domingo, 16 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Sábado em queda livre



"Quando pensamos que "houve"
um tempo nos enganamos.
O tempo sempre haverá."

Pablo Picasso

Retrato
Pablo Picasso

"Sou comunista e minha pintura é comunista. Mas, acaso fosse sapateiro, não importaria se monarquista ou se comunista, meus sapatos não seriam diferentes de acordo com minha orientação política.

O Parthenon é só um campo sobre o qual puseram um teto. Se incluíram ali umas colunas e esculturas, é porque havia uma gente em Atenas que por acaso faziam isso e desejavam se expressar. Não é o que o artista faz que importa; importa o que o artista é. Cézanne nunca me interessaria se ele tivesse vivido e pensado como alguém monótono, mesmo que suas maçãs fossem dez vezes mais bonitas. A força de Cézanne é sua ansiedade, esta é sua lição. Veja os tormentos de Van Gogh – este é o drama do homem. O resto é picaretagem.

O que há de errado com o pintor que pinta como outro, que imita outro? É uma ótima idéia. Você deveria tentar pintar constantemente como outra pessoa. O problema é que você não consegue. Você gostaria. Você tenta. Mas é um fiasco. E no momento em que fracassa tentanto é que quem você realmente é aparece."

Pablo Picasso
Fonte: http://pedrodoria.com.br/2008/01/05/uma-entrevista-aos-sabados-22/

Boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o tempo


Varias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.
Uma batalha interna hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta pra controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes, prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical... A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeça o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Marcia Neder

Perfil do povo mineiro

Por Cairo Arruda
(Membro da ACI e ACEJI)

Sempre fui admirador do povo mineiro, dada a sua coragem cívica, espírito libertário e de patriotismo, tendo como exemplo maior, o grande imortal Tiradentes, cujo ato de bravura dispensa comentários.
Como ser político, sou um eleitor frustrado por não ter chegado a ser governado por Tancredo Neves (de saudosa memória), num momento em que a nossa Nação tanto necessitava de um governante da sua estirpe, politico mineiro experiente e de passado limpo, e que tinha tudo para satisfazer às expectativas da grande maioria de brasileiros. Mas, em compensação, o meu primeiro voto foi dado ao também mineiro JK, para presidente da república.
Em conversa com um primo de Fortaleza, (que já havia passado uma temporada em Minas), ao dizer-lhe que aqui vinha residir, ele ponderou-me que os mineiros eram um tanto desconfiados no trato com patrícios de outros estados. Sinceramente, em aqui aportando, (que ele me desculpe!), não vi nada disso. Pelo contrário: deparei-me com um povo muito aberto, solícito, prestativo e solidário.
Encontro-me na hospitaleira cidade de Carmo da Cachoeira, nas margens da rodovia Fernão Dias, dista de Três Corações (berço do Rei Pelé) 40 km e de Varginha (Terra dos ETs) 52 km, respectivamente, por sinal, “nossas salas de visita”, ou melhor, os dois centros populacionais mais desenvolvidos, e para aonde os cachoeirenses acorrem para as suas necessidades nos setores de educação, saúde, comércio, etc.
Essas cidades mineiras estão para Carmo da Cachoeira assim como Cajazeiras-PB está para Lavras da Mangabeira e Ipaumirim, no Ceará.
Como é público e notório, uma localidade pequena muito próxima de uma maior, geralmente, sofre forte influência desta, por uma questão muito lógica, circunstância que, nas mais das vezes, leva a comunidade da menor, a acomodar-se quanto ao seu desenvolvimento, como um todo.
No caso de Carmo, por sinal, o mais antigo dos três municipios, não aconteceu diferente: a sua população está satisfeita com a atual condição de jurisdicionada àquelas Comunas, pertencendo em termos de Comarca, à Varginha, e em relação à Previdência Social, a Três Corações.
Por essas e outras,(que me perdoe o meu Ceará!), eu, já “setentão”, e avô de um mineiro, é por aqui que eu pretendo ficar.

E-Mail: cairomiri@yahoo.com.br
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

ATCHIMMM....








Volto


quando



melhorar.




Tô mals.....

