Gente de Ipaumirim. Vida de Ipaumirim. Tempos de Ipaumirim. Alagoinha... Ipaumirim...... memória..... raízes... atualidades....... por novos tempos..... novos olhares...... espaço aberto a todos......
domingo, 22 de novembro de 2009
Foto 225
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Identificação das pessoas: Cico Felizardo, Ereneide.
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Identificação das pessoas: Ademar Barbosa, Amaro Farias, Januário Feitosa (?), Antonio (de Afrodísio), Zé de Bia.
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Evento: (Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
Local: Felizardo
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Identificação das pessoas: Varneau Lopes
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Evento: (Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
Local: Felizardo
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Identificação das pessoas: José henrique Silva
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Foto 238
Evento: (Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
Local: Felizardo
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Identificação das pessoas: Ademar Barbosa, Chico Felizardo, Varneau Lopes, Felizardo
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Foto 239
Evento: (Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
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Foto 240
Evento: (Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
Local: Felizardo
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Identificação das pessoas: Felizardo
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Foto 241
Evento: ((Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
Local: Felizardo
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Identificação das pessoas: Ademar Barbosa, Chico Felizardo, Ereneide felizardo, Aldeísio Nery, Genaro Coelho.
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Evento: (Fotos de numeração 234 a 242 são todas do mesmo evento)
Local: Felizardo
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sábado, 21 de novembro de 2009

Mais blogs em Ip
Iniciativa de Socorro Olímpio e administrado por Cleidinha traz a obra, fotos, poemas e textos de Alberto Moura ou sobre ele. Vale a pena visitar.
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maniaporphotos.blogspot.com - administrado por Cleidinha traz lindas fotos da cidade e do município. Com muita sensibilidade, Cleidinha redescobre o Ip através de suas imagens.
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http://veridianaipaumirim.blogspot.com/ - administrado por Veridiana, psicopedagoga, coordenadora pedagógica, formadora municipal de Língua Portuguesa do Gestar II. Publica informações sobre atividades do programa que são realizadas em Ip.
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Bombando o Portal de Ip com uma ampla cobertura de esportes, fatos e notícias de interesse do município.
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Quando estive em Ip, soube que faleceu Cafita, filho de Santina e marido de Toinha. Os mais jovens não conhecem mas os mais experientes sabem quem é. É o velho Ip partindo aos poucos.
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Apenas comentando....
Li - no Portal de Ip - duas notícias esclarecedoras:
Na primeira, o site comenta que está faltando asfalto para o Ceará. Aí, entendí porque o conserto que fizeram na Rua Coronel Gustavo Lima ficou tão esburacado. Algumas pinceladas de asfalto que sequer cobriram os buracos da rua. Pense numa coisa mal feita. Buraco sobre buraco, ainda bem bem que passaram alguns cavalos que deixaram seu rastro de cocô. Os carros que passaram depois nivelaram a pavimentação. Sei lá, de repente, essa mistura é o projeto piloto de alguma tecnologia mais preocupada com o ecológico. Deve ser, né? Uma cidade que tem até responsável técnico por obras de infra-estrutura não deixaria isso acontecer se não fosse a título de experimentações mais comprometidas com a causa ambiental.
Na outra, vejo um comentário bem oportuno sobre os investimentos da SETUR e a realização da Festa de São Sebastião. Sem querer parecer pedante, eu diria que uma coisa é turismo religioso e outra coisa é romaria. Nós estamos no estágio da romaria. Acho que é por conta disso que não há investimento em obras de infraestrutura e outros serviços típicos de empreendimentos turísticos.
Dr. Miraneudo fez um investimento significativo na escadaria de acesso a Pedra de São Sebastião que ficou muito bonito e melhorou bastante. Os prefeitos - que vieram depois - esqueceram de dar continuidade a obra. Aquele caminho já era para ser calçado, ter uma organização no trânsito, gente para dar informações.
Sinceramente, é preciso muita fé para enfrentar o desconforto da romaria no dia 20. O calor não ajuda, a desordem de barracas vendendo fitinhas, cordel, caneco de alumínio, emblema de clube de futebol, imagem de Padim Ciço, cd pirata, utensílios de plástico, comida e tudo mais que compõe um quadro de descuido geral com a organização da festa. Para completar, no meio deste fuzuê ainda fica um parque de diversões sem a menor condição de segurança. Pense numa temeridade! Só São Sebastião pra proteger o povo.
Está mais do que na hora da comunidade, da prefeitura e da paróquia se sentarem numa mesa e organizar a cidade. Cada um no seu quadrado mas todos juntos pensando no conjunto da festa.
Não se deve tratar com tanto descaso os visitantes. É o mínimo que se pode fazer. E se o argumento do respeito não for suficiente, pelo menos que se pense que quanto menos tempo eles permanecerem na cidade, menos retorno financeiro terão os investimentos feitos.
