Gente de Ipaumirim. Vida de Ipaumirim. Tempos de Ipaumirim. Alagoinha... Ipaumirim...... memória..... raízes... atualidades....... por novos tempos..... novos olhares...... espaço aberto a todos......
sábado, 9 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Sábado em queda livre: ENADE 2007

Como a maioria dos estudantes universitários de Ipaumirim se desloca para realizar o seu curso superior prioritariamente nas universidades e faculdades do Ceará e da Paraíba, editamos o quadro geral MEC/INEP selecionando apenas os cursos ali instalados. A lista é longa e pode ser consultada no endereço eletrônico abaixo. Se eu não registrei algum curso, com certeza, ´você encontrará no site.
http://www.inep.gov.br/download/enade/2007/tab_enade_2007.xls
Os três conceitos básicos apresentados são: a nota do Enade, o IDD (índice de desempenho que mostra o quanto de conhecimento a instituição agregou ao aluno) e conceito preliminar do curso (CPC).
Cursos: Odontologia, Serviço Social, Tecnológico em Radiologia e Zootecnia
Compreendendo os resultados
Recortei do documento Ministério da Educação/ Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação – INEP/ CONCEITO PRELIMINAR DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, também disponível no site do INEP, algumas definições e informações que ajudam a compreender os resultados.
O Que é o Conceito Preliminar
O conceito preliminar se constitui elemento de referência nos processos de avaliação para subsidiar a renovação de reconhecimento dos cursos de graduação, cuja base legal é a Portaria Normativa 40, de 12 de dezembro de 2007
como o próprio nome indica, é um indicador preliminar da situação dos cursos de graduação. Ele consubstancia diferentes variáveis que traduzem resultados da avaliação de desempenho de estudantes, infra-estrutura e instalações, recursos didático-pedagógico e corpo docente.
Composição do Conceito Preliminar
Cursos com Conceito Preliminar 1 ou 2
• A visita da comissão de avaliação (in loco) será obrigatória
• A depender do resultado da avaliação in loco, o conceito preliminar poderá ou não ser alterado para mais ou para menos.
• A solicitação de avaliação in loco deverá ser instruído com justificativa e com providências do curso/IES para a superação das fragilidades expressas no Conceito Preliminar, as quais deverão ser inseridas pelo curso/IES nos sistemas eletrônicos do MEC e no Formulário Eletrônico utilizado para a avaliação.
. Cursos com Conceito Preliminar 3 ou 4
• A visita da comissão de avaliação (in loco) será opcional
• Os cursos que optarem pela avaliação in loco poderão solicitá-la até trinta dias após a divulgação oficial pelo MEC do conceito preliminar e começarão a receber as comissões do INEP em data subseqüente àquelas programadas para os cursos com conceito preliminar 1 e 2 e para os cursos sem conceito preliminar.
• A depender do resultado da avaliação in loco, o conceito preliminar poderá ou não ser alterado para mais ou para menos.
• Os cursos que tenham obtido conceito preliminar 3 ou 4 e não optarem por avaliação in loco, e que tenham processos nos Sistemas Sapiens ou e-MEC, terão os seus processos encaminhados à Secretária competente, para expedição da Portaria de renovação de reconhecimento.
. Cursos com Conceito Preliminar 5
• Os cursos que tenham obtido conceito preliminar 5 e que tenham processos nos Sistemas Sapiens ou e-MEC, serão encaminhados à Secretária competente, para expedição da Portaria de renovação de reconhecimento.
Sem conceito
Segundo o MEC, são graduações que ainda não tiveram turmas concluintes (alunos formados) conforme o prazo previsto para o exame.
Nossa fome cotidiana
Muito além da comida
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
"Trair e coçar... é só começar"

Tatiana Pronin
A maior parte dos homens trai porque adora uma novidade. No caso das mulheres, o principal incentivo para a infidelidade é o desejo de se vingar. A conclusão é de uma pesquisa feita pelo psicólogo Thiago de Almeida, da USP (Universidade de São Paulo), com 900 pessoas (355 homens e 544 mulheres).