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Carta ao meu neto sobre o Dia Mundial da Alimentação




Uma de cada seis pessoas em todo o mundo está passando fome hoje. É mais ou menos como se duas pessoas do seu time de futebol não conseguissem jogar porque estão sem comer há dias. Na América Latina, somos mais de 51 milhões de subnutridos, apesar de sermos uma região exportadora de todo tipo de alimentos.
José Graziano da Silva


Querido Arthur,
No dia 16 de outubro, a FAO comemora o Dia Mundial da Alimentação em todo o mundo, para lembrar a data da sua fundação.

Espero que você ainda se lembre o que é a FAO: onde o vô trabalha: é uma Organização criada há muitos anos para acabar com a fome no mundo. Infelizmente temos pouco a comemorar em relação a isso: o número de subnutridos – ou seja, pessoas que passam fome - vem aumentando, tendo atingido 923 milhões em 2007, sem contar os milhões que morrem antes. Uma de cada seis pessoas em todo o mundo está passando fome hoje. É mais ou menos como se duas pessoas do seu time de futebol não conseguissem jogar porque estão sem comer há dias.

Na América Latina, continente onde está o Brasil, somos mais de 51 milhões de subnutridos, apesar de sermos uma região exportadora de todo tipo de alimentos –frutas, carnes, leite, cereais- para todo o planeta. Desde 1990 o número de famintos na nossa região vinha diminuindo de 53 milhões para 45 milhões em 2005. Infelizmente em 2006 e 2007 – voltou a aumentar em 6 milhões, passando para 51 milhões de famintos em 2007.

Ou seja, em apenas dois anos perdemos quase tudo o que havíamos conquistado anteriormente. Isso porque os preços dos alimentos subiram muito nesses últimos anos. E apesar de que o nosso continente é um grande produtor de alimentos, milhões de pessoas não têm dinheiro suficiente para comprar o mínimo que necessitam para garantir uma alimentação adequada para suas famílias. Talvez você queira saber por que temos tantas pessoas tão pobres numa região tão rica. Seu bisavô dizia que era porque não se fazia uma reforma agrária de verdade. Mas isso é um tema para discutirmos em outra oportunidade.

O que eu quero te contar hoje é que a cada ano a FAO indica um tema para o Dia Mundial da Alimentação. Esse ano o tema é “Mudança Climática, Biocombustíveis e Segurança Alimentar”. Talvez você queira saber o que tem uma coisa a ver com a outra, especialmente nesses dias de tanta incerteza que vivemos onde além da alta dos preços, a crise financeira que afeta hoje os bancos e poderá amanhã contagiar todos os negócios, paralisando muitas atividades econômicas. Isso significaria menos empregos, menos oportunidades de gerar renda para as pessoas poderem comprar os alimentos que necessitam. O que faria aumentar ainda mais o número da famílias que não têm o que comer...

Mas é importante que você saiba porque os preços dos alimentos subiram tanto nos últimos 2 a 3 anos. Há muitas razões, mas uma das mais importantes é que as pessoas mais pobres estavam começando a comer mais e melhor nos últimos anos, principalmente naqueles países de população muito grande como a China, a Índia e também o Brasil. E comer melhor para as pessoas mais pobres significa comer mais carne, principalmente de frango e ovos. E não sei se você sabia que para produzir cada quilo de carne de frango precisamos de pelo menos dois quilos de milho para a sua ração. Ocorre que nos Estados Unidos, que é o grande produtor mundial desse cereal, aumentou muito a sua produção e álcool de milho para abastecer seus automóveis quando o preço do petróleo usado para fazer gasolina começou a subir sem parar. Hoje eles estão utilizando quase um terço do milho que produzem para fazer biocombustível, ou seja, de cada três quilos de milho que produzem, um vai para encher o tanque daqueles carrões que você vê nos filmes americanos. Daí sobrou menos milho para fazer ração no resto do mundo e o preço disparou. E isso arrastou também o preço de outros produtos substitutos do milho, como a soja e o trigo.

