quinta-feira, 27 de novembro de 2008

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DAS DROGAS

Dra. Débora Christina Ribas D'Ávila
Médica Psiquiátrica

Falar em causas e conseqüências das drogas implica em sair dos limites da Medicina. É preciso pensar em Sociedade, Família, Religião, Profissão, Psicologia, Mídia, Polícia e Política. Não existe uma só causa, ou uma só conseqüência.

DROGA é qualquer substância capaz de modificar o funcionamento fisiológico (normal), mental ou comportamental de um indivíduo. Inclui medicamentos (drogas lícitas) e plantas. As drogas capazes de alterar o funcionamento mental ou psíquico são denominadas drogas psicotrópicas ou simplesmente psicotrópicos. Costumamos usar a palavra droga para falar de substâncias que apresentam potencial de abuso e que podem causar dependência.

A história das drogas acompanha a história da humanidade. Temos relatos muito antigos do uso de chás e álcool em rituais religiosos ou em comemorações. A alteração da consciência é algo que desperta a curiosidade do homem e o leva a experimentar substâncias psicoativas.

A dependência de drogas (lícitas e ilícitas) é conseqüência de uma interação entre os genes, a seqüência temporal dos ambientes externos aos quais estamos sujeitos durante a vida e eventos aleatórios de interações moleculares que ocorrem dentro das células individuais. São essas as interações que devem ser incorporadas em uma explicação adequada acerca da formação da dependência. Uma grande parte das pessoas se envolverá em uso ocasional, porém outra parte se tornará dependente, possivelmente devido a uma memória que a droga cria no cérebro, nos sistemas de gratificação cerebrais. Memória esta que é despertada principalmente em diversas situações emocionais e ambientais. Nessas situações, através de mecanismos desconhecidos, o indivíduo sente necessidade da droga. A incidência de alcoolismo em filhos de pais dependentes de álcool é de três a quatro vezes maior do que entre os filhos de não dependentes. Estudos em gêmeos também tendem a confirmar esta predisposição. Existem vários modelos propostos para explicar este fenômeno, mas nenhum comprovado definitivamente.

O Brasil apresenta taxa crescente de consumo de drogas ilícitas. Tais taxas já estão estáveis na Europa e Estados Unidos. A ONU estima que o número de usuários de drogas aumente em 10% por ano no Brasil. Isso mostra uma falência de nossa política de combate às drogas. O Dr. Ronaldo Laranjeira tem uma teoria para explicar esses dados. Aqui, há dez anos, o Ministério da Saúde adota a política de redução de danos. Se vai usar, que use de uma forma menos lesiva. É preferível usar maconha que crack. Mas não existe droga segura. A própria maconha - considerada tão inocente - aumenta o risco de transtornos mentais graves como a esquizofrenia. Pelo menos 12% dos casos de esquizofrenia na Inglaterra foram desencadeados pelo uso de maconha. Há piora do desempenho escolar, aumenta as chances de transtornos mentais - especialmente a esquizofrenia - e diminui o pique para fazer as coisas (síndrome amotivacional). O uso da maconha também causa ansiedade e depressão. E o Ministério da Saúde não divulga isso.
Quando falamos em prevenção primária devemos ter em mente que a primeira droga a ser experimentada é o álcool, depois o cigarro e em terceiro lugar a maconha. A maconha é a droga ilícita que funciona como porta de entrada para outras drogas. Por isso dei ênfase a essas 3 drogas.

ÁLCOOL:

Álcool é a droga preferida dos brasileiros (68,7% do total), seguido pelo tabaco, maconha, cola, estimulantes, ansiolíticos, cocaína, xaropes e outros.
No País, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas, acontecem devido ao álcool.
Não há ainda certeza científica, mesmo que aproximada, sobre qual fator é o mais determinante na etiologia do alcoolismo. Estudos apontam evidências para as várias condições, mas sem conclusão definitiva.
Fatores genéticos: familiares próximos apresentam um risco quatro vezes maior que indivíduos que não têm familiares alcoolistas; o gêmeo idêntico de um indivíduo com problemas de alcoolismo apresenta maior risco que um gêmeo fraterno; e filhos de alcoolistas que foram adotados têm o risco quatro vezes maior de apresentar alcoolismo, mesmo que separados dos pais após o nascimento. Indivíduos que um dos pais é ou foi alcoolista têm alto risco para o alcoolismo.

A idade do primeiro drinque (13-15 anos), a idade da primeira intoxicação (15-17 anos) e a idade do primeiro problema relacionado ao consumo de álcool (16-22 anos) observados em indivíduos que desenvolveram alcoolismo, não diferem basicamente do esperado da população geral que não tem problema posterior de abuso ou dependência de álcool.

Pelo menos 2,3 milhões de pessoas morrem por ano no mundo todo devido a problemas relacionados ao consumo de álcool, o que totaliza 3,7% da mortalidade mundial, segundo um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Motoristas alcoolizados são responsáveis por 65% dos acidentes fatais em São Paulo.

O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350 doenças (físicas e psiquiátricas) e torna dependentes da droga um em cada dez usuários de álcool.
É a substância psicoativa mais consumida no mundo.

O álcool é absorvido em sua maior parte no intestino delgado e é metabolizado pelo fígado até seu produto final, o acido acético.
No cérebro o álcool age como um depressor do sistema nervoso central. Em uma concentração de:
0.05%: pensamento, julgamento e autocontenção estão alterados.
0.1%: prejuízo nas ações motoras voluntárias.
0.2%: A área motora do cérebro é deprimida, perdendo-se o controle das atividades, alterações emocionais.
0.3%: confusão e estupor.
0.4%: coma.
Em níveis acima de 0.5% pode ocorrer parada respiratória e morte.

Também ocorre:

Fragmentação e diminuição do sono profundo, quadros psicóticos, depressivos e ansiosos,
“black out” (amnésia lacunar)
fígado: esteatose hepática, hepatite alcóolica e cirrose hepática
esôfago: esofagite
estômago: gastrite, úlcera, má absorção de nutrientes (anemia por deficiência de vitamina B12)
pâncreas: insuficiência pancreática, pancreatite
coração: aumento da pressão arterial, taquicardia e arritimias
disfunção sexual.
Síndrome fetal alcoólica: microcefalia, ma formação crânios-faciais e defeitos nos membros e no coração dos bebês. Na idade escolar, estas crianças podem apresentar comportamentos mal adaptativos e dificuldades no aprendizado.

DELIRIUM TREMENS a síndrome de abstinência pode evoluir para um quadro perigoso caracterizado por alucinações visuais e táteis, alternância entre lentificação e agitação psicomotora, sudorese, aumento da freqüência cardíaca e pressão arterial. Indivíduos que apresentarem estes sintomas devem ser levados imediatamente para um serviço médico de emergência, pois o quadro pode evoluir para coma e até óbito.

Quem disse que tabaco não é droga?

TABACO:

No Brasil, cerca de um quarto da população adulta fuma. A busca de novas emoções, de integração com grupos de pares e de questionamento de padrões e regras aliada à falta de informação adequada sobre o assunto, leva os jovens a iniciar o hábito de fumar. Somente uma pequena minoria de fumantes consegue fumar moderadamente, devido ao alto potencial de dependência causada pela nicotina. 90% dos fumantes que tentam parar de fumar, a cada ano, falham nos seus esforços.

A OMS estima que aproximadamente um terço da população com 15 anos ou mais fume (47% dos homens e 12% das mulheres, com 15 anos ou mais).

A droga que causa dependência no tabaco é a nicotina e os processos farmacológicos e comportamentais que determinam a dependência ao tabaco são similares àqueles que determinam a dependência de outras drogas como a heroína e a cocaína. Inicialmente se busca os efeitos benéficos da nicotina mas o que mantém o indivíduo fumando é o alívio dos sintomas de abstinência.

Efeitos tóxicos:

A fumaça do cigarro contém um número muito grande de substâncias tóxicas ao organismo. Entre as principais, citamos a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão. O uso intenso e constante de cigarros aumenta a probabilidade de ocorrência de algumas doenças, como pneumonia, câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, boca, estômago etc.), infarto de miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, derrame cerebral, úlcera digestiva e efeitos como náuseas, dores abdominais, diarréia, vômitos, cefaléia, tontura, braquicardia e fraqueza.

