domingo, 17 de agosto de 2008

Notas de domingo

Transferência

O vigário de IP, Padre Ranilson, foi transferido. Breve a paróquia conhece seu novo novo pároco. A comunidade católica do município deve agradecer ao vigário por sua iniciativa na promoção da fé católica.


Agenda política 2008

A campanha 2008 pega fogo em IP. Muita mobilização, os fuxicos de sempre. Espero que o juiz tenha normatizado o uso exagerado dos carros de som que passam estourando os tímpanos da população. Aliás, a poluição sonora na cidade não é subproduto da eleição, é o mix da falta de educação com ausencia do poder público na administração da cidade. Pudera...

Programas de governo

Alguém já leu, viu, ouviu falar no programa de governo dos candidatos a prefeito de IP? E as propostas políticas dos candidatos a Câmara Municipal? Do jeito que a população anda ressabiada com o comportamento do legislativo municipal, no Brasil, é bom saber o que o seu candidato pretende fazer se for eleito.


Prestação de contas

Até hoje ainda não foi disponibilizada a prestação de contas dos candidatos de Ip no site do TSE. Depois do valor que Maluf declarou, tudo é possível.


O marasmo de sempre

Enquanto vários municípios do interior se mobilizam para participar de programas governamentais, iniciativas culturais privadas e outras oportunidades, Ip continua na sua vidinha acomodada. É o vício da dependencia que alimenta os males da política e nos deixa à margem do século XXI. Mas, pelo menos, nesse caso, a política não pode responder sozinha por essa preguiça secular impregnada no comportamento coletivo. Acorda Alagoinha!!!

CPI DA PEDOFILIA AGENDA VISITA AO MUNICÍPIO DE MILAGRES, REVELA ISTOÉ
Por: Luciano Augusto

Complica-se a situação do candidato Hellosman Sampaio, do PMDB do deputado Eunício Oliveira, à prefeitura de Milagres. A CPI da Pedofilia agendou uma visita ao Município para investigar as denúncias de violência existentes na cidade. A CPI também deve apurar outras supostas acusações a Hellosman Sampaio. A informação está publicada na edição desta semana da revista Istoé, que está nas bancas. Leia mais sobre esse assunto na revista Istoé:
Reincidente
A CPI da Pedofilia agendou uma visita ao município de Milagres (CE), onde há denúncias de que um dos candidatos a prefeito estaria envolvido com exploração sexual infantil. O candidato já esteve na mira de outra CPI sobre abuso de menores
Fonte: http://www.cearaagora.com.br/index.htm

Diocese do Crato

No próximo dia 23 de agosto, Dom Fernando Panico ordenará, na Catedral de Nossa Senhora da Penha, em Crato, 7 novos padres caririenses. Seis são sacerdotes diocesanos e um é religioso pertencente à Congregação dos Servos de Jesus, que tem a sede na cidade de Campos Sales.

Fonte: http://www.caririag.blogspot.com/

Centro de Convenções do Cariri

Crato aguarda o início da construção do Centro de Convenções do Cariri. A previsão é que isso ocorra nos primeiros meses de 2009. Será o maior investimento feito pelo governo do Ceará na Cidade de Frei Carlos nos últimos 25 anos. Esse centro será um equipamento polarizador regional que contemplará diversas atividades culturais e sociais tais como seminários, cursos profissionalizantes, exposições feiras, teatro, dentre outras.
O Centro de Convenções do Cariri será construído às margens da estrada Crato – Juazeiro, no bairro Muriti, próximo a projetada Cidade Universitária – num terreno de aproximadamente 20 mil m2 – e ficará distante a 5 km do centro da cidade e a 10 km do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte. Sua estrutura contará com aproximadamente 4 mil m2, abrigando dentre seus principais ambientes, espaço para oficinas, um teatro com capacidade para 1.000 (mil) pessoas, quatro auditórios com capacidade para 250 (duzentos e cinqüenta) pessoas cada, uma sala multiuso com flexibilidade de layout, além de um restaurante.
Fonte: http://www.caririag.blogspot.com/


Basílica Menor

No próximo dia 15 de setembro, durante missa solene, será feita a leitura do Decreto do Papa Bento XVI concedendo ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte o título de Basílica Menor. Entre as igrejas católicas – espalhadas pelo mundo – algumas são distinguidas pelo Vaticano com esse título, o que permite um vínculo particular com o Papa e a Diocese de Roma. Geralmente são santuários importantes de peregrinação. Este é o caso do templo juazeirense que teve início numa humilde capelinha construída pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro em 1827. Por orientação de Dom Fernando Panico a Basílica Menor de Juazeiro do Norte poderá ser citada abreviadamente: “Basílica-Santuário de Nossa Senhora das Dores”.

ELEIÇÕES 2008: Eleição de vereador depende do quociente eleitoral


Em 5 de outubro próximo, eleitores de todo o Brasil irão às urnas para escolher o prefeito e o vice-prefeito de cada cidade, além dos representantes da Câmara de Vereadores. Apenas nos municípios que possuem mais de 200 mil eleitores há possibilidade de segundo turno, dia 26 de outubro, para a escolha do prefeito. A Lei das Eleições (Lei 9.504/97) prevê um segundo pleito se nenhum candidato conseguir a maioria absoluta dos votos — 50% mais um — no primeiro turno.
Na eleição para prefeito e vice-prefeito adota-se o princípio majoritário, assim como na escolha de presidente da República, governadores e senadores. De acordo com este princípio, será considerado eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos (sem contar brancos e nulos), como prevê o artigo 3º da Lei das Eleições.
Para a escolha dos vereadores é utilizada a eleição proporcional, como no pleito para deputado federal e estadual. Neste sistema, não é necessariamente eleito quem consegue mais votos. Para elegerem-se, os candidatos dependem do quociente eleitoral e partidário.
Quociente Eleitoral
Só poderão concorrer à distribuição dos lugares na Câmara Municipal, os partidos e coligações que alcançarem o quociente eleitoral — resultado da divisão do número de votos válidos (todos os votos excluídos brancos e nulos), pelo de lugares a preencher no Legislativo local. De acordo com o artigo 111 do Código Eleitoral (Lei 4.737/65), se nenhum partido ou coligação alcançar o quociente eleitoral, até serem preenchidos todos os lugares, serão considerados eleitos os candidatos mais votados.
Na última eleição para vereador, em 2004, por exemplo, o maior quociente eleitoral foi da cidade de São Paulo: 108.308 votos. Ou seja, para eleger um vereador, o partido ou coligação teria que conseguir, no mínimo, essa quantidade de votos. Foi por causa do quociente eleitoral que, no último pleito municipal, na cidade do Rio de Janeiro, um vereador com 6.827 foi eleito, enquanto outros com mais de 16 mil votos não saíram vitoriosos.
Quociente Partidário
Os partidos elegem a quantidade de candidatos que o quociente partidário indicar. Para chegar à quantidade de cadeiras que cada legenda ou coligação terá, ou seja, o quociente partidário, divide-se o número de votos que obteve pelo quociente eleitoral. Quanto mais votos a legenda ou coligação conseguir, maior será o número de cargos destinados a ela. Os cargos devem ser preenchidos pelos candidatos mais votados do partido ou coligação.
Com os quocientes eleitorais e partidários pode-se chegar a algumas situações. Um candidato A, mesmo sendo mais votado que um candidato B, poderá não alcançar nenhuma vaga se o seu partido não alcançar o quociente eleitoral. O candidato B, por sua vez, pode chegar ao cargo mesmo com votação baixa ou inexpressiva caso seu partido ou coligação atinja o cociente eleitoral.
Quando sobram vagas, mesmo depois de preenchidos os quocientes partidários, faz-se uma nova conta, chamada de cálculo de distribuição das sobras com base no artigo 109 do Código Eleitoral. Para esta distribuição utiliza-se a votação válida de cada partido que já conquistou vagas, dividida pelo número de vagas obtidas no quociente partidário, mais um.
Cadeira de vereador
O número de cadeiras disponíveis na Câmara Municipal é proporcional ao número de habitantes, de acordo com o artigo 29, inciso IV, da Constituição Federal. Para municípios de até um milhão de habitantes, por exemplo, haverá o mínimo de nove e máximo de 21 vereadores.
Em agosto de 2004 o Supremo Tribunal Federal definiu que os municípios têm direito a um vereador para cada 47.619 habitantes (Recurso Extraordinário 197.917). A decisão e os critérios que estabeleceu foram firmadas no mesmo ano, na Resolução 21.702/2004 do TSE.