Além disso, alguns países que são também grandes produtores de cereais como a Austrália, a Argentina e a própria China tiveram secas e inundações inesperadas que ocasionou perdas importantes nas colheitas entre os anos de 2005 e 2007, reduzindo os estoques disponíveis, ou seja, aquela parte da produção que não se consome num ano de boa colheita e fica guardada para os anos seguintes. O importante é que os preços dos alimentos já estavam muito altos quando apareceu essa tremenda crise que já esta afetando os bancos.

Mas você poderia me perguntar: o que tem a ver as mudanças climáticas com a segurança alimentar nesse momento de crise econômica e de alta dos preços dos alimentos?

Como você sabe, as mudanças climáticas têm afetado muito a capacidade de se prever o que vai acontecer amanhã ou depois. Cada vez a gente sabe menos se vai chover ou não no verão, se vai fazer frio no inverno. Esse ano aqui no Chile passamos o maior calor nas férias de julho – e a neve da Cordilheira, onde você foi esquiar o ano passado, começou a derreter mais cedo. Provavelmente vai faltar água no final do ano para irrigar as plantações ( se alguem nao entender explique que nos paises andinos quase nao chove no verao e a unica agua que eles tem –inclusive para beber – é a que derrete da neve).

Lembra do Felipe que se mudou para Cuba? O pai dele me escreveu contando que num intervalo de dois meses já passaram pela ilha quatro furações nesse ano, coisa que nunca havia acontecido antes.

Pois bem: essas mudanças climáticas acentuam ainda mais as incertezas desse momento de crise na medida em que reduzem a nossa capacidade de prever o que vai acontecer no futuro. Incerteza não só com a produção e os preços dos alimentos, mas também o que vai acontecer com o emprego e a renda das pessoas, para que elas possam comprar os alimentos que precisam.

Em outras palavras, a insegurança gerada nesse momento de crise econômica afeta também a segurança alimentar das famílias, ou seja, o direito de todos comerem pelo menos três boas refeições todos os dias –tomar café da manhã, almoçar e jantar- como costuma dizer o Presidente Lula.

E o que se pode fazer nesses momentos de crise para garantir a segurança alimentar das pessoas, esse direito fundamental de todos os seres humanos?

Sem dúvida muita coisa. Mas tem uma que considero fundamental: garantir uma merenda escolar adequada às suas necessidades e hábitos alimentares.

Você se lembra do que a sua bisavó dizia quando você era pequenininho e não queria tomar a mamadeira? -“Quem não toma leite quando criança, quando crescer não será capaz de tomar conta nem de uma vaca…”. O que ela estava querendo ensinar é que se as crianças não se alimentam bem não crescem com saúde, não vão conseguir aprender as coisas na escola. E depois de adulto não é possível recuperar isso porque a falta de uma alimentação adequada e saudável desde criança compromete para sempre o desenvolvimento do cérebro, da visão e até mesmo da habilidade motora das pessoas.

Arthur, aproveite que hoje é o Dia Mundial da Alimentação para perguntar para sua professora como anda a merenda escolar da sua escola. Pergunte por exemplo se tem leite, frutas, legumes e verduras todos os dias. Pergunte onde essas coisas são compradas. Porque se os produtos utilizados na merenda escolar forem comprados dos pequenos agricultores da própria região, vai melhorar a vida deles também além de garantir uma alimentação mais saudável e de melhor qualidade.
Espero que no próximo ano possa lhe dar melhores notícias para que realmente possamos festejar o Dia Mundial da Alimentação com menos famintos no mundo e principalmente com menos crianças subnutridas.

Do seu avô,
José Graziano da Silva


José Graziano da Silva é representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)

Quarta via: A hegemonia do bem?


Obama tem esse privilégio de oferecer ao mundo um momento de hegemonia do bem. Só por isso ficará na história. Esse momento não durará muito. A realidade não costuma demorar quando sai para almoçar. Quando terminar, tudo vai depender do modo como o impulso do bem enfrentará o do mal.
Boaventura de Sousa Santos

