segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sinuca de bico


Situação dúbia a se avaliar. Responda: a grande maioria dos eleitores é corrupto porque a grande maioria dos políticos é ladrão? Ou a grande maioria dos políticos é ladrão porque a grande maioria dos eleitores é corrupto?

A cena que a televisão mostrou outro dia foi bastante deprimente. Um prefeito recebendo propina de um empresário da construção civil. Simplesmente por aquele ter concedido a este, a construção de uma creche na cidade de Monte Castelo, no estado de São Paulo.

Mas os repórteres que participaram desta matéria caíram de pau no tema e no ingênuo gestor. Como sempre. E pobre do acusado. Sumiu do mapa. Ele mesmo se achou exclusivo nesta arte. É tanto que se licenciou do cargo.

E o empresário certamente se achou o mais probo do mundo. Indague-o sobre quantas pequenas propinas ele repassou antes de tomar aquela atitude! Mas a exigência do prefeito foi maior do que o combinado. Então o empreiteiro se sentiu no direito de agir daquela maneira. Descumprir trato sai caro.Seria Monte Castelo a única cidade do Brasil que tem malversação de dinheiro público? Monte Castelo: quantas têm no Brasil? Monte Castelo, lá no interior de São Paulo, consistiria o ovo “indez” da corrupção? Aquele que serve de guia para os outros ovos serem botados? Claro que não.

Exemplo de falcatruas é o que não falta. Um bom número de prefeitos que geriram nossas prefeituras nos últimos mandatos já concluídos está sob acusação de desvio de recursos em alguma estância do Judiciário. E até hoje não se tem notícia de nenhuma penitência sobre os acusados. Nem fugiram ou se licenciaram como em Monte Castelo. Governaram até o fim. Ao contrário. Todos estão muito bem. E sobrevivendo com aquele dinheiro desviado.

E o pior é que não se tem perspectiva de melhora. Como assim? Tanto o corrupto como o corrompido estão entrelaçados. É uma teia semelhante a uma estrada de mão tripla.
O ora candidato recebe financiamento do empreiteiro prá comprar o eleitor. Após a eleição, este recebe na bandeja as obras da gestão prá recuperar o dinheiro do financiamento da campanha. Aquele dinheiro que foi usado para comprar o eleitor. Triste, né?

Lembra-se daquela dúvida do primeiro parágrafo? Até quem escreveu este texto continua fazendo confusão de quem é o exato bandido. Se o eleitor que se vende. Ou o eleito que compra. Ninguém poderá cobrar nada. “Uma mão lava a outra”.
Além dos prazos para a apuração dos fatos que são longos. Os vereadores pediram quatro meses para verificar se são verdadeiras as imagens. - Acorda prefeito! Vai cumprir seu mandato. Esquece o povo, que ele esquece.
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* Texto escrito e enviado por Arimatéia Macêdo – www.arimateia.com - Novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Som do domingo

Réquiem para uma cidade desolada

Detesto viajar de ônibus. Pelo pinga-pinga infernal, pelo tempo perdido, pela falta de um lugar decente para comer e principalmente pelos meus famosos bicos de papagaio que insistem em beliscar, reclamar e incomodar durante vários dias.
Para distrair, fico observando os lugares por onde passo e sempre juro pra mim mesma que da próxima vez levarei uma câmara fotográfica para registrar o percurso. Nunca levo a câmara e o meu celular não faz nada além de ligar e receber. As imagens ficam registradas na minha memória e para traduzi-las preciso remexer no baú das palavras.
Desta vez, fui a Ip pelo Juazeiro do Norte. Vi Padim Ciço lá de cima reinando sobre o comércio e a política em torno da fé. Daí pra frente, a viagem de carro é uma aventura. O calor insuportável, as estradas perigosas, mal cuidadas, pouco sinalizadas, gente sendo transportada sem a menor segurança, desobediência aos poucos sinais de trânsito fazem da curta viagem um desafio. A sensação é que você está participando de um rali.
Tudo bem. Entremos na guarita que dá acesso a Ip. Um pouco adiante, do lado esquerdo de quem vai para a cidade, somos recepcionados pelo lixão. Um lixão que se expande além da cerca e fica na beira da estrada. Detalhe: fumaçando. O mato seco na volta e o perigo de provocar um incêndio de proporções desastrosas.
A imundície a céu aberto desafia qualquer noção mínima de política ambiental. Acho que é por conta disso que as ossadas estão saindo das tumbas do cemitério próximo, conforme registrou o Portal de Ip por ocasião do Dia de finados. De repente, talvez, não seja só por conta do lixão. Não podemos esquecer que do outro lado do cemitério, um pouco mais adiante, tem um matadouro que acredito que nem deve mais funcionar. Se funcionar é porque a vigilância sanitária deve estar aposentada. Ele fica próximo a um posto de resfriamento de leite e a uma fábrica de produtos de limpeza.
Nada se compara ao abandono da cidade. Imagine o inusitado: eu vi um garrote saindo pelo portão do hospital. Ninguém me disse, eu vi. Fiquei pasma. O hospital fica na beira da estrada e nada mais esperado que o gado que fica solto tenha a iniciativa de entrar circular pelo estacionamento do hospital.

Açougue Municipal e Lavanderia Pública de Ip

Mais adiante, logo após aquela ponte, do lado direito, está o que um dia foi a lavanderia pública e o açougue público. Imundos, podres, mal cuidados, caindo aos pedaços, abandonados. É um nojo.

Ruínas do Clube Recreativo de Ipaumirim

Se você dobrar à esquerda, verá os restos do que foi um dia foi o excelente clube da cidade. Literalmente caiu. Tudo bem, esquece. Desiste de ir à esquerda e dobra à direita que você vai encontrar um novo bairro se favelizando. Sem ruas demarcadas, sem calçamento, sem arborização. A desordem do espaço urbano no novo bairro, sem planejamento, sem recursos mínimos, desrespeita a cidadania e tripudia de quem ali está investindo seus parcos recursos na esperança de viver com mais comodidade.
Centro da cidade
Imagem: http://ipaumirim.blogspot.com

