quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Será que temos a cidade
que merecemos?

PCF beneficia Ipaumirim

O Governo do Estado, por meio do Programa Governo do Ceará na Minha Cidade, esteve em Icó nesta quarta-feira (04) e trouxe um dia movimentado para a cidade.
Na oportunidade, houve a participação do governador e os secretários na audiência pública com o tema de Infraestrutura.
Além disso, Cid Gomes tentou exemplificar as ações do Governo, com obras que estão em andamento no Ceará.
Ele citou os casos das construções de Policlínicas e os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), que também beneficiarão o Icó, além de delegacias e hospitais novos que estarão prontos em breve.
AÇÕES - O mais importante do Governo Itinerante foram as ações divulgadas. Na ocasião, aconteceu a assinatura dos termos de Adesão ao Programa de Cooperação Federativa (PCF), no valor de R$ 1.722.537,53, beneficiando os municípios: Cariús, Iguatu, Ipaumirim, Jucás, Orós, Quixelô, Saboeiro e Umari.


A pergunta é: beneficia em que, como e quando?

O QUE É CONSELHO TUTELAR E PARA QUE SERVE?

O Conselho Tutelar é um órgão permanente, (uma vez criado não pode ser extinto.) É autônomo, (autônomo em suas decisões, não recebe interferência de fora) Não jurisdicional (não julga, não faz parte do judiciário, não aplica medidas judiciais) É encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Ou seja, o Conselho Tutelar é um órgão de garantia de direitos da criança e do adolescente.Quem são os Conselheiros Tutelares?São pessoas que têm o papel de porta-voz das suas respectivas comunidades, atuando junto a órgãos e entidades para assegurar os direitos das crianças e adolescentes. São eleitos 5 membros através do voto direto da comunidade, para mandato de 3 anos.
ART. 98 (ECA) ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (Lei 8.069/90) As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do estado
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável
III - em razão de sua condutaSempre que os direitos das crianças e dos adolescentes forem ameaçados ou violados deverá ser comunicado ao Conselho Tutelar para que sejam aplicadas as medidas de proteção cabíveis, sem prejuízos de outras providências legais.
ART. 136 (ECA) São atribuições do Conselho Tutelar:
I- atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII;
II- atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII;
III- promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:a) - requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança:b) - representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações;
IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, I a VI, para o adolescente autor de ato infracional;
VII - expedir notificações;VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário;
IX - assessorar o Poder Público local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, parágrafo, 3º, inciso II da Constituição Federal;
XI - representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do pátrio poder.É dever de todos, da família, da comunidade, da sociedade em geral, do poder público, de assegurar a criança e ao adolescente seus direitos básicos referentes à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, lazer, profissionalização, cultura, respeito, liberdade, convivência familiar e comunitária, velar por sua dignidade, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
NÃO SÃO ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR:
a) Busca e apreensão de Crianças, Adolescentes ou pertences dos mesmos; (quem faz isso é o oficial de Justiça, por ordem judicial)
b) Autorização para viajar ou para desfilar. (quem faz é Comissário da Infância e Juventude)
c) Não dá autorização de guarda (quem faz isso é o juiz, através de um advogado que entrará com uma petição para a regularização da guarda ou modificação da mesma).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Matutando...


"Já que tem Copa em 2014
e Olimpíadas em 2016,
a gente bem que podia imprensar 2015."
(Enviada por Zé Gerardo Beserra)

Prazer em conhecer

Name: Claudia Helena
Location: Fortaleza - Ceará - Brasil
Bio: Sou cientista política, atuo como assessora parlamentar de um deputado federal, e sou assessora da prefeitura de Ipaumirim
http://twitter.com/Claudiahjl

Mensagem no twitter:
Trabalhando o projeto da festa de Emancipação Política de Ipaumirim-Ce.11:22 AM Sep 24th from web.
Aguardemos a festa.

Nossa gente humilhada: a dureza dos empregos temporários


Foram 13 migrantes cearenses encontrados em alojamentos irregulares em Ibaté, interior de São Paulo. Eles colhiam em média 10 toneladas de cana-de-açúcar por dia na usina Ipiranga. Foram enganados quanto às condições de alojamento, mesmo assim pretendem voltar a São Paulo no ano que vem.
Outros 41 migrantes de Ipaumirim no Ceará e que foram trabalhar no corte da cana em Ibaté, passavam fome e sede, dormiam no chão e ficaram nove dias sem ocupação. (DN, 07/07/05)


XIX ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, São Paulo, 2009, pp. 1-31
MIGRAÇÃO SAZONAL CEARENSE: VIA PARA O TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO

Msc. Danielle Rodrigues da Silva
Profº. Dr. José Levi Furtado Sampaio
Profº. Dr. Francisco Amaro Gomes de Alencar

E as rodovias estaduais, ficam como?