A romaria não é um turismo de rico mas as pessoas não podem ser mal recebidas. A maioria pode até ser humilde mas , hoje em dia, todo mundo sabe o que é bom atendimento, respeito e conforto.
Temos que honrar a tradição de que somos bons anfitriões e não podemos relegar nossos visitantes ao descaso.
Acorda Alagoinha!
Álbum da semana
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Noite de verão
O mar era visível da janela do sótão sobretudo nas noites de lua generosa. Entretinha-me a contar as ondas na rebentação como quem conta carneiros em lutas contra a insónia. Os adultos, lá em baixo, faziam-se ouvir até tarde, entre discussões exaltadas próprias dos tempos conturbados da revolução fresca e gargalhadas da sua (então) não menos fresca juventude. Os dias eram passados naquilo que me parecia um isolamento total. Não unicamente meu, mas daquele familiar grupo perante o resto do mundo. À casa e ao areal deserto não chegava vivalma nem mesmo durante o dia. Sendo a única criança, sentia-me o explorador solitário de tão virgem território. A janela do sótão era a ponte do meu barco imaginário, inspiração directa das aventuras de Salgari que nunca mais deixei. Daquele ponto controlava tudo, ou dessa forma assim o via, e por diversas vezes preferi-o à imensidão do areal. Numa noite, já relegado pela hora tardia para o meu quarto no sótão, assisti da janela aos gritos que alguns do grupo lançavam a correr em direcção à água: o mergulho da meia-noite à luz da lua. Foi nesse momento que invejei pela primeira vez a idade adulta, nunca imaginando que chegaria o dia, já adulto e também a mergulhar num mar escuro numa noite de lua cheia, em que daria tudo para voltar atrás àquele preciso momento. A infância é um bem valioso e o único verdadeiramente irrecuperável. Como a vida me viria a ensinar.
Rádio Blogue: Redes sociais
O New Oxford American Dictionary elegeu um verbo como palavra do ano. Unfriend, que no Público apareceu traduzida por «desamigar», nasceu no contexto das redes sociais, mais concretamente no Facebook. A tradução parece sensata. Trata-se de retirar um estatuto, neste caso de amigo literalmente virtual, descontinuando uma ligação. É por isso que os amigos do Facebook não são necessariamente nossos amigos: são pessoas a quem atribuímos um estatuto. Se for verdade que qualquer palavra implica pelo menos um antónimo, então para amigar temos desamigar sem dificuldade. Outro ponto a favor da tradução é a sugestão amorosa do verbo original. A partir do momento em que temos pessoas a falar umas com as outras tudo pode acontecer. Acontece muito o insulto, daí haver a necessidade do bloqueio. Também acontece o enjoo, o que leva ao desamiganço. E assim amigalhaços passam a desamigalhaços. Mas, por vezes, os amigos começam por ser virtuais e depois saltam para fora da máquina e acompanham-nos durante muito tempo na nossa vida. Tornam-se amigos à moda antiga, sem utilidades à mistura, e até nos esquecemos de que tudo começou numa rede social ou num blogue. No entanto, o conceito de se desligar de alguém no mundo virtual, ou, neste caso, de retirar a alguém um certo estatuto, não é novo. Com o lincar nos blogues veio o deslincar. E ligar e desligar têm efeitos bem diferentes. Se por um lado a ligação parece agradar muito, o acto de desligar alguém poucas vezes é entendido como um acto de paz e amor. Ninguém entende no mundo virtual que o problema seja: «Não és tu, sou eu». Depois de unlink ou deslincar, nos blogues, temos unfriend no Facebook e unfollow, no Twitter. E agora? Como vamos traduzir a elegância da palavra unfollow? «Des-seguir» está simplesmente fora de questão. «Inseguir» também. Proponho que recuperemos a mais famosa redundância da língua portuguesa: «deslargar». Porque seguir alguém no Twitter é como ouvir alguém que já está largado a pensar em voz alta. O que é que as redes sociais trouxeram de novo ao modo como as pessoas se relacionam umas com as outras?
Fonte: http://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/
Fonte: http://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/

Por Gerson Marques
Acompanhe em tempo real o crescimento populacional de cada país, nascimentos e mortes, emissão de Co2 inclusive per capita. É só clicar:
http://www.breathingearth.net/
Fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/
"Tijolo com tijolo num desenho lógico"

Governo e municípios investem R$ 4,5
milhões em moradias no Interior
O governador Cid Gomes presidiu leilão que reduzirá o déficit habitacional em até 40% em municípios cearenses
O governador Cid Gomes presidiu nesta quinta-feira, 19, no Palácio Iracema, o primeiro leilão para construção de unidades habitacionais em municípios com até 13 mil habitantes. O leilão permitiu que 11 municípios arrematassem 20 lotes, totalizando um investimento do Governo de R$ 3.150.00,00 milhões para construção de 450 moradias. Em contrapartida, os municípios investirão R$ 1.372.000,00 para a construção de mais 196 moradias, totalizando 646 unidades habitacionais.
