quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

QUARTA VIA

Hoje, optamos por publicar duas entrevistas interessantes, a primeira é mais recente e a segunda, deste século, mas não tão recente. As duas discutem importantes pautas da atualidade.
DIREITO DAS FAMÍLIAS
MONOGAMIA NÃO É UM PRINCÍPIO, É SÓ UM MARCO REGULADOR

Maria Berenice Dias

(por Gláucia Milicio)


Sagrada família, hoje em dia, é apenas um quadro na parede. Aquela composição clássica de papai, mamãe, filhinho e filhinha também é coisa do passado. O que há agora são famílias — no plural — que são resultado de combinações completamente estranhas e inovadoras como as relações homoafetivas e as relações extramatrimoniais, bem como a união estável ou a família parental. Muito confuso? Pois a confusão é ainda maior quando se sabe que toda esta revolução de costumes está se desenrolando sem um marco legal.
É neste vazio de leis que surge o Judiciário, surpreendentemente ativo para ditar caminhos e marcar posições. Com dificuldades próprias de quem está mexendo e removendo crenças e hábitos ancestrais, são os juízes — e não os legisladores, como era de se esperar — que estão construindo o novo Direito de Família, ou o novo Direito das muitas famílias que agora existem.
Neste campo, a desembargadora Maria Berenice Dias, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, é uma das pioneiras e acabou se tornando um símbolo. Do Rio Grande do Sul tem saído as decisões mais avançadas no novo Direito das famílias, conseqüência não apenas da liderança exercida pela desembargadora, como também do modo de trabalhar da corte. “Há mais de 20 anos, o TJ-RS tem câmaras especializadas. E a especialização eleva a qualidade”, diz Berenice.
Vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFam), Berenice acabou se especializando, dentro de sua área de atuação, em um nicho do Direito que por enquanto ainda enfrenta resistências para ser considerado Direito de Família: trata-se do Direito Homoafetivo, que trata dos direitos e das relações entre homossexuais.
Os juízes menos apegados ao passado tendem a reconhecer como uma “sociedade de fato” a união estável de parceiros do mesmo sexo. A desembargadora acha ainda uma decisão atrasada. Para ela, a própria legislação desestimula esta solução quando determina que uma sociedade se estabelece quando as pessoas “se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica e a partilha de seus resultados” (artigo 981 do Código Civil).
Reduzir a essa dimensão comercial as relações de afeto entre duas pessoas, independentemente do sexo delas, é algo como um desastre humano, entende a desembargadora. É difícil discordar da desembargadora, mas os juízes estão apenas tentando se adaptar ao que está escrito na lei. E na Constituição está escrito que “é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher”. Não se prevê a união entre pessoas do mesmo sexo. Quem escancara a união entre pessoas do mesmo sexo é a realidade. E aí, o que fazer? A desembargadora acredita que nestas circunstâncias cabe ao juiz ousar. “O juiz ao manejar a lei não pode ser aquele algoz que pune as pessoas que saem do modelo convencional”, diz Berenice.
O mesmo raciocínio ela aplica para as relações extramatrimoniais. O que fazer quando, na hora de repartir a herança do falecido, se descobre que ele viveu toda sua bela vida com duas famílias? Mesmo porque, diz a desembargadora, “a monogamia não é um princípio, é apenas um norte organizador da sociedade”.
Defender idéias desse tipo tem seu preço. O nome da desembargadora freqüenta com muita assiduidade listas de candidatos a uma vaga no Supremo Tribunal Federal ou nos tribunais superiores. Mas ela não tem, nem nunca teve, ilusões quanto a isso, sabedora que é de que em um alto tribunal vanguardismos desta natureza não são bem vindos.
Maria Berenice é formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde 1971. É mãe de três filhos e já passou por cinco casamentos, “todos heterossexuais”, brincou, sem preconceito, em entrevista à Consultor Jurídico. Participaram da entrevista os jornalistas Aline Pinheiro e Maurício Cardoso.