A desordem do trânsito pelas ruas estreitas é uma temeridade. Motos passam em velocidade comprometendo a segurança de pedestres, das crianças, dos idosos. Carros estacionados onde querem, caminhões circulando em vias praticamente intransitáveis para veículos pesados. Salve-se quem puder. E o DETRAN?
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, “DETRAN (Departamento Estadual de Transito) é o órgão Estadual de Transito que tem por finalidade o exercício das atividades de planejamento, administração, normatização, pesquisa, registro e licenciamento de veículos, formação, habilitação e reciclagem de condutores, educação, engenharia, operação do sistema viário, policiamento, fiscalização, julgamento de infrações e de recursos e aplicação de penalidades.”
Para completar o quadro, a Praça São Sebastião e Praça Padre Cícero desafiam o bom senso na ocupação do espaço urbano. Por que não se diminui a largura das praças para ampliar o tráfego de veículos? Época de festa é um horror porque, soma-se à desordem no trânsito, o som dos carros com seus bregas e axés desafiando os tímpanos de quem mora na vizinhança. Quem mora na área fica sitiado entre os benditos da difusora da igreja e a barbárie incivilizada do som dos automóveis particulares.
No largo atrás da igreja, a poeira da construção civil é um terror para quem mora nas imediações. As casas estão sempre sujas e empoeiradas e os entulhos – que deveriam ser retirados diariamente – se misturam ao material de construção numa nuvem de poeira que compromete a saúde de idosos e crianças vulneráveis aos problemas pulmonares. Nos lugares civilizados, há equipamentos específicos para depósito de entulhos durante as construções. Como não temos recursos desta natureza, pode-se improvisar colocando entulhos em camburões e retirando-os sistematicamente. É tão simples e barato mas como não há ordenamento, cada um faz como quer.
Conversa vai, conversa vem, ouvi dizer que Ip terá uma nova bandeira. Isso já foi falado rapidamente no Portal de Ipaumirim. Eu pergunto: por que e pra que? Pelo que eu saiba e se não me engano, Ipaumirim já tem uma bandeira. Pra que mudar? Caiu da moda, foi? Pelo que eu saiba, bandeira não acompanha moda. Talvez por isso tenham bandeiras horrorosas que resistem ao tempo porque elas têm um sentido e uma razão. Imagina se tirassem um pouco do verde da bandeira do Brasil a cada vez que se desmata um pedaço da Amazônia. Bandeira é símbolo, não precisa ser fashion. E se, segundo dizem, querem tirar o algodão que está na bandeira, vão botar o que? Pelo menos algodão já se produziu por aí. Agora, produz o que? Sabão, leite e doce. Vão botar uma barra de sabão? uma lata de doce? Um litro de leite?
A educação com índices vergonhosos, o município paupérrimo sem a mínima expressão, a cidade abandonada e, de repente, aparece a importantíssima necessidade de mudar a bandeira. Era o que faltava.
Andando pela rua, perguntaram-me se Ipaumirim ia virar Alagoinha. O tempo nunca regressa mas antes uma Alagoinha erguida pelo esforço de seus velhos representantes que lutaram bravamente por tempos melhores do que um Ipaumirim ajoelhado, envergonhado, desmoralizado, degradado, ano após ano.
Em Ip, não se importar com o município já virou tradição. Os gestores - prefeitos, para ser mais clara - não podem e nem devem ser execrados sozinhos. E a Câmara dos Vereadores? Quantas vezes interferiu, pressionou e/ou mudou o curso dos desacertos?
Na realidade, o verme que contamina, destrói, desagrega e deixa rastros por várias gerações é a politicagem das pequenas negociatas, das traquinagens eleitoreiras, da esperteza cabocla que congrega políticos, chefetes e eleitores interessados em se dar bem. Em Ip, nem São Tomé acredita no que vê.
Nem passei pela cidade toda mas fico me perguntando se ela já está prontinha para receber os visitantes na Festa de São Sebastião.

Para não dizer que não falei de flores, fiquei encantada com o acervo da Biblioteca Pública Zenira Gonçalves Gomes. Em que pese à política editorial que facilita a produção e distribuição de livros compatíveis com determinados interesses, de uma maneira geral, tem muito livro interessante. Alguns catalogados. A maioria dos livros nunca foi consultado. Tem um monte de obras encostadas sobre balcões e caixas velhas porque não tem estante para organizá-los. Uma estante de aço é baratíssima. Algumas mesas, vários computadores novos e sem internet. Um calor infernal. Nenhum ventilador. Sobretudo falta iniciativa para dinamizar a biblioteca, conquistar leitores e trabalhar junto às escolas e à população o saudável exercício da leitura.

ML

Eu sei, mas não devia (Marina Colasanti)



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.(1972)

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.



sábado, 14 de novembro de 2009



Hoje vou descansar.
Amanhã estou aqui.
Inté.

sábado, 7 de novembro de 2009

AVISO


Durante alguns dias o blog vai funcionar irregularmente. Estou fora de Recife e devo passar alguns dias ocupada com problemas urgentes. Sempre que puder, entrarei para dar um "salve" (como diz Zina) pra vocês todos. Bom fim de semana.
ML

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vitamina Detox: natural, boa e barata


Ingredientes:
200ml de suco de laranja
1 fatia de abacaxi cortada na espessura de um dedo
2 folhas de couve
Preparo:
Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata até obter uma mistura homegênea.
Este suco que libera as toxinas do organismo.

Parabéns Aurora

Criado pela Lei 2.047 de 10 de novembro de 1883 o município de Aurora é por isso mesmo detentor de um dos mais ricos e significativos passados históricos da região caririense, de onde se destacam os trágicos acontecimentos ocorridos entre dezembro de 1908 e meados de 1909, quando a então Vila de Aurora foi invadida e saqueada por bandoleiros, a mando de potentados do Cariri.
Aurora é ainda a terra natal de figuras notáveis e emblemáticas a exemplo da célebre Marica Macêdo, o poeta Serra Azul, o pintor Aldemir Martins, o cantor Alcymar Monteiro, o literato Hermenegildo de Sá Cavalcante, o escultor Nego Simplício, e a própria Dona Aurora antiga proprietária de uma taberna às margens do rio de cujo topônimo se tornou possível trocar-se o nome primitivo de Venda para o atual de Aurora.
O município possui cerca de 30 km do seu território cortado e banhado pelas “águas doces e férteis” do Rio Salgado, que inclusive, divide a cidade/sede quase ao meio no sentido Sul-Norte; indo desaguar no Jaguaribe já nos limites do município de Icó. Cumpre destacar igualmente que Aurora se notabilizou a partir da década de 20, devido construção e inauguração da sua estação ferroviária; fato ocorrido em 7 de setembro de 1920, sendo, por conseguinte, a 1ª e mais importante estação da região, uma vez que as de Juazeiro, Missão Velha, Crato e Ingazeiras só vieram a ser edificadas anos depois. Por conta disso, Aurora ficou durante muito tempo sendo o entroncamento final do ramal da rede ferroviária cearense (RVC). Deste modo acolhia todos os viajantes do baixo Cariri que vinham pernoitar na cidade no sentido de chegar à capital.
Durante muito tempo Aurora pôde extrair da terra o seu ouro branco – o algodão, uma antiga atividade agrícola propulsora da economia aurorense que junto à existência do trem marcou significativamente a vida e o comércio do município num passado recente. Foi assim. Era assim. Hoje, Aurora se ressente tanto da economia algodoeira quase inexpressiva, dentre outros fatores pela praga do bicudo que a dizimou em toda região; quanto do restabelecimento do trem, cuja ausência tem causado além de saudades, um verdadeiro “peso morto” na lida cotidiana do povo e no progresso do município.
Confira toda programação da 1ª Festa Cultural da Emancipação - Edição 2009 Comemorativa aos 126 anos de Aurora promovida pela Prefeitura Municipal.

