sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Genteeeeeeeeeee

Juro que minha ausência não é preguiça. Tive uma semana pesada de recomeço de aulas. Com certeza, domingo estarei aqui. Amanhã. talvez.



Costumes atuais: o “ficar”
Aline Machado Oliveira


Já ouvi muita gente reclamar,mas a verdade é que poucos conseguem,ou realmente tentam, abrir mão dessa espécie de relacionamento instantâneo, o “ficar”. Ele é realmente estranho, pois consegue envolver, ao mesmo tempo, variáveis graus de intimidade, entretanto, continua não significando nada, não tendo nenhum valor.
A maioria dos adeptos dessa prática afirmam estar plenamente adaptados e de acordo suas regras,as quais eu considero quase desumanas. Imaginem um rapaz ou uma moça, solteira e carente. Sim, carente, por que por mais amigos que alguém tenha, todas as pessoas emocionalmente normais desejam ter alguém para amar, alguém que seja muito mais que um amigo. Imaginem agora que essa moça sai com os amigos,sexta-feira à noite,claro,e um dos seus amigos lhe apresenta alguém. Eles sentam lado a lado, num barzinho com música ao vivo, e começam a conversar. Viajam por todos os assuntos, descobrem mil afinidades, gostam do mesmo tipo de música. E trocam telefones, é claro.
Sábado. A garota que trocou telefone ontem está na maior expectativa. É que ela não quer ligar pra ele,prefere que ele ligue, então, só lhe resta esperar. Ela espera, o tempo passa, e ele liga, sim.Ele vai passar na casa dela para busca´-la.Lá pelas nove(da noite)ele dá um “toque”no seu celular. É o sinal que indica que ele já chegou.Ela sai do prédio,nem preciso dizer que ela está linda(ou quase isso) e vai em direção ao carro dele. Ele faz tudo o que ela espera que ele faça: a cumprimenta com um beijo no rosto e abre a porta do carro para ela.
Eles conversam bastante,decidem ir a uma boate e, finalmente,”ficam”. Eu acho essa palavra extremamente sem graça, anti-romântica, mas, não sejamos hipócritas, pois “ficar”é, ao mesmo tempo, o mais corriqueiro, menos valorizado e o mais praticado tipo de relacionamento. Tanto que é até engraçado considerá-lo como sendo um tipo de relacionamento.
Sabem como termina essa história?Sinto muito, ela não termina, pois sequer chegou a começar. Eles gostaram um do outro, sim, mas na semana seguinte ele, ou ela, foi a uma festa de aniversário, onde acabou conhecendo outra pessoa ,também interessante, e acabaram “ficando” nessa festa mesmo. E na outra semana os dois( o primeiro rapaz e a primeira moça) tinham prova na faculdade, e acabaram adiando um novo telefonema. O motivo é incerto, mas eles não “ficaram” mais.
E o que eu considero desumano?Eu considero desumano não receber um telefonema no dia seguinte àquele primeiro encontro maravilhoso, considero desumano ter que frear os próprios sentimentos por não saber se o outro está realmente interessado em lhe conhecer, ou se todo aquele carinho que ele demonstrou é o mesmo que ele demonstraria para qualquer outra pessoa, considero desumano “ficar”com alguém e depois descobrir que esse alguém tem namorado ou namorada, enfim, considero desumana a facilidade que as pessoas têm, hoje em dia, de serem quase íntimas num dia e, no dia seguinte, totalmente indiferentes.

Fonte: http://www.simplicissimo.com.br/anteriores/049.php#texto_3
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NAMOROFOBIA
DANUZA LEAO


A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem. Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.
- É tua namorada?
- Não, a gente tá ficando.
Ficando aonde, cara pálida? Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada (o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento - não vai. Não a menos que seja um (a) psicopata. Mais pata que psico.
Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem, pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir. A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO. Antes, o problema era outro: CASAMENTO.
Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome.
Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque "a gente tá ficando" que não se deve respeito, carinho e cuidado. Não é porque "a gente tá ficando" que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou que não é filhadaputice. Não é porque "a gente tá ficando" que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais - e só.
Ou é? Tô ficando velha?
Se estiver, paciência.
Comigo, só namorando.................

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