Fonte: http://blogdeiguatu.blogspot.com/

Brasileiros acreditam que a corrupção é maior nas câmaras municipais



Patrícia Aranha
Estado de Minas

Os vereadores estão na berlinda. O brasileiro acredita que a corrupção, um dos grandes problemas do país, está mais presente nas 5.552 câmaras municipais. Depois delas, no ranking dos ambientes mais corruptos estão a Câmara dos Deputados, as prefeituras e o Senado. Apesar dos escândalos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a Presidência da República vem em oitavo lugar, atrás também das pessoas mais ricas, dos governos estaduais e dos empresários.
Os dados são da pesquisa encomendada pelo Centro de Referência do Interesse Público (CRIP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ao instituto Vox Populi e que será discutida em 4 de setembro num seminário onde também será lançado o dicionário A corrupção: ensaios e críticas, patrocinado pela Fundação Konrad-Adenauer, com artigos de 61 pesquisadores e mais de 400 páginas.
Proximidade
No levantamento, feito com recursos da Fundação Ford, foram ouvidas, em maio, 2.421 pessoas, em 139 municípios, desde localidades pequenas como Novo Horizonte do Oeste (RO), com 9,6 mil habitantes, até o berço do sindicalismo, São Bernardo do Campo (SP), com 780 mil habitantes, além das capitais. Um dos coordenadores do CRIP, o cientista político Leonardo Avritzer, acredita que as câmaras e prefeituras foram identificadas como ambientes mais corruptos porque estão mais próximas da população. “Não quer dizer que as outras instituições são menos corruptas, mas que a percepção é maior no nível local”, avalia.
Reflexos dos escândalos
A pesquisa revela como o brasileiro se comporta em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de 77% considerarem a corrupção como um problema muito grave e mais da metade (54%) avaliar que ela aumentou muito nos últimos anos, quando perguntados se a elevação está relacionada ao governo Lula, apenas 17% respondem que sim. Três quartos dos entrevistados (75%) repetem o bordão do governo, de que o que houve não foi elevação da corrupção, mas maior apuração dos casos escondidos. Apesar da aparente incoerência, as respostas se relacionam com outras sondagens de opinião pública, feitas durante os maiores escândalos do primeiro e segundo mandatos de Lula, que mostravam o chamado “efeito teflon”, ou seja, que nenhuma denúncia colava na imagem do presidente.A pesquisa constata o reflexo de uma maior exposição dos escândalos na mídia. O caso do ex-presidente do Senado Renan Calheiros, que entre outras denúncias foi acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista e de usar laranjas na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas, é mais lembrado pela população do que o do metrô de São Paulo, que envolve propina e mortes, mas ocupou menos páginas de jornais. “O caso Renan é grave, mas não levou a mortos, nem teve um volume de recursos supostamente desviado como o do metrô paulistano”, lembra o cientista político Leonardo Avritzer. O brasileiro avaliza o papel da mídia: 87% dizem que ela está atenta aos casos de corrupção e 60% acham que ela age de forma imparcial.Gravidade
O levantamento UFMG/Vox Populi revela que o brasileiro percebe a corrupção como algo mais grave quando praticada por alguém eleito para defender os seus direitos ou que recebe salários pagos pelo governo. Quase a metade (45%) dos entrevistados acha que o ato que prejudica o Estado é mais corrupto quanto feito por funcionário público ou político. A imagem do alto escalão do governo é ruim perante a população. Nada menos que 48% dos entrevistados acreditam que a maioria dos que ocupam altos cargos no governo aceitariam entrar num esquema de desvio de verbas públicas se fossem convidados, enquanto outros responderam que a metade se corromperia. Apenas 14% disseram que uma minoria seria seduzida.
O brasileiro tende a ser mais tolerante com os desvios feitos pelos que são iguais a ele. Um policial que usa seu poder para tirar vantagem ou dinheiro de alguém é mais malvisto do que alguém que paga um funcionário público para agilizar a papelada numa repartição.

... São Caymmi desconfiaria



Bob Fernandes



Dez e meia da noite. Mais uma vez no maravilhoso estádio Ninho de Pássaro, agora para saber quem é o homem mais rápido do mundo, o vencedor dos 100 metros rasos. Pela manhã, com 21s30, César Cielo entrou para a história da natação e do esporte brasileiro ao se tornar o atleta olímpico mais rápido do mundo nos 50 metros nado livre.
Usain Bolt, marrento, simula disparar uma flecha- que seria ele mesmo- três minutos antes do início dos 100 metros, a prova mais importante do atletismo mundial. Vai começar. O estádio emudece. Tiro disparado, um oooohhhh em uníssono percorre as arquibancadas, Bolt larga atrás. Mas a 10 metros da chegada, já desconectado do segundo pelotão, o jamaicano diminui o ritmo, bate no peito e comemora os 9s69, o ouro e o recorde mundial.
Estamos em frente à linha de chegada, jornalistas se entreolham, se espantam com a facilidade, em especial com a diminuição do ritmo para a comemoração antecipada. O homem mais rápido do mundo sapateia, dança, dispara flechas imaginárias e inicia a volta olímpica.
Imperdível, risível, a dúzia de privilegiados fotógrafos que trabalha dentro da pista a tentar alcançar Bolt. Máquinas, lentes e abdomens a sacolejar no rastro das largas passadas do velocista, que busca sua torcida e a bandeira da Jamaica.
Diante das câmeras e lentes, Usain Bolt começa a faturar seus milhões de dólares. Bandeira às costas, segura as sapatilhas douradas, uma em cada mão. Quem filmar ou fotografar o jamaicano nos instantes seguintes à vitória espalhará uma mensagem pelos quatro cantos da Terra: quem calça o humano mais rápido do mundo.
Ver quem são os homens mais rápidos do planeta na água custou caro, muito caro neste sábado, 17. Na sexta-feira a polícia chinesa havia prendido 110 cambistas. Em vão. Vai cair na piscina, para nadar os 100 metros borboleta, o anfíbio que todos querem ver quebrar o recorde de Mark Spitz, 7 medalhas em Munique/72: Michael Phelps, norte-americano como Spitz.
Nas cercanias do Cubo d’água, a disputa por ingressos no câmbio negro. Brasileiros na batalha. César Cielo, cheiro de ouro, vai nadar os 50 metros. Felipe Viera, jornalista gaúcho, resolve pagar pra ver.
Em Porto Alegre, Felipe Vieira tem programas na Band AM, Band News e Band TV. Ele está em Pequim por conta própria, por amor aos esportes e à aventura. Paga ingressos do seu bolso. Sempre no câmbio negro. O colorado, que foi ao Japão ver o Inter sagrar-se campeão do mundo, já é chapa dos cambistas.
A coisa não está fácil. O cambista, inglês, percebe a camisa verde-amarela de Felipe, e sabe que há um brasileiro nas finais da manhã. Pede US$ 600. Felipe regateia mas pensa em pagar. Quando vai meter a mão no bolso, surge um irmão do Norte e pergunta quanto é. O cambista aponta o orecchione Phelps no telão e comunica, sereno: “Mil dólares”.
O norte-americano entrega dez Franklins e pega o ingresso. Felipe, saliva e pergunta: “Tem mais um?”. Resposta: “Tenho, o último, por mil dólares”. O norte-americano que quer assistir Michael Phelps se tornar lenda paga mais mil e leva o último ingresso, para um amigo.
-Não deu, amor, mil dólares… -, desabafa Felipe para a namorada, Allessandra. Ela, em Petrópolis, Porto Alegre, encontra a solução. Felipe Viera, que queria tanto ouvir o hino nacional e ver a bandeira brasileira subir no pódio, acompanha a vitória de Cielo pelo telefone. Lá em Porto Alegre a namorada Allessandra aumenta o som da tevê enquanto Felipe, solitário em frente ao Cubo d’ água, gruda o ouvido no celular. César Cielo é o primeiro ouro do Brasil em Pequim.
Phelps se torna lenda. Nos100m borboleta faz 50s58 e bate o sérvio Mirolad Cavic, que até o último dos seus dias pensará no que perdeu, no que deixou de ganhar. Cavic chegou à borda da piscina à frente, mas vacilou. Phelps, aos 23 anos, tocou a unha antes e por um centésimo de segundo ganhou seu sétimo recorde e ouro.
O recordista de medalhas olímpicas até então estava em Detroit (EUA), onde um dos filhos jogaria basquete neste sábado. Mark Spitz, magnânimo aos 58 anos, resumiu a ópera: “Michael foi épico”.
Um dia para a história dos homens mais velozes nas pistas e piscinas. Usain Bolt dispara suas flechas, exibe suas sapatilhas, dança enquanto o telão do Ninho de Pássaro reprisa a vitória do homem mais rápido do mundo.
Penso na notícia recebida há pouco. Aos 94 anos morreu Dorival Caymmi, mestre da música brasileira. Dele se dizia ser o criador de um novo modo de viver a vida, de se medir o tempo. Existiria um tempo lento, um outro muito lento, e um ainda mais lento, o de Dorival Caymmi. Reprise no telão. Bolt, disparado… tão rápido que São Caymmi desconfiaria.


