quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Brasil diante de suas provas cruciais, por Saul Leblon

 
Por Saul Leblon, na Carta Maior
 
 
 
 
Celso Furtado dizia que um país não se transforma em nação soberana e justa para o seu povo se não enfrentar as provas cruciais da sua história.
Aquelas que funcionam como um clarão no discernimento coletivo.
Seja na vitória, ou na derrota, iluminam o horizonte que terá que ser percorrido se a sociedade quiser construir um futuro compatível com a plena cidadania.
Celso Furtado considerava que o Brasil ainda não havia encarado de frente as suas provas cruciais.
É possível que os acontecimentos em curso o fizessem mudar de opinião se ainda fosse vivo para acompanha-los.
Um ciclo de crescimento se esgota, outro precisa ser construído num ambiente internacional desfavorável, em que os preços das matérias-primas desabam e as taxas de juros internacionais ensaiam uma escalada.
Já aconteceu outras vezes, em 1810; 1930 e 1980.
Em todas elas grandes reacomodações políticas reordenaram  a trajetória brasileira – na Independência, à ascensão de Vargas, passando pela crise da dívida externa que acelerou a queda da ditadura.
A margem de manobra diminui; o espaço de acomodação dos conflitos do desenvolvimento fica menor.
A macroeconomia e, sobretudo, os automatismos econômicos giram em falso e não levam a lugar algum.
Escolhas cruciais tem que ser feitas: é o império da política.
A aritmética fiscal resume  um bom pedaço dessa encruzilhada.
O gasto previsto com o pagamento de juro aos rentistas, em 2015, é da ordem de R$ 265 bilhões de reais. É quase a soma total dos gastos com saúde (R$ 109 bi), educação (R$ 101 bi) e o Minha Casa, Minha Vida (R$ 65 bi).
A agenda ortodoxa acha isso barato.
Seus ventríloquos na mídia cantam de galo no  poleiro da alta iminente dos juros nos EUA.
Significa que, de agora em diante, para  equilibrar contas fragilizadas pela queda nas cotações das commodities, e se financiar no mercado internacional, o Brasil terá que pagar taxas ainda maiores que os 11,75% atuais.
Ou os capitais voadores não pousarão aqui.
Nenhuma das questões essenciais que interessam à população brasileira encontrará resposta no redemoinho dessa lógica.
Mas ela encerra algo mais que um singelo embate entre mocinhos e bandidos.
Massas de forças descomunais e interesses pantagruélicos movem as peças do xadrez em que se decide o jogo do desenvolvimento nessa quadra brasileira e mundial.
O que elas preconizam para os desequilíbrios do país – típicos da luta pelo desenvolvimento, agravados pela desordem internacional --  é a restauração pura e simples da cartilha neoliberal.
Ou seja, aderir ao veneno que arrasta o mundo ao abismo da estagnação.
A saber: menos Estado para se ter mais mercado; menos igualdade para se ter mais eficiência; menos salário para se ter mais investimento; menos soberania para se ter mais privatização de recursos nacionais...
O projeto vitorioso em outubro negligenciou a necessária organização social para defender o resultado das urnas nesse previsível entrelaçamento  de fragilidades doméstica e mundial.
A consequência é que o país passou a ser comandado pelo agendamento conservador.
Ele ofusca, melhor, asfixia, o  que é essencial nesse momento.
O essencial é recuperar o tempo perdido dando voz à sociedade organizada para repactuar as bases do desenvolvimento brasileiros fixando prazos, metas, avanços, concessões e salvaguardas da transição de ciclo econômico em curso.
Sem isso, ninguém se salvará.
Se for incapaz de enxergar  a centralidade desse momento, e de transmiti-la à sociedade, a esquerda será igualmente engolfada pelo ralo dando, ademais,  uma contribuição inestimável   à blitzkrieg conservadora.
Ou seja, fracassará diante de suas provas cruciais.
Como já fracassou em 1954.
Então, ela só distinguiu com clareza o  que estava em jogo quando o povo nas ruas já caçava viaturas do jornal O Globo e incendiava sedes de veículos golpistas que tangeram Vargas ao suicídio.
A esquerda não resistirá sozinha à avalanche conservadora atual.
Mas desta vez, definitivamente, cabe-lhe a responsabilidade de liderar o processo.
Não para reforçar a ladainha conservadora contra o governo, contra a Presidenta Dilma e muito menos contra o PT.
Não para tirar uma lasca.
Mas para aglutinar uma ampla frente política capaz de criar junto ao governo, no entorno do governo e na crítica ao governo, um contraponto efetivo  à ameaça da restauração neoliberal.
Um exemplo de urgência que hoje carece dessa participação.
A Petrobrás está morrendo.
As ações da empresa perderam 46% do valor este ano.
O preço de mercado de uma das oito maiores petroleiras do mundo caiu a 1/3 de seu valor patrimonial.
É uma aberração: desconsidera-se nesse massacre especulativo e político 45 bilhões de barris de óleo, no mínimo, das reservas do pré-sal.
É como se as maiores descobertas de petróleo do século XXI no planeta não tivessem ocorrido.
É como se em outubro o pré-sal brasileiro não tivesse batido o recorde de produção, gerando mais de 600 mil barris de óleo.
É como se a Petrobrás não tivesse o custo de produção no pré-sal de US$ 45/por barril, substancialmente inferior ao do xisto norte-americano (US$60/por barril) , o que lhe dá um chão firme em meio ao derretimento dos preços internacionais das matérias-primas.
Não se trata de uma empresa qualquer, mas de uma ferramenta do desenvolvimento brasileiro que poderá se perder.
A resposta capaz de salvá-la urge e não há tempo para ingenuidade.
A faxina anticorrupção tem entre os seus principais objetivos transferir  o pré-sal para  as  mãos do mercado, e não defender os interesses brasileiros na estatal.
Não fosse assim, a campanha moralizadora (sempre bem-vinda) viria acompanhada de uma defesa enfática da reforma política, do investimento público e dos compromissos sociais e econômicos que o pre-sal potencializa.
A sociedade pagará um preço alto se a esquerda for incapaz de distinguir o que é  principal nesse momento.
Corrupção não é uma singularidade capitalista ou comunista.
Tampouco petista.
A corrupção é inversamente proporcional à existência de canais que  amplifiquem o controle da sociedade sobre as decisões do Estado, a vida das empresas e a mecânica do financiamento eleitoral.
Sem esse contraponto político à corrupção, a história se repete. Não raro, como tragédia, na forma de um desencanto que frequentemente instala no poder versões extremadas  daquilo que se pretendia combater.
Na Itália, depois da  ‘Operação Mãos Limpas’ , em 1992, o que emergiu não foi uma sociedade virtuosa, mas nove anos de Silvio Berlusconi no comando do Estado. (Leia ‘Mãos Limpas; e depois, Berlusconi?; nesta pág)
Nesta 3ª feira, as ações da Petrobras  caíram abaixo de R$ 9 reais –menos da metade do que valiam há cerca dois anos, quando foram cotadas a R$ 21,06 em setembro de 2012.
Repita-se: é uma aberração.
Nem quando chovia bomba no Iraque o mercado deixou de considerar o valor das reservas ali disponíveis. Aliás, a guerra era justamente para se apoderar delas.
Não se pode descartar um componente de  manipulação nesse absurdo.
Grandes detentores de carteiras da Petrobras (os Marinhos são um deles), compartilham dos mesmos interesses: desossar o governo Dilma é um deles;  implodir a política de investimentos da empresa –que reserva menos recursos para dividendos- é outra.
A recompensa pela manipulação está pontuada nos editoriais do conservadorismo: chama-se privatização do pré-sal.
Esse é o pano de fundo da tragédia política em curso no Brasil.
De uma só vez, o conservadorismo ameaça empurrar para a beira do ralo histórico quase um século de patrimônio progressista: 60 anos da Petrobras e 38 anos de existência do PT, incluindo-se aí a ameaça que paira sobre o segunda mandato de Dilma.
Se tiver êxito, imporá  uma regressão de um século nas lutas sociais do Brasil.
A esquerda brasileira dispõe de reservas intelectuais, tem experiência  de luta, goza de respeitáveis lideranças  políticas.
Tem densidade para compreender e reagir ao que está em curso nessa hora crucial.
A única novidade capaz de sacudir a prostração rumo ao matadouro é o surgimento de uma frente de esquerda capaz de liderar a resposta progressista a essa ofensiva.
Para isso é preciso entender o significado do que dizia Furtado: uma nação justa e soberana se constrói enfrentando suas provas cruciais.
Se insistir em ser um arquipélago de ilhas que não se falam, separadas por divergências às quais, muitas vezes, se atribui importância superior a dos  riscos que ameaçam a sociedade brasileira, a esquerda fracassará tragicamente nessa hora.
E o seu fracasso entregará um século de conquistas sociais  ao arrastão conservador.

Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/o-brasil-diante-de-suas-provas-cruciais-por-saul-leblon

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Desinformação, calúnia e difamação são os pecados da mídia, diz o papa

 
O papa Francisco afirmou nesta segunda-feira que a desinformação, a calúnia e a difamação são os “pecados” da imprensa, em uma audiência com funcionários da rede de televisão italiana “TV 2000″.
O pontífice pediu aos jornalistas para que evitem cometer esses erros em seu trabalho, entre os quais também incluiu o “alarmismo catastrófico” e a “falta de sensibilidade”, duas tendências que disse “continuamente serem vistas” na imprensa e que “não oferecem um bom serviço às pessoas”.
O papa explicou que a desinformação, que disse consistir em contar apenas a metade das informações, “não leva a poder fazer um julgamento preciso da realidade”.
Além disso, Francisco argumentou que “uma comunicação autêntica não se preocupa em culpar”, mas também “abrir e não fechar” e “estar disposta não somente a dar, mas também a receber”.
Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/desinformacao-calunia-e-difamacao-sao-os-pecados-da-midia-diz-o-papa/

28 Conselhos de Jane Austen sobre assuntos como felicidade, virtude e casamento

Jane Austen
Não é mais uma verdade universalmente conhecida que “um homem solteiro, possuidor de boa fortuna, deve estar necessitado de uma esposa”, mas muitos dos pensamentos de Jane Austen continuam relevantes na contemporaneidade. Hoje, completados 239 anos de seu nascimento, selecionamos (inspirados nesta matéria) algumas das melhores frases da romancista inglesa a respeito dos seguintes tópicos: Amor, casamento, felicidade (ou tristeza), virtudes (ou defeitos), beleza e arte.

1. Sobre o amor
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“As mulheres superestimam facilmente a admiração dos homens, e os homens fazem de tudo para mantê-las nessa ilusão” – Orgulho e Preconceito
“Se eu a amasse menos, poderia ser capaz de dizer mais sobre isso” – Emma
“Nenhum homem se ofende quando outro homem admira a mulher que ele ama; somente a mulher pode fazer disso um tormento” – A Abadia de Northanger
“Uma felicidade duradoura jamais pertenceria a um casal que só se unira porque suas paixões eram mais fortes que suas virtudes” – Orgulho e Preconceito
“É difícil para uma mulher resistir às lisonjas de um homem quando ele está decidido a agradá-la” – The Watsons
“Não são o tempo nem a oportunidade que determinam a confiança; só a índole o faz” – Razão e Sensibilidade
“Um segundo interesse quase nunca traz consequências sérias; contra isso, portanto, nada tenho a dizer. Preserve-se de um primeiro amor e não precisará temer o segundo” – Juvenilia
“Certamente não existem tantos homens de grande fortuna quanto existem belas mulheres para merecê-los” – Mansfield Park
“Uma ligeira preferência é bastante natural, mas são poucos os que tem coragem o suficiente para amar sem receber algo em troca” – Orgulho e Preconceito

