domingo, 15 de agosto de 2010

Quase negro, quase branco


Durante esta semana,estarei muito ocupada resolvendo problemas inadiáveis. Aproveito para trazer ao blog um especial do Jornal do Commercio, de Recife. A reportagem é longa e portanto trarei em capítulos. Nos intervalos, eu posso publicar outras coisas mas o foco da semana será a reprodução deste especial.
ML




É tão perigoso quanto delicado falar sobre raça no País dos miscigenados. Afinal, quem são os “claros” e os “escuros” em uma sociedade onde a cor da pele é antes de tudo uma construção? Onde, entre 2007 e 2008, sumiram das estatísticas nada menos que 1 milhão de negros e 450 mil brancos (que deram lugar a 3,2 milhões de autodeclarados pardos)? Neste projeto duplo realizado para marcar os cem anos da morte do abolicionista Joaquim Nabuco, o Jornal do Commercio mostra como negros que vivem em condições favoráveis simplesmente “embranquecem” socialmente, enquanto brancos que vivenciam a pobreza, ao contrário, “escurecem”. O preconceito racial, no entanto, ainda é percebido mesmo entre os pretos mais ricos – por isso, quase brancos – enquanto os de pele clara contam apenas com a brancura como um bem de prestígio. São quase negros. Aqui, a história de dez personagens mostra como esse fenomeno acontece no dia a dia.


A COR DE UM PAÍS


Eu sou preta, mas bela, filhos de Jerusalém; como as tendas de couro escuro, como os cortinados suntuosos. Não vos incomodeis se sou morena, se o sol me tisnou. Meus irmãos curtiram a minha pele; puseram-me a guardar as vinhas, e a minha própria vinha não guardei.” São versos bíblicos do Cântico dos Cânticos, a mais bela canção de Salomão. Mas, seria possível que tanto tempo antes do cristianismo, quando o povo de Deus buscava seus próprios caminhos, já houvesse distinção racial e se questionasse a cor do ser vivente? A pela escura tisnada pelo sol? Nós já temos cinco séculos de história – é um período curto no caminhar da humanidade. Mas, nestes 500 anos, em mais de 400 deles misturamos de tal forma nosso sangue, suor e sentimentos que há muito não sabemos se nosso povo é quase branco ou quase preto, posto que já não é mais preto nem é branco. Ele é apenas igual, compartilhando a ventura e as desesperanças.

Este é o tema que do projeto especial duplo que hoje estamos entregando aos leitores do Jornal do Commercio. Foi pensado para marcar os cem anos da morte de Joaquim Nabuco: o primeiro caderno traz a questão racial discutida entre negros e brancos, enquanto o suplemento Um pé no salão, outro na senzala traz o legado histórico, cultural, político e sociológico do abolicionista, o grande estadista do Império que nasceu na manhã de um dia 19 de agosto, ainda na primeira metade do século 19.

Os textos destes dois cadernos-irmãos são de Fabiana Moraes, nossa premiada repórter que coloca no seu currículo dois Prêmios Esso de Jornalismo (um regional e outro nacional, conquistado em 2009, o maior da premiação). No primeiro, Fabiana entrevistou 10 personagens, cinco deles de pele clara, outros cinco de pele escura. Nos diálogos francos que se travaram entre entrevistados e entrevistadora, sentimos que as condições de pobreza de cada personagem branco são um fator de peso na discriminação disfarçada e consentida que ultrapassa mesmo a cor da pele. Sentimos também o que é a difícil “aceitação”, por parte da elite branca, de um ministro negro no Supremo Tribunal Federal (STF), como é o caso de Joaquim Barbosa: sua presença parece nunca ter sido totalmente absorvida pelos próprios colegas. É duro? É, sim – mas dizia Gandhi que “a verdade às vezes é dura como o diamante, às vezes é frágil, como a flor do pessegueiro”. Assim, por que são tão poucos os padres negros na Igreja Católica, aquela para quem todos são iguais perante Cristo? São iguais também na miséria muitos irmãos brancos, que nasceram e se criaram nos tantos bolsões de pobreza que circundam o universo da cidade grande. São discriminados pela condição social.

Para Fabiana, que viajou, conversou e discutiu com sociólogos, antropólogos, economistas e historiadores, que esteve nos salões atapetados do STF, mas foi também no enclave paupérrimo de um quilombo em Pernambuco, o racismo, infelizmente, “é bem mais perverso do que imaginamos”. Os negros que conseguem romper o cordão de pobreza lutam para serem aceitos no mundo dos brancos. No legado dessa miséria comum, os brancos pobres, descriminados pela condição social, tem como saldo apenas a cor da pele. Sabemos que é impossível discutir e escrever sobre um tema tão apaixonante sem evocar a figura ilustre de Joaquim Nabuco, ele mesmo um homem complexo, fruto de um tempo idem. Essa dualidade é percebida dentro do caderno em formato tabloide encartado neste Quase brancos, quase negros.

Discutimos esse pernambucano tão ilustre, cujo nome é quase sinônimo da luta pelo fim da escravidão, e que esteve ao lado da Princesa Isabel quando foi sancionada a Lei Áurea. Nabuco é visto por ângulos pouco explorados e conhecidos, quando se descobre a riqueza da sua contribuição, vital para o entendimento da sociedade contemporânea. Uma sociedade que cobra e carece de uma sistema educacional muito mais eficaz, que tem consciência da perversa concentração de renda que nos estigmatiza, que nunca teve uma política fundiária compatível com um país de 8 milhões de quilômetros quadrados. Tudo isso os dois cadernos vão mostrar.

Complemento dizendo que as belas fotos que ilustram o trabalho são de Heudes Régis, as ilustrações da autoria de Pedro Melo e o trabalho gráfico primoroso de Andréa Aguiar. Tenho certeza de que a leitura será prazerosa para todos.

Ivanildo Sampaio, diretor de redação (JC)

Sorria, você está no mundo da pele clara


Os negros deixarão de existir no Brasil daqui a menos de dois anos. O desaparecimento da cor no País está previsto para 2012. Também haverá a drástica redução de mestiços, que serão apenas 3% da população. Seremos uma enorme nação de brancos. A previsão não é nova: ela foi apresentada em 1929 pelo respeitado antropólogo Roquette-Pinto durante o Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia, no Rio. Outro intelectual de renome, João Batista Lacerda, diretor do Museu Nacional, mostrou antes esse mesmo “futuro brilhante” no Congresso Internacional das Raças, realizado em 1911. Utilizou as premissas do primeiro, seu colega e também antropólogo, que se baseou nos censos de 1872 e de 1890 para sustentar o branqueamento do Brasil. Muitos brasileiros, é claro, ficaram extremamente incomodados. Primeiro, porque Lacerda mostrou lá fora, e logo na Europa, dados que revelavam um Brasil negro demais. Segundo (e mais grave): ainda seria preciso esperar cem anos para que pudéssemos caminhar felizes entre gente como os “tipos puros e belos do Velho Mundo”, como quis o crítico Silvio Romero?

O fato é que a ciência pode decepcionar mesmo os corações e mentes mais crédulos, como perceberam os três intelectuais. (Romero foi um dos mais desiludidos ao ver que seu sonho de tez clara não ia acontecer.) Sofreram uma dura e simbólica prova do tempo, que os transformou em ingênuos. Ela está baseada não apenas em números, mas em todo o processo social e histórico pelos quais a Nação passou nas últimas décadas. Pela primeira vez no País, mais da metade da população se declarou afrodescendente (negra ou parda), segundo divulgou no ano passado a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad/IBGE). São 50,3% os de pele escura (43% pardos e 6,5% pretos). Não é pouco. Em 1940, 60% afirmavam que eram brancos para o mesmo instituto. Em 2006, 42,6% se dizia preta ou parda. Parece que vai deixando de ser um problema não parecer com os “belos” do Velho Mundo, uma realidade que muitos relacionam a fatores como a crescente queda na taxa de pobreza no Brasil, a entrada significativa de afrodescendentes nas escolas e universidades, a presença de pretos e pretas na publicidade, na TV, nas novelas, estes instrumentos que atuam quase pedagogicamente no País.