terça-feira, 5 de agosto de 2008
QUARTA VIA
O Piso Nacional do Magistério tem sido discutido por causa de seu valor, de R$950. Mas sua maior importância está em seu conceito: nacional. Com uma desigualdade na renda per capita que chega a 100 vezes, entre a cidade mais pobre e a mais rica do nosso país, todos sabem como é difícil cumprir um Piso Nacional com recursos do município. E ainda é mais difícil dar os passos seguintes, além do piso, sem os quais a educação não mudará. Mesmo as autoridades de São Paulo, que já paga mais do que o piso a todos os professores, reconheceram que o Estado precisaria de R$1,4 bilhão a mais por ano para atender ao artigo da Lei do Piso que limita o número de aulas a no máximo dois terços da carga de trabalho do professor.
Essa declaração traz o reconhecimento de que educação é um assunto nacional, e deve ser federalizada. Professores com oito horas de aulas por dia não conseguem educar, e seus alunos viram assistentes de uma maratona. Se nem o estado o mais rico consegue reduzir a carga de trabalho do professor para seis horas de aula por dia, isso precisa ser um problema federal. O Brasil precisa de regras que se imponham a todos os estados e municípios, e de recursos adicionais vindos do governo federal.
Com o Piso, o Brasil deu um primeiro passo para que suas crianças tenham uma educação nacional de qualidade, e não municipal sem qualidade. Mas ainda assim, foi apenas um primeiro passo. É preciso implantar educação de qualidade em todas as escolas de todas as cidades, para todas as crianças. O caminho está em criar uma Carreira Nacional do Magistério, que defina altos padrões de salários e exigências para os professores, e um Programa Nacional de Qualidade da Educação, com escolas bem construídas e bem equipadas, funcionando em horário integral.
A Carreira Nacional deve definir não só o Piso, mas os diversos salários do professor brasileiro. Isso só trará benefícios para a educação se os professores tiverem a mesma qualificação e a mesma cobrança de dedicação e resultados. Por isso, a implantação de uma carreira deve ser feita por meio de concursos públicos federais, e assegurando salários altos, para atrair os jovens mais brilhantes da sociedade. Mas esses professores, por maior que seja o salário e a dedicação, só conseguirão desempenhar plenamente suas funções se trabalharem em escolas com prédios bonitos e confortáveis, contando com os mais modernos equipamentos pedagógicos.
Isso exige regras nacionais e recursos nacionais. E um cronograma nacional de execução, porque não é possível implantar a Carreira Nacional e a Qualidade Nacional de uma só vez. Não somente por falta de recursos financeiros, mas também porque não há número suficiente de professores qualificados para a nova carreira; porque não se faz escolas em pouco tempo; e porque nem todas as crianças e jovens terão condições acadêmicas para acompanhar a nova escola. Mesmo o Piso, de apenas R$ 6 por hora, tem um cronograma de três anos para ser implantado.
Enquanto melhora aos poucos as 180 mil escolas existentes nas 5.564 cidades brasileiras e o padrão de salário dos atuais 2.6 milhões de professores, que ensinam os 48 milhões de alunos, o Brasil precisa começar sua revolução em algumas cidades. Sob a coordenação federal, nessas cidades, escolhidas segundo a vontade de seus dirigentes, professores, pais e de toda a sociedade local, seria feita a revolução em todas as escolas, para todos os seus alunos, com a implantação da Carreira Nacional do Magistério e do Programa Nacional de Qualidade.
Isso é possível se a federalização for revolucionando a educação em todas as escolas das cidades escolhidas. A um ritmo de 300 a 500 cidades por ano, em no máximo 20 anos todo o Brasil teria a educação de que o País precisa para atravessar o século XXI.
Como autor da lei, devo reconhecer que, sem isso, o Piso será somente um primeiro passo. Importante, como todo primeiro passo, mas ainda incompleto.
Para além da roubalheira
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Érico Firmo
Solitário na Vila de Phelps, Nadal e Isinbayeva, o guerreiro Wellinsson. Um brasileiro.

- …o Nadal está na Vila …o Michael Phelps está na piscina, nadou com brasileiros… a Isinbayeva chegou à Vila …o Bernardinho já chegou …o Federer…
O filho de Adão e Maria também está na Vila Olímpica.