Quando a mãe fuma durante a gravidez, “o feto também fuma”, recebendo as substâncias tóxicas do cigarro através da placenta. A nicotina provoca aumento do batimento cardíaco no feto, redução de peso no recém-nascido, menor estatura, além de alterações neurológicas importantes. O risco de abortamento espontâneo é maior. As substâncias tóxicas do cigarro são transmitidas para o bebê através do leite materno.

Os poluentes do cigarro dispersam-se pelo ambiente, fazendo com que os não fumantes próximos ou distantes dos fumantes inalem também as substâncias tóxicas. Estudos comprovam que filhos de pais fumantes apresentam incidência três vezes maior de infecções respiratórias (bronquite, pneumonia, sinusite) do que filhos de pais não-fumantes.

MACONHA:

Os efeitos do principal constituinte ativo da cannabis (THC) sobre a ansiedade parecem ser dose-dependente: com baixas doses é ansiolítico (reduz ansiedade) e em doses mais altas sendo ansiogênico (aumenta ansiedade). O canabidiol apresenta propriedades ansiolíticas.

Jovens portadores de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) relatam um efeito calmante proporcionado pela maconha, reduzindo sua inquietação interna. Este efeito reforça a hipótese da automedicação dos sintomas de TDAH como um fator de risco para o desenvolvimento de abuso/dependência de drogas.

A cognição se refere a habilidade de pensar. Os processos cognitivos incluem a percepção visual, auditiva e tátil, a atenção sustentada a determinada tarefa, à memória, julgamento, capacidade de resolver problemas e funções executivas (estabelecimento de objetivos, capacidade de planejamento, iniciativa, controle dos impulsos, monitoramento, avaliação de riscos, conseqüências do comportamento e flexibilidade mental). Há alterações no funcionamento cerebral e neuropsicológico dos usuários crônicos de maconha, mais especificamente em atenção, memória, aprendizagem, funções executivas, tomada de decisões, funcionamento intelectual e funções psicomotoras, mesmo após um mês de abstinência.

COCAINA:

Aspirada, fumada ou injetada na veia, a cocaína "entope" os receptores que reabsorvem a dopamina, deixando-a por mais tempo na sinapse e perpetuando a sensação de prazer. Tem efeito euforizante, mas o metabolismo do cérebro cai muito com seu uso, pois diminui a quantidade de oxigênio em zonas importantes. O cérebro do usuário de cocaína é embotado, muito pobre em termos de estímulos. Atualmente, há recursos que permitem avaliar o funcionamento cerebral e deixam claro o enorme contraste existente entre o cérebro normal, rico e vivo que consome bastante glicose, por exemplo, e o do usuário de cocaína, que se mostra alterado substancial e principalmente nas regiões frontais, ou seja, nas regiões do pensamento, do controle dos estímulos e da impulsividade. Isso explica em parte o comportamento impulsivo.
Doses maiores de dopamina provocam sintomas paranóides à semelhança do que ocorre com as anfetaminas (medicações para emagrecer). O usuário se tranca no banheiro, imaginado que a polícia vai invadir o local e prendê-lo.

É quase um quadro semelhante ao da esquizofrenia paranóide. A diminuição do oxigênio especialmente nas regiões frontais provocada pelo uso crônico da cocaína produz alterações que não se recuperam mesmo depois de vários anos de abstinência. Memória, concentração, capacidade de elaborar pensamentos complexos, de ponderar são funções seriamente prejudicadas. O usuário é impulsivo, busca o prazer imediato, não se articula para retardar as conseqüências de seu comportamento, deixando claro os danos que a droga causa no cérebro.


Você quer ver seu filho assim?

O crack é um derivado da cocaína. Seu baixo custo torna-o atraente para o consumo.

No começo dos anos 80 a pasta de coca foi transformada numa forma nova chamada base livre, que permite a volatilização (transformação em vapor) da cocaína, permitindo com que a cocaína pudesse ser fumada. A cocaína inalada em pó é uma apresentação sólida que se dissolve na mucosa nasal antes de ser absorvida – isso significa que o início do efeito demora mais. Os vapores do crack vão para os pulmões e são transportados para a corrente sanguínea mais rapidamente (10 segundos) conferindo maior rapidez de sensação psicotrópica, a sensação contudo é a mesma da cocaína bem como os demais efeitos. O nome crack é derivado do ruído característico que é produzido pelas pedras quando estão sendo queimadas.

Por ser barato alcança classes econômicas antes não atingidas pelo alto custo da cocaína em pó. O crack tem efeito de duração menor que a cocaína inalada, mas como inicia muito mais rápido e mais intensamente que a cocaína há uma espécie de compensação psicológica pelo efeito. Após 12 anos de uso, a mortalidade é de quase 40%, a maioria por causa da violência.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Escalas do tempo



Pouca gente tem consciência de que a Estação Espacial Internacional é o embrião da primeira cidade humana no espaço. E poucos se atentaram que, em 20 de novembro, ela completou dez anos. Uma década em que governos mudaram, líderes políticos ascenderam e caíram, impérios desmoronaram e guerras modificaram o mundo.

Daí... É irresistível recorrer a "Mundo Imaginados", livro do físico Freeman Dyson no qual ele brinca com sete escalas do tempo: dez anos, cem anos, mil anos, 10 mil anos, 100 mil anos, 1 milhão de anos e o infinito. No livro, o velho cientista prevê que no próximo século plantas e animais alterados por engenharia genética já estejam adaptados para assentamentos humanos na Lua e em alguns asteróides por perto. E talvez em Marte.

De volta ao Brasil terráqueo, também em 20 de novembro. A Câmara de Deputados aprovou em Brasília o projeto que reserva 50% das vagas nas universidades federais para alunos vindos de escolas públicas. Metade dessas vagas será distribuída de acordo com critérios "raciais" e a outra metade, de acordo com a renda familiar per capita. Por quê? Porque a maioria dos alunos nas universidades públicas estudou em escolas particulares. Então, há quem diga: não pode haver universitários privilegiados!

Não é bem assim. Eles estudaram muito e passaram por mérito. Grande parte desses "privilegiados" se origina de famílias simples que pagaram a formação escolar de seus filhos porque a puseram acima de tudo. Não são os responsáveis pelo alto índice de reprovação no vestibular dos alunos vítimas da má qualidade de escolas públicas de ensino médio. Aí sim, uma injustiça social por incompetência política de governos. E de deputados.

Por que não criam um projeto viável que obrigue o governo a priorizar e injetar com urgência mais dinheiro na educação básica? Que exija emergência de melhores escolas com professores capacitados e bem remunerados? Hoje o investimento do país em educação chega a 4% do PIB. Gente, por que não dobrar esse investimento? Aí sim, valeria uma "operação de guerra" para tirar um pouquinho de cada orçamento a fim de instituir um ensino fundamental, médio e universitário de excelente qualidade para todos.

Nada contra cotas sociais provisórias, desde que não haja risco de retrocesso no ensino das universidades públicas. Concordo que quem parte de um patamar mais elevado, de famílias cultas com formação superior, obviamente leva vantagem nos estudos. Mas usar da busca por justiça e equilíbrio como desculpa para não olhar para frente, para as cobranças futuras, pode gerar prejuízos para todos, principalmente para aqueles que mais precisam de ajuda. Ações afirmativas são realmente afirmativas se sabemos como avaliar seus resultados. Em termos de educação, temos de usar a escala de tempo correta. Dez anos? Cem anos?

Enviado por Ateneia Feijó

OIT: efeitos da crise sobre salários serão 'dolorosos'


Os efeitos da crise no sistema financeiro mundial sobre os salários em 2009 serão "dolorosos", alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Uma combinação entre baixo crescimento econômico ou recessão e alta volatilidade dos preços dos alimentos e da energia vai erodir os rendimentos de muitos trabalhadores, particularmente os mais pobres. Em muitos países, a classe média também será seriamente afetada, e as negociações entre empresas e sindicatos serão tensas. "Para 1,5 bilhão de trabalhadores assalariados no mundo, avizinham-se momentos difíceis", afirmou em relatório o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Para minimizar os efeitos da crise junto aos trabalhadores, a OIT recomenda aos governos que manifestem um sólido compromisso de proteção do poder aquisitivo dos assalariados, com a adoção de medidas que fortaleçam o salário mínimo e as negociações sindicais, estimulem o consumo interno, complementem a renda dos trabalhadores e impeçam que a participação dos salários no Produto Interno Bruto (PIB) per capita continue a cair frente à fatia dos lucros.
Segundo o "Relatório Mundial sobre salários 2008/2009", divulgado hoje pela entidade e feito com base nas mais recentes estimativas de crescimento econômico do Fundo Monetário Internacional (FMI), em média, os salários reais (descontada a inflação) vão crescer 1,1% no próximo ano, mas cairão em muitos países, inclusive nas maiores economias. Nos países mais desenvolvidos, os salários vão recuar 0,5%.