A eleição do Presidente Obama é um acontecimento de global e transcendente importância para todos os que acreditam na possibilidade de um mundo melhor. Nos últimos quinze anos, dois outros acontecimentos adquiriram esta mágica qualidade: a eleição de Nelson Mandela como Presidente a África do Sul em 1994 e os quinze milhões de cidadãos que por todo o mundo sairam à rua em 15 de fevereiro de 2003 para protestar contra a invasão do Iraque. Muito distintos entre si, estes três acontecimentos têm em comum uma concepção pós-nacionalista do mundo. O mundo é a cidade natal da esperança e o que acontece num país diz respeito a todos os demais. Partilham também o serem testemunho da inesgotável criatividade da espécie humana, para o melhor e para o pior.
Os três acontecimentos foram considerados impossíveis quase até ao momento de nos baterem à porta. Partilham ainda a capacidade mágica dos seres humanos de celebrarem incondicionalmente a magia dos momentos de comunhão liberta dos contrangimentos da realidade, como se esta tivesse saído para almoçar e ainda não tivesse regressado.
Mas a relação entre a vitória de Obama e os dois outros acontecimentos é ainda mais profunda. Obama e Mandela são dois homens com fortes raízes na África e são orgulhosos das sua raízes. Mandela é, além de tudo, um líder de linhagem nobre Xhosa e Obama é membro da etnia Lou do Quenia (uma etnia discriminada antes e depois da independência), como refere com naturalidade no seu livro bestseller. As suas identidades foram tecidas pela memória do sofrimento injusto, da segregação, do colonialismo.
Mandela simboliza o caso extremo de uma maioria submetida a um cruel sistema da apartheid durante décadas. Obama, apesar de não ser ele mesmo descendente de escravos, simboliza o resgate do inominavél sofrimento que foi infligido aos afro-americanos, um sofrimento tão naturalizado pelos opressores que continuou até aos nossos dias sob a forma do racismo. Para além do voto dos brancos, Obama conquistou o voto esmagador dos cidadãos afro-descendentes e latino-descendentes e conquistou ainda o voto de uma minoria quase esquecida, os jovens.
A sua vitória é a vitória das minorias quando estas descobrem que, unidas, são a maioria. Nos últimos quinze anos, a África mostra-se ao mundo nos ombros destes dois gigantes e assim responde Basta! aos insultos do Banco Mundial e do FMI para quem a África é o continente infeliz onde o capitalismo global decidiu depositar multidões de seres humanos considerados descartáveis. Por uma via muito própria—selada no seu passado colonial - a África chega ao protagonismo mundial que nas duas últimas décadas conquistaram a Ásia e a América Latina (que também é Afro-latina e Indo-latina).
A relação entre a vitória de Obama e os milhões em protesto contra a guerra ilegal e injusta contra o Iraque não é menos relevante. As multidões em protesto não conseguiram impedir a guerra, tal como aconteceu com o senador Obama, um dos poucos que votou contra a guerra. Mas agora, como presidente dos EUA, tem nas suas mãos a possibilidade de pôr fim a essa guerra e, aliás, foi isso mesmo que prometeu aos seus eleitores. Os que votaram neles querem aliás que ele ponha fim à guerra gêmea que avassala o Afeganistão.
Neste domínio o seu estado de graça será curto, tanto no país como no mundo. O Afeganistão tem uma memória e uma história exaltantes de lutas vitoriosas contra invasores estrangeiros bem mais poderosos militarmente. Não há armas que verguem este país. Tudo indica que Obama privilegiará a diplomacia e que entenderá que a Al-Queda não pode ser destruída militarmente. Pode, isso sim, ser isolada pela paz e pela cooperação não colonialista. A vitória de Obama significa que, afinal, os protestantes não protestaram em vão.
A menção conjunta de três acontecimentos que visam devolver a humanidade ao melhor de si mesma pode ser surpreendente já que a vitória de Obama parece ter um significado global incomparavelmente superior aos dos outros dois. Este desequilíbrio é o resultado do privilégio hegemônico dos EUA no mundo de hoje, um privilégio em declínio, sobretudo no domínio econômico, mas por enquanto muito forte. Para o bem e para o mal. O 11 de Setembro “transformou o mundo” quando outras populações do mundo sofrem anualmente ataques tão injustos, tão criminosos e muitas vezes mais devastadores do que o ataque às torres gêmeas, sem que isso mereça mais de uma pequena referência noticiosa. Da mesma forma, um pequeno país, o Paraguai, elegeu, em 2008, um bispo, teólogo da libertação, para libertar o país da mais odiosa oligarquia sem que tal merecesse referência detalhada na imprensa internacional.
Obama tem esse privilégio de oferecer ao mundo inteiro um momento glorioso de hegemonia do bem. Só por isso ficará na história. Esse momento não durará muito. A realidade não costuma demorar muito quando sai para almoçar. Quando terminar, tudo vai depender do modo como o impulso do bem enfrentará o do mal. E tudo vai começar nos EUA, um país contraditório e sofrido. Contraditório, porque é o mesmo povo que há oito anos “elegeu” W.Bush, o pior presidente da história dos EUA. Sofrido, porque a estupidez, a avareza e a corrupção que dominaram a Casa Branca deixaram o país à beira da falência financeira e moral. Esta última foi rapidamente resgatada por Obama. A primeira será muito mais difícil de resgatar.


Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Terça poética homenageia Cecilia Meireles

Cecília Meireles
Encomenda
Cecília Meireles


Desejo uma fotografia
como esta – o senhor vê? – como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.

°°°
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

°°°
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

Canção

Cecília Meireles

Não te fies do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te vejo!
°°°
Não demores tão longe,
em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor,
que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
°°°
Aparece-me agora,
que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor,
que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo

Lua Adversa

Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida !
Perdição da vida minha !
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

°°°
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

°°°
E roda a melancolia
seu interminável fuso !

°°°
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Seleção de versos - Tereza Halliday

Cecília Meireles

A seleção de versos abaixo publicada tenho guardada há algum anos. Uma amiga me enviou e eu gostei tanto que agora compartilho com vocês.

CELEBRANDO O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE CECÍLIA MEIRELES NO DIA 7 DE NOVEMBRO 2001, EIS UMA SELEÇÃO DE ALGUNS DE SEUS VERSOS MEMORÁVEIS:

1) Ambição gera injustiça / Injustiça, covardia. (Romanceiro da Inconfidência).

2) Mas o canto, mas o sonho / de que modo encontrarão / o que não é vão? ("Praia do Fim do Mundo", in Poemas Escritos na India).

3) ... Vivemos do que perdura, / não do que fomos. ("Quinto Motivo da Rosa", in Mar Absoluto).

4)... Aprendi com as primaveras / a deixar-me cortar e voltar sempre inteira. ("Desenho" in Mar Absoluto).

5) Quem pode ser verdadeiro / sem que desagrade? (Romanceiro da Inconfidência).

6)Tenho vergonha dos meus sonhos de beleza. ("Transeunte"in Mar Absoluto).

7) Cada palavra um folha no lugar certo. (41, in Metal Rosicler).

8) Desarmados de corpo e alma / vivendo do que a dor consente. (36, in Metal Rosicler).

9) Como exígua lançadeira / vou sendo o melhor que posso / de novo e antigo. (Onze, in O Aeronauta).

10) Por mais que seja querida / há menos felicidade / na volta do que na ida. (Oito, in O Aeronauta).

11) Liberdade - essa palavra / que o sonho humano alimenta / que não há ninguém que explique / e ninguém há que não entenda!. (Romanceiro da Inconfidência).

12) Com a ternura humilde e o remorso / dos meus desacertos humanos. ("Elegia a uma pequena borboleta"in Retrato Natural).

13) ... Libertar-me / das paredes, de tudo que aprisiona: / atravessar demoras, vencer tempos / pululantes de enredos e tropeços. ( in Solombra)

14) Como as palavras se torcem / conforme o interesse e o tempo!. (Romanceiro da Inconfidência).

15) Não faças de ti / um sonho a realizar / Vai. (XXIII, in Cânticos).

16) Nada foi projetado e tudo acontecido. ( in Solombra).

17) Não digas que és dono / Sempre que disseres / Roubas-te a ti mesmo.../ Inutiliza o gesto possuidor das mãos. (XX, in Cânticos).

18) Não marques limites ao teu caminho./ A Eternidade é muito longa. / E dentro dela, tu te moves, eterno. (XV, in Cânticos).

19) A sede de ouro é sem cura / e por ela, subjugados, / os homens matam-se e morrem, / ficam mortos mas não fartos. (Romanceiro da Inconfidência).