De acordo com Cid Gomes, ao final dos leilões esse sistema garantirá a diminuição em até 40% do déficit habitacional dos municípios do Interior que não foram contemplados com outros programas. O Sistema prevê que o Governo do Estado invista R$ 21 milhões na construção de 3 mil moradias. Durante o evento, foram arrematados 20 lotes, sendo 15 deles com 20 moradias e outros cinco com 30 moradias.
Os municípios vencedores foram Potiretama, que terá 100 novas casas construídas por parte do Governo do Estado e mais 47 pela Prefeitura, totalizando 147 unidades. Seguindo a mesma linha, Uruoca arrematou ao todo 65 moradias; Pacujá, 56; Jaguaribara, 85; Aratuba, 56; Palmácia, 28; General Sampaio, 46; Guaramiranga, 30; Itaiçaba, 76; Baixio, 28 e Itapemirim 29 moradias. Com o sistema, Potiretama diminui em mais de 40% seu déficit habitacional, que era de 311 moradias.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Prazer em conhecer
Name: roberto wagner leite
Location Barbalha-CE
Bio Secretário Municipal de Obras e Urbanismo de Baixio-CE, responsável técnico pela Prefeitura Municipal de Ipaumirim-CE e RCL Engenharia LTDA.
Location Barbalha-CE
Bio Secretário Municipal de Obras e Urbanismo de Baixio-CE, responsável técnico pela Prefeitura Municipal de Ipaumirim-CE e RCL Engenharia LTDA.
Work In Progress:
- Na prefeitura de Ipaumirim-CE, em reunião com o prefeito DR. GERALDO discutindo projetos prioritários para o município. 12:36 PM Sep 8th from web
- Em BRASÍLIA, no gabinete do dep. EUNICIO OLIVEIRA tratando de assuntos dos municípios de Ipaumirim e Baixio-CE. 7:58 AM Sep 9th from web
- Em Fortaleza numa reunião com o DEP. ZÉ AIRTON, DR.GERALDO e o presidente do PT local formalizando a chapa do diretório do PT de Ipaumirim. 1:12 PM Oct 9th from web
- Entregando, com o Prefeito Dr. Geraldo, a OS para reconstrução do POSTO DE SAUDE da sede de Ipaumirim. Começamos a avançar nas obras ... 5:05 AM Oct 16th from web
- Encerrando as atividades do dia após fiscalizar obras nas cidades de Ipaumirim e Baixio hoje a tarde. 2:44 PM Nov 17th from web
Em BRASÍLIA, no gabinete do Senador INÁCIO ARRUDA(PC do B-CE), com o prefeito DR. GERALDO alocando
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
"No Ceará tudo é fofo e nada é fixe"
O Cego Aderaldo
(Rachel de Queiroz)
Às três horas da tarde, no pátio da fazenda, o sol é tão forte que encandeia; por sôbre o mato zarolho sobe para o céu um brilho trêmulo, feito da luz devolvida que bate no chão e volta para onde veio, como se a terra fôsse um espelho.
O jipe freou defronte à cancela, espantando uns pintos e a cachorra Baleia com o seu filho Trairi. E do banco da frente do carrinho se levantou um velho alto, de peito largo, chapéu desabado sôbre os óculos escuros. Segurando-o pela mão, um môço moreno, de bigodinho, foi-lhe dirigindo os passos, como quem traz um menino.
Saltaram tôdos das rêdes onde cochilavam ao mormaço e, com emoção e alvoroço, correram a receber aquêle que chegava. Pois o homem que atravessava o terreiro, sorrindo e saudando com sua grande voz de peito, era uma espécie de príncipe, talvez o último sobrevivente dos grandes cantadores - o cego Aderaldo.
Pelas casas dos moradores a notícia da visita se espalhou com incrível rapidez, - parecia até, Deus me perdoe, que pousara em cima do meu alpendre uma estrêla de Natal. Os homens largavam a enxada nos roçados, as mulheres deixavam o milho no pilão, esquecendo o pão e a hora da janta. E foram-se chegando de mansinho, homens e velhas, môças e meninos, e quando se deu fé, o terreiro e o alpendre estavam cheios de gente, e Aderaldo, sentado na cadeira de lona, dava a sua grande risada e contava causos e desfiava motes e depois pegava no grande violão e cantava e rememorava desafios, e fazia, como é de praxe, a louvação dos presentes. Foi aí que êle comprou para sempre o coração da dona da casa, porque enxergando-a apenas com os espirituais olhos de cego, disse, num remate de sextilha, que ela era “maneira como uma abelha...”
