sábado, 17 de novembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

IPAUMIRINENSES – UNINDO FORÇAS, DIVIDINDO RESPONSABILIDADES
(Fátima Dore)

Gostaria de comentar um fato que aconteceu em Ipaumirim extremamente triste e lamentável, mas que, todavia, serviu para ressaltar o valor do povo da nossa humilde terra. Não me prendo muito as datas ou décadas, talvez seja um grande defeito, uma falha imperdoável, todavia o desenrolar dos acontecimentos, basta fechar os olhos e cada detalhe me vem a tona com se fosse um vídeo tape gravado em meu cérebro.
Refiro-me a um grande incêndio que marcou época e nossa história – o da Beneficiadora de Algodão da Família Fernandes.
A Família Fernandes instalou-se em Ipaumirim e trouxe consigo a implantação da de Usina Algodoeira. Esta veio acirrar o crescimento de nossa cidade, ao tornar-se fonte geradora de emprego e renda, haja visto que, na época, a infra-estrutura da nossa região centrava-se principalmente no chamando “Ouro Branco” – o algodão.
Tudo ia de vento em popa e a cada dia a referida empresa melhor se estruturava e mais empregos, gerava, até que certa madrugada, a sua “sirena”, que só apitava para marcar o revezamento dos funcionários, nos despertou com seu grito assustador – Sabíamos que algo errado estava acontecendo.
Toda cidade, pouco a pouco, foi saindo às ruas e percebeu-se então que um clarão muito forte oriundo da usina enchia nosso espaço enquanto o cheiro e gosto de fumaça sufocava nossos pulmões – Uma falha no circuito elétrico da algodoeira havia deixado escapar uma fagulha de fogo abrindo palco para o maior incêndio que já se havia visto dentro da cidade – Até parecia as queimadas da roça quando o agricultor preparava a terra para o plantio esperando a chuva tão sonhada.
Como era de se esperar, nossa gente guerreira, ao invés de empreender fuga e buscar abrigo e segurança longe do fogo, todos arregaçaram as mangas, se desarmaram e abraçaram a causa. E um chover de braços, latas, baldes etc. começou a integrar-se ao cenário. O fogo rebelde ameaçava tudo destruir, todavia, homens, mulheres e até crianças corriam em busca de água para aplacar a fúria vermelha. O vento soprava forte e tudo parecia perdido, sem jeito, mas não para nossa gente que sem nenhum planejamento ou liderança organizou-se de uma forma tal que só mesmo tendo Deus à frente daquele pelotão de soldados da paz que só crescia a cada segundo.
Assim unido forças e dividindo responsabilidades – nossos guerreiros combatiam bravamente aquele fogo voraz e renitente – Uns traziam a água, outros repassavam para quem estava mais perto do fogo, enquanto outro grupo tratava de resfriar e remover para longe os fardos de algodão que estavam nos cômodos ainda não atingidos.
Foi quase um dia inteiro de luta, onde os atores daquele episódio, ainda que cansados, famintos e afetados pela poluição causada, por nenhum instante deram o braço a torcer e finalmente o inimigo foi vencido com a ajuda do criador que em sua infinita bondade, mandou uma suave neblina que veio suavizar o clima e a tensão existente. O monstro devorador finalmente transformou-se em cinzas, mas deixou em sua passagem a destruição e o lamento daqueles que o viram levar consigo o emprego com o qual sustentava o seu lar.
Como tudo na vida nesta vida, os problemas causados pela tragédia, pouco a pouco foram contornados, todavia, aqueles momentos de aflição, de luta e de medo, o tempo, jamais conseguirá demolir da lembrança de cada ipaumirinense que o sentiu na pele e na carne, nem daqueles que ouviram de terceiros de forma bem detalhada a narração do triste episódio, que com certeza é parte integrante da nossa história dando ênfase ao desempenho do povo bravio da nossa amada Alagoinha.


Oi Fátima

Lembro do incêndio, o sino da igreja tocando, a cidade em alvoroço. Mas não lembro se foi apenas um ou se alguns. A memória da Souza Fernandes precisa ser resgatada porque ela traz em si importantes elementos para a história da economia do município que já foi um grande produtor de algodão de fibra longa. Posteriormente, a venda para Carlos Alexandre e finalmente a venda das máquinas para o Paraguay representou o fim de um período que conta a pujança das safras, a importância do emprego temporário numa região pobre, as relações de trabalho no campo que sustentavam o abastecimento da usina com o algodão em caroço. Na verdade, precisaríamos também voltar a um período anterior, no tempo da bolandeiras e dos locomóveis de que fala Zé Macedo. Incluir nesse contexto também a Usina de J. Sarmento. Lembro claro dos fardos de algodão de Souza Fernandes distribuídos na volta da fábrica, cobertos de lona nas calçadas, da dinamização do pequeno comércio local, das festas, das roupas novas que ganhávamos quando a safra era promissora. Os caminhões passando carregados, os estivadores no incansável trabalho de carga e descarga e tanta coisa mais que se cada um contasse o seu pedaço teríamos contado a vida de todos. Nazaré Sampaio que trabalhou muitos anos na Souza Fernandes , com certeza, vai contar-nos parte dessa história e ajudar-nos a compor a memória coletiva da nossa cidade. Obrigada pela sua colaboração. Continue participando.

LEMBRANDO A TODOS QUE O TEMA COLETIVO DE DEZEMBRO É "CINEMA EM IPAUMIRIM " E QUALQUER UM PODE PARTICIPAR CONTANDO ALGUMA COISA. ALÉM DESTE TEMA , PODEM ENVIAR OUTRAS LEMBRANÇAS E COISAS QUE VOCÊ ACHAR INTERESSANTES. BASTA ESCREVER UM E-MAIL PARA luiza_ipaumirim@yahoo.com.br ou luizanobrega@hotlink.com.br

AINDA NA CALÇADA DA IGREJA


Esta foto foi enviada por Tadeu Menezes para Maria do Carmo que gentilmente permitiu que publicássemos em nosso blog. É uma foto dos anos 50, da turma que estudava com a professora D. Socorro Pontes. A foto foi tirada na calçada igreja. Segundo Maria do Carmo, o menorzinho é José Strauss e Judigleide na frente. D Socorro fica numa ponta e Maria do Carmo na outra. Ainda estão na foto Maria, filha de Mestre Joaquim, Sônia Sampaio, Chaguinha é a do cabelo crespo, Salete Olímpio, Cicero de Cìcero Bento, Nilda Pessoa e Francisco irmão dela. Mais acima, vemos Avanildo (Peba de Neuzinha) e outros que nem ela nem eu conseguimos identificar. Segundo Jucemília, Dona Socorro - que hoje está com 90 anos - lembra o nome de todos mas também não consegue identificá-los após tantos anos. Tadeu também conta, para Maria do Carmo, suas lembranças da calçada da igreja ao acidentar-se quando foi olhar os santos cobertos de preto durante a semana santa. Como eram ricos os rituais da semana santa! Qual é a criança que viveu em Ipaumirim que não tem suas lembranças da calçada da igreja?

Agradecemos a família de Seu Doca e Dona Socorro que disponibilizou a foto dos seus arquivos pessoais e que hoje enriquece o nosso blog. Valeu!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

SÁBADO EM QUEDA LIVRE



Sábado em queda livre também é um espaço de homenagens. Hoje, Josecy homenageia Zenira. Nem precisamos dizer quem é Zê. Falar em Zenira é falar em alguém querido por todos. Quem não foi seu aluno, teve, com certeza, pais, avós, tios que passaram por ela. Assim, Zenira transita pelas trajetórias individuais, pelas memórias de família, pela história da educação no município, entre tantas outras instâncias e momentos que compartilhou com a comunidade.