Fonte: blogbobfernandes.blog.terra.com.br

sábado, 16 de agosto de 2008

Album da semana



Laura, Gesilda e Olga em comício de Geraldo
- eleições 2004 -

Comicio de Geraldo
- eleições 2004 -


Reginaldo Arruda e Adélia


Blandina


Comicio de Geraldo
- eleições 2008 -


Comício Leilton
- eleições 2008 -


José Estolano
Goiania


José Estolano e descendentes
Goiania


Faquito e Fátima Lemos


Francisco Humberto
- filho de Sebastião Baraúna e Dorinha -
São Paulo

Jairlan Alves


Maria da Paz


Torres Neto e Michelle Jorge

O verdadeiro cearense

LEI Nº 6.969, DE 16 DE FEVEREIRO DE 1999.
Dispõe sobre os direitos e deveres do cidadão cearense.

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Artigo 1º - Considera-se cearense, para os efeitos desta Lei, todo e qualquer cidadão que se encontre em pelo menos uma das seguintes situações:

a. Ser nascido em território alencarino;
b. Ter residido no Ceará por período superior a 10 (dez) anos, clandestinamente ou não;
c. Ser filho (a) de pai ou mãe cearense com pulso suficiente para incutir-lhe características típicas do 'cabeça-chata' e 'cabra-macho'.
Parágrafo Único - Aos demais brasileiros e aos estrangeiros com residência permanente no Ceará, se houver reciprocidade em favor de cearenses, curtirem um gato-vei e uma colonial limão, serão atribuídos os direitos inerentes ao cearense.
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS
Artigo 2º - Todo cearense tem direito à água, farinha, rapadura e um gato-vei.
Artigo 3º - Todo cearense tem o direito de escutar o seu forró no último volume sem ser importunado por aqueles que teimam em dormir.
Artigo 4º - Todo cearense tem o direito de permanecer em casa em dias de chuva ou de baixa temperatura.

Parágrafo Único - O cearense pode retornar às suas atividades normais quando a temperatura do local estiver nos padrões vigentes do seu 'habitat' natural (algo em torno de 32º C).
Artigo 5º - Todo cearense tem direito a rir e a fazer piada em qualquer local, até mesmo em cemitérios e salas de aula, e em qualquer situação, inclusive barroada de trem e solenidades de enterro.
Parágrafo Único - O cearense pessimista e mal-humorado será sumariamente excomungado, expulso e expatriado.
Artigo 6º - Todo cearense deve ser reconhecido não somente pela sua privilegiada cabeça mas também pela sua coragem, determinação, dedicação e senso de superação.
Artigo 7º - Todo cearense tem o direito de migrar para qualquer parte do país ou do mundo sem ser chamado de 'paraíba' ou 'baiano'.
Parágrafo Único - O termo a ser usado como tratamento de cearense, além do já tradicional 'cabeça-chata', é 'cearense'. 'Cabra Macho' ou 'Cabra da Peste' também podem ser usados, em casos excepcionais.

CAPÍTULO III
DOS DEVERES

Artigo 8º - Todo cearense tem o dever de divulgar o linguajar típico de sua região.
Parágrafo Único - O cearense deve estimular o uso de expressões como: 'oxente', 'meu bichim', 'arriégua', 'pai d'égua', 'vixe Maria', 'macho' , 'gato-vei', 'queima raparigal' e outras do gênero.
Artigo 9º - O cearense tem o dever de receber em sua casa qualquer cidadão, independentemente de procedência, sexo, raça, religião ou time de coração, e tratá-lo com a hospitalidade típica do alencarino.
Parágrafo 1º - O cearense deve servir aos seus hóspedes somente comidas típicas da Região, tais como: sarrabulho, buchada, panelada, baião-de-dois, farofa, tapioca e canjica, tomando as devidas precauções para que, sob qualquer hipótese, ele não deixe sua residência de barriga vazia.
Parágrafo 2º - Em caso de desentendimento grave com o hóspede, o cearense deve abandonar provisoriamente a sua casa em prol do visitante, até que se resolva a pendenga.
Artigo 10º - O uso de rede é obrigatório ao cidadão cearense, mesmo nos dias de baixa temperatura.
Parágrafo 1º - O uso de pinico é permitido em caso de o banheiro situar-se distante do local da rede.
Parágrafo 2º - A rede pode ser utilizada por mais de um cearense, desde que a pesagem total dos ocupantes não ultrapasse 6 (seis) gato-veis.
Parágrafo 3º - Aceita-se que o cearense não tenha cama em casa, mas é inaceitável a falta dos armadores de rede.
Artigo 11º - Todo cearense deve lavar a sua honra em caso de ofensa ou destrato oriundos de terceiros.
Parágrafo Único - Para cumprir o disposto neste artigo, o cearense pode utilizar-se de qualquer artifício, inclusive tabefe, unhada, cocorote, puxão de cabelo, baladeira, peixeira e tiro de espingarda.
Artigo 12º - Todo cearense deve ter no mínimo cinco filhos, permitindo assim a natural preservação da espécie.
Parágrafo 1º - Fica o cearense proibido de se desesperar com o aumento da prole, sendo-lhe permitido rezar a Padim Ciço e lembrar de um ditado típico da Região: 'Onde come um, come dez'.
Parágrafo 2º - O cearense deve manter a tradição de ser criativo na escolha dos nomes dos 'cumedozim de rapadura', e até mesmo aceitar a ajuda dos vizinhos para tanto. No mínimo, a prole deve ter nomes combinando, de preferência começando com a mesma letra.
Artigo 13º - Revoga-se qualquer disposição contrária ao disposto nesta lei.
(Enviado por Flávio Lúcio)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Sábado em queda livre


(Na biografia de Padre José Coringa, ao centro, na foto, informações para a memória da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Ipaumirim)

