O blog da Escola D. Francisco de Assis Pires (http://escoladomfranciscodeassispires.blogspot.com/) abriu uma nova seção e espera contar com a participação de todos os ex-alunos da escola desde os tempos mais remotos do nosso antigo e querido Grupo. O nome do espaço é Escreva sua história e está aberto a todos que queiram recordar alguma história vivida na tradicional Escola Dom Francisco, algum evento que foi importante na sua vida escolar, se possível com fotos. Os textos serão publicados aos sábados. Envie o seu para: rodrigjosue@gmail.comGente de Ipaumirim. Vida de Ipaumirim. Tempos de Ipaumirim. Alagoinha... Ipaumirim...... memória..... raízes... atualidades....... por novos tempos..... novos olhares...... espaço aberto a todos......
sábado, 24 de outubro de 2009
Atenção ex-alunos da Escola Dom Francisco
O blog da Escola D. Francisco de Assis Pires (http://escoladomfranciscodeassispires.blogspot.com/) abriu uma nova seção e espera contar com a participação de todos os ex-alunos da escola desde os tempos mais remotos do nosso antigo e querido Grupo. O nome do espaço é Escreva sua história e está aberto a todos que queiram recordar alguma história vivida na tradicional Escola Dom Francisco, algum evento que foi importante na sua vida escolar, se possível com fotos. Os textos serão publicados aos sábados. Envie o seu para: rodrigjosue@gmail.comsexta-feira, 23 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Pais & Filhos

Contardo Caligaris
Não é algo "natural"; como outros amores,
tem razões para surgir, acabar ou se tornar ódio
DOIS PROJETOS de lei se propõem a legislar em matéria de amor entre pais e filhos (conforme reportagem de Johanna Nublat, na Folha de 20/9). Ambos se baseiam na premissa de que, entre pais e filhos, há obrigações não só materiais, mas também afetivas.
Pelo projeto (4.294/08) do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), os pais devem aos filhos menores a presença e o amor que são indispensáveis para que os jovens vinguem sem carências e feridas que nunca cicatrizariam direito. Reciprocamente, os filhos devem aos pais idosos a presença e o amor sem os quais a vida, na velhice, poderia perder seu sentido.
Concordo: para ser "bom pai" não basta pagar mesada ou pensão, e, para ser "bom filho", não basta pagar o salário de quem faz companhia à velha mãe ou ao velho pai.
O projeto do deputado Bezerra institui o princípio de uma indenização por dano moral, que poderia ser exigida por pais e filhos que tenham sido abandonados afetivamente. Curiosamente, volta-se ao mesmo lugar de onde se queria fugir: "Você pensou que era suficiente pagar? Acha que não me devia também afeto, atenção, cuidados?
Pois bem, pague mais".
Fora esse paradoxo, a dificuldade está na avaliação do que constitui "abandono" afetivo.
Em sua maioria, os neuróticos (ou seja, a gente), mesmo quando conheceram os cuidados assíduos de pai, mãe, avós etc., queixam-se de uma falta de amor invalidante, que os teria deixado para sempre carentes, tristes e inseguros.
Inversamente, numa veia humorística, conheço adultos que, para evitar o almoço de domingo na casa da mãe, pagariam antecipadamente uma indenização. "Mãe, a gente não vai, mas mando os R$ 300 da multa, tudo bem?". A um preço módico, eles protegeriam assim seu casamento dos venenosos comentários maternos sobre as insuficiências da nora.
O outro projeto de lei (700/07), do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), trata só do abandono afetivo das crianças e quer que, aos filhos menores, seja garantida a "assistência moral", que inclui "a orientação quanto às principais escolhas e oportunidades profissionais, educacionais e culturais" e "solidariedade e apoio nos momentos de intenso sofrimento ou dificuldade". Esse projeto não propõe apenas indenizações financeiras para quem foi abandonado, mas transforma o "abandono" num crime, punível com a detenção, de um a seis meses.
De novo, concordo com a "justificação" do projeto: "A pensão alimentícia não esgota os deveres dos pais em relação a seus filhos [...]. Os pais têm o DEVER [sic] de acompanhar a formação dos filhos, orientá-los nos momentos mais importantes, prestar-lhes solidariedade e apoio nas situações de sofrimento e, na medida do possível, fazerem-se presentes quando o menor reclama espontaneamente a sua companhia".
Mas o que dizer sobre os pais dos filhos que saqueiam a casa para comprar drogas? Se eles expulsarem os filhos, irão presos?