De 07 a 10 de novembro de 2009
“Aurora: 126 anos de história, cultura e tradição”.

Abertura: Sábado - 07 de Novembro

19:30 h – Dãozinho dos Teclados
20 h - Sebastian dos teclados
21 h – Forró Garota Teimosa.
23 h – Forró Lenhada e Karine Mitre
01 h – Forró Chave de Ouro.

Domingo - 08 de novembro

19 h – Cris e Cristian
20 h – Forró Xoteado
21 h – Forró com Jeito
23 h – Sirano e Sirino
01 h – Forró de Rocha.

Segunda-feira - 09 de novembro

19 h – Apresentação de Repentistas Populares
20 h – Carpegiano dos Teclados
20:30 h - Heraldo e André
23:30 h – Fábio Carneirinho.
01:30 h - Forró Pesado

Terça-feira - 10 de novembro (Dia do Município)

05 h – Salva de fogos e Alvorada Festiva com a banda de Música Senhor Menino Deus.
Local - Paço municipal:
Execução dos Hinos: Nacional e Municipal. Hasteamento das Bandeiras: do Brasil e do Município.
Palavra oficial do prefeito e outras autoridades.
08h – Missa de ação de graças alusiva a passagem dos 126 de emancipação cívica-política de Aurora.
Local – Igreja Matriz do Sr. Menino Deus.
O7 h – Início do Torneio da Emancipação – Futebol de areia infantil
Local – Campinho da estação.
08h – Peneirão de Futebol para a escolhas de talentos juvenis das escolinhas de futebol da Seculte com as presenças dos observadores do Clube Atlético de Cajazeiras - PB.
Local: Estádio Novo.
08:30 h – Palestra: “Aurora, 126 anos: uma história que engrandece a própria história”.
Local: Salão do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). – Palestrantes: Dr. Vicente Landim de Macedo – pres. de honra da AFA/Brasília.
09 h – Atletismo: Corrida ecológica dos 126 anos.
Saída: Quandra Poliesportiva – Araçá. Percurso: Querumbina/Olho d’água/Araçá.
09 h – Visita da comitiva municipal e convidados à pedra fundamental (Terreno) para a construção da Escola Técnica e Agência do INSS – bairro Araçá.
10 h – Encontro com os atletas mirins do Projeto Segundo Tempo para a entrega de camisetas do PST e palestra infantil com a professora Elizete Albuquerque.
Local: Pátio da Seculte.
12 h – Partida de Futsal feminino – Quadra Poliesportiva – Araçá.
15h – Decisão do Campeonato Juvenil segunda divisão – Luiz Simião de futebol amador.
Local: Campo do Romãozão.
15:30h – Jogo de confraternização: Veteranos da Seculte X Veteranos de Juazeiro do Norte - Local: Novo Estádio.
17h – Final da Copa Aurora Lêço Quezado de Futebol.
Local: Novo Estádio.
19 h – Os Coiotes
19:30 h – Premiação das equipes e dos destaques da Copa Aurora, do Campeonato Juvenil e do torneio infanto-juvenil de futebol alusivo aos 126 anos do município.
20 h – Desfile e escolha da rainha do município edição 2009.
21 h – Forró Boca de Moça
23 h – Garota Safada.
01 h – Forró Lá di Nois.
03 h – Namoro novo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Cara Luiza,ontem navegando pela internet tive o prazer de acessar o seu blog, muito legal, vi fotos que me fizeram viajar pela infancia, a tão falada igreja em que fui batizada aos 8 anos, inesquecível! .... vi meu avô Cirilo, avó Mundinha, tia Cira, Sônia, Nazaré, tio Bosco .... voces tem notícias de Gutemberg e Torquato? eu sou filha mais velha de Ciro Sampaio e Vanda, tenho muitas saudades daquela época, das pessoas que se foram mas que continuam no meu coração.
Muito bom o seu trabalho, é uma coletanea de informações, fotos, história e um ponto de encontro para os saudosistas.
Grande abraço,
Margaret

Obrigada, Margaret. Você também pode mandar fotos (antigas ou atuais) para publicar, o blog é de todos os filhos de Ipaumirim e seus descendentes e dos amigos que um dia por aqui passaram e gostaram de conhecer a cidade e o povo. Grande abraço para vocês.
ML

Enviado por Trigueiro Junior


A Secretaria de Assistencia Social e a Prefeitura Municipal de Ipaumirim, com parceria com a Ordem DeMolay e LEO Clube de Ipaumirim, realizaram uma semana de cidadania, promovendo cortes de cabelo, 2a. via do Registro de Nascimento, Exames de Saude, Emissão de CPF, Carteira de Trabalho e RG, so quem ganhou com isso foi a população Ipaumirinense.
Fonte: Trigueiro Junior
Foto: Zarlon Jorge

Carta de uma leitora pedindo auxílio em uma revista…

Caro Sr. Antonio Roberto, espero que possa me ajudar.
Ontem de manhã peguei meu carro e saí pra trabalhar, deixando meu marido em casa vendo televisão como sempre. Rodei pouco mais de 3 km quando o motor morreu e o carro parou. Voltei pra casa, para pedir ajuda ao meu marido.
Quando cheguei, nem pude acreditar, ele estava no quarto, com a filha da vizinha!
Eu tenho 32 anos, meu marido 34, e a garota 22. Estamos casados há 10 anos, ele confessou que eles estavam tendo um caso há 6 meses. Eu o amo muito e estou desesperada. Você pode me ajudar?
Antecipadamente grata.
Patrícia

Agora que vem toda bondade masculina, veja a resposta:

Cara Patrícia,
Quando um carro pára, depois de haver percorrido uma pequena distância, pode ter ocorrido devido a uma série de fatores. Comece por verificar se tem gasolina no tanque. Depois veja se o filtro de gasolina não está entupido. Verifique também se tem algum problema com a injeção eletrônica. Se nada disso resolver o problema, pode ser que a própria bomba de gasolina esteja com defeito, não proporcionando quantidade ou pressão suficiente nos injetores.
A pessoa ideal para ajudá-la seria um mecânico. Você jamais deveria voltar em casa chamar seu marido. Ele não é mecânico. Você está errada. Não repita mais isso.
Espero ter ajudado.

Será que temos a cidade
que merecemos?