AUTO BIOGRAFIA DO PADRE JOSÉ CORINGA

Pe. José Coringa, nasceu no dia 29/12/1940 no sitio Rebolão, em Santana dos Garrotes, na época, Município de Piancó-PB.
Batizado no dia 18 de abril de 1941 na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Itaporanga – PB, pelo cônego Manoel Firmino Pinheiro.
Crismado com idade de 13 anos na Matriz de Senhora Santana por Dom Zacarias Rolim de Moura, em Santana dos Garrotes.
Chegou no Ceará em 1960 em companhia do padre Chagas Barros, na cidade de Icó; como sacristão do padre Chagas morou na Betânia, na paróquia de Mombaça por 6 meses, depois mudou-se para o Crato. Trabalhou como servente de limpeza no Seminário São José durante 4 meses; mudou-se para o Hospital São Francisco de Assis como Atendente de enfermagem na companhia do Monsenhor Rocha de Oliveira. Neste período iniciou o curso primário no grupo Escolar Alexandre Arrais; depois foi morar em Campos Sales como Sacristão do Padre Newton Holanda Gurgel, e lá cursou o Exame de Admissão Ginasial no ginásio Padre Ibiapina daquela cidade. Voltando para o Crato, não foi mais aceito pelos padres; passou a residir no Sitio São José, na residência do seu Zeca Esmeraldo, matriculou-se no colégio Estadual Wilson Gonçalves por intermédio da dona Neriam Abat esposa do Dr. Elisio Abat.
Durante seis meses enfrentava um percurso pedestre à noite do Colégio Estadual ao Sitio São José de ida e vinda das aulas.
Nas férias do meio do ano o Reitor do Seminário saiu de férias e o Vice-reitor mandou buscar numa Rural e entregou um cargo de cuidar do gado, das ovelhas e dos porcos do Seminário; por ter boa reputação no currículo Vetai, logo foi convocado a trabalhar na casa de Saúde psiquiátrica Sta. Tereza do Crato. Como atendente de enfermagem. Foi atendente do padre Aldemir, Pe. David, Pe Newton, Pe. Luiz Antônio, Pe. Manoel Carlos de Morais, Pe. Antônio Gomes de Araújo, do famoso Benemar de Farias Brito e do Sr. Augusto Moreira.Em 1976 terminou o 2º grau sendo reprovado, indo a recuperação com mais 5 colegas na matéria de inglês precisando de um dez. no dia da prova o professor faltou sem justa causa e o diretor deu por aprovado todos os 6 recuperáveis; talvez o único dez tirado neste colégio.
Durante esse percurso enfrentou varias provações; foi Vicentino, promoveu varias atividades sociais, como roçado, mutirões e outros; participou de Vários congressos de Enfermagem, Vicentinos, eventos na Sé catedral do Crato, movimentos de Juventudes, curcilhos de Cristandade, inclusive TLC. Conhecendo varias namoradas, enfrentou noivado, chegando a preparar o contrato civil mas antes de preparar o casamento religioso a noiva desistiu, pediu para voltar de novo mas não foi aceito.
No ultimo ano do 2º grau, por ocasião do 4º Encontro de atendentes de enfermagem, da Escola Santa Escolástica do Hospital São Vicente de Paulo de Barbalha, o pregador do Encontro, o Camiliano Padre Olindo Mugnol perguntou: José, porque tu não vai ser padre? A resposta foi: Sou pobre, mas tenho muita vontade.
O padre levou ao conhecimento da congregação e logo em breve chegou uma visita de informação considerando-o como candidato Vocacional.
Pedindo a Carta para egresso nos Camilianos Dom Vicente incentiva-o para ficar no Crato mostrando o contraste das duas realidades: Sul e Nordeste do pais. Entrando em pleno acordo agora enfrenta o Seminário Regional Nordeste I, chegando uma Semana após o inicio das aulas. Isto, em janeiro de 1977.
No período do Seminário participou de vários eventos como: Congresso Eucarístico nacional como membro do Coral 1880. fez parte da equipe de garçom no jantar do Papa João Paulo II no seminário da Prainha, participou da missa celebrada pelo Papa João Paulo II na capela interna do Seminário da Prainha.
No dia 26 de Julho de 1983 ordenação Sacerdotal na Matriz de Senhora Santana em Santana dos Garrotes – PB, por Dom Vicente de Paulo Araújo Mato – Bispo de Crato, de saudosa memória.Em agosto de 83 nomeado vigário paroquial de N. Sra. Das Dores de Assaré como cooperador do padre Manoel Alves Feitosa, quatro meses depois, Vigário substituto do Pe. Baldomiro Rodrigues na paróquia de Santo Antonio em Araripe, 43 dias depois, pároco de Nossa Senhora da Conceição em Ipaumirim e administrador paroquial de São Gonçalo de Umarí.

Em Ipaumirim:

Construção consertos e reforma:
Reforma geral no Relógio da Torre.
Reforma geral na casa paroquial, construção de três banheiros sanitários, construção de mais um dormitório, construção de uma garagem e uma secretaria paroquial. Piso cerâmica na sala de refeitório;
Na capela do Baixio: forro pré-moldado em toda a capela, reforma na sacristia inclusive banheiro Sanitário, substituição de todas as portas e janelas inclusive da torre;
Construção no teto da capela da Jurema, construção da capela de Santo Antonio Sitio Bananeira.
Na paróquia de S. Gonçalo do Amarante, de Umari: Reforma geral no teto da matriz e pintura. Reforma na casa paroquial construção de dois banheiros sanitários na casa.
Reforma na capela do Lagrador: forro pré-moldado e mudança da frente da capela; reforma na capela Pio X: forro pré-moldado, substituição de todas as portas e janelas, construção do Altar. Formação de 31 comunidades com catequese e celebração do culto comunitário..
Permanência em Ipaumirim e Umari foi de 4 anos, 3 meses e 10 dias.

Chegada em Farias Brito 31/01/1988 as 12hs do dia, com uma recepção tendo a presença do Padre Arrais meu antecessor e o padre Mota, Forâneo na época.
Aqui se começou tudo de novo: criar laços de amizade com o povo e ambiente físico para celebração, pois, a matriz velha estava fechada em caráter de abandono e a matriz nova inacabada; toda sem reboco, sem porta na frente, feita de tábua de construção, a fechadura era uma pedra para escorar por um buraco.
Confiando na providencia Divina no auxilio da Imaculada Conceição, iniciou-se os trabalhos visitando o povo e formando comunidade. Em 1989 promove uma Santa Missão Popular com dois irmãos Franciscanos: Frei Olivier, hoje sacerdote Franciscano e Frei Gerser de Saudosa memória. Em 1990 missão com Frei Damião; 2 visitas pastoral com Dom Newton Holanda Gurgel – Bispo Emérito e 2 visitas pastorais com Dom Fernando - Bispo de Crato.
Visita com a Imaculada Conceição em todos os sítios, vilas e distritos da paróquia, visita com Nossa Senhora da Penha do Crato, em todas as vilas e distritos.Visita com Nossa Senhora Aparecida de São Paulo e a replica da Cruz de Ponto Seguro em todos os setores da cidade de Farias Brito; mini-congressos Eucarísticos em todas as capelas da paróquia três dias de adoração perpetua na Matriz; celebração do terço cantado desde o Pai-Nosso, Ave-Maria, Santa-Maria e o glória ao Pai durante 31 noite de um mês de maio alem dos eventos costumeiros. Como natal, campanha da Fraternidade, etc. com uma única finalidade: resgatar a fé do povo.
Chegando aqui, havia apenas uma catequista para toda a paróquia: Dona Telina Jorge de saudosa memória; por sinal, uma mulher muito piedosa que caracterizava a figura “das Santas Mulheres exaltadas nas Sagradas Escrituras. “Hoje, temos noventa e duas comunidades e em todas temos catequistas, onde lá fazemos a 1ª Eucaristia.
Pastoral do Batismo, Pastoral do Matrimonio, Pastoral da Crisma, pastoral com adultos, catequese, além dos movimentos: E.C.C.; A.O; Terço dos Homens; pastoral do dizimo e um bom numero de missionários.
Nestes 20 anos varias reformas foram realizadas: conclusão da Nova Matriz: Torre, piso industrial, a Cúpula, todo reboco, muralha, 90 bancos de cerejeira, capela do Santíssimo e o altar, reforma das imagens e construção de uma casa paroquial. Uma grande reforma na matriz velha ainda a ser concluída porque é quase como refazer de novo; reforma na capela antiga, e dois postes com seis luminárias em frente da nova matriz.
As capelas:
Cariutaba: reforma no teto, forro de pré-moldado, banco de cerejeira, reforma na torre, grade em redor da capela, um som potente, um salão sacristia, doação da reforma no presbitério e no altar, reforma nas imagens, mais de 50 cadeiras plástico e reforma na casa paroquial.
Nova Betânia: Forro pré-moldado na capela; novo reboco; construção de uma bonita torre, banco de cerejeira, mudança de todas as portas e reforma na casa paroquial e os quadros da Via-Sacra.
Umari: Reforma no teto, todo o reboco, todas as portas e a bancada de cerejeira. Já projetado o aumento da capela.
Quincuncá: Reforma no teto, mudança de todas as janelas substituídas por vidros, forro PVC, grades de segurança da capela, reforma do relógio da torre e a bancada de cerejeira sendo aguardado a chegada do pedido.
Capela do Tabuleiro: Mudança geral do teto, troca das portas e reforma da calçada.
Capela de lagoa Seca: Forro de gesso, bancada de Cerejeira e o som.
Capela do Barreiro do Jorge: Forro PVC, reforma do Teto, mudança do reboco, resgate da Via Sacra em pintura, bancada de cerejeira e um som, mais reforma na casa paroquial.
Baraúnas: Construção da capela.Lambedor: Construção da Capela.
Monte-Pio: Ampliação da capela, aumento de outro tanto. Piso Cerâmica, forro de gesso e um novo Altar.
Ainda na Sede montando dois potentes som: um em cada matriz, inclusive bancada de cerejeira na Velha Matriz. Projeto para ampliação do Patrimônio da paróquia.
De tudo isso o que mais alegra no coração do padre é a vitória do reviver a fé desse povo.

