a do século 12, há também paralelos notáveis que poderiam aproximar essas sociedades mais do que em qualquer outro período.
Primeiro, nós compartilhamos a ansiedade difundida sobre um apocalipse: enquanto nós tememos uma mudança climática, nossos semelhantes medievais temiam o fim do mundo.
Segundo, compartilhamos o medo do Islã e a incerteza sobre como lidar com ele. Devemos combatê-lo (como fizeram nas Cruzadas), ou tentar conquistar conversos pelo proselitismo? A capacidade que o Islã mostrava de exercer um domínio tão poderoso sobre seu número crescente de seguidores deixava a Europa do século 12 assustada e insegura quanto a suas próprias certezas. Será que isso soa familiar?
Terceiro, o surgimento de uma economia monetária pela primeira vez desde a Antiguidade causou preocupações profundas. A busca do lucro produzia desigualdades e os contemporâneos lamentavam a ruptura da comunidade e da família.
Por fim, havia uma crise de autoridade na Europa do século 12, com a Igreja e a nobreza embrenhadas em corrupção e uma revolução no governo à medida que este tentava expandir seu poder para as vidas dos súditos. Nosso paralelo é um processo político corroído por apatia e desilusão, enquanto o Estado insiste em adquirir poderes novos sem precedentes com cartões de identidade, bancos de dados de DNA e vigilância.
SOLUÇÃO INTOLERANTE
Até aqui, traçar essas similaridades parece um jogo de salão de historiadores, uma espécie de exercício de memória, mas a coisa se torna mortalmente séria daí em diante. Como nossos ancestrais do século 12 lidaram com toda essa insegurança e essas mudanças drásticas?
Eles inventaram uma sociedade perseguidora, uma sociedade que sistematicamente identificava categorias inteiras de pessoas e depois tratava de exterminá-las, subjugá-las ou segregá-las. Assim como as origens da Europa moderna e sua expansão global podem ser referidas às momentosas transformações políticas e econômicas do século 12, o mesmo pode ser feito com seu corolário, o Estado construído para perseguir minorias que tem caracterizado, intermitentemente, a história da Europa desde então.
Esse é o argumento brilhante explorado em um dos livros mais influentes e controvertidos de história medieval dos últimos 20 anos, The Formation of a Persecuting Society (“A formação de uma sociedade perseguidora”) de R. I. Moore.
Moore demonstra que a demonização dos judeus e o surgimento de um anti-semitismo sistemático foi parte de um processo mais amplo em que a ameaça de grupos muito díspares de pessoas foi inflada - hereges, gays, leprosos ficaram todos sujeitos a novas leis - e novos métodos de intervenção nas vidas dos indivíduos, como a Inquisição e a tortura sistemática, foram inventados.
Alguns resultados da “sociedade perseguidora” são bastante conhecidos. A posição dos judeus se degradou por toda a Europa, suas vidas foram circunscritas por regulamentos punitivos e assassinatos em massa. Houve a perseguição brutal aos hereges cátaros no sudoeste da França e a invenção da Inquisição. Leprosos eram privados de direitos civis e confinados.
As atitudes européias perante o Islã se encaixam na tese. Elas se deterioram no século 12 e a curiosidade inicial deu lugar a um preconceito abusivo. Houve um processo de deliberado esquecimento das grandes conquistas do conhecimento islâmico que foram conhecidas um século antes. A Europa simplesmente perdeu o interesse em aprender árabe. Na verdade, em aprender qualquer coisa de seus vizinhos muçulmanos.
Esse preconceito, esse impulso para estigmatizar e perseguir não foi uma reação a uma nova ameaça. Sempre houve muitos judeus, hereges e homossexuais e, é claro, eles já haviam sido objeto de perseguição antes, nas não na versão do século 12 de uma violência deliberada e socialmente sancionada pelo Estado e pelas instituições.
A perseguição não foi uma resposta a judeus se enriquecendo com a usura (como a História costumava colocar) mas a resposta de uma sociedade em tumultuada mudança da qual interesses poderosos procuravam tirar vantagem. Basicamente, o Estado e seus novos funcionários queriam expandir seu poder e usaram a perseguição de “crimes” absolutamente novos como maneira de desenvolver a máquina e a legitimidade para exercer esse poder.
Esse é um legado que, segundo Moore, impregnou a história européia, irrompendo cada vez com maior força e conseqüências mais devastadoras. Pode-se ver o padrão dos julgamentos por bruxaria e a perseguição religiosa do século 16, até o Holocausto ou aos informantes da República Democrática Alemã. Tudo segue um padrão estabelecido entre os séculos 11 e 13, apesar de muitas diferenças de detalhes circunstanciais.
SOMOS MEDIEVAIS
Quando se lê Moore, os paralelos com os dias atuais são, muitas vezes, de arrepiar. Estamos testemunhando agora uma concentração de poder numa elite político-econômica que está lutando para afirmar sua legitimidade enquanto amplia paulatinamente seu poder.
Decisivamente útil para isso é a retórica cada vez mais dura, hoje endêmica no debate público, quando novos grupos são identificados como ameaças - muçulmanos, aqueles que pedem asilo e os imigrantes irregulares - e a escala dessas ameaças é absurdamente inflada.
Isso zomba da idéia de usarmos “medieval” como um termo ofensivo para lançar contra outros, quando ele, na verdade, define corretamente características persistentes e profundamente vergonhosas de nossa própria sociedade contra as quais a história nos previne para ficarmos escrupulosamente vigilantes.
Moore admite que houve períodos de recessão em nossas tendências persecutórias nos últimos 600 anos. Mas as lições terríveis do século 20 não nos deixam nenhum espaço para a crença complacente de que essa arma de ascensão política se tornou dispensável.
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* Este artigo foi originalmente publicado no jornal britânico The Guardian
(http://www.estado.com.br/editorias/2007/12/23/ger-1.93.7)