Estrada de acesso a Ip
Foto do Portal de Ipaumirim

O pacote de licitações para essas obras, cujo prazo de execução é um ano após a assinatura do contrato, foi apresentado ontem, em coletiva de imprensa, na Superintendência Regional do órgão no Ceará
08/5/2009
14h07
Diário do Nordeste/CE

Cerca de R$ 338 milhões serão investidos pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) na restauração das rodovias federais BR-116, BR-020, BR-222 e BR-304 no território cearense. Ao todo, são 754 quilômetros de vias que receberão, além de nova pavimentação, mudanças estruturais para melhorar a malha viária do Estado.
O pacote de licitações para essas obras, cujo prazo de execução é um ano após a assinatura do contrato, foi apresentado ontem, em coletiva de imprensa, na Superintendência Regional do órgão no Ceará.
“Tratam-se de investimentos inéditos em restauração de rodovias no Ceará. Trechos críticos de estradas, como na BR-116, entre Ipaumirim e Milagres, além da BR-222, entre Croatá e Sobral”, explica o superintendente regional do Dnit no Ceará, Guedes Neto.
“Tratam-se de investimentos inéditos em restauração de rodovias no Ceará. Trechos críticos de estradas, como na BR-116, entre Ipaumirim e Milagres, além da BR-222, entre Croatá e Sobral”, explica o superintendente regional do Dnit no Ceará, Guedes Neto.

BR-116 no Ceará será restaurada

A Superintendência do DNIT no Ceará dará início às obras de restauração a mais um trecho na BR-116, no Estado. O segmento localizado entre entroncamento CE-286, próximo a Ipaumirim (km 420), até o município de Milagres (km 478) soma 57 quilômetros. Serão executados além da restauração, serviços de melhoramentos físicos e operacionais que compreendem intervenções no pavimento da pista e dos acostamentos; recomposição da sinalização horizontal; manutenção da via, incluindo remendos e selagem de trincas, e conservação rotineira da faixa de domínio.
O DNIT investirá recursos na ordem de R$ 57,1 milhões. As obras fazem parte da primeira etapa do Crema – Programa de Conservação e Recuperação de Rodovias, e serão executados por um período de dois anos.
http://www.dnit.gov.br/noticias/restaubr116ce
15/10/09

Água que te quero verde

Progerirh: Ceará terá seis novas barragens

O Governo do Ceará assinou no dia 22 de setembro a operação de crédito junto ao Banco Mundial que garante recursos de US$ 103 milhões destinado ao Projeto de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Ceará (Progerirh). O empréstimo permitirá que o Ceará continue a melhorar a gestão dos recursos hídricos e a expansão do acesso à água potável nas áreas urbanas e rurais, mesmo durante períodos de seca. Os recursos serão investidos na construção de seis novas barragens.


A primeira delas, a barragem Gameleiro - já licitada - terá a ordem de serviço assinada até o fim deste mês de setembro e atenderá aos municípios de Itapipoca, Tururu e Trairi. A assinatura do contrato aconteceu, na Residência Oficial, durante reunião dos governadores Cid Gomes e Marcelo Déda, de Sergipe, com representantes do Banco Mundial e dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Os outros reservatórios contemplados com os recursos, são a Barragem de Umari, que garantirá o abastecimento do município de Madalena; a Barragem Genipapeiro, para atender os municípios de Ipaumirim, Baixio e Umari; a Barragem Mamoeiro, que vai atender o município de Antonina do Norte, a Barragem Jatobá, que irá abastecer o município de Ipueiras e a Barragem Amarelas que garantirá armazenamento de água, em Beberibe.

Com a construção desses novos reservatórios, ficará assegurado armazenamento de água de aproximadamente 180 milhões de metros cúbicos. De acordo com o governador Cid Gomes, só sob a supervisão da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o Estado tem capacidade de acumulação de 17,8 bilhões de metros cúbicos de água. “Esse ano, o acúmulo de água chegou a 95% dessa capacidade”, explicou Cid Gomes, que considera “absolutamente necessária” a construção desses novos reservatórios, dada as condições climáticas do Estado. “Essas novas barragens darão tranquilidade a população que ainda é castigada com a seca”, definiu.