Farias Brito 26 de julho de 2008.
Fonte: http://www.blogfariasbrito.com/2008/07/auto-biografia-do-padre-jos-coringa.html


#########

IP com novo site no ar

http://ipaumirimnet.com/site/index.php?page=mural

Produzido por Jhonata Briston, Aelison Barbosa, Edson Lucélio, Benício Albuquerque, Ítalo Iran e Cícero Crispim, o novo site promete novidades. Sucesso!

###############


RECONHECIMENTO PROFISSIONAL

Por Angelina Aragão

A demanda por profissionais formados em serviço social é crescente no país, de acordo com o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). Podemos observar que o maior empregador de assistentes sociais ainda são as prefeituras. A profissão vem crescendo muito, e há uma demanda muito grande por profissionais.
O Ministério do Desenvolvimento Social estabeleceu que todos os municípios devem ter um Centro de Referência de Assistência Social. E a presença do (a) assistente social, junto do (a) psicólogo (a), é obrigatória nesses centros, então praticamente os profissionais só ficam desempregados se quiserem mesmo.
Os NASF’s também já estão sendo implantados nos municípios, através das Secretarias de Saúde, e nestes núcleos também é obrigatória à presença do assistente social. Há municípios, contudo, que ao invés de colocarem o assistente social para coordenar os programas e projetos, põem “cabos eleitorais” e muitas vezes pagam o dobro do que o assistente social.
Emprego sempre tem, o problema é que os salários são muito baixos, geralmente não passam de R$ 1.500, isso para os profissionais sem mestrado. Em algumas prefeituras pode haver salários superiores e outros em torno de R$ 900. Assim, não posso deixar de me manifestar sobre os salários vergonhosos pagos aos assistentes sociais aqui na região do Cariri. Como podemos passar quatro anos dentro de uma universidade para ganhar tão pouco? Aqui em Juazeiro do Norte há a Faculdade Leão Sampaio e agora a ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) com o curso de Serviço Social e em Barbalha também tem uma turma de acadêmicos pela UNITINS (Universidade do Tocantins), é bom lembrar que todas são particulares, e por isso é que custa muito caro para depois de formados (as) esses profissionais se submeterem a salários tão baixos.Ainda não entendi porque a categoria não se uniu para reivindicar um teto mínimo para esse salário. Os municípios não estão dando importância aos profissionais do Serviço Social. É preferível ficar fazendo estágio ou ganhar uma bolsa Lula qualquer.
Pensemos em uma forma de exigirmos coletivamente melhores salários, pois não podemos nos contentar com esse mísero pagamento e ainda ficarmos silenciosamente a sobreviver com pouco mais de um salário mínimo.

Nossa terra, nossa gente

AVÓS EM DOSE DUPLA

Por Cairo Arruda
(membro da ACI e ACEJI)

Como avós, (eu e a esposa Mirian), estamos tendo uma maravilhosa oportunidade de vivenciarmos par e passo, o crescimento, em todos os sentidos, do nosso segundo neto.
É uma sensação muito prazeirosa, poder acompanhar de perto, cada passo que ele dá, porém , é claro, “guardando a distância regulamentar”, para evitar a intromissão indébita de nossa parte, em relação à educação que seus pais, a seu modo, e dentro da maneira deles de pensar, estão dando ao filho.
Vez por outra, a avó (que ainda tem o coração de mãe) quer se afastar da linha certa e de equilíbrio, mas a filha e o genro a chamam a atenção e lhe dão aquele puxavante de orelhas, e ela volta a assumir o seu verdadeiro papel de avó que realmente almeja o bem do neto, passando a agir com a razão e não com o coração.
É uma criança muito inteligente e que, mesmo apesar de ter menos de dois anos, “pega tudo no ar”, exigindo, pois, da parte de todos que com ela convivem, muita vigilância e cuidados redobrados, quanto ao que dizem e praticam, (inclusive da sua babá), no seu dia-a-dia.
Certa feita, estava ela, fazendo uma travessura em suas brincadeiras, e eu por perto a observá-la e a repreendê-la, quando, de repente, pega-me pelo braço, e me leva para o meu quarto (que estava com a porta aberta), botou-me para dentro, e ordenou: “aqui”. Fechou a porta e voltou para o local em que brincava travessamente, coberta de felicidade, toda orgulhosa e senhora da situação.
Como se nota, para a sua idade, faz coisas admiráveis, numa demonstração de que tem tudo para nos orgulhar mais ainda no futuro.
O outro neto, com cinco anos, que mora fora, também é motivo de orgulho para os avós: mesmo apesar de não ser brasileiro (é natural de um país em que o futebol não é o esporte principal), mas, devido à influência dos pais, gosta e pratica o nosso esporte-rei, está frequentando uma escolinha de futebol, com direito a trajar o uniforme azul e amarelo da nossa seleção, para a satisfação dos avós e dos seus genitores.
Por essas e outras tantas coisas que esses dois entes queridos estão aprontando e certamente vão aprontar, daqui para frente, é que dizemos alto e bom som: como é bom e gratificante ser avós em dose dupla!