ConJur — Qual o conceito de família hoje?
Maria Berenice Dias — Não existe uma família. Existem várias. Não é mais aquele modelo que víamos nos cadernos escolares. O pai com o jornal, a mãe com a panela, o filho com a bola e a menina com a boneca. O homem com o jornal, mostrava que tinha de ser mais culto que a mulher; a mãe com a panela, lhe destinava o papel de doméstica; a menina com a boneca já estava sendo adestrada para a maternidade; e o menino com a bola indicava que tinha de ser forte e viril e brincar do lado de fora da casa. Fechando os olhos, nós todos enxergamos este modelo de família.
ConJur — A inclusão homoafetiva seria impossível sem as novas famílias?
Maria Berenice Dias — Seria. Só depois de abrir o conceito de família é possível enxergá-la fora do rótulo do casamento. Não podemos mais falar em família no singular. A própria Constituição já esgarçou esse conceito de família. Existe uma nova realidade, que nem é nova, mas ao menos é uma realidade visível que a gente tem de enxergar.
ConJur — Hoje o juiz tem situações mais complicadas para decidir. Por exemplo, pessoas que têm duas famílias. Essa outra, fora do casamento, pode ser reconhecida?
Maria Berenice Dias — Pode. As duas são entidades familiares. Já há decisões no Tribunal de Justiça gaúcho. Lá tem duas Câmaras que tratam de família, a 7ª e a 8ª. A 8ª Câmara reconhece com muita desenvoltura. Entende que a segunda família é uma entidade familiar paralela. Porque a monogamia não é um princípio, é um norte organizador da sociedade. Até a própria Constituição admite o reconhecimento de filhos fora do casamento. O único problema é que esbarra no reconhecimento de direitos, que a maioria dos estados não reconhece, tem poucas decisões nesse sentido. Recentemente o STJ não reconheceu as famílias paralelas. O juiz ao manejar a lei não pode ser aquele algoz que pune as pessoas que saem do modelo convencional.
ConJur — Qual o procedimento para que essa família seja reconhecida?
Maria Berenice Dias — É muito complicado. O que não pode é essa segunda mulher morrer de fome. O que consigo, infelizmente, é dar indenização pelos serviços domésticos prestados. Quando a Justiça não reconhece a filiação adulterina, as famílias extramatrimoniais, ela está protegendo o homem. A lei é feita pelo homem, e protege o homem.
ConJur — Mas em termos de lei, de legislativo, como é que poderia ser feito o reconhecimento da família paralela?
Maria Berenice Dias — Ao reconhecer os direitos, nós não estamos rompendo este princípio regulador de sociedade, que é a monogamia. Então, se o homem agiu errado, constituiu duas famílias, devemos condená-lo à prisão? A sociedade prefere punir a mulher, mesmo sabendo que não foi ela quem optou por ter uma família paralela, foi o homem. Para mim, não precisava nem mexer na lei. A família paralela é uma união estável, estão presentes as características da união estável.
ConJur — E como fica a questão da fidelidade?
Maria Berenice Dias — Nesta união não existe nenhum dever de fidelidade. Eu não vejo nenhuma justificativa da lei trazer deveres no casamento, porque eles não podem ser cobrados. O fato de o homem ter amante é um problema dele. Ele escolheu viver desse jeito, então tem que pagar por isso, independentemente da mulher.
ConJur — Qual a base de uma família parental?
Maria Berenice Dias — É a família formada independentemente da diferença de graus de parentesco, não é entre um grau e outro grau, a ascendência e descendência. São famílias de parentes do mesmo grau: família de irmãos, família de primos, pessoas que vivem e constituem uma entidade familiar, independentemente da diversidade de graus de parentesco.
ConJur — A família antiga tinha uma organização muito voltada para as questões econômicas. Como se coloca o aspecto econômico neste novo conceito de famílias?
Maria Berenice Dias — Antes a propriedade precisava passar de uma família a outra. Por isso é que existia o regime de comunhão universal de bens. Era exatamente para manter essa característica patrimonial. O patrimônio só poderia ser passado para os filhos com o sangue do patriarca e, para isso, ele precisava ter certeza de que os filhos eram dele. A mulher tinha que casar virgem. O princípio da virgindade nunca foi uma qualidade da mulher, nunca foi valorizada por isso. Só tinha o significado de assegurar ao homem a certeza de que os filhos eram dele e ponto. Mas já houve uma evolução na sociedade.
ConJur — Em que sentido?
Maria Berenice Dias — Eu não vejo o motivo de se prestar mais valor aos aspectos patrimoniais da família, do que aos aspectos afetivos da família. No fundo, família é um núcleo de afetividade, é onde existe um comprometimento mútuo.
ConJur — Em caso de separação, a mãe continua com a prioridade da guarda do filho?
Maria Berenice Dias — O perfil da família brasileira mudou. O homem participa mais no convívio com os filhos. Há uma disputa maior pela guarda filhos e também por uma convivência com eles depois do fim do casamento. Antes, o homem pagava a pensão e, na maioria das vezes, não convivia. Nesse novo viés de família, a convivência é um direito. A ausência dele gera o chamado dano afetivo, sem necessidade de comprovação. Basta o pai não conviver com o filho para gerar esse dano, passível de indenização. O problema da Lei do Divórcio é dizer que, na separação, o filho ficará com a mãe ou o pai, assegurado ao outro o direito de visita. Essa necessidade gera uma disputa e ganhar a guarda do filho é quase um troféu.
ConJur — O que acha da guarda compartilhada?
Maria Berenice Dias — A proposta diz que, na separação, os filhos é que ficam com a guarda compartilhada dos pais. É importante porque ainda há juízes que, por falta de previsão em lei, não reconhecem essa possibilidade, mesmo quando o casal e os filhos queiram. Se aprovada, a lei vai mudar aos poucos a cultura de que a guarda deve ser só do pai ou só da mãe. As pessoas ficam muito inseguras na separação, mas a mudança que a lei propõe é importante para modificar essa concepção.
ConJur — Essa nova concepção depende muito mais da mudança cultural do que de lei, não é?
Maria Berenice Dias — Essa proposta é muito boa e servirá como um marco. Se entrar em vigor, vai funcionar daquele jeito e as pessoas terão de se adaptar. A mesma coisa em relação ao direito dos homossexuais. A Lei Maria da Penha diz que, para efeitos da proteção da lei, independe a orientação sexual. Essa é a primeira norma no Brasil que insere famílias formadas por pessoas do mesmo sexo dentro do conceito de família. Então, para efeitos de aplicação da lei, famílias de mulheres, de transexuais ou travestis também são famílias. A Lei Maria da Penha veio reconhecer esses direitos.
ConJur — O fato de a lei Maria da Penha proteger a mulher e não os parceiros é um problema?
Maria Berenice Dias — É uma solução, porque existe um fato social. Infelizmente muitas mulheres são vítimas de violência doméstica. Quando os homens são alvos de violência, eles também estão protegidos, a legislação os protege. Agora, como a violência doméstica tem esse viés decorrente do sentimento de propriedade e tal, e os números são escandalosos, é preciso ter uma legislação adequada sim.
ConJur — Recentemente, dois episódios tiveram grande repercussão. O caso do Richarlyson, e o outro do juiz que desqualificou a lei Maria da Penha. Essas manifestações radicais refletem a imagem real do Judiciário?
Maria Berenice Dias — Não, esses casos são exceções, mas rezo bastante para que o Judiciário não se manifeste assim. Esse juiz já está sendo processado. Isso leva a crer que o Judiciário estranhou a postura. Não é corriqueiro esse tipo de atitude. Não acredito que seja reflexo do Judiciário.
ConJur — No caso Richarlyson caberia a ação? Ser chamado de gay é ofensa?
Maria Berenice Dias — Com certeza, porque ele foi chamado de uma maneira pejorativa. Da mesma forma que não dá para chamar negro de negro. Isso é crime, ainda que a pessoa seja negra. Chamar homossexual de homossexual tem conotação pejorativa. Ninguém é rotulado de heterossexual, ninguém é ofendido por ser chamado de heterossexual. Está na hora de acabar com todos esses estereótipos porque esses segmentos são alvos de tanta discriminação que eles não conseguem se impor como voz.
ConJur — O conservadorismo dos juízes impede o reconhecimento das uniões homoafetivas?
Maria Berenice Dias — Há uma resistência muito grande em reconhecer direitos aos homossexuais. Isso se vê na Justiça em geral, mas às vezes tem situações de tão escancarado direito que não reconhecer gera injustiça. Ao enxergar as uniões homossexuais só como uma sociedade de fato, os juízes tiram o vínculo afetivo, excluem a natureza sexual desta relação. Com isso, tiram a relação homoafetiva do âmbito do Direito de Família, que é o grande guarda-chuva protetor do cidadão. Dentro do Direito de Família há a possibilidade de se encontrar uma solução dentro do justo. Mas este é um caminhar difícil porque esbarra no preconceito do juiz, que não consegue enxergar aí uma família.
ConJur — Ao reconhecer a relação homoafetiva como uma sociedade de fato percebe-se que já houve um avanço do Judiciário. Mas já há uma abertura da Justiça para enquadrar esta relação como sociedade familiar?
Maria Berenice Dias — Sim. A abertura começou pelo Tribunal do Rio Grande do Sul. Eu sou de lá e estou lutando há muito tempo. Mas já tem alguns estados do país reconhecendo. O último caso de união homossexual reconhecida como entidade familiar é de Minas Gerais, que é um estado conservador. É importante lembrar que se a Justiça não reconhece a união como uma família, não é possível dar direito real de habitação, reconhecer direito sucessório, garantir direito a alimentos. Mas isso está pipocando aos poucos. Já há decisões de Tribunal de Justiça. Os tribunais superiores, no entanto, ainda não se manifestaram, depois que surgiu essa nova postura diante do assunto.
ConJur — A saída pela sociedade de fato gera problemas?
Maria Berenice Dias — Sim. A redação da lei que define a sociedade de fato deixa evidente que a união estável não pode ser considerada uma sociedade. O artigo 981 do Código Civil diz que celebra um contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica. Este é o conceito. Para alguém enxergar a relação de duas pessoas dentro desse conceito, e não dentro do conceito de família, precisa ter uma lente poderosa. Pedir o reconhecimento de uma sociedade de fato é uma maneira de encontrar uma saída sem se comprometer. Há todo um preconceito contra os homossexuais. Por isso, há uma dificuldade para que sejam aceitos como família. Nós temos ainda um conceito de família muito encharcado pela religião. Essa idéia de família — a sagrada família, pai, mãe, filho, crescei e multiplicai-vos — tem toda uma idéia, uma auréola de proteção.
ConJur — Como a Justiça resolve os casos de sucessão nos casos de união extramatrimonial?
Maria Berenice Dias — Até 1994, os parceiros em relações extramatrimoniais não tinham Direito a sucessão, não tinham direito a alimentos. A Justiça perversamente, nunca deu. Mesmo depois da Constituição Federal, que em 1988 disse que eram uma entidade familiar, a jurisprudência não reconheceu. A Justiça continuou chamando de sociedade de fato e as ações continuaram sendo julgadas nas varas cíveis, não nas varas de família. E continuava não dando nem alimento e nem direito sucessório. A Justiça fez uma legião de famintas, porque o patrimônio sempre esteve na mão dos homens.
ConJur — Como está a tramitação do anteprojeto de Estatuto da Família que o IBDFam (Instituto Brasileiro de Direito da Família) entregou no Congresso?
Maria Berenice Dias — O projeto foi apresentado pelo deputado Sérgio Barradas (PT-BA), e a relatora sorteada foi a Rita Camata (PMDB-ES). Ela é uma mulher bem esclarecida e ele é um otimista. Por ele, as coisas são aprovadas muito rapidamente. Acho que vai tramitar, é um projeto viável, mas acho arrojado demais para os nossos parâmetros sociais. Apesar de ser um código da realidade da família de hoje, ele é um código que acho que vai ser entendido daqui a cinqüenta anos.
ConJur — Por que o Judiciário acaba assumindo a função do Legislativo?
Maria Berenice Dias — No meu entender, por falta de compromisso do legislador em fazer a lei que atenda à realidade da sociedade. Eles não estão preocupados com isso. Eles estão preocupados só com sua reeleição. Está muito desvirtuado o nosso legislador, a tramitação, no Legislativo, é horrorosamente morosa. Há um descomprometimento total com qualquer coisa que se tente, se consiga. Eu acho o nosso legislador péssimo.
ConJur — Há um vazio legislativo na área do Direito Homoafetivo. O Judiciário, de alguma maneira, preenche?
Maria Berenice Dias — No vácuo da lei, o Judiciário acaba tendo que enxertar esse vazio, já que ele convive mal com injustiças. Dá para enxergar isso com muita clareza nos casos de concubinatos. A união extramatrimonial ficou à margem do Direito, à margem de qualquer regulamentação por 70 anos. Esta união só foi reconhecida porque o Judiciário, ao se defrontar com o fato, buscou soluções. Como não tem lei, a jurisprudência está começando a construir um verdadeiro ramo do Direito de tutela a essas uniões. Porque eu sempre digo que o fato esbofeteia o juiz, a realidade está ali e ele não consegue negar.
ConJur — Acha que vai demorar para que esse novo ramo seja reconhecido?
Maria Berenice Dias — Não. Em sete anos, desde que eu comecei a trabalhar com relações homoafetivas, nós fizemos o que foi feito em 70 anos em relação às uniões extramatrimoniais.

Revista Consultor Jurídico, 16 de dezembro de 2007
Sobre o autor
Gláucia Milicio: é repórter da revista Consultor Jurídico.
Fonte: http://conjur.estadao.com.br/static/text/62272,1



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FSM - O ponto de mutação já passou - entrevista com Fritjof Capra



Fritjof Capra é o típico teórico do ambientalismo do Terceiro Milênio. Tem um aprofundado saber técnico (é PhD em física quântica, com pesquisas em Teoria de Sistemas Complexos) e dá uma compreensão holística a esses conhecimentos, interpretando-os à luz da ecologia. Mais do isso, Capra, que se notabilizou pelos livros O Tao da Física (1975) e O Ponto de Mutação (1982), coloca a essa disposição intelectual a serviço do engajamento político (“social activism”, como diz esse austríaco de nascimento radicado em Berkeley) e da educação do público nos conceitos da ecologia. Impossível algo mais na linha “Fórum Social Mundial”.
Estas são características compartilhadas por outros professores-autores da militância globalizada: a indiana Vandana Shiva (ecofeminista, opositora dos organismos geneticamente modificados) e o brasileiro Leonardo Boff (que de principal formulador da Teologia da Libertação passou a ser uma espécie de teólogo da vida). Ou seja: Capra forma, ao lado de Shiva, Boff e de outros filósofos mais do que contemporâneos, a comissão de frente dos teóricos das lutas internacionais em defesa da ecologia e contra o capitalismo financeiro global.
Capra utiliza não apenas da intimidade com as letras que transformou seus livros em best sellers internacionais. Também colocou o irmão Bernt para dirigir um roteiro seu e filmou O Ponto de Mutação. No filme, um candidato derrotado à presidência dos EUA (personagem claramente inspirada em Al Gore) e um poeta discutem com o seu alter-ego (uma física arrependida, interpretada pela então gatíssima Liv Ullman) conceitos novos para aquela época que mais tarde integrariam o rol das idéias ambientalistas. Várias dessas idéias ainda embaralham conferências como as de meio ambiente e no Rio de Janeiro (92) e Joanesburgo (2002): desenvolvimento sustentável, novos paradigmas civilizatórios etc.
Capra veio ao Rio, São Paulo e Porto Alegre dar palestras, falar do seu trabalho de eco-alfabetização e assessorar a Petrobras na geração de energia eólica combinada com células de hidrogênio. No meio dessa correria, mostrou como a sua trajetória pessoal também evidencia muito da trajetória de seus pares. E, sem querer, revelou o que talvez os cientistas estejam nos escondendo: a crise ambiental global pode ter ido longe demais para a humanidade voltar atrás.