Desenvolvimento para o Nordeste Durante a reunião, a vice presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Pamela Cox, e o diretor do Banco para o Brasil, Makhtar Diop, anunciaram recursos da ordem de US$ 3 bilhões para serem investidos no Nordeste e elogiaram a superação de problemas decorrentes do fator econômico do Nordeste a partir de 2002. O governador Cid Gomes se prontificou juntamente com o governador Marcelo Déda, a identificarem as potencialidades de cada estado, durante o próximo Fórum de Governadores do Nordeste, previsto para acontecer em Fortaleza. “Nós vamos buscar uma visão da perspectiva de cada estado, numa lógica de projetos que dê unidade a região”, defendeu. Cid Gomes disse ainda que vai propor aos outros estados a busca por recursos em instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e BNDES, além do Governo Federal para que esse montante se multiplique e possibilitem grandes realizações no Nordeste. Cid Gomes ressaltou ainda a importância do Pré-Sal para o Nordeste. Ele voltou a defender a partilha dos royalties de acordo com a regras do Fundo de Participação do Estado (FPE). Ou seja, quem for mais poder, deve ter mais recursos. E enfatizou que os governadores do Nordeste estão apoiando o presidente Lula em relação ao modelo de partilha dos recursos que priorizam o interesse nacional. Sobre a capacidade de endividamento do Estado, Cid foi enfático ao dizer que o Ceará tem uma margem de endividamento de até três vezes a dívida líquida atual. Segundo o diretor Makhtar Diop, a idéia do Banco Mundial é agregar os esforços individuais de cada estado que compoe a região Nordeste e transformá-los em desenvolvimento regional cooperado e coordenado.

“A criação de um Nordeste inclusivo, sustentável e competitivo depende desse diálogo e a partir de agora, serão definidas estratégias para que isso se torne uma realização”, afirmou. Na ocasião foram apresentados dados captados pelo Banco, que ressaltavam as potencialidades de alguns dos estados. De acordo com dados da apresentação, a sugestão é de que sejam enfocadas três eixos: crescimento econômico com inclusão e inovação; gestão hídrica e uso produtivo dela; e investimentos estruturantes.

O governador Marcelo Déda defende maior articulação entre os estados do Nordeste para que a região consiga portas abertas na economia mundial. “Esse é um debate de alto nível do ponto de vista político. A articulação das economias estaduais é um objetivo muito viável, embora complexo, mas que deve ser evidenciado. Devemos começar o compartilhamento das cadeias produtivas”, disse Marcelo Déda, ao criticar a chamada guerra fiscal entre os estados na disputa pela implantação de novas indústrias. O governador de Sergipe citou o projeto do Ceará – Cinturão Digital – que vai disponibilizar banda larga a população de 82% do território urbano do estado. “Um projeto como esse pode ser estendido a nível de região e isso torna o Nordeste competitivo”, destacou.


Releituras do Halloween



Raloim de finados

Blitz - IP
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Sob o olhar dos vampiros
Raloim na Toca - IP

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Futuro laptop

DENÚNCIA

Heitor Férrer diz que maioria dos prefeitos desvia recursos

Para Heitor, não existe zelo pelo dinheiro público porque os próprios vereadores não fiscalizam as gestões municipais e os atos de alguns prefeitos
Com informações da Assembleia Legislativa

O deputado Heitor Férrer (PDT) afirmou, nesta terça-feira, 3, que a grande maioria dos prefeitos do Brasil é “larápio”. “Quase todos os prefeitos municipais desviam recursos em benefício próprio. Em apenas 5% dos municípios do Brasil, há uma exceção a essa regra. Isso sem falar naqueles que hoje estão à frente das instituições, que também roubam, em sua grande maioria”, disparou o parlamentar. Ele citou o caso do ex-diretor do Senado Federal, Agaciel Maia, que tinha uma casa no valor de R$ 5 milhões e foi investigado pelo Tribunal de Contas da União. Agaciel, conforme Heitor, havia ocultado da Justiça o patrimônio e ainda mantinha uma conta de R$ 2 milhões na Caixa Econômica Federal (CEF), que seria incompatível com os seus rendimentos como diretor do Senado. Para Heitor, não existe zelo pelo dinheiro público porque os próprios vereadores não fiscalizam as gestões municipais e os atos de alguns prefeitos. “As câmaras municipais são coniventes”, observou. O deputado afirmou que nunca viu um comerciante comprar uma bodega quebrada, um industrial comprar uma indústria quebrada ou um empresário investir numa empresa quebrada. “Mas todos os prefeitos que conhecemos dizem que a prefeitura que assumem está quebrada”, avaliou.
Adicionada em : 03/11/2009 às 16h10min
Por: Jorge Mourão

