sábado, 9 de agosto de 2008

Álbum da semana

Socorro Duarte


Célia Lustosa


Rosa e Célia, de Minervina


Ceição, de Nenen Farias


Jarismar, de Zé Alves


Ilma Alves


Seu Amaro, Dona Anísia, Tita e família


Cristiane e Geraldinho

Gerôncio Jorge e filhos


Aldeíde, Aldenir e Fátima Lemos
Edilane e Lana

Luiz Gonzaga, de Josecy e Socorro


Maria Cristina e filhos no casamento de Crisvane


Suylan e seu filho


Marisa e sua turma jovem

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sábado em queda livre: ENADE 2007


O ENADE 2007, cujo resultado saiu no início da semana, avaliou um conjunto de cursos superiores no Brasil.
Como a maioria dos estudantes universitários de Ipaumirim se desloca para realizar o seu curso superior prioritariamente nas universidades e faculdades do Ceará e da Paraíba, editamos o quadro geral MEC/INEP selecionando apenas os cursos ali instalados. A lista é longa e pode ser consultada no endereço eletrônico abaixo. Se eu não registrei algum curso, com certeza, ´você encontrará no site.
http://www.inep.gov.br/download/enade/2007/tab_enade_2007.xls
Os três conceitos básicos apresentados são: a nota do Enade, o IDD (índice de desempenho que mostra o quanto de conhecimento a instituição agregou ao aluno) e conceito preliminar do curso (CPC).

Segundo o MEC, "o indicador combina o Enade, o Índice de Diferença de Desempenho (IDD) – que mede o valor agregado entre os alunos ingressantes e concluintes – e a avaliação de três variáveis: infra-estrutura, corpo docente e projeto político-pedagógico das instituições".

(clique dentro do quadro para ampliar a imagem)


Cursos:Agronomia, Biomedicina e Educação Física


Cursos: Enfermagem e Farmácia


Cursos: Fisioterapia e Fonoaudiologia
Cursos: Medicina, Medicina Veterinária e Nutrição


Cursos: Odontologia, Serviço Social, Tecnológico em Radiologia e Zootecnia


Compreendendo os resultados

Recortei do documento Ministério da Educação/ Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação – INEP/ CONCEITO PRELIMINAR DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, também disponível no site do INEP, algumas definições e informações que ajudam a compreender os resultados.

O Que é o Conceito Preliminar

O conceito preliminar se constitui elemento de referência nos processos de avaliação para subsidiar a renovação de reconhecimento dos cursos de graduação, cuja base legal é a Portaria Normativa 40, de 12 de dezembro de 2007
como o próprio nome indica, é um indicador preliminar da situação dos cursos de graduação. Ele consubstancia diferentes variáveis que traduzem resultados da avaliação de desempenho de estudantes, infra-estrutura e instalações, recursos didático-pedagógico e corpo docente.


Composição do Conceito Preliminar

As variáveis utilizadas na composição do Conceito Preliminar foram extraídas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - Enade de 2007, incluindo o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado – IDD e o questionário sócioeconômico e do cadastro de docentes 2008.


Diretrizes para a aplicação dos resultados do Conceito Preliminar


Cursos com Conceito Preliminar 1 ou 2

• A visita da comissão de avaliação (in loco) será obrigatória

• A depender do resultado da avaliação in loco, o conceito preliminar poderá ou não ser alterado para mais ou para menos.

• A solicitação de avaliação in loco deverá ser instruído com justificativa e com providências do curso/IES para a superação das fragilidades expressas no Conceito Preliminar, as quais deverão ser inseridas pelo curso/IES nos sistemas eletrônicos do MEC e no Formulário Eletrônico utilizado para a avaliação.

. Cursos com Conceito Preliminar 3 ou 4

• A visita da comissão de avaliação (in loco) será opcional

• Os cursos que optarem pela avaliação in loco poderão solicitá-la até trinta dias após a divulgação oficial pelo MEC do conceito preliminar e começarão a receber as comissões do INEP em data subseqüente àquelas programadas para os cursos com conceito preliminar 1 e 2 e para os cursos sem conceito preliminar.

• A depender do resultado da avaliação in loco, o conceito preliminar poderá ou não ser alterado para mais ou para menos.

• Os cursos que tenham obtido conceito preliminar 3 ou 4 e não optarem por avaliação in loco, e que tenham processos nos Sistemas Sapiens ou e-MEC, terão os seus processos encaminhados à Secretária competente, para expedição da Portaria de renovação de reconhecimento.

. Cursos com Conceito Preliminar 5

• Os cursos que tenham obtido conceito preliminar 5 e que tenham processos nos Sistemas Sapiens ou e-MEC, serão encaminhados à Secretária competente, para expedição da Portaria de renovação de reconhecimento.

Sem conceito

Segundo o MEC, são graduações que ainda não tiveram turmas concluintes (alunos formados) conforme o prazo previsto para o exame.