Brasil


Enquanto o PIB brasileiro aumentou 16% entre 1995 e 2007, o rendimento médio dos trabalhadores caiu 6% no período, de R$ 1.023 para R$ 965. Na avaliação da OIT, os números mostram que os ganhos de produtividade do País não se traduziram em ganhos salariais para os empregados e a participação dos salários no PIB caiu ao longo dos anos.
No entanto, nos últimos quatro anos houve uma reversão dessa tendência e a renda média dos trabalhadores aumentou 15,6%, muito em função da política do salário mínimo, que corresponde ao rendimento de 12,5% dos trabalhadores brasileiros. Como o peso do mínimo é considerável, os aumentos tiveram importantes efeitos sobre a distribuição de renda. O coeficiente de Gini baixou de 0,563 em 2000 para 0,528 em 2007 - quanto mais baixo o índice, menor a desigualdade social.
O mínimo aumentou 43% entre 2004 e 2008 e chegou aos R$ 415, 50% mais do que no ano 2000, e seus impactos foram maiores nos grupos mais vulneráveis da sociedade, particularmente mulheres, negros, jovens, terceira idade e menos escolarizados. Entre os trabalhadores domésticos, 30% recebem o mínimo - esse grupo representa 8% da ocupação total e 17% da população feminina. Já a diferença entre os salários de homens e mulheres continua grande no Brasil - elas recebem apenas 66,1% do que eles ganham.

Aposentados e pensionistas em expectativa



Se há dinheiro para bancos, montadoras, construção civil, agricultura e o que mais estiver ameaçado pela crise financeira internacional, por que também não tem para resolver a situação dos aposentados e pensionistas? Com certeza, esse é o questionamento que se fará por aí, diante da resistência do governo Lula em provar projetos que beneficiam essa população.

Os projetos que favorecem os inativos, aprovados pelo Senado, são três, que agora dependerão da Câmara dos Deputados, onde o governo tem maioria. Esses projetos visam a recomposição de perdas salariais dos vencimentos de aposentados e pensionistas, que há algum tempo reclamam da situação e o governo tem sempre como resposta a questão do déficit previdenciário, como fator impeditivo para atender reivindicações nessa área.

Um grupo de senadores já fez até vigília na noite do último dia 18 , varando a madrugada, a favor desses projetos, e poderão voltar a fazer nesta quarta-feira (26), pela aprovação na Câmara dos Deputados que deve votar a matéria até o dia 10 de dezembro. O senador Paulo Paim (PT-RS), autor de um dos projetos, diz que Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais nos Estados poderão aderir ao movimento da vigília.

É hora do governo mostrar sensibilidade e refazer as contas para buscar uma alternativa que atenda o segmento prejudicado.

Famílias dilaceradas

Pai ou mãe que joga baixo para afastar o filho do ex-cônjuge pode perder a guarda da criança por "alienação parental"

Claudia Jordão

Fazia seis anos que Karla, de oito, não via o pai. Nem mesmo por foto. Sua irmã mais nova, Daniela, nem sequer o conhecia. Quando seus pais se separaram, ela ainda estava na barriga de sua mãe. Aquela noite de 1978, portanto, era muito especial para as duas irmãs. Sócrates havia deixado o Rio de Janeiro, onde morava, e desembarcado em São Luís do Maranhão, onde elas viviam com a mãe, para tentar uma reaproximação. “Minha mãe disse que nosso pai iria nos pegar para jantar”, conta Karla Mendes, hoje com 38 anos. As garotas, animadas e ansiosas, tomaram banho, se perfumaram e vestiram suas melhores roupas. “Acontece que meu pai nunca chegou, ficamos lá, horas e horas, até meia-noite”, diz. Enquanto as meninas tentavam superar a decepção, a mãe repetia sem parar: “Tá vendo? O pai de vocês não presta! Ele não dá a mínima!”

Naquele dia, Karla viveu sua primeira grande frustração. Mas o maior baque aconteceu 11 anos depois, quando recebeu uma ligação inesperada do pai, que até então estava sumido. Karla começou a entender que sua mãe havia armado contra todos naquela noite – e em outras incontáveis vezes. Ela descobriu que o pai esteve mesmo em São Luís. Para ele, minha mãe prometeu que iríamos à praia em sua companhia, mas sumiu com a gente quando ele passou para nos pegar. Para nós, inventou o jantar”, conta Karla. De tão desorientada com a descoberta, trancou a faculdade por um ano para digerir a história. “O mais difícil foi descobrir que meu pai não era um monstro”, diz Karla, que há 20 anos tem uma relação próxima com o pai, mas não fala com a mãe desde que descobriu que ela manipula da mesma forma seus dois outros filhos de outro casamento.

A história de Karla e sua família é tão triste quanto antiga e corriqueira. Pais e mães que mentem, caluniam e tramam com o objetivo de afastar o filho do ex-parceiro sempre existiram. A diferença é que, agora, há um termo que dá nome a essa prática: alienação parental. Cunhada em 1985, nos Estados Unidos, pelo psicanalista Richard Gardner, a expressão é comum nos consultórios de psicologia e psiquiatria e, há quatro anos, começou a aparecer em processos de disputa de guarda nos tribunais brasileiros. Inspirados em decisões tomadas nos EUA, advogados e juízes começam a usar o termo como argumento para regulamentar visitas e inverter guardas. “Se comprovada a alienação, através de documentos ou testemunhos, quem trama para afastar pai de filho está sujeito a sanções, como multa e perda de guarda”, diz a psicóloga e advogada Alexandra Ullmann. São as mesmas penalidades previstas no projeto de lei 4.053/2008 que tramita na Câmara e pune mães, pais e demais familiares alienadores – também sujeitos a processo criminal por abuso psicológico. Alienação parental consiste em programar uma criança para que, depois da separação, odeie um dos pais. Geralmente é praticada por quem possui a guarda do filho. Para isso, a pessoa lança mão de artifícios baixos, como dificultar o contato da criança com o ex-parceiro, falar mal e contar mentiras. Em casos extremos, mas não tão raros, a criança é estimulada pelo guardião a acreditar que apanhou ou sofreu abuso sexual. “É a maneira mais rápida e eficiente de afastar a criança do ex-cônjugue”, diz a desembargadora aposentada Maria Berenice Dias, uma das maiores especialistas no assunto. “Afinal, que juiz vai correr o risco de, na dúvida, não interromper o contato da criança com o acusado?” Segundo ela, nesses casos, testes psicológicos mostram que não houve crime em 30% das vezes. A investigação é complexa e o processo lento por isso a criança permanece anos afastada do pai, tempo suficiente para que os vínculos sejam quebrados. “Quando há falsa acusação de abuso, a criança sofre tanto quanto se tivesse sofrido a violência de fato”, afirma a psicóloga Andreia Calçada, autora de livros sobre o tema.

O que motiva alguém a jogar baixo com o próprio filho? Na maioria dos casos, a pessoa não se conforma com o fim do casamento ou não aceita que o ex-cônjuge tenha outro parceiro. No Brasil, 90% dos filhos ficam com a mãe quando o casal se separa. Por isso, a prática é muito mais comum entre as mulheres. “Há diversos níveis de alienação, mas no afã de irritar o ex-marido, as mães não têm noção do mal que fazem aos filhos”, diz Andreia.

“O guardião altera a percepção da criança porque ela sente que o pai gosta dela, mas a mãe só o critica, e isso pode desencadear crises de angústia, ansiedade e depressão.” Além disso, a criança cresce em uma bolha de mentiras, o que pode provocar desvios de caráter e conduta.

Crianças de até seis anos são mais suscetíveis a uma modalidade de alienação chamada “implantação de falsas memórias”. É quando o pai ou a mãe a manipula a ponto de acreditar que vivenciou algo que nunca ocorreu de fato. Os dois filhos do consultor empresarial Nilton Lima, 45 anos, foram estimulados pela mãe e pela avó materna a acreditar que haviam apanhado do pai na infância. Nilton e a mãe dos rapazes se separaram após dez anos de casamento. “Certo dia, meu filho mais velho me disse que eu já havia batido nele”, diz Nilton, pai de Anderson, 22 anos, e Bruno, 16. “Fiquei chocado”, diz. Com o tempo, os filhos perceberam a manipulação e ficaram contra a mãe. Esse “efeito bumerangue” é comum quando as crianças crescem e começam a entender o que ocorre ao redor delas. “Nesses casos, os filhos se viram contra quem fez a cabeça de les”, diz a advogada Sandra Vilela. Há quatro anos, depois de quase uma década de briga na Justiça, Nilton conseguiu a inversão de guarda dos filhos. Para isso, foi fundamental o desejo deles de ficar com o pai.