Há, porém, uma enorme ironia na situação: muitos dos negros que atingem locais de destaque simplesmente embranquecem – e não estamos nos referindo à cor da pele. Ao se afastarem das posições comumente atreladas aos “escuros” (o trabalho braçal, o espaço do servir) e ao se aproximarem de esferas cujo domínio é branco, tornam-se, quase, iguais. Pinto, Romero e Lacerda ficariam fascinados com o processo. Ele não é simples: são necessárias diversas e silenciosas negociações. Para participar do “mundo dos brancos”, observou o sociólogo Florestan Fernandes já nos anos 70, negros e mestiços precisam em vários momentos se submeter a um branqueamento psicológico, social e moral. As portas desse universo de pele clara não estão exatamente fechadas – para ultrapassá-las, basta a adesão a outros códigos, basta mostrar a velha e esperada cordialidade, aquilo o que o pesquisador Ronaldo Sales, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), chamou de “Complexo de Tia Anastácia”. “É a síndrome do negro que é aceito apenas enquanto fica no lugar que lhe é reservado.” Sim, estamos falando de uma integração. Mas ela, antes de tudo, é subordinada.

O contrato de adesão ao mundo dos brancos tem outros itens. Quem atinge esse posto de prestígio tem ainda a missão de servir como exemplo, é o ícone que comprova: não somos racistas. Confirma-se o Brasil cuja “democracia racial” é questionada há quase 40 anos no meio acadêmico, mas que ainda prevalece na rua, no ônibus, na escola, em casa. É só olhar: lá no Supremo Tribunal Federal (STF) não tem um ministro negro? No desfile daquela grife famosa não havia uma moreninha em meio às branquinhas? Na novela não apareceu uma Helena preta? E, para provar que não é só aqui que os negros têm vez, há aquele homem simpático e “de cor” que hoje ocupa a presidência dos EUA. Tais exemplos são utilizados continuamente para sustentar o discurso da inexistência da discriminação racial. Ao mesmo tempo – e é aí que eles são particularmente poderosos –, mostram como exceções apenas confirmam a existência de uma regra. O ineditismo dos negros no mundo dos brancos não nos faz menos discriminatórios, e sim o oposto.

De vez em quando, chega a conta cobrando a passagem pela porta dos claros. É aí que os quase brancos têm o “quase” sublinhado. Em junho deste ano, na última São Paulo Fashion Week, a modelo pernambucana Emanuela de Paula recebeu a sua. Décima primeira top mais bem paga do mundo em 2009 de acordo com a revista Forbes, ela estava em um camarim quando, revelou à imprensa, foi chamada de “macaca”. A lógica que explica o insulto é simples: você pode ser linda, milionária, pode compartilhar aquele espaço glamourizado e majoritariamente branco. Mas continua negra, e, por isso, “macaca”. O ministro Joaquim Barbosa (STF) também lidou com várias destas faturas até tomar posse no Supremo – e elas continuam a chegar ao seu gabinete. A raridade de sua presença em um alto escalão da Justiça brasileira não está livre de tensões, como demonstrou o famoso comentário da também ministra Carmen Lúcia: “Esse [Joaquim Barbosa] vai dar um salto social agora com esse julgamento”. Referia-se ao fato de o ministro ser relator, em 2007, do escândalo do mensalão, como foi chamada a “mesada” paga a deputados federais para que estes votassem a favor de projetos do Executivo. Aqui, novamente nos deparamos com um raciocínio simples: fale várias línguas, realize um doutorado na Sorbonne, prepare um respeitado relatório transformando em réus 40 importantes nomes da política nacional. Torne-se ministro, contrariando o futuro esperado para um filho de pedreiro. Todos esses feitos são louváveis, mas a sua pele negra nos informa que você ainda não atingiu o Grande Degrau Social.

Os exemplos protagonizados por Emanuela de Paula e Joaquim Barbosa revelam que o racismo entre negros de alto prestígio pode ser extremamente perverso, porque quase invisível. Porque, é claro, dirige-se logo àqueles que são observados como “felizardos”, os “bons exemplos” de uma falsamente tranquila miscigenação. Os perfis do padre Clovis Cabral, da ialorixá centenária Estelita Santana e da professora norte-americana Barbara Carter (que viveu o tempo da discriminação institucionalizada em seu país) também mostram, nas próximas páginas, como as barreiras que distinguem pretos e brancos não deixam de existir apesar da importância de seus lugares e conquistas. A classe mais alta pode fazer com que a cor negra tenha menos peso, produz o tal embranquecimento, mas ela não nivela aqueles que dividem. “Se você é bem-sucedido, termina sendo menos negro do que é. No entanto, no fim, é a cor que dá conta de tudo, do corpo e do lugar social”, diz Ronaldo Sales.

O antropólogo Ivo de Santana estudou, em Salvador, uma “elite negra” que pôde adentrar em cursos como direito, medicina, estatística, engenharia, letras, alguns deles com pós-graduação realizada fora do País. Percebeu ali os sutis mecanismos de discriminação racial que, como ele escreve, se colocam apenas àqueles que conseguem acessar locais de prestígio, e não à maioria dos que ficam de fora. A tal sutileza, porém, não é comum a todos: uma de suas informantes, que foi morar num condomínio de classe média alta, enfrentou uma série de constrangimentos racistas, que culminaram com uma carta ofensiva deixada sob sua porta. Precisou mover uma ação judicial para que a presença de sua família fosse tolerada (“tolerada”, importante frisar). Ela e os negros que aparecem perfilados neste especial se negaram a realizar, em diferentes níveis, o pacto que exigia o embranquecimento deles. Não assumiram, como tantas vezes é observado entre esta população específica, uma postura de cordialidade, o que os transforma em atores essencialmente políticos. Ao defender temas polêmicos como as cotas em universidades – e até nas passarelas – eles demonstram que, apesar de vivenciarem condições quase utópicas para a maioria dos afrodescendentes, não romperam os laços de solidariedade com os outros “de cor”, uma realidade bastante comum, segundo escreve Silvio Luiz de Almeida, advogado e vice-presidente do Instituto Cidadania Democrática (ICD/SP). “Ao adentrar as estruturas que possibilitam a 'ascensão social', o negro muitas vezes passa a servir à causa da opressão, mas sem nunca deixar de ser oprimido.”

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SERVIÇO
O negro no mundo dos brancos (Florestan Fernandes, 1972); A mobilidade social dos negros brasileiros (Rafael Guerreiro Osório. Brasília, agosto de 2004, IPEA); Uma história de branqueamento ou o negro em questão (livro organizado por Andreas Hofbauer); À margem do centro: ascensão social e processos identitários entre negros de alto escalão no serviço público – o caso de Salvador (Ivo de Santana, UFBA); O acesso à universidade e a emancipação dos afro-brasileiros (Silvio Luiz de Almeida, USP); Roquette-Pinto: uma vida dedicada ao progresso da nação (Andreas Hofbauer); Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE), 2009

Fonte: http://www2.uol.com.br/JC/sites/especial_joaquimnabuco/html/materia

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Visitando o passado para compreender o presente

Estrada em Jaguaribe
Arquivo fotográfico da biblioteca digital do IBGE


Nas minhas andanças pela net, buscando identificar as estradas entre Pernambuco/Paraíba/Ceará no início do século XX, encontrei o texto: PRIMÓRDIOS DA REDE URBANA CEARENSE, do Prof. Dr. Clovis Ramiro Jucá Neto, da Universidade Federal do Ceará - Curso de Arquitetura e Urbanismo. Dele, recortei o trecho sobre as estradas coloniais do Ceará. O trabalho na íntegra está publicado na revista Mercator - Revista de Geografia da UFC, ano 08, número 16, 2009, pp. 77-102.
Na net, vc pode encontrá-la no seguinte endereço:
http://www.mercator.ufc.br/index.php/mercator/article/viewFile/40/223
Não reproduzimos as figuras, apenas o texto. No texto original, elas ajudam bastante a visualizar os percursos. A sugestão é que se você gostou, consulte-o porque vale a pena.