Nossa fome cotidiana

(Phydia de Athayde)*


“O que tem todo dia pra gente comer é arroz e farinha mesmo, feijão só mais de vez em quando. Subiu muito, né?”, diz Rogéria Maria da Silva Lima enquanto lava as louças de uma das duas refeições diárias da família. Ela mora com os três filhos e o marido em uma casa de taipa no bairro mais pobre de Ipaumirim, no sertão cearense, fronteira com a Paraíba. A renda da família gira em torno de 130 reais por mês, divididos entre os 94 reais que recebem por terem dois filhos inscritos no Bolsa Família (a menor, Ranieli, ainda não foi cadastrada) e outros 30 ou 40 reais conseguidos em bicos pelo marido José Marcio dos Santos. Uma vez por semana, aparece carne no prato da família, normalmente frango, aqui e ali um pouco de carne. Menos de uma vez por semana Marcio compra “salada”: um tomate ou uma cebola, divididos entre os cinco familiares. Os alimentos mais consumidos são farinha, arroz e leite. Se dependesse das crianças, comeriam macarrão instantâneo todos os dias. Com o Bolsa Família, Rogéria compra biscoitos de água e sal, um litro de óleo, um pote de margarina, sabão, uma ou outra peça de roupa e eventualmente um chinelo. A água vem do poço, o fogão é a lenha e a eletricidade, dividida com o vizinho. Com o Bolsa Família, dá para “agüentar o mês”.
As crianças inscritas no programa, Renata, de 3 anos, e Marcio Júnior, de 7, freqüentam a escola regularmente. Se faltam, é porque estão com disenteria, o que a mãe já perdeu a conta de quantas vezes aconteceu. Não há esgoto no bairro.
A dureza cotidiana e o desafio de colocar comida no prato todos os dias são a realidade de milhões de brasileiros, parte deles atendida pelo Bolsa Família. Alvo de preconceitos, o programa federal acaba de passar por uma varredura que revela, em detalhes, o impacto real nas famílias atendidas.
O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) está prestes a divulgar os resultados da pesquisa Repercussões do Programa Bolsa Família na Segurança Alimentar e Nutricional das Famílias Beneficiadas, que CartaCapital traz com exclusividade. Para chegar aos dados a seguir, o Ibase fez entrevistas qualitativas com 15 grupos de beneficiários e de gestores municipais do programa. Em seguida, saiu a campo para entrevistar 5 mil titulares do cartão Bolsa Família, em 229 municípios de todas as regiões do País.
“Além de questionar se estavam se alimentando mais e melhor, buscamos saber como decidem diante da escassez”, explica Francisco Menezes, diretor do Ibase e coordenador da pesquisa. Entre as constatações, nas famílias de renda mais baixa, aumentou o consumo de cereais, principalmente arroz e feijão, alimentos que declinam na dieta brasileira. No geral, os atendidos pelo programa priorizam alimentos calóricos, ditos fortes, e de menor valor nutritivo.
Ao longo das mais de 200 páginas da apresentação final, percebe-se que a atitude de Rogéria, que não deixa faltar farinha enquanto a família mal sabe o que é uma fruta fresca, é igual à das mães (as mulheres são 94% dos titulares do programa) em nível mais grave de insegurança alimentar. “Faz muita diferença se a família está em situação de extrema fragilidade ou se já tem uma base”, diz Menezes. Ele teme que o aumento mundial no preço dos alimentos represente “enorme retrocesso” às conquistas do programa. O presidente Lula empenhou-se em garantir que o novo reajuste no repasse às famílias eliminasse as perdas da inflação no preço dos alimentos. O aumento, anunciado na quarta-feira 25, será de 8% e passa a valer a partir de julho.
Com a mudança, cada família beneficiada passará a receber de 20 a 182 reais por mês, de acordo com a renda mensal por pessoa e com o número de crianças e adolescentes até 17 anos. As famílias mais pobres recebem o benefício básico, de 62 reais. Cada filho em idade escolar (até três) dá direito a mais 20 reais, e cada adolescente (até dois), a 30 reais. O benefício é pago desde que os filhos freqüentem a escola e sejam vacinados regularmente.
Mal saiu o reajuste e políticos da oposição contestam o programa que, apesar de ser regido pela Lei Federal 10.836, é acusado de ser eleitoreiro, de criar acomodação ou de ser mero assistencialismo. No entender de Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, esse raciocínio se deve a uma visão economicista da sociedade, mas é, essencialmente, uma questão ideológica. “Esses mitos se devem a setores cada vez mais minoritários, encastelados em instituições de poder, que mantêm uma ideologia decorrente da escravidão, do coronelismo, das capitanias hereditárias e do mandonismo, ainda que revestidas de uma falsa modernidade.”
A pesquisa do Ibase vasculha a fundo o Bolsa Família. Além de apontar mudanças reais na alimentação dos beneficiários, pode ser confrontada com os principais mitos a respeito do programa.
“Não existe fome no Brasil”
Existe. Ainda que tenha havido avanços, a fome é uma realidade para milhões de brasileiros. A partir das discussões geradas pelo Fome Zero, em 2003, conforme a nutricionista da Unicamp Ana Segall, os indicadores baseados apenas na renda foram substituídos: “Há um imaginário um pouco estilizado da fome, mas ela pode ser algo cotidiano”. A partir de 15 perguntas sobre oferta e quantidade de comida, a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar determina se a situação é grave (fome entre adultos e/ou crianças da família), moderada (restrição na quantidade de alimento) ou leve (receio de faltar comida no futuro próximo). Mais da metade, 55% das famílias atendidas pelo Bolsa Família estão em situação de insegurança alimentar moderada ou grave (tabela ao lado). São 6,1 milhões de lares, ou cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo o Ibase.
“O Bolsa Família não chega a quem precisa”
Na avaliação da secretária nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social, Rosani Cunha, o programa está próximo de atender os mais pobres. Ele se dirige a 11,1 milhões de famílias, aproximadamente 50 milhões de brasileiros. “O mais difícil é chegar às famílias mais vulneráveis, quase invisíveis”, admite, referindo-se àquelas com endereço precário, submetidas a trabalho escravo, indígenas ou quilombolas, para as quais o MDS desenvolve credenciamento diferenciado.
“O programa chega às que precisam, mas não a todas”, diz Menezes, baseado na pesquisa do Ibase, segundo a qual 60% dos entrevistados disseram conhecer quem precise do programa e não o receba.
“O programa é assistencialista”
Há uma diferença entre assistência social, direito essencial dos cidadãos, e assistencialismo, que visa tirar proveito político e eternizar o dependente. “No Brasil, há desprezo e cinismo quanto ao direito à assistência do Estado”, alfineta Menezes. “Embora não se possa negar o peso na reeleição do presidente Lula, o Bolsa Família não é uma política de governo, é uma política de Estado, regida por lei.” Segundo o Ibase, 64% dos titulares concordam com a exclusão das famílias que não cumprirem as contrapartidas (manter os filhos vacinados e estudando). “A defesa das condicionalidades é uma resposta a essa crítica”, diz Rosani Cunha, “pois mostra que há uma responsabilidade do Estado e uma do beneficiário”.
“Receber o Bolsa Família acomoda”
O suposto efeito preguiça é a crítica mais contumaz ao programa. “A pesquisa desmente cabalmente essa afirmação”, diz Menezes. Os números são claros: 99,5% dos pesquisados não deixaram de trabalhar (ou fazer algum tipo de trabalho) depois do Bolsa Família. “Entre os 0,5% que deixaram ocupações, a maioria exercia trabalho degradante, como os cortadores de cana do Nordeste. Se disseram não a um trabalho indigno, é uma conquista de cidadania.”
A pesquisadora do Ibase, Mariana Santarelli, afirma que, nas entrevistas qualitativas, o maior desejo dos beneficiados era conseguir um emprego e, em segundo lugar, emprego com carteira assinada. Quando questionadas sobre até quando receber o benefício, 20% disseram “para sempre”, porcentual considerado baixo e atribuído, na maioria, aos habitantes de áreas rurais sem perspectiva: “É importante ver que 80% dos pesquisados têm esperança de ingresso no mercado de trabalho”.
Rosani Cunha ataca a raiz: “Essa crítica é ideológica, não tem base em número real”. Ela cita dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) de 2006, em que o nível de ocupação entre os atendidos pelo Bolsa Família é maior do que entre os não beneficiários (77% a 73,8%). “Há uma busca por trabalho, mas como muitos não têm escolaridade, não saem da pobreza.” A secretária aposta na escolaridade como oportunidade de emancipação. E Menezes, na integração de políticas públicas.
Em Osasco, arredores de São Paulo, a prefeitura aproxima os programas de transferência com os de geração de renda. “O segredo é apresentar alternativas ao mesmo tempo que atendemos à necessidade imediata”, diz Dulce Cazunni, secretária do Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão do município. A transformação é visível no dia-a-dia das iniciativas centralizadas pela prefeitura.
A maior parte das mulheres carentes que freqüentam a oficina de costura recebe o benefício federal (há 20.157 titulares do Bolsa Família na cidade). Elas produzem os uniformes da rede municipal de ensino. Este ano, 457 mil peças sairão das mãos de gente como Daniela de Jesus Gregório, de 24 anos, mãe de Ryan, de 5 anos. “Eu não sabia nem sentar numa máquina. Vi essa chance e agarrei”, diz a jovem, que vivia de bicos e agora recebe a bolsa de 450 reais da prefeitura. “Hoje, tenho segurança para fazer um teste numa empresa.”
Além de aprender a profissão, Edilene Lídia de Souza, de 32 anos, e outras 27 mulheres, com apoio dos programas de Economia Solidária da cidade, montaram uma cooperativa de costureiras. Edilene, que estudou até a 6ª série, diz que a oportunidade de trabalhar mudou sua vida. “Comecei a ver portas abertas para mim. Sou uma pessoa, tenho potencial.”
“O pobre não sabe usar o dinheiro”
Na pesquisa do Ibase ou em qualquer outra sobre o Bolsa Família, a primeira resposta sobre “em que o dinheiro é gasto” é alimentação. No Nordeste, 91% dos titulares do programa apontaram a comida. No Sul, 73%. No geral, com opção de até três respostas, os beneficiários disseram gastar em alimentação (87%), material escolar (46%), vestuário (37%), remédios (22%), gás (10%), luz (6%), tratamento médico (2%), água (1%).
“A alimentação consome 56% da renda total das famílias”, afirma Menezes. “A razão para não comprarem mais é o preço”, complementa Santarelli. De acordo com o Ibase, após o recebimento do benefício, foi possível comprar mais alimentos dos seguintes grupos: açúcares (78%), arroz e cereais (76%), leite e derivados (68%), biscoitos (63%), industrializados (62%), carnes (61%), feijões (59%), óleos (55%), frutas (55%), ovos (46%), raízes (43%) e vegetais (40%). O aumento no consumo de biscoitos, óleos e gorduras, açúcares e industrializados não é saudável, e segue uma tendência nacional, já observada pelo IBGE.
A dieta dos beneficiários do Bolsa Família se diferencia da tendência no aumento do consumo de arroz e feijão, principalmente nas famílias em situação precária. Estas, no entanto, optam por alimentos calóricos em lugar dos nutritivos (mais caros). “Uma dieta muito energética dá a falsa impressão de que a fome acabou. É um ciclo perverso que leva à obesidade”, alerta Ana Segall.
Nas famílias que já têm o básico, o Bolsa Família permitiu acesso a alimentos “complementares”, como frutas, verduras e industrializados, além da carne. Nos grupos focais, as mães disseram poder oferecer aos filhos o que chamam de “lanche”, biscoito recheado e iogurte.
“Não acho que não seja digno comprar um tênis para o filho, um ventilador, panela de pressão. Se a mãe tem condições de administrar esse dinheiro, está mais do que certa. Porque dignidade a gente tem que continuar tendo”. Quem ensina é uma mãe, beneficiária do programa, residente no Rio de Janeiro.
A regularidade na entrega do dinheiro possibilita que seja usado como garantia de crédito. A aquisição de eletrodomésticos, em vez de comida, foi muito criticada. “Comprar uma geladeira, um fogão é mau uso do dinheiro? Isso é uma arrogância”, crê Rosani Cunha: “Há preconceito em achar que o pobre não sabe escolher”.
A assistente social Maria de Lourdes Ferreira, moradora de Carapicuíba, nos arredores de São Paulo, é um caso raríssimo de renúncia voluntária ao Bolsa Família. “Eu dizia para mim mesma: não posso depender desses 15 reais do governo. Eu me revoltava”, diz. Aos 43 anos, perdeu um dos três filhos vítima de meningite, parou de estudar para cuidar dos outros dois e foi diarista para colocar comida em casa. Há seis anos, separou-se do marido e mudou a vida graças não ao Bolsa Família, mas a um somatório de iniciativas.
Maria cursou o pré-vestibular comunitário da ONG Educafro, e conseguiu bolsa integral na Universidade São Francisco. “Trabalhava como diarista e estudava à noite, eu não comia. Pedi o Bolsa porque vi as coisas apertarem.” O benefício era de 15 reais (hoje 20), mas fazia diferença. Ainda na faculdade, conseguiu um estágio remunerado e, com peso na consciência por ver gente “muito mais miserável”, decidiu cancelar o cartão. Hoje recebe bolsa de 470 reais mensais, de uma fundação vinculada ao governo estadual, para especializar-se na área. E sonha com uma vaga no serviço público.
Rosani Cunha, do MDS, reconhece que é preciso melhorar a comunicação do ministério com os gestores municipais do programa e com as famílias. Mas considera o Bolsa Família vitorioso porque alivia a pobreza imediata, reduz a pobreza nas gerações seguintes e integra-se a outras alternativas de desenvolvimento.
“O Bolsa Família é bem-sucedido no que se propõe, mas tem um limite. Não vai acabar com a pobreza”, diz Menezes, sem ilusões: “Transferir renda não resolve os problemas sociais”. Assim como Rosani, ele destaca a importância de outras iniciativas. Um exemplo é o Programa de Aquisição de Alimentos, do MDS, que liga a agricultura familiar aos consumidores. Ou o Pronaf, que dá crédito às famílias produtoras.
Em fevereiro deste ano, o governo federal lançou o programa Territórios da Cidadania para integrar políticas públicas nas áreas rurais mais miseráveis. “O que indevidamente se chama de grotões são ambientes onde vivem brasileiros que precisam de tratamento”, defende Humberto Oliveira, um dos coordenadores do programa que tem 12,9 bilhões de reais de orçamento.
Com a participação de 24 ministérios e órgãos federais, a intenção é potencializar o efeito dos benefícios. “Além do Bolsa Família, programas como o Brasil Alfabetizado, cursos de capacitação profissional e acesso ao crédito também chegarão a essa família”, explica Oliveira, e vislumbra um futuro menos árduo para brasileiros como Rogéria e os filhos alimentados à base de farinha. “Ao juntarmos tudo, a possibilidade de este cidadão ingressar em uma atividade produtiva e gerar a própria renda é muito maior.”*
*Colaborou Breno Castro Alves
Agora IP abre matéria com a sua miséria. Que vergonha! Breno não esquece de nós. Deve ser um jovem reporter que saiu impressionado porque não conhecia o Brasil além dos shoppings. De repente, quem sabe assim o mundo descobre que existimos e olha para Ip com o olhar que os nossos políticos precisavam ter.