Bermuda azul, camiseta verde cavada, sandálias, o andar gingado de quem já tentou a lateral direita, Wellisson da Silva passa pelo pelotão da mídia que fareja, com sofreguidão, o Nadal, o Phelps, a Isinbayeva…
Quem Wellisson mais admirou e admira é Adão. Porque Adão foi alcoólatra, bebia muito, muito, mas deixou de beber porque tinha 5 filhos para criar. E criou como auxiliar de serviços na Universidade federal, em Viçosa, Minas.
Não fossem o pai, Adão, e a mãe, Maria, e Wellisson não teria chegado a Pequim. Hoje, aos 26 anos, ele tem 1 metro e 60. Aos 9 anos… e a mãe Maria o levou para a ginástica olímpica da universidade em Viçosa. A mãe tentou, mas a de Wellisson era o futebol.
O Viçosa Atlético Clube tinha um convênio com o Atlético Mineiro e o filho de Adão e Maria sonhava ser um ala pela direita. Não rolou. Aos 17 anos, a convite de Bete, a treinadora da universidade, levantou peso pela primeira vez. E desistiu:
- O corpo doeu por uma semana, muito ácido lático…
Um ano depois, novo convite e ele voltou ao tablado que o levaria a Pequim. Tetracampeão brasileiro na categoria menos de 64 quilos, 6º lugar no Pan-americano do Rio, Wellisson é o único representante do Brasil no levantamento de peso.
Nessa modalidade o técnico escolhe entre as várias categorias quem representa o país, a depender do número de vagas alcançadas nos torneios classificatórios. Com uma vaga para Pequim, Wellisson foi o indicado pelo treinador Edmilson Santos, por ter o melhor índice técnico entre todas as categorias.
Wellisson mora em Viçosa e sua técnica é Maria Elizabeth Jorge, mas na seleção o treinador é Edmilson, ex-atleta de até 105 quilos nas olimpíadas de Seul, Barcelona e Atlanta, medalhista em jogos em Havana e Mar Del Plata.
Edmilson treina o Pinheiros, em São Paulo, e por suas mãos passa quem já entendeu estar o peso na base dos esportes de alto impacto; Sharapova faz peso, como fazem Nadal e o bicampeão olímpico japonês, Kosuke Kitajima.
A seleção brasileira feminina de pólo aquático treina com Edmilson, como já treinaram a Carol do vôlei, o Minas Tênis campeão brasileiro em 2005… José Elias, chefe da equipe de vôlei feminino sabe disso. Passa por Edmilson e agradece:
-…a equipe tem um dedinho seu…
O que sentem Wellisson e o treinador Edmilson diante da distância entre a atenção dada ao futebol, aos vôleis, ao basquete, a Jadel, Maurren, à ginástica, e a imensa solidão imposta ao único representante da categoria peso numa olimpíada? A resposta é de quem já passou por isso, Edmilson:
-…já foi muito pior, hoje tem as leis de incentivo…
Se a grande admiração de Wellisson é dirigida ao pai, o ex-alcóolatra Adão, seu ídolo na profissão é o turco Naim Suleymanoglu, tricampeão olímpico na categoria até 64 quilos. Mas acima dele, acima de todos, lá no alto do pedestal, está Romário.
Estudante de educação física em Viçosa, casado com Ana Carolina e pai de Andrei Gabriel, 3 anos, para Wellisson o tempo é escasso. Quando sobra, cinema. Preferências:
- Duelo de Titãs e Em Busca da Felicidade.
No departamento das letras, a preferência de Wellisson é bastante específica. Ele é o Rei das palavras cruzadas. Em Pequim, como lá em Viçosa, ele adormece com a caneta, caçando palavras e charadas. E pensa, sempre, no que sentiu quando chegou à capital olímpica.
Acostumado à solidão midiática, a presença de jornalistas foi a senha: “Quando os repórteres chegaram perto é que caiu a ficha…”
Os repórteres, a 48 horas da cerimônia de abertura, seguem na caça a Phelps, Insibayeva, Nadal, Federer… Wellisson caminha tranqüilo, na sua imensa solidão midiática, pela Vila Olímpica.