Ip na lista negra


Há um ponto de exploração sexual infantil a cada 26 km
Seja para comprar comida ou fumar crack, o fato é que milhares de crianças e adolescentes estão espalhados pelas rodovias federais brasileiras oferecendo os corpos por até R$ 2. No Brasil, há um ponto vulnerável à exploração sexual infantil a cada 26,7 quilômetros - isso considerando apenas os locais em que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) já flagrou ou recebeu denúncia de menores de 18 anos submetidos à prostituição.
Mapeamento da PRF apontou a existência de 1.819 pontos “vulneráveis” para a exploração sexual de menores nas estradas. São postos de combustíveis, bares, boates, restaurantes ou mesmo acostamento. Trata-se da quarta edição do mapeamento feito pela PRF em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mas os dados gerais pouco variaram em relação à edição de 2007, com Minas Gerais e Rio Grande do Sul encabeçando a lista em número de pontos, com 290 e 217 respectivamente - os dois Estados, no entanto, têm grandes malhas viárias federais. Levando em conta quantidade e extensão das vias, os piores são Distrito Federal, Rio Grande do Norte e São Paulo.
A PRF agora vai utilizar os dados do mapeamento para dividir os locais em graus de vulnerabilidade, em parceria com o Instituto WCF Brasil. O resultado, desta vez, não será divulgado. “Achávamos que o conhecimento dos locais inibiria a atuação de criminosos. Mas constatamos que não inibiu e provocou migração para outros pontos”, afirma o presidente da Comissão de Direitos Humanos da PRF-SP, Waldiwilson dos Santos. “Vamos manter sigilo para não atrapalhar as operações.
Mesmo após constatar a situação, a conexão com outros órgãos continua falha - somente a PRF tem o levantamento, impossibilitando cruzamento de dados. Das polícias rodoviárias estaduais, apenas a de Pernambuco manifestou interesse em fazer o mapeamento.

PONTOS VULNERÁVEIS - A distribuição dos pontos vulneráveis à exploração sexual infanto-juvenil expõe conexões com as rotas dos viajantes e com bolsões de pobreza pelo País. Existem 290 áreas críticas apenas em Minas, e oito rodovias federais, incluindo as de maior tráfego - como a BR-040 e a BR-381, que ligam Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e a São Paulo, respectivamente -, estão no mapa da prostituição. Em segundo lugar no ranking por Estados vem o Rio Grande do Sul, onde a preocupação é sobretudo com os postos de combustível.
Para o promotor José Carlos Fortes, o resultado mais importante dessas ações não é “processual”.
“A publicidade sobre a ação do Ministério Público (MP) inibe a prática desse tipo de crime pelos donos dos estabelecimentos e também pelos pais.” Isso porque grande parte das crianças e adolescentes é levada para o comércio do sexo pela própria mãe que, geralmente, também foi explorada quando criança.
“A exploração sexual e a miséria também estão intimamente ligadas”, destaca o promotor. “Enquanto não combatermos a miséria, que é uma questão de longo prazo, não resolveremos a questão da exploração.” Segundo ele, os 290 pontos de vulnerabilidade levantados pela PRF coincidem com as periferias de cidades mineiras de médio porte. Já os serviços de assistência social da região metropolitana de Porto Alegre detectaram casos de prostituição de crianças de bairros pobres cortados pela BR-116.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Agência Estado

Comentando:

Em 17.12. 2006, o jornal O Povo publicou um caderno especial- disponível na internet -

DOCUMENTO BR: HISTÓRIAS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NAS RODOVIAS FEDERAIS

A série de reportagens traça uma cartografia da prostituição nas rodovias federais do Ceará e entre outras denúncias identifica os pontos de prostituição nas BR's 222, 116, 020 e na Região Metropolitana de Fortaleza. Na Br 116, os locais foram identificados pelas informações de um Relatório da Polícia Rodoviária Federal (2006).

Pontos de Exploração Sexual infanto juvenil no CEARA, ao longo da BR 116.
Fonte: relatório 2006 da Polícia Rodoviária Federal

Br-116

Aracati - 2
Fortaleza - 3
Eusébio - 2
Itaitinga - 1
Horizonte - 1
Pacajus - 1
Morada Nova - 1
Russas - 3
Tabuleiro - 1
Jaguaribe - 3
Icó - 2
Ipaumirim - 1
Barro - 1
Milagres - 1
Jati - 1
Penaforte - 1


A matéria que trata especificamente sobre Ipaumirim tem como título "A agenciadora de Alice".