Mas nem sempre uma decisão judicial favorável é suficiente para remendar laços partidos. Pai de uma adolescente de 15 anos e um garoto de dez, o publicitário Paulo Martins, 45, se separou há cinco anos. E, desde então, luta para ficar mais tempo com os filhos, que, sob influência da mãe, já chegaram a ignorar suas ligações, recusar seus convites e mudam de comportamento quando estão na presença dos dois. “Sempre que vou deixar o meu filho em casa, ele muda comigo, percebo que ele não quer que eu o abrace para que a mãe não veja”, conta Martins.

Em 2005, ele entrou com uma ação de regulamentação de visitas, na tentativa de ampliar o tempo de convívio com os filhos. A decisão, favorável a ele, saiu recentemente. Mas a filha mais velha de Martins ainda se recusa a vê-lo. Em julho, Martins resolveu presenteá-la com uma festa de 15 anos, o que deixou a adolescente superanimada. Tudo quase pronto, a bomba: “A mãe dela disse que só iria se a minha mulher não fosse”, conta ele. “Minha filha pediu para eu não levála, mas não quis ceder.” A adolescente preferiu abrir mão da festa e desde então não fala com o pai. Quando um casamento chega ao fim, o ex-casal precisa ter claro que a separação é entre eles. Separar a criança do pai ou da mãe é puni-la por algo que ela não tem culpa. “Não existe filho triste de pais separados, existe filho triste de pais que brigam”, diz o advogado Rodrigo da Cunha Pereira.

Fonte: Revista Isto é
Enviado por Argemiro Vieira Neto

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O caso do poema roubado


Cora Ronai

Quem poderia adivinhar o que havia dentro do pacote que apareceu no sítio?

Há coisa de dois ou três meses apareceu, no portão do sítio, um pacote grande, embrulhado num saco de lixo preto. Ninguém viu quem trouxe. Amanheceu e estava lá. Assim que foi notado, ficaram todos da casa, bípedes e quadrúpedes, muito cabreiros com a sua presença. Nos dias de hoje, ninguém vê com confiança ou simpatia pacotes grandes, embrulhados em sacos de lixo pretos.

Os cachorros cheiraram e latiram, os gatos mantiveram distância, o Dirceu olhou de longe, cutucou com uma vareta, chamou Mamãe. O conteúdo parecia ser duro, sólido, como madeira. Não era nada morto, com certeza. E não parecia ser bomba, muito embora ninguém da família tenha a mais remota idéia de como seja uma bomba, salvo pelo que se vê no cinema e nos desenhos animados.

Finalmente, depois de mais cutucadas e de muita hesitação, o pacote foi trazido para dentro, e aberto com o cuidado que a desconfiança recomendava. Quando o conteúdo se revelou, surpresa total: quem poderia imaginar que um poema roubado há 30 anos voltasse ao lar daquela maneira?!

* * *

Quando o sítio ficou pronto, em princípios dos anos 60, uma das primeiras providências dos meus pais foi espalhar pelo jardim e pela floresta uma dúzia de poemas. Papai os selecionava, Mamãe os pintava em tabuletas e ambos escolhiam juntos, com capricho, as árvores e os cantinhos onde seriam expostos. Passear pelo sítio era como entrar numa pequena antologia sentimental.

Com o tempo, as tabuletas foram sumindo. Algumas queimaram junto com as suas árvores nos incêndios que, há alguns anos, eram comuns na região e que, apesar dos esforços do pessoal lá de casa, eventualmente atingiam partes do terreno. Outras foram vítimas do tempo. A maioria, porém, desapareceu sem deixar vestígios.

* * *

O poema devolvido chama-se "Casa antiga", foi escrito em 1964 por minha madrinha Cecília Meireles e dedicado a Nora e Paulo Ronai:

Forrarei tua casa já tão antiga
Com um papel que imita as paredes de tijolo.
Ficará tão lindo como se estivéssemos na Holanda.

Forrarei tua casa assim, mas por dentro,
De modo que, longe de todas as vistas,
Será como se estivéssemos ao ar livre, no jardim.

E deixarei uma parede quebrada ? não uma porta, não uma janela:
Uma parede quebrada por onde passe um ramo de goiabeira
Carregado de flores e vespas.

Parecerá que estamos sonhando,
E estamos sonhando mesmo,
E parecerá que estamos vivendo,
E a vida não é mesmo um sonho impossível?

* * *

Dentro do pacote, junto com a tabuleta, veio um bilhete escrito em letra pouco cultivada, na folha arrancada de um caderno. Dizia o seguinte: "Quando era menino achei este quadro lindo, pelo poema. Peço perdão por ter roubado este quadro. Hoje sinto necessidade de devolvê-lo. Sinto-me envergonhado pela minha atitude. Mais era só um menino. Peço perdão a Deus e a vocês. E que vocês também consigam perdoar."

Não havia nome, assinatura, nada. Ficamos com muita pena, pois teríamos gostado de conhecer e abraçar o menino antigo que roubou o poema e o homem correto que o devolveu, passados tantos anos. Mal sabe ele que nos deu um presente muito maior do que o que levou: um mundo onde crianças roubam poemas e adultos os devolvem é um mundo de beleza e de esperança.

Crônica Do Amor Que Amadurece


(Urariano Mota)

Pois assim como a noite vinda depois do dia, que não mais pode ser da natureza do dia, mas no seu escuro, nas suas estrelas, tem um encanto, que por ser diverso daquele do dia não deixa de ser um encanto. Assim como nas sucessões físicas, temporais, de toda a natureza, da flor que fenece e cai e se ergue em outra a partir dos grãos derramados até a onda do mar que se espraia e se desfaz e se refaz dos seus restos em nova onda, assim o amor dos primeiros anos, que resistiu à inconstância da paixão, também se faz um sentimento curtido, de marcas e rugas que entranham à vista o sol que se foi, organizando-se em nova pele. Que não tem a elasticidade e o frescor dos primeiros anos. Mas que tem um sabor íntimo do vinho de que se aprendeu a gostar, uma cumplicidade de lições apreendidas ao toque sem palavras, que o rebento dos primeiros verdes fogos não poderiam dar.

Pois não é próprio do fogo o consumo e o autoconsumo, voraz no incêndio e lento depois até as brasas que por fim esfriam? Pois sendo próprio do fogo a destruição inexorável, linear e de sentido único, do começo para o fim, do começo para o fim, e sempre, é no entanto mais próprio da coisa humana o guardar semelhança com os fenômenos naturais, mas sem se deixar reduzir ao que não tem o salto e a qualidade da natureza da gente. Se os primeiros anos de amor são um fogo sem medida, e ao dizer isto guardamos apenas uma cômoda aproximação, pois não são exatamente um fogo a loucura e a impulsividade e o não ter limites os atos e ações daqueles anos, menos própria será a comparação do amor que amadurece ao fogo que lentamente se apaga. Pois se esse amor guarda correspondência com o próprio amadurecimento da gente, e portanto faz sua casa nas rugas do nosso rosto, e por rugas lembrarmos sempre os efeitos do sol ao longo do tempo na matéria couro de nosso semblante, isto não quer dizer, a continuar nesse processo, que o amor que amadurece, por lembrar sol e destruição do frescor, venha a ser um inventário de perdas.