E-Mail:cairomiri@.yahoo.com.br
##########
Em homenagem a você e Miriam, estou postando uma bela crônica de Rachel de Queiroz
#####
A arte de ser avó

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Rachel de Queiroz

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quarta via

Antecipando o futuro
Paulo Santana
Dois mistérios da mente humana sempre me intrigaram até a perplexidade: os assassinatos cruéis, com tortura, e as mães que ganham seus bebês, enrolam-nos num pano ou papel e os deixam nas portas das casas ou os jogam nas latas de lixo.
Finalmente a crônica que vou publicar hoje, do cirurgião de tórax José J. Camargo, acabou por me solucionar um dos dois enigmas. Ei-la:
“O conhecimento científico tem avançado tão rapidamente nesta transição de século, que a maioria das pessoas, sem tempo para mais nada que não seja a luta pela sobrevivência, não se apercebe que o mundo alinhavado para o milênio que principia é, ao mesmo tempo, provocativo, deslumbrante e aterrador.
Os avanços da biologia molecular, a partir do descobrimento da estrutura do DNA, têm permitido expandir nossos conhecimentos sobre a natureza biológica, os mecanismos de transmissão dos caracteres que definem o ser humano e a esperança, já quase certeza, de um tratamento científico racional para muitas enfermidades.
Há, em contrapartida, crescente inquietude sobre as conseqüências que estes conhecimentos terão para a humanidade, e que problemas éticos teremos que enfrentar.
Desde então há uma certa desconfiança para com a ciência e os cientistas, porque se culpa a ciência pelas novidades que se avizinham e aos cientistas por tê-las feito possíveis.
Dos novos avanços, provavelmente não há nada mais sedutor do que a perspectiva de entendermos nosso comportamento, como somos, e por que fazemos o que fazemos, quando o normal seria que o fizéssemos de outro jeito.
A identificação de uma área específica do cérebro para cada tipo de função permitiu que se conhecesse, por exemplo, uma zona onde está localizado o dicionário da nossa língua materna. Se aprendermos outro idioma, ele ocupará uma área adjacente.
Mas, se por uma circunstância especial (pais bilíngües no caso), a criança for alfabetizada em dois idiomas ao mesmo tempo, os dois ocuparão a mesma e única área da língua materna.
Com os modernos recursos que permitem criar realidades virtuais, foi possível estudar o comportamento das pessoas em situações determinadas, tais como de risco extremo e ameaça de morte. Não é curioso que um poliglota sob situação de risco peça socorro só na língua materna? Como a atitude dos seres humanos está determinada pela sua carga genética (além das vivências infantis, como repetem os psiquiatras), é muito interessante observar o comportamento dos indivíduos em que se pretendeu domar um determinado hábito ou vício. Há poucas décadas, os canhotos eram discriminados e sofriam castigos ferozes para que usassem a mão direita.
Com isso, se produziram milhares de ambidestros, nunca destros verdadeiros. Quando estudadas, se demonstrou que essas criaturas, na privacidade, eram canhotos autênticos, e muito felizes por poderem sê-lo.
Numa publicação recente, da conceituada revista Nature, há um impressionante relato que avança na direção de entendermos comportamentos bizarros. Havia indícios de que um pro gene chamado fos-b tivesse relação com o comportamento.
Quando esse elemento genético foi removido de um grupo de ratas, não se identificou nenhuma mudança inicial de atitude, mas, quando elas pariram e todos os ratinhos morreram porque as ratas simplesmente ignoraram as crias, ficou claro que este é o gene do instinto materno.
Não há nenhuma dúvida de que o próximo século prenuncia alterações radicais na maneira de julgar e principalmente de tratar os distúrbios de comportamento.
Provavelmente em um futuro não tão remoto, ao ser acusada de criminosa uma mãe que abandonou seu filho numa lixeira, se defenderá dizendo:
“Desculpem, mas o meu fos-b não funciona!”. Como não somos mais do que nossa biologia, nenhuma dúvida de que muitos criminosos no presente serão somente pacientes no futuro.
O caminho é longo e as possibilidades infindáveis. Não se tema, no entanto, que, sabendo mais do que somos, se possa reduzir o encanto de viver, aquele que depende do improviso. Provavelmente quando tudo parecer cientificamente destrinchado, ainda seguiremos sem conseguir explicar a garganta apertada pela dor da morte, a boca seca pela espera do filho na madrugada infindável, ou o coração disparado pela proximidade da mulher amada!”

Fonte: http://entrelacos.blogger.com.br/
#######
Os Jogos da hipocrisia
JUCA KFOURI
Não é de hoje que o Movimento Olímpico perdeu seu idealismo. Mas Pequim passa de todos os limites
"POR QUE você não foi para Pequim?", perguntam.
"Porque não quis", respondo. Mais: estou entrando em férias e só volto aqui no dia 21. (Nota do blog: o "aqui" se refere apenas ao jornal...).
Claro que verei a Olimpíada e até comentarei no blog, mas ando cheio de tanta hipocrisia, a começar pela caça aos que são pegos no antidoping por hábitos que só fazem mal e pioram o rendimento.
Não aceito ver essa cartilogem imunda da família olímpica no papel de fiscal dos hábitos da juventude e, ainda por cima, expondo jovens à execração pública, como acabam de fazer com um jogador do handebol brasileiro.
Como não suporto o ufanismo da maior parte das narrações, com as exceções de praxe para os felizardos que podem assinar um canal de televisão fechada, razão pela qual darei uma fugidinha do país para acompanhar Pequim de uma cidadezinha colonial mexicana apaixonante chamada Guanajuato.
Porque passa do limite ver um Carlos Nuzman fazer quase o elogio da poluição ou se jactar pela maior delegação brasileira da história, quando só 12% de nossa rede escolar tem quadras de esporte. Aliás, quanto mais medalhas o Brasil ganhar, mais ficará demonstrado o desvio de sua não-política esportiva, porque privilegia o alto rendimento em vez da inclusão social ou a saúde pública por meio da prática de esportes.
Dá engulhos ver a cartolagem em hotéis de até sete estrelas enchendo a boca para dizer que esporte e política não se misturam, quando nada foi mais político do que escolher Pequim para receber os Jogos, cidade que, além de poluída, é uma capital que se notabiliza por cercear direitos básicos da cidadania.
Tudo por dinheiro, tão simples assim.
Porque a China talvez seja o melhor exemplo, com todas as suas contradições, de como ainda não se achou um sistema razoável, tão óbvias são as mazelas do comunismo e do capitalismo reais.
É claro que verei tudo, é claro que me emocionarei com as vitórias brasileiras, como com a festa de abertura.
É evidente que torcerei para que aconteçam triunfos como nunca, porque tenho a surpreendente capacidade (surpreende a mim mesmo, diga-se) de voltar a ser criança a cada competição em seu apito inicial.
E não é de hoje.
Faço assim com os jogos de futebol lá se vão bem uns 26 anos, depois que se revelou a existência da chamada "Máfia da Loteria Esportiva".
Porque paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.
E se curte.
Sim, eu sei que serei capaz de me comover às lágrimas até com a superação de um atleta que não seja conterrâneo, como já me aconteceu inúmeras vezes.
Mas é preciso que se diga que mais que em Atlanta, quando os Jogos Olímpicos modernos comemoraram cem anos e a Coca-Cola alijou Atenas de recebê-los num crime contra a história, esta edição chinesa é um soco em quem associa o esporte à saúde e à liberdade.
Lamento sentir assim, mas quem viveu a inesquecível festa de Barcelona-1992, cujos equipamentos até hoje são utilizados por quem os pagou, os catalães, além da hospitalidade que recebeu o mundo tão bem, não pode engolir Pequim-2008.
Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Terça poética

AUTOPSICOGRAFIA
(Fernando Pessoa)

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
°°°
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
°°°
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
############
DOR-DE-COTOVELO
(Flora Figueiredo)

Deve ser tratada com dignidade.
Não é virose,
epidemia ou artrose,
nem mesmo falha de envelhecimento.
Independe da idade.
°°
Costuma dar a sensação de um escuro profundo,
onde a luz não chega,
onde a esperança é cega
e nossa estima é o rodapé do mundo.
°°°
Não acredite !
Como esse mal não transmite
nenhum perigo fatal,
poder ser prazeroso o colo de um amigo,
um abraço forte, como abrigo,
uma palavra doce,um cafuné.
°°°

Acima de tudo, que se mantenha a fé.
Muito pior do que passar por isso
é sonegar emoção,
evitar o risco e o compromisso,
esconder-se atrás das grades da razão.
°°°
Quem hoje por amor está sofrendo,
Só por amar, já merece estar vivendo.

#######

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Relaxe...