AS ESTRADAS COLONIAIS DO CEARÁ
"As principais estradas dos boiadeiros foram a Estrada Velha, Estrada Geral do Jaguaribe, a Estrada Nova das Boiadas, a Estrada das Boiadas, a Estrada Camocim-Ibiapaba, a Estrada Crato Oeiras, a Estrada Crato Piancó.
No final do século XVII, a Estrada Velha ligava Recife ao Maranhão pelo litoral (STUDART FILHO,1937, p.18).
A Estrada Geral do Jaguaribe partia de Aracati, principal porto da Capitania, descia o rio Jaguaribe, passava em Russas e Icó e seguindo o rio Salgado ultrapassava a chapada do Araripe para alcançar os sertões do Pernambuco em direção à Bahia. Foi a mais importante via de circulação do Ceará no século XVIII, por onde eram levadas as mercadorias para o sertão, vindas de Aracati, provenientes das demais capitanias. Por ela também eram carregados os produtos das salinas cearenses para as regiões do rio São Francisco. Em direção ao Aracati seguia toda a produção do vale do Jaguaribe que “consistia quase unicamente em couros salgados e espichados e alguma pellica das que se trabalhavam em todo o sertão cearense” (Ibidem, p.29) e as boiadas que seriam salgadas nas oficinas de charque no litoral e transportadas em embarcações, a maioria eram sumacas, para Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Pelo rio Jaguaribe, Icó e Aracati – as duas principais vilas do Ceará no século XVIII – mantiveram um intenso comércio, inicialmente com o gado e posteriormente, no século XIX, com o algodão.
A Estrada Nova das Boiadas ligava o vale do rio Acaraú, no Ceará, e o Piauí à Paraíba, pelo Ceará.
Vindo da direção da Paraíba, passava por Pau-dos-Ferros, ultrapassava o rio Jaguaribe na altura da atual cidade de Jaguaribe, seguia pelo riacho do Sangue, cruzava o rio das Pedras, chegava ao rio Banabuiú e encontrava o rio Quixeramobim para alcançar a cidade de Quixeramobim. De lá, um ramal seguia para Crateús45, entrando no Piauí pelo rio Poti. Outro ramal partia para Sobral seguindo para o porto de Acaraú, na bacia do rio Acaraú e em direção a Granja, rumo ao porto de Camocim, na bacia do rio Coreaú. Depois de Pau-dos-Ferros, no Rio Grande do Norte, encontrava a Estrada das Boiadas, na Paraíba, e seguia para a cidade de Recife (STUDART FILHO, 1937, p.30).
A Estrada das Boiadas vinha do médio Parnaíba em direção a Oeiras e a atual Valença, ambas no Piauí; passava por Tauá, seguia o rio Jaguaribe até Icó, quando, alcançando a Paraíba, seguia por Souza, Pombal, Patos, Campina Grande, Ingá, Mogeiro e Itabaiana. De Itabaiana partia ou em direção a João Pessoa via Pilar e Santa Rita, ou em direção ao porto de Recife e Olinda, cruzando Pedra do Fogo,Itambé e por fim Goiana e Igarassu, em Pernambuco. De Tauá, podia-se alcançar a Estrada Nova das
Boiadas. Pela Estrada da Boiadas eram abastecidos tanto os matadouros e as oficinas de charque do litoral, seguindo pela Estrada Geral em direção ao Aracati, como as feiras de gado em Campina Grande, Itabaiana, Pedra do Fogo e Itambé, na Paraíba, e Goiana e Igarassu, em Pernambuco. Dela também se serviam os fazendeiros do sertão para refazer seus gados, nas pastagens do rio Parnaíba, após as longas estiagens (STUDART FILHO, 1937, p.31).
A Estrada Camocim-Ibiapaba ligava Viçosa do Ceará, na serra da Ibiapada, a Granja e ao porto de Camocim pela bacia do Coreaú. Quixeramobim interligava-se, ainda, com os sertões da atual Santa Quitéria pela Estrada da Caiçara. Do Crato, partia-se tanto para Oeiras – Estrada Crato-Oeiras - via Campos Sales e Picos pelos vales férteis do Araripe, como para Piancó – Estrada Crato-Piancó - alcançando Patos, na Estrada das Boiadas, já na Paraíba (STUDART FILHO, 1937, p.35-39).
Até os primeiros anos do século XIX, com exceção de Aquiraz (1713) e Fortaleza (1726), localizadas no litoral, as demais vilas de branco fundadas no território cearense localizavam-se em pontos estratégicos para a circulação do gado nas estradas das boiadas (figura 77). Tratamos de Icó (1736), Aracati (1748), Sobral (1773), Granja (1776), Quixeramobim (1789), Russas (1801) e Tauá (1802). Aracati localizava-se na foz do rio Jaguaribe, para onde seguia a Estrada Geral do Jaguaribe.
Quixeramobim localizava-se no cruzamento das estradas que vinham de Granja, Sobral, Crateús, de Santa Quitéria e da Paraíba. Sobral ligava o sertão central com o litoral noroeste da Capitania. De Tauá, podia-se seguir tanto para Oeiras, no Piauí, passando por Crateús, como para Icó. Russas estava na estrada geral do Jaguaribe e Icó. Situada no cruzamento desta com a Estrada Nova das Boiadas, comunicava-se diretamente com o Piauí, com a Paraíba e com Aracati, no litoral cearense.
A vila do Aracati foi o principal porto do Ceará durante o século XVIII. Em seu espaço, localizavamse as principais oficinas de charque do período. Antes mesmo da elevação à condição de vila, comercializavase de “vinte a vinte cinco mil bois” para a produção de carne seca. Na segunda metade do século XVIII, no espaço da vila podia ser encontrado tanto o animal vivo como a carne salgada e ainda “couro de bois salgados, vaquetas, couro de cabra e pelicas brancas”. Anualmente, saíam do porto de Santa Cruz do Aracati cerca de 25 a 30.000 couros salgados, 50 a 60.000 meios de sola e “vaquetas”, 30 a 35.000 couros de cabra e 2 a 3.000 pelicas (ALMEIDA, 1887, p.85).
Icó foi o mais importante ponto de escoamento, no sertão, da produção cearense. Para a vila seguiam boiadas de todas as estradas e partiam outras tanto para o Aracati como para as feiras da Paraíba e de Pernambuco. Os fazendeiros localizados nas proximidades do Icó possuíam uma vantagem sobre os demais da Capitania do Ceará por estarem próximos das feiras de Pernambuco e da Paraíba. “Essa concorrência interna tornava-se particularmente incômoda para os habitantes do médio e baixo Jaguaribe que também tinham na pecuária os seus meios de vida, pois, de outro modo não lhes seria possível efetivar a posse das vastas sesmarias e delas obter o sustento” (NOBRE, 1977, p.42). Quixeramobim, a meio caminho da Estrada Nova das Boiadas, “com suas ricas pastagens, era o único ponto onde as reses derreadas pela canícula e pela fome podiam refazer-se na longa travessia” (STUDART FILHO, 1937, p.33). Granja localizava-se na bacia do Acaraú, a segunda mais importante do território, próximo ao porto de Camocim. Sobral garantia o contato entre o sertão e o porto do Acaraú, através de Granja (GIRÃO, 2000, p.179)."

Utilidade Pública


Vi no blog de Luis Nassif http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/providencias-contra-o-engasgamento#more(

Providências contra o engasgamento

Alguns problemas que acontecem com boa parte da população poderiam ser resolvidos de forma rápida, mas acabam de maneira trágica por simples desconhecimento dos cidadãos. Esse é o caso de um engasgamento com objetos, por exemplo. A pessoa coloca um alimento grande ou alguma bala na boca e, de repente, aquilo a engasga de forma que a passagem de ar fica obstruída e ela não consegue respirar.


Aqueles segundos sem conseguir aspirar para quem está engasgado são desesperadores. E, naturalmente, ele coloca as mãos no pescoço com o olhar desesperado pedindo ajuda. A pessoa não consegue falar, logicamente, porque está engasgada. Para quem olha, a cena também não é nada agradável. Mas enquanto as pessoas ao lado não tomam nenhuma atitude, o engasgado continua desesperado sem conseguir respirar.