Muito além da comida

(Clóvis Rossi)
O acadêmico Arnaldo Niskier resgatou a seguinte frase, como "talvez a mais forte" do presidente Lula em seu encontro da semana passada com intelectuais: "Quero, ao final do meu mandato, que o povo brasileiro tenha o direito de comer mais e melhor".
Se é só isso, presidente, dever cumprido. É óbvio que, ao final de seu mandato, o brasileiro estará comendo mais e melhor (já está, aliás). Mais: o brasileiro estará também vivendo melhor (já está, aliás), salvo uma inenarrável catástrofe, que não está à vista.
Parabéns, portanto. Basta? Nem remotamente. No mesmo dia em que a Fundação Getúlio Vargas mostrava que a pobreza diminuiu e que a classe média engordou, a ONU informava que o Brasil não cumprirá as metas de expansão da rede de esgoto.
No dia seguinte, o Ministério da Educação informava que nenhum curso universitário pago alcançou o nível de excelência. O que tem uma coisa a ver com a outra?
Tudo. Subir na vida não é só uma questão de ter mais renda ou de comer mais. É também uma questão de ter acesso a bens primários (esgoto) ou de qualidade (ensino superior).
Como todo mundo sabe, o pobre ou a nova classe média são obrigados a buscar o ensino universitário privado porque a escola pública em que fazem os cursos básicos não lhes dá formação suficiente para derrotarem nos vestibulares da escola pública os competidores da classe média tradicional.
É aí que entra a insatisfação dos entusiastas de políticas públicas, mesmo lulistas de sempre, como Frei Betto, que insistem em que os programas sociais do governo foram incapazes de provocar uma mudança estrutural no país.
Mudança estrutural significaria, como é óbvio, saneamento básico, ensino, saúde e toda a conhecida lista de etcs. Resta saber se Lula terá tempo e energias para, nos 2,5 anos que lhe restam, ir além de mais comida. Faça a sua aposta.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

"Trair e coçar... é só começar"


Pesquisa diz que homens traem pelo "efeito novidade" e mulheres, por vingança
Tatiana Pronin
Editora do UOL
Ciência e Saúde


A maior parte dos homens trai porque adora uma novidade. No caso das mulheres, o principal incentivo para a infidelidade é o desejo de se vingar. A conclusão é de uma pesquisa feita pelo psicólogo Thiago de Almeida, da USP (Universidade de São Paulo), com 900 pessoas (355 homens e 544 mulheres).
Os entrevistados, de idades e classes sociais variadas, eram pacientes do Instituto de Psicologia da USP ou do consultório de Almeida e tinham buscado ajuda justamente pela aflição de terem sido trocados por outro.
Para felicidade dos homens, 90% das mulheres ouvidas são (ou se dizem) fiéis. Já entre eles (e para desespero delas), o percentual de fidelidade é bem menor: 60%.
Para o pesquisador, o resultado traz uma mensagem otimista: "Há mais fiéis do que infiéis, o que contraria a crença de muita gente e o que a própria ciência prediz para o ser humano", diz, referindo-se a teorias evolucionistas sobre a inclinação natural do homem para a poligamia. Outra boa notícia, para o psicólogo, é que nem todas as pessoas traídas pagam com a mesma moeda. "Em alguns casos, até por saber o quanto dói ser traído, a pessoa decide que não quer transferir a sofrimento para o outro", analisa.



Justificativas para a escapada


Em estudo anterior, Almeida já havia pesquisado a relação entre ciúme e infidelidade. Dessa vez, ele decidiu avaliar as justificativas de homens e mulheres para a "pulada de cerca". O "efeito novidade" foi a resposta de 35% dos homens e a segunda mais citada pelas mulheres. Segundo o pesquisador, é o que os cientistas chamam de "efeito Coolidge", em alusão ao ex-presidente americano Calvin Coolidge (1872-1933).
Dizem que ele e a mulher, certa vez, visitaram uma fazenda separadamente. Ao saber que um boi copulava 17 vezes ao dia, a primeira-dama se impressionou. "Digam isso ao presidente", teria pedido ela aos assessores. Ao ser informado, Coolidge também ficou curioso e descobriu que as cópulas eram sempre com vacas diferentes. Então o presidente teria replicado: "Contem isso para minha mulher".