2. Sobre o casamento
“Qualquer coisa é preferível ou suportável a um casamento sem afeição” – Correspondência pessoal
“A imaginação das mulheres é terrivelmente veloz; salta da admiração para o amor, e do amor para o casamento em um instante” – Orgulho e Preconceito
“Quando se vive em sociedade, um homem ou uma mulher casar-se por dinheiro é comum demais para chocar alguém como deveria” – Persuasão
“A felicidade no casamento é apenas uma questão de sorte” – Orgulho e Preconceito

3. Sobre a felicidade (ou a tristeza)
“A metade do mundo não consegue entender os prazeres da outra metade” – Emma
“Desejo, como todos os mortais, ser perfeitamente feliz; mas, como todos os mortais, quero ser feliz à minha maneira” – Razão e Sensibilidade
“Deixemos que outras penas se detenham na culpa e na miséria. Eu abandono esses tópicos odiosos tão depressa quanto posso, impaciente por restaurar todas as pessoas, nenhuma delas tendo incorrido em grande deslize, ao mais tolerável conforto, e por deixar de lado tudo mais” – Mansfield Park
“Seu estado de espírito exigia a solidão e o silêncio que apenas um grande número de pessoas pode conferir” – Persuasão

4. Sobre virtudes (ou defeitos)
“Pode-se confiar mais na sinceridade daqueles que às vezes agem ou dizem algo inconsequente ou afoito do que naqueles cuja presença de espírito jamais se altera, cuja língua nunca escorrega” – Persuasão
“Ser despretensiosa era tudo o que uma jovem bonita podia desejar para que seu espírito fosse tão cativante quanto sua pessoa” – Razão e Sensibilidade
“A candura afetada é bastante comum, Jane; encontra-se por toda a parte. Apenas você consegue ser cândida sem ostentação ou artifício, ver o lado bom do caráter de todos, torná-lo ainda melhor e ignorar o lado mau” – Orgulho e Preconceito
“O problema de uma personalidade demasiado indecisa e complacente é não se poder confiar na influência exercida sobre ela. Nunca temos a certeza de que uma boa dose de impressão permanecerá constante, qualquer um poderá abalá-la” – Persuasão
“Quando os exageros românticos de um espírito jovem são forçados a ceder, com que frequência são substituídos apenas por opiniões demasiado comuns ou demasiado perigosas” – Razão e Sensibilidade
“Como todas as qualidades morais, a firmeza de caráter deve ter proporções e limites. Muitas vezes, um temperamento dócil promove mais felicidade do que uma índole excessivamente determinada” – Persuasão

5. Sobre a beleza
“Acontece algumas vezes que uma mulher seja mais bela aos 29 anos do que era dez anos antes” – Persuasão
“Raro é qualquer defeito físico que modos agradáveis não façam, aos poucos, passar para segundo plano” – Persuasão

6. Sobre a arte
“Gostaria de saber que descobriu a eficácia da poesia para destruir o amor” – Orgulho e Preconceito
“A pessoa que não sente prazer ao ler um bom romance, seja um cavalheiro ou uma dama, só pode ser intoleravelmente estúpida” – A Abadia de Northanger
“Eu não vivo sem música, absolutamente. Para mim, é uma necessidade vital” – Emma

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/28-conselhos-de-jane-austen-sobre-assuntos-como-felicidade-virtude-e-casamento/

sábado, 13 de dezembro de 2014

Nossos vizinhos: O sofrido trajeto de D. Moisés de João Pessoa - Cajazeiras

fonte: historiacajazeiras.blogspot.com.br 
         coisasdecajazeiras.com.br

Percusso feito por D. Moisés para chegar até Cajazeiras.
Hoje, com a BR-230 chega-se a Cajazeiras, mesmo por via terrestre, é questão de horas. D. Moisés, entretanto, teve que seguir longo e penoso itinerário, durante 10 dias, usando os mais variados tipos de transportes para alcançar a sede diocesana.
Saiu do Porto de Cabedelo, pela manhã do dia 17 para somente dar entrada em sua cidade, ao cair da tarde de 27 de junho. Viajou de navio até Fortaleza e dali a Iguatu, pela estrada de ferro. De Iguatu a Cajazeiras venceu a cavalo, 25 léguas, ou seja, 150 quilômetros. É interessante não esquecer que 1915 foi ano de estiagem e “a paisagem geográfica e humana, segundo relata o Cônego Lima, confrangia o espírito.
A seca havia calcinado os campos do sertão e jogado pelas estradas, famintos, andrajosos grupos de flagelados mendigando o pão...”. E aquela visão de fome e de miséria, aliada à insegurança gerada pelo banditismo dominante na região, fez o Bispo retomar a ideia da cruz e repetir, em seu discurso de agradecimento: “Meu programa é o da crus. Minha missão é de paz e harmonia, tanto quanto me permitirem as minhas forças”

D. Moisés Coelho
Moisés Sizenando Coelho (Cajazeiras, 8 de abril de 1877 – João Pessoa, 18 de abril de 1959) foi sacerdote e bispo da Igreja Católica, na Diocese de Cajazeiras e na Arquidiocese da Paraíba, ambas da Província Eclesiástica da Paraíba, no Brasil.