É nesta hora que o conhecimento, a informação, faz muita diferença. Uma simples atitude pode resolver o problema. Ao invés de sair correndo, gritando para alguém ou ligar para o bombeiro, quem presenciar uma cena de engasgamento deve manter a calma e se prontificar a ajudar. Com um procedimento simples chamado "Manobra de Heimnlich" é possível resolver o problema. Veja como é simples, neste vídeo. Apesar de ser em espanhol (não achei nada em português que fosse tão claro e explicativo como esse). Aprenda e repasse a informação, pois ela pode ser a sua salvação ou de sua família. Em caso de bebês, o procedimento é outro, conforme mostra o vídeo mais abaixo.


Acho que o video deve ser este mas há outros no you tube


Alguém lembra?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O apedrejamento e outras formas de suplícios letais


A lapidação no Irã, bem como outras penas de morte terríveis de outros países, é algo brutal, bem como as demais execuções oficiais e oficiosas obtidas pelos meios ‘limpos’ do mundo atual. O caso iraniano não deveria causar espanto especial, em um mundo repleto de violências de todo o tipo.

Luís Carlos Lopes

Deve ter causado espanto aos menos informados, a persistência da pena de morte por apedrejamento no Irã contemporâneo. As grandes mídias, para variar, trataram do problema com elevado nível de espetacularização, sem qualquer preocupação em esclarecer. A lapidação, tal como é conhecida, aparece nos Evangelhos, no episódio do encontro de Jesus com Maria Madalena. Trata-se de um modo muito antigo de executar pessoas, acusadas de crimes que pretensamente feririam a moral pública e privada. Destaca-se, como um dos mais cruéis meios, ainda existentes, de matar para organizar a sociedade ou para vingar a moral estabelecida. A crucificação, desde bem antes de se transformar em um símbolo religioso, foi a principal forma de execução usada pelos romanos em séculos de história. A fogueira, como modo de eliminar os acreditados como inimigos da Igreja, tem uma longa história de terror.

A moral coletiva é formada por um conjunto de normas acreditadas como naturais, mas, de fato, profundamente artificiais. Estas desenham a ordem estabelecida. Seguem o que determina o poder de cada época. Desde tempos imemoriais, estas normas foram usadas para disciplinar o tecido social e fazer com que os membros de uma mesma comunidade aceitem seus destinos sem objetar nada ou discordar das verdades estabelecidas pelos poderosos do momento. Trata-se da aceitação consensual obtida pela força e pelo exemplo. Alguns são executados para que os demais percebam o risco e não transgridam o que é considerado ou imposto como o certo.

Desde a Antiguidade, as sociedades humanas deixaram para o Estado a tarefa de discipliná-las, normalizando o convívio social através de leis e aplicando punições, se necessário. Se o Estado deixa de funcionar ou o faz em desacordo com as crenças sociais hegemônicas ou minoritárias, está aberto o caminho para justiça pelas próprias mãos. O linchamento é um exemplo de justiça arcaica, radical e punitiva ao extremo do fim da vida. Tende a ser praticado à margem do funcionamento estatal. Em casos especiais, o Estado o estimula e o aceita como natural. A lapidação é uma espécie de linchamento oficial. Existem situações mais recentes que este tipo de justiça foi e pode ser praticado ao arrepio da lei, lembrando os velhos padrões de violência social homicida do passado.

Com a modernidade urbano-industrial a pena de morte evoluiu, sob o pretexto de civilizá-la e torná-la mais palatável. Na França, a velha guilhotina saiu da praça pública foi para o pátio das prisões, até que François Mitterand, em meados dos anos oitenta, abolisse a pena de morte em todo território francês. Permanecem sendo usados em inúmeros países: o fuzilamento, herdado da tradição militar; o enforcamento etc. A injeção letal e a câmara de gás são coisas dos EUA. O uso do gás para matar ficou famoso durante a Segunda Guerra, como forma de eliminar civis e militares presos nos campos de concentração nazistas.

A primeira experiência do uso do gás na Alemanha de Hitler (1933-1945) foi feita contra os próprios alemães. Dezenas de milhares de deficientes físicos e mentais foram eliminados por meio desse recurso, entre 1939 e 1941. Um deles era o irmão do atual Papa. O Programa T4, tal como foi denominado pelos nazistas, consistiu no balão de ensaio para eliminação sistemática de prisioneiros políticos locais, soldados inimigos, milhões de judeus, ciganos, civis tomados como reféns, dentre muitos outros. Conformava-se, como antes não se conhecia, a prática de genocídio, tão banalizada em inúmeros conflitos do pós-guerra.

A pena de morte atualmente mais usada no mundo é a execução extrajudicial, esta é bem conhecida dos brasileiros, existindo em inúmeros países. Os índices do Brasil de pessoas executadas, sem julgamento oficial, pelas polícias e por delinqüentes são, quantitativamente, muito expressivos. Com exceção dos países que vivem guerras civis ou contra o narcotráfico, será difícil encontrar os mesmos números em outros lugares. Por aqui, mata-se todo dia, deliberadamente ou por ‘acidente’ de serviço. Alguns corpos podem ser enterrados por suas famílias, outros desaparecem da face da Terra. Já haveria no país a profissão em ascensão de carrascos especializados não só em matar, como em fazer sumir os vestígios dos que foram vivos. Tem-se a triste memória que jamais deverá calar dos 144 mortos insepultos da ditadura.

A lapidação no Irã, bem como outras penas de morte terríveis de outros países, é algo brutal, bem como as demais execuções oficiais e oficiosas obtidas pelos meios ‘limpos’ do mundo atual. O caso iraniano não deveria causar espanto especial, em um mundo repleto de violências de todo o tipo. É difícil dizer que este atentado aos direitos humanos, existente no Irã, seja algo isolado. Em outras culturas, existem casos, talvez aparentemente menos bárbaros, mas igualmente cruéis. Está correto combater a lapidação como a pena de morte em geral e clamar pela erradicação de todas as formas de execução. Falar em direitos humanos é defender a mesma plataforma básica para todas as culturas e nações. O relativismo cultural, sempre invocado pelos conservadores, serve para defender ordens sociopolíticas contrárias ao bem-estar das maiorias. De outro mirante, a islamofobia contemporânea tende a dar excessivo valor aos problemas dos países muçulmanos e diminuir a importância da barbárie quando é praticada por não seguidores de Alá.

No Brasil, a pena de morte legal desapareceu há mais de cem anos. Foi fartamente usada na época colonial e no Império. Colonos brancos de várias cepas e escravos indígenas e de origem africana foram vitimados por penas aplicadas sem dó e nem piedade. As idéias do exemplo e da vingança ficaram tragicamente registradas nas páginas da história do Brasil. Desde a República Velha, ela já não mais aparece em nossos diplomas legais. Isto não impediu que continuasse a ser usada, como antes. Agora, tudo é feito com o cuidado de escondê-la ou disfarçá-la, quando praticada pelo Estado. Ninguém mais é formalmente condenado à morte por qualquer meio. Todavia, é muita hipocrisia deixar de lembrar que o procedimento continua vivo, como nunca. Infelizmente, um dos vícios da cultura brasileira é o de negar o óbvio e de postergar ad infinitum a solução de antigos problemas.

O espelho da barbárie existente nos países muçulmanos deveria ser usado para se discutir os motivos da persistência histórica de antigos costumes lá, como em todo o planeta Terra. Deveria, igualmente, servir para se atacar e tentar erradicar todo e qualquer tipo de tratamento desumano e degradante, praticado em qualquer quadrante do mundo atual. Facilmente, se podem levantar transgressões aos direitos humanos cometidas pelos países mais ricos e pelas culturas mais letradas. A barbárie não é privilégio de nenhuma etnia ou religião, a não ser que se aceitem os critérios racistas. A questão dos direitos humanos não deve ser compreendida como algo válido somente para as culturas que os propuseram. Ao levantar esta bandeira, nenhuma formação histórica nacional está livre de ser examinada em suas mazelas. O resto é hipocrisia pura, esta, moeda corrente no mundo contemporâneo.

Luís Carlos Lopes é professor e escritor.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4736&alterarHomeAtual=1

Cuidado com as crianças!



Vi no blog de quinta.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Alma feminina


As unhas e suas cutículas


Deus fez a mulher e o homem. E depois fez a cutícula e a mania da mulher em retirar qualquer indício dela nas unhas. E você consegue marcar o último horário na manicure no sábado pra cumprir esse terrível e tedioso ritual de fazer a unha. Do pé e da mão.