Zê e a Via Sacra no caminho da Pedra de São Sebastião

O ANJO BOM DE IPAUMIRIM-CE

No céu existem muitos anjos. Na terra também. Aqui em Ipaumirim, junto de nós existe um “Anjo de Deus”, que se tornou muito amado pela sua popularidade. As explicações distintas para essa qualidade deve-se ao talento e perspicácia desta jovem. Fazendo uma retrospectiva da vida deste “Anjo Bom”, sinto a razão para que a sucessão de fatos pareça vertiginosa diante dos acontecimentos que marcaram estes longos anos, tirando deles as relações e lições que nos enriqueceram muito mais. Refiro-me a mestra das mestras ‘MARIA ZENIRA GONÇALVES GOMES”, que aqui na Terra cumpre a missão ditada pelo próprio Cristo quando disse aos seus discípulos: “Ide e Ensinai”. E Zê sempre nos ensinou e continua nos ensinando como trabalhar com a comunidade. Continua nos ensinando como ser uma grande empreendedora. Este “Anjo de Deus”, meus nobres conterrâneos, nunca, jamais pleiteou um cargo político jamais pensou ser vereadora, prefeita ou até mesmo deputada e para isto ela tem respaldo. Fez a sua trajetória, por caminhos pontilhados de humildade, amor, fé e caridade. Caridade porque, quando criança presenciei por inúmeras vezes Zenira pedindo pelas ruas uma contribuição para o sepultamento de uma pessoa menos favorecida. Antigamente, as coisas eram difíceis e este “Anjo” estava presente amenizando a dor e a situação dos seus semelhantes. Filha única e bem educada, jamais se envergonhou de assumir tal ato. Promovia várias campanhas filantrópicas, entre tantas o casamento de Dona Remígia com o Senhor Pantaleão. Vi também Zê todos os anos junto com a comunidade, no dia de São Vicente de Paula promover um grande almoço onde reunia centenas de anciãos para o saboroso cardápio. Ressalto outrossim, um grande destaque a coroação da Padroeira do Grupo Escolar Dom Francisco de Assis Pires, (Nossa Senhora das Graças) no dia 30 de Maio. Você mobilizava toda a escola, em cada classe era construído um altar móvel para darmos louvores a nossa mãe protetora. Com isso você ensinou-me a amar e respeitar a Nossa Mãe do Céu.
Tudo isso tinha a sua organização e o brilho no encerramento do novenário empolgava a todos. Durante o mês de maio, sempre as dezoito horas pelo serviço de som-Rádio Educadora de Ipaumirim, tínhamos um encontro com Deus e com Você. Ao som da Ave Maria recebíamos a sua mensagem de fé. Ah! Como é bom mergulharmos no passado e trazemos ao presente, estas doces recordações que nos enriquecem e deixa-nos vaidosos por você está aqui.
A festa do 5° ano e do Jardim de Infância, era a noite mais linda, era a noite do glamour. Em frente a sede da Prefeitura Municipal, atual Sindicato dos Trabalhadores Rurais, desfilavam jovens formandos com seus respectivos paraninfos e madrinhas que mais parecia a entrega do OSCAR. As humanistas ostentavam o brilho de seus colares de pérolas e elegantes vestidos, onde predominava a seda, o organdi e o tafetá. Ah Zê! Quanto brilho, quanto sorriso, quanta alegria. Só você com sua batuta mágica conseguia transformar tudo em beleza que mais parecia um conto de fada. O tempo passou você hoje é nome de escola, de biblioteca e mais uma vez confirma o seu empreendedorismo. A construção do Arco de São Sebastião no caminho da Pedra e de Nossa Senhora da Conceição na entrada oeste da Cidade. Pioneira no teatro, mestra de todas as artes, assessorada por um grupo de jovens da época entre eles Dãozinho de Melo, Socorro Estolano, Zefinha Maciel, Neli Cassiano, Gizeldina Macedo, Chaguinha Sampaio, Maria de Laires e Flaucides. Em meio a todo este legado, ensinou-me além da disciplina, amor a Nossa Senhora. Sempre pregava na classe a higiene e a pontualidade. No último ensaio para o desfile de Sete de Setembro sua voz bradava em frente a escola, com mais insistência e com uma dicção perfeitíssima, assim falava: “Atenção, atenção”! amanhã as sete hora em ponto todos estejam em frente ao grupo com unhas e cabelos cortados, bem penteados, farda muito limpa e bem engomada. Não esqueçam de se alimentar muito bem. Vão direto para casa de vocês e até amanhã as sete horas”. Oh! Zê. Velhos tempos! Belos Dias! O tempo passou e aquela fada de outrora continua trabalhando com dinamismo, transformando com sua varinha mágica nossos sonhos em realidade.
Um dos mais recentes marcos de Zenira juntamente com a respeitável e admirável professora Maria do Socorro Olímpio de Moura são as Quinze Estações ou seja a Via Sacra na escadaria da Pedra de São Sebastião, que na sua composição utilizou como base a credibilidade que com maestria o povo de Ipaumirim demonstra o amor, a gratidão e o respeito por você. O universo desta mestra é muito vasto e vem ultrapassando muitas décadas. Nós te consagramos Divina Mestra, patrimônio histórico e cultural de nossa terra-Ipaumirim-Ce.

Josecy Almeida (Cícero Claudino Duarte)
Ipaumirim-CE 19/01/2006
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

SEXTA CRÔNICA


A última crônica
Fernando Sabino

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Fernando Tavares Sabino nasceu em 12 de outubro de 1923, em Belo Horizonte (MG). Aprendeu a ler com a mãe, em 1930. Durante a adolescência, foi locutor de programa de rádio e começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos em revistas da cidade, conquistado prêmios em concursos. Aos 17 anos decide ser gramático e escreve um artigo de crítica sobre o dicionário de Laudelino Freire no jornal "Mensagem", publicando também artigos literários em "O Diário", junto de Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Começa a cursar a Faculdade de Direito, no início da década de 1940, e ingressa no jornalismo como redator da "Folha de Minas". Publica no Rio seu primeiro livro de contos, "Os Grilos não Cantam Mais", em 1941. Torna-se colaborador do jornal literário "Dom Casmurro", da revista "Vamos Ler" e do "Anuário Brasileiro de Literatura". Em 1942, começa a trabalhar na Secretaria de Finanças de Minas Gerais e leciona português no Instituto Padre Machado, nas horas vagas. No ano seguinte, é nomeado oficial de gabinete do secretário de Agricultura do Estado. Torna-se colaborador regular do jornal "Correio da Manhã", do Rio, onde conhece Vinicius de Moraes, de quem se tornaria amigo. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1944, assumindo o cargo de oficial do Registro de Interdições e Tutelas da Justiça.Depois de se formar em Direito na Faculdade Federal do Rio de Janeiro em 1946, licencia-se do cargo que exerce na Justiça e viaja com Vinicius de Moraes aos Estados Unidos, morando por dois anos em Nova York, onde trabalha no Escritório Comercial do Brasil e no Consulado Brasileiro. Em 1947, envia crônicas para serem publicadas em jornais como "Diário Carioca" e "O Jornal", do Rio, que são reproduzidas em vários veículos do Brasil. Começa a produzir os livros "Ponto de Partida" e "Movimentos Simulados" que, apesar de não serem concluídos, serão aproveitados em "O Encontro Marcado". Depois de voltar ao Brasil no ano seguinte, continua a colaborar com crônicas e artigos para jornais e revistas do país e publica "A Cidade Vazia" e "A Vida Real". "O Encontro Marcado", uma de suas obras mais conhecidas, é lançada em 1956, ganhando edições até no exterior, além de ser adaptada para o teatro. Sabino decide, em 1957, viver exclusivamente com escritor e jornalista depois de pedir exoneração do cargo de escrivão. Inicia uma produção diária de crônicas para o "Jornal do Brasil", escrevendo mensalmente também para a revista "Senhor". Em 1960, Fernando Sabino publica o livro "O Homem Nu" na Editora do Autor, fundada por ele, Rubem Braga e Walter Acosta. Publica, em 1962, "A Mulher do Vizinho", que recebe o Prêmio Cinaglia do Pen Club do Brasil. É contratado, em 1964, durante o governo João Goulart, para exercer as funções de Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em Londres. Em 1966, faz a cobertura da Copa do Mundo de Futebol para o "Jornal do Brasil". Depois de desfazer a sociedade na Editora do Autor, funda, em 1967, em conjunto com Rubem Braga, a Editora Sabiá, onde publica livros de Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Clarice Lispector, entre outros. Entre final dos anos 60 e início dos 70, viaja para diversas partes do mundo como correspondente de veículos brasileiros, produzindo reportagens sobre países como Alemanha, Portugal, Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos e Argentina. Termina o romance "O Grande Mentecapto" em 1979, iniciado mais de 30 anos antes. A obra, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, acabaria sendo adaptada para o cinema e o teatro anos depois. Em 1991, lança o livro "Zélia, Uma Paixão", biografia autorizada de Zélia Cardoso de Mello com escândalos da vida privada da ex-ministra do governo Collor. Em julho de 1999, recebe da Academia Brasileira de Letras o prêmio "Machado de Assis" pelo conjunto de sua obra. Publica em 2004 o romance "Os Movimentos Simulados", da editora Record, totalizando uma produção literária de mais de quatro dezenas de obras em 80 anos de vida.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