E imaginemos uma situação nem tão rara: a de um pai que, um dia, aprende que o filho ou a filha é homossexual, não entende, não aceita e se fecha no mutismo como se quisesse se esquecer da própria existência do filho ou da filha. Esse pai iria preso? Não seria melhor que ele encontrasse um profissional com quem conversar? E, se for aprovado o projeto do deputado Bezerra, o filho que não cuidasse desse tipo de pai na velhice deveria uma indenização ao genitor?
Considerando os dois projetos, a impressão com a qual fico é que a tentação de transformar em norma legal o que seria uma relação minimamente "certa" entre pais e filhos é também (se não sobretudo) uma maneira de negar a seguinte realidade, que é incômoda e que nos choca: contrariamente ao que gostaríamos de acreditar, o amor entre pais e filhos não é incondicional, mas é parecido com os outros amores de nossa vida, tem razões para surgir, para acabar ou mesmo para se tornar ódio.
Filhos e pais não se amam "naturalmente". Claro, a extrema dependência nos primeiros anos da vida humana parece impor o amor entre filhos e pais. E, por exemplo, a mortalidade dos pais faz com que os filhos lhes apareçam, na velhice, como única justificativa de sua vida. Mas essas são apenas circunstâncias que instituem, em nossa cultura, a ilusão de que o amor recíproco entre pais e filhos seja "natural".
Não é assim. O amor entre pais e filhos não é garantido, nem por lei; de ambos os lado, ele pode ser, isso sim, conquistado e merecido.
Ou não.
A Secretaria de Desenvolvimento Social e o CRAS ( Centro de Referencia de Assistencia Social) realizou no dia 27 de setembro a Semana do Idoso.
A semana obteve a participação de 75 idosos do nosso municipio em variadas atividades: Palestras sobre Educação Alimentar, Educação Fisica, Jogos, Forró, merenda com frutas e almoço saudável, inclusive todas as terças na sede do sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras de Ipaumirim, tem o grupo do idoso denominado de "Alegria de Viver".
A realização desse evento foi uma parceria com: Pastoral do Idoso, Ordem DeMolay, Leo Clube e Prefeitura Municipal.
Por Trigueiro Junior
Foto: Zarlon Jorge
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Deu no Portal de Ip

Por falta de pagamento, motoristas ameaçam
parar com o transporte de estudantes Ipaumirim
Os motoristas responsáveis pelo transporte de alunos da rede municipal de ensino ameaçam entrar em greve na cidade de Ipaumirim em protesto contra o atraso no pagamento.
Proprietários de micro-ônibus e outros transportes usados diariamente na condução dos alunos também reclamam da condição das estradas vicinais que, apesar de terem passado por reuperação, já voltam a apresentar trechos de difícil circulação.
Os estudantes da zona rural do município de Ipaumirim estão preocupados com a situação, pois não têm outro meio de transporte para se deslocarem até a sede do município.
Os donos de veículos contratados prometem paralização como forma de pressionar os representantes da Administração Municipal a tomarem providências com relação ao pagamento dos meses em atraso.Segundo alguns motoristas, o atraso já está entrando no terceiro mês. "Não recebo há dois meses e 18 dias" afirma um dos motoristas, que pediu para não ser identificado. "Nem no posto de gasolina eles tão querendo abastecer, porque também não tão recebendo já há algum tempo", completa outro motorista. Segundo a maioria dos entrevistados, o último mês pago foi julho.
Procurada pelo IpNews, a assessoria da prefeitura confirmou o atraso nos pagamentos tanto dos motoristas como dos postos que fornecem o combustível. Segundo os assessores, o problema não é tão fácil de resolver, "A prefeitura recebeu uma parcela de recursos no valor de R$ 22 mil, que pode ser usado para pagamento dos transportes, e aguarda outra de R$ 28 mil. Tem ainda a parcela de recursos que a prefeitura recebe do estado, no valor de R$ 5 mil. Somando tudo, a prefeitura vai dispor de cerca de R$ 55 mil, para pagamento de uma folha de quase R$ 100 mil dos transportes escolares" e completou: "a esperança é que recebamos o incentivo do governo federal, no valor de quase R$ 123 mil, de um fundo especial, que também poderia ser usado para colocar em dia o pagamento dos transportes escolares".
Perguntamos sobre a parcela recebida do Fundo de Participação dos Municípios. "Certamente será usada para cobrir o pagamento das outras Secretarias, como saúde, por exemplo" responde um dos assessores, admitindo que o município tem uma folha de pagamento muito elevada.
Da redação do Portal
Assuntando...
100 mil só de transporte escolar na folha mensal? Pode ser muito, pode ser razoável ou pode ser pouco. Quantidade de alunos, distâncias percorridas, custo médio cobrado por km, etc, etc, etc...