Pergunta - Por que um PhD em física quântica decidiu pesquisar ecologia e escrever livros como O Tao da Física, Ponto de Mutação e Teia da Vida?
Fritjof Capra ­- Isso tem acontecido com freqüência. Sou parte de uma geração que criou uma grande rede de educadores ambientais e de militantes da mudança social. A maior parte de meus companheiros tiveram duas ou três profissões antes de se dedicarem a esse trabalho atual. É sinal dos tempos. Acredito também que deve haver uma influência da minha juventude. Passei meus primeiros anos numa fazenda, na Áustria, em um ambiente bem rural. Eu, meus irmãos e meus primos trabalhávamos na fazenda e tínhamos de caminhar quatro quilômetros para tomar um trem e chegar à escola de segundo grau. É interessante que hoje consigo desenhar mentalmente um mapa daquela fazenda. E apesar de isso ter se passado há quarenta anos, recordo-me como se fosse hoje a posição de cada árvore, de cada plantação de morangos e de batatas. Isso está marcado profundamente em minha memória. Ou seja: meu amor pela ecologia começou bem cedo, na infância.
Pergunta - Isso significa que os conceitos de desenvolvimento sustentável sobre os quais o senhor escreve hoje em dia começaram a ser pensados naquela época, com as suas experiências pessoais?
FC -­ Fui criado com as motivações e os valores orientados no sentido da observação da natureza. É claro que depois veio meu interesse pela ciência e tornei-me um cientista interessado pela filosofia de Heisemberger, pela física quântica e pelos anos 60 e seus protestos sociais. Tudo isso me fez ficar interessado pela filosofia da física e suas implicações sociais. No final dos anos 70, percebi que poderia usar a física quântica, a teoria da relatividade para entender como novos modelos para a sociedade. Quando falamos de saúde, meio ambiente e economia, falamos de sistemas vivos. Mas, a física nada fala sobre sistemas vivos. Houve então uma mudança, que durou 10 anos, nas minhas áreas de interesse. Fui da física à ecologia. Foi assim que me tornei um educador ambiental e ativista. Já nos meus dois últimos livros (Teia da Vida e Conexões ocultas, este lançado no Brasil em 2002) há muito pouco de física.
Pergunta - Outros cientistas também passaram por transformações tão radicais quanto esta que o senhor relata. Por quê?
FC - Quando você se dedica à física quântica, como eu me dedicava ao estudo da teoria de altas energias, você se debate com questões fundamentais e acaba desenvolvendo a habilidade de observação do mundo. Será que podemos observar o mundo e fazer algo coerente com essa observação? Temos de tentar entender o universo. De onde viemos e de onde veio o universo? E o que temos a dizer sobre tempo e espaço? Eles sempre estiveram ali ou chegaram em um determinado momento? Essas são questões muito profundas. Quando você chega a essa profundidade, você tenta ir tão profundo em outras áreas também. Tal e qual artistas, cientistas também são criativos e por isso entram em outros campos. Mas, essa característica também nos coloca um grande perigo, de nos tornarmos um amador em um campo novo. Eu tento me proteger trabalhando com outras pessoas. Desenvolvi a técnica de criar uma rede de especialistas. Foi isso que fiz no meu segundo livro, O Ponto de Mutação: trabalhei com psicólogos, biólogos, economistas. Mais recentemente, trabalhei com engenheiros, cientistas políticos e designers ecológicos.
Pergunta - O senhor também assessorou empresas?
FC - A primeira vez que assessoro uma empresa é agora, com a Petrobras. Sempre trabalho com pessoas que organizam seminários, aos quais comparecem grupos de três a cinco pessoas, quando colocamos sobre a mesa um determinado tema escolhido pelas próprias pessoas. Geralmente o tema tem a ver com como colocar vida nas organizações e como podemos aplicar a teoria da complexidade às organizações humanas.
Pergunta - Por que grandes corporações como a Petrobras estão interessadas em questões como essas?
FC - Nunca me fiz essa pergunta. Mas, estou feliz por elas estarem interessadas. A minha influência é limitadas aos níveis intermediários das gerências dessas empresas, que são bem hierarquizadas.
Pergunta - O senhor tem trabalhado com eco-alfabetização. O que esse conceito significa?
FC - Há alguns anos, durante um seminário sobre organização ambiental, percebi repentinamente porque há tanta confusão sobre o conceito de sustentabilidade no movimento ambientalista. A sociedade sustentável foi descrita por Lester Brown do World Watch Institute no começo dos anos 80 como aquela que supre as suas próprias necessidades sem exterminar as chances das gerações futuras. Esse é um aspecto bem importante da sustentabilidade, mas não nos diz nada sobre como construir uma sociedade sustentável. E é por isso que há tanta confusão. A questão moral está clara, mas não concordamos com a questão operacional. Como saímos dessa alta atitude moral e chegamos ao nível prático das políticas. Aos princípios da engenharia, por exemplo. É por isso que precisamos de uma definição operacional que começa com a percepção que não devemos começar a construir uma sociedade sustentável do zero. Há modelos na natureza que devemos usar. Ecossistemas são comunidades sustentáveis. Qualquer floresta, qualquer sistema marinho possui uma série de elementos, Eles atuam juntos em um ecossistema que maximizou ao longo de bilhões de anos a sua capacidade de sobreviver. Essa é uma excelente característica da biosfera. Ela sustenta a vida por longos períodos com mudanças complexas. O Sol, por exemplo, teve a sua temperatura alterada, mas a temperatura da Terra não se alterou consideravelmente.
Pergunta - O senhor então defende a idéia de quer é a partir desse conhecimento natural que podemos construir medidas práticas do que seja o princípio moral do desenvolvimento sustentável?
FC - O que precisamos para construir uma sociedade sustentável é fazê-lo de tal forma a não interferir na já provada capacidade de a natureza sustentar a vida. Precisamos entender como isso acontece. É isso que chamo de eco-alfabetização: compreender os princípios básicos da organização de ecossistemas e traduzi-los para comunidades humanas. Essa alfabetização ecológica será um conhecimento crítico em todos os níveis da educação, desde o jardim de infância até a educação profissional. Eu e alguns companheiros construímos em Berkeley, Califórnia, o Centro para Eco-Alfabetização. Neste Centro treinamos professores em ecologia, não como uma cadeira, mas como a espinha dorsal do currículo da escola. Também desenvolvemos projetos ecológicos nas escolas, em casas, nas bacias hidrográficas etc. Quando conversei há alguns anos com o ecologista brasileiro José Lutzemberger e perguntei a ele o que nós, dos países do Norte, poderíamos fazer para ajudar os países do sul, ele disse sem pestanejar: ´volte e eduque o seu povo´.
Pergunta - É possível colocar em prática esses conceitos em um planeta com seis bilhões de habitantes e uma sociedade tão complexa?
FC - Sim. Os ecossistemas também são complexos e funcionam soberbamente. O problema é que pode ser muito tarde para reconhecermos a necessidade da sustentabilidade. Eu decidi não ficar paralisado pelo medo de reconhecer que é muito tarde, porque passaria a trabalhar muito menos e deixaria as coisas ainda piores do que são.
Pergunta - O que o senhor quer dizer com “muito tarde”?
FC - Que podemos chegar a um ponto crítico entre 10 e 20 anos. Podemos chegar a uma situação sem volta. Eu me refiro aos danos causados pelas mudanças do clima, pelo aquecimento global, pela extinção de espécies, que tem sido tão grande que o planeta pode simplesmente nunca se recuperar.
Pergunta - O senhor diz que essa é uma hipótese ou que é algo com probabilidade grande?
FC - Não consigo dizer. Já perguntei a vários especialistas sobre o que eles pensam das chances da raça humana e coloquei suas respostas no encerramento de meu último livro, o Conexões Ocultas. Em vez de especular sobre isso, o que poderia me levar ao desespero, decidi continuar meu trabalho. Temos de fazer como o filósofo comunista italiano Antonio Gramsci: ser pessimistas na percepção do problema e otimistas na ação. O que me dá esperanças é que em meu trabalho com a teoria da complexidade descobri mudanças tremendas em determinados sistemas. E essas mudanças podem acontecer no mundo. Ainda que também possam acontecer para pior, podem também acontecer para melhor.
Pergunta - Como o senhor vê o fato de que aqueles assuntos debatidos em O Ponto de Mutação, há 20 anos, ainda estejam sendo discutidos na conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento realizada no ano passado em Joanesburgo?
FC - Vejo com perplexidade. Estamos no mesmo ponto em que estávamos no final os anos 80. E o que aconteceu desde aquela época? A revolução tecnológica. Houve tremendos avanços que produziram entusiasmo e esquecimento de outras coisas fundamentais, ao mesmo tempo em que se criou uma verdadeira fé no capitalismo global, que é extremamente destrutivo.

entrevista realizada para O Pasquim, gentilmente cedida pelo Jornalista Carlos Tautz - tautz@ecoagencia.com.br © EcoAgência de Notícias, janeiro 2003 - http://www.ecoagencia.com.br.
Quem se interessar pelas idéias de Capra, pode visitar seu site: http://www.fritjofcapra.net/index.html

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

TERÇA POESIA E PROSA

Ser feliz não é pecado
(Martha Medeiros)
Felicidade é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
A felicidade é desprezada por muita gente. A pessoa feliz sofre o preconceito de parecer uma pessoa vazia, sem conteúdo. No entanto, algo ela tem, senão não incomodaria tanto. Será que é porque ela nos confronta com nossa própria miséria existencial?
É irritante ver alguém naturalmente linda, rica, simpática, inteligente, culta, talentosa, apaixonada e, ainda por cima, magra! Essa ninfa nunca ouviu falar em insônia, depressão, dívidas, mousse de chocolate?
Os felizes ainda estão associados ao padrão "comercial de margarina", portanto, costumam ser idealizados - e desacreditados. É como se fossem marcianos, só que não são verdes. Por isso, damos mais crédito aos angustiados, aos irônicos, aos pessimistas. Por não aparentarem possuir vínculo com essa tal felicidade, dão a entender que têm uma vida muito mais profunda.
Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso. Mas também não se culpe, porque felicidade é coisa bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda.
Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
O psicanalista Contardo Calligaris certa vez disse uma frase que sublinhei: "Ser feliz não é tão importante, mais vale ter uma vida interessante". Creio que ele estava rejeitando justamente esta busca pelo kit felicidade, composto de meia dúzia de realizações convencionais.
Ter uma vida interessante é outra coisa: é cair e levantar, se movimentar, relacionar-se com as pessoas, não ter medo de mudanças, encarar o erro como um caminho para encontrar novas soluções, ter a cara-de-pau de se testar em outros papéis - e humildade para abandoná-los se não der certo.
Uma vida interessante é outro tipo de vida feliz: a que passou ao largo dos contos-de-fada. É o que faz você ter uma biografia com mais de 10 páginas.
Se você acredita que ser feliz compromete seu currículo de intelectual engajado, troque por outro termo, mas não cuspa neste prato. Embriague-se de satisfação íntima e justifique-se dizendo que é um louco, apenas isso. Como você sabe, os loucos sempre encontram as portas do céu abertas.
Rita Lee, que já passou por poucas e boas, mas nunca se queixou de não ter uma vida interessante, anos atrás musicou com Arnaldo Batista estes versos:
"Se eles são bonitos, sou Alain Delon/ se eles são famosos/ sou Napoleão/se eles têm três carros/ eu posso voar". Também faço da Balada do Louco meu hino, que assim encerra: "Mais louco é quem me diz que não é feliz".
Eu sou feliz.
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"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"
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CHOPP
(Carlos Pena Filho)

Na Avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O Bairro de Santo Antônio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma
outra, amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

AGUENTA ESSA !!!! MAIS ESSA.......


domingo, 16 de dezembro de 2007

SEGUNDA BEM HUMORADA


Hoje, é pra maior de 18......

