segunda-feira, 14 de março de 2011

Ecologistas deviam tomar banho de canequinha


Não existe nada mais ingênuo, hipócrita e burro do que o discurso ecologicamente correto. Sabe aquele que diz que se cada um de nós fizer sua parte, a formiguinha, a gota no oceano, blábláblá? Pois é.

Durante anos reciclei lixo, separei latinhas, papel, vidro, o escambau. Carregava nos bolsos, por quilômetros, meus pequenos entulhos pessoais até encontrar na rua uma miserável lata de lixo. Tomava banhos curtíssimos, com se estivesse pecando contra a natureza. Até que.

Nada nos impede de ser individualmente civilizados, educados, econômicos. Só não venham com a conversinha de que isso muda alguma coisa na lógica de nosso planeta maltratado não por pessoas, mas por engenhos tecnológicos dos quais a humanidade nem pensa em abrir mão.

O estrago causado na atmosfera por um único vôo entre Londres e Nova Iorque não seria compensado nem se toda a população da Favela da Rocinha ficasse meditando, imóvel, por uma década.

Neste exato instante, centenas de aeronaves literalmente rasgam os céus, com a única vantagem de que ninguém pode jogar lixo pelas suas janelinhas.

Segundo especialistas, só em desperdício, falta de manutenção e fiscalização nas redes de abastecimento de água fazem o Brasil perder R$ 7,4 bilhões por ano. Se este dinheiro não estivesse indo pelo ralo, em seis anos seria suficiente para universalizar o serviço de esgoto no país.

Perguntem aos nossos governantes incompetentes o que fazer, e é capaz de eles sugerirem a nós reaproveitar a água com que escovamos nossos dentes.

Pesquisa recente comprovou que, a longo prazo, o dano ambiental causado pelas famosas sacolas recicláveis é muito maior do que os famigerados saquinhos plásticos de supermercado. Parece piada, mas não é.

Poderia ficar aqui listando exemplos colossais de como a poluição do ar, do mar e da terra é uma hecatombe promovida por aquilo que chamamos de civilização. Não tem nada a ver com civilidade.

Quer tomar seu banho de canequinha para ser santificado? Se joga. Eu vou demorar um pouco mais, tá? Posso ser pobre de espírito, mas sou limpinho.


(Marco Antonio Araújo)

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/

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