'Trair por trair'

Além de buscar o novo ou se vingar, o caráter lúdico da sedução também é um argumento freqüente entre os infiéis: 19,6% dos homens e 11,3% das mulheres. "São pessoas que traem apenas por trair; gostam do que fazem e não pensam no bem-estar do outro", descreve o psicólogo. A carência física ou emocional também contou para 7,7% deles e 15,5% delas. Outra justificativa apontada para a infidelidade, que em parte se parece com a retaliação, é o que o pesquisador classifica como desespero. "São pessoas frágeis ou inseguras que ficam desapontadas por algum problema ocorrido entre o casal e acabam traindo, mas depois se arrependem desse descontrole emocional", explica.
Alguns entrevistados de ambos os sexos relataram, ainda, que a traição é uma forma de sentirem-se revitalizados na meia-idade: 4,5% das mulheres e 1,4% dos homens admitiram que esse foi o estopim para saírem com outra pessoa.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

QUARTA VIA

Além do Piso
(Cristovam Buarque)

O Piso Nacional do Magistério tem sido discutido por causa de seu valor, de R$950. Mas sua maior importância está em seu conceito: nacional. Com uma desigualdade na renda per capita que chega a 100 vezes, entre a cidade mais pobre e a mais rica do nosso país, todos sabem como é difícil cumprir um Piso Nacional com recursos do município. E ainda é mais difícil dar os passos seguintes, além do piso, sem os quais a educação não mudará. Mesmo as autoridades de São Paulo, que já paga mais do que o piso a todos os professores, reconheceram que o Estado precisaria de R$1,4 bilhão a mais por ano para atender ao artigo da Lei do Piso que limita o número de aulas a no máximo dois terços da carga de trabalho do professor.

Essa declaração traz o reconhecimento de que educação é um assunto nacional, e deve ser federalizada. Professores com oito horas de aulas por dia não conseguem educar, e seus alunos viram assistentes de uma maratona. Se nem o estado o mais rico consegue reduzir a carga de trabalho do professor para seis horas de aula por dia, isso precisa ser um problema federal. O Brasil precisa de regras que se imponham a todos os estados e municípios, e de recursos adicionais vindos do governo federal.

Com o Piso, o Brasil deu um primeiro passo para que suas crianças tenham uma educação nacional de qualidade, e não municipal sem qualidade. Mas ainda assim, foi apenas um primeiro passo. É preciso implantar educação de qualidade em todas as escolas de todas as cidades, para todas as crianças. O caminho está em criar uma Carreira Nacional do Magistério, que defina altos padrões de salários e exigências para os professores, e um Programa Nacional de Qualidade da Educação, com escolas bem construídas e bem equipadas, funcionando em horário integral.

A Carreira Nacional deve definir não só o Piso, mas os diversos salários do professor brasileiro. Isso só trará benefícios para a educação se os professores tiverem a mesma qualificação e a mesma cobrança de dedicação e resultados. Por isso, a implantação de uma carreira deve ser feita por meio de concursos públicos federais, e assegurando salários altos, para atrair os jovens mais brilhantes da sociedade. Mas esses professores, por maior que seja o salário e a dedicação, só conseguirão desempenhar plenamente suas funções se trabalharem em escolas com prédios bonitos e confortáveis, contando com os mais modernos equipamentos pedagógicos.

Isso exige regras nacionais e recursos nacionais. E um cronograma nacional de execução, porque não é possível implantar a Carreira Nacional e a Qualidade Nacional de uma só vez. Não somente por falta de recursos financeiros, mas também porque não há número suficiente de professores qualificados para a nova carreira; porque não se faz escolas em pouco tempo; e porque nem todas as crianças e jovens terão condições acadêmicas para acompanhar a nova escola. Mesmo o Piso, de apenas R$ 6 por hora, tem um cronograma de três anos para ser implantado.

Enquanto melhora aos poucos as 180 mil escolas existentes nas 5.564 cidades brasileiras e o padrão de salário dos atuais 2.6 milhões de professores, que ensinam os 48 milhões de alunos, o Brasil precisa começar sua revolução em algumas cidades. Sob a coordenação federal, nessas cidades, escolhidas segundo a vontade de seus dirigentes, professores, pais e de toda a sociedade local, seria feita a revolução em todas as escolas, para todos os seus alunos, com a implantação da Carreira Nacional do Magistério e do Programa Nacional de Qualidade.

Isso é possível se a federalização for revolucionando a educação em todas as escolas das cidades escolhidas. A um ritmo de 300 a 500 cidades por ano, em no máximo 20 anos todo o Brasil teria a educação de que o País precisa para atravessar o século XXI.

Como autor da lei, devo reconhecer que, sem isso, o Piso será somente um primeiro passo. Importante, como todo primeiro passo, mas ainda incompleto.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=117493&a=112

Para além da roubalheira

Quem aparece nas chamadas "listas sujas" invariavelmente esperneia. Reclama da forma como ocorre a exposição de seus nomes. É bom lembrar que a divulgação das relações não é decisão dos tribunais, mas determinação que consta em lei.
Nem todos os nomes listados pelos tribunais envolvem corrupção ou fraude envolvendo dinheiro público. Há diversos casos em que as contas são reprovadas por problemas gerenciais, ainda que não tenha havido fraude ou má-fé. E esses gestores, que também ficam com a "ficha suja" se queixam de serem incluídos na vala comum. Em parte, sem razão.
O eleitor tem o direito de saber quem são os políticos que, mesmo que sejam honestos, são incompetentes para administrar. Saber quem não se mostrou capaz de gerir adequadamente recursos públicos ou quem não prestou contas no prazo, por exemplo. Afinal de contas, a honestidade é apenas um dos atributos para quem quer ocupar cargo público. É indispensável, mas não substitui a competência
Menu Político
Érico Firmo
http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/menupolitico/

Solitário na Vila de Phelps, Nadal e Isinbayeva, o guerreiro Wellinsson. Um brasileiro.