Um professor perguntou a um dos seus alunos do curso de Direito:
- Se você quiser dar a Epaminondas uma laranja, o que deverá dizer?
O estudante respondeu:
- Aqui está, Epaminondas, uma laranja para você.
O professor gritou, furioso:
- Não! Não! Pense como um Profissional do Direito!
O estudante respondeu:
- Ok, então eu diria: Eu, por meio desta, dou e concedo a você, Epaminondas de tal, CPF e RG nº, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva, inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outras dicações, títulos, obrigações e vantagens no que concerne à fruta denominada laranja em questão, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes, transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar, descascar com a utilização de quaisquer objetos e, de outra forma, comer,tomar ou, de qualquer forma, ingerir a referida laranja, ou cedê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes, e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer natureza ou tipo, fica assim sem nenhum efeito no mundo cítrico e jurídico, valendo este ato entre as partes, seus herdeiros e sucessores, em caráter irrevogável e irretratável, declarando Paulo que o aceita em todos os seus termos e conhece perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando ao caso o disposto no Código do Consumidor.
E o professor então comenta:
- Melhorou bastante, mas não seja tão sucinto…

A boa (e má) gestão municipal

Suely Caldas*

A realidade social de um país melhora quando há persistência em políticas públicas bem-sucedidas, quando um novo governante dá continuidade a programas e projetos iniciados por seu antecessor - sobretudo se os dois rivalizam no embate político -, quando o interesse do cidadão e o progresso econômico e social da população falam mais alto e sufocam interesses partidários mesquinhos e estúpidos. Pesquisas divulgadas nos últimos dias esbanjam comprovações nessa linha.
Não fosse o Plano Real, a estabilidade econômica, as privatizações e regras de regulação que fomentaram o investimento privado, não fosse a Lei de Responsabilidade Fiscal, que enquadrou governantes gastadores, o programa Bolsa-Escola e tantas outras sementes plantadas na gestão FHC, o governo Lula não estaria agora colhendo frutos do crescimento econômico e melhor distribuição de renda.
Imagine, caro leitor, o que teria acontecido se, ao chegarem ao poder, Lula e o PT cumprissem a promessa mil vezes repetida de "acabar com tudo isso que está aí" - que eles nem sequer sabiam o que era? Sem projeto próprio de governo, Lula teve, pelo menos, a sensatez de continuar o que de bom encontrou. Fez a escolha certa, soube aproveitar a onda de prosperidade no mundo e mudou a realidade social do País.
Três pesquisas recentes revelam: 1) a classe média ultrapassou a população pobre e hoje é maioria nas seis principais regiões metropolitanas do País; 2) o crescimento da economia e do emprego com carteira assinada proporcionaram a boa notícia; e 3) o desenvolvimento econômico tem acontecido com maior força em cidades do interior, enterrando o atrasado e o velho fluxo migratório do interior em direção ao eldorado de São Paulo e Rio de Janeiro.
O índice IFDM, criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para aferir o desenvolvimento dos municípios, evidencia o dinamismo econômico e social fora das grandes capitais e comprova uma sentença que a classe política não segue: o dinheiro ajuda, mas competência, eficiência e honestidade são fundamentais na gestão pública. Exemplo de abundância de dinheiro e péssima gestão são os milionários municípios situados em regiões de grande produção de petróleo e que passaram a receber fortunas em royalties com a nova Lei do Petróleo. Deles, o único a figurar entre os 100 municípios de melhor desempenho é Macaé (RJ). Eles estão abarrotados de dinheiro, mas fazem dele uso político, aplicam mal e a população em nada se beneficia. O mais milionário deles, e que deu nome à maior bacia petrolífera do País, Campos dos Goytacazes, recebeu nada menos que R$ 843,8 milhões em royalties em 2007 e a população local continua muito pobre, sem acesso adequado à saúde e à educação; a classe política se dedica a duelos e disputas entre si e não cuida da gestão. No ranking da Firjan, Campos ocupa a vergonhosa 445ª colocação e, entre os municípios do Estado do Rio de Janeiro, estacionou na 17ª posição.
Há décadas, a política local é manipulada pelo ex-governador Anthony Garotinho, cuja mulher, Rosinha Mateus, é candidata a prefeita e teve pedida a impugnação de sua candidatura pelo Ministério Público, que a acusa de inúmeras irregularidades. A população de Campos é vítima de seguidas administrações que usam o dinheiro público para praticar política, intimidar adversários e não aplicam em desenvolvimento, geração de empregos e melhoria de vida das pessoas. Rio das Ostras, que recebe 30% do valor que cabe a Campos, aplicou melhor o dinheiro dos royalties, investiu em desenvolvimento nos últimos dez anos e saltou para o 6º lugar entre os municípios fluminenses mais bem administrados.
Responsável pela pesquisa da Firjan, a economista Luciana Sá explica que não foi possível "investigar a história de cada um dos 5.500 municípios, mas foi possível detectar que manutenção de políticas, constância de programas e foco em saúde e educação são fatores fundamentais para a boa gestão pública municipal".
É o caso de Vitória, capital do Espírito Santo, onde dois aliados políticos - o atual governador, Paulo Hartung, e o deputado Luis Paulo Veloso Lucas - ocuparam a prefeitura por oito anos, implantaram programas sociais, investiram em infra-estrutura, fomentaram o investimento privado e colocaram Vitória na segunda posição entre as capitais, atrás só de Curitiba.
Este ano haverá eleições municipais e a escolha certa do prefeito pode ajudar muito a fazer avançar esse progresso.

*Suely Caldas, jornalista, é professora da PUC-Rio
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO

domingo, 10 de agosto de 2008

PT vai à Justiça contra alianças com PSDB no Ceará


Ilário Marques, presidente do PT no Ceara, está às voltas com uma situação hilariante. O petista ilário protocolou na Justiça Eleitoral meia dúzia de ações contra o próprio PT. Ele tenta melar alianças do petismo com legendas que, em Brasília, se opõem a Lula. Entre elas PSDB, PPS e DEM. O passivo judicial esparramou-se por seis municípios.
O PT estadual guerreia contra o PT municipal nas cidades de Camocim, Uruoca... Granja, Jaguaribara, Ibicuitinga e Independência. Todas nos fundões do Ceará.
Deve-se a revelação ao repórter Vicente Gioielli.

Ouvido, o petista Ilário justificou-se. Explicou que foi repassada uma orientação a todos os municípios do Estado.
Recomendou-se que, “na medida do possível”, privilegiassem as alianças com partidos do consórcio governista: PMDB, PSB e PC do B, por exemplo.
"A maioria disse que acataria”, afirma Ilário. “Naqueles que não acataram, entramos com uma representação para tentar anular a chapa."
Em Camocim, onde o petismo coligou-se a uma chapa encabeçada pelo PSDB, Irmã Luizinha, presidente do PT local, explica o gesto em timbre dramático:
"Se não pudermos subir no palanque com eles, é melhor nem tentar disputar nada. Podemos enterrar o PT de Camocim."
Em Uruoca, onde o PT também deu as mãos ao PSDB, Marcos Moreira, secretário-geral do petismo municipal esgrime justificativa mais prosaica:
"Eu recebi apenas um telefonema de uma pessoa que eu nem conheço, dizendo que não poderia se coligar nem com PSDB nem com DEM...”
“...Como não recebemos nada por escrito, não dei atenção."
Na cidade de Granja, o presidente municipal do PT, Jorge Braga, é candidato a vice-prefeito de uma chapa capitaneada pelo PPS.
"Não fomos informados de nada disso”, diz ele. “Eu quero falar com Ilário para saber exatamente o que está acontecendo. Mas é difícil de falar com ele."
Em pelo menos duas cidades, Granja e Camocim, as representações de Ilário, por hilárias, foram indeferidas pela Justiça Eleitoral.
É provável que o mesmo se repita nas outras quatro. Ainda assim, Ilário não se dá por vencido.
Informa que o PT estadual vai proibir os insurretos de: confeccionar material que associe a imagem do partido à dos rivais; subir em palanques; e usar a imagem de Lula nas campanhas.
"Quem desobedecer sofrerá sanções após as eleições", ameaça o petista Ilário.




sábado, 9 de agosto de 2008

Hoje é domingo no pé do cachimbo



O cachimbo é de ouro
Quer dar no besouro
O besouro é valente
Quer dar no tenente
O tenente é de linha
Quer dar na galinha
A galinha é de Nino
Quer dar no menino...