Outra de Joãozinho

Joaozinho era um menino muito sapeca.Todos que passavam por ele eram xingados por nomes como: filho da puta, desgraçado, e muitos outros. Um dia, sua mae teve uma brilhante ideia, levar o menino até o vigario para ver se ele parava com essa xingação. O padre estabelece uma regra:
- Toda vez, Joazinho, que você disser um palavrão tem que me pagar 1 real.
Dali um mes, Joazinho chega até o padre e diz:
- Padre, durante este mes falei 49 palavroes e esta aqui uma nota de 50 reais.
O padre diz:
- Não tenho troco de um real.
E Joazinho responde:
- Então o senhor vai tomar no ... que fica tudo certo.

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Bombeiros...

O bombeiro chega a casa e diz à mulher:
- No quartel temos um sistema excelente, com o tocar da primeira sirene juntamo-nos em equipes, com a segunda sirene descemos pela coluna e com a terceira subimos ao autotanque e saímos. A partir de hoje quando eu digo “primeira sirene” tiras as roupas, “segunda sirene” vais para a cama e “terceira sirene” fazemos amor toda a noite.
No dia seguinte o bombeiro chega a casa e grita:
- Primeira sirene!
A mulher tira a roupa, em seguida ela ouve:
- Segunda sirene!
A mulher deita-se na cama e por fim ele grita
-Terceira sirene e começam a fazer amor.
Ao cabo de uns minutos a mulher grita:
- Quarta sirene!
E o bombeiro diz:
- Que raio é essa “quarta sirene”??
E a mulher diz:
- Desenrola mais mangueira porque está longe do fogo!

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Macheza paulista


Estava dois paulistas em um avião voltando para Santos de uma viagem de negócios. De repente, o avião deu uma pane e caiu. Todos morrerm, exceto os dois paulistas. Então, foram a cozinha do avião, para ver se havia sobrado alguma coisa pois estavam morrendo de fome no meio da selva. Por sorte acharam um queijo, daqueles redondos e um chiclete e saíram em busca de socorro. Depois de terem andado quase 20 Quilometros, mortos de fome, um vira pra o outro e diz:
-Vamos comer esse redondo?
E o outro responde:
-Mas quem vai segurar o queijo?

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20 hectares de manga

Um certo comerciante de Juazeiro estava passando por dificuldades financeiras em seu comércio. Consultando um amigo agrônomo sobre o que deveria fazer para sair da situação o amigo aconselhou que vendesse o seu comércio e investisse na agricultura e que que plantasse manga. O amigo atendendo os conselhos do outro, resolveu assim fazer.
Vendeu tudo o que tinha e investiu na plantação de mangas. Plantou 20 Hectares. Na época da safra , a caixa da manga, estava custando R$ 65,00. O comerciante - agora agricultor - ficou felicissimo, afinal sairia da crise financeira. No dia da colheita, a manga despencou o preço, a caixa foi para R$ 5,00. O novo agricultor ficou alucinado. Brigando em casa, querendo espancar a esposa. Quando a mesma retrucou:
- Se foi seu amigo agronômo que lhe colocou nesta enrascada, procure o mesmo para resolver o problema.
Quando o novo agricultor foi a procura do agrônomo, esse o recebeu dizendo:
- Calma, amigo, esse ramo é assim mesmo, pegue aqui R$ 300,00 vá procurar um puteiro, pegue a melhor puta de lá, esfria a cabeça, que você verá que a caixa da manga logo aumentará novamente.
O novo agricultor assim o fez. Mas chegando no puteiro, nada aconteceu, seu pau nao subia nem com a ajuda de guindaste. A putinha jeitosinha, alisando o cara para lá e para cá, perguntou.
- O senhor quer que eu chupe?
Quando ele respondeu:
- Você tá doida???!!!! São 20 hectares de manga!!!

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Tiros gêmeos

Uma mulher grávida de trigemeos, num assalto, leva 3 tiros na barriga e cada bala afeta um dos bebês. Ela foi ao hospital e perguntou ao doutor:
-Doutor, meus filhos vão ficar bem?
-Sim, com o tempo, a bala vai sair de dentro deles, informou o médico
15 anos depois, um dos bebês, já grande, vai ao banheiro fazer xixi e ao acabar corre pra mãe.
-Mamãe, mamãe sabe o que aconteceu?
- O que foi meu filho?
-Fui urinar e saiu uma bala do meu pinto.
-Acontece, meu filho. Um dia te conto essa estória.
Com o segundo menino aconteceu a mesma coisa. Tudo tranquilo até que a mãe houve o grito apavorado do terceiro:
-Mamãe, mamãe sabe o que aconteceu?
-Já sei, meu filho, você foi urinar e uma bala saiu do seu pinto.
- Não, mãe, fui bater uma punheta e matei a empregada.

sábado, 15 de dezembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO


Ao fundo, Vila Lidinha
(Foto enviada por Josecy Almeida)

O ADEUS À VILA LIDINHA
(Josecy Almeida)


19 de julho de 1983, entre nuvens de poeira sucumbia a “Vila Lidinha”. Desaparecia de Ipaumirim um monumento que fez parte da nossa história. Uma residência que não foi somente residência da tradicional família Barbosa; contudo foi palco de grandes festas que mais pareciam espetáculos produzidos e apresentados pelo seu autor – ex-proprietário de saudosa memória – Osvaldo Ademar Barbosa. Pelo seu grande porte nos serviu como sede da Prefeitura Municipal e Associação Atlética Banco do Brasil
(AABB).
“Vila Lidinha”, assim denominada, deixa nas páginas do livro de memórias de cada ipaumirinense, fatos sociais que somente os traços suntuosos da engenharia de Ademar Barbosa pode transcrever diante dos nossos olhos. Acontecimentos inesquecíveis ficaram marcados nos jardins daquela residência. Naqueles degraus, ficaram marcados, para sempre, a imagem esbelta e elegante de quem por duas vezes foi a primeira dama do nosso município – D. Lidinha.
Existiu sempre muita coisa em comum entre a “Vila Lidinha” e Dona Lidinha pois nem sempre os efeitos implacáveis do tempo conseguiram apagar a beleza de ambas. Acredito que a geração mais nova ao ler ou ao me ouvir se sentirá invejosa por não ter tido, como eu, o privilégio de conhecer a “Vila Lidinha” de ontem.
Como sempre, Ademar Barbosa não se contentava com seus momentos de prazer e alegria que lhe eram proporcionados na capital do Estado. A sua satisfação maior era dividi-los com seu povo. E, numa bela manhã, ao ribombar de fogos de artifício, aos acordes de banda de música, sob os aplausos delirantes de centenas de ipaumirinenses, surgiu no último degrau da escadaria daquela residência a fina flor da nossa sociedade - Maria Auxiliadora Barbosa – que com sua graça e beleza exuberante arrebatara o título de Rainha do Algodão do Estado do Ceará. Sob uma chuva de pétalas de rosas descia elegantemente a escadaria e tomava posição em carro aberto. Desfilava pelas ruas de nossa cidade acenando para os seus conterrâneos que se postavam nas calçadas e retribuam o aceno através de calorosas salvas de palmas. Após a alegoria que conduzia nossa rainha, um outro carro aberto com seus genitores, Sua Excia. Prefeito Municipal Osvaldo Ademar Barbosa e Sra. Lídia Abrantes Barbosa. Após o desfile, um verdadeiro carnaval balançava as colunas da bela residência que, hoje, impiedosamente o homem atira ao chão.
Hoje, a “Vila Lidinha” é despojada dos nossos olhos, mas não das nossas lembranças. Dezenas de pessoas foram atraídas àquele local, alguns curiosos para se divertirem com o show agonizante das paredes que eram obrigadas a desaparecerem entre ruínas; outros, como eu, foram fotografar na memória e levar seu último adeus ao belo casarão. Ontem, tão bem zelado, suas paredes pintadas e decoradas com quadros que eram verdadeiras obras de arte; hoje, simples amontoados de terra.
Cada tábua, cada tijolo, cada grão de areia estão marcados pelas mãos de seu arquiteto Ademar Barbosa que pelo trabalho, sua coragem, sua perspicácia e humildade soube perpetuar seus gestos no coração de cada ipaumirinense.
Quase nada resta no local a não ser uma enorme cratera para dar passagem a um majestoso edifício – BANCO DO BRASIL. Mas ali ainda existem duas vidas indefesas. Nada fizeram e estão condenadas à morte. O homem com suas serras afiadas já delimitaram o local onde ambas tombarão sem vida. Duas árvores que foram plantadas e regadas por duas mãos finas e delicadas, duas mãos que embora sejam de uma senhora de requinte também é uma devotada dona de casa e jamais dispensou suas tarefas domésticas. Estas árvores estão com seus dias contados. Estes dois seres não podem pedir socorro e não sabem demonstrar a angústia da morte àqueles que ainda procuram suas sombras. Elas que, no alto, embelezaram por muitos anos a nossa cidade serviram de abrigo aos senhores bancários e amigos que se deleitaram tomando sua cervejinha gelada. Por que ignoram os últimos acontecimentos? Ninguém se manifesta. Elas estão lá, sempre muito verdes, com o vento embalando suas folhas. Alguns pássaros, em forma de despedida, gorjeiam de galho em galho como se quisessem despedir-se de folha por folha. Eles estão chorando, eu sei; eles choram os últimos momentos destas que carinhosamente sempre lhe davam pousada.
Com a voz embargada, a mão trêmula, mas com a consciência do dever cumprido, deixo o meu adeus sofrido a saudosa “Vila Lidinha”.

Josecy Almeida, 20/07/1983



Conexão IP


Registramos o casamento civil, hoje, de Jano Cleyson e Kália Rosana, filha de Rocemar Farias e Lindalva Jorge. Aos noivos, votos de felicidade e longa vida em comum.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

SÁBADO EM QUEDA LIVRE


Comentário sobre o artigo "Com quanto equívocos se faz um dilema?"

Cara irmã em Cristo, Luiza.