20) Sede assim - qualquer coisa / serena, isenta, fiel. ("Sugestão", in Mar Absoluto).

21) Tenho fases de ser tua / Tenho outras de ser sozinha. ("Lua Adversa", in Vaga Música).

22) Humildade de amar só por amar, sem prêmio / que não seja o de dar cada dia o seu dia. (Solombra).

23) Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido / a sombra é que vai devagar. ("Inscrição", in Mar Absoluto).

24) Porque a vida, a vida, a vida / A vida só é possível / reinventada. ("Reinvenção", in Vaga Música).

25) Construirás os labirintos impermanentes / que sucessivamente habitarás. ("Desenho", in O Estudante Empírico).

26) ... Não sou esta apenas / mas a de cada instante humano / em todos os tempos que passaram. ("Via Appia", in Poemas Italianos).

27) Somos sempre um pouco menos do que pensávamos. / Raramente, um pouco mais. ("Desenho", in O Estudante Empírico).

28) O pensamento é triste, o amor, insuficiente / e eu quero sempre mais do que vem nos milagres. ("Explicação", in Vaga Música).

29) Fala-se com os homens, com os santos / consigo, com Deus... e ninguém / entende o que se está contando / e a quem. ("Amém", in Vaga Música).

30) Só é puro / o silêncio - e exato e claro. / Sempre uma sombra estremece / entre os pensamentos ditos. (Nove, in O Aeronauta).

31) Como hei de acusar ou perdoar? / Nada sei. / Contemplo. ("Contemplação", in Mar Absoluto).

32) Tão pouco somos - e tanto causamos, / com tão longos ecos!. ("Contemplação", in Mar Absoluto).

33) Terra e sol, lua e estrelas / giram de tal maneira bem / que a alma desanima de queixas. ("Amem", in Vaga Música).

34) Eu quero a memória acesa / depois da angústia apagada. ("Desejo de regresso", in Mar Absoluto).

35) Até sem barco navega / quem para o mar foi fadada. / Deus te proteja, Cecília / que tudo é mar e mais nada. ("Beira Mar", in Mar Absoluto).

36) Mando-te um som de vida / em meus rios de espanto. (Solombra).

37) Deus consente que os homens venham / a esta intimidade de amigos / somente por mostrar que se amam / que estão no mundo, que estão vivos. ("Família Hindu", in Poemas escritos na India).

38) Dize-me tu, se é muito tarde / se a vida é longa e a dor é perto / e é tudo feito de acabar-se. ("Serenata", in Retrato Natural).

39) Acordamos despojados, divididos, dolentes / e, exaustos, começamos a recompor / aquilo que, sem nenhuma certeza / supomos no entanto, ser, em alma e esperança. ("Todos acordamos tristes", in Indéditos).

40) Faze a tua palavra perfeita. / Dize somente coisas eternas. (Cânticos).

Em homenagem ao Centenário de nascimento de Cecília Meireles (1901-1964), esta seleção de "versos memoráveis" foi organizada por mim e é compartilhada com aqueles que têm "sede de beleza" e possam encontrar num verso, uma janela para si mesmos e para o mundo. Ela atribuíu esse potencial à poesia, em sua última palestra proferida na Associação Brasileira de Imprensa, em 1963.
Tereza Halliday.

Surprise........

Depois de uma longa e intensa noite de amor, o homem pega num cigarro e procura alguma coisa para acendê-lo. Não encontrando, pergunta à companheira se ela tem alguma coisa para acender o seu cigarro.
Ela diz:
- Deve haver alguma coisa aí, na gaveta da mesinha de cabeceira.
Ele abre a gaveta e encontra a foto de um homem. Preocupado, pergunta:
- É o teu marido?
- Não, tonto! - responde ela, aconchegando-se amorosamente.
- Então, é o teu namorado? - insiste ele.
- Não, são coisas do passado... - responde ela, enquanto dava mordidinha na orelha dele.
- Bem, então quem é? - pergunta o rapaz, já muito desconcertado.
Serenamente ela responde:
- Sou eu, antes da operação...