* * *
O povo da cidade grande não pode fazer idéia do que é o renome e a grandeza de um cantador. Êle é a voz cantadeira de tôda uma gente que não tem outra forma de expressão própria, que não lê nem escreve e, na sua necessidade de poesia e comunicação, fala e se entende pela bôca do cantador. Êle é o lírico, o épico, o noticioso, o cômico. Não são o jornal nem o rádio que informam o povo da morte de Lampião, da guerra na Europa, do suicídio de Getúlio, da subida ao céu do Padre Cícero. Ou antes, o rádio e o jornal informam, mas as gentes só dão crédito e importância depois que o cantador confirma. Ano passado os poetas populares já estavam explicando nas feiras as proezas do sputinik, e agora já estarão pondo em versos o bombardeio da Lua, para o povo acreditar.
O povo lhe dá crédito, como lhe dá amor, porque o cantador é um dêles, é a sua testemunha, ao mesmo tempo que o seu poeta - a sua consciência lírica, a sua voz de protesto ou de queixa. As mulheres choram quando o escutam, os homens ficam pensativos. E só se entende que o cantador viva pobre e morra pobre porque a sua gente só tem para repartir com êle a mesma pobreza, também. Sendo que o pouco que podem dar lhe permite viver vestido e calçado, - e para êles isso já é abastança.
Aderaldo canta de si e dos outros, conta a infância, a mocidade, a cegueira. Perdeu a luz dos olhos aos dezoito anos de idade, a trabalhar numa máquina que de repente lhe lançou no rosto uma lufada de vapor quente. Depois de cego, recusando-se a pedir esmola, como outros cegos fazem, lembrou-se de que carregava um poeta dentro do peito, arranjou uma viola e se fêz cantador. E cantando continua até agora, desde aquêles fatais dezoito anos até os oitenta e um de hoje em dia. Vive ambulante, igual a Homero, também como êle cego, poeta e cantor. Não tem mulher, - diz que mulher e cego não são boa combinação. Já criou mais de vinte filhos alheios, transformando as velhas relações do cego com o seu guia numa paternidade adotiva que lhe vai preenchendo os vazios do coração. Agora os guias já são “netos”, filhos dos guias primeiros. Faz algum tempo um político lhe deu uma maquininha de cinema, que o cantador levava pelos povoados do interior, completando a exibição dos filmes com explicações e cantigas. Viajava com uns burros, - mas com o tempo os burros foram morrendo, e alguns amigos jornalistas se lembraram de iniciar uma subscrição para lhe comprarem um jipe. Aí, porém aconteceu uma tragédia: a pequena casa onde o Aderaldo morava em Quixadá, “coberta de Jitirana, cheia de flor em botão”, pegou fogo, foi-se embora. E o incêndio comeu também o projetor de cinema, os filmes, tudo. Desolado, sem teto, o poeta desisitiu da subscrição, que já não tinha sentido. Os pouco contos de reis obtidos, deixou-os no banco onde estavam - “ficam para o meu entêrro...”. Um deputado, seu admirador, doído daquela má sorte, obteve para o cantador uma casa da Fundação da Casa Popular, em Fortaleza. Mas aí apareceu um “algoz” - e denunciou o cego como proprietário em Quixadá “de uma casa e de um cinema” - aquilo que o fogo levara...
* * *
(Rachel de Queiroz)
Às três horas da tarde, no pátio da fazenda, o sol é tão forte que encandeia; por sôbre o mato zarolho sobe para o céu um brilho trêmulo, feito da luz devolvida que bate no chão e volta para onde veio, como se a terra fôsse um espelho.
O jipe freou defronte à cancela, espantando uns pintos e a cachorra Baleia com o seu filho Trairi. E do banco da frente do carrinho se levantou um velho alto, de peito largo, chapéu desabado sôbre os óculos escuros. Segurando-o pela mão, um môço moreno, de bigodinho, foi-lhe dirigindo os passos, como quem traz um menino.
Saltaram tôdos das rêdes onde cochilavam ao mormaço e, com emoção e alvoroço, correram a receber aquêle que chegava. Pois o homem que atravessava o terreiro, sorrindo e saudando com sua grande voz de peito, era uma espécie de príncipe, talvez o último sobrevivente dos grandes cantadores - o cego Aderaldo.