A manicure reclama que você não faz há muito tempo. Sua cutícula está grudada. Ainda bem! Imagina uma cutícula solta, provavelmente isso seria um problema.

- Qual cor você vai querer?

Essa é a parte mais difícil. Afinal, uma cor feia (ou que caia mal para o seu estado de espírito) pode deixar você ainda mais nervosa do que um monte de cutícula grudada.

Você decide usar o mesmo esmalte que uma senhora sentada ao seu lado. Mas o esmalte é da outra manicure. Que faz uma cara de poucos amigos quando tem que emprestar seu esmalte "francês".

E o que se segue a seguir é um dos piores pesadelos na vida da mulher.

Começa uma tempestade. Você sai do salão correndo. Borra a unha número um. Você se abriga no shopping. Borra a unha número 2. Você decide entrar na farmácia pra comprar um esmalte. E quando chega em casa, depois de gastar uma fortuna, até a chuva passar, já conseguiu borrar 5 unhas. O esmalte "francês" não secou. Ou foi praga da manicure alheia.

E quando você decide consertar, óbvio que fica pior. Dai você se lembra porque vai até o salão fazer a unha de vez em quando. Seu pretê não entende sua crise: "Tá ótimo, nem dá pra ver que tá borrado".

E você decide tirar todo o esmalte.

Malditas cutículas.


:: Escrito por raq affonso
Fonte:http://02neuronio.blog.uol.com.br/amoca/

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Bombando na net


Fonte: http://www.naosalvo.com.br/vc/nao-salvo-entrevista-lucas-celebridade/

Tá reclamando de que?

Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Da Roseanne Sarney? Dos politicos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso?

Brasileiro reclama De Quê?
O Brasileiro é assim:

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. - Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. - Pára em filas duplas, triplas em frente às escolas.
8. - Viola a lei do silêncio.
9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
13. - Faz "gato" de luz, de água e de tv a cabo.
14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
21. - Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
26. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
31- Joga lixo na rua e depois reclama das canaletas entupidas, das ruas alagadas.
E quer que os políticos sejam honestos???...
Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas???...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."



Fonte: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/ta-reclamando-de-que-li-por

5 melhores sites de compras coletivas do Brasil

Depois de conhecer o Peixe Urbano, resolvi buscar mais informações sobre sites de compras coletivas no Brasil e descobri que já existem várias outras iniciativas do tipo, muito embora boa parte delas atue apenas no estado de São Paulo.

Compra coletiva é um fenômeno que tem crescido assustadoramente aqui no país. Com o potencial de oferecer produtos para milhares de clientes potenciais a um excelente preço, aliado a uma grande exposição da marca ofertada, os sites de compra coletiva conseguem agradar a gregos e troianos: produtos muito baratos para os consumidores e divulgação dos produtos para milhares de consumidores também a preços bem atraentes.

Como todos possuem cadastros gratuitos e não é necessário pagar nenhuma mensalidade para estar associado ao site, a sugestão é se cadastrar em todos eles e conferir periodicamente as ofertas diretamente pelo e-mail. Caso alguma interesse, basta entrar no site e efetuar a compra com um ótimo desconto (sempre, no mínimo, 50%).

Após visitar dezenas de sites do gênero, fiz uma lista dos 5 melhores sites de compras coletivas em atividade no Brasil. Utilizei como critério a atuação em diversas cidades e o valor da recompensa. Confiram!

Peixe Urbano: Pioneiro no Brasil, atua em diversas cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, entre outras. Você recebe R$ 10,00 de crédito por cada pessoa que você recomendar e efetuar uma compra.
ClubeUrbano: Atua em diversas cidades e tem uma grande vantagem: paga R$ 12,00 para cada pessoa que se cadastrar através de seu convite e fizer uma compra.
CityBest: Já está em várias cidades do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, e também credita 10 reais na sua conta caso uma pessoa recomendada efetue uma compra. Para conhecer e se cadastrar, clique AQUI.
ClickOn: Também atua em diversas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Salvador, e tem previsão de chegar nas maiores cidades do país até o final do ano.
Imperdível: Atua em várias cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Entretanto não oferece recompensa por recomendações.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

NÃO ADIANTA SÓ PENSAR

A educação, não é de hoje é pauta secundária na mesa dos governantes. Eles pensam e de tanto pensar acabam por fazer disso vício comum, característico daqueles que escolhemos para nos representar. Os grandes pensadores da atualidade não merecem lugar na história, como Rousseau, Montesquieu, Voltaire. Esses pensavam em prol da mudança de mentalidade, e através dela esperavam modificar o mundo. Os atuais pensam a cada dois anos e sempre visando à modificação, pra melhor de sua situação. É interessante e estranho notar como uma parte da nossa sociedade que se gaba tão esclarecida não consegue nada além de pensar. Não sou crítico de quem pensa, apenas elogio quem não somente o faz. Já é tão chato agüentar aqueles discursos maquiados, sem a criatividade e o ineditismo almejado que já nem me interessa o que eles pensam, já que o que eles fazem eu não vejo.
No pensamento dos políticos de Ipaumirim os alunos devem estar estudando como nunca e freqüentando assiduamente as salas de aula, entretanto não é bem assim que acontece fora das mentes políticas. Na realidade alguns dos alunos que não moram na zona urbana estão encontrando dificuldades e até deixando de ir às aulas devido à falta de transporte escolar. Que ocorre em razão do não pagamento à parte dos motoristas. Com certeza pagar é o plano, que não foi executado ainda, mas será. Esse é o problema, o tempo não pára pra que eles pensem, ele passa e deixa sempre uma série de conseqüências fruto da falta de ação de nossos representantes políticos. As crianças se atrasam mais do que já estão, e não conseguem recuperar sequer o tempo que perderam com a greve dos professores ocorrida no início deste ano.
Não é ruim pensar, é ótimo! Quando nossa intenção é encontrar no abstrato uma solução concreta. Pensar apenas não é saudável. Afinal somos parte de uma associação mental e física, pra nós seres humanos ação é vital e necessária. Será que eles não sabem?

Thallysson Josué

domingo, 8 de agosto de 2010

Essa meu pai cantava pra mim

Som do domingo: aos amantes do dobrado



Lembrando os antigos comícios de Ip

Dia dos pais

Vicente Gomes de Morais
- meu pai -

O olhar de meu pai (Luis Nassif)

Antes dos 13 anos, declarei guerra a meu pai. Eu passara para o terceiro ano do ginásio, mudou o irmão Marista titular da classe, e tive a oportunidade de tirar o primeiro lugar, algo que não conseguira nos dois anos anteriores.Fui para casa de boletim na mala e peito estufado, e o velho nem ligou. À noite, no encontro de pais e alunos no Marista, um pai chegou perto de nós, saudou o meu feito e indagou se manteria a colocação. Seu Oscar respondeu irritado: "Problema dele". Anos depois, Chafik, seu melhor amigo, me contou que ele não se conformara com minha decisão de, aos 12 anos, me tornar jornalista, e não seu sucessor na Farmácia Central.

Desde aquela noite de 1963 um muro ergueu-se entre nós. No mês seguinte caí para 7º da classe, no terceiro mês para 15º, do quarto mês em diante fui o último para o todo e sempre. Puni o seu Oscar a cada prova mal feita, a cada gazeta engendrada, a cada rebelião contra os irmãos. Mas nos momentos cruciais, consegui o seu apoio, especialmente no dia em que o reitor Lino Teódulo foi à minha casa com acusações falsas, em represália à minha militância estudantil. Disse-lhe na cara que ele estava mentindo, e meu pai me apoiou.

Nem isso quebrou as nossas barreiras. Eu chegava em casa antes de meu pai chegar, refugiava-me na tia Rosita na hora do jantar, depois, quando ele descia de novo para fechar a farmácia corria para casa, para dormir antes que ele voltasse de vez. Mas de manhã bebia cada som que ele emitia, cada gesto de ansiedade, andando para lá e para cá no corredor de casa, os gemidos de quem carrega os fardos do mundo. E me punia por não poder ajudá-lo.