Conforme observações de gente conhecida, o movimento na área de Ip continua a todo vapor. Ponto de parada de camioneiros e de quem mais passar, o entroncamento com a br 230 e ainda a tradição de casas prostituição naquela área favorece este tipo de comércio. Taí uma boa pauta para uma matéria interessante atualizando a situação na área.

ML

"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo,
que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente"

Claude Lévi-Strauss
(28/11/1908--03/11/2009)

Pesado fardo tucano: Um réquiem para FHC


O texto do ex-presidente tucano, publicado em vários jornais no domingo, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre as políticas de seu governo e as do governo Lula: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. O texto é de Gilson Caroni Filho.


Gilson Caroni Filho

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.

O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.

Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“"príncipe dos sociólogos" é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.

Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“"Marcha da Família com Deus, pela liberdade" não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.

Quando escreve que "é possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública", seu objetivo é tão claro como raso.

É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos "quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública" no período que vai de 1994 a 2002.

Criticando o que chama de "autoritarismo popular", o candidato a polemista prossegue: "Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."

A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?

O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?

Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?". Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.

Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.

O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.

NOVIDADE EM IP

NÃO DEIXE DE VISITAR

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Som do domingo

Ponto de vista

Visitando o Portal de Ipaumirim, vi duas notícias que acho que vale a pena comentar.
Antes, quero parabenizar pelo esforço de atualização e a seriedade com que estão trabalhando. O elogio não vai porque terei uma coluna no site, mas pelo trabalho cuidadoso da equipe de produção.
A primeira observação é sobre a visita do vice-governador ao município. Qual a motivação da ilustre visita? Então o vice passa na cidade e os munícipes nem sabem a que ele veio?
Não acredito que um vice venha em pic nic ou viagem de lazer a Ip. Pelo que conheço, além da festa de São Sebastião, não há eventos turísticos que justifiquem a visita. Algo o professor veio fazer e a comunidade merece ser informada. Alianças futuras talvez? Visita de cortesia, será? Algum parente pela cidade? Se veio por motivo particular, não há razões para se cobrar uma explicação. O direito de ir e vir é garantido a todos pela Constituição. Mas se veio como vice governador, deve ter vindo tratar de algum assunto de interesse da comunidade.
Observar a buraqueira das estradas não deve ter sido porque, segundo a notícia, o professor afirmou que o assunto não é de sua competência. Talvez não seja mesmo. Afinal nunca se sabe as competências de um vice. Acho que é esta a razão da expressão - ”a ociosidade é a mãe de todos os vices - ” parafraseando a frase original que diz que “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”.
O certo é que esta buraqueira nas estradas não é novidade. Até desconfio que seja estratégia dos políticos refazê-las sempre em períodos de campanha eleitoral. E aí vai o resumo da ópera: bota uma terrinha , remexe pra lá e pra cá, um pouco de piche, paga bem as empreiteiras que vão fazer o serviço e, de repente, reinaugura a fantasia rodoviária em algum comício. Dá pra agüentar até o fim do processo eleitoral e o começo do inverno no ano seguinte se a chuva for pouca. Para um município improdutivo isso já é o máximo. Como não tem produção para escoar vai apenas servir para corredor de eleitor. É cruel mas alguém pode provar o contrário?
Quem vive de favores, tem que se contentar com o que vem e o que vem é sempre a sobra da politicagem que não chega na hora certa e nem resolve os problemas.
E mesmo que o vice tenha vindo de carro, o único problema é o desconforto da viagem. É até saudável que os políticos, vez por outra, desçam do Olimpo para ver como é a vida normal. Quanto ao desgaste do carro, não é problema. Quem vai pagar a manutenção é você.
Cemitério Santa Terezinha
(Foto do blog de Cleidinha)

A outra notícia que quero comentar rapidinho é sobre os cemitérios de Ip que já não apresentam condições de abrigar mais gente. O velho - Santa Terezinha - é um horror. Parece um cortiço. Cada um foi abrindo covas e construindo túmulos onde queria. Não há corredores delimitados, não tem circulação definida, não sei como a saúde pública deixa funcionar normalmente. A última vez que estive lá foi quando meu pai faleceu. Fiquei impressionada com a desorganização. O correto seria preservar o que já está feito e desativá-lo durante muitos anos ou talvez para sempre.
Quanto ao mais novo, eu seria injusta se fizesse um comentário tão cáustico porque faz muitos anos que estive lá. Faço observações porque tenho escutado comentários que ele também já não é suficiente e começou o processo de desorganização espacial por superlotação.
Acredito que os nossos mortos merecem melhor destino. Quem sabe a comunidade se organiza e propõe novas alternativas ao poder público. Depois de Odorico Paraguassu, creio que nenhum prefeito quer associar sua imagem à construção de um cemitério. Mas os prefeitos passam e as lembranças dos nossos entes queridos ficam. É justo e necessário que lhes ofereçamos um espaço decente onde as visitas possam ter um mínimo de tranqüilidade e conforto.
ML