QUINTO PECADO


Salada para quem não sabe cozinhar e precisa emagrecer. Nada de complicação, ingrediente barato e fácil de fazer.


Salada de tomate e muzzarela de búfala

Ingredientes:
2 tomates grandes para salada
folhas de manjericão
250g de muzzarela de búfala (uma boa ricota quebra o galho)
4 c.s. de azeite
sal e pimenta
Modo de fazer:
Lave os tomates e corte em rodelas finas. Coloque-os num prato e tempere com sal.Corte a muzzarela em rodelas e tempere com um pouco de sal.Arrume num prato o tomate intercalando com a muzzarela e enfeite com umas folhas de manjericão. Tempere com um fio de azeite e pimenta.

Salada de alface com laranja

Ingredientes:

1 alface roxa
6 c.s de maionese (de preferência caseira)
3 c.s. de natas (creme de leite)
1 c.s. de sumo de limão
3 laranjas
sal e pimenta preta moída

Modo de fazer:
Limpe e lave as alfaces. Escorra e corte-as em pedaços de tamanho médio e guarde na geladeira. Numa tigela misture bem a maionese, natas , sal e pimenta. Junte o sumo de limão e misture novamente. Tampar com papel plástico e guardar na geladeira por 30min.
Descasque as laranjas retirando também a película branca. Separe pedaços sem pele ou caroço. Misture a alface com o molho e decore com os pedaços de laranja.

Batatinha à vinagrete

Ingredientes:

1kg de batatinhas pequenas
1 cabeça de alho socada
1 cebola grande ralada ou bem picada
1 copo de azeite
1 pacote pequeno de pimenta vermelha em grão
1 copo de vinagre
4 folhas de louro
salsa picada
sal
Modo de fazer:
Lave as batatas com casca, com auxílio de uma escovinha. Cozinhe-as em água até que fiquem macias (não deixe desmanchar). Misture todos os ingredientes do molho. Escolha um vidro grande com tampa, coloque as batatas e por cima, o molho. Prove e tempere com sal suficiente. Leve à geladeira por, pelo menos, dois dias, antes de servir.

Batatas com especiarias

Ingredientes:

1 kg de batata
3 cebolas
2 alhos
2 folhas de louro
2 c. chá de colorau
sal e azeite

Modo de fazer:

Cozinhe as batatas inteiras em água com sal, os alhos descascados e o louro, até que estejam meio cozidas (não pode ficar mole). Escorra e tire as cascas.Corte as batatas em quatro e polvilhe com colorau. Core-as numa frigideira com azeite, junto com as cebolas também cortadas em quatro. Retifique o sal e sirva.

Batatas com especiarias

Ingredientes:

1 kg de batata
3 cebolas
2 alhos
2 folhas de louro
2 c.chá de colorau
sal e azeite

Modo de fazer:

Cozinhe as batatas inteiras em água com sal, os alhos descascados e o louro, até que estejam meio cozidas (não pode ficar mole). Escorra e tire as cascas.Corte as batatas em quatro e polvilhe com colorau. Core-as numa frigideira com azeite, junto com as cebolas também cortadas em quatro. Retifique o sal e sirva.

Batata rôsti

Ingredientes

600g de batatas
óleo
sal
pimenta branca ralada


Modo de fazer:

Descasque as batatas e coloque numa panela com água fria e salgada. Leve para cozinhar em fogo forte. Quando ferver, conte 4 minutos e retire-as da panela. Coloque as batatas numa tigela com água e gelo para cessar o cozimento. Escorra bem a água e rale as batatas na parte grossa do ralador. Tempere com sal e pimenta do reino.Leve uma frigideira anti-aderente para aquecer em fogo brando. Acrescente um pouco de óleo para a batata não grudar e dourar.Coloque a batata ralada e com uma colher aperte as batatas para formar uma panqueca. Deixa a batata dourar por 4 minutos ou até que o lado em contato com a frigideira esteja dourado. Coloque um prato redondo em cima da frigideira e vire a frigideira com o lado branco para baixo. Deixe dourar por mais 3 ou 4 minutos e retire (novamente com o prato em cima da frigideira).Sirva a seguir. Pode acompanhar qualquer assado.

Dicas: Você também pode misturar pedaços de bacon fritos com cebolas em rodelas e/ou rechear colocando na frigideira a metade da batata ralada, colocar o recheio(queijo e presunto, catupiry, frango, cheddar etc...), depois colocar a outra metade e seguir conforme a receita acima.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