Ao longo da vida, guardei em frascos de cristal os poucos momentos de emoção que consegui compartilhar com ele, como o garimpeiro que procura a pepita na bateia. Registrei seu choro na morte da tia Marta, as lágrimas na missa de sétimo dia do vô Issa, seu sogro, a última ida a Poços de Caldas, para ser comunicado da morte de seu melhor amigo, e seu olhar quando divisou a cidade ao longe. Mais tarde, acompanhei seu silêncio quando tia Rosita morreu. Não contamos nada para ele, e ele nunca mais perguntou dela, para não ouvir a resposta que temia.

E me lembrei para sempre do dia em que o critiquei na casa do vô Issa por ter comprado um bilhete de loteria enquanto estávamos acampados por lá, procurando casa para alugar em São Paulo. Ele saiu para a rua, fui atrás e pedi a Deus as palavras que me permitissem explicar o que sentia. Abracei-o, aquele homem alto, chorando, e falei, falei e falei, disse-lhe que ele continuava o centro da família e que minha preocupação era apenas para que não demonstrasse desespero indo atrás de miragens. E só serenei quando ele se acalmou e me olhou com olhar de pai agradecido.

O segundo derrame chegou doze anos depois do primeiro. Só depois de morto e enterrado comecei minha longa caminhada atrás de meu pai. Passei a buscá-lo em cada contemporâneo, em cada amigo. Com as velhas senhoras de Poços descobri o galanteador, com os fregueses mais humildes da farmácia, uma generosidade que nunca pressenti.

Com os amigos, a pessoa aberta e alegre que submergiu com a crise da farmácia, mas que continuou sendo o mais gentil dos poçoscaldenses.

E quanto mais o buscava passava a descobrir o inverso, a busca que ele fazia de mim. Diariamente meu pai levava minhas irmãs ao Colégio São Domingos, e, na volta, pegava um amigo meu para almoçar e saber notícias minhas de São Paulo. Antonio Cândido me falou do orgulho com que ele relatava minhas primeiras reportagens. O padre Trajano me contava das notas que levava ao "Diário de Poços" relatando cada vitória em festival, em concurso literário. E minha mãe me contou que, no auge da minha crise de adolescência, ela perdeu a fé no meu futuro, e ele acreditou.

Às vezes sinto o travo da última conversa que não houve, dos beijos que não lhe dei. Mas em algumas noites o sinto ao meu lado, daquele modo silencioso com que ficava com a tia Rosita, sem nada falar, porque palavras eram desnecessárias. Apenas me olhando com aquele olhar de quem finalmente se fez entender.


Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-olhar-de-meu-pai-0#more



Acho que já publiquei esta crônica mas ela é tão bonita que vale a pena repetir.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Relaxe

O tudo de uma mulher

Portrait de Julie Manet
Pierre-Auguste Renoir
(1841–1919)

Bate um coração aqui não sei se com a mesma força de antes, mas ele insiste porque acredita que não chegamos ao fim. Ele sabe que não poderia terminar assim: um tchau e mais nada. A vida não é isso, me falou esse coração na madrugada que passou e eu apenas concordei.
Não pode ser um simples “tchau e mais nada” e depois outro sumiço seu, meses sem nenhuma notícia e uma volta triunfal. Ao contrário, tem que ser carinhoso, com vontade, desejo e acima de tudo cumplicidade e honestidade.
A vida castiga quem ama errado e nós já erramos demais durante todo este tempo. Fingíamos estar juntos quando sempre estivemos separados por um mar de diferenças que nos tornou as pessoas mais insensíveis deste planeta.
Aliás, o nosso planeta é pequeno, deserto e cor de rosa. Sim, cor de rosa. Ele não é cinza porque nós nos enganamos com uma relação vazia baseada em mentiras ensaiadas que sempre interpretamos um para o outro. Isso mesmo, somos bons atores, candidatos ao Emmy ou ao Oscar ou ao Kikito de Gramado.
Você presa no seu templo, no seu mundo, nas suas tarefas e eu na minha vida mesquinha e intransponível. Sempre me comportei como uma verdadeira barreira para a nossa evolução porque temia o novo, tinha desespero em saber o que você poderia me oferecer, para dizer a verdade nua e crua: fui um covarde, um descabeçado. Deixei de perceber que sua beleza morava na sua irresponsabilidade e que sua imprevisibilidade era a marca mais importante de sua personalidade.
Apenas olhei para a sua beleza, para a aparência, queria o seu corpo apenas e não o seu espírito e você sempre me oferecendo alternativas das mais diversas para a minha vida, porém não movi um milímetro do lugar onde estava ancorado, no porto da minha inexpugnável prepotência. Fui um otário.
Sei que não posso modificar uma trajetória toda torta e remendada que não posso rebobinar este filme como num antigo VHS, isso é impossível. Não terei outra chance de sanar minha dívida com sua personalidade, confesso que isso me aterrorizará por todos os meus dias a fio.
Nem vou dizer que queria acertar, pois estaria sendo hipócrita, afinal de contas acertar consiste em querer o melhor para os dois e eu sempre pensei em mim antes de mais nada, nunca fui de jogar em grupo.
Vendo no espelho desta vida aquilo que planejamos para os nossos dias fica exposto o erro maior de nossa ignorância: eu nunca fui procurar você e nunca quis saber de você.
Do alto de minha arrogância desço do meu pedestal apenas para lhe render uma singela homenagem e deixar essas flores sobre a sua morada eterna. Jamais serei o mesmo homem e sempre fui o “tudo” de uma mulher e tanto.

Renato Chimirri

Fonte: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/o-tudo-de-uma-mulher

Partidos à beira de um ataque de nervos (Maria Inês Nassif)


No momento em que o pensamento neoliberal entra em decadência, depois de reinar por quase duas décadas, é preciso retomar questões que foram enterradas no período anterior sob o argumento da inutilidade ou do desuso. Uma delas é a crise dos partidos políticos.

No período anterior, o esvaziamento ideológico das instâncias partidárias pela mesmice liberal era dado como uma fatalidade - os partidos não poderiam se contrapor ao consenso e à racionalidade do liberalismo; seria normal, numa realidade em que a ideologia supostamente perde o sentido em favor da "verdade" única, que a política fosse a expressão de jogos de interesse pessoais, não raro sujeita a rapinagens e banditismo.

A desarticulação dos partidos políticos, a crise de representatividade, o afugentamento de bons quadros, a corrupção, enfim, todos os problemas decorrentes do afrouxamento ideológico das agremiações, que resultaram no descolamento delas e daquelas que seriam suas bases sociais, eram apontados como intrínsecos à democracia, menos perfeita que os mercados para regular a vida social. À democracia imperfeita se contrapunha a perfeição mercado.


No Brasil, a histeria neoliberal chegou praticamente junto com a rearticulação partidária pós-ditadura. O PSDB e o DEM já começaram a se confundir nesse período, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) cumpria uma agenda em conformidade com a ideologia mundialmente hegemônica, ambos recém-criados - o PSDB, como racha do antigo MDB da ditadura; o PFL, como dissidência da antiga Arena. Até então, eram as duas legendas que tinham condições de se fixar no quadro partidário como representações de fato de setores da social-democracia, o primeiro, e de setores conservadores de outro, com alguma substância ideológica. O PMDB, sucedâneo do MDB, havia perdido densidade com a saída de importantes quadros políticos para outros partidos e o PSDB foi o que mais incorporou do velho partido intelectuais e formuladores. O PDS, que sucedeu a Arena, levou um golpe de morte com a derrota de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. O PFL levou boa parte dos líderes da Arena, mas foi legitimado pelo apoio ao candidato de oposição no Colégio Eleitoral, Tancredo Neves.

À esquerda, emergiu o PT como a novidade no quadro partidário. Foi o único partido de massas da história do país, produto de uma engenhosa e histórica aliança entre uma vanguarda política, formada pelos grupos que emergiam da clandestinidade e pelas lideranças forjadas no novo sindicalismo, e nas bases sustentado por uma militância não só incorporada pelos grupos de esquerda, mas pela organização capilar da igreja progressista. Por mais que se tenha atribuído aos grupos mais radicais do partido sucessivas derrotas eleitorais, não se pode negar que eles serviram como um contrapeso aos setores que defendiam uma completa guinada à direita. O PT conseguiu não passar do centro, mesmo depois da crise do socialismo real, porque suas decisões expressavam a luta interna em que a esquerda era minoritária, mas continuava existindo.