Vida religiosa – Concluiu seus estudos eclesiásticos no Seminário Arquidiocesano da Paraíba, em João Pessoa, sendo ordenado sacerdote em 1 de novembro de 1901. Assumiu a partir daí a função de Diretor Espiritual do seminário.
Foi nomeado Bispo de Cajazeiras em 16 de novembro de 1914, pelo Papa Bento XV, e ordenado em 2 de maio de 1915, na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves. O lema episcopal escolhido foi: “Dominus iluminatio Mea” (O Senhor é minha luz).
Para tomar posse, fez uma longa viagem – de navio, de trem e a cavalo – de Cabedelo a Fortaleza, de Fortaleza a Iguatu, de Iguatu a Cajazeiras, respectivamente –, chegando a Cajazeiras no dia 28 de junho de 1915. Na manhã do dia seguinte, 29 de junho, às 10 horas, na Catedral de Nossa Senhora da Piedade, tomou posse do Governo da Diocese de Cajazeiras.
Governou a Diocese por 17 anos. Criou, instalou e consolidou as seguintes associações religiosas para leigos: Congregação Mariana, para moços; Apostolado da Oração; Circulo Operário São José, para operários; Mães Cristãs, para as mães de família; União de Moços Católicos para homens e rapazes; e Legionários de São Luiz, para meninos e adolescentes; as quais transformaram substancialmente a vida social e religiosa da cidade. Na educação, restaurou o Colégio Diocesano Padre Rolim; e criou e instalou a Escola Normal, cuja direção entregou às Irmãs de Santa Doroteia. Apoiou o semanário “O Rio do Peixe”, fundado pelo Doutor Ferreira Júnior, tornando-o “Órgão oficial do Governo da Diocese”. Fundou a Caixa Rural de Crédito Agrícola. Construiu o Prédio Vicentino e o Palácio Episcopal, iniciando e mantendo um serviço de assistência social aos pobres da região, com distribuição de esmolas em víveres e dinheiro, todas as quintas-feiras, na própria residência episcopal.
Em abril de 1932 foi transferido para a capital do Estado, tomando posse como Arcebispo Titular de Barea e Coadjutor da Arquidiocese da Paraíba. Tomou posse como Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba em 1935, permanecendo na função até sua morte.

Referência: 
Prof. Cônego Major PM Eurivaldo Caldas Tavares. "Perfil Biográfico de Dom Moisés Coelho”. p.51, 1977.
Fonte:  http://cajazeirasdeamor.blogspot.com.br/2014/12/o-sofrido-trajeto-de-d-moises-de-joao.html

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O ministro, o elogio, as desculpas e "o tempo que não tem restituição"...

Uma das cousas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os ministros é dos pecados do tempo, porque fizeram no mês que vem o que devia fazer no passado; porque fizeram amanhã o que havia de fazer hoje; porque fizeram depois  o que se havia de fazer agora; porque fizeram logo o que haviam de fazer já. Tão delicados como isso hão-de ser as consciências dos que governam em matérias de momento. O ministro que não faz grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado; a fazenda , pode-se restituir, a fama, ainda que mal, também se restitui; o tempo não tem restituição alguma.

Padre António Vieira, in Sermão da Primeira Dominga do Advento


Fonte: http://maravista-anamar.blogspot.com.br/

Marketing de carreiras

 
 
 por João André, em 09.12.14
 
 No moderno mundo profissional vemos constantemente os conselhos para progredir na carreira. Desde os "7 hábitos de pessoas muito bem sucedidas"; aos conselhos sobre o que dizer ou perguntar e como agir em entrevistas; passando pelos inevitáveis apelos a empreendedorismo, iniciativa, destaque no meio da multidão, formas de discernir quais os maus chefes ou se estamos entalados numa determinada posição.

Não sou alguém que se aborreça com conselhos, bem pelo contrário, aceito-os de bom grado, mas pergunto-me onde neste mundo há espaço para as pessoas que não têm ambições especiais. Não falo daqueles que vão atingindo o seu tecto, que por força de idade, capacidades ou qualificações não se conseguem desenvolver mais. Falo apenas daqueles que, sendo capaz de se destacar, preferem não o fazer. Falo dos milhões de profissionais que gostam de facto das suas funções e não as trocariam por uma carreira de sucesso pela simples razão que... já são bem sucedidos ao serem pagos por fazer aquilo que lhes dá prazer.

Este é apenas mais um reflexo da cultura moderna ocidental que leoniza os profissionais muitíssimo bem sucedidos e os dá como exemplos para toda a gente. É uma cultura que também acaba por menorizar os outros, que não se desenvolveram mais simplesmente porque não era possível, não é possível a todos serem gestores. É ainda a cultura que promove encontros de antigos colegas de escola e universidade que promove confissões quando alguém é felicitado por ser um gestor sénior: «Sim, sou o gestor sénior de mim mesmo». Ou quando as boas e velhas secretárias (que continuam a ser as figuras mais influentes em muitas organizações) são promovidas a "assistentes de gestão". Não estaremos longe do momento em que o nome "Gestor de resíduos processuais administrativos" será entregue a quem despeja o cesto dos papéis.

Peço que não me vejam como um velho do restelo. Não quero o regresso aos tempos em que ser um manga de alpaca era o sonho promovido pelo governo ou mundo empresarial. Há no entanto um momento em que o marketing na área das carreiras deixa de ser vantajoso: esse momento chega quando deixamos de chamar os bois pelos nomes e temos que lhes dar o título de "gestores de motricidade de transportes não motorizados".

Fonte:http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Padroeira de Ipaumirim

Nossa Senhora da Conceição,
Rogai por nós!

domingo, 7 de dezembro de 2014



 "a poesia não é a chuva,
 é o som da chuva"

 Ondjaki, escritor angolano

Piketty Ricos brasileiros têm imposto baixo

Piketty Ricos brasileiros têm imposto baixo from Antonio Ateu on Vimeo.
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O SOCIAL E O FMI

(Mauro Santayanna)



(Hoje em Dia) - O que é mais importante? O bem-estar humano, ou o Produto Interno Bruto ?

Para que serve a economia, quando ela apenas beneficia uma minoria, enquanto, em muitos países, o número de milionários cresce, mas se eleva ainda mais o índice de miseráveis? 

O fim mais lógico de toda atividade humana não deveria ser melhorar as condições de vida da maioria da população, com inegável e positiva influência no ambiente econômico?      
  
Tudo indica que o mundo assistirá a um acirramento do embate entre o “social” e o “econômico”, nos próximos anos.
Ou a uma fusão dessas duas abordagens, na implementação de uma “economia do social”, como instrumento para a promoção da prosperidade individual, coletiva e nacional, neste século.