Hoje tomei conhecimento sobre o artigo “COM QUANTOS EQUÍVOCOS SE FAZ UM DILEMA?” publicado no seu blog e resolvi colocá-la a par da questão, que foi tratada de maneira equivocada no que diz respeito a “imobilidade da Paróquia”, conforme está expresso a partir da linha 17 de baixo para cima:
“E a paróquia, por que não se move? Por que fica estática em vez de estar ao lado dos fieis exercendo uma mediação para buscar resolver o conflito a contento?”
Em primeiro lugar, quando recebi a notificação, fiz os mesmos comentários e críticas ao DERT que nunca tinha se pronunciado contra aquele arco. “Por que, só agora, eles estavam notificando?”. Depois, questionei a estrutura da rodovia que além de não oferecer segurança por falta de acostamento, ainda tem a problemática da ponte estreita, como você bem frisou. E ainda questionei o fato de o DERT ter colocado as faixas de sinalização sem que tenham recapeado a rodovia. Neste caso, que não aparece bem nas fotos tiradas ao longe, encontramos a rodovia cheia de lombos, por conta do tratamento que eles chamam: “operação tapa buraco”. Coisa que fazem com muita terra e pouco asfalto. Deste modo, constatamos quando depois de 2 ou 3 meses, no máximo, os buracos voltam todos à tona.
Em segundo lugar, no mesmo instante em que o fiscal do DERT saiu daqui da casa paroquial, eu fui pessoalmente tratar o problema com o prefeito em exercício que, depois de mandar tirar uma xerox da notificação, me garantiu que ia cuidar do caso. Fiquei aguardando sua posição até que a vereadora Joselba mandou me pedir, por Célia da Vila São José, uma cópia desta notificação.
Então fiquei mais tranqüilo, já que duas forças tinha se unido à nossa causa. O tempo foi passando, mas não obtendo resultados positivos de nenhuma das partes, resolvi tomar as providências, imprensando assim o meu tão corrido tempo, pois, como sabes, eu cuido de duas cidades numa mesma paróquia e ainda mais estávamos em fase de preparação da Festa de Nossa Senhora da Conceição.
Na segunda-feira, dia 03 de dezembro de 2007, fui ao DERT de Iguatu, levando comigo a original da notificação, fotos do arco e da ponte, com as devidas metragens de ambos e mais a cópia da Lei Estadual 13.327, de 15 de julho de 2003, publicada no Diário Oficial do Estado, Série 2, Ano VI, Nº 135, em, 18 de julho de 2003, página 2. Confira no link:
http://imagens.sead.ce.gov.br/pdf/20030718/do20030718p01.pdf#page=2
Como podes constatar, eu fiz aquilo que estava ao meu alcance, mas compete, em primeiro lugar, aos integrantes do poder público do nosso município, já que eles foram eleitos para defender a causa de todo o povo. E isso não é uma coisa extraordinária para eles, visto que existem interesses mútuos de se resolver a questão e de que prevaleça a vontade de todos nós.
Aproveito para partilhar o bom rendimento espiritual da Festa de Nossa Senhora que teve na sua temática: “Maria, primeira discípula e missionária de Jesus Cristo” um apelo a todos nós batizados para assumirmos verdadeiramente a nossa vida cristã. A temática esteve em concordância com o projeto de evangelização das Santas Missões Populares assumido pela nossa Diocese de Crato. A cada noite as pastorais e movimentos eclesiais que se responsabilizaram pela liturgia da festa apresentaram através de dramatizações e danças os objetivos deste projeto de evangelização, despertando assim nos fiéis o compromisso de ser Igreja que deve ser assumido com mais convicção e com o espírito de conversão.
Esperamos que de nenhum modo esta comunicação sirva para rechaçar o que você publicou, mas sim para que tenha ficado esclarecido que nós tomamos as devidas providências e que estamos contando com a ajuda de todos que possam, mesmo que indiretamente, defender a nossa causa.
Feliz Natal e um próspero ano novo: Pe. Ranilson.
PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Rua Mons. Carlos de Morais, 90
Centro = Ipaumirim-CE

Caro Padre Ranilson

Que bom que o senhor nos escreveu corrigindo nosso equívoco e informando a todos que a Paróquia, através do senhor, também contribuiu com a luta em defesa do arco. Como eu, muita gente pensou que a Paróquia estava distante da luta. Assim sendo, fica tudo esclarecido. Pedimos desculpas pelo julgamento apressado e aproveitamos a oportunidade para colocar nosso blog a disposição da Paróquia para divulgar notícias e informações do seu interesse. Obrigada pela participação e pela correção da informação. Feliz natal ao senhor e a todos os paroquianos. Maria Luiza


CONEXÃO IP
(Caio e Cleidinha)

Após algum tempo na capital cearense recuperando-se de um problema de saúde que o afastou do cargo, o Prefeito Luiz Alves de Freitas retornou a Ipaumirim (12/12) e foi reempossado . O vice-prefeito Leylton Nóbrega Nery assumiu a Prefeitura Municipal durante o período de licenciamento do prefeito.

O aniversário do município de Ipaumirim (infelizmente) foi comemorado com pouca festividade, havendo apenas a apresentação da banda de música municipal e uma festa dançante no Forripá à noite após a carreata que saudava a chegada do Prefeito. A festa dançante foi animada pela a banda "Horizonte do Forró".




Aniversariando, 13 de dezembro, Tadeu Menezes, filho de Doca Moreira e Socorro Pontes. Grande abraço e feliz aniversário.










Graduando-se em Odontologia pela Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, Kafka Kowaska Vieira Guedes Almeida, filha de Mary Stuart Vieira Guedes Almeida e Raimundo Valter Almeida, neta de Adalva Vieira Guedes. Desejamos boa sorte nas suas atividades profissionais. Sua tia, Joana Darc, envia a seguinte mensagem : "Você sempre foi orgulho de toda família, continua nos orgulhando mais ainda! Parabéns!"



Voltando para passar as férias no Ceará, Diego , filho de Luiz Neto, que faz Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em São José dos Campos. Diego é irmão do Davi que já conhecemos.

Terminando o Jardim de Infância, em Fortaleza, Maiara Nóbrega, filha de Sebastião Filho e Núbia. Oradora da turma, Maiara arrasou com a sua simpatia e está vindo passar uns dias com os avós em Ipaumirim.


O conterraneo Marcos Rodrigues comandando o programa "Espaço Aberto" na Rádio Arapuan FM 96,1 Mhz. O programa começa às seis e vai até às oito da manhã. Parabenizamos a emissora pela aquisição do competente radialista trazendo mais qualidade à sua programação.



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Chegando, daqui a pouco, Ane Carolina e Ana Valentina, irmãs gêmeas de Victor Nery. Parabéns a Arabelle, Sérgio e Vítor. Aí, Vitão, duas gatinhas pra você tomar conta.

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Dia 17 de dezembro, aniversário de Abrahão Arruda, filho de Marley Arruda, jovem empreendedor que atende a todos na sua lan house com a maior simpatia. Sucesso.

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Dia 19 de dezembro aniversário de Geysa, figura simpática e corajosa. Grande abraço.
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Bom fim de semana para todos. Você pode nos enviar suas noticias e informações que publicaremos com maior prazer.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Nossa terra, nossa gente: filho de Ipaumirim é importante artista popular

JOÃO PEDRO CARVALHO NETO (JOÃO PEDRO DO JUAZEIRO)


Nasceu em Ipaumirim (CE), em 1964. Cresceu em Juazeiro do Norte trabalhando como vendedor ambulante. Começou a fazer xilogravura na Tipografia Lira Nordestina onde entrou em contato com outros artistas populares, tais como José Lourenço Gonzaga, Francorli, Abraão Batista, Stenio Diniz passando a desenvolver, a partir de então, xilogravuras para capas de seus folhetos. Fez exposição individual na Alemanha. Foi agraciado com o Prêmio de Gravura no Salão Norman Rockwell, em Fortaleza, em 1999. Participou de mais de 30 exposições coletivas e individuais. Entre outras, em 2004, integrou as comemorações pelos 205 anos da Emancipação do Ceará, através do Museu da Imagem e do Som (MIS) que promoveu a exposição Ceará sem Fronteiras, onde estão reunidas xilogravuras do artista. Esta exposição, que traz xilogravuras fixadas em cerâmica, louça e papel, retrata e contextualiza o Ceará na época da separação entre a Capitania do Siara da de Pernambuco, mais precisamente em 17 de janeiro de 1799. Participou ainda da 7ª Bienal Internacional do Livro do Ceará.
Junto com outros artistas, estabeleceu novas formas de corte e expressão da madeira revitalizando a gravura popular. Fez exposições, workshops, capas de livros e CDs, camisetas e outros materiais publicitários. Ministra oficinas itinerantes de xilogravuras também em outros estados.
Em 2007, foi contemplado com o Premio BNB de Cultura, edição 2008, com o projeto XILOCORDEL ARTE CULTURAL, na categoria Artes Visuais. Segundo Gilmar de Carvalho, “João Pedro Carvalho Neto, cordelista e gravador (...) , é autor do que chama de “xilocordel”, onde as histórias que conta são ilustradas por suas gravuras, criando um texto híbrido, sedutor, à sua moda, em função dos novos aportes tecnológicos. Essa experiência ele levou para as ilustrações do cordel “Iracema, a virgem dos lábios de mel”, atribuído a João Martins de Athayde e relançado pela “Coleção Outras Histórias”, do Museu do Ceará, por conta dos 140 anos de publicação do romance de José de Alencar (2005) (...) O autor reúne as duas formas de expressão que domina - a gravura mais que o cordel -, o que pode ser comprovado pelas matrizes diminutas que corta, que parecem ao leigo técnicas de escaneamento ou recursos fotográficos e na verdade revelam sua habilidade e domínio do ofício..”
Atualmente, o artista vive em Fortaleza e é considerado um dos melhores xilógrafos da atualidade.
Fontes consultadas:
GALERIA VIRTUAL
Os direitos sobre estas Imagens e Conteúdos pertencem ao Museu de Arte da UFC e estão expostas no seguinte link:
http://www.mauc.ufc.br/cgi-bin/expo/gravadores/jpedro11.cgi
" A festa do pau da bandeira"
João Pedro de Carvalho Neto
Banda Cabaçal
(João Pedro de Carvalho Neto)
Cachaça
(João Pedro de Carvalho Neto)

Casamento
(João Pedro de Carvalho Neto)

O pau da bandeira
(João Pedro de Carvalho Neto)

Penitentes
(João Pedro de Carvalho Neto)

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Nunca pare de sonhar

Para concretizarmos qualquer sonho, devemos estar certos de que ele é realmente necessário a nossa vida. Além disso, um sonho é algo muito importante para qualquer pessoa.
Quando sonhamos em atingir qualquer objetivo, devemos ter muita perseverança pois ela é a principal aliada para um sonho ser concretizado. Muitas pessoas tem sonhos, mas não tem a perseverança necessária para atingi-los.
Existem muitos tipos de sonhos, tem gente que tem sonhos profissionais, outros tem sonhos materiais, espirituais e etc.
Vivemos em um mundo feito de sonhos. O sonho está concretizado em qualquer lugar, podemos ver um sonho realizado no sorriso de uma criança, no olhar de um profissional que conseguiu um novo trabalho, no beijo de um casal que conseguiu terminar a tão sonhada casa e etc.
Então peço que nunca pare de sonhar e tenha muita perseverança.