Domingo Memorioso: Um tiro pelas costas

Estamos no dia 4 de fevereiro de 1933, sábado, uma semana antes de ele completar 33 anos de idade. E o dia da feira semanal em Cajazeiras, dia de abastecer a grande família do Melão, de encontrar amigos, fazer acertos, fechar negócios. Apesar das primeiras chuvas, já às oito ou nove horas da manhã o calor parece nascer das entranhas da terra.
Zé Matias toma uma xícara de café, sapateando no corredor, as rosetas das esporas respondendo em estribilho metálico. Pega a sela e os arreios. No pátio, estão dois burros: um, de carga, o outro, de montaria. Achega-se aos animais, faz uns agrados a um deles e lhe atira a sela.qua puxa a ponta da correia para apertar a Cia, o gesto fica incompleto. Um estampido atravessa o silêncio. Para não cair, ele se agarra ao burro de carga, sangrando muito, à altura do estômago. De dentro de casa acorre Neném, a mulher. Os filhos Jamil, Jaldenira e Jocival nada entendem do que se passa.
- Acertaram-me pelas costas, eu não quis acreditar.
Romeu Cruz, o amigo inseparável, viu de onde partiram os disparos. De arma em punho, pula o mesmo lance de cerca atrás do qual se escondeu o atirador. A neblina da madrugada deixa vivos os rastros da alpercata de rabicho. Eles levam à primeira porta-d’água, são interrompidos, continuam até a segunda porta-d´água, e depois tomam a ladeira que sobe a serra, inegáveis, até o terreiro da casa de João dos Santos. Incrível! Foi João dos Santos quem em Zé Matias! Bem que Alzira lhe tinha avisado.
- Não, João dos Santos, não. João dos Santos é meu amigo.
Quantas vezes o criminoso já houvera se abastecido nos paióis de sua vítima? Lá dentro de casa, pendurado na parede como prova de amizade, está ainda estendido o couro de onça que Zé Matias lhe comprara. Na casa de João dos Santos, uma rede deve estar ainda impregnada do suor do amigo. Muitas vezes, por ali passando, Zé Matias achegava-se ao alpendre para puxar conversa. Convidavam-no para a sesta, ele aceitava. Ao deitar-se, desfazia-se da cartucheira e do revólver, que punha invariavelmente no chão, ao lado dos chinelos.
Mas o que adianta procurar saber a essas horas quem atirou nele? Tanto mais que não pode haver dúvida: trata-se de um crime de encomenda.
Às pressas, Madrinha Neném traz uma rede. O marido já está desfalecnedo. Será preciso levá-lo até o Olho d’Água. Daí para Cajazeiras talvez se consiga um carro, talvez a boléia de um caminhão. Os pingos de sangue vão deixando marca pelo caminho. No Melão todos sabem que só um milagre salvará Zé Matias. (Alzira lhe tinha dado os detalhes: seria um tiro só, de atravessar de um lado para o outro. João dos Santos Gabava-se de ser com na pontaria e não gastar bala sem necessidade. A bala estaria envenenada). Os filhos do meu irmão e os outros por quem zelava, as viúvas a quem assistia, os amigos que não podem acompanhá-lo só agora abre o peito no pranto e no soluço. Uma rede pelo sertão, pano branco se encardindo de sangue, leva Zé Matias para sempre.
Outra vez o mundo desaba.
Em Cajazeiras, eu ver o meu irmão, meu segundo pai, quando ele já estava estendido numa esteira, na casa que ainda hoje existe, a penúltima à esquerda de quem sobe da Rua de Santo Antonio para a Rua Dr. Coelho. Era onde morava então o avô Zeco Rolim. A cidade não tinha médico para atender o ferido, ou nós não tínhamos recursos à Mao para trazer o doutor a tempo de salvar uma vida para nós tão preciosa. Esvaindo-se em sangue, o “outro homem do Melão” entrega a alma a Deus, naquela mesma tarde. A rede que o trouxera voltaria vazia. Zé Matias foi enterrado no Olho d’Água, numa cova como a de meu pai: sem qualquer marca.
Até hoje, é por demais doloroso para todos nós reconstituirmos aqueles dias de abismo em que fomos mergulhados. Como explicar que um homem tão bom, tão querido, tão alegre, tão servidor, e que todos sabem não contar nem mais na longínqua lembrança com um único inimigo – como explicar, ou entender, tenha sido morto a traição, por alguém que se dizia amigo?
João dos Santos ainda hoje está vivo, a caminho dos seus 90 anos. É dele exclusivamente a palavra final sobre o assunto, palavra que ele vai levar para o túmulo, já que na Justiça o caso não chegou a qualquer elucidação. A nós, com o nosso pranto de saudade por Zé Matias, restam-nos apenas conjecturas mais ou menos articuladas, sobre, afinal, teria contratado aquele braço alugado para o crime.
É uma longa história que recua no começo de 1927. Os muitos minifúndios em que se dividem as terras do sertão são sempre cheios de questiúnculas entre vizinho. Cercas que andam, porteiras abertas, animais em plantação alheia, são problemas que, dada a dureza da luta pela sobrivência, se amplificam até o exagero e, somando-se ao notório machismo de nordestino, chegam às vezes a dizimar famílias e tornar homens fortes em jagunços.
Nos sovados da Serra da Areia, do lado sul do Melão, num esconderijo de uma só entrada e uma só saída, aonde só vai quem tem negócio, amoitam-se os Ribeiro, famosos pela sede de sangue. Na redondeza se diz que, não encontrando em quem aplacar esta sede de sangue, eles se exercitam matando-se entre si.