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A paz dos inquietos
(Danuza Leão)


Eles vivem em eterna tensão, para o bem ou para o mal; só não podem é ficar parados. Os caminhos que escolhem são sempre os mais difíceis
É A INQUIETAÇÃO; ou você nasce com ela ou não, e se nasceu, vai passar a vida inteira com uma pressão no peito e outra na alma, querendo entender e não entendendo, trocando de casa, de objetivo, de marido e de analista, sem chegar, nunca, a uma conclusão.
Um inquieto não tem sossego: se é pobre, gostaria de ser rico, se é rico, acha que o dinheiro atrapalha e que talvez fosse mais feliz se morasse numa pequena cabana.
Se é inverno, ele se lembra com saudades do verão, mas se está debaixo do mais lindo sol, pensa em como seria bom se estivesse em Gramado no inverno, de botas, tomando um chocolate quente.
Não é que ele queira sempre o que não tem; apenas não consegue viver o momento presente - não em paz. Ou está lembrando do passado ou pensando em como vai ser bom quando o futuro chegar. É duro fazer parte da tribo dos inquietos.
Com eles não há risco de monotonia; acordam te sufocando com beijos e abraços ou na mais fria das indiferenças, e o pior: sem saber o porquê. No meio do dia podem telefonar como a mais dócil das criaturas, sem conseguir explicar por que foram tão insuportáveis horas antes. Nem explicar, nem entender. É dura a vida dos que vivem perto de um inquieto.
Mesmo quando está tudo bem -o amor perfeito e o trabalho legal, alguma coisa atrapalha: é a tranqüilidade. Como é possível alguém viver em paz e em harmonia com as pessoas e com o mundo? Difícil de responder.
Difícil, a vida dos inquietos, e ninguém imaginaria o quanto essas pessoas tão vitais - porque vitalidade é o que não lhes falta - sofrem, mas que ninguém confunda sofrimento com infelicidade.
Nada a ver. Para eles nunca há paz; há momentos de intensa e fugaz felicidade, mas paz, nunca. O grande momento dos inquietos é quando eles começam a planejar uma mudança de vida, seja essa mudança quebrar uma parede, mudar de profissão ou de país.
Eles vivem em eterna tensão, para o bem ou para o mal; só não podem é ficar parados. Os inquietos não se conformam com nada que se pareça com a estabilidade, e por isso os caminhos que escolhem, sejam eles quais forem, são sempre os mais difíceis. Os inquietos não sabem viver sem uma complicação, e a luta para eles é sempre melhor que a vitória.
Eles não compram, jamais, uma casa de campo pronta, mas um terreno; levam dois anos para construí-la e mais dois fazendo o jardim, decorando etc. No dia em que ela fica pronta, as flores crescidas, ele sente um grande vazio - que só se resolve quando encontra um comprador.
É que assim eles passam a maior parte da vida, com algumas pausas para refletir por que são assim e como poderiam se aquietar, para serem mais felizes; para encontrar uma certa paz, talvez - só que não conseguem.
Mas um dia eles compreendem que essas pausas foram tempo perdido e teria sido mais simples se tivessem reconhecido, há muito mais tempo, que com eles não há nada a fazer, e que é impossível mudar.
E é melhor que não saibam nunca: se souberem, terão, de uma certa maneira, encontrado a tal da paz - o que para eles pode ser fatal.