Pois ainda que assim fosse, a esta altura já aprendemos que as perdas na vida não são um número frio, acabado e fechado, afetado de um sinal negativo. Diríamos, num primeiro impulso, que elas se reservam em experiência. Dizendo menos mal, diríamos que as perdas na vida organizam um novo ser, aquele ser que sabe porque aprendeu que a vitória não é bem um metódico e unidirecional fazer a coisa certa. Que a vitória é um fazer inúmeras coisas erradas, que ao receberem uma reflexão e um julgamento iluminam o fazer a coisa menos errada. Que a vitória sobre as trevas é como um labirinto que ocultasse um caminho secreto e inteligível até a maravilhosa saída. Mas ainda aí, nessa tradução de perdas, o amor amadurecido ainda não é alcançado. Pois para ele, para esse amor que sofreu mudanças ao longo dos anos, o que há e o que houve não são nem foram exatamente perdas. Por exemplo, é exatamente uma perda o não levar a amada para a cama com a mesma freqüência dos primeiros tempos? Um cínico, míope, como todos os cínicos, diria que sim. Que uma coisa é fazer sexo, e aqui mais se mostra a miopia ao fazer equivalentes o amor e o sexo, pois uma coisa seria fazer sexo três vezes por dia nos 25 dias de um mês, todos os meses, e outra bem diferente é fazer sexo quando Deus, a conveniência, a oportunidade e as forças forem servidas. Já nessa resposta o cínico não vê a etapa superior que é o prazer que conhece sobre a fome onívora. Enquanto o primeiro evita caminhos precários, já trilhados, a segunda vai às cegas até atingir uma provisória satisfação sempre insatisfeita.

É claro que o amor que amadurece não nos deixa menos carnais, mais virtuosos ou santos. Ele, de um ponto de vista mais pragmático, nos deixa mais perceptivos da bagagem que ao longo da jornada acumulamos. De um ponto de vista menos prático, menos visivelmente prático, queremos dizer, ele é a transformação daquele sentimento juvenil que só desejava a própria satisfação. Que em vez de abrigar buscava urgente abrigo. Em lugar da busca de formas perfeitas, e sabe-se lá o que a carência idealizava como perfeitas, coxas, busto, ventre, rosto, perfume e fetiches ativos e exuberantes, esse amor maduro põe a compreensão de que a estação das formas fôrmas não se guarda nua em mármore. Que aquela pedra é forma oca de experiência. Mas que nem por isso esse amor transformado é um sentimento outonal, do ocaso. Ele não é como o sentimento de alguém que vê a chuva batendo na janela, e aconchegado no calor da sala se diz, “para a rua não poderei mais sair”. Ele é apenas, talvez, uma doce intimidade conquistada. Sujeito a trovoadas, tempestades, pois a vida não é de paz, dentro e fora do sentimento. Mas sem aquelas soluções terminativas, definitivas, dos arroubos sectários dos primeiros anos, “ou isto ou aquilo”.

Esse amor maduro diz melhor, fala melhor às sístoles e diástoles do coração amadurecido. Dele fala melhor o que não é conceito, ao que é essencial encarnado no destino mesmo da gente. E o essencial é que as rugas, as gorduras, os ossos frágeis do objeto que se ama se revelam uma fortaleza. O amor que amadurece ama a pessoa exatamente nesse tempo de aparente decadência física, e por essas, e por causa mesmo dessas formas. As fragilidades físicas se tornam uma qualidade, pois remetem a uma história comum. Esse amor apenas deseja dizer, “saiba que aprendi muito a amar as suas rugas”. O que quer dizer, ele, esse novo amor, não quer vê-la sozinha, ele a quer a seu lado nos próximos, nos poucos e infelizmente poucos anos que lhes restam.

Como flores na praia açoitadas pelo vento. Até que venham as ondas e tudo cubram.

Fonte: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/cronica-do-amor-que-amadurece

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Matemática feminina


(por Jô Hallack)

Bem, vocês sabem: mulheres adoram gastar dinheiro. Fazemos isso com um talento impressionante. Mas o mundo é caro, a vida é dura e sempre precisamos de alguma desculpinha básica para deixarmos nosso instinto se manifestar. E gastarmos, gastarmos, gastarmos. Daí que entra a matemática feminina.

No que consiste? Bem, fazemos uma série de contas complexas que transformam qualquer compra numa pechincha. E tudo isso, sem calculadora!

Lição 1:
Soma:
Nem sempre 1 + 1 é igual a 2. Por exemplo: uma blusa de R$ 40 e outra blusa de R$ 40, não dá R$ 80. Isso porque há cinco dias atrás você ia sair com os amigos e em cima da hora desistiu. Então, economizou R$ 40. Então, duas blusas custam R$ 40!

Lição 2:
Divisão:
Consiste em dividir os custos das suas compras por tudo que for possível. Através desta conta incrível, o mundo fica bem mais barato. Por exemplo: um táxi de Botafogo para a Barra da Tijuca custa R$ 20, o que é caro para ser gasto assim à toa. Mas se você voltar de ônibus, que é R$ 1.... a sua ida à Barra cai para R$ 10,50. E você ainda tem que descontar o R$ 1 do ônibus que gastaria se não fosse de tßxi. Então, custa só R$ 9,50 a mais! Bem mais acessível.

Lição 3:
Equações complexas
Essa semana uma amiga minha fez uma conta incrível. Tudo começou quando ela leu que passar o carnaval num spa incrível com banhos terapêuticos custava R$ 1200, o casal. O que absolutamente é caro, muito caro. Acompanhem o raciocínio. Todas as refeições, dos cinco dias, já estão incluídas. Como é Carnaval, se você não viajar, vai acabar querendo ir em restaurantes bacanas, brunches, etc. Tipo um prêmio por ter ficado no Rio para economizar. Se você gastar R$ 30 por almoço e R$ 20 no lanche, só de rango dá R$ 250!!! Somando um brunch e alguns cafés, R$ 300!! No spa, os tratamentos estão incluídos no preço. Se você fizer uns dez tratamentos (dois por dia), cada um custa mais ou menos R$ 30 (se for barato!!): R$ 300! Ou seja, já está saindo de graça a estadia no spa, a aula de hidroginástica, etc! E sem contar que, se você ficar no Rio, vai no cinema, sair pra dançar, etc. Segundo essa minha amiga, o spa estava praticamente pagando para você ir lá no Carnaval!. É claro que ela esqueceu de lembrar que as "refeições incluídas" eram rúcula e água fresca. Mas que era barato, era!

Lição no 4:
Números negativos
São aqueles que aparecem no seu extrato bancário ao final de tanta matemática feminina. Mesmo os números negativos também estão sujeitos à divisão. Por exemplo: você está R$ 200 negativo no banco. Mas no mês passado você não ficou no negativo. Então, neste mês e no mês passado juntos, você está apenas R$ 100 negativos por mês. Parece a mesma coisa, mas não é!


DEZ FRASES DE ALENTO PARA COMPRAR

*Eu mereço, eu mereço!
* Tá super em conta!
* É pra toda uma vida!
* Mês passado eu não comprei nada!
* Se a gente trabalha como camelas, temos direito a um presentinho!
* É caro, mas é de qualidade!
* É de péssima qualidade, mas é o preço de uma coisa descartável!
* É um investimento!
* Mais barato que uma sessão de análise!
* Economizar pra quê? O bom é aproveitar a vida!


DEZ FRASES DE ALENTO PARA ECONOMIZAR

* Tá super em conta, mas datou!
* Tá super em conta, mas é cafona!
* Tá super em conta, mas eu tô quebrada!
* Se eu não comprar esta blusa de R$ 20, poderei comprar uma casa própria!
* Eu quero comprar só para preencher uma vazio interior!
* Mês passado eu já comprei pra caramba!
* É futilidade, não leva a nada!
* Aposto que eu encontro mais barato!
* Está muito barato. Deve ter algo de errado!
* Não vou morrer se não comprar. Quer dizer, espero!

(A moça e seus problemas)

Obama, o filho da mãe


(Urariano Mota)



Na vitória de Barack Obama há um aspecto original que não vem sendo notado. “Há muitos aspectos, colunista apressado”, poderia ser dito. Tentarei explicar. Além do mais claro, quero dizer, além do fato mais óbvio, de Obama ser o primeiro negro eleito para a presidência dos Estados Unidos, me chama atenção que na sua vida há uma vitória sem ruído de pessoas “derrotadas”, ou marginalizadas na cultura da sociedade norte-americana. Para ser mais preciso, na sua vitória há uma vitória muito especial da sua mãe.

A mãe de Obama, Stanley Ann Duham, foi uma pessoa rara já a partir do nome com que foi batizada. O pai queria um filho homem, e se compensou , ou se vingou, impondo-lhe um nome de homem. Para quê? O bom da vida são as limonadas que fazemos dos limões que nos atiram. Stanley Ann, para a sociedade americana em 1960, não demorou a mostrar a que veio. Aos 18 anos, conheceu o negro Barack Hussein Obama na Universidade do Havaí, em uma aula de... russo! Branca, namorou o jovem queniano, casou.... queremos dizer, juntou suas roupas e livros às dele, e teve Barack Hussein Obama Jr. Como a estabilidade não era bem o seu ideal, separou-se poucos anos depois. Em 1964, ainda irrecuperável, Stanley Ann voltou à faculdade para se formar e casar à sua maneira mais uma vez: uniu-se a um estrangeiro não-branco, o indonésio Lolo Soetoro.