Quando o bicho pega, lá aparece a saúde como bode expiatório. Êta mote batido! Seria mais fácil tornar pública a base de cálculos e a aplicação das rubricas tirando a limpo possíveis interpretações equivocadas.
Simples, né?
ML
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
As disponíveis na praça são todas mulheres difíceis
As presidenciáveis e seus problemas:
deixa o trem arder
FÁTIMA OLIVEIRA
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br
O título é inspirado num livro que li em meu tempo de Colégio Colinense: “A Moça e seus Problemas” (Haroldo Shryock). Era leitura compulsória para “as meninas da Casa do Estudante”. Datado de 1954, é uma lavagem cerebral contra os prazeres do parque de diversão que é o nosso corpo. Odiei. Desde sempre, curto estados de paixão, ao contrário das moças de fino trato. Pula!
As presidenciáveis da praça são, todas, mulheres difíceis – que mandam em suas vidas. Gosto! “Pero”, estou de tocaia. Matutando. Há homens amigos das mulheres e mulheres inimigas das mulheres. É assuntar. Deixei de votar em quem criminaliza o aborto e em quem fica em cima do muro, tucanamente, como Lula, em quem sempre votei. Nada mais plumagem de tucano do que Lula no tema aborto. Dá uma no cravo e outra na ferradura. Enchi, mas é o melhor governo da República. Fecha!
Já disse: “Outros temas polêmicos para uns e malditos para outros, que considero relevantes para o debate eleitoral, são: questões pertinentes à plena cidadania de gays, lésbicas e travestis; políticas de ação afirmativa e nelas, as cotas étnicas; e a legalização do aborto, inserida numa perspectiva de justiça social e de ampliação da democracia num Estado laico”. (Contra a vida das mulheres, 4.9.2006). Vou por aí. Valorizo muito meu voto.
E os problemas das presidenciáveis? Todas no fundo do poço da falta de carisma (”dom da graça”). Nenhuma dotada de soft power, o mesmo que chamávamos de élan: aquele apelo de algo mais que enternece e convence as massas – que Lula e Obama têm de sobra. O ar de vestal não basta. Rapapé de Maria Bonita também não. E a honradez, embora indispensável, sozinha não carreia votos.
Heloísa Helena? Ignoro. Não gasto latim com quem desde sempre é contra as mulheres. Marina Silva? Desabrocha como a salvação da lavoura. Erro crasso. Vamos dar a Marina o que é de Marina. Ambientalista reconhecida; senadora mediana; ministra de conveniência (para o governo) e tão-somente inodora na queda de braço dos transgênicos. Deveria ter deixado o governo naquele momento. Por que ficou?
Para uma amiga comum, vê-la apenas criacionista e fundamentalista é pouco para quem “no ministério criou uma sala de oração (será?! Incredulidade minha). Mais um exemplo de misturar o público com o privado. Vai pegar na onda do Obama”. O mérito dela é ter sacudido o debate eleitoral, não pela esperada religiosidade ambientalista, e sim por ter assumido, enfim, que é negra! Obama explica. É o “se colar, colou”.
Dilma Rousseff? Ungida por Lula, em seu estilo arisco a la Maria Moura, agora amaciado pela doença (não há mal que não traga um bem!), cultiva o abominável hábito de “A” tesoura do mundo (apostila da Socila faz falta!), vem embalada no nacionalismo do pré-sal, na proa do discurso desenvolvimentista com os paetês do bem-estar social (Bolsa Família, que defendo) e uma tintura ecológica de último segundo (no horizonte um PAC ambiental – não há mal que não traga um bem!). Nada perto do “Pensar global e agir local”. Um mérito: não escorrega na defesa dos direitos das mulheres.
Minha maior dificuldade com ela: a postura imperial no episódio ministra Matilde Ribeiro. Num tribunal, igual à Santa Inquisição, crucificou a negra! Porém convive, sem dar um pio, com célebres correligionários sabidamente sociopatas e não ousou abater nenhum em voo. Qual é a dela? E haja PAC para sanear o mangue de mágoas. Deixa o trem arder… Quem sabe das cinzas emergirá uma fênix! Aguardo a fênix.
As presidenciáveis da praça são, todas, mulheres difíceis – que mandam em suas vidas. Gosto! “Pero”, estou de tocaia. Matutando. Há homens amigos das mulheres e mulheres inimigas das mulheres. É assuntar. Deixei de votar em quem criminaliza o aborto e em quem fica em cima do muro, tucanamente, como Lula, em quem sempre votei. Nada mais plumagem de tucano do que Lula no tema aborto. Dá uma no cravo e outra na ferradura. Enchi, mas é o melhor governo da República. Fecha!