( Caio Rodrigo Josué Dias)
Ipaumirim-CE, 11 de outubro de 2007

QUINTO PECADO


Pernil assado

Ingredientes:
4 kg de pernil suíno
1 xícara de sumo de limão
6 dentes de alho
1/2 maço de salsinha picada
2 folhas de louro
10 folhas de manjericão
2 c.s. de alecrim
sal
pimenta branca moída

Modo de fazer:


Limpe a carne, retirando o excesso de gordura, fure com uma faca de ponta, para que o tempero penetre melhor e coloque-o na assadeira. Cubra com todos os temperos, esfregando-o bem, por toda a carne. Deixe-o no tempero por, pelo menos, 12 horas. O melhor é temperar de véspera e deixar na geladeira, coberto, até a hora de assar. Cubra a assadeira com papel alumínio, com o lado brilhante do papel voltado para a carne e leve ao forno pré-aquecido a 220 graus (1 hora, mais 30 minutos para cada quilo do peso da carne). Quando descobri-lo, verifique com um garfo se está macio e vire-o. Deixe-o no forno, até que esteja de um dourado marcante, quase marron, regando com o caldo que fica na assadeira. Não deixe esse caldo secar totalmente, retifique-o e engrosse-o com um pouco de maizena, se necessário.

Pavê de bombom


Ingredientes: (para um pavê grande)

leite
achocolatado em pó
1/2 cálice de licor doce (frangélico, amarguinha, etc)
2 pacotes de biscoito champagne

Creme:

2 latas de leite condensado
3 latas de leite
6 gemas
2 c.s. de amido de milho
bombom picado - sugiro sonho de valsa ou serenata de amor

Cobertura:

Chantilly (200ml de natas é suficiente) ou3 claras em neve
200ml de creme de leite (natas)
3 c.s. de açúcar

Modo de fazer:

Em um recipiente, misture o leite e o licor com bastante achocolatado e coloque biscoitos Champagne até ficarem bem húmidos. Retire o excesso de achocolatado dos biscoitos e os arrume no fundo de um refratário.

Creme:

Leve ao fogo o leite condensado, as gemas e o leite com o amido de milho dissolvido.Mexa até engrossar e coloque sobre a camada de biscoitos Champagne. Pique os bombons em pedaços pequenos e espalhe sobre a camada de creme (espere o creme esfriar um pouco, para o chocolate não derreter). Repita a operação.

Cobertura:

Bata as claras e o açúcar até formar um suspiro bem firme.Misture delicadamente a lata de creme de leite às claras batidas e coloque sobre a camada de bombons. Coloque mais um pouco de bombom picado por cima, cubra o pavê com filme plástico e deixe na geladeira até o momento de servir.


Rabanadas

Ingredientes:

Fatias de pão de forma (comprado inteiro) ou pão tipo cacete - comprar uns dois dias antes para ficar mais duro
leite
ovos (muitos)
açúcar
canela em pó
óleo
calda de açúcar (se quiser)

Modo de fazer:

Cortam-se as fatias não muito finas, coloca-se num tabuleiro e regam-se com leite. Meia hora depois, passam-se por ovo batido, fritam-se em óleo e escorrem-se em papel absorvente. Depois de esfriarem, passam-se por açúcar e canela ou colocam-se numa travessa e joga-se uma calda de açúcar em ponto fraco, aromatizada com baunilha e polvilham-se com canela.

Bacalhau à lagareiro

Ingredientes:

batatas
bacalhau
azeite
alho
couve portuguesa
broa às fatias ou pão caseiro

Modo de fazer:

Cozem-se as batatas em pouca água bem regadas de azeite e alho, junta-se o bacalhau às postas (já previamente demolhado). Entretanto, cozem-se as couves à parte. Depois colocam-se sobre o bacalhau já rodeado das fatias de broa. Abafa-se com a tampa sem mexer. Apura e está pronto.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

QUARTA VIA

Ipaumirim 54 anos

12 de dezembro, dia de parabenizar o município mas principalmente de refletir sobre o que fazer para melhorar as condições de vida da população com investimentos em educação, saúde, segurança e habitação.
Praticamente em véspera de eleições, no próximo ano, é hora de cada um se pensar enquanto cidadão, preparar-se para novas escolhas, decidir entre o individual e o coletivo, entre a humilhação dos pequenos favores individuais e o bem da comunidade. Deixar de reclamar tanto dos políticos e centrar-se mais no eleitor, esse sim, o mais legítimo responsável por acertos e desacertos a que todos são submetidos.
Negociar votos no mercado dos pequenos favores é perder a chance de buscar alternativas positivas para o conjunto da população.
Vamos ter consciência que os favores individuais são o preço dos desmandos. Estamos abrindo mão dos nossos direitos, trocando a escola das crianças, a vacina, a merenda escolar, ruas calçadas, saneamento básico, médicos e remédios em hospitais e postos de saúde por uma postura ignorante e irresponsável que não nos perdoa.
Chega de colchões, óculos, receitas apressadas, gorjetas, pão e circo, um jeito antiquado e desrespeitoso de se fazer política e adubar miséria. Será que andamos com a auto-estima tão baixa que merecemos tão pouco?
São 54 anos. Não seria a hora de aproveitar e enumerar para cada velinha um compromisso e jamais apagá-las? Uma luz permanentemente acesa e alerta na luta pela qualidade de vida do nosso povo.
Sair do desabonador comércio eleitoreiro e dos anedóticos programas de governo que nunca são cumpridos até porque ninguém cobrou.
Entre tantas outras coisas que não me ocorrem, no momento, perdemos algodão, agências de banco, agroindústrias, perdemos o brio, nos acostumamos às esmolas, prostituímos a nossa cidadania em troca de insignificantes negociatas. Será que não é hora de dar a volta por cima, propor novos caminhos, recuperar o respeito por nós mesmos e entender que ninguém cuida melhor de cada um de nós do que nós mesmos quando temos responsabilidade e acreditamos que é possível reconquistar o respeito, a honra e a dignidade perdida? Só assim os políticos nos tomarão em conta e aprenderão que estão tratando com cidadãos e que, portanto, nos devem respeito e explicações. Chega de humilhação! Acorda Alagoinha!

TERÇA POESIA E PROSA

Vinte Poemas de Amor
(Pablo Neruda)


... Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
"A noite está estrelada e tiritam, azuis, os astros ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a amei, e às vezes ela também me amou.

Em noites como esta eu a tive entre meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela me amou, e as vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos ?

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta em tê-la perdido.

Como para aproxima-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos mais os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas quanto a amei.
Minha voz procurava o vento para tocar-lhe o ouvido

De outro. Será de outro. Como antes de meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta eu a tive entre meus braços,
a minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
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Pablo Neruda - Neftalí Ricardo Reyes Basualto - nasceu em Parral, no Chile, em 12 de julho de 1904. O nome Pablo Neruda, que adotara como escritor, tornou-se seu nome oficial em 1946.
Seus primeiros trabalhos literários foram publicados na cidade de Temuco. Em 1921 foi para Santiago, continuar seus estudos como professor de francês, e ganhou o seu primeiro prêmio literário Ali publicou o seu primeiro livro, "Crepusculario", que se seguiu, em 1924, por "Veinte Poemas de Amor y una Cancion Desesperada", sua obra mais conhecida e um dos mais lindos conjuntos de poemas de amor que já se escreveu. Em 1927 foi nomeado Consul em Rangún (Birmânia), indo depois para Colombo (Ceilão) e para Batavia (Java) e, finalmente, Singapura. Depois de cinco anos, regressou ao Chile, onde escreve "Residencia en la Terra" e, em 1933 "El Hondero Entusiasta". Em 1934 tornou-se consul em Barcelona e, em 1935 foi transferido para Madrid. Com a guerra civil espanhola foi para Paris e escreve "España en el Corazón", seguida, em 1939 por "Las Furias y las Penas". Em 1940 foi nomeado consul geral no México, onde ficou até 1943. Regressando ao Chile, recebeu, em 1945, o "Premio Nacional de Literatura". Pelo fato de participar ativamente de atividades políticas e pelo fato do Partido Comunista, ao qual pertencia, ter sido declarado ilegal, teve que sair do Chile. Em 1950, no México, publicou "Canto General". Depois de passar pelo México, pela França e pela Itália, voltou ao Chile em 1952 recebendo, em 1953, o "Premio Stalin da Paz". A seguir publica "Odas Elementales" e "Las Uvas y el Viento". A partir passou a proferir diversas palestras pelo mundo, tendo publicado, em 1956 "Nuevas Odas Elementales" e "El Gran Oceano". Em 1957 "Tercer Libro de Odas", em 1958 "Navegaciones y Regreso", em 1959 "Cien Sonetos de Amor", em 1960 "Cancion de Gesta", em 1961 "Las Piedras de Chile" e "Cantos Ceremoniales", e em 1962 "Plenos Poderes". Em 1964 publica "Memorial de Isla Negra", seguida de "Arte de Pajaros", em 1966, "Las Manos del Dia" em 1968, "Fin del Mundo" e "Aun", em 1969. Em 1969 foi indicado pré-candidato à presidência do Chile, fato que não chegou a se concretizar e publicou, em 1970 "La Espada Encendida" e "Las Piedras del Cielo". Ainda em 1970, é designado embaixador na França, recebendo, em 21 de outubro de 1971, o "Prêmio Nobel de Literatura". Em 23 de setembro de 1973, sucumbe à doença e, certamente, à amargura do golpe de estado vitorioso de Pinochet contra o governo de Salvador Allende. De uma forma geral, pode-se dizer que a poesia de Pablo Neruda tem quatro vertentes. A primeira refere-se aos seus poemas de amor, como em "Veinte Poemas de Amor y una Cancion Desesperada". A Segunda vertente é representada pela poesia voltada para a solidão e a depressão, como em "Residencia en la Tierra". A poesia épica, política, como por exemplo, em "Canto General" representa a terceira vertente e a poesia do dia a dia, como em "Odas Elementales", a Quarta.

domingo, 9 de dezembro de 2007

SEGUNDA BEM HUMORADA


O MALAMÉN

Na escola a professora pergunta para Mariazinha:
- Mariazinha do que vc mais tem medo?
- De mula sem cabeça professora.
- Isso não existe, é apenas lenda. E vc Pedrinho?
- De Saci Pererê, professora.
- Isso não existe, é apenas lenda. E vc Joãozinho, do que mais tem medo?
- De Malamen, professora.
- Malamen??? O que é o malamen?
- Não sei não, mas deve ser um sujeito muito mal, pois a minha Mãe toda noite reza bastante e no final ela fala assim: LIVRAI-NOS DO MALAMEM !!!