(Bob Fernandes_




Hordas de repórter, cinegrafistas e fotógrafos zunem pela Vila Olímpica. Esbaforidos, carregados de mochilas, computadores e câmeras, sob inclementes 33 graus. Faltam dois dias para o início das Olimpíadas de Pequim e todos buscam e falam, se movem pelos mesmos alvos:
- …o Nadal está na Vila …o Michael Phelps está na piscina, nadou com brasileiros… a Isinbayeva chegou à Vila …o Bernardinho já chegou …o Federer…
O filho de Adão e Maria também está na Vila Olímpica.
Bermuda azul, camiseta verde cavada, sandálias, o andar gingado de quem já tentou a lateral direita, Wellisson da Silva passa pelo pelotão da mídia que fareja, com sofreguidão, o Nadal, o Phelps, a Isinbayeva…
Quem Wellisson mais admirou e admira é Adão. Porque Adão foi alcoólatra, bebia muito, muito, mas deixou de beber porque tinha 5 filhos para criar. E criou como auxiliar de serviços na Universidade federal, em Viçosa, Minas.
Não fossem o pai, Adão, e a mãe, Maria, e Wellisson não teria chegado a Pequim. Hoje, aos 26 anos, ele tem 1 metro e 60. Aos 9 anos… e a mãe Maria o levou para a ginástica olímpica da universidade em Viçosa. A mãe tentou, mas a de Wellisson era o futebol.
O Viçosa Atlético Clube tinha um convênio com o Atlético Mineiro e o filho de Adão e Maria sonhava ser um ala pela direita. Não rolou. Aos 17 anos, a convite de Bete, a treinadora da universidade, levantou peso pela primeira vez. E desistiu:
- O corpo doeu por uma semana, muito ácido lático…
Um ano depois, novo convite e ele voltou ao tablado que o levaria a Pequim. Tetracampeão brasileiro na categoria menos de 64 quilos, 6º lugar no Pan-americano do Rio, Wellisson é o único representante do Brasil no levantamento de peso.
Nessa modalidade o técnico escolhe entre as várias categorias quem representa o país, a depender do número de vagas alcançadas nos torneios classificatórios. Com uma vaga para Pequim, Wellisson foi o indicado pelo treinador Edmilson Santos, por ter o melhor índice técnico entre todas as categorias.
Wellisson mora em Viçosa e sua técnica é Maria Elizabeth Jorge, mas na seleção o treinador é Edmilson, ex-atleta de até 105 quilos nas olimpíadas de Seul, Barcelona e Atlanta, medalhista em jogos em Havana e Mar Del Plata.
Edmilson treina o Pinheiros, em São Paulo, e por suas mãos passa quem já entendeu estar o peso na base dos esportes de alto impacto; Sharapova faz peso, como fazem Nadal e o bicampeão olímpico japonês, Kosuke Kitajima.
A seleção brasileira feminina de pólo aquático treina com Edmilson, como já treinaram a Carol do vôlei, o Minas Tênis campeão brasileiro em 2005… José Elias, chefe da equipe de vôlei feminino sabe disso. Passa por Edmilson e agradece:
-…a equipe tem um dedinho seu…
O que sentem Wellisson e o treinador Edmilson diante da distância entre a atenção dada ao futebol, aos vôleis, ao basquete, a Jadel, Maurren, à ginástica, e a imensa solidão imposta ao único representante da categoria peso numa olimpíada? A resposta é de quem já passou por isso, Edmilson:
-…já foi muito pior, hoje tem as leis de incentivo…
Se a grande admiração de Wellisson é dirigida ao pai, o ex-alcóolatra Adão, seu ídolo na profissão é o turco Naim Suleymanoglu, tricampeão olímpico na categoria até 64 quilos. Mas acima dele, acima de todos, lá no alto do pedestal, está Romário.
Estudante de educação física em Viçosa, casado com Ana Carolina e pai de Andrei Gabriel, 3 anos, para Wellisson o tempo é escasso. Quando sobra, cinema. Preferências:
- Duelo de Titãs e Em Busca da Felicidade.
No departamento das letras, a preferência de Wellisson é bastante específica. Ele é o Rei das palavras cruzadas. Em Pequim, como lá em Viçosa, ele adormece com a caneta, caçando palavras e charadas. E pensa, sempre, no que sentiu quando chegou à capital olímpica.
Acostumado à solidão midiática, a presença de jornalistas foi a senha: “Quando os repórteres chegaram perto é que caiu a ficha…”
Os repórteres, a 48 horas da cerimônia de abertura, seguem na caça a Phelps, Insibayeva, Nadal, Federer… Wellisson caminha tranqüilo, na sua imensa solidão midiática, pela Vila Olímpica.
Ao lado do treinador, Edmilson, mentaliza as 6 tentativas de arranco e arremesso que podem levá-lo a ultrapassar os favoritos chineses, aos outros 30 atletas da sua categoria, e levá-lo ao pódio. Wellisson é um guerreiro brasileiro. Sonha com o pódio e pensa no exemplo do ídolo, Romário, aquele a quem um dia, nos seus14 anos, assistiu pela televisão prometer ao Brasil:
- Eu vou ganhar a Copa…
Ele, como Romário, acredita que pode. Acredita na disciplina, no trabalho e no talento, mas não segue a boiada, aquela que se move e se esconde atrás do padrão.
Padrão, o biombo dos medíocres.
Wellisson é um da Silva. É um guerreiro. Sonha com o pódio, mas sabe que Pequim já é uma gigantesca vitória.
(Enviada por Flávio Lúcio)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

TERÇA POESIA E PROSA

Fascínio
Affonso Romano de Sant'Anna
Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.
Não deveria, dizem.
Me esforço. Aliás,
já nem me esforço.
Abertamente me ponho a admirá-las.
Não estou traindo ninguém, advirto.
Como pode o amor trair o amor?
Amar o amor num outro amor
é um ritual que, amante, me permito.

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Histórias para adolescentes pobres
Urariano Mota

Duas vezes por semana tenho a sorte de ensinar Português a adolescentes de bairros populares. Diria melhor, de tentar ensinar o muito pouco que sei. Diria melhor, de me aventurar a ensinar, mui afoitamente, conhecimentos sobre os quais eu não tenho nenhuma certeza. Diria melhor, direi melhor: quem me lê não pense, por favor, que esta confissão de ignorância é uma exibição de puro farisaísmo. Ela é, antes, um pedido de desculpa aos professores que conhecem bem a língua portuguesa. E depois, um pedido de clemência aos que pensam que a conhecem, cheios de certezas. “Saibam”, digo aos sabedores convictos, “sou tão burro em português quanto os companheiros. Portanto, piedade. Pelo esforço que tenho feito, mereço, ou mereço-a, a piedade! A piedade!”.
Os alunos, tenho notado, aqui e ali se mostram menos ignorantes que este mestre. São mais sábios, apesar da idade, dos 15 aos 17. Assim tenho notado porque, aqui e ali, em lugar das lições de minha ignorância em advérbios, substantivos, orações (e todas as vezes em que sobre isto lhes falo, ou em que insensatamente me arrisco, sinto os olhos virados para o teto, à procura de uma interjeição, ou à procura do vôo substantivo da mosca, que sempre pousa no melhor gênero de adolescente, sobre a coxa da mocinha ao lado)... como eu dizia, não houvesse a interrupção dos parênteses, aqui e ali, em lugar das grandes lições da norma culta, que sempre repito como um papagaio, eles me pedem que lhes conte uma história. Como são sábios!, reconheço, aliviado. Uma história, sim, uma história boa, verdadeira, de preferência acontecida com o mestre, que não possui o talento precioso de contá-las, mas possui a vantagem de ser o seu personagem, o que vale dizer, o personagem do mestre é um sujeitinho ridículo que já vem pronto. Mas antes do começo, uma vez que são um desvio do programa, é preciso um gancho. Como nesta semana.
- Professor, pois assim me chamam, professor, eu não consigo entender poesia.
Quem assim me fala é um rapazinho de cabelos louros, descendente de índios. Não estranhem, é o caldeirão do Brasil. Então lhe respondo eu, descendente de negra com branco e de índio também, mas não se espantem, sou o português do Brasil, então respondo, para todos os adolescentes pobres da sala, iguaizinhos a um ser que fui um dia.
- Na idade de vocês, a gente sempre procura a poesia quando tem uma desilusão amorosa. Então a gente lê, e entende tudo. Vocês já tiveram alguma? Não?! Nunca receberam um fora, nunca foram rejeitados por quem vocês amavam? Hem? (Silêncio em palavras, mas seus olhos tristes confirmam. E por isso desarmo a sua tristeza, insinuando-lhes a minha.) Pois eu já. Isto já me aconteceu. Mas isto é uma história, nosso tempo é pouco.... vamos ao programa.
- A história, a história, professor! , pedem-me, os rapazes porque desejam rir, as mocinhas porque desejam chorar e rir: - A história, por favor...
E por isso começo. Foi assim.
A moça que me revelou a poesia era a filha de um professor. Ela me revelou a poesia de um modo indireto, ou muito direto, vocês vão ver. Ela era bonita a partir do nome, que não vou dizer. O seu nome era um daqueles que são o feminino de um nome de homem, que ficam belíssimos quando se traduzem para a mulher. (“Antonia, Amarilda”, os gaiatos me gritam.) Não, estes não, não adianta, não vou dizer. Pois bem. Ela possuía um moreno hindu, uma pele morena de uma paquistanesa, que até hoje não esqueço. (Sinto que vou me perder.) Pois bem. No começo, eu ia à casa do professor pelo professor. E aqui e ali, para pegar o almoço também, em dias de domingo. O professor, como era um grande humanista, sabia que a melhor humanidade era alimentar um estudante com fome. No começo. Depois, quando a vi, passei a ir, todos os fins de semana, à casa do professor pela filha também. Mas eu não podia amá-la ainda. Eu ali chegava em estado de necessidade, sem dinheiro, somente com a passagem de volta, às vezes nem isso. Acho que foi a partir daí que nasceram as minhas qualidades de andarilho. Pois bem. Naquele estágio eu não podia amá-la. Vocês sabem o que é isso: é não ter dinheiro para convidá-la para um cinema, é não ter com quê comprar um chocolate, uma pastilha boa, daquelas que refrescam o hálito com um perfume e um frescor que se sentem a distância... Vocês entendem. É muito difícil ter direito ao amor quando a gente não tem nada. Vocês me entendem. (Os olhos deles ficam mais tristes. Por isto, dou-lhes um tapa com um desvio rápido.) Mas aí eu arrumei um emprego. Sim, comecei a trabalhar. Mas me faltava a coragem. Vejam vocês. A sala de estar da casa do professor era uma biblioteca. Sentem o que é isto? Em nossas casas a sala de visitas é onde se exibe o nível financeiro do dono – bons móveis, boa televisão, excelente som, sofás... um bando de quinquilharia. Na casa do professor, não, e agora digo o nome dele, o dele deve ser dito: Arlindo Albuquerque, humanista professor de francês e português do Colégio Alfredo Freyre em Água Fria. Na casa dele, não: os livros se ostentavam em toda a sala de entrada da casa. Pois bem. Ca... quase eu digo o nome dela, a minha namorada, a minha enamorada... enquanto o professor não vinha, me recebia com um shortinho, com as suas pernas morenas de enlouquecer, a estudar livros de medicina. (Os olhos dos adolescentes brilham.)
- Medicina? Ela era mais velha que o senhor?
– Sim, acho que um ano, mas nesta fase em que eu trabalhava, eu já estava com 20 anos... Mas eu não tinha coragem. Quanto mais a queria, mais me fechava. É claro que ela percebia isto. A mulher, ainda na adolescência, percebe quando alguém está interessado nela. Não sei aonde vai buscar essa ciência, sem que ninguém lhe diga.... (As adolescentes concordam, os meninos protestam.) É uma coisa animal! (E perco o apoio feminino, que por sobejas razões não se quer nivelar à fêmea das selvas.)
Pois bem. Acontece que nesta ocasião um amigo nosso arruma o seu primeiro emprego. E por essa felicidade todos deveríamos comemorar, e comemorar era beber, beber, e cantar. O que fizemos. O certo é que na volta, os que vinham em cima da caminhonete, eu e outros, numa curva maldita fomos arremessados ao chão. No que recuperamos de imediato a lucidez. Ficamos bons, do susto. Pois bem. Esse incidente, com absoluta impropriedade, foi contado a ela, ou melhor, com absoluta propriedade, porque ocupava o lugar do que não se podia dizer: que eu era e estava louco por ela. .(E nesta altura eu não lhes conto o quanto havia de loucura, em razão da existência de castas numa sociedade de mestiços, o quanto era impossível esse amor.) Pois bem, foi contar o incidente e ela rir, sorrir, gargalhar, gargalhar como as vilãs de novela de televisão, aquelas vilãs bonitas que desprezam os mocinhos virtuosos, que não têm no cu o que periquito roa.
- Conhecem a expressão “não ter no cu o que periquito roa”? Essa expressão (sinto o ar de desalento para qualquer exegese)... Pois bem. O seu riso me chocou, e por isso tentei um poema em prosa. Dizia...”Uma mulher distante, de moreno hindu, com os olhos amendoados passeia sobre a minha vida. Januária distante, Januária sem janela, ela sorri e zomba de pretendentes que caem bêbados de caminhonetes... Que não sorria tanto, que não posso ficar assim, indefinidamente à espera dessa mulher que me tomou a vida.”. Então que fiz eu? Saibam, a insensatez é uma marca da sua idade. Que fiz? Numa bela tarde, vou à sua casa, e na saída, ao portão, entrego-lhe esse escrito, e corro, e saio correndo, acreditam?, corri para bem longe dela, sumi, fui. E assim se passarem três meses, três vezes longos 30 dias suportei, até uma certa manhã em que volto. E entre nós se passa esse breve diálogo:
- Você leu?
- O quê?
- A poesia ... (“a inocência é uma arte!”, me digo.)
- Ah, aquilo?
- Sim, engulo, “aquilo”.
- Ah, eu não sei ler poesia.
Então ela me ensinou ali o que era e o que não era poesia, então ela me disse ali que a poesia não atravessa a pele de quem é imune ao sofrimento de outros. Vocês não imaginam o quanto me atirei à leitura dos poetas. Vocês percebem?
Eles percebem, entendem, ficam sérios, sorriem. Não sei se isto é pedagógico, não sei se isto vem a ser uma boa aula de português, nem mesmo sei se isto é longinquamente educativo. Não sei. Mas estas minhas histórias para adolescentes pobres têm tido um grande sucesso. Eles sempre me pedem outra.
###############