PRESENTE DE NATAL

Compartilhando com vocês o presente de natal que Zezinho Maciel enviou para o blog e seus leitores. Belas fotos de gente da terra que faz tempo que não vemos.



De pé: Auxiliadora Pires e Neide de Zé Saraiva. Sentados: Socorro e Babita mas as duas crianças e o rapaz não sei quem são.



(Eu = Zezinho)









VALEU, ZEZIM!!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007


DE NATAL

(Frei Betto )


Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvítica do Menino Jesus. Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves, trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais, renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis, e se algum papai noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas.

Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens, partilha Deus.

Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone, e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.

Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violência, surra ou humilhação. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.

Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seus custos convertidos em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve.

Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua religião mais perfeita que a do outro. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o Pai Nosso se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada.

Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços.

Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.

Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem terra, obrigados a ocupar um pasto onde brilhou a esperança.



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Versos de Natal

(Manuel Bandeira)


“Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!


Mas se fosses mágico,
penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera de Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.”

domingo, 23 de dezembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

(Alberto Moura)
BIOGRAFIA

"Alberto Alexandre Viana de Moura, filho de Manoel Alexandre de Moura e Teresa Viana de Moura, nasceu no dia 9 de julho de 1915 no sítio Córrego, Município de Cedro, Ceará. Até aos dezenove anos viveu com os pais cuidando da agricultura e da pecuária. Em 3 de janeiro de 1935, pelo então prefeito José Gabriel Diniz, foi nomeado amanuense arquivista da Prefeitura. Depois de exercer outros cargos na mesma repartição, em janeiro de 1947, foi nomeado, pelo IBGE, Agente Municipal de Estatística. Em junho do mesmo ano, por imposição política o IBGE o removeu para o município de Baixio, onde ficou trabalhando até dezembro de 1953, quando aconteceu a transferência da sede daquele município para Ipaumirim, cidade onde reside até hoje.
Os dotes poéticos de Alberto de Moura despertaram cedo e muito jovem ele já fazia versos de toda natureza, muitos deles engraçados e humorísticos. A sua lavra de sonetos e trabalhos literários é grande, não se sabe porque até hoje ele não quis reunir em livros toda sua produção poética. Alberto de Moura não é de todo ignorado, porque muitos admiradores e amigos que conhecem o seu talento e a sua brilhante inteligência, publicam muitos de seus sonetos em jornais, revistas e são recitados em festividades e reuniões culturais. Há algum tempo publicava em jornais da capital, “Estudos de Português”, matéria de que é conhecedor.
Tem uma vida simples e modesta, pautada numa linha de serenidade e de estudo, por isso mesmo é muito ouvido e consultado. É ainda um infatigável leitor e grande estudioso dos segredos da nossa língua a qual escreve com segurança e vernaculidade. Lê muito, principalmente os clássicos da língua portuguesa, de Camões a Garrett. Dos escritores brasileiros tem preferência por Machado de Assis, Rui Barbosa e Euclides da Cunha. Lê “Os Sertões” diariamente e possui um acervo de quase 150 livros sobre o episódio de Canudos. Os seus sonetos intitulados: Canudos, Antonio Conselheiro, a Queda de Canudos e Salomão da Rocha, encontram-se na Bahia, para publicação.
Também é grande admirador e leitor dos poetas cearenses, principalmente José Albano, Júlio Maciel e Cruz Filho. Nas suas estantes se encontram os melhores dicionários da língua portuguesa, desde Moraes até Aurélio. Possui obras importantes como os Sermões do Pe. Antonio Vieira e as obras do Padre Manuel Bernardes e outras. Autodidata, não tendo freqüentado escolas o único diploma que possui é de um curso que fez em Fortaleza com o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, que logo nas primeiras aulas observou o seu destaque no conhecimento da matéria e o convidou para proveitosas conversas particulares. Manteve correspondências com autoridades intelectuais do Ceará e de outros Estados. Guarda como relíquias as cartas e trabalhos do Desembargador Valdetário Pinheiro Mota, do Príncipe dos Poetas cearenses Cruz Filho e da escritora Nenzinha Galeno.