O pós-governos Lula colocam questões urgentes a serem resolvidas na área política. A crise partidária é a pior. O quadro criado no período de redemocratização foi afrouxado pela homogeneização do pensamento político e econômico, no período neoliberal, e pela falta de perspectivas a que foram jogados os socialistas depois da queda do Muro de Berlim. Além disso, o PT, depois da crise do Mensalão, em 2005, foi engolido pelo sucesso do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente, hoje, é maior que o seu partido.

A oposição, por sua vez, sem firmeza ideológica e identidade política e sem ter conseguido se libertar da tradição política brasileira de partidos de quadros, tem grandes chances de sucumbir a um fracasso eleitoral. São modelos de partidos que não sobrevivem a não ser como porta-vozes de pensamentos hegemônicos, e desde que com a ajuda de quadros políticos tradicionais que não chegam a acrescentar massa orgânica e não florescem a não ser sob o guarda-chuva do Estado.

A situação dos partidos oposicionistas torna-se mais crítica, quanto mais agressivo for o discurso eleitoral. A agressividade atrai setores de direita, mas tende a afastar militância - no caso do PSDB, comprometida anteriormente com a social-democracia; no caso do ex-PFL, setores que têm forte dependência do Estado.

Nesse quadro, e passadas as eleições, os partidos têm que olhar para dentro. Não existe reforma política que os obrigue a isso - é apenas uma questão de sobrevivência. Os partidos estão numa nova realidade, onde a diversidade deixou de ser uma expressão de "atraso" e voltou a ser uma condição para a democracia. A mudança qualitativa das legendas depende da reincorporação da divergência ideológica como motor da política. É a mudança de qualidade das agremiações que terá o poder de melhorar a qualidade da política. Se os atores políticos não entenderem isso, derrotas eleitorais serão fatais para os partidos que hoje existem.

O PT, talvez premido pelas dificuldades do seu governo no Legislativo, é o que mais se aproxima de entender esse fenômeno. A decisão de centrar seus esforços eleitorais na candidatura à Presidência e aos legislativos, em detrimento de campanhas para os governos de Estado, reforçará o partido no cenário político. Numa democracia, afinal, são nas casas legislativas que os partidos se movem. A lealdade partidária é outro importante elemento, e esse ainda é um ponto forte do partido de Lula.

Falta a alguns observadores da realidade entender que o PT não vai crescer porque Lula agradou a todos os setores - isso está longe de ser verdade, dada a forte oposição oferecida ao governo por setores sociais importantes. Pode crescer, sim, na esteira da popularidade de Lula, mas principalmente porque os atuais maiores partidos brasileiros mantiveram uma ligação extremamente tênue com os setores que representavam. Continuaram acreditando que a verdade é única e que aqueles que a ela se opõem são irracionais
.


Maria Inês Nassif é repórter especial de Política.
Fonte:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-crise-dos-partidos#more

Que lindo!




Vi no Querido leitor, de Rosana Hermann, e trouxe pra vcs.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ti ti ti anos 80

O que é o tempo? (Anselmo Borges)


No termo de mais um ano e na entrada de outro, são muitos os pensamentos que nos invadem. Mas talvez não seja fora de propósito também uma breve reflexão sobre o mistério do tempo.

Já Pascal se interrogava na perplexidade: porque é que, num passado ilimitado e num futuro igualmente sem limites, me coube viver precisamente neste tempo que é o meu?

Se soubéssemos o que é o tempo, também saberíamos o que somos. Santo Agostinho - volta-se sempre a Santo Agostinho, quando pretendemos meditar sobre o tempo - pergunta: O que é tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas, se alguém me puser a questão e eu quiser responder, já não sei.

Há múltiplas experiências e perspectivas do tempo. Aparentemente, tudo vai e tudo volta. As estações do ano repetem-se, sucessivamente: Primavera, Verão, Outono, Inverno, e outra vez Primavera, Verão, Outono, Inverno... Cada ano, o ano velho despede-se e chega o ano novo. Outra vez. Aí está o mito do eterno retorno, como repetiu Nietzsche: "Esta vida, tal como a vives naturalmente, tal como a viveste, é necessário que a revivas mais uma vez e uma quantidade inumerável de vezes, e nela nada haverá de novo, pelo contrário!"

A flecha do tempo é irreversível. O tempo é voragem, corre e flui, desaparece. Corre do futuro para o passado. O passado passou, o presente vai-se tornando passado, o futuro também ele se vai transformar em passado, de tal modo que temos o passado passado, o presente passado, o futuro passado, como se a história não fosse senão o lugar dos mortos: a curto, a médio, a longo prazo, todos iremos estando mortos. Mesmo a memória tem algo de ilusório, pois, quando lembramos o passado, é sempre a partir do que somos no presente que o alcançamos e vivemos, já diferentes e outros.

Afinal, o que é o tempo, uma vez que o passado já não é e o futuro ainda não é? Só o presente existe, mas, por outro lado, o presente o que é senão esse contínuo trânsito do futuro para o passado, do ainda não para o já não? Indestrutível mesmo é só o passado, pois nem Deus pode fazer com que o que foi não seja e o que aconteceu não tenha acontecido.

É sempre no presente que vivemos, mas projectados para o futuro. Mesmo o passado é sempre iluminado pelo futuro. O que vamos fazendo é em função do futuro, antecipando-nos a nós mesmos. Por isso, não coincidimos nunca completamente connosco: o homem "nunca é o seu próprio contemporâneo" (D. Huisman e A. Vergez). Mas, por outro lado, é no futuro que se encontra a morte, é nele que ela nos espera.

Com o tempo, tudo muda. Mas o "eu" transcende o tempo. Pela memória, pela atenção, pela expectativa, o espírito unifica os três modos do tempo numa certa simultaneidade: pela memória, temos o passado no presente; o presente actual temo-lo pela atenção; o futuro torna-se presente enquanto o esperamos.

Depois, o tempo é duração, ritmo. Como poderíamos ouvir uma sinfonia, se assim não fosse? E há aqueles instantes que são tangidos pela eternidade. A eles se referiu Platão, na Carta VII: "de repente", a iluminação da verdade! Qual é o tempo do amor, o tempo da criação, o tempo da liberdade, o tempo da decisão e da urgência? Cá está: há o tempo dos relógios - tempo quantitativo (cronológico) - e o tempo qualitativo (cairológico).

Por vezes, o tempo acelera; outras, parece parado. Actualmente, na aceleração vertiginosa do tempo, quando se pensa e se é?

Reflectindo bem, o tempo não é circular, cíclico, nem pode entender-se de modo exclusivamente linear, pois é linear e entrecruzado, numa rede de relações múltiplas e complexas. Cada modo do tempo tem ele próprio tríplice modo, isto é, um presente, um passado e um futuro, entrelaçando-se. O tempo e a história vivem deste entrelaçamento múltiplo, na constante abertura ao futuro.

Precisamente no quadro deste entrelaçamento, na abertura ao futuro, Deus, que é no eterno presente, é pensável como o Futuro absoluto, isto é, o Futuro de todos os passados, presentes e futuros. Deus enquanto Futuro absoluto consuma a história ao mesmo tempo que a abre ao sempre novo.

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1455983&seccao=Anselmo%20Borges&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

Começou...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ode às Secas do Nordeste (Zila Mamede)


Na estrada norte era noite
na estrada sul era dia
Em todo o Sertão queimado
que diferença fazia
se o sol nascesse de noite
se a lua enchesse de dia?