PCF beneficia Ipaumirim

O Governo do Estado, por meio do Programa Governo do Ceará na Minha Cidade, esteve em Icó nesta quarta-feira (04) e trouxe um dia movimentado para a cidade.
Na oportunidade, houve a participação do governador e os secretários na audiência pública com o tema de Infraestrutura.
Além disso, Cid Gomes tentou exemplificar as ações do Governo, com obras que estão em andamento no Ceará.
Ele citou os casos das construções de Policlínicas e os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), que também beneficiarão o Icó, além de delegacias e hospitais novos que estarão prontos em breve.
AÇÕES - O mais importante do Governo Itinerante foram as ações divulgadas. Na ocasião, aconteceu a assinatura dos termos de Adesão ao Programa de Cooperação Federativa (PCF), no valor de R$ 1.722.537,53, beneficiando os municípios: Cariús, Iguatu, Ipaumirim, Jucás, Orós, Quixelô, Saboeiro e Umari.


A pergunta é: beneficia em que, como e quando?

O QUE É CONSELHO TUTELAR E PARA QUE SERVE?

O Conselho Tutelar é um órgão permanente, (uma vez criado não pode ser extinto.) É autônomo, (autônomo em suas decisões, não recebe interferência de fora) Não jurisdicional (não julga, não faz parte do judiciário, não aplica medidas judiciais) É encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Ou seja, o Conselho Tutelar é um órgão de garantia de direitos da criança e do adolescente.Quem são os Conselheiros Tutelares?São pessoas que têm o papel de porta-voz das suas respectivas comunidades, atuando junto a órgãos e entidades para assegurar os direitos das crianças e adolescentes. São eleitos 5 membros através do voto direto da comunidade, para mandato de 3 anos.
ART. 98 (ECA) ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (Lei 8.069/90) As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do estado
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável
III - em razão de sua condutaSempre que os direitos das crianças e dos adolescentes forem ameaçados ou violados deverá ser comunicado ao Conselho Tutelar para que sejam aplicadas as medidas de proteção cabíveis, sem prejuízos de outras providências legais.
ART. 136 (ECA) São atribuições do Conselho Tutelar:
I- atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII;
II- atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII;
III- promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:a) - requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança:b) - representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações;
IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, I a VI, para o adolescente autor de ato infracional;
VII - expedir notificações;VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário;
IX - assessorar o Poder Público local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, parágrafo, 3º, inciso II da Constituição Federal;
XI - representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do pátrio poder.É dever de todos, da família, da comunidade, da sociedade em geral, do poder público, de assegurar a criança e ao adolescente seus direitos básicos referentes à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, lazer, profissionalização, cultura, respeito, liberdade, convivência familiar e comunitária, velar por sua dignidade, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
NÃO SÃO ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR:
a) Busca e apreensão de Crianças, Adolescentes ou pertences dos mesmos; (quem faz isso é o oficial de Justiça, por ordem judicial)
b) Autorização para viajar ou para desfilar. (quem faz é Comissário da Infância e Juventude)
c) Não dá autorização de guarda (quem faz isso é o juiz, através de um advogado que entrará com uma petição para a regularização da guarda ou modificação da mesma).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Matutando...


"Já que tem Copa em 2014
e Olimpíadas em 2016,
a gente bem que podia imprensar 2015."
(Enviada por Zé Gerardo Beserra)

Prazer em conhecer

Name: Claudia Helena
Location: Fortaleza - Ceará - Brasil
Bio: Sou cientista política, atuo como assessora parlamentar de um deputado federal, e sou assessora da prefeitura de Ipaumirim
http://twitter.com/Claudiahjl

Mensagem no twitter:
Trabalhando o projeto da festa de Emancipação Política de Ipaumirim-Ce.11:22 AM Sep 24th from web.
Aguardemos a festa.

Nossa gente humilhada: a dureza dos empregos temporários


Foram 13 migrantes cearenses encontrados em alojamentos irregulares em Ibaté, interior de São Paulo. Eles colhiam em média 10 toneladas de cana-de-açúcar por dia na usina Ipiranga. Foram enganados quanto às condições de alojamento, mesmo assim pretendem voltar a São Paulo no ano que vem.
Outros 41 migrantes de Ipaumirim no Ceará e que foram trabalhar no corte da cana em Ibaté, passavam fome e sede, dormiam no chão e ficaram nove dias sem ocupação. (DN, 07/07/05)


XIX ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, São Paulo, 2009, pp. 1-31
MIGRAÇÃO SAZONAL CEARENSE: VIA PARA O TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO

Msc. Danielle Rodrigues da Silva
Profº. Dr. José Levi Furtado Sampaio
Profº. Dr. Francisco Amaro Gomes de Alencar

E as rodovias estaduais, ficam como?

Estrada de acesso a Ip
Foto do Portal de Ipaumirim

O pacote de licitações para essas obras, cujo prazo de execução é um ano após a assinatura do contrato, foi apresentado ontem, em coletiva de imprensa, na Superintendência Regional do órgão no Ceará
08/5/2009
14h07
Diário do Nordeste/CE

Cerca de R$ 338 milhões serão investidos pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) na restauração das rodovias federais BR-116, BR-020, BR-222 e BR-304 no território cearense. Ao todo, são 754 quilômetros de vias que receberão, além de nova pavimentação, mudanças estruturais para melhorar a malha viária do Estado.
O pacote de licitações para essas obras, cujo prazo de execução é um ano após a assinatura do contrato, foi apresentado ontem, em coletiva de imprensa, na Superintendência Regional do órgão no Ceará.
“Tratam-se de investimentos inéditos em restauração de rodovias no Ceará. Trechos críticos de estradas, como na BR-116, entre Ipaumirim e Milagres, além da BR-222, entre Croatá e Sobral”, explica o superintendente regional do Dnit no Ceará, Guedes Neto.
“Tratam-se de investimentos inéditos em restauração de rodovias no Ceará. Trechos críticos de estradas, como na BR-116, entre Ipaumirim e Milagres, além da BR-222, entre Croatá e Sobral”, explica o superintendente regional do Dnit no Ceará, Guedes Neto.

BR-116 no Ceará será restaurada

A Superintendência do DNIT no Ceará dará início às obras de restauração a mais um trecho na BR-116, no Estado. O segmento localizado entre entroncamento CE-286, próximo a Ipaumirim (km 420), até o município de Milagres (km 478) soma 57 quilômetros. Serão executados além da restauração, serviços de melhoramentos físicos e operacionais que compreendem intervenções no pavimento da pista e dos acostamentos; recomposição da sinalização horizontal; manutenção da via, incluindo remendos e selagem de trincas, e conservação rotineira da faixa de domínio.
O DNIT investirá recursos na ordem de R$ 57,1 milhões. As obras fazem parte da primeira etapa do Crema – Programa de Conservação e Recuperação de Rodovias, e serão executados por um período de dois anos.
http://www.dnit.gov.br/noticias/restaubr116ce
15/10/09

Água que te quero verde

Progerirh: Ceará terá seis novas barragens

O Governo do Ceará assinou no dia 22 de setembro a operação de crédito junto ao Banco Mundial que garante recursos de US$ 103 milhões destinado ao Projeto de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Ceará (Progerirh). O empréstimo permitirá que o Ceará continue a melhorar a gestão dos recursos hídricos e a expansão do acesso à água potável nas áreas urbanas e rurais, mesmo durante períodos de seca. Os recursos serão investidos na construção de seis novas barragens.