Há alguns anos escreveu o soneto “Cidade do Cedro” e dedicou ao seu parente e amigo Cândido Acrísio Costa. Em 1944 casou-se com a professora Graziela Albuquerque e tiveram cinco filhos. Da sua terra natal, Cedro, ele fala sempre na família, nos amigos: Coronel Celsinho, Dr. João Viana, Raimundo Pinheiro, Horácio Medeiros,Luiz de Moura e outros, e guarda com saudades lembranças dos Srs. Celso Alves de Araújo, conhecido por Celso Marinheiro, pai do atual prefeito Dr. João Viana, do Coronel Celsinho e outros que são continuadores daquela grande amizade que havia entre ele e o seu genitor, do farmacêutico José Firmino, do médico Dr. Antenor Cavalcante, do poeta Antonio Valdivino, do comerciante Joquinha Bezerra, dos parentes Acrísio Costa, Plácido Viana, Salustiano de Moura e do advogado José Militão que fora seu sogro e amigo.
Até aqui, se fala das lembranças que guarda da sua terra natal, mas sua história não se completa sem falar da sua vivência em Ipaumirim, terra que o adotou e acolheu como filho. Chegou o poeta Alberto de Moura a Ipaumirim no início do ano de 1954, logo granjeou a amizade de todos e principalmente do prefeito que acabara de assumir o cargo, o senhor Osvaldo Ademar Barbosa, que, como ele costuma dizer, fora o seu maior amigo, nesta terra.
Em Ipaumirim, Alberto de Moura goza do respeito e da amizade dos mais simples aos mais requintados espíritos da cultura desta terra; professores, advogados, sacerdotes, agricultores, industriais, comerciantes e políticos. Tanto em Baixio como em Ipaumirim, prestou serviços à justiça como promotor ad-hoc e defensor dativo e pela sua admirável inteligência conquistou a amizade dos juízes e promotores que passaram por esta Comarca nas décadas de 60 a 70. Ainda hoje lhe dispensam atenção especial os juízes Arísio Lopes da Costa e Paulo de Tarso Vieira Ramos e os desembargadores Gilson Viana e Raimundo Bastos de Oliveira, este último, há bem pouco tempo publicou um livro intitulado “Fatias de Pão”, no qual relata a sua vida como juiz em Ipaumirim e fala em várias páginas do seu relacionamento com o poeta Alberto de Moura.
Homem de vida simples todo o seu tesouro se encontra nos seus livros que ele tanto ama e sempre diz que faria a mesma coisa se começasse a sua vida hoje. Ele sempre teve tendências políticas e foi eleito Vereador por cinco legislaturas consecutivas com significativas votações e numa delas presidiu a Câmara Municipal. É autor dos hinos do Colégio Estadual Dom Francisco de Assis Pires, do Colégio XI de Agosto, do hino Centenário da Festa da Padroeira e de um belo soneto intitulado “Ipaumirim”, dedicado ao ex-líder político Dr. Francisco Vasconceles de Arruda. Em 1981, casou-se em segundas núpcias com a professora Maria Socorro Olímpio Lucena com quem tem uma feliz união conjugal.
Hoje vive mais em sua casa, na sua calçada, cercado por amigos, muitos de nível intelectual elevado e assim leva uma vida saudável, com leituras aprazíveis, estudos, charadas e gozadas anedotas.
Os que o conhecem traçando o seu perfil dizem: “ele é um tanto esquisito e reservado por temperamento, sempre procura fugir de homenagens e elogios à sua pessoa”. Várias vezes já foi convidado para receber o título de cidadão de Ipaumirim, honraria que sempre recusa alegando que é cidadão em qualquer lugar e que não é preciso título para ser cidadão.
Literariamente o poeta e prosador subscreve os seus trabalhos com apenas dois nomes: Alberto de Moura. É difícil descrever a vida do poeta por desconhecimento da sua história e pela sua incalculável modéstia. O que aqui tratamos é fruto de uma pesquisa de muitos anos, trabalhos realizados por professores e alunos das escolas de Ipaumirim e por informações da sua esposa, quase sem o seu conhecimento. Mas de uma coisa temos certeza: que a vida do poeta Alberto de Moura um dia há de merecer um estudo maior para que os do futuro possam valorizar um homem estudioso, um homem de letras, um mestre da língua, produto do seu próprio esforço. Hoje, aos 88 anos ele goza de razoável saúde, com perfeita lucidez e vive feliz como bem retrata esta sua história.
Ipaumirim-CE, janeiro de 2003."