1º Treino da SELEÇÃO ARGENTINA sob o comando do Maradona...


sábado, 8 de novembro de 2008

Álbum da semana


Blandina e Maria da Paz


aniversário de Lorena (filha de Leylton e Gorete)


Gildaci e a filhota


Zeneide Jorge


Vânia Maria e sua gatinha


Mujica, Expedito Duarte, Marcos, Chico de Vicentina,
Zé Ramos (os outros não identifiquei)


Regivan, Almir e Almeida Júnior

Jucicléa Gouvieia


Kelsen, filho de Colares e Socorro Felinto


Iasmin e Jáder


irmãs Gomes Lemos: Aldenir, Fátima e Aldeíde


Irmãos Brasil


Erivalda e Cleomar


Encontro: família de Zé Caetano e família de Gisele


Dãozinho e a turma de demolay


Fernando, Luciene e Pedro Jorge

Ana Luiza
(filha de Pedro Jorge e Luciene)

Joana e Adélia

A desertificação de Ipaumirim

Pelo visto, Ip insiste em viver fora do mundo. Lendo um artigo de julho de 2008 mas muito atual porque o problema só tende a se agravar. Acho que foi ano ou ainda em 2008, sei que houve em Ipaumirim uma palestra de do Prof. Dr. Gerardo Bezerra de Oliveira - para os intimos, Gerardo, de Adolfo e Maristela - figura respeitada no ambiente acadêmico brasileiro , consultor do CNPq, estudioso do problema da desertificação.
Se não me engano, sua vinda a IP para falar do tema foi iniciativa da Câmara Municipal através da vereadora Júlia.
Excelente iniciativa mas depois tudo volta ao normal.
Esta semana, lendo sobre as ações Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semi-árido da Assembléia Legislativa do Ceará, vejo que a desertificação de Ip é um assunto em pauta na Comissão.

"Moreira citou os debates sobre a exploração ilegal de produtos naturais,realizados em Itaitinga; sobre a gestão participativa do Parque de Jericoacoara; sobre a situação da lagoa do Canabrava; sobre a coleta e o armazenamento do lixo; sobre o programa Ecoelce de reciclagem em troca de desconto na conta de energia; sobre o Dia da Caatinga; sobre a desertificação em Ipaumirim; sobre o litoral do Estado; sobre a ocupação do rio Jaguaribe; sobre o processo de regularização fundiária da União na orla de Fortaleza e sobre a degradação do meio ambiente em Ibiapaba."
(http://www.pvceara.org.br/noticias/texto.asp?id=896&var=noticias&c=noticias)

O que projeta a nova gestão sobre políticas ambientais?
E a comunidade sempre tão silenciosa que nunca se pronuncia sobre as questões de interesse da terrinha?
Todo mundo preocupado com a transposição do rio São Francisco, com a violência da menina Eloá, com as pautas da mídia mas questões de interesse que deveriam estar na pauta local nunca estão presentes.
Quer ver uma? Aquele projeto do famoso açude da Pitombeira... o que foi feito dele? Não é para o bem da comunidade? Os políticos não juram de pés juntos que estão sempre trabalhando pelo povo? Então tem que dar uma satisfação ao povo dizendo as razões pelas quais o açude não sai. E a população tem que exigir uma satisfação porque este assunto já está pra lá de caduco. Entra e sai um prefeito atrás do outro e nada.
Sou ruim de datação mas lembro que a última vez que ouvi falar no tal açude foi numa reunião que houve na prefeitura por ocasião na festa de filhos e amigos de Ip, 18 de janeiro.
No dia 18, a ACRI ofereceu um belo café da manhã no antigo XI de Agosto. Muito bem servido, organizado por Nali e Magna, lá estavam os filhos de Ip que moram fora e as principais lideranças políticas do município.
No dia 19, a Prefeitura ofereceu um café no Colégio Estadual onde muitas pessoas que estiveram presentes no anterior também lá estavam. Com exceção dos adversários políticos locais do prefeito que na ocasião era Luiz Alves. O café também estava muito bom, era bem mais simples do que o da ACRI mas também era para mais pessoas. Nem por isto foi inferior. Afinal, pelo menos pra mim que conservo meu paladar sertanejo, não sou gourmet e nem entendo de gastronomia, um evento desta natureza vale pela confraternização. Quanto mais interessante as pessoas presentes, menos me interesso pelo cardápio.
Alguns consideraram uma disputa. Eu não. Eram objetivos totalmente diferentes. os propósitos eram outros.
Durante o café, no Colégio Estadual, o ambiente estava lotado e eu saí para arejar. Defronte ao colégio mas ainda na área interna, presenciei uma cena inédita: num momento solitário, o deputado Omar Baquit, convidado, dá um bocejo próprio de quem está pra lá de enfadado e aborrecido de cumprir rituais políticos desinteressantes. No limite. Sabe aquelas coisas que a gente aguenta por ossos do ofício? Pois era essa a expressão do deputado que a seguir desmanchou-se em simpatias à medida que a turba o cercava. Recauchutou o sorriso amarelo e vamos que vamos!
Daí, foi um bocado de gente para prefeitura, eu desci no embalo e acabei entrando por lá. Pronto! Foi a última vez que eu ouvi falar no açude da Pitombeira.
Afinal, alguém pode informar porque não sai o tal açude?
E saneamento, calçamento, remédio, médico e otras cositas más? A lista é grande e o próximo gestor precisa se pronunciar sobre o recebe e o que vai fazer. Afinal, prefeito é pra todo mundo e prioridade são as demandas coletivas.
Se o município não trouxer respostas afirmativas e sair do esquema funesto que tem marcado as gestões em Ip, vai ficar tudo do mesmo jeito e teremos trocado seis por meia dúzia.
ML
Recife - PE