Há algumas semanas, até mesmo o FMI, por meio de sua Diretora-Executiva, Christine Lagarde, destacou a importância, da permanência dos diferentes programas sociais brasileiros, tanto para a melhoria das condições de vida da população mais pobre, como para o crescimento e dinamização da economia.    

Para outros, a questão social é tão importante, que a evolução de um país deveria ser medida por ela, e não pelo mero desempenho econômico. 

Em visita ao nosso país, o economista inglês Michael Green, diretor-executivo da Social Progress Imperative, foi direto ao ponto.

Ele apresentou um conceito criado por sua instituição, chamado de IPS, e defendeu a tese de que esse Índice de Progresso Social, e não o PIB, seria o instrumento mais adequado para medir o avanço das nações, já que ele reflete a evolução de toda a sociedade, e não apenas de uma pequena parcela que pode estar ficando mais rica em um determinado momento. 

Em sua participação no TED Global - Conferência realizada pela primeira vez no Brasil, que reuniu lideranças de vários países do mundo para a apresentação de projetos tecnológicos e sociais, no Rio de Janeiro, Green afirmou que: “o PIB é uma ferramenta para nos ajudar a medir o desempenho econômico, não nossa qualidade de vida, e não deve ser usado como base para formulação de políticas públicas, que é exatamente o que os políticos fazem desde que ele foi criado". E disse que o mundo “precisa “ de uma maneira melhor de mensurar nossas sociedades, a partir de coisas que são importantes para nós e que o PIB não mede”. 

O IPS se baseia em eixos como, as necessidades básicas humanas (nutrição e cuidados médicos, água e saneamento, moradia e segurança), fundamentos para o bem-estar (acesso ao conhecimento, à informação, saúde e sustentabilidade) e oportunidades (direitos individuais, liberdade individual, tolerância e inclusão, acesso à educação superior).  

Concluindo, Green sublinhou que a discussão sobre o PIB não deve interromper as políticas sociais, já que é possível, e até mesmo cumulativo,  conciliar progresso social e crescimento econômico.

Fonte: http://www.maurosantayana.com/

Businessmen às soltas, por Mino Carta

(Operador por operador, Serjão era melhor e muito mais necessário)
 
Carta Capital
 
Que pretende Dilma? Uma conciliação de roupa nova? O ódio de classe não a admite e uma liderança popular nascida há 12 anos não deveria permitir recuos
 
Por Mino Carta
 
Depois de debater com André Lara Resende e Paulo Guedes, em São Paulo, na semana passada, Thomas Piketty confessou a CartaCapital: “Não sabia que teria de me encontrar com homens de negócios”. De fato, os organizadores da singular tertúlia atiraram Piketty a uma cilada, não fosse ele capaz de impagável ironia voltairiana.
 
O herói destas minhas primeiras linhas é autor de um livro formidável, O Capital no Século XXI, best seller mundial que acaba de ser publicado no Brasil, exposição de um teorema implacável: o capitalismo atinge nesta quadra fatal do mundo seu objetivo final. Ou seja, dilatar ao extremo a desigualdade social. Não era isto que Adam Smith pretendia, mas o homem é um bicho inconfiável e cuidou de frustrar suas intenções.
 
Inúmeros cidadãos nativos que se dizem economistas são, de verdade, homens de negócios. Alguns, excelentes no mister de enricar. Por exemplo, os envolvidos no escândalo da privatização das Comunicações, entre eles André Lara Resende. Quanto a Paulo Guedes, sócio destacado do Instituto Millenium, é infatigável inquisidor de todo projeto de inclusão social. Creio que a própria editora brasileira da obra de Piketty tenha agido em relação ao seu autor movida apenas pela perspectiva do bom negócio.
 
Nada disso me espanta. Surpreende-me que a presidenta Dilma esteja agora a compor um governo de homens de negócios. Em busca de explicações, solto a imaginação. Se o objetivo for reconstituir os esquemas adotados no começo do governo Lula, a dedução é inevitável: o próprio aprova. Ou não seria mesmo o inspirador, assessorado na ação por Antonio Palocci, o grande operador daquele início de governo?
 
Ah, os operadores... Surge na memória a figura de Serjão Motta, dotado de habilidades que no Brasil conferem poder infinito a quem as tem. Entre P.C. Farias, personagem escrachada, e Palocci, vítima de vez em quando de transparente provincianismo, campeia Serjão, mais eficaz do que Júpiter ao lançar raios e urdir manobras.
 
Mesmo assim, a imaginação me leva a figurar Palocci em busca dos senhores do Bradesco para sugerir, em conversa amena, o nome de uma de suas velhas relações, Joaquim Levy, homem do banco, de onde, aparentemente, cogita-se extrair à força o presidente em pessoa, Luiz Carlos Trabuco, para sagrá-lo ministro da Fazenda. Ora, ora, o banco não deve perder Trabuco, treinado longamente para a missão pelo Grão-Mestre Lázaro Brandão. E que tal, então, o Levy? Ele sabe tudo de contenção de despesas.
Levy, está claro, não é o único homem de negócios convocado pela presidenta, e aí pergunto aos meus perplexos botões quais seriam as razões de tais escolhas. Sem demovê-los da perplexidade, também eles mergulham em roteiros imaginativos. Aparece Dilma a romper com o PT para reeditar a conciliação das elites de roupa nova. Pasmem, se for do seu agrado.
 
Entendo que, assim como a editora de Piketty foi incapaz de se dar conta da inadequação dos convocados para debater com seu autor, Dilma e Lula não entenderam o alcance do seu poder e o usam em benefício de fórmulas caducas. Os passos dados adiante até ontem, graças às políticas de inclusão social praticadas nos últimos 12 anos não são considerados, bem como o apoio incondicional de Severina e Maria das Dores. O desencanto com um partido como o PT, que tanto prometeu e não cumpriu, justifico por parte de Dilma, em cuja lisura e honestidade aposto a vida. Cadê, porém, a inovação política? Onde fica a confiança em quem a elegeu ao cabo de uma contenda tão acirrada? Ou vinga a leniência tradicional, se não for coisa pior, a precipitar a genuflexão ao deus mercado?
 