QUARTA VIA

CIDADANIA


O homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus no que concerne ao seu infinito poder de imaginar. Imagine que você se encontra absolutamente só numa ilha perdida no meio do oceano. Obviamente, sua preocupação será com a própria sobrevivência. Porém, quais serão seus DIREITOS E DEVERES?
Já pensou sobre essa situação?
Agora, imagine que surge um náufrago. Portanto, há mais uma pessoa a dividir a ilha com você.
Ou se inicia uma luta pela posse da ilha, correndo-se o risco de um eliminar o outro, ou se estabelecem normas de convivência, pelas quais as obrigações são definidas.
A definição das obrigações pode decorrer da imposição do mais forte sobre o mais fraco, ou de um ACORDO entre ambos. Se houver acordo, a cada direito corresponderá uma obrigação.
Mas você não vive em uma ilha deserta.
Você tem uma família em que sempre haverá direitos e deveres. A sua família pertence a uma comunidade de vizinhança; esta faz parte de um bairro de uma cidade. As cidades se localizam em determinados Estados, e o Brasil é o resultado da Federação dos Estados. Portanto, você é um cidadão brasileiro, do Estado de São Paulo ou de outro Estado Federado.
Todo CIDADÃO tem DIREITOS E DEVERES. Exija seus Direitos e cumpra seus Deveres.
Assim, você tem direito à Educação em uma boa escola (a melhor possível), mas você tem o DEVER de freqüentar as aulas, de respeitar os professores, de conservar o prédio que é patrimônio de toda a COMUNIDADE.
Quem quer ter o Direito a uma boa escola há de contribuir para que isso aconteça.
O mesmo vale para a Segurança, para a Saúde, para os Transportes, etc...
Agora que você sabe que é um CIDADÃO sujeito a Direitos e Obrigações, continue a leitura para saber quais são os seus DIREITOS e quais são as suas OBRIGAÇÕES.
No momento histórico em que vivemos, quando se respira ares de liberdade de expressão e de democracia, a discussão sobre os direitos e deveres individuais e coletivos é de fundamental importância, porque referem-se à cidadania.
Mas o que é cidadania? O que é ser cidadão? Qual a importância em ser um cidadão?
Cidadão é o indivíduo que está no pleno gozo de seus direitos e deveres civis e políticos
Ser cidadão é o direito de as pessoas terem direitos e deveres.
É o direito de ter uma vida digna. É poder ter uma casa para morar, é ter acesso a uma escola de qualidade, é poder contar com bons serviços de saúde, é poder alimentar-se e vestir-se bem, é poder ter acesso à cultura e a alguns bens de consumo que o mundo de hoje oferece.
Mas, para que o brasileiro possa ser um cidadão por inteiro, por completo, é necessário conhecer seus direitos e deveres, que estão contidos no artigo 5º da Constituição Federal.
Antes, é preciso saber que a Constituição é a Lei Maior que regula a vida de um país. Todas as outras leis decorrem da Constituição.
Mas o que é direito e o que é dever?
Direito é poder praticar, ou deixar de praticar algum ato.
Dever é estar obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma coisa.
Pronto, agora fica mais fácil entender o artigo 5º da Constituição, pois lá estão os nossos direitos e deveres, como cidadãos que todos nós somos.
O "caput", ou seja, a cabeça do artigo diz o seguinte:
"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:"
Primeiro, é preciso dizer que essas palavras não saíram da cabeça de uma só pessoa nem foram escritas da noite para o dia.
A humanidade precisou de séculos para reconhecer os direitos fundamentais do ser humano. Ainda hoje, há lugares no mundo em que muitos direitos não são reconhecidos, a começar pelo direito à liberdade.
Vamos agora examinar atentamente os dizeres contidos na cabeça do artigo e tentar explicá-los.
O texto diz inicialmente:
"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza..."
O homem tendo o ideal de que todos nós somos iguais, sem qualquer tipo de distinção, ou seja, sem qualquer diferença; será que sempre foi assim?
Claro que não, basta lembrarmos que num passado recente no Brasil ainda havia escravidão. E, ainda hoje, não é difícil encontrar pessoas que discriminam outras pela cor, pela raça, etc.
Porém, o ideal preconizado na Constituição diz que para vivermos em paz e em harmonia é necessário não haver diferenças entre todos nós, seja do tipo que for.
Aquele que dentre nós for tratado com desigualdade, tem o direito de ver reparada a discriminação, ou seja, pode recorrer à Justiça para corrigir o tratamento discriminatório recebido.
Desse modo, no Brasil de hoje, ninguém pode sofrer qualquer discriminação, seja pelo sexo, cor, crença, raça, etc. Na segunda parte, o artigo diz:
"...garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:..."
Veja que a Constituição protege não só os brasileiros, mas também as pessoas que nasceram em outros países e que aqui residem.
O texto constitucional fala em "inviolabilidade".
Pois bem: Inviolabilidade, em direito, é aquilo que está protegido contra qualquer tipo de violência.
Assim, não pode haver violência contra a vida, contra a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade.
O final do artigo diz:"...nos termos seguintes:"
Esses termos seguintes são compostos por 77 (setenta e sete) incisos (subdivisões), grafados em algarismos romanos.
Essas subdivisões do artigo servem para detalhar, para especificar os direitos e deveres contidos no caput.
Por exemplo, o inciso I diz:
"homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações...";
Este inciso está simplesmente individualizando, quando a cabeça do artigo diz que todos são iguais perante a lei.
Outro exemplo, o inciso IV diz:
"É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato".
O inciso nada mais está dizendo que o direito de liberdade do cidadão manifestar o seu pensamento, sobre qualquer assunto.
Assim, cada item do artigo vai descrevendo pormenorizadamente os direitos e deveres do cidadão.
A importância de conhecê-los está em que, sabendo corretamente nossos direitos e deveres, seremos, com certeza bons cidadãos, com capacidade para melhor escolher nossos governantes, cobrar deles o respeito à lei, aos bens públicos e o interesse da população.
Só assim, a condição de vida de todos os brasileiros irá melhorar.
A partir do momento em que conhecermos nossos direitos e deveres, vamos ter capacidade de exigir mais, como, por exemplo, uma justa divisão de rendas.
Desse modo, quando o comerciante e o industrial deixam de recolher os impostos para os cofres do governo, quando o consumidor não pede a Nota Fiscal da compra, todos estão deixando de cumprir um dever.
Desse modo, quando o comerciante e o industrial deixam de recolher os impostos para os cofres do governo, quando o consumidor não pede a Nota Fiscal da compra, todos estão deixando de cumprir um dever.
Isso implica que muitos dos nossos direitos também não serão cumpridos, com melhores escolas, hospitais, segurança, etc.
Certamente, se todos nós soubéssemos e cumpríssemos os nossos direitos e deveres, viveríamos num país bem melhor.
Finalmente, é preciso saber que nenhuma lei poderá dispor contra o que está estabelecido na Constituição.

Fonte: http://www2.oabsp.org.br/asp/cartilha/cidadania.asp

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

TERÇA POÉTICA

Evocação do Recife
(Manuel Bandeira)
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!
A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.
Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho
sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras
Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
— Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.

-o-o-o-o-

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886, na Rua da Ventura, atual Joaquim Nabuco, filho de Manuel Carneiro de Souza Bandeira e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Em 1890 a família se transfere para o Rio de Janeiro e a seguir para Santos - SP e, novamente, para o Rio de Janeiro. Passa dois verões em Petrópolis.
Em 1892 a família volta para Pernambuco. Manuel Bandeira freqüenta o colégio das irmãs Barros Barreto, na Rua da Soledade, e, como semi-interno, o de Virgínio Marques Carneiro Leão, na Rua da Matriz.
A família mais uma vez se muda do Recife para o Rio de Janeiro, em 1896, onde reside na Travessa Piauí, na Rua Senador Furtado e depois em Laranjeiras. Bandeira cursa o Externato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II). Tem como professores Silva Ramos, Carlos França, José Veríssimo e João Ribeiro. Entre seus colegas estão Sousa da Silveira e Antenor Nascentes.