Solução radical

Estavam a beira de um rio um senhor pescando e uma menina numa cadeira de rodas) aí a menina começa a dizer:
-Ninguém nunca me beijou.
E o cara num tá nem aí.
-Ninguém nunca me beijou.
E assim a menina ficou umas duas horas falando.
O cara já de saco cheio olha pra ela que diz:
-Me beija..
E o cara beija para ver se ela para de falar. Só que aí ela começa a falar:
- Ninguém nunca me fudeu.
A conversa é a mesma e ela fica umas três horas falando. Quando ele olha para ela, ela diz:
- Me fode!
Então ele a levanta da cadeira de rodas e joga a cadeira no rio e diz:
- Pronto! se fudeu!

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Alegre e triste ?!?!?!?

Marido e mulher estavam dividindo uma garrafa de um bom vinho,quando ele disse:
"- Querida, aposto que você não é capaz de dizer algo que me deixe alegre e triste ao mesmo tempo!"
A mulher responde na bucha:
"- Seu pinto é o maior de toda a vizinhança !"

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Depressão no zoo

Um dia, no jardim zoológico, observaram que a gorila começou a ficar triste pelos cantos e não queria mais se alimentar. Estava ficando fraca, doente. Aí, chamaram um veterinário.

- O problema dela é depressão, disse o doutor. Ela precisa ter relações sexuais.

- Mas, doutor, nós não temos um gorila macho, e trazer um de outro zoológico para cá, na situação em que estamos é praticamente impossível!
Nisso, um funcionário que acompanhava a conversa falou:
- Eu acho que tenho a solução! Tenho um vizinho CHINÊS, o sr. Ma-Nu-El, que é muito peludo. Quem sabe nós o convencemos a transar com a gorila….
E assim, entraram em contato com o gajo. Este, de início, recusou:
- De jeito nenhum, o pá! Isso é pecado! A Ma-Ri-A me abandona se souber…
- Mas, Seu Ma-Nu-El… é por R$500,00…
-Vou pensaire….
Dois dias depois o chinês foi ao zoológico:
- Está baim. Eu concordo, mas com três condições: a primeira é que não pode haveire beijo.
- Sem dúvida, a gorila não beija, pode ficar sossegado.
- A segunda é que não pode haveire foto! se a Ma-Ri-A descobre….
- Tudo bem! Sem fotos!
E qual a terceira?
- Os R$500,00!
- O que é que tem?
- Eu posso pagar em duas vezes?

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PENSAMENTO DO DIA:“
Se você é feio, pobre, burro, e mesmo assim tem um monte de mulher dando em cima de você, só tem uma explicação: Você mora embaixo de um puteiro.”
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Delírios do chefe

Um chefe, sentindo que seus subordinados não respeitavam sua liderança, resolveu colocar a seguinte placa na porta de seu escritório:
“Aqui quem manda sou eu!”
Após ter voltado de uma reunião, encontrou um bilhete junto à placa:
“Sua esposa ligou e disse que é pra devolver a placa dela…

sábado, 8 de dezembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

FAMÍLIA LEANDRO SANTANA

(Hermano e Maria)

Depois de ler, o domingo memorioso do blog http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com/, resolvi colocar no papel a história da minha família.
Em especial, resolvi falar da minha mãe e do meu pai, pois para a época em que viviam sua juventude, foram exemplo de amor, coragem e bravura, e para ficarem juntos e serem felizes, tiveram que ultrapassar barreiras que foram impostas para que eles não vivessem seu amor.
Minha mãe uma, jovem muito bonita e ainda de uma família de classe social bem superior a do meu pai, filha mais velha de uma família de muitos irmãos, um pai dono de muitas terras e próspero agricultor de algodão, que, na época, era o meio de sobrevivência da nossa cidade de Ipaumirim.
Meu pai um jovem de família muito pobre, eram moradores do Sr. Ademar Barbosa, e neto da parteira da cidade, Maria Petronilia mais conhecida como Mãe Veia.
Os dois se conheceram quando foi construída ali, na Vila São José, a Usina do Sr. José Sarmento, instalada nas terras do meu avô, vizinho da sua residência .
Meu pai, trabalhava como motorista na Usina do Sr. José Sarmento, e dali em diante iniciou-se um namoro que não foi aceito pelos pais de minha mãe, o meu avô Raimundo Leandro e minha avó Maria Ribeiro da Silva, filha do Sr. José Ribeiro mais conhecido como Casé Ribeiro.A partir daí, os dois não puderam viver seu namoro como os outros jovens, cada passo que minha mãe dava era rigorosamente acompanhada de alguém para que não se encontrasse com meu pai.
Como se amavam realmente, resolveram enfrentar tudo e todos para viverem seu amor. Combinaram que iriam fugir para se casarem.
Esperaram a grande festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, e no dia 08 de dezembro, minha mãe fugiu de casa com meu pai. Aproveitou que poderia sair usando como desculpa que iria para a procissão e de lá não voltou mais.
Ela conta que meu pai a levou para casa do Sr. José Henrique e quando lá chegaram o mesmo e a esposa ainda não haviam voltado da igreja. (foto)
O meu pai a levou então para a casa do Sr. Hugo Victor até que o Sr. José Henrique (foto) voltasse para a casa com a dona Ivone , assim que o casal voltou da procissão meu pai a levou para lá. Naquela mesma noite, nasceu Gisele, filha do casal.
A cidade de Ipaumirim ficou em polvorosa onde já se viu uma moça de família fugir de casa com o namorado?! Foi a notícia mais comentada de todos os tempos, minha mãe e meu pai se casaram na sacristia da igreja do Olho d’água do Melão. (foto ao lado)
A roupa do seu casamento foi dada de presente pela sua madrinha de casamento Blandina, irmã do Sr. José Henrique, ela e seu esposo foram os padrinhos, o outro casal de padrinhos foi o Sr. Felizardo e sua esposa Adalva.






Blandina e Zé Gonçalves, padrinhos



Adalva, madrinha

A partir daí foram viver sua vida, e um ano depois nascia meu irmão mais velho Hermano Filho e só foi depois do meu nascimento, sendo eu a segunda filha do casal, que minha mãe voltou a freqüentar a casa do meu avô, seu pai, Raimundo Leandro.
Com o passar dos anos percebeu que meu pai era um homem responsável e o aceitou de coração chegando a falar que não era um genro e sim um filho.
Convivi muito com meu avô, um homem muito íntegro e bom, sempre dando do que tinha para seu próximo, os amigos passavam na frente de sua casa, ele chamava para tomar um café, daí ficava para o almoço.
Seguindo a tradição da família, o meu avô deu a cada filho uma casa. Quando não, dava o terreno para que fosse construída, e assim o fez com minha mãe também, apesar de toda a relutância do meu pai, pois cansado de pagar aluguel teve que aceitar para que tivéssemos mais tranqüilidade.
Cresci ali ao lado da família de minha mãe, com o passar dos anos, a família foi crescendo mais sempre percebi que eu era a neta que mais recebia sua atenção, tinha uma preocupação especial comigo, sempre perguntava sobre o meu material escolar se já tinha todos os cadernos, e quando não tinha ele me dava o dinheiro para comprar.
O meu primeiro emprego veio através dele, pois ele era cliente da loja do Sr. Vicente Macedo, e lá ele conseguiu um emprego para mim, foi meu primeiro trabalho, como estudava durante a semana, todos os sábados ia trabalhar na loja do Sr. Vicente, como vendedora, cortando tecido. Comecei tomar gosto pelo trabalho e a partir daí não parei mais de trabalhar.
Quando foi para vir embora para São Paulo ele não queria que viesse, mas falou se é isso que você quer, vá, mas tome muito cuidado aquele lugar é perigoso.
Dei meu último beijo no meu avô e vim embora, e nos comunicávamos por cartas, ele me escrevia sempre e eu respondia contando tudo que havia dado certo. Numa de suas cartas, ele me mandou uma miniatura do Padre Cícero, e aquilo me emocionou muito, pois sabia da importância daquela imagem para ele, chorei muito e agradeci pelo presente, e assim pouco tempo depois ele veio ficar doente e faleceu.
Quando recebi a notícia aqui em São Paulo , foi duro suportar o baque, mais tive que continuar minha vida aqui mesmo.Teria muito o que falar deste homem tão generoso para com os outros, que cedia suas terras para que os ciganos ocupassem ali, o quanto quisessem, mas farei isso em outro momento, porque a intenção agora é falar do amor do meu pai e da minha mãe que foram os personagens principais desse texto.
Meu pai foi valente e bom até o final de sua vida, ele e minha mãe se completavam, aquele amor era visível para todos nós, filhos que compartilhavam com eles até o fim.
Morando aqui com a gente, em São Paulo, ele sempre deixou claro, que quando falecesse queria que seu corpo fosse levado para sua terra querida, Ipaumirim, e sua vontade foi feita, minha mãe levou seus restos mortais para junto dos seus familiares, ele foi colocado junto do meu avô e da minha avó.
Minha mãe, com a falta do meu pai foi se transformando, nunca mais foi a mesma, ficou doente, muito doente obteve mal de Parkinson, e hoje luta com dificuldades contra essa doença terrível. Alguns pesquisadores definem o mal de Parkinson como a doença do sofrimento e eu creio que seja verdade pois foi depois da morte do meu pai que minha mãe adquiriu a doença, talvez de saudades dele foi ficando cada dia pior.
Foi difícil conseguir tirar dela tantas lembranças ,mas somente assim conseguiria lhe prestar essa homenagem.
Procurei através desse texto homenagear meus pais que sempre foram exemplo de amor e luta para mim e meus irmãos, também meu avô que para mim foi a base de tudo, pois soube perdoar e percebeu que havia errado e consertou suas falhas. Tivemos no final de tudo, um bom relacionamento familiar.
Minha mãe amava tanto meu avô que homenageou o mesmo dando a dois de seus filhos seu nome.
Ela e meu pai tiveram os fihos:
José Hermano Filho
Raimunda Gildaci
Raimundo Leandro de Lima Neto
José Odilon Leandro Santana.
José Edinaldo leandro santana
Reginaldo José Santana
Geila Márcia Leandro Santana.
Cícero Adriano Leandro Santana
Paulo André Santana
João Paulo Leandro Santana.
E nossa mascotinha, filha do meu irmão Hermano Filho, que ele criou como filha.
Hermacia Santana
Um beijo a todos meus irmãos e amigos.
Raimunda Gildaci da Silva Carvalho.