(Alberto Moura e Socorro Olímpio)
(Panfleto político de campanha)


CARREIRA POLÍTICA



"Da história política de Alberto de Moura destacamos seu primeiro pleito, em 15 de novembro de 1976, eleito para o cargo de Vereador juntamente com:

Deusdedith Dias Gouveia;
Higino Diniz Sobrinho;
João Jorge Sobrinho;
Joaquim Barbosa de Albuquerque;
José Guedes de Oliveira.
José Rolim Costa;
Otacílio Josué da Costa
Vicente de Melo.

Para os cargos de Prefeito e Vice-Prefeito, foram eleitos , respectivamente, os senhores José Fernandes de Souza e Francisco Felizardo Vieira, governando o município de Ipaumirim até o ano de 1983.


No pleito de 15 de novembro de 1982 foram eleitos aos cargos majoritários os Senhores Luiz Alves de Freitas e José Nery Vieira (Anchieta). Na Câmara, mais uma vez, estava Alberto Alexandre Viana de Moura para cumprir seu segundo mandato como vereador, acompanhado de:
Felizardo Guedes Vieira;
Francisco Germano Duarte;
Higino Diniz Sobrinho.
João Jorge Sobrinho;
José Allan Gonçalves Sarmento;
José Guedes de Oliveira;
José Raimundo Duarte
Sebastião Barbosa de Albuquerque.


O município de Ipaumirim elegeu para o período de 1989 - 1992 o Sr. José Miraneudo Linhares Garcia, ao lado do seu vice, o Sr. José Dias de Souza, e na Câmara Municipal, eleito mais uma vez, estava Alberto Alexandre Viana de Moura, juntamente com:

Expedito da Silva Duarte;
Francisco Gilberto Cavalcante Rolim;
Higino Diniz Sobrinho;
Inácio Domingos de Moraes Filho;
José Gonçalves da Silva;
José Guedes de Oliveira;
José Raimundo Duarte;
José Strauss de Souza Silva;
Maria Salete Vieira
Sebastião Barbosa de Albuquerque


Nas eleições de 03 de outubro de 1992, foi novamente escolhido para Prefeito o Sr. Luiz Alves de Freitas, sendo Vice-Prefeito o Sr. Francisco Leylton Nóbrega Nery e eleitos ao Legislativo Municipal os seguintes Vereadores: Alberto Alexandre Viana de Moura (para exercer seu 4° mandato);
Emanoel Férrer de Almeida;
Francisco Leotácio Nóbrega Nery;
Higino Diniz Sobrinho;
Ivaldo Alves de Freitas;
José Airton Rolim;
José Gonçalves da Silva;
José Raimundo Duarte;
José Strauss de Souza Silva;
Manoel Batista de Araújo
Sebastião Barbosa de Albuquerque.