Stanley Ann era não só diferente, rebelde, por intuição. Antropóloga, escreveu uma dissertação de 800 páginas sobre os trabalhos de serralheria dos camponeses de Java. Trabalhando para a Fundação Ford, defendeu o direito das mulheres trabalhadoras e ajudou a criar um sistema de microcréditos para os pobres. Maya Soetoro-Ng, a meia-irmã de Obama, afirmou recentemente sobre a mãe: "Essa era basicamente a sua filosofia de vida: não nos limitarmos por medo de definições estreitas, não erguermos muros à nossa volta e nos empenharmos ao máximo para encontrarmos a afinidade e a beleza em locais inesperados”.

Stanley Ann Duham morreu de câncer no ovário em 1995. O pai, a quem Obama dedicara um livro, ele mal viu, depois dos 2 anos de idade. Por isso afirmou, o primeiro homem negro eleito para a presidência dos Estados Unidos: “Eu creio que se eu soubesse que a minha mãe não iria sobreviver à doença, eu escreveria um livro diferente – menos meditação sobre o pai ausente, mais celebração da mãe que era a única coisa constante em minha vida”, escreveu no prefácio de suas memórias, “Sonhos De Meu Pai”. E acrescentou “Eu sei que ela era a mais gentil, o espírito mais generoso que já conheci e o que existe de melhor em mim eu devo a ela”. Para essa Ann, mulher estranha para os valores dominantes, delicada e rebelde, na campanha eleitoral Obama chamava de a sua "mãe solteira".

O presidente eleito não repete, é claro, o pensamento, os atos e as convicções da mãe. Se assim fosse, não teria chegado aonde chegou. Mas sem as idéias de Stanley Ann Duham, Barack Hussein Obama Jr. não teria tido a mais remota possibilidade de existir. Em lugar do “sonho americano”, que toda imprensa proclama, Obama é antes uma vitória do pensamento e de idéias não-conservadoras, que estavam no limite dos marginalizados hippies. E os hippies, vocês lembram, naqueles malditos tempos acabavam nas prisões, ou como em Easy Rider, sob tiros de espingarda.

Em 2008, um filho de mãe solteira, de uma irrecuperável, é eleito presidente. Para essa nova história, somente espero não ser um colunista muito apressado.

(Publicado em 5.11.2008 no Direto da Redação,

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quarta via: educação

Do Ceará para o ITA

De um grupo de escolas de Fortaleza saem todo anoalguns dos melhores alunos em ciências exatas do país
Renata Betti

Em um pequeno conjunto de escolas no Ceará, os estudantes parecem se divertir aprendendo, tamanho é o seu entusiasmo em dissecar plantas, participar de campeonatos de matemática e varar madrugadas no laboratório. Pergunte a esses jovens o que eles mais ambicionam na vida, e a resposta será algo como "me tornar um bom cientista, claro". Tamanho apreço por matemática, química, física já chamaria atenção pelo fato de ser raro nas escolas brasileiras. O que surpreende ainda mais no caso desses estudantes é saber que, em meio a milhões de outros no país, eles estão entre os melhores em tais disciplinas. O desempenho exemplar em exatas é difícil de ver no Brasil – mais ainda no Ceará, onde as notas costumam ficar abaixo da média brasileira. O animado grupo de aspirantes a cientista é, portanto, responsável por dois feitos improváveis. Um deles foi ter alçado o Ceará à condição de estado com o maior índice de aprovações nos últimos cinco vestibulares do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), um dos mais concorridos do país. Entre os calouros, cerca de 30% sempre são cearenses. A posição de destaque se verifica também em outro levantamento recente, este com base nas olimpíadas nacionais de física, química e matemática. Dos 670 alunos que receberam medalhas em diferentes competições, 260 eram do Ceará. Nada menos que 40% dos campeões.

Fabiano Accorsi
O melhor da turma
O cearense Tarcísio Neto:
ele entrou no ITA aos 16 anos


A que se deve o inesperado sucesso cearense na área de exatas? A um grupo de escolas particulares de Fortaleza que, juntas, reúnem 25 000 estudantes dos ensinos fundamental e médio. Quando a primeira delas começou a focar o ensino das ciências, vinte anos atrás, foi sendo copiada pelas outras – que se viram na necessidade de mirar essas disciplinas para sobreviver à disputa por alunos. Os números mostram, agora, que a fórmula aplicada nessas escolas funciona. Não é exatamente original, mas tem o mérito de reunir algumas das medidas de eficiência comprovada em países como Finlândia e Coréia do Sul, os melhores do mundo em educação. Um dos pontos comuns entre as escolas coreanas ou finlandesas e estas cearenses é a carga horária puxada reservada às disciplinas exatas – 25% maior do que a média brasileira. A jornada de estudos é de sete horas, mas, entre aulas extras de xadrez e ("emocionantes") gincanas de matemática, os estudantes ficam ali por mais de doze. Nas escolas em que prevalecem o espírito de competição e a meritocracia, os melhores da turma são alçados às prestigiadas "classes olímpicas". Algo que move alunos como Guilherme Freire, 18 anos, do colégio Farias Brito: "Eu e meus colegas podemos passar o dia inteiro resolvendo um único problema de matemática. E isso é diversão, jamais sofrimento".
David Capibaribe
Campeonato de xadrez
Alunos adoram competir

O ambiente nessas escolas destoa também pelo alto nível dos professores e dos diretores: 60% são mestres ou Ph.Ds. numa ciência exata. É o caso do engenheiro Henrique Soárez, com mestrado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, hoje no comando da escola 7 de Setembro: "O ponto central aqui é que os professores se prepararam para desempenhar a função". Um contraste em relação ao que ocorre na maioria das escolas brasileiras. Nas públicas, impressiona o fato de 70% dos professores jamais terem estudado para ensinar tais disciplinas. Diante desse cenário, não espanta que, às vésperas da faculdade, os brasileiros (incluindo os de colégio particular) desconheçam a função dos órgãos do corpo humano e demonstrem perplexidade com o fato de a Terra girar em torno do Sol. Isso é o que mostra um estudo conduzido pela OCDE (organização dos países mais desenvolvidos), que produz os rankings internacionais de ensino – aqueles em que o Brasil aparece, sempre, entre os últimos. Diz o especialista Gustavo Ioschpe: "O desempenho ruim dos alunos brasileiros tem relação direta com o péssimo nível dos professores".
Bons profissionais, por sua vez, conseguem algo que merece atenção no caso cearense – feito resumido em poucas palavras pela estudante Jéssica Fernandes, 18 anos: "Sabe o que é contar os minutos para uma aula começar?". A moça e seus colegas desfilam camisetas com os dizeres "Just do ITA" (Só faça ITA) e justificam as olheiras citando as noites insones no laboratório. As aulas práticas, cujo cenário são salas bem equipadas, também ajudam a explicar o sucesso do modelo cearense. Básico, mas raro no Brasil. "Os cearenses que chegam aqui sabem como aplicar o conhecimento científico ao mundo real", avalia o coordenador do vestibular do ITA, Luiz Carlos Rossato. Para passar num concurso tão difícil, os estudantes estão sujeitos a privações e muitas exigências escolares, entre elas resolver equações que consomem horas e horas da vida de gente como o cearense Tarcísio Neto, 19 anos, aprovado no ITA aos 16: "Para me tornar um bom engenheiro, vale o esforço". O entusiasmo dele e dos outros é mais um sinal de que se está, sem dúvida, diante de um bom exemplo.
Fotos Photodisc/Eyewire