Em 1903 a família se muda para São Paulo onde Bandeira se matricula na Escola Politécnica, pretendendo tornar-se arquiteto. Estuda também, à noite, desenho e pintura com o arquiteto Domenico Rossi no Liceu de Artes e Ofícios. Começa ainda a trabalhar nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana, da qual seu pai era funcionário.
No final do ano de 1904, o autor fica sabendo que está tuberculoso, abandona suas atividades e volta para o Rio de Janeiro. Em busca de melhores climas para sua saúde, passa temporadas em diversas cidades: Campanha, Teresópolis, Maranguape, Uruquê, Quixeramobim.
"... - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."
Em 1910 entra em um concurso de poesia da Academia Brasileira de Letras, que não confere o prêmio. Lê Charles de Guérin e toma conhecimento das rimas toantes que empregaria em Carnaval.
Sob a influência de Apollinaire, Charles Cros e Mac-Fionna Leod, escreve seus primeiros versos livres,em 1912.
A fim de se tratar no Sanatório de Clavadel, na Suíça, embarca em junho de 1913 para a Europa. No mesmo navio viajam Mme. Blank e suas duas filhas. No sanatório conhece Paul Eugène Grindel, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Paul Éluard, e Gala, que se casaria com Éluard e depois com Salvador Dali.
Em virtude da eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, volta ao Brasil em outubro. Lê Goethe, Lenau e Heine (no sanatório reaprendera o alemão que havia estudado no ginásio). No Rio de Janeiro, reside na rua Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Goulart.
Em 1916 falece sua mãe, Francelina. No ano seguinte publica seu primeiro livro: A cinza das horas, numa edição de 200 exemplares custeada pelo autor. João Ribeiro escreve um artigo elogioso sobre o livro. Por causa de um hiato num verso do poeta mineiro Mário Mendes Campos, Manuel Bandeira desenvolve com o crítico Machado Sobrinho uma polêmica nas páginas do Correio de Minas, de Juiz de Fora.
O autor perde a irmã, Maria Cândida de Souza Bandeira, que desde o início da doença do irmão, havia sido uma dedicada enfermeira, em 1918. No ano seguinte publica seu segundo livro, Carnaval, em edição custeada pelo autor. João Ribeiro elogia também este livro que desperta entusiasmo entre os paulistas iniciadores do modernismo.
O pai de Bandeira, Manuel Carneiro, falece em 1920. O poeta se muda da Rua do Triunfo, em Paula Matos, para a Rua Curvelo, 53 (hoje Dias de Barros), tornando-se vizinho de Ribeiro Couto. Numa reunião na casa de Ronald de Carvalho, em Copacabana, no ano de 1921, conhece Mário de Andrade. Estavam presentes, entre outros, Oswald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda e Osvaldo Orico.
Inicia então, em 1922, a se corresponder com Mário de Andrade. Bandeira não participa da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro em são Paulo, no Teatro Municipal. Na ocasião, porém, Ronald de Carvalho lê o poema "Os Sapos", de "Carnaval". Meses depois Bandeira vai a São Paulo e conhece Paulo Prado, Couto de Barros, Tácito de Almeida, Menotti del Picchia, Luís Aranha, Rubens Borba de Morais, Yan de Almeida Prado. No Rio de Janeiro, passa a conviver com Jaime Ovalle, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Prudente de Morais, neto, Dante Milano. Colabora em Klaxon. Ainda nesse ano morre seu irmão, Antônio Ribeiro de Souza Bandeira.
Em 1924 publica, às suas expensas, Poesias, que reúne A Cinza das Horas, Carnaval e um novo livro, O Ritmo Dissoluto. Colabora no "Mês Modernista", série de trabalhos de modernistas publicado pelo jornal A Noite, em 1925. Escreve crítica musical para a revista A Idéia Ilustrada. Escreve também sobre música para Ariel, de São Paulo.
A serviço de uma empresa jornalística, em 1926 viaja para Pouso Alto, Minas Gerais, onde na casa de Ribeiro Couto conhece Carlos Drummond de Andrade. Viaja a Salvador, Recife, Paraíba (atual João Pessoa), Fortaleza, São Luís e Belém. No ano seguinte continua viajando: vai a Belo Horizonte, passando pelas cidades históricas de Minas Gerais, e a São Paulo. Viaja a Recife, como fiscal de bancas examinadoras de preparatórios. Inicia uma colaboração semanal de crônicas no Diário Nacional, de São Paulo, e em A Província, de Recife, dirigido por Gilberto Freyre. Colabora na Revista de Antropofagia.
1930 marca a publicação de Libertinagem, em edição como sempre custeada pelo autor. Muda-se, em 1933, da Rua do Curvelo para a Rua Morais e Vale, na Lapa. É nomeado, no ano de 1935, pelo Ministro Gustavo Capanema, inspetor de ensino secundário.
Grandes comemorações marcam os cinqüenta anos do poeta, em 1936, entre as quais a publicação de Homenagem a Manuel Bandeira, livro com poemas, estudos críticos e comentários, de autoria dos principais escritores brasileiros. Publica Estrela da Manhã (com papel presenteado por Luís Camilo de Oliveira Neto e contribuição de subscritores) e Crônicas da Província do Brasil.
Recebe o prêmio da Sociedade Filipe de Oliveira por conjunto de obra, em 1937, e publica Poesias Escolhidas e Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica.
No ano seguinte é nomeado professor de literatura do Colégio Pedro II e membro do Conselho Consultivo do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Publica Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana e Guia de Ouro Preto.
Em 1940 é eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Luís Guimarães Filho. Toma posse em 30 de novembro, sendo saudado por Ribeiro Couto. Publica Poesias Completas, com a inclusão da Lira dos Cinqüent'Anos (também esta edição foi custeada pelo autor). Publica ainda Noções de História das Literaturas e, em separata da Revista do Brasil, A Autoria das Cartas Chilenas.
Começa a fazer crítica de artes plásticas em A Manhã, em 1941, no Rio de Janeiro. No ano seguinte é nomeado membro da Sociedade Filipe de Oliveira. Muda-se para o Edifício Maximus, na Praia do Flamengo. Organiza a edição dos Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental.
Nomeado professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1943, deixa o Colégio Pedro II. Muda-se, em 1944, para o Edifício São Miguel, na Avenida Beira-Mar, apartamento 409. Publica Obras Poéticas de Gonçalves Dias, edição crítica e comentada. No ano seguinte publica Poemas Traduzidos, com ilustrações de Guignard.
Recebe o prêmio de poesia do IBEC por conjunto de obra, em 1946. Publica Apresentação da Poesia Brasileira e Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos.
Em 1948 são reeditados três de seus livros: Poesias Completas, com acréscimo de Belo Belo; Poesias Escolhidas e Poemas Traduzidos. Publica Mafuá do Malungo (impresso em Barcelona por João Cabral de Melo Neto) e organiza uma edição crítica das Rimas de João Albano. No ano seguinte publica Literatura Hispano-Americana e traduz O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz.
A pedido de amigos, apenas para compor a chapa, candidata-se a deputado pelo Partido Socialista Brasileiro, em 1950, sabendo que não tem quaisquer chances de eleger-se. No ano seguinte publica Opus 10 e a biografia de Gonçalves Dias. É operado de cálculos no ureter. Muda-se, em 1953, para o apartamento 806 do mesmo edifício da Avenida Beira-Mar.
No ano de 1954 publica Itinerário de Pasárgada e De Poetas e de Poesia. Faz conferência no Teatro Municipal do Rio de Janeiro sobre Mário de Andrade. Publica 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, em 1955. Traduz Maria Stuart, de Schiler, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em junho, inicia colaboração como cronista no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, e na Folha da Manhã, de São Paulo. Faz conferência sobre Francisco Mignone no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Traduz Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau, em 1956. É aposentado compulsoriamente, por motivos da idade, como professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia.
Traduz as peças Juno and the Paycock, de Sean O'Casey, e The Rainmaker, de N. Richard Nash, em 1957. Nesse ano, publica Flauta de Papel. Em julho visita para a Europa, visitando Londres, Paris, e algumas cidades da Holanda. Retorna ao Brasil em novembro. Escreve, até 1961, crônicas bissemanais para o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo.
Em 1958, publica Gonçalves Dias, na coleção "Nossos Clássicos" da Editora Agir. Traduz a peça Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu. Publicada pela Aguilar, sai em dois volumes sua obra completa -- Poesia e Prosa.
No ano seguinte traduz The Matchmaker (A Casamenteira), de Thorton Wilder. A Sociedade dos Cem Bibliófilos publica Pasárgada, volume de poemas escolhidos, com ilustrações de Aldemir Martins.
Em 1960 traduz o drama D. Juan Tenório, de Zorrilla. Pela Editora Dinamene, da Bahia, saem em edição artesanal Estrela da Tarde e uma seleção de poemas de amor intitulada Alumbramentos. Sai na França, pela Pierre Seghers, Poèmes, antologia de poemas de Manuel Bandeira em tradução de Luís Aníbal Falcão, F. H. Blank-Simon e do próprio autor.
No ano seguinte traduz Mireille, de Fréderic Mistral. Começa a escrever crônicas semanais para o programa "Quadrante" da Rádio Ministério da Educação. Em 1962 traduz o poema Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler.
Escreve para a Editora El Ateneo, em 1963, biografias de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Castro Alves. A Editora das Américas edita Poesia e Vida de Gonçalves Dias. Traduz a peça Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht. Escreve crônicas para o programa "Vozes da Cidade" da Rádio Roquette-Pinto, algumas das quais lidas por ele próprio, com o título "Grandes Poetas do Brasil".
Traduz as peças O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena Ela Ser o Que É, de John Ford. Sai nos EUA, pela Charles Frank Publications, A Brief History of Brazilian Literature (tradução, introdução e notas de R. E. Dimmick), em 1964.
No ano de 1965 traduz as peças Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala. A Fogueira Feliz, de J. N.Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho. Sai na França, pela Pierre Seghers, na coleção "Poètes d'Aujourd'hui", o volume Manuel Bandeira, com estudo, seleção de textos, tradução e bibliografia por Michel Simon.
Comemora 80 anos, em 1966, recebendo muitas homenagens. A Editora José Olympio realiza em sua sede uma festa de que participam mais de mil pessoas e lança os volumes Estrela da Vida Inteira (poesias completas e traduções de poesia) e Andorinha Andorinha (seleção de textos em prosa, organizada por Carlos Drummond de Andrade). Compra uma casa em Teresópolis, a única de sua propriedade ao longo de toda sua vida.
Com problemas de saúde, Manuel Bandeira deixa seu apartamento da Avenida Beira-Mar e se transfere para o apartamento da Rua Aires Saldanha, em Copacabana, de Maria de Lourdes Heitor de Souza, sua companheira dos últimos anos.
No dia 13 de outubro de 1968, às 12 horas e 50 minutos, morre o poeta Manuel Bandeira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