(Os dados acima foram extraídos do Livro Ipaumirim 50 anos, de Hermes Pereira)"



Fonte: http://www.ipaumirim.com/albertodemoura/carreira-politica.htm
(Alberto Moura)



A UM POETA (Alberto de Moura)
(
Maria Josué)




Das lições tantas que você me ensinou,
Uma marcou!… e acredito ser correta
A afirmação de que, em cada verso, “o amor
precisa estar presente na alma do poeta.”



E na linguagem que só nós entendemos
muitas vezes dando margem à fantasia
criamos emoções novas e as vivemos
sob a doce conivência da poesia




Levados por este sentimento - o amor-
Muitas vezes rimando-o com dissabor
Cantamos amores perfeitos ou inversos


E nesse encanto de sentir e escrever
O que sinto, aprendi muito com você,
Por isso, ao Mestre, com afeto, estes meus versos.

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DEPOIMENTOS



"O “seu” Alberto era, para mim, uma pessoa muito, muito especial... um amigo querido com quem tive o privilégio de ter uma convivência mais aproximada e descobrir que por trás daquele jeito sisudo e até arrogante escondia-se um ser humano muito sensível e fiel as suas amizades. Adorava Ipaumirim e por mais atrativos que uma viagem a outro lugar pudessem lhe oferecer, ele sempre optava por ficar por aqui, afirmando que nada substituía a paz e a tranqüilidade da terra que ele adotara como sua. Tive também a feliz oportunidade de ser sua vizinha e era sempre prazeroso sentar-se ao seu lado na sua calçada, onde costumávamos conversar sobre tudo... Nosso assunto preferido, no entanto, era a poesia... e eu aprendi muito com o poeta... Na sua calçada, hoje e para sempre, um vazio incalculável, impreenchível, pois o “seu” Alberto era único... meio contraditório, às vezes, mas muito querido por todos que tiveram a oportunidade de usufruir de tão valorosa amizade. Eu amava demais meu amigo Alberto Moura e creio, de coração, na reciprocidade desse sentimento que nos ligava na amizade e na poesia... Há muito que dizer acerca do poeta, mas a saudade e a dor da sua ausência são maiores nesse momento..." (Maria Josué)

" Impossível falar de Alberto de Moura sem recorrer à Inculta e bela língua portuguesa do tão renomado Pasquale Cipro Neto. Para mim,Ipaumirim perdeu a maior autoridade dessa língua em nosso município. Autodidata, S. Alberto conhecia todos os recortes do nosso idioma. Literato, viajava pela literatura portuguesa e brasileira com uma voracidade invejável. Poeta, vercejava com muita facilidade enaltecendo Ipaumirim, terra que este filho de Cedro , escolheu como natal. A ausência-presente de S. Alberto permanecerá entre nós ipaumirinenses ao lado da certeza que os poetas não morrem, apenas são convidados a entoar melodias aos anjos. A língua portuguesa perdeu um estudioso, mas o autoditatismo desse poeta continuará conosco provando que cada um de nós somos sujeito da nossa própria aprendizagem. A prática do autoditadismo pelos cidadãos talvez seja a porta de entrada que tanto procuramos para uma educação de qualidade. Se adotarmos o exemplo deAlberto de Moura estaremos investindo no nosso crescimento intelectual.Fica conosco além da saudade imorredora do poeta, o seu exemplo de sapiência.

MARIA DE FÁTIMA JOSUÉ
PROFESSORA ESPECIALISTA EM LÍNGUA PORTUGUESA

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Estou muito triste, em saber que Ipaumirim está de luto pela perda de um grande cidadão. ALBERTO ALEXANDRE VIANA DE MOURA, pois ficará uma lacuna que jamais será preenchida. Seu ALBERTO, muito obrigada pelos seus ensinamentos, levarei - os para a eternidade! Queria muito poder estar presente para o último adeus, mas a distância me impede. Deixo aquí meus sinceros votos de pezar a família enlutada!
Vânia Maria.
Santa Inês - MA.