Fonte: Revista Veja
Enviada por Flávio Lúcio
#########


Experimentando a ignorância
Leandro Nogueira
Professor EEFD-UFRJ



Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos da América e principal autor da Declaração da Independência Americana, dizia que “se uma nação espera ser ignorante e livre, num estado de civilização, espera o que nunca existiu e nunca existirá”.
Jefferson não foi um homem de bravatas; além de revolucionário e estadista, foi filósofo, arquiteto, arqueólogo, vinicultor, gastrônomo e fundador da Universidade da Virgínia.
Muitos anos depois, outro norte-americano, Derek Bok, jurista, educador e vigésimo-quinto presidente de Harvard, cunhou a famosa advertência, “se você pensa que a educação é cara, experimente a ignorância”.
Não obstante o significado dos Estados Unidos e da Universidade de Harvard no cenário internacional, aqui no lado de baixo do Equador, a maioria dos políticos brasileiros, os especialistas de aluguel e muitos dos chamados “formadores de opinião” presentes em nossa “imprensa livre”, jamais se permitiram sensibilizar por tais declarações.
Com efeito, ao final do sexto ano da Era Lula, regida pelo nosso festivo presidente-companheiro, peladeiro e corintiano, o IPEA divulgou um levantamento revelando que o Brasil gastou com o pagamento de juros do endividamento público, entre 2000 e 2007, nada menos que R$ 1,268 trilhão, o que equivale a 8,5 vezes o dinheiro investido em educação no mesmo período, que foi de apenas R$ 149,9 bilhões.
Deve ser ressaltado contudo, que se a quantia destinada ao pagamento dos juros seguiu líquida e certa para os bolsos dos credores internacionais, boa parte do montante que deveria ser aplicado na educação, terminou por escorrer na vala da corrupção endêmica que envolve politicos, secretarios de educação, diretores escolares, reitores universitários, ONGs, OSCIPs, empreiteiras, fornecedores diversos, lobistas etc .
Não é à-toa portanto, que o país vem colecionando sucessivos fracassos no campo da educação; que a maioria das escolas públicas brasileiras não passam de depósitos de alunos e que as universidades públicas vêm operando à mingua de toda a sorte de recursos.
Historicamente o Brasil vai assim se firmando como grande exportador de capitais e experimentador convicto da ignorância.
Em razão dessa experiência socialmente cancerígena, o ensino médio, segundo dados do INEP, sequer consegue formar um número de alunos que seja igual ao número de vagas oferecidas no ensino superior, hoje privatizado e destituído de qualidade acadêmica em sua maior parte.
Os resultados apontam então, para uma sociedade que está sendo condenada a contar com recursos humanos e empregos de baixa qualidade, uma combinação fatal para qualquer projeto de sustentabilidade.
Nesse sentido, o mesmo levantamento do IPEA revela que de 1990 a 2007, o rendimento médio mensal dos 10% mais pobres, passou de R$ 67,00 para R$ 97,00, enquanto que no caso dos 20% mais pobres, esse mesmo rendimento passou de R$ 202,00 para R$ 236,00.
Não bastasse a evolução irrisória desses rendimentos, houve no mesmo período decréscimo no rendimento médio mensal dos 10% mais ricos, que passaram no mesmo período de R$ 4.559,00 para R$ 4.114,00 (sic!) e também dos 1% dos mais ricos, que passaram de R$ 13604,00 para R$ 11.878,00 (sic!).
Não por outro motivo, segundo o mesmo levantamento, a participação dos salários dos trabalhadores que compunham em 1990, 53,4% da renda nacional (PIB), caiu em 2007 para 46,5% desse mesmo montante, evoluindo a massa salarial na mesma direção da trança de Rapunzel, apesar da recente emergência de uma nova “classe media”, que segundo o IBGE começa no patamar do rendimento médio mensal de R$ 1.064,00 (!).
Em meio à essa deliberada apologia à insensatez, as lideranças do setor da pós-graduação brasileira, talvez o único a escapulir momentamente da tragédia que se abate sobre os demais segmentos educacionais, trabalham como se nada disso lhes dissesse respeito, ocupadas demais com os indices de produtividade acadêmica, com as bolsas e financiamentos oferecidos pelas empresas de capital intensivo e também com a oportunidade de criarem os MBAs disso ou daquilo.
Pior, essas mesmas lideranças e também as que constituem as cúpulas dirigentes do ensino superior brasileiro, portam-se como ovelhas pós-graduadas, diante da sonegação e fiscalização dos recursos fundamentais para a educação brasileira e frente às iniciativas patéticas como o ENEM, o ENADE, o ProUni, o REUNI e a nova Lei de Estágio, somente para citar alguns exemplos, baixadas à revelia de qualquer debate minimamente racional, e que por isso mesmo funcionam como deslavados simulacros do controle e da democratização da questão educacional no país.
Como não existe exemplo de nação que tenha dado certo em meio a tal descaso histórico com a educação, que optou ainda pela exportação de capitais e em detrimento dos investimentos necessários ao desenvolvimento humano de seus habitantes, o futuro do país, que segundo Stefan Zweig seria vocacionado para um desenvolvimento pacífico e civilizador, encontra-se agora sob a perspectiva sombria e atordoante, do aprofundamento de um extraordinário nível de violência social, cada vez mais iminente, que o pesquisador e especialista em literatura médica, Luís Mir, não hesita em já classificá-lo como autêntico estado de guerra civil.

Fonte: http://www.observatoriodauniversidade.blog.br/Blog/blog/2008/11/17/

Terça poesia e prosa


Soneto a Quatro Mãos
Paulo Mendes Campos e Vinícius de Moraes


Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

°°°°
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

°°°
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

°°°
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.


##################

UM POUCO DE METAFÍSICA

Juremir Machado


Deve acontecer com todo mundo. Semana passada, fiquei com aquela saudade de mim. Mas não uma saudade objetiva, de algum tempo ou de algum feito. Não era, por exemplo, uma saudade de quando eu tinha 13 anos e o Inter brilhava nacionalmente. Não, com certeza não era uma saudade do Fogaça e do Falcão. Nada disso. Era uma saudade de mim sem mais nem menos.

Não era uma saudade da juventude, da infância ou de algum momento feliz.

Não era uma saudade de Paris. Nem de Palomas. Muito menos de Paros. Era uma saudade dessas que fazem a gente mexer nos discos e ouvir o que parecia soterrado para sempre.

Quando sinto saudade de mim, algo que raramente acontece, eu começo ouvindo Beethoven, passo por Charles Trenet, Chico Buarque, Milton Nascimento, Vinícius, Janis Joplin, Nélson Gonçalves, Cartola, Edu Lobo, Belchior, Elis Regina e termino... Não vou dizer. Bom, bem pensado, cada um com seus gostos, termino na Jovem Guarda. Não só, porém, em Roberto Carlos e na sua turminha mais próxima.

Eu sou capaz de verdadeiros desatinos musicais. Deviam me prender quando estou com saudade de mim para evitar a exumação de cadáveres musicais. Julgo que eu seja exatamente como todo mundo.

Exceto as gerações educadas no rock. Essas só cometem desatinos musicais em inglês e com pretensões comportamentalmente renovadoras.

Já me peguei escutando, sem a menor sensação de ridículo e de porta aberta, 'parece que eu sabia/ que hoje era o dia/ de tudo terminar/ pois logo notei/ quando telefonei/ pelo seu jeito de falar'.
Normalmente a minha loucura se resume a ouvir José Mendes como trilha sonora para as minhas lembranças de guri da campanha. O engraçado desse tipo de saudade, que chamarei de metafísica, é que ela parece muito chata aos olhos e ouvidos dos outros.

Eu mesmo fujo quando alguém me fala que está melancólico, quer dizer, jururu, pois ninguém usa a palavra melancólico a não ser quando está com cólica, por uma necessidade de rima e um pudor anacrônico. Eu suspeito de quem não sente saudade de si.

A maioria, contudo, é mais tolerante com um sujeito com cólica do que com alguém saudoso de si. Certamente, isso tem a ver com a nossa tendência a crer mais no determinismo do que no livre arbítrio. Somos uma civilização que crê no determinismo por influência de certo positivismo científico e por interesse.

O determinismo nos isenta de certas responsabilidades. A cólica – que belo assunto para uma crônica inteira – seria o produto de uma necessidade natural, e não uma escolha individual.

Aí se vê a limitação filosófica das pessoas. A saudade de si também não é uma escolha. Ou, ao contrário, a cólica pode muito bem ser o resultado de uma série de escolhas inadequadas dos indivíduos.

Um ser humano com saudade de si, ou com cólica, pode gritar com Schopenhauer para o criador: 'Como ousaste interromper o repouso sagrado do nada para fazer surgir uma tal massa de desgraça e de angústia?'. Não sejamos tão dramáticos.

As mulheres, que sofrem com as cólicas menstruais, sabem que depois passa. A saudade de si é como certa dor provocada por uma batida no joelho: dá vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo. É uma dor gostosa. Sem contar que torna útil aquela massa de discos armazenados.