O REINO ANIMAL

Por Cairo Arruda
(Membro da ACI e ACEJI)

“Estágio intermediário entre o Reino vegetal e o humano, o Reino animal diferencia-se do primeiro pela capacidade de locomover-se, e do segundo pelo predomínio da expressão instintiva.
Os animais em geral desenvolvem a energia da vontade e são sensíveis aos estímulos à atividade. Sobre eles age também a energia da devoção, expressa como domesticidade e estima a seus benfeitores. De certo modo representamos para os animais o que Deus representa para nós. Portanto, maus-tratos e indiferença de nossa parte frustam a natural devoção, que esse Reino está pronto a dedicar-nos”.
A utilidade de certos espécimes ao homem, é de um valor inestimável, mas que não devem ser usados para fins materiais, o que concorre fortemente para desviá-los de sua verdadeira finalidade aqui na Terra.
Como exemplo de utilização de animais para fins de interesse material, citamos a participação de alguns deles em picadeiro de circos, servindo de atração para seus freqüentadores, notadamente o público infantil.
Já com finalidades nobres, temos o caso do cão que exerce a tarefa de guia de cego; de companhia de idosos; de ente querido de adolescentes e solteironas; de amigo fiel de crianças, protegendo-as incondicionalmente, até, em algumas vezes, da própria morte.
Como auxiliar de polícia, na área de segurança e do combate ao crime (tráfigo de drogas, especialmente), o trabalho do cão farejador no auxílio à detecção da condução camuflada de produtos tóxicos, por parte de traficantes, tem sido dos mais valiosos, principalmente junto à Polícia Federal.
A despeito de cão, estamos criando uma cadela de nome Yuk, vivendo solta no nosso quintal, que, por sinal, é um verdadeiro jardim. Logo que chegou ao nosso convívio, maltratava um pouco as plantas mais frágeis. Mas com o devido adestramento, passou a poupá-las, restringindo-se apenas a fazer algumas escavações no solo, pois sua raça é de caçador. Ultimamente, estava atacando os pequenos pássaros que o sobrevoavam (o jardim), chegando a devorar algumas presas, no que foi severamente repreendida pelos seus amos; passando daí, a tratá-los como amigos, e apenas deles correndo atrás, a divertir-se com os seus vôos rasantes.
Yuk é tão dócil, que até a Mirian, que foi mordida por cachorro em plena gravidez da 2ª.filha Kátia, admira-a.
Hoje, todos de casa – do Mandir (meu neto) a Fabiana (sua babá), admiram-na bastante, e a têm como um animal de grande estimação, que não se vende, não se troca e nem se dá.

E-mail: cairomiri@yahoo.com.br