domingo, 11 de novembro de 2007

SEGUNDA BEM HUMORADA

COMER BRIGADEIRO, PODE. CORONEL, NÃO PODE!!!?

Dono de lanchonete é preso por batizar sanduíches como patentes militares!!! Para o dono de uma lanchonete de Penedo, a 170 km de Maceió (AL) tratava-se de uma estratégia de marketing. Para o comandante da Polícia Militar na cidade, era uma ofensa à corporação. E assim, por batizar os sanduíches da casa com patentes militares, Alberto Lira, 38 de idade, dono da lanchonete Mister Burg, acabou detido por ordem do comandante da PM local. Afinal, entendeu o militar, não ficaria bem alguém chegar na lanchonete e pedir: "quero um coronel mal passado". Ou sair de lá dizendo: "acabei de comer um sargento". Na delegacia foi lavrado boletim de ocorrência e, face ao tumulto havido, a casa comercial fechou durante algumas horas. Como o delegado de plantão entendeu que não havia motivo para prisão, Lira foi liberado horas mais tarde. Os cardápios da lanchonete foram recolhidos para avaliação e a casa reaberta em seguida. Aproveitando-se da inesperada repercussão, a lanchonete quer manter o cardápio que desagrada a PM. A casa oferece lanches como o "coronel" (que é o filé com presunto) e o "comandante" (um prato com calabresa frita) etc. A brincadeira foi demais para o parco humor da Polícia Militar que diz que os nomes dos pratos provocavam chacotas e insinuações contra os policiais entre os moradores da cidade de 60 mil habitantes. Lira, o dono da lanchonete, diz que não teve nem tem nenhuma intenção de brincar ou ofender a corporação. O cardápio - garante o dono da lanchonete - pretendia ser uma homenagem à hierarquia militar. O prato mais caro era o "comandante". O comerciante contratou, ontem, o advogado Francisco Guerra, para entrar com uma denúncia por abuso de autoridade contra o comandante local da PM e uma ação reparatória por dano moral contra o Estado de Alagoas. Nela vai salientar que não existe nenhum texto legal que impeça um restaurante de incluir, no seu cardápio, "lula à milanesa", "filé a cavalo" ou "coronel mal passado" etc. O advogado já pediu habeas corpus preventivo para evitar outra detenção de seu cliente. A peça sustenta que "se o argumento do comandante fosse válido, nenhuma festa de criança poderia ter brigadeiro". Como se sabe, brigadeiro - além de ser a mais alta patente da Aeronáutica - é também o nome do docinho obrigatório em aniversário de crianças. "Em Penedo, comer brigadeiro pode, mas comer coronel, está proibido" - ironizam os advogados da cidade.

Fonte: Espaço Vital

Haja irreverência...........

Mulher inteligente

Quando Mauricio descobriu que herdaria uma fortuna quando seu pai doente morresse, decidiu que precisava de uma mulher para virar sua grande companheira. Assim, em uma noite ele foi para o bar da OAB carioca onde procurou a advogada mais bonita que já tinha visto. Sua beleza natural tirava seu fôlego.
- Eu posso parecer um advogado comum - disse enquanto se aproximava da musa - mas em cerca de um mês ou dois, meu pai vai morrer, e eu herdarei 20 milhões de dólares.
Impressionada, a mulher foi para a casa com ele naquela noite e, três dias depois, se tornou sua madrasta…

Ajuda feminina

A situação estava braba e o marido virou para a mulher e disse:
- É mulher você vai ter que se virar para ajudar no orçamento de casa. A mulher pegou a "bolsinha" e saiu para a batalha. Dois dias depois ela retorna e entrega ao marido 501 dólares. O marido satisfeito pergunta:
- Só uma curiosidade, quem pagou 1 dólar?
Ao que ela responde:
- Todos.

Loira advogada

Após seu longo curso de advocacia, a loira abre seu escritório e no primeiro dia de serviço, alguém bate na porta.Para marcar aquela presença, pega o telefone e pede para a pessoa entrar e esperar. Fica uns 30 minutos fingindo uma conversa:
- Sim, claro! Eu não perco uma causa! Esta está muito fácil....Com certeza, no próximo julgamento o juiz nos dará sentença favorável e venceremos!!! (e assim ficou enrolando)
Quando desligou, após aquela "longa conversa", toda educada pergunta:
- Pois não, cavalheiro, em que posso ajudá-lo?
O homem respondeu :
- Sou da Telefônica, vim instalar sua linha.

Receita de curandeiro

O rebanho do caipira estava doente e ninguém conseguia curar.Então ele ficou sabendo que tinha um curandeiro, que era a única pessoaque poderia salvar seu rebanho e o chamou. Chegando lá, o curandeiro disse que salvaria o gado do caipira, mas teria que ficar trancado no quarto com a filha do caipira - uma linda morena - para fazer o ritual. O caipira ficou meio desconfiado mas topou: afinal, era o único jeito de salvar seu rebanho.
O curandeiro foi para o quarto com a moça e começou o ritual:
- Passo o pau no seus joeio pra curá os boi vermeio!
- Passo o pau na suas coxa pra curá as vaca mocha!
- Passo o pau na sua viria pra curá as novia!
O caipira, que ouvia tudo por atrás da porta, gritou depressa:
- As vaca preta e os boi zebu... pode deixá morrê!