Ao lado do treinador, Edmilson, mentaliza as 6 tentativas de arranco e arremesso que podem levá-lo a ultrapassar os favoritos chineses, aos outros 30 atletas da sua categoria, e levá-lo ao pódio. Wellisson é um guerreiro brasileiro. Sonha com o pódio e pensa no exemplo do ídolo, Romário, aquele a quem um dia, nos seus14 anos, assistiu pela televisão prometer ao Brasil:
- Eu vou ganhar a Copa…
Ele, como Romário, acredita que pode. Acredita na disciplina, no trabalho e no talento, mas não segue a boiada, aquela que se move e se esconde atrás do padrão.
Padrão, o biombo dos medíocres.
Wellisson é um da Silva. É um guerreiro. Sonha com o pódio, mas sabe que Pequim já é uma gigantesca vitória.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
TERÇA POESIA E PROSA
Duas vezes por semana tenho a sorte de ensinar Português a adolescentes de bairros populares. Diria melhor, de tentar ensinar o muito pouco que sei. Diria melhor, de me aventurar a ensinar, mui afoitamente, conhecimentos sobre os quais eu não tenho nenhuma certeza. Diria melhor, direi melhor: quem me lê não pense, por favor, que esta confissão de ignorância é uma exibição de puro farisaísmo. Ela é, antes, um pedido de desculpa aos professores que conhecem bem a língua portuguesa. E depois, um pedido de clemência aos que pensam que a conhecem, cheios de certezas. “Saibam”, digo aos sabedores convictos, “sou tão burro em português quanto os companheiros. Portanto, piedade. Pelo esforço que tenho feito, mereço, ou mereço-a, a piedade! A piedade!”.
Os alunos, tenho notado, aqui e ali se mostram menos ignorantes que este mestre. São mais sábios, apesar da idade, dos 15 aos 17. Assim tenho notado porque, aqui e ali, em lugar das lições de minha ignorância em advérbios, substantivos, orações (e todas as vezes em que sobre isto lhes falo, ou em que insensatamente me arrisco, sinto os olhos virados para o teto, à procura de uma interjeição, ou à procura do vôo substantivo da mosca, que sempre pousa no melhor gênero de adolescente, sobre a coxa da mocinha ao lado)... como eu dizia, não houvesse a interrupção dos parênteses, aqui e ali, em lugar das grandes lições da norma culta, que sempre repito como um papagaio, eles me pedem que lhes conte uma história. Como são sábios!, reconheço, aliviado. Uma história, sim, uma história boa, verdadeira, de preferência acontecida com o mestre, que não possui o talento precioso de contá-las, mas possui a vantagem de ser o seu personagem, o que vale dizer, o personagem do mestre é um sujeitinho ridículo que já vem pronto. Mas antes do começo, uma vez que são um desvio do programa, é preciso um gancho. Como nesta semana.
- Professor, pois assim me chamam, professor, eu não consigo entender poesia.
Quem assim me fala é um rapazinho de cabelos louros, descendente de índios. Não estranhem, é o caldeirão do Brasil. Então lhe respondo eu, descendente de negra com branco e de índio também, mas não se espantem, sou o português do Brasil, então respondo, para todos os adolescentes pobres da sala, iguaizinhos a um ser que fui um dia.
- Na idade de vocês, a gente sempre procura a poesia quando tem uma desilusão amorosa. Então a gente lê, e entende tudo. Vocês já tiveram alguma? Não?! Nunca receberam um fora, nunca foram rejeitados por quem vocês amavam? Hem? (Silêncio em palavras, mas seus olhos tristes confirmam. E por isso desarmo a sua tristeza, insinuando-lhes a minha.) Pois eu já. Isto já me aconteceu. Mas isto é uma história, nosso tempo é pouco.... vamos ao programa.
- A história, a história, professor! , pedem-me, os rapazes porque desejam rir, as mocinhas porque desejam chorar e rir: - A história, por favor...
E por isso começo. Foi assim.