Pelas casas dos moradores a notícia da visita se espalhou com incrível rapidez, - parecia até, Deus me perdoe, que pousara em cima do meu alpendre uma estrêla de Natal. Os homens largavam a enxada nos roçados, as mulheres deixavam o milho no pilão, esquecendo o pão e a hora da janta. E foram-se chegando de mansinho, homens e velhas, môças e meninos, e quando se deu fé, o terreiro e o alpendre estavam cheios de gente, e Aderaldo, sentado na cadeira de lona, dava a sua grande risada e contava causos e desfiava motes e depois pegava no grande violão e cantava e rememorava desafios, e fazia, como é de praxe, a louvação dos presentes. Foi aí que êle comprou para sempre o coração da dona da casa, porque enxergando-a apenas com os espirituais olhos de cego, disse, num remate de sextilha, que ela era “maneira como uma abelha...”
* * *
O povo da cidade grande não pode fazer idéia do que é o renome e a grandeza de um cantador. Êle é a voz cantadeira de tôda uma gente que não tem outra forma de expressão própria, que não lê nem escreve e, na sua necessidade de poesia e comunicação, fala e se entende pela bôca do cantador. Êle é o lírico, o épico, o noticioso, o cômico. Não são o jornal nem o rádio que informam o povo da morte de Lampião, da guerra na Europa, do suicídio de Getúlio, da subida ao céu do Padre Cícero. Ou antes, o rádio e o jornal informam, mas as gentes só dão crédito e importância depois que o cantador confirma. Ano passado os poetas populares já estavam explicando nas feiras as proezas do sputinik, e agora já estarão pondo em versos o bombardeio da Lua, para o povo acreditar.
O povo lhe dá crédito, como lhe dá amor, porque o cantador é um dêles, é a sua testemunha, ao mesmo tempo que o seu poeta - a sua consciência lírica, a sua voz de protesto ou de queixa. As mulheres choram quando o escutam, os homens ficam pensativos. E só se entende que o cantador viva pobre e morra pobre porque a sua gente só tem para repartir com êle a mesma pobreza, também. Sendo que o pouco que podem dar lhe permite viver vestido e calçado, - e para êles isso já é abastança.
Aderaldo canta de si e dos outros, conta a infância, a mocidade, a cegueira. Perdeu a luz dos olhos aos dezoito anos de idade, a trabalhar numa máquina que de repente lhe lançou no rosto uma lufada de vapor quente. Depois de cego, recusando-se a pedir esmola, como outros cegos fazem, lembrou-se de que carregava um poeta dentro do peito, arranjou uma viola e se fêz cantador. E cantando continua até agora, desde aquêles fatais dezoito anos até os oitenta e um de hoje em dia. Vive ambulante, igual a Homero, também como êle cego, poeta e cantor. Não tem mulher, - diz que mulher e cego não são boa combinação. Já criou mais de vinte filhos alheios, transformando as velhas relações do cego com o seu guia numa paternidade adotiva que lhe vai preenchendo os vazios do coração. Agora os guias já são “netos”, filhos dos guias primeiros. Faz algum tempo um político lhe deu uma maquininha de cinema, que o cantador levava pelos povoados do interior, completando a exibição dos filmes com explicações e cantigas. Viajava com uns burros, - mas com o tempo os burros foram morrendo, e alguns amigos jornalistas se lembraram de iniciar uma subscrição para lhe comprarem um jipe. Aí, porém aconteceu uma tragédia: a pequena casa onde o Aderaldo morava em Quixadá, “coberta de Jitirana, cheia de flor em botão”, pegou fogo, foi-se embora. E o incêndio comeu também o projetor de cinema, os filmes, tudo. Desolado, sem teto, o poeta desisitiu da subscrição, que já não tinha sentido. Os pouco contos de reis obtidos, deixou-os no banco onde estavam - “ficam para o meu entêrro...”. Um deputado, seu admirador, doído daquela má sorte, obteve para o cantador uma casa da Fundação da Casa Popular, em Fortaleza. Mas aí apareceu um “algoz” - e denunciou o cego como proprietário em Quixadá “de uma casa e de um cinema” - aquilo que o fogo levara...
* * *
Tudo isso êle contou e cantou, mais rido do que chorado, porque tem a tristeza alegre. Quando partiu - o jipe fôra emprestado por um amigo, precisava chegar ao Quixadá antes da noite - nos deixou comovidos e tontos, como se a gente houvesse podido entrever, na sua profundidade natural, o escondido e singelo mistério do mundo. E se o corpo, o triste corpo de carne, nos continuava pesado e pregado ao chão, o coração aligeirado, contente, cantante, estava, êle sim, leve e inocente - “maneiro como uma abelha”...
Cidadania ativa
Ser um melhor cidadão está na sua mão
Ser um cidadão activo só depende de si. Quanto mais activo e dinâmico for o seu papel na sociedade, mais e melhor se desenvolverá a sua freguesia, o seu município, o seu país. É isto a cidadania activa.
O poder que cada um de nós tem, seja isolado ou organizadamente, de intervir responsavelmente, é de extrema importância para aumentar a eficácia dos poderes públicos. Só através da sua participação e acção construtiva pode exigir mais das entidades oficiais.