A vida é um sopro, a gente vem, conta uma história e todo mundo esquece depois."
(Oscar Niemeyer)
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Discreto lembrar

Outro dia, li alguns textos que falavam sobre os 100 anos do Oscar Niemeyer e em um dos textos, que não lembro qual, o arquiteto faz uma observação interessante quando diz que 100 anos não é assim tanta coisa considerando que aos 70 começamos a perder os amigos. É um pouco por esse viés que não penso a morte apenas como um rito solitário. Fomos assistindo, ao longo dos últimos anos, o esgarçar de um grupo de amigos. Na época da morte do meu avô, em 1960, além da expectativa de vida ser bem menor que hoje, a idade não me permitia fazer certas leituras dos fatos. O sentimento de perda existia mas parecia estar mais distante e ser menos ameaçador. Estou falando dos anos 60 e 70 quando Ipaumirim começa a perder as suas mais antigas lideranças políticas, praticamente aquelas que foram fundamentais para a emancipação do município. Depois, pela ordem natural das coisas, as perdas foram se acumulando e o tempo foi impondo seus limites. Não tenho o perfil de quem cultiva tristezas, sou meio avessa a exposição pública de sentimentos, longe de mim os gestos dramáticos mas não sou indiferente. Sei que as perdas não são apenas familiares. São coletivas porque pautaram um tempo da nossa vida comunitária. Sem discutir méritos pessoais, foram os exemplos que tivemos e com eles compartilhamos espaços. Os seus valores, errados ou certos, construíram a nossa compreensão que naturalmente foi-se ampliando por nossas próprias experiências individuais. Nesse contexto, vejo a partida de Seu Alberto. Poucas lembranças tenho de quando ele era mais jovem. Para mim, era o homem que trabalhava na estatística e era pai de Socorro, Maria do Carmo com quem eu brincava e mais dos outros meninos. Na época, ainda no primeiro casamento, tenho vagas lembranças que viviam ali por perto de Bosco Bidu e depois (ou antes?) na casa da esquina vizinha a antiga prefeitura. Parece-me que o IBGE ficou um tempo na rua do cemitério (ou seria o correio??) e depois na Praça do Posto. As lembranças mais remotas são sempre lembranças de um leitor dedicado. Enfrentou uma sociedade conservadora e preconceituosa quando se separou de Graziela e foi viver com Socorro. Teve coragem e paciência de esperar a acomodação das coisas quando seria mais fácil optar por uma segunda relação sem desvincular-se da primeira. Escândalo na época, mas uma forma de agir mais corajosa num período em que tantas mulheres foram sacrificadas e submetidas aos estigmas e estereótipos impostos pelo cinismo de uma sociedade machista. Entra na política na década de 70, período cinzento da nossa história, sem grandes embates, país dominado pela ditadura militar, partidos políticos sem expressão. Numa cidadezinha interiorana e inexpressiva praticamente não havia o que fazer além de ter o título de vereador. O país implementando um processo de modernização , o interior ficando com o sobejo das sobras, mais por um processo de decantação que pela importância política ou estratégica. Assim, o município foi incluído, de certa forma, na expansão da malha rodoviária, recebeu energia elétrica e os reflexos da ampliação dos sistemas de comunicação. Também participa do início do período de renovação de lideranças na Câmara dos Vereadores quando entraria, acredito eu, o que viria a ser o inicio de uma terceira geração de políticos com a entrada de jovens como Zé Alan, Zé Strauss e Salete Vieira, projetos de liderança política que não vingaram por diferentes motivos. Na prefeitura, convive com os jovens prefeitos Miraneudo Linhares e Luiz Alves Freitas. Homem de seu tempo, apaixonado pelos livros e principalmente por Canudos, tinha um perfil intelectual conservador calcado na formação positivista que permeou o século XX. Fazia poesias e gostava de poesia popular. Encontrei-o muitas vezes na loja de meu pai tirando dois dedos de prosa. Meu pai gostava dele e de conversar com ele. Já no fim da sua jornada, freqüentar a casa de Seu Alberto era o seu passeio favorito. Vinha das prosas mais animado. Eu também gostava de sua conversa, de ouvi-lo contar as estórias do Cedro, de cantadores e de dizer que o seu mundo estava ali, não queria outra coisa, era fiel a si mesmo e às suas convicções. Que bom que não o vi doente, assim preservo a lembrança saudável do homem e do seu tempo.


Recife, 23 de dezembro de 2007.
Maria Luiza Nóbrega de Morais