Já disse: “Outros temas polêmicos para uns e malditos para outros, que considero relevantes para o debate eleitoral, são: questões pertinentes à plena cidadania de gays, lésbicas e travestis; políticas de ação afirmativa e nelas, as cotas étnicas; e a legalização do aborto, inserida numa perspectiva de justiça social e de ampliação da democracia num Estado laico”. (Contra a vida das mulheres, 4.9.2006). Vou por aí. Valorizo muito meu voto.
E os problemas das presidenciáveis? Todas no fundo do poço da falta de carisma (”dom da graça”). Nenhuma dotada de soft power, o mesmo que chamávamos de élan: aquele apelo de algo mais que enternece e convence as massas – que Lula e Obama têm de sobra. O ar de vestal não basta. Rapapé de Maria Bonita também não. E a honradez, embora indispensável, sozinha não carreia votos.
Heloísa Helena? Ignoro. Não gasto latim com quem desde sempre é contra as mulheres. Marina Silva? Desabrocha como a salvação da lavoura. Erro crasso. Vamos dar a Marina o que é de Marina. Ambientalista reconhecida; senadora mediana; ministra de conveniência (para o governo) e tão-somente inodora na queda de braço dos transgênicos. Deveria ter deixado o governo naquele momento. Por que ficou?
Para uma amiga comum, vê-la apenas criacionista e fundamentalista é pouco para quem “no ministério criou uma sala de oração (será?! Incredulidade minha). Mais um exemplo de misturar o público com o privado. Vai pegar na onda do Obama”. O mérito dela é ter sacudido o debate eleitoral, não pela esperada religiosidade ambientalista, e sim por ter assumido, enfim, que é negra! Obama explica. É o “se colar, colou”.
Dilma Rousseff? Ungida por Lula, em seu estilo arisco a la Maria Moura, agora amaciado pela doença (não há mal que não traga um bem!), cultiva o abominável hábito de “A” tesoura do mundo (apostila da Socila faz falta!), vem embalada no nacionalismo do pré-sal, na proa do discurso desenvolvimentista com os paetês do bem-estar social (Bolsa Família, que defendo) e uma tintura ecológica de último segundo (no horizonte um PAC ambiental – não há mal que não traga um bem!). Nada perto do “Pensar global e agir local”. Um mérito: não escorrega na defesa dos direitos das mulheres.
Minha maior dificuldade com ela: a postura imperial no episódio ministra Matilde Ribeiro. Num tribunal, igual à Santa Inquisição, crucificou a negra! Porém convive, sem dar um pio, com célebres correligionários sabidamente sociopatas e não ousou abater nenhum em voo. Qual é a dela? E haja PAC para sanear o mangue de mágoas. Deixa o trem arder… Quem sabe das cinzas emergirá uma fênix! Aguardo a fênix.
Publicado em: 15/09/2009
Tudo pela fama

Rosana Hermann
O caso do menino do balão é o assunto do momento. Com razão. Trata-se de uma farsa de grande proporção na mídia, que teve cobertura planetária em tempo real. É o famoso “todo mundo viu”. Foi rápido, é verdade, durou pouco. Coisa de 15 minutos de fama correndo a 140 caracteres por segundo. O sonho acabou. Os pais vão pagar pelo crime cometido. Nos EUA mentir é o pior dos crimes.
Daqui do Brasil, mesmo com a proximidade que os meios eletrônicos nos trazem, é bem mais confortável olhar a loucura alheia do que a própria. Ao que tudo indica eles fizeram isso pelo ’show’, pela fama.
Quem diria. Não era o esperanto a língua que uniria o mundo. Nem o dinheiro. Era a fama. Fama é a língua universal que todos entendem, a moeda corrente que compra tudo. Todo mundo quer ser famoso.
Em nome da fama pais exploram seus filhos, adolescentes se iludem, adultos se ridicularizam. A possibilidade de ficar famoso é tão atraente que quase ninguém resiste. Veja o caso do Zina. Um morador de rua visivelmente desequilibrado que vira ídolo nacional. E, como Walter Longo ressaltou, virou garoto-propaganda de uma faculdade em Brasília. Não acredita? Clique aqui.
Mas o caso de Zina é compreensível. Ele não tinha nada e a TV lhe trouxe muito. Fácil entender por que ser famoso não apenas rima com vantajoso. Mas o que dizer de pessoas estruturadas, reconhecidas que, quando ficam famosas e populares nacionalmente tornam-se vaidosos patológicos? Acontece o tempo todo. Sabe aquela pessoa que você jurava que jamais se deslumbraria com a fama? Deslumbrou-se.