A primeira delas, a barragem Gameleiro - já licitada - terá a ordem de serviço assinada até o fim deste mês de setembro e atenderá aos municípios de Itapipoca, Tururu e Trairi. A assinatura do contrato aconteceu, na Residência Oficial, durante reunião dos governadores Cid Gomes e Marcelo Déda, de Sergipe, com representantes do Banco Mundial e dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Os outros reservatórios contemplados com os recursos, são a Barragem de Umari, que garantirá o abastecimento do município de Madalena; a Barragem Genipapeiro, para atender os municípios de Ipaumirim, Baixio e Umari; a Barragem Mamoeiro, que vai atender o município de Antonina do Norte, a Barragem Jatobá, que irá abastecer o município de Ipueiras e a Barragem Amarelas que garantirá armazenamento de água, em Beberibe.

Com a construção desses novos reservatórios, ficará assegurado armazenamento de água de aproximadamente 180 milhões de metros cúbicos. De acordo com o governador Cid Gomes, só sob a supervisão da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o Estado tem capacidade de acumulação de 17,8 bilhões de metros cúbicos de água. “Esse ano, o acúmulo de água chegou a 95% dessa capacidade”, explicou Cid Gomes, que considera “absolutamente necessária” a construção desses novos reservatórios, dada as condições climáticas do Estado. “Essas novas barragens darão tranquilidade a população que ainda é castigada com a seca”, definiu.

Desenvolvimento para o Nordeste Durante a reunião, a vice presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Pamela Cox, e o diretor do Banco para o Brasil, Makhtar Diop, anunciaram recursos da ordem de US$ 3 bilhões para serem investidos no Nordeste e elogiaram a superação de problemas decorrentes do fator econômico do Nordeste a partir de 2002. O governador Cid Gomes se prontificou juntamente com o governador Marcelo Déda, a identificarem as potencialidades de cada estado, durante o próximo Fórum de Governadores do Nordeste, previsto para acontecer em Fortaleza. “Nós vamos buscar uma visão da perspectiva de cada estado, numa lógica de projetos que dê unidade a região”, defendeu. Cid Gomes disse ainda que vai propor aos outros estados a busca por recursos em instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e BNDES, além do Governo Federal para que esse montante se multiplique e possibilitem grandes realizações no Nordeste. Cid Gomes ressaltou ainda a importância do Pré-Sal para o Nordeste. Ele voltou a defender a partilha dos royalties de acordo com a regras do Fundo de Participação do Estado (FPE). Ou seja, quem for mais poder, deve ter mais recursos. E enfatizou que os governadores do Nordeste estão apoiando o presidente Lula em relação ao modelo de partilha dos recursos que priorizam o interesse nacional. Sobre a capacidade de endividamento do Estado, Cid foi enfático ao dizer que o Ceará tem uma margem de endividamento de até três vezes a dívida líquida atual. Segundo o diretor Makhtar Diop, a idéia do Banco Mundial é agregar os esforços individuais de cada estado que compoe a região Nordeste e transformá-los em desenvolvimento regional cooperado e coordenado.

“A criação de um Nordeste inclusivo, sustentável e competitivo depende desse diálogo e a partir de agora, serão definidas estratégias para que isso se torne uma realização”, afirmou. Na ocasião foram apresentados dados captados pelo Banco, que ressaltavam as potencialidades de alguns dos estados. De acordo com dados da apresentação, a sugestão é de que sejam enfocadas três eixos: crescimento econômico com inclusão e inovação; gestão hídrica e uso produtivo dela; e investimentos estruturantes.

O governador Marcelo Déda defende maior articulação entre os estados do Nordeste para que a região consiga portas abertas na economia mundial. “Esse é um debate de alto nível do ponto de vista político. A articulação das economias estaduais é um objetivo muito viável, embora complexo, mas que deve ser evidenciado. Devemos começar o compartilhamento das cadeias produtivas”, disse Marcelo Déda, ao criticar a chamada guerra fiscal entre os estados na disputa pela implantação de novas indústrias. O governador de Sergipe citou o projeto do Ceará – Cinturão Digital – que vai disponibilizar banda larga a população de 82% do território urbano do estado. “Um projeto como esse pode ser estendido a nível de região e isso torna o Nordeste competitivo”, destacou.


Releituras do Halloween



Raloim de finados

Blitz - IP
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Sob o olhar dos vampiros
Raloim na Toca - IP

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Futuro laptop

DENÚNCIA

Heitor Férrer diz que maioria dos prefeitos desvia recursos

Para Heitor, não existe zelo pelo dinheiro público porque os próprios vereadores não fiscalizam as gestões municipais e os atos de alguns prefeitos
Com informações da Assembleia Legislativa

O deputado Heitor Férrer (PDT) afirmou, nesta terça-feira, 3, que a grande maioria dos prefeitos do Brasil é “larápio”. “Quase todos os prefeitos municipais desviam recursos em benefício próprio. Em apenas 5% dos municípios do Brasil, há uma exceção a essa regra. Isso sem falar naqueles que hoje estão à frente das instituições, que também roubam, em sua grande maioria”, disparou o parlamentar. Ele citou o caso do ex-diretor do Senado Federal, Agaciel Maia, que tinha uma casa no valor de R$ 5 milhões e foi investigado pelo Tribunal de Contas da União. Agaciel, conforme Heitor, havia ocultado da Justiça o patrimônio e ainda mantinha uma conta de R$ 2 milhões na Caixa Econômica Federal (CEF), que seria incompatível com os seus rendimentos como diretor do Senado. Para Heitor, não existe zelo pelo dinheiro público porque os próprios vereadores não fiscalizam as gestões municipais e os atos de alguns prefeitos. “As câmaras municipais são coniventes”, observou. O deputado afirmou que nunca viu um comerciante comprar uma bodega quebrada, um industrial comprar uma indústria quebrada ou um empresário investir numa empresa quebrada. “Mas todos os prefeitos que conhecemos dizem que a prefeitura que assumem está quebrada”, avaliou.
Adicionada em : 03/11/2009 às 16h10min
Por: Jorge Mourão