Muitas vezes, de forma automática, os políticos são acusados de “fazer tudo o que lhes apetece”, de “não fazer nada” ou de “fazer tudo mal”.
As autarquias assumem abertamente que a crítica é bem-vinda, desde que responsável, fundamentada e representativa. Participar e exigir, mais do que um direito, é um dever e responsabilidade de todos.
Assim, a cidadania activa, assumida de forma responsável é essencial para melhorar a eficiência dos políticos e das suas políticas. A mudança passa por todos, por isso é necessário ter consciência que a sua voz conta. Faça uso dela.
Não se limite a apontar o dedo. Participe activamente,
O voto é a expressão máxima da cidadania. Mas… não chega!
A vida não pára. Todos os dias surgem novos problemas, necessidades, expectativas. Todos os dias são tomadas decisões. A sua comunidade, freguesia, município precisam da sua voz activa todos os dias.
Quanto mais participada for uma decisão, melhores resultados surgirão.
A cidadania activa valoriza a nossa sociedade e reforça a democracia.
Seja activo, participe!
Ser um cidadão activo só depende de si. Quanto mais activo e dinâmico for o seu papel na sociedade, mais e melhor se desenvolverá a sua freguesia, o seu município, o seu país. É isto a cidadania activa.
O poder que cada um de nós tem, seja isolado ou organizadamente, de intervir responsavelmente, é de extrema importância para aumentar a eficácia dos poderes públicos. Só através da sua participação e acção construtiva pode exigir mais das entidades oficiais.
Muitas vezes, de forma automática, os políticos são acusados de “fazer tudo o que lhes apetece”, de “não fazer nada” ou de “fazer tudo mal”.
As autarquias assumem abertamente que a crítica é bem-vinda, desde que responsável, fundamentada e representativa. Participar e exigir, mais do que um direito, é um dever e responsabilidade de todos.
Assim, a cidadania activa, assumida de forma responsável é essencial para melhorar a eficiência dos políticos e das suas políticas. A mudança passa por todos, por isso é necessário ter consciência que a sua voz conta. Faça uso dela.
Não se limite a apontar o dedo. Participe activamente,
O voto é a expressão máxima da cidadania. Mas… não chega!
A vida não pára. Todos os dias surgem novos problemas, necessidades, expectativas. Todos os dias são tomadas decisões. A sua comunidade, freguesia, município precisam da sua voz activa todos os dias.
Quanto mais participada for uma decisão, melhores resultados surgirão.
A cidadania activa valoriza a nossa sociedade e reforça a democracia.
Seja activo, participe!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Aos amantes do cinema
Para mim não existe nada mais bonito de se ver do que uma mulher andando, desde que com um vestido ou saia que mexa no ritmo de seus passos. Algumas mulheres andam como se tivessem um objetivo; um encontro talvez. Outras apenas passeiam com ar despreocupado. Algumas são tão belas vistas por trás que hesito em ultrapassá-las, temendo ficar decepcionado. Porém, nunca me desaponto. Quando elas não me agradam de frente, me sinto aliviado de certa maneira; pois, infelizmente, não posso ter todas elas.
Milhares delas andam pelas ruas diariamente. Mas quem são todas essas mulheres? Para onde vão? Dirigem-se a algum encontro? Se o coração delas está livre, então seus corpos devem ser pegos, e creio que não tenho o direito de deixar passar essa chance. A verdade é que elas desejam a mesma coisa que eu: elas querem amor. Todo mundo quer amor. Todos os tipos de amor: amor físico, amor sentimental ou simplesmente a ternura desinteressada de alguém que escolheu outro alguém para a vida toda, e não tem olhos para mais ninguém. Não me encontro nessa situação; olho para todas.
Como alguns animais, as mulheres praticam a hibernação. Durante quatro meses elas desaparecem. Não são vistas. E então, no primeiro raio de sol do mês de março, como se tivessem combinado ou recebido uma ordem de mobilização, elas aparecem às dezenas nas ruas, com roupas leves e saltos altos. E a vida recomeça.
Uma bela perna é maravilhosa, mas não sou inimigo dos tornozelos grossos. Posso até dizer que me atraem: são a promessa de um alargamento mais harmonioso subindo ao longo da perna. As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos, dando-lhes equilíbrio e harmonia.
Recentemente percebi que no inverno sou atraído por seios grandes. Entretanto, no verão, gosto dos pequenos. Duas pequenas maçãs andando de braços dados. Mas o que têm todas essas mulheres? O que têm a mais do que todas as outras que conheço? Bem, justamente, o que têm a mais é isso: elas ainda me são desconhecidas.
Texto de François Truffaut pelo seu personagem Bertrand Morane em O Homem que Amava as Mulheres.