Há outra questão. Até que ponto adianta hoje oferecer satisfações à casa-grande? Não se iludam os manobristas, o ódio de classe não admite conciliações. Graças a Lula e Dilma, ficou superado o momento da composição entre o primogênito do barão e o irmão deserdado, instado à rebeldia pelo desapontamento e pelo rancor, eventualmente esquerdista de ocasião. Entrou no jogo uma liderança popular autêntica, protagonista inédito. Se esta recua, dá-se o desastre. A tragédia está desenhada.
Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/businessmen-as-soltas-por-mino-carta
 

sábado, 6 de dezembro de 2014

O que é o amor? Uma seleção de frases sobre o assunto.

O texto original, de Maria Popova, foi publicado no site “Brainpickings”.

11

“Nada é misterioso, nenhum relacionamento humano. Apenas o amor”, Susan Sontag
Kurt Vonnegut, que era levemente extremista em relação ao amor mas também possuía certa dose de irreverência quanto ao assunto, em Sirens of Titan:
          A finalidade da vida humana, não importa quem está controlando isso, é amar quem está por perto para ser amado.
Anais Nïn, especialista em matéria de amor, em A Literate Passion: Letters of Anaïs Nin & Henry Miller:
          O amor não é nada além da aceitação do outro, o que quer que ele seja.
Stendhal em seu fantástico tratado sobre o amor de 1822:
          O amor é como a febre: Nasce e passa sem a menor intervenção da vontade. Não há limite de idade para o amor.
C.S. Lewis, um homem muito sábio, em The Four Loves:
          Não existe investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração certamente se retorcerá e possivelmente será partido. Se você quiser conservá-lo intacto, não o dê a ninguém, nem mesmo a um animal. Mantenha-o cercado apenas por passatempos e pequenos luxos; evite todo tipo de emaranhamento; tranque-o cuidadosamente no túmulo do seu egoísmo. Mas nesse túmulo – seguro, sombrio, imóvel, abafado – seu coração mudará. Ele não poderá ser partido; será inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa à tragédia, ou ao perigo de tragédia, é a danação. O único lugar além do Paraíso onde você pode se manter longe dos perigos e das perturbações do amor é o Inferno.
Lemony Snicket em Horseradish: Bitter Truths You Can’t Avoid:
          O amor pode mudar uma pessoa como um pai/mãe pode mudar um bebê – de forma estranha e em geral com grande confusão.
Susan Sontag, especialista em matéria do amor, em As Consciousness Is Harnessed to Flesh: Journals and Notebooks, 1964-1980:
          Nada é misterioso, nenhum relacionamento humano. Apenas o amor.
Charles Bukowski, que apelidou o amor de “cão dos infernos”, em uma entrevista:
          O amor é como a neblina que você vê de manhã, quando acorda antes do nascer do sol. A neblina está ali e, um momento depois, ela desaparece.O amor é uma neblina que dissipa na aurora da realidade.
Shakespeare em A Midsummer Night’s Dream:
          O amor não vê com os olhos, mas com a mente.
Ambrose Bierce, com o escárnio característico de The Devil’s Dictionary:
          Amor, n. Insanidade temporária que pode ser curada pelo casamento.
Katherine Hepburn em Me: Stories of My Life:
          O amor não tem nada a ver com o que você espera receber – apenas com o que você espera dar – que é tudo.

Katharine Hepburn, referindo-se ao seu relacionamento com Spencer Tracy: "O amor não tem nada a ver com o que você espera receber – apenas com o que você espera dar – que é tudo".

Katharine Hepburn, referindo-se ao seu relacionamento com Spencer Tracy: “O amor não tem nada a ver com o que você espera receber – apenas com o que você espera dar – que é tudo”.
O filósofo e matemático Bertrand Russell, com grande sensatez, em The Conquest of Happiness:
          De todas as formas de cautela, a cautela no amor é possivelmente a mais fatal para a verdadeira felicidade.
Fiodor Dostoievski, em The Brothers Karamazov:
          O que é o inferno? O tormento da impossibilidade de amar.
O evolucionista Richard Dawkins em uma carta para sua filha, na qual explica a importância de evidências na ciência e na vida:
          As pessoas às vezes dizem que devemos acreditar em sensações íntimas, senão você nunca teria certeza de coisas como “Minha esposa me ama”. Mas esse é um argumento ruim. Pode haver muitas provas de que alguém ama você. Durante todo o dia em que você está com alguém que a ama, você vê e ouve pequenas provas, e elas se somam. Não é somente uma sensação interior, como a sensação que os padres chamam de revelação. Há outras coisas para apoiar a intuição: olhares, um tom carinhoso de voz, pequenos favores e gentilezas; tudo isso serve de prova.
Paulo Coelho em The Zahir: A Novel of Obsession:
          O amor é uma força selvagem. Quando tentamos controlá-lo, ele nos destrói. Quando tentamos aprisioná-lo, ele nos escraviza. Quando tentamos entendê-lo, ele nos deixa perdidos e confusos.
James Baldwin em The Price of the Ticket: Collected Non-fiction, 1948-1985:
          O amor não começa e termina do modo que pensamos. O amor é uma batalha, o amor é uma guerra; o amor é crescimento contínuo.
Haruki Murakami em Kafka on the Shore:
          Qualquer um que se apaixone procura por seus próprios pedaços perdidos. Então as pessoas apaixonadas se entristecem quando pensam naqueles que amam. É como entrar em um lugar do qual você lembra carinhosamente, um lugar que não frequenta há muito tempo.
Antoine de Saint-Exupery em Airman’s Odyssey: Night Flight/Wind Sand & Stars/Flight to Arras:
          O amor não consiste em fitar um ao outro, mas em olhar juntos na mesma direção.
Honoré de Balzac, grande conhecedor das mazelas do amor, em Physiologie Du Mariage:
          Quanto mais julgamos, menos amamos.
Louis de Bernières em Corelli’s Mandolin:
          O amor é uma loucura temporária. Ele surge como um terremoto e então se acalma. E quando ele se acalma, você tem que tomar uma decisão. Você tem que descobrir se suas raízes tornaram-se tão interligadas que é inconcebível separá-las. Porque isso é o que é o amor. O amor não é o não conseguir respirar, não é a excitação, não é a promulgação das promessas de paixão eterna. Isso é apenas ‘estar apaixonado’, algo do qual qualquer um de nós pode se convencer de ‘estar’. O amor em si é o que sobra quando estar apaixonado já se dissolveu, e isso é igualmente uma arte e um fortuito incidente.
E.M. Forster em A Room With a View:
          O amor pode ser transformado, ignorado, confundido, mas jamais retirado. Eu sei por experiência que os poetas estão certos: O amor é eterno.
A romancista inglesa Iris Murdoch, citada pelo célebre Milton Glaser em How to Think Like a Great Graphic Designer:
          Amar é descobrir, com grande dificuldade, que algo além de você é de verdade.
Mas a frase mais sincera, senão a mais simples de todas, vem de Agatha Christie, que em sua autobiografia escreveu:
          É um pensamento curioso, mas apenas quando vemos as pessoas em situações realmente ridículas é que nos damos conta do quanto as amamos.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-e-o-amor-uma-selecao-de-frases-sobre-o-assunto/