A mulher que passa
Vinicius de Moraes

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
°°°

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
°°°

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
°°°
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
°°°

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
°°°

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
°°°

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

domingo, 3 de agosto de 2008

SEGUNDA BEM HUMORADA

Ciranda da Vida

O diretor disse à secretária:
-Vamos viajar para o exterior por uma semana, organize os preparativos para a viagem!
A secretária faz uma chamada para o marido:
-Vou viajar para o exterior com o meu diretor por uma semana. Cuida-te.
O marido liga para a amante:
- Minha mulher vai estar fora por uma semana. Arruma-te! Vamos viajar, meu docinho!
A amante liga para um menino, a quem dá aulas de gramática:
-Tenho muito trabalho próxima semana, não precisas vir às aulas.
O menino liga para o seu avô:
-Vô, na próxima semana não tenho aulas. Vamos juntos passar alguns dias no campo?
O avô (que é o diretor) liga para a secretária:
-Vou passar a próxima semana com o meu neto. Cancele a viagem...
A secretária liga para o marido:
- A próxima semana o meu diretor tem muito trabalho, cancelamos a viagem.
O marido liga para a amante:
- Não poderemos passar a próxima semana juntos; a viagem da minha mulher foi cancelada.
A amante liga para o menino das aulas de gramática:
- Esta semana vamos ter aulas normalmente. Estarei te esperando no mesmo horário.
O menino liga para o avô:
- Vô, a minha professora disse que esta semana tenho aulas. Desculpe-me, não vai dar para viajar.
O avô liga para a sua secretária:
- Confirme a viagem para a próxima semana. Continue com os preparativos.

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GINECOLOGISTA

Fim de tarde, um ginecologista aguarda sua última paciente que não chega. Depois de 45 minutos, ele supõe que ela não virá mais e resolve tomar um gim tônica para relaxar, antes de voltar para casa. Ele se instala confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha. É a tal paciente, que chega toda sem graça e pede mil desculpas pelo atraso.
- Não tem importância, imagine! - responde o médico
- Olhe, eu estava tomando um gim tônica enquanto a esperava. Quer um também para relaxar?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele lhe serve um copo, senta-se na sua frente e começam a bater papo. De
repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório.
O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- É minha mulher!
- Rápido, tire a roupa, deite na cama e abra as pernas, senão ela pode pensar bobagem.!


TUDO NA VIDA É RELATIVO!!!

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Ao entrar na sala de aula, a professora vê um pênis desenhado no quadro. Sem perder a compostura, imediatamente ela apaga o desenho e começa a aula. No dia seguinte, o mesmo desenho, só que ainda maior. Ela torna a apagá-lo e não faz nenhum comentário. No outro dia, o desenho já ocupa quase o quadro inteiro e por baixo ela lê a seguinte frase: 'Quanto mais você esfrega, mais ele cresce!'

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Como trabalho de casa a professora pede para os alunos fazerem uma rima. No dia seguinte...

- Diga a sua rima Joãozinho: Lá vem o canguru com uma flor no c....

A professora indignada pede para ele refazer. No final da aula...

- Diga novamente a sua rima Joãozinho.

- Lá vem o canguru com uma flor na bochecha porque no c.. a professora não deixa.

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Um coelhinho felpudo estava fazendo suas necessidades matinais quando olha para o lado e vê um enorme urso fazendo o mesmo. O urso se vira para ele e diz:

- Hei, coelhinho, você solta pêlos?

O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:

- De jeito nenhum, venho de uma linhagem muito boa...

Então o urso pegou o coelhinho e se limpou com ele.

MORAL DA HISTÓRIA: CUIDADO COM AS RESPOSTAS PRECIPITADAS, PENSE BEM NAS POSSÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS ANTES DE RESPONDER!

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Cansado de ser discriminado, o gago ouve a dica de um amigo:

- No centro tem uma escola só de gagos! Ao mesmo tempo em que pessoas com o mesmo problema convivem, elas podem tratar-se juntas com os melhores recursos disponíveis!