Quem não conhece essa parlenda que permeava as brincadeiras de infância. Com variações, dependendo da região, fazia parte das nossas brincadeiras no Ipaumirim dos anos 50 e princípios dos anos 60.
Ainda sem TV mas já com rádio de pilha, a noite era nossa correndo pela calçada da igreja e pela praça. Rádio era coisa do dia e antes que chegassem os portáteis, tínhamos que parar para escutá-lo. Eu gostava das novelas de rádio. Mas gostava ainda mais de ouvir Dona Odete recontar os capítulos. Minha mãe mandava pegar a roupa engomada e eu perguntava como andava a novela da época. Ficava fascinada pela sua narrativa recontando os capítulos. Era uma outra novela, com tanta riqueza de detalhes, muito mais interessante que a do rádio.
A noite era da brincadeira na rua. Ip tinha praticamente duas ruas: Rua do Sol e Rua da Sombra com suas poucas transversais. Algumas casas na rua do grupo, outras na rua da Souza Fernandes. E a proscrita Rua da Matança, naquele tempo tão distante de nós.
A calçada da igreja, o largo atrás da sacristia, a praça, o largo da antiga feira constituíam o nosso território.
E tome brincadeira.



Meninos pra um lado, meninas pra outro. Adultos sentados nas calçadas conversavam entre si e ficavam atentos à criançada.
Sonia, de Cirilo Sampaio, era uma das maiores do nosso grupo de brincadeira mas brincava com um gosto que contagiava a todos. Na certeza, tinha uma briga minha com Graça, de Senhor Damião. Como brigávamos. Brincava e brigava. Até por causa de uma boneca dela que tinha um furo na cabeça. Arrancar a touca do bebê era desmoralizar seu filho, insultá-la mortalmente e chamar para uma briga.

Tinha uma brincadeira que se chamava-se Roda de correr, não lembro dos detalhes mas era um pega. Alguém lembra como era? Outra chamávamos Quipa. Dois grupos de sete jogadoras e uma líder à frente (era a quipa), uma frente a outra disputavam a posse da bola. Parece-me que quem perdia as bolas saía do jogo e algumas jogadoras trocavam de lado para disputar com a equipe contrária.
No chicote queimado invadíamos a igreja, atrás dos altares, sacristia, coro, o que estivesse aberto era esconderijo. Maria Lourenço, com sua fala fanhosa ficava uma fera com a algazarra dentro da igreja. Nem sempre a igreja estava aberta mas quando estava era o recanto preferencial também para brincar de se esconder. Nada ficava fora de nossas possibilidades. Do sino ao confessionário, estava tudo dominado..
A macaca, conhecida em outras regiões como amarelinha, era o 10. Riscadas sobre a terra ou com carvão no chão das calçadas e praça era fantástico. Eu adorava mesmo era no inverno quando riscávamos a macaca na terra úmida da chuva.
Quem nunca brincou de "xibiu"? Deve ter um nome mais bonito por aí, mas era assim que denominávamos o jogo de pedrinhas. Eram cinco pedras e vários movimentos. Entre as manobras mais difíceis estava o rapa quando conseguíamos recolher , de uma só vez, todas as pedrinhas distribuídas no chão.
Cabra cega, pular corda, o repertório de brincadeiras era inesgotável. Passar o anel era brincadeira mais tranqüila.

"Sentados numa roda o grupo tira a sorte para ver quem vai passar o anel. Todos devem unir as palmas das mãos e erguê-las na sua frente. Quem ganhou na sorte deve segurar o anel entre as palmas das mãos e passar as suas mãos pelas mãos dos componentes do grupo deixando o anel nas mãos de alguém que ele escolher, mas deve continuar fazendo de conta que continua passando o anel até o último do grupo. Ao final pergunta a um dos participantes onde está o anel? Se este acertar ele será o próximo a passar o anel. Se errar, quem recebeu o anel é que passará, começando novamente a brincadeira."

A maioria das brincadeiras eram coletivas e nos socializavam de uma maneira saudável e divertida. E as cantigas de roda? Entre tantas, você já teve tempo de cantar alguma delas para seus filhos e netos?


Eu Sou Pobre, Pobre


Eu sou pobre,
pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré deci.

Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré deci.

Eu queria uma de vossas filhas,
De marré, marré, marré.
Eu queria uma de vossas filhas,
De marré deci.

Escolhei a qual quiser,
De marré, marré, marré.
Escolhei a qual quiser,
De marré deci.

Eu queria (nome da pessoa),
De marré, marré, marré,
Eu queria (nome da pessoa),
De marré deci.

Que ofício dais a ela ?
De marré, marré, marré.
Que ofício dais a ela ?
De marré deci.

Dou o ofício de (nome do ofício)
De marré, marré, marré.
Dou o ofício de (nome do ofício),
De marré deci.

Este ofício me agrada (ou não)
De marré, marré, marré.
Este ofício me agrada (ou não)
De marré deci.


Lá se foi a (nome da pessoa),
De marré, marré, marré.
Lá se foi a (nome da pessoa),
De marré deci.

Pra terminar :
Eu de pobre fiquei rica.
De marré, marré, marré.
Eu de rica fiquei pobre,
De marré deci.

°°°

Ba,be,bi,bo,bu

(bis)
O ba, be, bi, bo, bu
Vamos todos aprender:
(bis)
Soletrando o b-a-ba
Na cartilha do A, B, C.
(bis)
O (inicial do nome da pessoa) é uma letra
Que se escreve no A, B, C.

°°°
Giroflê, giroflá

Fui passear no Jardim Celeste
Giroflê, giroflá.
Fui passear no Jardim Celeste,
Para te encontrar.
O que foste fazer lá ?
Giroflê, giroflá.
O que foste fazer lá ?
Para te encontrar
Fui colher as violetas,
Giroflê, giroflá
Fui colher as violetas,
Para te encontrar.
Pra que servem as violetas ?
Giroflê, giroflá.

Pra servem as violetas ?
Para te encontrar.
(......)

°°°
Pela ponte das agulhas

Pela ponte das agulhas
todo mundo passa....
Pela ponte das agulhas
todo mundo passa....

As lavadeiras fazem assim....
Tra la la la la la la
As cozinheiras fazem assim...
Tra la la la la la la
(Acrescenta várias situações onde a criançada imitava. Por exemplo., nas lavadeiras imitava as lavadeiras e aí por diante.)
Quando minha filha era pequena que viajávamos para Ip, ela adorava quando eu cantava e fazia as piolhentas..
Uma vez, pesquisando jornais do início do século, encontrei o registro dessa brincadeira. Depois, fiquei brava porque não anotei. Fui ver se achava na internet mas não encontrei, deve ter alguma variante. Encontrei, no you tube, um registro de cancioneiro infantil de Villa Lobos chamado Todo mundo passa onde o refrão tem a mesma sonoridade.( http://br.youtube.com/watch?v=WhGrF2w8FPo)
Tinha as brincadeiras de época. No São João, em volta da fogueira, o ritual de batismo entre madrinhas e comadres era um caso à parte. Pena que eu lembre da brincadeira mas não lembre das minhas madrinhas e comadres de São João.
Tantas outras que devo ter esquecido mas se você lembra, pode mandar contar que o blog publica. Estou falando naturalmente das brincadeiras das meninas. Os meninos também tinham seus jogos mas não perdiam a oportunidade de implicar com a gente.
Mário Prata (http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/o_amor_de_tumitinha.htm) conta que descobriu anos depois que pé de cachimbo, na verdade, era pede cachimbo. Verbo pedir. Pede cachimbo significa que o domingo pede paz, moleza, tranqüilidade. Isso nos tempos que se podia fumar cachimbo sem gente por perto enchendo o saco.

Cada um no seu quadrado

Nada de saudosismo mas comparar as nossas divertidas brincadeiras com os desengonçados refrões de hoje é uma insaninidade. Mas, cada coisa no seu tempo. Cada um no seu quadrado.
( http://br.youtube.com/watch?v=Ktgsn_G59os)