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014


Sorrowing Old Man ('At Eternity's Gate')   Vincent van Gogh - 1890
  
"Sem a loucura que é o homem? Mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria?"
            Fernando Pessoa                          






"Caros homens com mais de 40", por MC




Só observando a treta nas redes.
Principalmente abismada com o diálogo de surdos entre as jovens feministas e os chamados "esquerdomachos".
E ficou uma coisa engasgada na minha garganta... é já que eu desengasgo.
Queria dizer o seguinte:
Caros homens da minha geração, homens com mais de quarenta... mesmo (e justamente) vocês, companheiros da esquerda... desistam de tentar argumentar com elas, porque vocês tão dando vergonha.
Vocês não entendem a cabeça das feministas jovens, e tem muito pouca condição histórica de entender.
É o seguinte, companheiros... vocês estão obsoletos, e não perceberam.
Percebam.
Elas se libertaram de vocês.
Elas não querem vocês.
Elas não precisam de vocês.
Elas não tem medo de vocês.
Mas vocês não estão sabendo ver isso... Daí, quando surge uma Grande Treta, tentam se impor com os argumentos de sempre... Mas não funciona mais.
Elas não engolem mais - desistam.
Vocês estão na beira do abismo.
Tentem ir caindo com dignidade.
Vocês são a ultima geração de homens a que se permitiu amplamente serem insuportáveis só por serem homens. Agora acabou...
Na alma das mulheres mais jovens não mora mais aquela adoração irracional que as mulheres tinham pelos homens só por eles serem homens. Mesmo os ególatras perversos. E que as fazia perdoar, compreender, e se sentir, no fundo, sempre mais responsáveis pela felicidade de vocês que pela delas.
Mesmo se fosse a felicidade dos ególatras perversos. E com sorrisinho educado e voz doce.
Acabou... A hipnose não funciona mais nessas mulheres nascidas depois dos noventa.
Mas que coisa boa.
Palmas pra elas.
Não vou me cansar nunca de ver como são fortes, corajosas, certas.
Lindos também os homens do futuro, que não vão mais poder hipnotizar as mulheres, e assim vão construir para si mesmos uma felicidade muito mais verdadeira.
Sorriso feliz de satisfação para nós, última geração de mulheres que aguentou com sorrisinho educado gentes ególatras, perversas e insuportáveis só por serem homens.
E (ou estou ouvindo coisas?)... Sussurros felizes de vingança de todas as bruxas que os seus avôs queimaram nos últimos milênios.

Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/caros-homens-com-mais-de-40-por-mc

Programação da Festa do Município: Ipaumirim 61 anos


DIA 09 - Terça-feira
19h00min - Solenidade de Abertura da Semana do Município;
19h30min - Concerto da Banda de Música Alceu Laurentino de Melo,
20h30min – Encontro dos Católicos
Local – Forripá
Dia 10 – Quarta-feira
08h00min - Entrega de 2 ônibus a comunidade, uma Topic da secretária de saúde do município em convênio com policlínica para a comunidade local.
Local – Paço da Prefeitura Municipal.
09h00min – Agita Saúde – Atividade e Atendimento Social:
Hiperdia- Verificação de pressão arterial, teste de glicemia; vacinas;
Saúde bucal: escovação a aplicação de flúor;
Corte de cabelo e fotos ¾ para documentos.
10h:00min - Sorteio da TV do IPTU.
Com Forró Pé de Serra
Local: Forripá
17h:00min – Exposição dos trabalhos realizados nas escolas municipais;
Exposição dos trabalhos realizados do CRAS e do Serviço de Convivência.
17h:30min – Inauguração da ampliação de 4 salas de aula na E.E.F. Dr. Jarismar Gonçalves Melo.
Local: E.E.F Dr. Jarismar Gonçalves Melo.
18h:00min – Reinauguração da Praça Expedito Dantas Moreira.
19h:00min – Encontro dos Evangélicos.
Local: Forripá.
Dia - 11 - Quinta-feira
08h:00min - Inauguração do SAMU
Local: B. Alto Bandeirante.
10h:00 min – Inauguração da ampliação do PSF do Distrito Felizardo.
Local: Distrito Felizardo.
16h:00min – Inauguração da pavimentação da rua Projetada;
Abastecimento de água do Bairro Vermelho de Cima e de Baixio.
Local: Distrito de Canaúna.
17h:00min – Agita Saúde: Aulão de Ginástica Coletiva.
Local: Praça da Igreja Matriz
19h:00min – Solenidade de entrega de Título na Câmara Municipal.
Dia 12 Sexta-feira
05h:00min – Alvorada Festiva;
08h:00min – Hasteamento dos Pavilhões, Nacional, Estadual e Municipal.
Local: Paço da Prefeitura Municipal.
16h:00min – Encerramento do campeonato Municipal de Futebol, entrega de premiação aos vencedores da competição.
Local: Campo Municipal.
19h:00min – Missa em Ação de Graça.
Local: Igreja Matriz.
21h:00min – Apresentação do Grupo de Dança “Felizardo Culturart do Distrito Felizardo.
Local: Forripá
21h:00min –Show de Viola
22h:00min – Festa em Praça pública com Cavaleiros do Forró e Bondymexer e Forró da gota.
Show Pirotécnico.