Por mais ridículo que isso pareça, é na morte de uma cadela vira-lata, acontecida em 1927, que, para muitos na família Matias Rolim, se situa a vertente remota quando vai terminar no assassinato de Zé Matias, seis anos à frente. Apenas para sentir o gosto de ver pra que lado vai cair o pobre animal, Cícero Ribeiro, chefe do clã de bandoleiros, passando ao largo da estrada, atira na cadela de um tal Filinto, morador de Zé Mariquinha, (figura respeitada como descobridor de bons lugares para a abertura de cacimbões).
A malvadez praticada contra o bicho bruto ainda mais assanha em revolta os moradores de Zé Mariquinha, pois se soma à morte de Raimundo Alcino senão por uns poucos dias à cadeia.
- Vamos ver quantas vezes esses Ribeiro vão passar aqui nessa estrada.
A jura é de Filinto, o dono da cadela, que se acompanha do irmão Douca. Ambos tratam lgo de combinar com os moradores de Felizardo, patrão de Raimundo Alcino, que os dias contados. A empreitada, porém, exige o concurso de outras pessoas. Cícero Ribeiro é perigoso demais, e ainda tem os filhos de quebra. Por que não convidar, ali na propriedade dos Matias, o velho Teodoro, e Pedro, Júlio e Manuel, os filhos dele, sujeitos bons de gatilho?
Além do mais, Teodoro tem também desavenças em paiol contra os Ribeiro. Vem em boa hora a proposta. Ele pede armas a Zé Matias. Afinal, naqueles tempos não se compreende que um dono de terras não deva armar o seu pessoal.
- Não. Nós fomos e queremos ser gente de paz. Nossa melhor arma é o bom entendimento com todos.
Mas Teodoro insiste. Ao menos um rifle, para não perder a viagem. Zé Matias hesita, mas cede. Ele não carregar na consciência, depois, o peso de fraquejar diante da obrigação de proteger um grupo de órfãos e viúvas. E, ora, esse maus vizinhos são tão perversos, na verdade, que a família Matias Rolim, falecido o Mestre Matias, não quer nem tomar conhecimento das terra que perdeu para eles, na Serra da Areia, pois é simplesmente impossível impedir que eles matem animais, queimem estacas de miolo, avancem cercas, façam o diabo.
Nove homens de madrugada, armados de tocaia, esperam que os inimigos despertem para a saraivada derradeira. O dia clareia. A fuzilaria começa. A fumaça e o cheiro de pólvora sobem no ar. No tiroteio, o filho Pedro Ribeiro, pistoleiro experimentado, joga uma almofada pela janela, como disfarce, o que lhe dá tempo de correr em disparada até o mato. Ele salvou-se. No chão, mortos, ficam Cícero Ribeiro e o outro filho, Leopoldo.
O tumulto é tamanho que, como resultado, provoca, de imediato, a mudança de Felizardo para Alagoinha (hoje Ipaumirim), e, depois, para Cajazeiras, onde virá a falecer em 1933.
Quanto a Zé Mariquinha, em cuja propriedade foi tramado o plano final para a eliminação dos dois Ribeiro, permanece em paz, devidadamente “deixado de lado” por seus moradores e compadres Filinto e Douca.
Sobra a Zé Matias a pior sorte. De lgo, tem que responder a um processo judicial, do qual só irá livrar-se no final do ano de 1932, em meio à seca que lhe consome as últimas reservas. Justamente a ele que nunca teve contas a ajustar com ninguém, cabe a acusação de ter fornecido armas aos atiradores.
Entram em cena, agora, um cidadão chamado Pedro Alexandre, uma moça chama Alzira, com fama de bonita e desejada, e um mercenário do crime, João dos Santos. É possível que os fatos mais recentes, da segunda metade de 1932, não tenham nenhuma relação com os eventos de 1927. é possível, mas em nossa família pouco se acredita não haja uma íntima conexão entre ambos. A razão? Ora, João dos Santos é sobrinho e genro de Cícero Ribeiro e ano só é portador dos meus cromossomos de perversão humana, como também carrega iguais sentimentos de perversidade e vingança
Ninguém jamais do que esse velho Pedro Alexandre sabe disso. O seu trabalho é comprar algodão a roceiros e meeiros nos arredores e repassar o produto a Zé Matias. Tem razões de sobra, portanto, para morrer de ciúmes de sua amásia Alzira, quando sabe que, a pedido dela, Zé Matias lhe comprara uma máquina de costura, para depois receber em algodão.
O fato de sido Pedro Alexandre, por ciúme besta, o mandante do crime de João dos Santos é depois confirmado pela própria Alzira. Para não deixar margem à dúvida, ela mesma advertiu Zé Matias que se cuidasse das más intenções de quem dizia seu amigo. E, mais tarde, já grávida e entojando do amante, revelará tudo a quem quiser se dar ao trabalho de ouvir-lhe os pormenores, João dos Santos, contratado, já havia comprado uma boina para disfarçar-se e estava só esperando o mato enfolhar, para encontrar melhor moita para se esconder-se.
Lamentavelmente, chamada a depor no inquérito, já reconciliada com o seu protetor, aquela mulher negará tudo. O processo criminal não irá progredir senão em novo acerto de contas que se dará no ano seguinte.
Do livro Do Miolo do Sertão
A História de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte
. pag. 29 a 33