Pois saudade de si, para a minha geração, só se cura ouvindo música bizarra em vinil. A coisa só se torna séria quando a pessoa resolve desencavar suas poesias de adolescência. Diante desse sintoma, melhor consultar um médico.

Fonte: http://entrelacos.blogger.com.br/

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Segunda bem humorada

As 4 fases liquidas da vida

Coisas do passado

Depois de uma longa e intensa noite de amor, o homem pega num cigarro e procura alguma coisa para acendê-lo. Não encontrando, pergunta à companheira se ela tem alguma coisa para acender o seu cigarro.
Ela diz:
- Deve haver alguma coisa aí, na gaveta da mesinha de cabeceira.
Ele abre a gaveta e encontra a foto de um homem. Preocupado, pergunta:
- É o teu marido?
- Não, tonto! - responde ela, aconchegando-se amorosamente.
- Então, é o teu namorado? - insiste ele.
- Não, são coisas do passado... - responde ela, enquanto dava mordidinha na orelha dele.
- Bem, então quem é? - pergunta o rapaz, já muito desconcertado.
Serenamente ela responde:
- Sou eu, antes da operação...
########
A primeira vez do índio
Um índio foi ao bordel e disse
- Índio qué mulhé. Índio tem dinheiro !
A dona do bordel perguntou :
- Índio tem experiência ? Já fez antes ?
Indio respondeu :
- Índio primeira vez.
A dona do bordel ponderou :
- Então, índio vai no mato, procura um buraco numa árvore, aprende como se faz e depois volta aqui.
Uma semana depois, o índio voltou ao bordel :
- Índio qué mulhé. Índio tem dinheiro. Índio já aprendeu.
A dona do bordel, então, mandou o índio subir para um quarto no qual já havia uma moça esperando por ele.. O índio subiu, entrou no tal quarto e mandou a mocinha tirar a roupa e ficar de quatro. Depois, pegou um pedaço de pau e começou a bater no bunda dela. Aos gritos, a dita cuja pergunta :
-' Índio está maluco ? O que você está fazendo ?
Ele responde :
- Índio tá vendo primeiro se tem abelha no buraco !

###############
Frases

1. O amor é como capim: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo.

2. 'Estamos numa época em que o Fim do Mundo não assusta tanto quanto Fim do Mês' (Essa foi a melhor!!! rs)
3. O homem é o único animal que consegue estabelecer uma relação amigável com as vítimas que ele pretende comer.
4. Comer Puta é igual Bung Jump: a emoção é Grande, mas se estourar a borracha você tá fudido!!!
5. Status é comprar uma coisa que você não quer, com um dinheiro que você não tem, para mostrar pra gente que você não gosta, uma pessoa que você não é.
6. Sabe o que o argentino tem mais que o brasileiro? Tem mais é que se fuder'
7. A verdadeira bravura está em chegar em casa bêbado, de madrugada, todo cheio de batom, ser recebido pela mulher com uma vassoura na mão e ainda ter peito pra perguntar : vai varrer ou vai voar?
8. Casamento é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: - Pula que a água tá boa.
9 - Eu li que fumar fazia mal, então parei de fumar... Li que beber fazia mal, então parei de beber... Li que comer gordura fazia mal, então parei de comer... Li que sexo fazia mal, então parei de LER!!!
10. Se caminhar fosse bom para a saúde o carteiro seria imortal
11.Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque já descobriu em quem pôr a culpa.
12. Eu bebo pra ficar ruim mesmo... se fosse para ficar bom eu tomava remédio.
13. A diferença entre uma mulher na TPM e um sequestrador, é que com o sequestrador ainda existe uma possibilidade de negociação.
14.Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?'
15. Nas horas difíceis da vida você deve levantar a cabeça, estufar o peito, e dizer de boca cheia: Agora fudeu...!!!'
16. Já que cada vez mais as mulheres estão indo em busca de seus direitos, bem que na volta poderiam trazer uma cerveja...
17. Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca.
18. 'Mulher feia é que nem pantufa.... dentro de casa é até gostoso, mas pra sair na rua dá uma vergonha...'

19. O que é um peido para quem já está todo cagado...
Clássicas de Stanislaw Ponte Preta
(11 de janeiro de 1923 - 30 de setembro de 1968)

1. Pelo jeito que a coisa vai, em breve o terceiro sexo estará em segundo.

2. Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade.
3. Rabo e conselho só se deve dar a quem pede.

4. Se o Diabo entendesse de mulher, não tinha rabo nem chifre.
5.Uma feijoada só é realmente completa quando tem uma ambulância de plantão.

6. O marido enganado é um homem que se engana a respeito da mulher que o engana.

7. A mulher ideal é sempre a dos outros.

domingo, 16 de novembro de 2008

Som do domingo: Paulinho Moska

Cante...

Último Dia
Paulinho Moska
Composição: Paulinho Moska e Billy Brandão


Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?

°°°

Meu amor
O que você faria
Se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Corria pr'um shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?

°°°
Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

°°°
Abria a porta do hospício?
Trancava a da delegacia?
Dinamitava o meu carro?
Parava o tráfego e ria?

°°°
Meu amor
O que você faria
se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

°°°
Meu amor
O que você faria
Se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...

O futuro é agora. Abre o olho IP!!!

Casa no caminho da Pedra de São Sebastião
- do blog de Cleidinha -

Hoje, o nosso blog fala de um tema extremamente preocupante, pouco discutido e políticamente desconhecido das sucessivas gestões na Prefeitura de Ipaumirim.
Ano passado, a vereadora Júlia Bastos trouxe - pela primeira vez - ao município, um pesquisador do tema.
Apresentamos a sequência de informações da palestra proferida na Câmara de Vereadores de Ipaumirim que consiste em tres partes:
- na primeira, são apresentados o conceito, os indicadores , as causas da desertificação e as indagações que subsidiaram o trabalho de pesquisa.
- na segunda, estão as informações sobre o município de Irauçuba
- na terceira, uma aproximação dos estudos para o município de Ipaumirim
Naturalmente, os iniciados do assunto compreenderão muito melhor do que eu e a maioria dos nossos leitores. Como nosso blog não é versado em jornalismo científico mas na necessidade de despertar para questões de interesse do nosso município, acho que, de uma certa maneira, cumpre sua função.
Qualquer pergunta ou esclarecimento pode ser solicitado pelo e-mail luiza_ipaumirim@yahoo.com.br que repassarei a Gerardo e - com certeza - ele vai responder com a maior alegria.
Espero que a sua disposição em esclarecer-nos sobre o assunto seja seguida por outros especialistas que são filhos da terrinha e que podem colaborar para melhor informar a comunidade ipaumirinense.
Que venham os economistas, geógrafos, cientistas sociais, médicos, engenheiros, advogados e quem mais chegar.
O nosso ponto de encontro virtual é um espaço coletivo e democrático aberto a todos e não apenas ao conhecimento especializado. Portanto, todos são bem vindos com o mesmo respeito e o mesmo carinho.
ML

Filho de Ip fala sobre desertificação no município

José Gerardo Beserra de Oliveira possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará (1956) , especialização em Fisiologia Vegetal pela Jardim Botânico do Rio de Janeiro (1961) , especialização em Anatomia Vegetal pelo Instituto de Óleos do Ministério da Agricultura (1958) , mestrado em Botânica pela University of Arizona (1968) , doutorado em Manejo de Pastagens pela University of Arizona (1979) e curso-tecnico-profissionalizante pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (1982) . Atualmente é Participante do PROPAP da Universidade Federal do Ceará e Colaborador da Universidade Federal do Piauí. Tem experiência na área de Ecologia , com ênfase em Ecologia de Ecossistemas. Atuando principalmente nos seguintes temas: RANGE MANAGEMENT, ZONEAMENTO ECOLÓGICO, SITIOS ECOLÓGICOS.

Grupos de pesquisa em que atua na Universidade Federal do Ceará:

Análise Geoambiental - (líder)
Ecodinâmica e Recuperação Ambiental em Áreas Submetidas à Desertificação em Regiões Semi-áridas - (pesquisador)

Linhas de pesquisa em que atua:

Climatologia Geográfica
Desertificação/Degradação Ambiental
Detecção de Processos de Desertificação em Reigões Semi-áridas
Dinâmica das Paisagens no Bioma Caatinga
Estudos Ambientais para controle/restauração ecológica do Bioma Caatinga

Fonte: Plataforma Lattes/CNPq