A moça que me revelou a poesia era a filha de um professor. Ela me revelou a poesia de um modo indireto, ou muito direto, vocês vão ver. Ela era bonita a partir do nome, que não vou dizer. O seu nome era um daqueles que são o feminino de um nome de homem, que ficam belíssimos quando se traduzem para a mulher. (“Antonia, Amarilda”, os gaiatos me gritam.) Não, estes não, não adianta, não vou dizer. Pois bem. Ela possuía um moreno hindu, uma pele morena de uma paquistanesa, que até hoje não esqueço. (Sinto que vou me perder.) Pois bem. No começo, eu ia à casa do professor pelo professor. E aqui e ali, para pegar o almoço também, em dias de domingo. O professor, como era um grande humanista, sabia que a melhor humanidade era alimentar um estudante com fome. No começo. Depois, quando a vi, passei a ir, todos os fins de semana, à casa do professor pela filha também. Mas eu não podia amá-la ainda. Eu ali chegava em estado de necessidade, sem dinheiro, somente com a passagem de volta, às vezes nem isso. Acho que foi a partir daí que nasceram as minhas qualidades de andarilho. Pois bem. Naquele estágio eu não podia amá-la. Vocês sabem o que é isso: é não ter dinheiro para convidá-la para um cinema, é não ter com quê comprar um chocolate, uma pastilha boa, daquelas que refrescam o hálito com um perfume e um frescor que se sentem a distância... Vocês entendem. É muito difícil ter direito ao amor quando a gente não tem nada. Vocês me entendem. (Os olhos deles ficam mais tristes. Por isto, dou-lhes um tapa com um desvio rápido.) Mas aí eu arrumei um emprego. Sim, comecei a trabalhar. Mas me faltava a coragem. Vejam vocês. A sala de estar da casa do professor era uma biblioteca. Sentem o que é isto? Em nossas casas a sala de visitas é onde se exibe o nível financeiro do dono – bons móveis, boa televisão, excelente som, sofás... um bando de quinquilharia. Na casa do professor, não, e agora digo o nome dele, o dele deve ser dito: Arlindo Albuquerque, humanista professor de francês e português do Colégio Alfredo Freyre em Água Fria. Na casa dele, não: os livros se ostentavam em toda a sala de entrada da casa. Pois bem. Ca... quase eu digo o nome dela, a minha namorada, a minha enamorada... enquanto o professor não vinha, me recebia com um shortinho, com as suas pernas morenas de enlouquecer, a estudar livros de medicina. (Os olhos dos adolescentes brilham.)
- Medicina? Ela era mais velha que o senhor?
– Sim, acho que um ano, mas nesta fase em que eu trabalhava, eu já estava com 20 anos... Mas eu não tinha coragem. Quanto mais a queria, mais me fechava. É claro que ela percebia isto. A mulher, ainda na adolescência, percebe quando alguém está interessado nela. Não sei aonde vai buscar essa ciência, sem que ninguém lhe diga.... (As adolescentes concordam, os meninos protestam.) É uma coisa animal! (E perco o apoio feminino, que por sobejas razões não se quer nivelar à fêmea das selvas.)
Pois bem. Acontece que nesta ocasião um amigo nosso arruma o seu primeiro emprego. E por essa felicidade todos deveríamos comemorar, e comemorar era beber, beber, e cantar. O que fizemos. O certo é que na volta, os que vinham em cima da caminhonete, eu e outros, numa curva maldita fomos arremessados ao chão. No que recuperamos de imediato a lucidez. Ficamos bons, do susto. Pois bem. Esse incidente, com absoluta impropriedade, foi contado a ela, ou melhor, com absoluta propriedade, porque ocupava o lugar do que não se podia dizer: que eu era e estava louco por ela. .(E nesta altura eu não lhes conto o quanto havia de loucura, em razão da existência de castas numa sociedade de mestiços, o quanto era impossível esse amor.) Pois bem, foi contar o incidente e ela rir, sorrir, gargalhar, gargalhar como as vilãs de novela de televisão, aquelas vilãs bonitas que desprezam os mocinhos virtuosos, que não têm no cu o que periquito roa.
- Conhecem a expressão “não ter no cu o que periquito roa”? Essa expressão (sinto o ar de desalento para qualquer exegese)... Pois bem. O seu riso me chocou, e por isso tentei um poema em prosa. Dizia...”Uma mulher distante, de moreno hindu, com os olhos amendoados passeia sobre a minha vida. Januária distante, Januária sem janela, ela sorri e zomba de pretendentes que caem bêbados de caminhonetes... Que não sorria tanto, que não posso ficar assim, indefinidamente à espera dessa mulher que me tomou a vida.”. Então que fiz eu? Saibam, a insensatez é uma marca da sua idade. Que fiz? Numa bela tarde, vou à sua casa, e na saída, ao portão, entrego-lhe esse escrito, e corro, e saio correndo, acreditam?, corri para bem longe dela, sumi, fui. E assim se passarem três meses, três vezes longos 30 dias suportei, até uma certa manhã em que volto. E entre nós se passa esse breve diálogo:
- Você leu?