Ip na lista negra


Há um ponto de exploração sexual infantil a cada 26 km
Seja para comprar comida ou fumar crack, o fato é que milhares de crianças e adolescentes estão espalhados pelas rodovias federais brasileiras oferecendo os corpos por até R$ 2. No Brasil, há um ponto vulnerável à exploração sexual infantil a cada 26,7 quilômetros - isso considerando apenas os locais em que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) já flagrou ou recebeu denúncia de menores de 18 anos submetidos à prostituição.
Mapeamento da PRF apontou a existência de 1.819 pontos “vulneráveis” para a exploração sexual de menores nas estradas. São postos de combustíveis, bares, boates, restaurantes ou mesmo acostamento. Trata-se da quarta edição do mapeamento feito pela PRF em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mas os dados gerais pouco variaram em relação à edição de 2007, com Minas Gerais e Rio Grande do Sul encabeçando a lista em número de pontos, com 290 e 217 respectivamente - os dois Estados, no entanto, têm grandes malhas viárias federais. Levando em conta quantidade e extensão das vias, os piores são Distrito Federal, Rio Grande do Norte e São Paulo.
A PRF agora vai utilizar os dados do mapeamento para dividir os locais em graus de vulnerabilidade, em parceria com o Instituto WCF Brasil. O resultado, desta vez, não será divulgado. “Achávamos que o conhecimento dos locais inibiria a atuação de criminosos. Mas constatamos que não inibiu e provocou migração para outros pontos”, afirma o presidente da Comissão de Direitos Humanos da PRF-SP, Waldiwilson dos Santos. “Vamos manter sigilo para não atrapalhar as operações.
Mesmo após constatar a situação, a conexão com outros órgãos continua falha - somente a PRF tem o levantamento, impossibilitando cruzamento de dados. Das polícias rodoviárias estaduais, apenas a de Pernambuco manifestou interesse em fazer o mapeamento.

PONTOS VULNERÁVEIS - A distribuição dos pontos vulneráveis à exploração sexual infanto-juvenil expõe conexões com as rotas dos viajantes e com bolsões de pobreza pelo País. Existem 290 áreas críticas apenas em Minas, e oito rodovias federais, incluindo as de maior tráfego - como a BR-040 e a BR-381, que ligam Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e a São Paulo, respectivamente -, estão no mapa da prostituição. Em segundo lugar no ranking por Estados vem o Rio Grande do Sul, onde a preocupação é sobretudo com os postos de combustível.
Para o promotor José Carlos Fortes, o resultado mais importante dessas ações não é “processual”.
“A publicidade sobre a ação do Ministério Público (MP) inibe a prática desse tipo de crime pelos donos dos estabelecimentos e também pelos pais.” Isso porque grande parte das crianças e adolescentes é levada para o comércio do sexo pela própria mãe que, geralmente, também foi explorada quando criança.
“A exploração sexual e a miséria também estão intimamente ligadas”, destaca o promotor. “Enquanto não combatermos a miséria, que é uma questão de longo prazo, não resolveremos a questão da exploração.” Segundo ele, os 290 pontos de vulnerabilidade levantados pela PRF coincidem com as periferias de cidades mineiras de médio porte. Já os serviços de assistência social da região metropolitana de Porto Alegre detectaram casos de prostituição de crianças de bairros pobres cortados pela BR-116.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Agência Estado

Comentando:

Em 17.12. 2006, o jornal O Povo publicou um caderno especial- disponível na internet -

DOCUMENTO BR: HISTÓRIAS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NAS RODOVIAS FEDERAIS

A série de reportagens traça uma cartografia da prostituição nas rodovias federais do Ceará e entre outras denúncias identifica os pontos de prostituição nas BR's 222, 116, 020 e na Região Metropolitana de Fortaleza. Na Br 116, os locais foram identificados pelas informações de um Relatório da Polícia Rodoviária Federal (2006).

Pontos de Exploração Sexual infanto juvenil no CEARA, ao longo da BR 116.
Fonte: relatório 2006 da Polícia Rodoviária Federal

Br-116

Aracati - 2
Fortaleza - 3
Eusébio - 2
Itaitinga - 1
Horizonte - 1
Pacajus - 1
Morada Nova - 1
Russas - 3
Tabuleiro - 1
Jaguaribe - 3
Icó - 2
Ipaumirim - 1
Barro - 1
Milagres - 1
Jati - 1
Penaforte - 1


A matéria que trata especificamente sobre Ipaumirim tem como título "A agenciadora de Alice".

Conforme observações de gente conhecida, o movimento na área de Ip continua a todo vapor. Ponto de parada de camioneiros e de quem mais passar, o entroncamento com a br 230 e ainda a tradição de casas prostituição naquela área favorece este tipo de comércio. Taí uma boa pauta para uma matéria interessante atualizando a situação na área.

ML

"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo,
que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente"

Claude Lévi-Strauss
(28/11/1908--03/11/2009)

Pesado fardo tucano: Um réquiem para FHC


O texto do ex-presidente tucano, publicado em vários jornais no domingo, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre as políticas de seu governo e as do governo Lula: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. O texto é de Gilson Caroni Filho.


Gilson Caroni Filho

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.

O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.

Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“"príncipe dos sociólogos" é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.

Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“"Marcha da Família com Deus, pela liberdade" não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.

Quando escreve que "é possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública", seu objetivo é tão claro como raso.

É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos "quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública" no período que vai de 1994 a 2002.

Criticando o que chama de "autoritarismo popular", o candidato a polemista prossegue: "Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."

A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?

O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?

Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?". Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.

Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.

O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.