Sem o endereço certo, o gago vai até o local onde supostamente ficava a escola. Sem encontrar o prédio, ele entra num bar e pergunta à atendente:

- Por fa fa fa vovorr ondede fifica a esco co la degagos po po por aqui?

A atendente - que coincidentemente era loira - lhe responde:

- Para que você quer uma escola de gagos? Você já fala gago tão bem!!!!

Revendo 2004 e pensando 2008


Para quem gosta e tem paciência com os números, o site do TSE é um passeio e tanto. As informações que traz, os quadros que apresenta trazem as eleições traduzidas em números. São dados quantitativos que compõem um painel muito interessante para explorar. Como todo dado quantitativo, é uma fonte inesgotável de questionamentos para quem se interessa pelo que existe ou existiu além dos dados computados.
A curiosidade me atiçou a rever os dados das eleições de 2004 e, de uma certa maneira, também a vontade de melhor compreender os movimentos e as contradições do processo eleitoral no contexto de IP.
Comecei observando o registro individual dos candidatos e o valor máximo de gastos declarados por cada um. É claro que você acredita se quiser no que agora transcrevo mas a nossa fonte são os dados publicados no TSE (http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/divulg_cand.htm)

Fonte: TSE





Fonte: TSE

Fonte: TSE


Fonte: TSE

Fonte: TSE


Fonte: TSE

Fonte: TSE

Enquanto isso no andar de baixo...

Pelos dados apresentados, o resto é em off e nós nunca vamos saber, a campanha política de 2004, em IP, teria custado cerca de R$ 646.331,00, considerando apenas o valor máximo declarado. Distribuindo percentualmente pelas coligações, fica explícita a força do poder econômico numa campanha eleitoral que passa longe de ideologias e programas de partido. Se não foi gasto este valor, o que sobra compõe as sobras de campanha e deve aparecer na contabilidade interna dos partidos e aí é outra conversa. Somando este total com os gastos da operacionalização do processo eleitoral, aí a coisa vai pra estratosfera. O eleitor nunca sabe realmente o que acontece mas o duro é que ele é quem paga a conta. Não dá para não exigir uma correta prestação de contas ao credor.
Pergunta que não quer calar é: de onde sai e por onde vem esse dinheiro gasto nas campanhas? Pelas ONG’s, fundações, cuecas, maletas e muitos outros caminhos que só Deus sabe até que um dia estouram no cotidiano da mídia.
Quantas perguntas ficam sem respostas? É bom pensar nelas antes de fazer a sua escolha. Mas, sobretudo é bom pensar por que faltam remédios nos hospitais, qualidade no ensino, política de segurança e um rosário de coisas que o poder público nos deve.
E os partidos? O aluguel de legendas é uma resenha, como dizem os pernambucanos.
O PAN, em 2004, apresenta sete candidatos a vereador, recebe 7, 937% dos votos válidos e desaparece em 2008. Dois remanescentes reaparecem como candidatos a vereador pelo PTB e pelo PT.
O PT que tinha um candidato a vereador em 2004 reaparece em 2008 com um candidato a prefeito que, em 2004, era do PFL, eleito vice-prefeito pela coligação PL/PFL/PAN/PSDB, antagonistas históricos do PT. De brinde, apresenta 04 candidatos a vereador, um deles remanescente do PAN.
O PPS que lançou candidato a prefeito e mais três a vereador, conseguiu 1,775 % dos votos no pleito de 2004, evapora em 2008. Junto com ele some também o PL que com uma única candidata recebe 4,192% dos votos em 2004.
O PTB recebe, em 2004, 7, 698% dos votos com três candidatos a vereador. Em 2008, apresenta cinco candidatos que não participaram do pleito anterior e mais uma candidata remanescente do desaparecido PAN. Uma das suas candidatas a vereadora em 2004 é candidata a vice-prefeita em 2008.
O PMDB, no pleito anterior, tinha 04 candidatos a vereador e recebeu 18,201% dos votos. Em 2008, três permanecem no partido como candidatos a reeleição, e mais seis candidatos são agregados. Incorpora também uma candidatura a prefeito remanescente do PSDC.
O PDT que teve candidato a prefeito e mais três a vereador em 2004, apresenta, em 2008, dois candidatos a vereador sendo um deles seu candidato a prefeito, sem coligação, no pleito anterior.
O PSDB, estrela da campanha de 2004, cuja soma do valor máximo de gastos declarados compreende quase 60% do total declarado para o conjunto do pleito, recebe 43,742 % dos votos, com 14 candidatos a vereador e um a prefeito. Em 2008, apresenta apenas seis candidatos a vereador, sendo que cinco são candidatos a reeleição. O seu candidato a prefeito cuja campanha parece entrar no ocaso sem passar pela aurora, direciona-se para apoiar a chapa do PT.
O PSDC, em 2004, apresentou seis candidatos a vereador e recebeu 14,113% dos votos. Em 2008, apresenta apenas uma candidata.
Surge o PR que apresenta uma candidata a vice-prefeita e dois a vereador sendo um deles remanescente do PL.
Entendeu o samba do crioulo doido?

Depois dessa dança das cabeças, eu me pergunto: quem move as peças do xadrez político em Ipaumirim? Será que mudou alguma coisa?
O interessante mesmo seria a interpretação dessas migrações, às vezes, incompreensíveis e coligações ideologicamente tresloucadas. O que move a política de IP? A ideologia? Com certeza, não. Os interesses legítimos do município? Uma proposta coerente com um programa bem fundamentado? O oportunismo de sempre? Atendo-se exclusivamente aos dados quantitativos você não dá com as motivações que regem as alianças. Apenas pode perceber que o balaio das trocas está bem movimentado no escambo eleitoral.
Outra curiosidade que eu não saberia dizer se é uma tendência porque vi apenas candidatos de 2004 e 2008, é a ocupação dos candidatos, que permitiria alguma inferência em torno dos seus interesses mais próximos.
No pleito de 2004, o Estado do Ceará, teve o mais alto percentual de participação de candidatos entre agricultores (16.761 %) e comerciantes (13.431%). EM IP, a maioria de candidatos declarados são agricultores, seguido da categoria dos servidores públicos incluindo professores.
Em 2008, agricultor continua como a categoria mais expressiva, seguida de comerciantes e servidores públicos incluindo professores.
Observa-se entretanto uma diversificação das categorias onde aquelas mais identificadas o com perfil urbano , em conjunto, são mais representativas no total dos dados. Essa alteração é interessante porque aponta para representações mais voltadas para as preocupações urbanas e suas necessidades. O resultado das eleições vai mostrar as preferencias na composição da Câmara Municipal. Os candidatos ao executivo embora tragam raízes rurais tem um perfil prioritariamente urbano ainda que com todas as idiossincrasias da mistura.
De 2004 para 2008, avançou sensivelmente o Grau de Instrução. O Ensino Médico Completo e o Superior Completo passam a ser as categorias mais expressivas em 2008. Em 2004, era Médio Completo a mais significativa seguida de Fundamental Incompleto no mesmo patamar do Superior Completo.
Agora em agosto deve acontecer a primeira parcial da prestação de contas. Não sei se o TSE seguindo uma política de transparência vai divulgar pela internet. Seria bom se isso acontecesse. Aguardemos.