Milhares delas andam pelas ruas diariamente. Mas quem são todas essas mulheres? Para onde vão? Dirigem-se a algum encontro? Se o coração delas está livre, então seus corpos devem ser pegos, e creio que não tenho o direito de deixar passar essa chance. A verdade é que elas desejam a mesma coisa que eu: elas querem amor. Todo mundo quer amor. Todos os tipos de amor: amor físico, amor sentimental ou simplesmente a ternura desinteressada de alguém que escolheu outro alguém para a vida toda, e não tem olhos para mais ninguém. Não me encontro nessa situação; olho para todas.
Como alguns animais, as mulheres praticam a hibernação. Durante quatro meses elas desaparecem. Não são vistas. E então, no primeiro raio de sol do mês de março, como se tivessem combinado ou recebido uma ordem de mobilização, elas aparecem às dezenas nas ruas, com roupas leves e saltos altos. E a vida recomeça.
Uma bela perna é maravilhosa, mas não sou inimigo dos tornozelos grossos. Posso até dizer que me atraem: são a promessa de um alargamento mais harmonioso subindo ao longo da perna. As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos, dando-lhes equilíbrio e harmonia.
Recentemente percebi que no inverno sou atraído por seios grandes. Entretanto, no verão, gosto dos pequenos. Duas pequenas maçãs andando de braços dados. Mas o que têm todas essas mulheres? O que têm a mais do que todas as outras que conheço? Bem, justamente, o que têm a mais é isso: elas ainda me são desconhecidas.
Texto de François Truffaut pelo seu personagem Bertrand Morane em O Homem que Amava as Mulheres.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Comece bem a semana

Segunda-feira
Rosana Hermann
Sabe aquela coisa bem piegas, tipo frase que vem dentro do saco de balas, no bombom, que o periquito tira do realejo e diz “hoje é o primeiro dia do resto de sua vida”? Pois hoje é um bom dia para pensar nela. Segunda-feira, pós domingo de celebração da Proclamação da República, segunda metade do penúltimo mês de 2009.
Se você não gosta de alguém, ignore-a. Não gaste suas energias vitais para destruir o que já não vale nada para você. É tolice.
Se você não gosta de alguém, ignore-a. Não gaste suas energias vitais para destruir o que já não vale nada para você. É tolice.
E se você vai julgar as pessoas apenas por suas teimosias, opiniões infundadas ou sensações comprometidas, pare. É injustiça.
E se, ainda, você vai começar mais um dia resmungando, reclamando e promovendo a discórdia, desista. É burrice.
Inteligência é fazer o melhor com que o que é, o que se tem, o que se pode.
Inteligência é fazer o melhor com que o que é, o que se tem, o que se pode.
O resto é doença da cabeça.
Bom dia!
Bom dia!
Faz um lindo sol lá fora.
Aí também?
A internet e a política
Por Cairo Arruda
(membro da ACI e da ACEJI)
Temo que as regras aprovadas recentemente pelo Congresso Nacional que permitem direta e oficialmente o uso da internet para fins político-eleitorais, como informes, opiniões e propaganda política em todos os níveis – do executivo ao legislativo -, venham contribuir, no que pese a importância do direito de resposta, para a prática de abusos, maldades e injustiças, pois, nem sempre, a defesa dos atingidos pelos malefícios chegará em tempo hábil ao conhecimento da opinião pública, o que poderá lhes ocasionar sérios danos, e comprometer a integridade e honra , e prejudicar o intento do candidato a cargo eletivo.
Mal a nova norma foi introduzida na legislação eleitoral, já se presencia a ação nefasta de alguns aproveitadores mal intencionados e com interesses políticos contrariados, procurando, via internet, deturparem a verdade e denegrir a imagem de pré-candidatos (especialmente à Presidência da República), para ter repercussão negativa junto ao eleitorado que tem acesso à informática.
Senão, vejamos:
Enviaram-me uma mensagem eletrônica das mais maldosas, tentando comprometer a imagem da pré-candidata (não fiz ainda nenhum escolha de candidato a nenhum cargo às próximas eleições) ao Planalto, Dilma Rousseff, em que ela, sendo carinhosamente tratada de Dilminha, figura na montagem, por sinal, bem arquitetada, como co-responsável pelo assassinato de pessoas ligadas e/ou defensoras dos princípios do Movimento Revolucionário de 1964, que tem a intenção clara e evidente de prejudicar os objetivos políticos da atual Ministra da Casa Civil e “madrinha do PAC”, distorcendo maldosamente o seu passado de luta, e de elemento de esquerda e não simpatizante daquele Movimento, e que, (a bem da verdade), como cidadã, lutou bravamente pela liberdade de expressão, contra a repressão, perseguições (ela mesma foi muito perseguida...), ações de tortura e injustiças praticadas pela dita Revolução.