Talvez seja um processo inevitável mesmo, como o bronzeamento e a queimadura. A luz do sol faz com que os pigmentos da pele subam para a superfície. A luz dos holofotes deve fazer com que o pigmento da vaidade suba à cabeça.
Hoje, em todo o mundo, a luta pela fama é um fato. Todo mundo quer, a qualquer preço, custe o que custar. Quem fica famoso fica rico, conhecido e reconhecido. O feio fica charmoso, o bobo fica divertido, o burro parece esperto.
O caso do menino do balão é o assunto do momento. Com razão. Trata-se de uma farsa de grande proporção na mídia, que teve cobertura planetária em tempo real. É o famoso “todo mundo viu”. Foi rápido, é verdade, durou pouco. Coisa de 15 minutos de fama correndo a 140 caracteres por segundo. O sonho acabou. Os pais vão pagar pelo crime cometido. Nos EUA mentir é o pior dos crimes.
Daqui do Brasil, mesmo com a proximidade que os meios eletrônicos nos trazem, é bem mais confortável olhar a loucura alheia do que a própria. Ao que tudo indica eles fizeram isso pelo ’show’, pela fama.
Quem diria. Não era o esperanto a língua que uniria o mundo. Nem o dinheiro. Era a fama. Fama é a língua universal que todos entendem, a moeda corrente que compra tudo. Todo mundo quer ser famoso.
Em nome da fama pais exploram seus filhos, adolescentes se iludem, adultos se ridicularizam. A possibilidade de ficar famoso é tão atraente que quase ninguém resiste. Veja o caso do Zina. Um morador de rua visivelmente desequilibrado que vira ídolo nacional. E, como Walter Longo ressaltou, virou garoto-propaganda de uma faculdade em Brasília. Não acredita? Clique aqui.
Mas o caso de Zina é compreensível. Ele não tinha nada e a TV lhe trouxe muito. Fácil entender por que ser famoso não apenas rima com vantajoso. Mas o que dizer de pessoas estruturadas, reconhecidas que, quando ficam famosas e populares nacionalmente tornam-se vaidosos patológicos? Acontece o tempo todo. Sabe aquela pessoa que você jurava que jamais se deslumbraria com a fama? Deslumbrou-se.
Talvez seja um processo inevitável mesmo, como o bronzeamento e a queimadura. A luz do sol faz com que os pigmentos da pele subam para a superfície. A luz dos holofotes deve fazer com que o pigmento da vaidade suba à cabeça.
Hoje, em todo o mundo, a luta pela fama é um fato. Todo mundo quer, a qualquer preço, custe o que custar. Quem fica famoso fica rico, conhecido e reconhecido. O feio fica charmoso, o bobo fica divertido, o burro parece esperto.
A vida de fama é praticamente a ilusão da perfeição. Que seja, então. Resta apenas saber se morrer famoso tem alguma vantagem sobre morrer anônimo. Ao que tudo indica a resposta é não.
A fama é algo que leva você lá pra cima e depois de volta ao chão. Exatamente como se fosse um balão.
Fonte: http://blogs.r7.com/querido-leitor/
domingo, 18 de outubro de 2009
Domingo Memorioso
Alberto de Moura(...) “Muito ao revés, teria ocupado a velha tribuna da Academia e recitado um soneto – um belo soneto de Alberto de Moura, que trago de cor desde priscas eras. Com isso teria reverenciado nosso patrono, São Francisco e, de quebra, prestado homenagem a um velho amigo, o autor do soneto. Em outras palavras, matado dois coelhos de uma só cajadada.
Alberto de Moura, que saudade! Como o tempo foi veloz! O que estará ele, o poeta, fazendo agora lá no Ipaumirim? Versejando como antigamente ou já aposentado? Se os meus cálculos estão corretos, já deve estar beirando os noventa, e é natural que esteja cansado. Ou será que não? Estará ele, ainda, escrevendo aqueles sonetos que tanto admirávamos?.
Grande Alberto! Parnasiano renitente e, por isso mesmo, conservador, escrevia seus versos com facilidade, mas com rigor bilaquiano. Daí o desprezo pelos modernistas, a quem chamava de charlatães. Com ele era assim, sem papas na língua. O verso branco, em sua opinião, era apenas um simulacro – invencionice de maus poetas que não sabiam, fazer soneto. Ninguém lhe viesse com poesia sem rima. Ele simplesmente virava o rosto e recusava-se a ler. E como era cioso da própria reputação! Nunca pude esquecer a fúria incontrolável que lhe causavam os erros de imprensa. Se, por qualquer motivo, quebravam-lhe um verso durante a transcrição, era um deus-nos-acuda. Não perdoava o editor, cobria-o de insultos e passava dias maldizendo a sorte.