MLuiza
Recife

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sobre o prefeito de uma cidade





"Acredito na relação de amor entre o Prefeito e sua cidade. Não me atento à etiqueta partidária, a não ser se a sigla aposta ao nome do candidato traduzir o desvio da extrema direita ou extrema esquerda, ai já sei que a coisa só pode ser destrutiva. De resto, analiso a relação de amor entre o candidato e a cidade que ele quer administrar e esqueço momentaneamente que meu coração está mais à esquerda. Sei que o bom prefeito é aquele que como eu, quer viver bem em sua cidade e possuir identidade com esta.
Neste sentido, a fisionomia das cidades é reveladora. As cidades antigas foram construídas (e por vez destruídas) por enxertos aleatórios ao fio dos anos, carecendo do plano metodicamente traçado por um só lance das cidades novas. Os acasos da política municipal lembram a arquitetura heteróclita das cidades antigas onde se vê edifícios de todos os tamanhos, ruas tortuosas, cruzamentos variados, uma desordem que pode encantar ou perturbar, em função do grau de discordância dos sucessivos administradores municipais.
Quando o candidato ao maior cargo da administração municipal tece uma verdadeira relação de amor com a cidade, ele resolve compor com aquilo que já existe, busca com racionalidade restaurar a história, a alma do lugar. Deve dar seguimento às decisões de seus antecessores para que a primeira célula política de todo cidadão seja habitável, harmoniosa, social e possua identidade própria. Isto não é tarefa para qualquer um, e já que o período oficial para a campanha municipal está aberto, lembremos o quão difícil é administrar uma cidade que acaba se parecendo com a obra do (triste) destino, pois como já afirmava Descartes, é tarefa árdua trabalhar em conjunto sobre a mesma obra, ao invés de ser o único arquiteto. "
NOTA:
O texto acima é mais amplo e refere-se a campanha política na cidade de São Paulo. Recortei essa parte porque acredito que ela vale para candidatos de todas as cidades.
Se o candidato não tem apreço pela sua cidade, seu município, tampouco terá pelos seus habitantes.
João Paulo, prefeito do Recife, tem como slogan da sua gestão: “a grande obra é cuidar das pessoas”. Sem discutir os méritos e os problemas da sua gestão – eu votei nele duas vezes e não me arrependo – o seu slogan chama para o ponto principal e o sentido de qualquer administração de sucesso: cuidar de sua população oferecendo bons serviços, criando oportunidades, buscando estratégias que tragam melhores índices.
Acho que Ipaumirim, assim como muitos e muitos outros municípios brasileiros, já esqueceu o que é isso. Parte porque preferiu embarcar no trem da esperteza política, ainda que seja no último vagão. Outros porque cruzaram os braços esperando a vez de fazer a mesma coisa e ainda outros que não despertaram para os seus direitos. Faltou-lhes justamente um prefeito que mostrasse nas suas obras uma relação de amor com a cidade e identidade com o seu povo.
Temos três candidatos. Não vi nenhuma propaganda de Torres Neto e ouvi dizer que sua candidatura esfriou, o que de uma certa maneira ratifica minha hipótese anterior sobre o que esta representaria no contexto político local.
Recebi alguns convites para participar de comunidades do orkut de apoio político aos candidatos. Agradeço os convites mas não farei parte de nenhuma. Não tenho preferencias partidárias locais, o que me preocupa é o eleitor. Se o eleitor muda a mentalidade já é meio caminho andado para o prefeito aprender a respeitá-lo.
MLuiza
Recife

Dever de casa: o futuro é agora



CRONOBIOGRAMA FEMININO !!..


1 aos 5 anos: A mulher não tem a mínima idéia do que ela seja.
5 aos 10 anos:Sabe que é diferente dos meninos, mas não entende porquê.
10 aos 15 anos:Sabe exatamente por que é diferente, e começa a tirar proveito disso..
25 aos 30 anos:Nessa fase formam 5 grupos distintos:

G1 - As que casaram por dinheiro
G2 - As que casaram por amor
G3 - As que não casaram
G4 - As que simplesmente casaram
G5 - As inteligentes

G1: descobrem que dinheiro não é tudo na vida, sentem falta de uma paixão.
G2: descobrem que paixão não é tudo na vida, sentem falta do dinheiro.
G3: não importa o dinheiro e a paixão, sentem falta mesmo é de um homem .
G4: não entendem por que casaram.
G5: descobrem que ter inteligência não é tudo na vida..

30 aos 35 anos: Sabe exatamente onde errou e tinge o cabelo de loiro. Vai para academia..
35 aos 40 anos:Procura ajuda espiritual..
40 aos 45 anos:Abandona a ajuda espiritual e procura ajuda médica, com analistas e cirurgiões plásticos..
45 aos 50 anos:Graças aos cirurgiões sua bunda e barriga voltaram ao normal, seus peitos ficaram melhores do que eram e explode uma paixão pelo seu analista..
Após os 50 anos: FINALMENTE SE DESCOBRE, SE ACEITA E COMEÇA A VIVER !!!!... Mas aí vêm a osteoporose, o reumatismo, os 70, os 80, as longas esperas nas salas de espera dos médicos, a descoberta de que o saber acumulado não interessa a ninguém, o desompasso de interesses com os mais jovens, o grande desafio de não ser chata nem deixar de se interessar pelas coisas.

Como dizem os franceses: "Ah, si jeunesse savait... ah! si vieillesse pouvait" (Ah! se a juventude soubesse... ah! se a velhice pudesse").

Moral da história: Não espere envelhecer para se aceitar e começar a viver.
(recebi pelo correio, sem autoria)

O eleitor e os corruptos

(Juremir Machado)


Não adianta negar: tem eleitor que adora candidato corrupto. Vamos ser sinceros: tem eleitor que não pode ver um corrupto sem lhe oferecer o seu voto. Vamos ser absolutamente francos: tem eleitor que vota em corrupto até de graça. Só pela simpatia.
Por admiração. Se duvidar, aparece eleitor com inscrição na camiseta: eu amo o meu corrupto. Não é por acaso que cada governo, mesmo com todos os escândalos de corrupção, se vangloria dos seus feitos e toca em frente. FHC comprou a emenda que lhe permitiu a reeleição?
Ah, mas ele estabilizou a moeda. Houve uma roubalheira nas privatizações? Certo, mas o país ficou melhor, com mais telefones e uma economia mais dinâmica. Teve mensalão no primeiro governo do atual presidente? Ah, mas ele fez o ProUni, o Bolsa-Família e ainda manteve o Brasil no bom rumo econômico.
Se fizer algo de bom, pelo jeito, pode até roubar. A prova de que tem eleitor doido por um corrupto é a bem-sucedida carreira política de Paulo Maluf. A Folha de S. Paulo publicou, no último domingo, um interessante levantamento de dados sobre candidatos a prefeito, com ficha suja, na eleição de 2004.
Pois não é que 50% dos com alguma culpa no cartório foram reeleitos? Eleição de prefeito é aquela da proximidade. Cada um pode conhecer bem os currículos dos candidatos. Não tem mistério. Na maioria dos municípios brasileiros, de pequeno porte, os candidatos são mais conhecidos do que erva ruim ou, mais precisamente, como erva ruim.
Mas se reelegem. A única explicação plausível para isso é que o eleitor já conhece os seus golpes e não quer correr o risco de surpresas. Corrupto por corrupto, fica-se com o de estimação.
Segundo a Folha, Antônio Calmon (PFL) reelegeu-se em São Francisco do Conde, Bahia, apesar de responder a processo por superfaturamento, uso de apartamento de uma empreiteira e fraude em licitações. Tudo coisa simples. O sujeito concorreu na chapa O Progresso Não Pode Parar e foi recompensado com um novo mandato.
A hipocrisia e o cinismo também não podem parar. Mas deviam. Os nomes das coligações e das frentes, em geral, indicam o vazio das propostas e o artificialismo das estratégias dos marqueteiros. É só criar um slonganzinho aqui e uma novidadezinha ali para que o produto seja vendido.
Esse tal Calmon 'pagou R$ 629 mil por 4,3 milhões de elásticos para prender dinheiro, nunca entregues'. Não dá para saber se o dinheiro ou os elásticos. O caso mais interessante divulgado pela Folha de S. Paulo foi o de Hércules Ribeiro, reeleito para a Prefeitura de Pitimbu, na Paraíba, depois de ter sido acusado de pagar a uma empreiteira pela perfuração de um poço já aberto.
Faz sentido. Assim como tem vaca que esconde o leite, tem poço que, mesmo aberto, esconde a água. Aí só tem um jeito para resolver os dois casos, tanto o da vaca quanto o do poço: mamar, sugar, chupar. Chega uma hora em que o líquido começar a jorrar. O eleitor, percebendo tanta criatividade e persistência, recompensa com votos.
Há quem, em todos os níveis da sociedade, receba algum leite em troca da vaca ou alguma vaca em troca do leite. A política é um poço sem fundo. Quanto mais fura, mais tem a furar.
E a pagar pelo furo. Eleitor apaixonado por corrupto é pior do que homem ou mulher que se apaixonam por canalha. É amor sem fim. Aconteça o que acontecer, a pessoa quer mais e dá uma nova chance. Só acaba na urna.