- O quê?
- A poesia ... (“a inocência é uma arte!”, me digo.)
- Ah, aquilo?
- Sim, engulo, “aquilo”.
- Ah, eu não sei ler poesia.
Então ela me ensinou ali o que era e o que não era poesia, então ela me disse ali que a poesia não atravessa a pele de quem é imune ao sofrimento de outros. Vocês não imaginam o quanto me atirei à leitura dos poetas. Vocês percebem?
Eles percebem, entendem, ficam sérios, sorriem. Não sei se isto é pedagógico, não sei se isto vem a ser uma boa aula de português, nem mesmo sei se isto é longinquamente educativo. Não sei. Mas estas minhas histórias para adolescentes pobres têm tido um grande sucesso. Eles sempre me pedem outra.
A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Teus sentimentos são poesia
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Por que não voltas, mulher que passas?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Que fica e passa, que pacífica
domingo, 3 de agosto de 2008
SEGUNDA BEM HUMORADA
O diretor disse à secretária:
-Vamos viajar para o exterior por uma semana, organize os preparativos para a viagem!
A secretária faz uma chamada para o marido:
-Vou viajar para o exterior com o meu diretor por uma semana. Cuida-te.
O marido liga para a amante:
- Minha mulher vai estar fora por uma semana. Arruma-te! Vamos viajar, meu docinho!
A amante liga para um menino, a quem dá aulas de gramática:
-Tenho muito trabalho próxima semana, não precisas vir às aulas.
O menino liga para o seu avô:
-Vô, na próxima semana não tenho aulas. Vamos juntos passar alguns dias no campo?
O avô (que é o diretor) liga para a secretária:
-Vou passar a próxima semana com o meu neto. Cancele a viagem...
A secretária liga para o marido:
- A próxima semana o meu diretor tem muito trabalho, cancelamos a viagem.
O marido liga para a amante:
- Não poderemos passar a próxima semana juntos; a viagem da minha mulher foi cancelada.
A amante liga para o menino das aulas de gramática:
- Esta semana vamos ter aulas normalmente. Estarei te esperando no mesmo horário.
O menino liga para o avô:
- Vô, a minha professora disse que esta semana tenho aulas. Desculpe-me, não vai dar para viajar.
O avô liga para a sua secretária:
- Confirme a viagem para a próxima semana. Continue com os preparativos.
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GINECOLOGISTA
Fim de tarde, um ginecologista aguarda sua última paciente que não chega. Depois de 45 minutos, ele supõe que ela não virá mais e resolve tomar um gim tônica para relaxar, antes de voltar para casa. Ele se instala confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha. É a tal paciente, que chega toda sem graça e pede mil desculpas pelo atraso.
- Não tem importância, imagine! - responde o médico
- Olhe, eu estava tomando um gim tônica enquanto a esperava. Quer um também para relaxar?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele lhe serve um copo, senta-se na sua frente e começam a bater papo. De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório.
O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- É minha mulher!
- Rápido, tire a roupa, deite na cama e abra as pernas, senão ela pode pensar bobagem.!
TUDO NA VIDA É RELATIVO!!!
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Ao entrar na sala de aula, a professora vê um pênis desenhado no quadro. Sem perder a compostura, imediatamente ela apaga o desenho e começa a aula. No dia seguinte, o mesmo desenho, só que ainda maior. Ela torna a apagá-lo e não faz nenhum comentário. No outro dia, o desenho já ocupa quase o quadro inteiro e por baixo ela lê a seguinte frase: 'Quanto mais você esfrega, mais ele cresce!'
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Como trabalho de casa a professora pede para os alunos fazerem uma rima. No dia seguinte...
- Diga a sua rima Joãozinho: Lá vem o canguru com uma flor no c....