NOVIDADE EM IP

NÃO DEIXE DE VISITAR

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Som do domingo

Ponto de vista

Visitando o Portal de Ipaumirim, vi duas notícias que acho que vale a pena comentar.
Antes, quero parabenizar pelo esforço de atualização e a seriedade com que estão trabalhando. O elogio não vai porque terei uma coluna no site, mas pelo trabalho cuidadoso da equipe de produção.
A primeira observação é sobre a visita do vice-governador ao município. Qual a motivação da ilustre visita? Então o vice passa na cidade e os munícipes nem sabem a que ele veio?
Não acredito que um vice venha em pic nic ou viagem de lazer a Ip. Pelo que conheço, além da festa de São Sebastião, não há eventos turísticos que justifiquem a visita. Algo o professor veio fazer e a comunidade merece ser informada. Alianças futuras talvez? Visita de cortesia, será? Algum parente pela cidade? Se veio por motivo particular, não há razões para se cobrar uma explicação. O direito de ir e vir é garantido a todos pela Constituição. Mas se veio como vice governador, deve ter vindo tratar de algum assunto de interesse da comunidade.
Observar a buraqueira das estradas não deve ter sido porque, segundo a notícia, o professor afirmou que o assunto não é de sua competência. Talvez não seja mesmo. Afinal nunca se sabe as competências de um vice. Acho que é esta a razão da expressão - ”a ociosidade é a mãe de todos os vices - ” parafraseando a frase original que diz que “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”.
O certo é que esta buraqueira nas estradas não é novidade. Até desconfio que seja estratégia dos políticos refazê-las sempre em períodos de campanha eleitoral. E aí vai o resumo da ópera: bota uma terrinha , remexe pra lá e pra cá, um pouco de piche, paga bem as empreiteiras que vão fazer o serviço e, de repente, reinaugura a fantasia rodoviária em algum comício. Dá pra agüentar até o fim do processo eleitoral e o começo do inverno no ano seguinte se a chuva for pouca. Para um município improdutivo isso já é o máximo. Como não tem produção para escoar vai apenas servir para corredor de eleitor. É cruel mas alguém pode provar o contrário?
Quem vive de favores, tem que se contentar com o que vem e o que vem é sempre a sobra da politicagem que não chega na hora certa e nem resolve os problemas.
E mesmo que o vice tenha vindo de carro, o único problema é o desconforto da viagem. É até saudável que os políticos, vez por outra, desçam do Olimpo para ver como é a vida normal. Quanto ao desgaste do carro, não é problema. Quem vai pagar a manutenção é você.
Cemitério Santa Terezinha
(Foto do blog de Cleidinha)

A outra notícia que quero comentar rapidinho é sobre os cemitérios de Ip que já não apresentam condições de abrigar mais gente. O velho - Santa Terezinha - é um horror. Parece um cortiço. Cada um foi abrindo covas e construindo túmulos onde queria. Não há corredores delimitados, não tem circulação definida, não sei como a saúde pública deixa funcionar normalmente. A última vez que estive lá foi quando meu pai faleceu. Fiquei impressionada com a desorganização. O correto seria preservar o que já está feito e desativá-lo durante muitos anos ou talvez para sempre.
Quanto ao mais novo, eu seria injusta se fizesse um comentário tão cáustico porque faz muitos anos que estive lá. Faço observações porque tenho escutado comentários que ele também já não é suficiente e começou o processo de desorganização espacial por superlotação.
Acredito que os nossos mortos merecem melhor destino. Quem sabe a comunidade se organiza e propõe novas alternativas ao poder público. Depois de Odorico Paraguassu, creio que nenhum prefeito quer associar sua imagem à construção de um cemitério. Mas os prefeitos passam e as lembranças dos nossos entes queridos ficam. É justo e necessário que lhes ofereçamos um espaço decente onde as visitas possam ter um mínimo de tranqüilidade e conforto.
ML