sábado, 31 de outubro de 2009

Album da semana

Yasmin Gonçalves

Hugo Victor e família (segunda)

Jucemília Pontes e colega

Gisele Souza

Shirley, Tata Josué, Edilane e Rosineide


Socorro de Onélia, Naylê, Anisa de Lóia, Concita,
Vania Maria, Lora, Fatima Lemos e Vanilda .
Na estréia de uma peça teatral de Jocecy Almeida,
no Clube Recreativo de Ipaumirim


Sandra (de Maria da Paz), Leoton Nery, Valdelice,
Marcos de Antonio Pessoa, Lora, e Fatima Lemos

Chico de Áurea (Picica)

Maria do Carmo Moura, irmã de Divanês, Rita de Cássia, Fátima Lemos,
Dorinha Arruda, Rosamaria, Geysa, Maria Zilma,
Idália de Pedro Lacerda.
Adultos: Jacques Milfont, Jarismar Gonçalves,
Padim Bebê, Alexandre Gonçalves.
De costas: Norma Suely.
Os demais não consegui identificar.

Zefa e Vanda Luna

Paulo de Dino e Eugênia

Peinha e Deiva


Franklin, Magno, Valdenezia de Cafita, Ciomar, Ribeirinho, Danielle,
Toinho de Nenem Baraúna (in memorian), Josicleia, Lucimeire Gonçalves,
Maurão, Lucidia Moreira, Luciene Alves, Vânia Mara,
Geraldinha de Luiz Braz, Maria Josué, Eduardo,
Tata Josué, Zefinha Pereira, Lucidia Germano e Valdir (in memorian).

Vania Maria, Marisa, Valdelice, Jô, Concita, Zé Lúcio e Loira.
(Banco do Brasil, atual Prefeitura Municipal de Ipaumirim
Coroação em Ip - 1947
Eu Marinete Ribeiro estou na foto da coroação de nossa Senhora ,fiquei muito emocionada quando vi,sou o terceiro o anjinho da esquerda pra direita, Que bom! Muito obrigada.
Aniversário de Avani Oliveira

Desfile em Ip
7 de setembro de 1965
Lora, Julia, Vania Maria e Ana Lúcia
Hoje, tem fotos do orkut de Luiz Antonio, Vania Maria, Aldenir, Maria Josué, João de Avani, Marlúcia Estolano, Jucemília, Gisele, Ip fest etc... etc... etc..