A professora indignada pede para ele refazer. No final da aula...
- Diga novamente a sua rima Joãozinho.
- Lá vem o canguru com uma flor na bochecha porque no c.. a professora não deixa.
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Um coelhinho felpudo estava fazendo suas necessidades matinais quando olha para o lado e vê um enorme urso fazendo o mesmo. O urso se vira para ele e diz:
- Hei, coelhinho, você solta pêlos?
O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:
- De jeito nenhum, venho de uma linhagem muito boa...
Então o urso pegou o coelhinho e se limpou com ele.
MORAL DA HISTÓRIA: CUIDADO COM AS RESPOSTAS PRECIPITADAS, PENSE BEM NAS POSSÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS ANTES DE RESPONDER!
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Cansado de ser discriminado, o gago ouve a dica de um amigo:
- No centro tem uma escola só de gagos! Ao mesmo tempo em que pessoas com o mesmo problema convivem, elas podem tratar-se juntas com os melhores recursos disponíveis!
Sem o endereço certo, o gago vai até o local onde supostamente ficava a escola. Sem encontrar o prédio, ele entra num bar e pergunta à atendente:
- Por fa fa fa vovorr ondede fifica a esco co la degagos po po por aqui?
A atendente - que coincidentemente era loira - lhe responde:
- Para que você quer uma escola de gagos? Você já fala gago tão bem!!!!
Revendo 2004 e pensando 2008

A curiosidade me atiçou a rever os dados das eleições de 2004 e, de uma certa maneira, também a vontade de melhor compreender os movimentos e as contradições do processo eleitoral no contexto de IP.
Comecei observando o registro individual dos candidatos e o valor máximo de gastos declarados por cada um. É claro que você acredita se quiser no que agora transcrevo mas a nossa fonte são os dados publicados no TSE (http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/divulg_cand.htm)
Pergunta que não quer calar é: de onde sai e por onde vem esse dinheiro gasto nas campanhas? Pelas ONG’s, fundações, cuecas, maletas e muitos outros caminhos que só Deus sabe até que um dia estouram no cotidiano da mídia.
Quantas perguntas ficam sem respostas? É bom pensar nelas antes de fazer a sua escolha. Mas, sobretudo é bom pensar por que faltam remédios nos hospitais, qualidade no ensino, política de segurança e um rosário de coisas que o poder público nos deve.
E os partidos? O aluguel de legendas é uma resenha, como dizem os pernambucanos.
O PT que tinha um candidato a vereador em 2004 reaparece em 2008 com um candidato a prefeito que, em 2004, era do PFL, eleito vice-prefeito pela coligação PL/PFL/PAN/PSDB, antagonistas históricos do PT. De brinde, apresenta 04 candidatos a vereador, um deles remanescente do PAN.
O PPS que lançou candidato a prefeito e mais três a vereador, conseguiu 1,775 % dos votos no pleito de 2004, evapora em 2008. Junto com ele some também o PL que com uma única candidata recebe 4,192% dos votos em 2004.
O PTB recebe, em 2004, 7, 698% dos votos com três candidatos a vereador. Em 2008, apresenta cinco candidatos que não participaram do pleito anterior e mais uma candidata remanescente do desaparecido PAN. Uma das suas candidatas a vereadora em 2004 é candidata a vice-prefeita em 2008.
O PMDB, no pleito anterior, tinha 04 candidatos a vereador e recebeu 18,201% dos votos. Em 2008, três permanecem no partido como candidatos a reeleição, e mais seis candidatos são agregados. Incorpora também uma candidatura a prefeito remanescente do PSDC.
O PDT que teve candidato a prefeito e mais três a vereador em 2004, apresenta, em 2008, dois candidatos a vereador sendo um deles seu candidato a prefeito, sem coligação, no pleito anterior.
O PSDB, estrela da campanha de 2004, cuja soma do valor máximo de gastos declarados compreende quase 60% do total declarado para o conjunto do pleito, recebe 43,742 % dos votos, com 14 candidatos a vereador e um a prefeito. Em 2008, apresenta apenas seis candidatos a vereador, sendo que cinco são candidatos a reeleição. O seu candidato a prefeito cuja campanha parece entrar no ocaso sem passar pela aurora, direciona-se para apoiar a chapa do PT.