Como vai longe tudo isso! Corria ainda “a manhã de sol dos meus treze anos”, quando recebi dele as primeiras lições de arte poética. Eu tinha acabado de perder meu pai e entrara em parafuso. Não via como viver sem ele e me agarrara à poesia como um remédio para as minhas dores. Por isso, apelei para Alberto. Não é demais ressaltar que, com apenas treze anos, eu não passava de uma criança enquanto Alberto já era quarentão. Naquele tempo, embora ainda resistisse, a poesia tradicional já começava a ser banida das salas de aula. Alberto, por motivos óbvios, achava isso um “crime hediondo” e punha a culpa nos irmãos Andrade – Oswaldo e Mário – pelos excessos do modernismo: “Esses poetas de meia- tigela vão acabar matando a poesia”, costumava dizer, não sem uns laivos de amargura. Constrangia-o, principalmente, ver que, entre os artífices da Semana de Arte Moderna de São Paulo, despontara Menotti Del Picchia, grande mestre brasileiro do verso alexandrino e autor de poemas sublimes como “ Juca Mulato”, “As Máscaras” e “O amor de Dulcinéia” – uma glória, portanto. Não conseguia compreender por que um poeta de tal porte deixara-se arrastar pela “torrente de empulhadores”.
Tal o caráter do meu meste. O certo é que, evitando referências ao verso modernista, me expôs ele, pacientemente, os principais segredos da arte de versejar. E mais: emprestou-me um livro que me abriria definitivamente as portas da poesia: “Tratado de versificação”, de Guimarães Passos.
Daí por diante, tornei-me poeta ou, pelo menos, versejador. A despeito do tempo, que abriu hiatos em nossa convivência, Alberto de Moura continua um marco em minhas lembranças. Ainda estou a vê-lo de lápis em punho, o semblante grave, olhando fixo para mim e aconselhando com ar professoral: “Tenha cuidado com a chave de ouro: termine-a sempre com um oxítono. Tem mais sonoridade e dá força ao soneto!”.
Mas como tudo nesta vida é ilusão passageira, chegou o meu dia de enfrentar o mundo. O tempo de espera no Ipaumirim tinha, afinal, se esgotado. Urgia partir. Tendo atingido a maioridade, vim para a capital em busca de trabalho. Alberto lá ficou. Só poucas vezes voltei a vê-lo e, ainda assim, por breves momentos. A propósito de versos, ao longo de todos esses anos, uma coisa sempre me intrigou: a obstinação do poeta em recusar-se a publiucar um livro. Terá o pavor dos erros da imprensa influenciado essa sua atitude? Se bem o conheço, é possível que sim, mas deve haver outros motivos. Afinal de contas, quem há de entender as razões e os caprichos da alma de um poeta? Do ponto de vista financeiro, sinceramente, não houve empecilho. O mais importante, aliás, o imprescindível, ele tem de sobra: a produção literária. Calculando por baixo, uma centena de bons sonetos deve esconder-se com avareza entre os seus alfarrábios.
Por tudo isso é que me demoro um pouco mais no remoer lembranças, e peço licença ao nobre leitor para tomar mais dois minutos do seu tempo precioso. É que não fujo à tentação de transcrever “O santo de Assis”, aquele soneto a que me referi no início destas notas:
Alberto de Moura, que saudade! Como o tempo foi veloz! O que estará ele, o poeta, fazendo agora lá no Ipaumirim? Versejando como antigamente ou já aposentado? Se os meus cálculos estão corretos, já deve estar beirando os noventa, e é natural que esteja cansado. Ou será que não? Estará ele, ainda, escrevendo aqueles sonetos que tanto admirávamos?.
Grande Alberto! Parnasiano renitente e, por isso mesmo, conservador, escrevia seus versos com facilidade, mas com rigor bilaquiano. Daí o desprezo pelos modernistas, a quem chamava de charlatães. Com ele era assim, sem papas na língua. O verso branco, em sua opinião, era apenas um simulacro – invencionice de maus poetas que não sabiam, fazer soneto. Ninguém lhe viesse com poesia sem rima. Ele simplesmente virava o rosto e recusava-se a ler. E como era cioso da própria reputação! Nunca pude esquecer a fúria incontrolável que lhe causavam os erros de imprensa. Se, por qualquer motivo, quebravam-lhe um verso durante a transcrição, era um deus-nos-acuda. Não perdoava o editor, cobria-o de insultos e passava dias maldizendo a sorte.