Com essa abertura (que os seus defensores alegam que veio para atender aos anseios de modernidade e democratizar a internet), pelo que já se vivencia, poderá concorrer para aumentar a “baixaria” nas campanhas eleitorais, o que, diga-se de passagem, vem aumentando a cada eleição.
O progresso e a modernização têm o seu lado positivo, mas, nem todo o mundo sabe tirar deles os reais proveitos, e, às vezes, usa-os para práticas desabonadoras e injustas.
No nosso caso (do Brasil), a cultura e a educação (que ainda deixam muito a desejar) têm um grande peso em relação aos erros e acertos no exercício de certos direitos, por parte de alguns.
Como a nossa história política mostra, a maioria da massa votante brasileira deixa-se levar pelas primeiras informações que lhe chegam, e não está suficientemente preparada e consciente para distinguir e compreender a verdadeira intenção de determinados formadores de opinião, o que, doravante, passaram a ser, aliás, com mais condições e veemência, os internautas e coordenadores de blogs que militam na política partidária.
Eis a razão do meu temor de “os justos pagarem pelos pecadores”, em se ter de acompanhar a modernidade, pois, no meu modesto entendimento, ainda não estamos psicológica e politicamente amadurecidos para usufruir com equilíbrio, sensatez e espírito de justiça, de certos benefícios proporcionados pelo avanço da tecnologia.
E-mail: cairomiri@yahoo.com.br
Temo que as regras aprovadas recentemente pelo Congresso Nacional que permitem direta e oficialmente o uso da internet para fins político-eleitorais, como informes, opiniões e propaganda política em todos os níveis – do executivo ao legislativo -, venham contribuir, no que pese a importância do direito de resposta, para a prática de abusos, maldades e injustiças, pois, nem sempre, a defesa dos atingidos pelos malefícios chegará em tempo hábil ao conhecimento da opinião pública, o que poderá lhes ocasionar sérios danos, e comprometer a integridade e honra , e prejudicar o intento do candidato a cargo eletivo.
Mal a nova norma foi introduzida na legislação eleitoral, já se presencia a ação nefasta de alguns aproveitadores mal intencionados e com interesses políticos contrariados, procurando, via internet, deturparem a verdade e denegrir a imagem de pré-candidatos (especialmente à Presidência da República), para ter repercussão negativa junto ao eleitorado que tem acesso à informática.
Senão, vejamos:
Enviaram-me uma mensagem eletrônica das mais maldosas, tentando comprometer a imagem da pré-candidata (não fiz ainda nenhum escolha de candidato a nenhum cargo às próximas eleições) ao Planalto, Dilma Rousseff, em que ela, sendo carinhosamente tratada de Dilminha, figura na montagem, por sinal, bem arquitetada, como co-responsável pelo assassinato de pessoas ligadas e/ou defensoras dos princípios do Movimento Revolucionário de 1964, que tem a intenção clara e evidente de prejudicar os objetivos políticos da atual Ministra da Casa Civil e “madrinha do PAC”, distorcendo maldosamente o seu passado de luta, e de elemento de esquerda e não simpatizante daquele Movimento, e que, (a bem da verdade), como cidadã, lutou bravamente pela liberdade de expressão, contra a repressão, perseguições (ela mesma foi muito perseguida...), ações de tortura e injustiças praticadas pela dita Revolução.
Com essa abertura (que os seus defensores alegam que veio para atender aos anseios de modernidade e democratizar a internet), pelo que já se vivencia, poderá concorrer para aumentar a “baixaria” nas campanhas eleitorais, o que, diga-se de passagem, vem aumentando a cada eleição.
O progresso e a modernização têm o seu lado positivo, mas, nem todo o mundo sabe tirar deles os reais proveitos, e, às vezes, usa-os para práticas desabonadoras e injustas.
No nosso caso (do Brasil), a cultura e a educação (que ainda deixam muito a desejar) têm um grande peso em relação aos erros e acertos no exercício de certos direitos, por parte de alguns.
Como a nossa história política mostra, a maioria da massa votante brasileira deixa-se levar pelas primeiras informações que lhe chegam, e não está suficientemente preparada e consciente para distinguir e compreender a verdadeira intenção de determinados formadores de opinião, o que, doravante, passaram a ser, aliás, com mais condições e veemência, os internautas e coordenadores de blogs que militam na política partidária.
Eis a razão do meu temor de “os justos pagarem pelos pecadores”, em se ter de acompanhar a modernidade, pois, no meu modesto entendimento, ainda não estamos psicológica e politicamente amadurecidos para usufruir com equilíbrio, sensatez e espírito de justiça, de certos benefícios proporcionados pelo avanço da tecnologia.
E-mail: cairomiri@yahoo.com.br
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