Texto de Gildaci Carvalho
São Paulo, dezembro de 2007

DEPOIMENTOS





“Falar de meus pais, não é muito difícil, pois eram muito parecidos, um com o outro. Às vezes parecia que os dois pensavam,com um só pensamento. Meu pai sempre foi um homem muito severo, tinha muita preocupação com todos nós. Sempre procurou fazer o que podia por cada um de seus filhos e sempre nos aconselhou a sermos pessoas honestas e trabalhadoras, ele era um homem de pouco estudo, mas de grande sabedoria.
Quando vim embora pra São Paulo, foi pensando numa vida melhor, pra mim e meus pais, minha finalidade era trazê-los para perto de mim e de meus irmãos que já estavam morando aqui. Nos reunimos, eu e meus irmãos, e trouxemos nossos pais e irmãos menores para junto de nós, tínhamos que ficar todos juntos novamente. Cada um foi casando e constituindo suas famílias,e eu sempre acalentei um sonho ,de que quando eu fosse construir minha casa, eu faria também uma pra meus pais, ao meu lado. E assim o fiz, quando construí minha casa, eu construí também em cima da minha uma casa pra meus pais, queria que ficassem perto de mim. Infelizmente, não houve tempo de meu pai compartilhar juntamente comigo a realização do meu sonho, pois Deus o levou para junto de si. Mas ainda tinha minha mãe, e sabia que a partir dali teria que cuidar mais ainda dela. Então a levei para perto de mim, ela e meus irmãos que ainda moravam com ela,e até hoje continuam aqui do meu lado.Tenho a alegria de todos os dias entrar na casa dela e pedir a benção.Aqui do meu lado,ela viu meu filho nascer e acompanha seu crescimento. Aqui, do meu lado, ela casou minha sobrinha Hermacia e meu irmão André.Faço tudo o que posso, para ver minha mãe feliz e isso me deixa imensamente satisfeito.Ela hoje tem uma saúde muito frágil, mas é uma mulher de fibra, uma verdadeira fortaleza, sempre se doou muito para todos nós, mesmo com todas as dificuldades, de sua doença, ela não se deixa abater, é uma rocha firme em nossas vidas. Deus há de mantê-la conosco por muitos e muitos, anos e sei que lá do céu,meu pai está a olhar por todos nós seus filhos,e por ela também.
Mãe muito obrigado por tudo,eu te amo.
Pai muito obrigado por tudo,eu te amo.
Do seu filho:
JOSÉ EDINALDO LEANDRO SANTANA."


"As lembranças mais fortes que tenho do meu pai e minha mãe, é que ele não ficava muito tempo longe dela. Viviam grudados, quando ela saia pra ir na casa de algum filho,logo ele chegava atrás dela. Da minha infância, tenho muitas lembranças. Lembro que quando ele trabalhava de caminhoneiro, sempreque chegava de viagem,ele começava a buzinar o caminhão no começo de uma curva grande que tem na entrada da Vila São José. Corríamos todos os irmãos, para encontrá-lo, ele abria a porta do caminhão e todos pulavam dentro, nossa era uma grande festa.
Sempre foi um homem bom e muito trabalhador, fazia sempre o possível
para não nos faltar nada, era muito severo, criou todos nós ensinando que a honestidade e a humildade eram qualidades essenciais num ser humano. Numa família de 10 irmãos, sendo que 8 eram todos homens, imaginem como foi preocupante para ele criar suas duas filhas mulheres. Ele sempre falava pra minha mãe:
- “Se eu pudesse eu fazia essas duas meninas virar homem também.”
Tinha grande preocupação comigo e com minha irmã e nos prendia muito em casa, pra sair só com pessoas muito mais velhas e tinha que ter hora pra voltar. Minha mãe sempre muito ponderada, era quem pedia pra ele deixar eu e minha irmã sair pra ir a alguma festinha, mas aquilo não nos incomodava muito pois sabíamos ser somente preocupação de pai. Com os filhos homens ele já era mais liberal. Na sua cabeça de pai, filho homem saia e voltava o mesmo homem, filha mulher não. E minha mãe com muita sabedoria ia contornando as coisas e conseguia dele algumas exceções. Sempre foi uma mulher guerreira, batalhadora, nunca teve medo de enfrentar as dificuldades junto com ele e nós, ali do lado deles, fomos crescendo e aprendendo que o verdadeiro valor da vida elesconseguiram nos passar. O pior momento foi quando nós o perdemos, parecia que o mundo tava afundando com a gente, mas tínhamos que ser fortes para poder ajudar nossa mãe. Ela nunca mais foi a mesma, a perda dele tirou dela a alegria de viver, foi ficando doente, sempre muito triste e essa tristeza persiste até hoje.Temos tentado conviver com essa realidade, pra nós é mais fácil mas pra ela sabemos o quanto é difícil pois eram um só.Obrigada mãe ,obrigada pai, pelo exemplo de amor que nos deram.DA SUA FILHA: GEILA MARCIA LEANDRO"

"Sou Paulo André Santana , filho de Maria Leandro e Hermano Xavier Santana , é um privilégio muito grande ter estes dois como pais , pena que não tenho mais o privilégio de ter o meu pai ao nosso lado , mas posso dizer que tenho uma mãe , maravilhosa , amiga , resumindo ela é tudo que tenho na minha vida , ela e a minha esposa . O meu pai foi um exemplo para todos os seus filhos e nos deixou grandes exemplos que carregamos até os dias de hoje . A minha mãe é uma guerreira , nos momentos mais difícil da minha vida eu tive ela do meu lado , posso dizer de todo o meu coração que ela é a melhor mãe do mundo , é uma pessoa que amo de toda a minha alma e que sempre amarei .



MÃE, AQUI VAI MAIS UMA HOMENAGEM,PRA VOCÊ E NOSSO PAI, EM NOME DOS SEUS OUTROS FILHOS:
Mãe, nós sabemos, que tudo que falarmos, pra agradecer o que tem feito por nós,é pouco diante de tanta grandeza para conosco, pode ter certeza que cada um de nós te ama muito e sabe o tamanho da tua importância em nossas vidas. Você e nosso pai nos deixaram um grande legado, nos deixaram um exemplo lindo, de amor e perseverança, sabemos o quanto tem sofrido com a falta dele. Mas sabemos também, que Deus não permite que caia uma folha seca de uma arvore se não for da vontade dele, viemos aqui deixar nosso beijo,e abraço. Sabemos que nosso pai, lá do céu, está a olhar por todos nós, e em especial por você.
Te amamos.
JOSÉ HERMANO FILHO.
RAIMUNDO LEANDRO DE LIMA NETO
JOSÉ ODILON LEANDRO SANTANA.
REGINALDO JOSÉ SANTANA.
CICERO ADRIANO LEANDRO SANTANA.
JOÃO PAULO LEANDRO SANTANA.
HERMACIA SANTANA GONÇALVES LUCAS.

Agora deixamos espaço pra seus netos e bisneta deixarem seu abraço:
Vó que Deus te abençoe e te dê muita saúde.

SEUS NETOS:

HERMACIA SANTANA GONÇALVES LUCAS.
PAULO CÉSAR SANTANA GONÇALVES.
AUGUSTO DA SILVA CARVALHO.
NATALIA DA SILVA CARVALHO.
ALINE SANTANA JORGE.
ALANA SANTANA.
RAMON SANTANA GONÇALVES.RODOLFO LEANDRO SANTANA.GUILHERME SANTANA SARAIVA.RENATA SANTANA COSTA.EMANUEL LEANDRO CARVALHO E SUA PRIMEIRA
BISNETA:
MELISSA GIOVANNA GONÇALVES LUCAS. (na foto, ao lado
)













"O que tenho pra falar da minha vó, é que ela é muito bacana.Quando vem aqui pra minha casa,ela gosta de sair comigo pra ver as lojas, ela é uma vó muito legal. Já do meu avô, eu não consigo ter nenhuma lembrança, deve ser trauma,pois minha mãe fala,que eu era muito apegada a ele, eu ainda era muito pequena quando ele faleceu.
Minha mãe fala que todos os dias ele vinha em nossa casa só pra me ver e assim que me via ele falava:
- Cadê a nêga preta de vô?
Minha mãe fala que quando eu escutava a voz dele, eu já corria pro colo dele. Esse apelido de nêga preta do vô é porque quando eu nasci era bem moreninha,e ele falava até que enfim nessa família vai ter alguém moreno.Pois o meu irmão Augusto era muito branquelo, e ele falava:
- essa menina vai puxar minha cor.

Só que fui crescendo,e ficando também branquela, mas ai o apelido que ele colocou em mim não tirou mais, continuei sendo a nêga preta do vô.Não tive a alegria de ter crescido ao lado do meu vô,mas minha mãe fala,que o pouco que convivi com ele foi muito bom,eu era apaixonada pelo meu vô.
Vó um grande beijo de sua neta:
NATALIA DA SILVA CARVALHO.



"Convivi muito pouco,com meu avô,mas o pouco que convivi,deu pra perceber que ele era um homem muito decidido.Apesar de muitas vezes parecer duro,era muito divertido,gostava muito das coisas simples da vida,sempre foi muito humilde,e não gostava de exageros. Minha vó estava sempre ali do lado apoiando ele,em todos os aspectos,criaram seus filhos com amor mas também com muita disciplina.Ela sempre ajudando ele cuidar da familia,sempre admirei meus avós por serem pessoas trabalhadoras,não só por isso,mas por serem bons avós pra mim.
Augusto da Silva Carvalho, neto."

ÁLBUM DE FAMÍLIA

Quatro gerações: Maria, filha, neta e bisneta












MARIA E GILDACI
























AUGUSTO, NETO DO CASAL




















HERMANO AINDA BEM JOVEM, NO PARAGUAI, TRABALHANDO NA CONSTRUÇÃO DA PONTE QUE UNE BRASIL E ARGENTINA.





















HERMANO AINDA JOVEM




















CASAMENTO DE GILDACI

















HERMANO, MARIA E OS NETOS AUGUSTO E NATÁLIA, FILHOS DE GILDACI



















CASAMENTO DE GILDACI