Como vai longe tudo isso! Corria ainda “a manhã de sol dos meus treze anos”, quando recebi dele as primeiras lições de arte poética. Eu tinha acabado de perder meu pai e entrara em parafuso. Não via como viver sem ele e me agarrara à poesia como um remédio para as minhas dores. Por isso, apelei para Alberto. Não é demais ressaltar que, com apenas treze anos, eu não passava de uma criança enquanto Alberto já era quarentão. Naquele tempo, embora ainda resistisse, a poesia tradicional já começava a ser banida das salas de aula. Alberto, por motivos óbvios, achava isso um “crime hediondo” e punha a culpa nos irmãos Andrade – Oswaldo e Mário – pelos excessos do modernismo: “Esses poetas de meia- tigela vão acabar matando a poesia”, costumava dizer, não sem uns laivos de amargura. Constrangia-o, principalmente, ver que, entre os artífices da Semana de Arte Moderna de São Paulo, despontara Menotti Del Picchia, grande mestre brasileiro do verso alexandrino e autor de poemas sublimes como “ Juca Mulato”, “As Máscaras” e “O amor de Dulcinéia” – uma glória, portanto. Não conseguia compreender por que um poeta de tal porte deixara-se arrastar pela “torrente de empulhadores”.
Tal o caráter do meu meste. O certo é que, evitando referências ao verso modernista, me expôs ele, pacientemente, os principais segredos da arte de versejar. E mais: emprestou-me um livro que me abriria definitivamente as portas da poesia: “Tratado de versificação”, de Guimarães Passos.
Daí por diante, tornei-me poeta ou, pelo menos, versejador. A despeito do tempo, que abriu hiatos em nossa convivência, Alberto de Moura continua um marco em minhas lembranças. Ainda estou a vê-lo de lápis em punho, o semblante grave, olhando fixo para mim e aconselhando com ar professoral: “Tenha cuidado com a chave de ouro: termine-a sempre com um oxítono. Tem mais sonoridade e dá força ao soneto!”.
Mas como tudo nesta vida é ilusão passageira, chegou o meu dia de enfrentar o mundo. O tempo de espera no Ipaumirim tinha, afinal, se esgotado. Urgia partir. Tendo atingido a maioridade, vim para a capital em busca de trabalho. Alberto lá ficou. Só poucas vezes voltei a vê-lo e, ainda assim, por breves momentos. A propósito de versos, ao longo de todos esses anos, uma coisa sempre me intrigou: a obstinação do poeta em recusar-se a publiucar um livro. Terá o pavor dos erros da imprensa influenciado essa sua atitude? Se bem o conheço, é possível que sim, mas deve haver outros motivos. Afinal de contas, quem há de entender as razões e os caprichos da alma de um poeta? Do ponto de vista financeiro, sinceramente, não houve empecilho. O mais importante, aliás, o imprescindível, ele tem de sobra: a produção literária. Calculando por baixo, uma centena de bons sonetos deve esconder-se com avareza entre os seus alfarrábios.
Por tudo isso é que me demoro um pouco mais no remoer lembranças, e peço licença ao nobre leitor para tomar mais dois minutos do seu tempo precioso. É que não fujo à tentação de transcrever “O santo de Assis”, aquele soneto a que me referi no início destas notas:
São Francisco de Assis, o meigo pregador
Das aves, foi de Cristo apóstolo perfeito:
Toda vida o serviu com profundo respeito,
Consagrando-lhe sempre um verdadeiro amor.
Amava seus irmãos com desmedido ardor,
E jamais transgrediu o divino preceito;
De suas santas ações inda não satisfeito,
Tomou mais, para si, as chagas do Senhor.
Com seu grande poder de santo taumaturgo,
Por onde quer que andou, na floresta ou no burgo,
Fez milagres reais em místicos favores.
Um dia, ele abraçou-se a um rude pé de espinhos;
Mas no instante em que o fez, os acúleos daninhos
Tinham se transformado em veludíneas flores. "
(Alberto de Moura)
Pereira de Albuquerque. O diagnóstico. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2009. pp. 58-61.
sábado, 17 de outubro de 2009
Álbum da semana
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
PARAISO PERDIDO
limpa o pé de algodão
Pois pra vencer a batalha,
É preciso ser forte, valente, robusto
e nascer no Sertão"
(Algodão, Luiz Gonzaga)
Com a perda repentina de meu pai, pouco é dizer que as promessas de prosperidade para a família Matias Rolim derruíram por completo. Tivemos que arrostar sacrifícios imprevistos por pelo menos uma década, numa insuperável corrida de obstáculos. Foi um duro aprendizado que, só à distância, posso contemplar como força acrisoladora do nosso caráter em formação.
Mas, como explicar que, do dia para a noite, tenhamos entrado a conviver com a penúria?