Surdez do minerim

Benedito, mineiro de Nanuque, é meio surdo, mas faz de tudo pra ninguém
perceber o seu problema. Disfarça de tudo quanto é jeito. Um belo dia,
ele tá lá na roça, arrancando mandioca, quando passa um conhecido e
pergunta:
- A comadre tá boa, seu Benedito?
- Não tá muito boa não, mas dá pra cumê

sábado, 10 de novembro de 2007

A CALÇADA DA IGREJA

(Maria do Carmo Brito Mendes)
O cenário desse texto não é um campo de futebol, um clube, um salão de beleza, ou um barzinho ,mas uma calçada, não uma qualquer, a da Igreja de Ipaumirim.
Eu nasci no dia 16 de julho de 1946. Nessa data teve inicio a participação da calçada da igreja na minha vida. Nesse dia pratiquei o primeiro ato imprudente, mamãe pediu a papai que fosse buscar mãe Petronila, para me ajudar a nascer, só que quando ele saiu, resolvi não esperar e nasci sozinha. Na volta quando ele já vinha, sabe onde? É isso aí acertou! Já ouviu o choro e mãe Petronila apenas cortou o umbigo.
Crianças ali ensaiaram os primeiros passos, entre elas estavam: Eu, Maria Luiza, Maria José, Geysa, Antonio, meu irmão e José Strauss, ambos de saudosa memória. Até porque quando as crianças demoravam a andar, as mães levavam seus filhos para a calçada da Igreja, pegavam nas duas mãozinhas e diziam: Vamos pra missa! E iam até entrar na casa do Senhor.
Quem dos arredores dessa localidade nunca brincou ou brigou na calçada da Igreja? Luís Carivaldo, Maria Luiza, Sônia, Chaguinha, Socorro Ribeiro, Rosa Maria, Vilani, Cícero ou Aristóteles, Graças, de Senhor Damião, Flaucides, Escolástica, Fátima Lemos, Faquito, Célia de Dedé, Antocildo,Vanda, Valquiria, José Mujica, Anchieta, Sebastião(Lau), Geraldo, Eraldo de Centor e outros mais. As brincadeiras e os brincalhões ainda se estendiam até dentro da Igreja. Inúmeras vezes, Maria Lourenço e Madrinha Beatriz nos deram broncas por estarmos correndo dentro da casa de Deus. Neli Cassiano cedo da noite ia rezar o terço, também não poupou os “pssius” e repreensões, dizendo: deixe de brincadeira dentro da igreja, menino! Espero que não se ofendam os citados e os que não foram citados também.
E a primeira missa à noite? Perdeu quem não estava lá. Tenho certeza que tinha mais gente na calçada da Igreja do que dentro, cada um que cochichava, que fazia comentários interessantes: quem já viu missa de noite é o fim do mundo; outro respondia: missa tem que ser em latim, o padre de costas para o povo e às 6:00Hs da manhã; outros acrescentavam nunca mais assisto missa!
Na Semana Santa os curiosos e curiosinhos, inclusive eu e meu irmão Antonio, ficávamos na calçada da igreja esperando Julinha e sua amigas(mulheres de vida livre)muito bem vestidas de trajes preto virem assistir as cerimônia da Quinta Feira Santa.
Quem lembra o carnaval dos anos 50 em Ipaumirim? Na minha infância três carnavalescos me marcaram: Mundinho, filho de Raimundo Paulo, com trajes de bebê, João Bosco Macedo, com a bicicleta toda enfeitada, o chapéu com dizeres: ou casa de Noca ou mamãe sem nora e Jader(Bereco) que não ficava atrás. E qual seria o melhor local para vê-los passar? A calçada da igreja.
E os hipnotismos do padre Juarez, tinha crianças que bastava ver o padre, já fechava os olhos e começava a sorrir: vendo nossa Senhora ou entrava em desespero vendo o fogo do ínferno. Cícero ou Aristóteles, ao ser hipnotizado chorava vendo a mãe dele e nós, crianças ficávamos comovidas, chorando também, porque fazia pouco tempo que a mãe dele havia morrido. A meninada, logo cedo pela manhã, ao meio dia ou à noitinha já estava sentada na calçada da Igreja, em frente a casa de Zé Macedo.
Acredito, que não houve manifestação maior do que a passagem da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, talvez tenha sido o maior acontecimento neste local, houve muita emoção, muito choro, acenos com lenços brancos, até pombas deram show.
As missões de Dom Francisco de Assis Pires, também trouxe muita gente para a calçada da Igreja, me lembro de um incidente, que se não fosse trágico, seria cômico, uma mulher passou mal, durante a pregação devido o amontoado de pessoas e o calor, algumas pessoas correram para socorrer e o povo sem entender nada, sem saber o que estava acontecendo corria sem rumo e sem direção. O missionário começou a gritar: Calma, foi um ataque e quanto mais o frade gritava, foi um ataque, mas se entendia foi uma tapa, eu fui escapar na casa de Antonio Dantas, nesse corre corre saiu gente machucada.
Seria interessante citar os nomes dos namorados, dos anos 50 que participaram da história da calçada da Igreja, só que como há muito tempo sai de Ipaumirim, não sei quem casou com quem, então para evitar constrangimentos prefiro abrir espaço para que eles contem suas historias. Citarei algumas travessuras, sem contar os travessos, pois prometi guardar segredo. Na época moça decente, isto é, direita como chamavam os mais velhos, namorava sentado ao lado um do outro e aquele que sentasse muito próximo do namorado, as más línguas das “Caindinhas” ficavam ocupadas por um longo tempo. Nas festas da Igreja havia 2 partidos: azul e vermelho, quem era do azul usava lacinho azul, quem era do vermelho, lacinho vermelho e isso facilitava alfinetes e broches nas mãos da gurizada e a turma começava a brincar correndo, rodeando os casais, muitos desses se sentiam incomodados, o que eles não sabiam era que “os santinhos do pau oco” estavam unindo os casais com broches ou alfinetes e o nosso divertimento era observar quando eles se levantavam.
Espero que o(a) mentor (a) dessa astúcia escreva um novo texto contando com mais detalhes.
A calçada da Igreja tinha outra turma cativa: papai, Maria Abreu Adautiva, Auta, esposa de Zé Maria, Socorro e Dorinha Duarte, Socorro Nóbrega, Maria Luiza, Vilani, Blandina, Miriam, Socorro Vieira, Luizete, Maria Gonçalves, Maria de Sousa, Olga, Ilca, Jandira, Anita... os assuntos variavam desde quem seria eleitos: Virgilio Távora ou Parsifal Barroso, até as paqueras ou “Flerts” hoje “ficas” das senhoritas Ipaumirinenses.
Tem muito o que se contar da calçada da igreja: a festa do dia das mães; os filmes do padre Argemiro, a espera das aulas de Socorro Pontes, na sala de Carlota, a chegada dos noivos, batizados, anjos e defuntos, a reunião dos moradores do sitio são Pedro no final da feira, aguardando o caminhão, a comemoração da emancipação política; e a espera de uma das visitas mais ilustres de Ipaumirim Dr. Francisco Vasconcelos de Arruda, meu padrinho de batismo, a quem tenho um profundo respeito à sua memória.
Vi da calçada as procissões e as via sacras, os anúncios dos espetáculos do Circo Araujo, a peregrinação de Raimundo Rocha e Joana Doida, o abalroamento de bicicleta em Fátima Lemos, e o namoro de Heitor e Adalgisa, escondido de Dona Glória.
Quem conheceu Luiz Nóbrega, líder político, coerente, firme, hospitaleiro, fiel e Paizão? Não era somente seus filhos Dr. Luiz Filho, Sebastião Nóbrega, Maria Eunice, Maria Luiza, e Vilani, tinha seus filhos de coração Socorro Nóbrega, Maria das Dores e Socorro Duarte, dedicava amor paternal a Maria Abreu, Maria Henrique, Maria Lourenço, tinha outros adotivos: meia centenas de moradores do sitio São Pedro e a comunidade infantil de Ipaumirim. Seus filhos não dependiam de cor, sexo idade ou religião, porque seu coração enorme. Quem da minha idade não teve o afeto e o carinho de papai Lalá? Eu sim e louvo a Deus ,por isso. Mas realmente quero registrar o choro incontido de papai Lalá, na calçada da igreja, quando ele viu em 58, se não me engano, um grande número de pessoas faminta, de sacos vazios nas mãos em busca de alimentos para saciar a fome dos filhos. Imediatamente, após o choro, ele firme e decidido disse: ninguém fecha o comércio enquanto eu for vivo e providenciou alimentos para todos.
Um fato muito triste também aconteceu na minha vida, quando eu estava na calçada da Igreja, minha mãe suicidou-se jogando querosene e ateando fogo a seguir. Talvez tenha sido por isso que as lembranças da calçada ficaram durante tanto tempo em minha memória.
Como a vida é uma sucessão de alegrias e tristezas e uma seqüencia de fatos, a calçada da Igreja continua fazendo parte da minha historia.
Em 1998, após 50 anos, meu filho Pablo Sávio, portador de medalhas de artes marciais na categoria de Kung-fu, fez uma apresentação em meio a multidão e tendo como palco a calçada da Igreja, não sabendo ele nem os presentes que era mais um fato na participação da calçada da Igreja na minha vida. É isso aí...
Depoimentos