ASCOM/PMI
 Vi no Face de Argemiro Vieira

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O medo na sociedade pós-moderna como instrumento de controle e justificativa da repressão.

 
O uso do medo como instrumento de controle está em nossa sociedade de tal ponto que alguns chegam a tomar como natural e necessário o uso da violência para um bom estabelecimento de normas.  A defesa do linchamento feito por uma conhecida apresentadora de telejornal é um sórdido exemplo.

A constante veiculação de informações amedrontadoras demonstra que essa cultura se solidifica e a intenção é a de manter a população distraída e assustada, tornando-a potencialmente mais distante da possibilidade de reflexões mais aprofundadas sobre as causas dos problemas da sociedade.

Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania.

Essa falta de aprofundamento dos debates isolam os indivíduos na ilusão de que assim estaríamos mais protegidos, mas na realidade termina por nos colocar em permanente estado de emergência. É como vivêssemos em um estado de sítio onde as liberdades individuais podem ser contidas e a privacidade invadida com a aprovação de leis cada vez mais duras e invasivas.

O medo nos coloca em eterna situação de defesa e o imediatismo na busca da proteção urgente nos impede de questionar o próprio sistema gerador dessa insegurança e medo.

Outra consequência grave é que essa cultura leva o cidadão ao isolamento, desprezando a importância do seu envolvimento na comunidade, trazendo altos níveis de ansiedade e afastando o indivíduo dos debates políticos.

A procura infinita de proteção e a insaciável aspiração à segurança alimentam o medo e o individualismo exacerbado. Assim começamos a desconfiar das pessoas e suas intenções e passamos a suprimir a importância das comunidades. Daí a constatação dos graves problemas das “cidades inumanas” e o resultado é uma fragilidade ímpar dos vínculos humanos, lealdades comunais frágeis, debilidade de compromissos e solidariedades; é a insatisfação explodida e a crise existencial instalada.

Essa cultura do Estado de violência e de terror político causa um profundo impacto psicológico trazendo o medo, a desconfiança de coletividades, um sentimento de impotência perante autoridades estabelecidas — mesmo quando as mesmas autoridades são odiadas.

Esse contexto traz a fragmentação da sociedade,  encoraja e aprofunda a alienação pessoal, e incapacita o indivíduo a responder coletivamente às suas condições de vida em deterioração.

Essa crise atual resgatará a ação e responsabilidades coletivas, irá ressurgir a virtude da solidariedade. Mas, dependerá do desenvolvimento de uma força sociopolítica capaz de confrontar o estado de terror e substituí-lo por valores de autonomia, comunidade e solidariedade que são necessários para criar a condição de consciência por transformações sociais, política e cultural.      

Para essa evolução será necessário a transformação de valores baseados na força para que em seu lugar surja uma visão de uma nova sociedade construída em torno de valores tanto espirituais como materiais: valores de beleza e não apenas de trabalho. A solidariedade ligada à generosidade e à dignidade, onde os modos de produção estejam subordinados a esforços para fortalecer e aprofundar vínculos pessoais e de amizade.

Uma nova cultura onde as aspirações de estar sozinho, de estar na intimidade, não estejam dissociadas do ser social e coletivo. Acima de tudo, a nova visão deve inspirar o povo para que vibre o seu desejo não apenas de ser livre de qualquer dominação, mas também de ser livre para criar uma vida pessoal significativa recheada por relações de afetividade e não-instrumentailizadas, que tanto transcendam o trabalho quotidiano como inspirem as pessoas a continuarem a lutar.
Fonte: http://assisprocura.blogspot.com.br/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A infinita tagarelice

Edvard Munch - Jealousy (1895)

A ideia de esfera pública é uma das idealizações mais persistentes da nossa cultura social e política. Seria esse espaço onde os indivíduos - por certo, cidadãos - tomariam a palavra para, num processo de mútuo esclarecimento, fazerem as melhores escolhas, no quadro de um difícil equilíbrio entre o interesse privado e o bem comum. Esta cordata esfera pública, de ascendência iluminista, deveria ser pouco dada ao entusiasmo, para que a divina razão encontrasse, nos processos argumentativos, as melhores razões para suportar as decisões. O que na realidade nos coube em sorte foi uma imensa cacofonia, um ruído cada vez mais insuportável, um conjunto de dramas de faca e alguidar, tudo envolto numa tagarelice inútil, ofensiva e sem fim. Eu sei - e defendo-a - que a liberdade de expressão se manifesta também na possibilidade dos tagarelas não se calarem. Sabendo isso, sabemos também outra coisa, Sabemos que nada de essencial - por muita importância política, económica ou judicial que possa ter - se passa e se diz na esfera pública. A única dúvida que me resta é se a infinita tagarelice da esfera pública ofusca a palavra decisiva e fundamental ou se não há mesmo nada que valha a pena ser dito, e tudo se resuma a um exercício público de ciúmes pela posição do outro, seja esta real ou apenas potencial.
Fonte: http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/