O PSDC, em 2004, apresentou seis candidatos a vereador e recebeu 14,113% dos votos. Em 2008, apresenta apenas uma candidata.
Surge o PR que apresenta uma candidata a vice-prefeita e dois a vereador sendo um deles remanescente do PL.
Depois dessa dança das cabeças, eu me pergunto: quem move as peças do xadrez político em Ipaumirim? Será que mudou alguma coisa?
O interessante mesmo seria a interpretação dessas migrações, às vezes, incompreensíveis e coligações ideologicamente tresloucadas. O que move a política de IP? A ideologia? Com certeza, não. Os interesses legítimos do município? Uma proposta coerente com um programa bem fundamentado? O oportunismo de sempre? Atendo-se exclusivamente aos dados quantitativos você não dá com as motivações que regem as alianças. Apenas pode perceber que o balaio das trocas está bem movimentado no escambo eleitoral.
Outra curiosidade que eu não saberia dizer se é uma tendência porque vi apenas candidatos de 2004 e 2008, é a ocupação dos candidatos, que permitiria alguma inferência em torno dos seus interesses mais próximos.
No pleito de 2004, o Estado do Ceará, teve o mais alto percentual de participação de candidatos entre agricultores (16.761 %) e comerciantes (13.431%). EM IP, a maioria de candidatos declarados são agricultores, seguido da categoria dos servidores públicos incluindo professores.
Em 2008, agricultor continua como a categoria mais expressiva, seguida de comerciantes e servidores públicos incluindo professores.
De 2004 para 2008, avançou sensivelmente o Grau de Instrução. O Ensino Médico Completo e o Superior Completo passam a ser as categorias mais expressivas em 2008. Em 2004, era Médio Completo a mais significativa seguida de Fundamental Incompleto no mesmo patamar do Superior Completo.
Agora em agosto deve acontecer a primeira parcial da prestação de contas. Não sei se o TSE seguindo uma política de transparência vai divulgar pela internet. Seria bom se isso acontecesse. Aguardemos.
MLuiza
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Sobre o prefeito de uma cidade

"Acredito na relação de amor entre o Prefeito e sua cidade. Não me atento à etiqueta partidária, a não ser se a sigla aposta ao nome do candidato traduzir o desvio da extrema direita ou extrema esquerda, ai já sei que a coisa só pode ser destrutiva. De resto, analiso a relação de amor entre o candidato e a cidade que ele quer administrar e esqueço momentaneamente que meu coração está mais à esquerda. Sei que o bom prefeito é aquele que como eu, quer viver bem em sua cidade e possuir identidade com esta.
Se o candidato não tem apreço pela sua cidade, seu município, tampouco terá pelos seus habitantes.
João Paulo, prefeito do Recife, tem como slogan da sua gestão: “a grande obra é cuidar das pessoas”. Sem discutir os méritos e os problemas da sua gestão – eu votei nele duas vezes e não me arrependo – o seu slogan chama para o ponto principal e o sentido de qualquer administração de sucesso: cuidar de sua população oferecendo bons serviços, criando oportunidades, buscando estratégias que tragam melhores índices.
Acho que Ipaumirim, assim como muitos e muitos outros municípios brasileiros, já esqueceu o que é isso. Parte porque preferiu embarcar no trem da esperteza política, ainda que seja no último vagão. Outros porque cruzaram os braços esperando a vez de fazer a mesma coisa e ainda outros que não despertaram para os seus direitos. Faltou-lhes justamente um prefeito que mostrasse nas suas obras uma relação de amor com a cidade e identidade com o seu povo.
Temos três candidatos. Não vi nenhuma propaganda de Torres Neto e ouvi dizer que sua candidatura esfriou, o que de uma certa maneira ratifica minha hipótese anterior sobre o que esta representaria no contexto político local.
Recebi alguns convites para participar de comunidades do orkut de apoio político aos candidatos. Agradeço os convites mas não farei parte de nenhuma. Não tenho preferencias partidárias locais, o que me preocupa é o eleitor. Se o eleitor muda a mentalidade já é meio caminho andado para o prefeito aprender a respeitá-lo.
Dever de casa: o futuro é agora