"O que lembro da calçada da igreja na minha época é que era o ponto de encontro de muita gente e um lugar maravilhoso pra ficar assistindo as festas de Nossa Senhora da Conceição. Nossa que tempo bom! E também lembro que eu fugia de casa pra alugar a bicicleta de Lairtinho de seu Antonio Ribeiro e o ponto de encontro era lá. Um dia eu peguei a bicicleta sem freio e descí em rumo aquele beco de seu Antonio Correia e o freio foi um montão de jurema que tinha lá. Nesse dia deixou de ser segredo, cheguei em casa toda ensanguentada. Mas valeu, aprendí a andar de bicicleta que era um sonho pra mim na época!" (Vânia Maria)

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"Quando eu era criança que ia pra casa de minha vó Adalva, em Ipaumirim, toda tarde eu e minha irmã íamos brincar na praça da igreja e sempre quando o relógio batia seis horas eu sentava num banco e começava a chorar, pois sempre durante alguns dias eu sentia saudades da minha mãe que só ia nos deixar pra passarmos férias, aí ela tinha que voltar porque eu todo dia chorava! Isso ficou marcado e sempre lembro como parte da minha infância. Que bom!!!! vovó ainda dizia: chore mais pra ver se ela volta! Era bom demais!!!!!!" (Brenda)

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"VENDO ESSAS RECORDAÇÕES DA PRAÇA DA IGREJA, EU LEMBREI QUE MINHA VÓ ME LEVAVA PRAS MISSAS, E EU QUANDO ELA SE DISTRAIA,CORRIA PRA CALÇADA, PARA VER AS PESSOAS PASSEANDO NA PRAÇA. ADORAVA QUANDO TINHA CASAMENTOS E EU FICAVA ALI, ADMIRANDO AS NOIVAS E FALAVA PRA MIM MESMA:QUANDO CASAR EU JAMAIS COLOCAREI UMA ROUPA DESSAS, MERO ENGANO,QUANDO CRESCEMOS SONHAMOS COM UM BELO VESTIDO. TINHA AINDA FOTOS DA MINHA PRIMEIRA COMUNHÃO NA CALÇADA DA IGREJA TODA DE BRANCO, PARECIA UMA NOIVINHA, SÓ QUE COMO ERA MONÓCULO, SE EXTRAVIOU." (Gildacy)
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"Lembranças da Praça da Igreja? Bem, tenho algumas, sim!!!
Em 1981, eu tinha 08 anos e, todas às tardes ficav insistindo com minha mãe Rosa) para que ela me deixasse ir para casa dos meus avós maternos (Cecília Ribeiro e Manoel Gomes In Memorian), que moravam ali vizinhos ao Dr. Anchieta, na casa da esquina, pois a intenção era apenas uma: brincar de correr, de esconde-esconde e outras brincadeiras legais lá na praça, o que representava uma chateação para vovó, mas... minha mãe deixava!
Para mim, era uma alegria só encontrar meus primos de Baixio-CE (filhos da tia Zélia) na casa de vovó, fazíamos muitas estripulias... e acontecia sempre a mesma coisa: vovó pedia ao vovô que fosse pelo amor de Deus, me deixar em casa e dizer para a minha mãe que estava fazendo: passando por dentro da Igreja, subindo naquele busto que fica no centro da praça, etc, etc...
Depois de uma semana de castigo, lá estava eu novamente para me divertir... (risos).
Lembro-me que fim do ano havia uns dias de festas na praça que era conhecido por “xililique”, eu amava dormir na casa dos meus avós nesses dias...
Lembro-me também quando o Dr. Anchieta deu um carrão de brinquedo para o seu filho Argemiro e todas as tardes ele dava volta na praça se divertindo e muitas crianças estavam curiosas, ali reunidas para ver aquele maravilhoso e sofisticado brinquedo da época... tempos bons aqueles!"
(Cleidinha)

A calçada da igreja......... quantas histórias... de amor, da vida alheia passada a limpo na espera do aracati. Histórias ditas, mal-ditas, reuniões informais de homens em negociação e conchavos políticos, reduto feminino onde se tece o cotidiano das mulheres enquanto as crianças brincam e correm na volta da igreja. Nas noites quentes e festivas funciona como o point da madrugada de quem passa voltando das festas. Versátil, nos últimos tempos, descobriu sua vocação de motel a céu aberto. Sentar e ficar olhando quem passa, assistir festas religiosas, bailes populares, tirar dois dedos de prosa, ver a cidade amanhecer. Espaço lúdico, religioso, profano, os frequentadores vão mudando de acordo com os horários e com as intenções. Situada no centro das residências das antigas lideranças políticas tradicionais, o entorno da igreja congregava religião e poder, presenciava o loteamento dos redutos eleitorais, centralizava a vida social da comunidade. Veio a energia, a tv, o ensino noturno, a mudança de hábitos mas as crianças ainda estão lá, no doce alarido que só elas sabem fazer quando brincam em bandos. Tantas histórias, quantas lembranças.

Saudade sempre.........

Se estivesse conosco, Maristela (Tea) faria, hoje, 96 anos.

AUSÊNCIA
(Carlos Drummond de Andrade)


Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim

Téa, Zê, eu, Olga e Zefinha


Essa foto foi tirada por Tea depois de Olga tanto insistir que ela lhe tirasse uma foto.
Ela ria e dizia: - mas eu nunca tirei retrato de ninguém.
E Olga insistente: - mas vai tirar o meu!
Valeu!!! Não importa se não há enquadramento, muito mais do que a estética vale a lembrança. Ainda temos guardada a roupinha bordada por Tea que veio para Olga quando nasceu, inclusive o bilhete que a acompanhava.



"Deus consente que os homens venham / a esta intimidade de amigos / somente por mostrar que se amam / que estão no mundo, que estão vivos."
(Cecília Meireles, "Família Hindu", in Poemas escritos na India).