Antes de tudo, convém lembrar que, naqueles tempos, sobretudo no meio rural, não se falava em escrita contábil organizada. O tradicional borrador recebia as anotações das contas de credores e devedores. Esses, últimos, em especial, raramente deixavam comprovante escrito dos débitos assumidos, até mesmo porque, sendo amigos ou achegados ao círculo familiar, era normal se acertarem com Mestre Matias mediante a contratação de serviços ou com a troca de cereais.
Além disso, meu pai com certeza sofrera pesados reveses nos seus dois últimos anos de vida. Em 1924, impressionado, como outros muitos, com a devastação da seca do 15, o velho Matias deu exagerada crença à uma “profecia” que chamava a atenção para a outra grande seca que estaria às portas. Chefe de numerosa família e responsável pela assistência a muita gente no Melão, ele se pôs a comprar e armazenar um estoque de farinha nunca visto. 1924, ao contrário do que se esperava, trouxe um inverno dos mais férteis. Foi total o prejuízo. A farinha mofou, aos bolões, no depósito.
Já em 1925, o caso do algodão. A expectativa pela nova safra elevou os preços do produto ao patamar de 20 mil réis a arroba, ainda na folha. Era neócio para arrebentar a praça, de fazer perder o juízo. Uns venderam o gado que tinham, outros penhoraram a propriedade por valores ridículos. A ordem era conseguir dinheiro e aplic-alo na compra de algodão. Mestre Matias, embora não tenha feito ousadias de comprometer-se irremediavelmente, não deve ter sido exceção a essa “febre do ouro branco”, dado o bom nome de que desfrutava. Seria impossível prever que o algodão deveria ser entregue a firmas com André Fernandes & Cia., em Mossoró, ou Higino Rolim, em Cajazeiras, a apenas cinco mil réis a arroba. À época da colheita, os preços oficiais caíram 300%.
Se meu pai continuasse vivo, teria certamente encontrado saída para a difícil situação a que as circunstâncias o levaram. Com o seu desaparecimento, porém, ocorreu que a corrida dos credores, no afã de receberem as suas contas, se deu na velocidade contrária à dos devedores em se quitarem com D. Dosanjo. Minha mãe, além de não dominar maiores detalhes sobre o andamento dos negócios, estava nos últimos meses de gravidez. Acossada por tanta gente voraz, tratou de vender os próprios pertences para honrar a memória do marido. Restou-lhe a pequena propriedade do Melão, que ela teve de dividir com os dozes herdeiros de Matias Duarte Passos.
Do livro Do Miolo do Sertão
A História de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte
pag. 15 a 17
Fonte:
Do livro Do Miolo do Sertão
A História de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte
pag. 15 a 17
Fonte:
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Eu consegui comprar o livro. Hoje, o entregador do sebo ficou de vir deixar em minha casa.
TCM fiscaliza IP

Técnicos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) voltam ao Interior do Estado, na próxima semana, para fiscalizar mais 13 prefeituras. Na semana passada, de cinco a nove, foram realizadas inspeções ordinárias em 22 municípios.
Nos meses de outubro, novembro e dezembro o TCM está intensificando o trabalho de fiscalização para que no exercício de 2009 nenhum município cearense fique sem receber, pelo menos, uma inspeção ordinária. Além das inspeções ordinárias também são realizadas inspeções especiais.
Nos meses de outubro, novembro e dezembro o TCM está intensificando o trabalho de fiscalização para que no exercício de 2009 nenhum município cearense fique sem receber, pelo menos, uma inspeção ordinária. Além das inspeções ordinárias também são realizadas inspeções especiais.
Os 13 municípios a serem fiscalizados na próxima semana são os seguintes: Aiuaba, Baixio, Boa Viagem, Campos Sales, Cascavel, Croatá, Ipaumirim, Madalena, Pindoretama, Pires Ferreira, Saboeiro, Salitre e Sobral. Cada equipe é composta por três membros e uma inspeção ordinária é realizada em uma média de dois dias. Em Sobral os técnicos do TCM vão ficar a semana toda, por se tratar de um município maior.
Este ano o trabalho de fiscalização nos municípios cearenses começou no dia 30 de março, foram suspensos em maio em função das fortes chuvas no Estado, e deverão ser encerrados no dia 18 de dezembro.
Os critérios elaborados para definir a seleção dos municípios fiscalizados dizem respeito ao cumprimento do prazo para o encaminhamento das prestações de contas mensais por intermédio do Sistema de Informações Municipais (SIM); denúncias sobre irregularidades na administração; despesas com a realização de festividades; não encaminhamento de informações sobre as licitações; possibilidade de desmonte no fim da administração passada; municípios não inspecionados no exercício de 2008; municípios onde o prefeito foi reeleito e; requerimentos do Judiciário e do MP.
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