Domingo Memorioso: Um tiro pelas costas

Estamos no dia 4 de fevereiro de 1933, sábado, uma semana antes de ele completar 33 anos de idade. E o dia da feira semanal em Cajazeiras, dia de abastecer a grande família do Melão, de encontrar amigos, fazer acertos, fechar negócios. Apesar das primeiras chuvas, já às oito ou nove horas da manhã o calor parece nascer das entranhas da terra.
Zé Matias toma uma xícara de café, sapateando no corredor, as rosetas das esporas respondendo em estribilho metálico. Pega a sela e os arreios. No pátio, estão dois burros: um, de carga, o outro, de montaria. Achega-se aos animais, faz uns agrados a um deles e lhe atira a sela.qua puxa a ponta da correia para apertar a Cia, o gesto fica incompleto. Um estampido atravessa o silêncio. Para não cair, ele se agarra ao burro de carga, sangrando muito, à altura do estômago. De dentro de casa acorre Neném, a mulher. Os filhos Jamil, Jaldenira e Jocival nada entendem do que se passa.
- Acertaram-me pelas costas, eu não quis acreditar.
Romeu Cruz, o amigo inseparável, viu de onde partiram os disparos. De arma em punho, pula o mesmo lance de cerca atrás do qual se escondeu o atirador. A neblina da madrugada deixa vivos os rastros da alpercata de rabicho. Eles levam à primeira porta-d’água, são interrompidos, continuam até a segunda porta-d´água, e depois tomam a ladeira que sobe a serra, inegáveis, até o terreiro da casa de João dos Santos. Incrível! Foi João dos Santos quem em Zé Matias! Bem que Alzira lhe tinha avisado.
- Não, João dos Santos, não. João dos Santos é meu amigo.
Quantas vezes o criminoso já houvera se abastecido nos paióis de sua vítima? Lá dentro de casa, pendurado na parede como prova de amizade, está ainda estendido o couro de onça que Zé Matias lhe comprara. Na casa de João dos Santos, uma rede deve estar ainda impregnada do suor do amigo. Muitas vezes, por ali passando, Zé Matias achegava-se ao alpendre para puxar conversa. Convidavam-no para a sesta, ele aceitava. Ao deitar-se, desfazia-se da cartucheira e do revólver, que punha invariavelmente no chão, ao lado dos chinelos.
Mas o que adianta procurar saber a essas horas quem atirou nele? Tanto mais que não pode haver dúvida: trata-se de um crime de encomenda.
Às pressas, Madrinha Neném traz uma rede. O marido já está desfalecnedo. Será preciso levá-lo até o Olho d’Água. Daí para Cajazeiras talvez se consiga um carro, talvez a boléia de um caminhão. Os pingos de sangue vão deixando marca pelo caminho. No Melão todos sabem que só um milagre salvará Zé Matias. (Alzira lhe tinha dado os detalhes: seria um tiro só, de atravessar de um lado para o outro. João dos Santos Gabava-se de ser com na pontaria e não gastar bala sem necessidade. A bala estaria envenenada). Os filhos do meu irmão e os outros por quem zelava, as viúvas a quem assistia, os amigos que não podem acompanhá-lo só agora abre o peito no pranto e no soluço. Uma rede pelo sertão, pano branco se encardindo de sangue, leva Zé Matias para sempre.
Outra vez o mundo desaba.
Em Cajazeiras, eu ver o meu irmão, meu segundo pai, quando ele já estava estendido numa esteira, na casa que ainda hoje existe, a penúltima à esquerda de quem sobe da Rua de Santo Antonio para a Rua Dr. Coelho. Era onde morava então o avô Zeco Rolim. A cidade não tinha médico para atender o ferido, ou nós não tínhamos recursos à Mao para trazer o doutor a tempo de salvar uma vida para nós tão preciosa. Esvaindo-se em sangue, o “outro homem do Melão” entrega a alma a Deus, naquela mesma tarde. A rede que o trouxera voltaria vazia. Zé Matias foi enterrado no Olho d’Água, numa cova como a de meu pai: sem qualquer marca.
Até hoje, é por demais doloroso para todos nós reconstituirmos aqueles dias de abismo em que fomos mergulhados. Como explicar que um homem tão bom, tão querido, tão alegre, tão servidor, e que todos sabem não contar nem mais na longínqua lembrança com um único inimigo – como explicar, ou entender, tenha sido morto a traição, por alguém que se dizia amigo?
João dos Santos ainda hoje está vivo, a caminho dos seus 90 anos. É dele exclusivamente a palavra final sobre o assunto, palavra que ele vai levar para o túmulo, já que na Justiça o caso não chegou a qualquer elucidação. A nós, com o nosso pranto de saudade por Zé Matias, restam-nos apenas conjecturas mais ou menos articuladas, sobre, afinal, teria contratado aquele braço alugado para o crime.
É uma longa história que recua no começo de 1927. Os muitos minifúndios em que se dividem as terras do sertão são sempre cheios de questiúnculas entre vizinho. Cercas que andam, porteiras abertas, animais em plantação alheia, são problemas que, dada a dureza da luta pela sobrivência, se amplificam até o exagero e, somando-se ao notório machismo de nordestino, chegam às vezes a dizimar famílias e tornar homens fortes em jagunços.
Nos sovados da Serra da Areia, do lado sul do Melão, num esconderijo de uma só entrada e uma só saída, aonde só vai quem tem negócio, amoitam-se os Ribeiro, famosos pela sede de sangue. Na redondeza se diz que, não encontrando em quem aplacar esta sede de sangue, eles se exercitam matando-se entre si.
Por mais ridículo que isso pareça, é na morte de uma cadela vira-lata, acontecida em 1927, que, para muitos na família Matias Rolim, se situa a vertente remota quando vai terminar no assassinato de Zé Matias, seis anos à frente. Apenas para sentir o gosto de ver pra que lado vai cair o pobre animal, Cícero Ribeiro, chefe do clã de bandoleiros, passando ao largo da estrada, atira na cadela de um tal Filinto, morador de Zé Mariquinha, (figura respeitada como descobridor de bons lugares para a abertura de cacimbões).
A malvadez praticada contra o bicho bruto ainda mais assanha em revolta os moradores de Zé Mariquinha, pois se soma à morte de Raimundo Alcino senão por uns poucos dias à cadeia.
- Vamos ver quantas vezes esses Ribeiro vão passar aqui nessa estrada.
A jura é de Filinto, o dono da cadela, que se acompanha do irmão Douca. Ambos tratam lgo de combinar com os moradores de Felizardo, patrão de Raimundo Alcino, que os dias contados. A empreitada, porém, exige o concurso de outras pessoas. Cícero Ribeiro é perigoso demais, e ainda tem os filhos de quebra. Por que não convidar, ali na propriedade dos Matias, o velho Teodoro, e Pedro, Júlio e Manuel, os filhos dele, sujeitos bons de gatilho?
Além do mais, Teodoro tem também desavenças em paiol contra os Ribeiro. Vem em boa hora a proposta. Ele pede armas a Zé Matias. Afinal, naqueles tempos não se compreende que um dono de terras não deva armar o seu pessoal.
- Não. Nós fomos e queremos ser gente de paz. Nossa melhor arma é o bom entendimento com todos.
Mas Teodoro insiste. Ao menos um rifle, para não perder a viagem. Zé Matias hesita, mas cede. Ele não carregar na consciência, depois, o peso de fraquejar diante da obrigação de proteger um grupo de órfãos e viúvas. E, ora, esse maus vizinhos são tão perversos, na verdade, que a família Matias Rolim, falecido o Mestre Matias, não quer nem tomar conhecimento das terra que perdeu para eles, na Serra da Areia, pois é simplesmente impossível impedir que eles matem animais, queimem estacas de miolo, avancem cercas, façam o diabo.
Nove homens de madrugada, armados de tocaia, esperam que os inimigos despertem para a saraivada derradeira. O dia clareia. A fuzilaria começa. A fumaça e o cheiro de pólvora sobem no ar. No tiroteio, o filho Pedro Ribeiro, pistoleiro experimentado, joga uma almofada pela janela, como disfarce, o que lhe dá tempo de correr em disparada até o mato. Ele salvou-se. No chão, mortos, ficam Cícero Ribeiro e o outro filho, Leopoldo.
O tumulto é tamanho que, como resultado, provoca, de imediato, a mudança de Felizardo para Alagoinha (hoje Ipaumirim), e, depois, para Cajazeiras, onde virá a falecer em 1933.
Quanto a Zé Mariquinha, em cuja propriedade foi tramado o plano final para a eliminação dos dois Ribeiro, permanece em paz, devidadamente “deixado de lado” por seus moradores e compadres Filinto e Douca.
Sobra a Zé Matias a pior sorte. De lgo, tem que responder a um processo judicial, do qual só irá livrar-se no final do ano de 1932, em meio à seca que lhe consome as últimas reservas. Justamente a ele que nunca teve contas a ajustar com ninguém, cabe a acusação de ter fornecido armas aos atiradores.
Entram em cena, agora, um cidadão chamado Pedro Alexandre, uma moça chama Alzira, com fama de bonita e desejada, e um mercenário do crime, João dos Santos. É possível que os fatos mais recentes, da segunda metade de 1932, não tenham nenhuma relação com os eventos de 1927. é possível, mas em nossa família pouco se acredita não haja uma íntima conexão entre ambos. A razão? Ora, João dos Santos é sobrinho e genro de Cícero Ribeiro e ano só é portador dos meus cromossomos de perversão humana, como também carrega iguais sentimentos de perversidade e vingança
Ninguém jamais do que esse velho Pedro Alexandre sabe disso. O seu trabalho é comprar algodão a roceiros e meeiros nos arredores e repassar o produto a Zé Matias. Tem razões de sobra, portanto, para morrer de ciúmes de sua amásia Alzira, quando sabe que, a pedido dela, Zé Matias lhe comprara uma máquina de costura, para depois receber em algodão.
O fato de sido Pedro Alexandre, por ciúme besta, o mandante do crime de João dos Santos é depois confirmado pela própria Alzira. Para não deixar margem à dúvida, ela mesma advertiu Zé Matias que se cuidasse das más intenções de quem dizia seu amigo. E, mais tarde, já grávida e entojando do amante, revelará tudo a quem quiser se dar ao trabalho de ouvir-lhe os pormenores, João dos Santos, contratado, já havia comprado uma boina para disfarçar-se e estava só esperando o mato enfolhar, para encontrar melhor moita para se esconder-se.
Lamentavelmente, chamada a depor no inquérito, já reconciliada com o seu protetor, aquela mulher negará tudo. O processo criminal não irá progredir senão em novo acerto de contas que se dará no ano seguinte.
Do livro Do Miolo do Sertão
A História de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte
. pag. 29 a 33