- O resultado era o mesmo
em cada boca vazia
cada estômago encolhido
cada pá de terra esguia
cada enxada que cavando
só pedra e fome trazia:
nem grão cozido ou farinha
fumo angu mel-rapadura
molambos que os lombos toscos
cobrir do calor não vinham


A estrada norte nem sabe
se a estrada sul vai levando
o arrastar das boiadas
(descaminhadas, perdidas)
os paus-de-arara vendidos
aos graúdos latifúndios
a sombra dos rostos gastos
todos os joãos, as marias,
os antônios, as comadres
as cacimbas entupidas
riachos sem correntezas
a rede chã, incertezas
no medo dos retirantes
os pés-no-chão das veredas
os rastos das estiagens
mutilação das vazantes


Juremal, terra fendida
os carros-de-boi calados
as rezas, as benzeduras
contra as bicheiras do mal
Tanto papel carimbado
(a Lei exige, que jeito!)
para enterrar os morridos
justificar os matados


Estradas (capões do Norte)
carreadas para o Sul
varrendo o chão do Nordeste
(sob o Cruzeiro do Sul)
do povo crente da terra
da gente aferrada ao chão
que vira bicho-sem-alma
no toldo de um caminhão
fugindo da morte-fome
do sodoro, fava-brava
da lama em que torna a água-
sede-morte do Sertão


- Homem cadê teu jumento
alqueires de plantação
aquela vaca leiteira
as raízes do algodão
o açudeco (arrombado)
teu pé de milho-em-pendão?

- Cadê a casa de taipa
tuas ramas de feijão
os terços do Mês-de-Maio
tua força de varão
tua honra de marido
tua Mãe para a abenção
a cova do teu Pai morto
integrado nesse chão?

- Tudo ficou no descampo
no casco da solidão
nas roças em queimamento
(sol de velha maldição!)
O homem-Nordeste em fuga
em desespero de cão
parte em busca de ocidentes
(geografias de eleição
dos votos encurralados
da ceifa da votação)
E a gente don’t know onde
habitar um outro chão


Muitos percorrem caminhos
- os apelos asfaltados -
esperando o prometido
teto roupa eito e pão
No vazio dessa espera
descambam nas valas rasas
sonhando com o seu retorno
às invernas do sertão
Outros confusos se esvaem
consumidos pelos vermes
ou aves-balas errantes
que cruzam tantos caminhos
e arrancam dos retirantes
a raiz do coração


Na estrada Norte, só noite.
Nessa estrada, quando, o dia?



Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/zmamede03p.html

Zila Mamede

Zila Mamede

É o chão onde nasci, e eu gostaria que ela (Nova Palmeira) fosse no Rio Grande do Norte, porque me sinto tão norte-riograndense, que tenho susto quando olho a minha carteira de identidade. Nisso não há nenhum preconceito contra a Paraíba. Apenas fui transplantada muito pequena, a tempo de me sentir enraizada no Rio Grande do Norte. Daí porque eu digo que gostaria que Nova Palmeira, a vila fundada pelo meu avô e pelo meu padrinho de batismo, fosse no Rio Grande do Norte. Era uma fazenda, uma vila, hoje é mais um município brasileiro, mas não é como município, e sim, como sítio do meu avô que permanece na minha geografia sentimental”.

Zila nasceu em 1928, em Nova Palmeira, Paraíba, onde viveu “até cinco ou seis anos de idade” indo ao roçado do avô “comer melancia, tomate, cereja, um tomate pequeno que brotava no mato”. A família de seu pai era de Caicó, Rio Grande do Norte; o avô materno, de Jardim do Seridó, também no Rio Grande do Norte. “Por coincidência, todos foram morar em Picuí, Nova Palmeira e Pedra Lavrada”. As famílias se encontraram em Nova Palmeira, onde ela nasceu.

Ainda pequena, muda com a família para Currais Novos (RN), onde o pai monta uma máquina beneficiadora de algodão. Menina do sertão, o mar viria a ser uma forte presença em sua poesia. A primeira vez que o viu foi por volta dos doze ou treze anos, aquela coisa “balançando de um lado para o outro, uma coisa que eu jamais havia visto”:

“- Meu pai, isso é o mar?
Ele disse:
Não. Isso é um canavial”.

Estavam em um Ford 39, a caminho de Recife, onde ela finalmente veria o mar.

Em dezembro de 1942, em plena Guerra, vai para a capital, Natal, juntar-se ao pai que já estava desde o início da montagem da Base Aérea de Parnamirim, onde ficavam os americanos. “Lembro que cheguei e vi aquele quintal cheio de cajueiros, de mangueiras, chovia aquela chuva do caju e a gente não entendia como era que chovia em dezembro, e eu corri e vi um pé de sapoti, assim esbranquiçado, e perguntei se era um pé de ovo”.

Assim era Zila. A própria figura da menina inocente do sertão nordestino. No Colégio da Conceição aprendeu o português que usaria com mestria. Ao terminar o curso secundário, em 1949, foi passar uma temporada em João Pessoa e Recife com seu padrinho de batismo, Francisco de Medeiros Dantas, um homem culto que descobriu que a afilhada “era analfabeta em matéria de literatura” e, a partir de então, começou a lhe dar coisas para ler.

Depois de uma tentativa frustrada de ser freira (o que o pai não queria), voltou para Natal e começou a sentir “saudades do céu”, uma angústia existencial que a levou a escrever. Zila tinha, então, 21 anos.

Publicou cinco livros de poesias: Rosa de pedra (1953), Salinas (1958), O arado (1959), Exercício da palavra (1975) e Corpo a corpo (1978). Escreveu ainda estudos bibliográficos sobre Câmara Cascudo e João Cabral de Melo, que a incluiu entres os maiores poetas do país.

Zila Mamede morreu em 1985.

Fonte: http://memoriaviva.com.br/zila/

Poema de José Martí


Cultivo uma rosa branca,
em julho como em janeiro,
para o amigo sincero
que me dá sua mão franca.

Para o cruel que me arranca
o coração com que vivo,
cardo nem urtiga cultivo:
cultivo uma rosa branca.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010


"Não há grandes dores, nem grandes arrependimentos,nem grandes recordações. Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas, e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para os desesperos sem razão que se apoderam de nós."

Albert Camus

BOKA LOKA (Mariana Alves)

Batom Secrets, Fantasy,
O Boticário. R$ 29,90


O rosa chegou de mansinho no verão passado e grudou nos lábios das brasileiras! Os tons de pink, rosa-chiclete, pastel, até os quase nude prometem não desaparecer durante o inverno.

Dica
Para o batom durar mais

Ao uniformizar a pele, passe uma camada de base líquida também nos lábios. Depois, aplique o batom de sua preferência e retire o excesso pressionando os lábios em um lenço de papel. Passe uma camada fina de pó solto translúcido e, depois, mais uma camada de batom. Ele vai durar nos lábios a noite toda.

1. Batom cremoso Pink, rosafúcsia, Yes! Cosmetics. R$ 12,50
2. Batom Hidratante Pink Grape, Mahogany. R$ 25
3. Batom Cremoso Pink Melon, Mary Kay. R$ 30
4. Batom Secrets, Romance, O Boticário. R$ 29,90
5. Aquarela Batom em Alta Cintilância, rosa, Natura. R$ 11,90


O ClÁSSICO


Batom cremoso Vermelho Ferrari,
Catharine Hill. R$ 26,50

Batons vermelhos e vinhos são clássicos e estão com tudo nesta estação. Desde os lábios vermelhos perfeitos das divas do cinema, até os “vinhos vampíricos”. Que tal se jogar nesta tendência?

Dica
Para ter o vermelho perfeito

Para uma boca vermelha digna de noite de Oscar, siga os mesmos passos para o batom durar mais. Porém, na hora de aplicá-lo, utilize um pincel. Ele deixa a cor mais uniforme e com maior durabilidade. Se quiser dar um efeito de lábios maiores, passe um batom um pouco mais claro no centro dos lábios. Mas esfume bem para não deixar a passagem de cor marcada.


1. Color Perfect, cereja, C. Kamura. R$ 26,30
2. Batom Elas, Ousadia, Jequiti. R$ 5,60
3. Batom hidratante Absolute Red, Mahogany. R$ 25
4. Color Perfect, vinho, C. Kamura. R$ 26,30
5. Batom cremoso, Danger, Payot. R$ 19,50

Ultra Gloss, Lolita
Pink, Arcancil. r$ 43,10

O PREFERIDO DAS TEENS

Nove entre dez garotas adolescentes adoram gloss e não vivem sem um deles na bolsa. Eles podem ser mais cremosos ou líquidos, transparentes, com brilho... são tantas opções que fica difícil escolher!

Dica
Para o gloss não escorrer
O gloss, por ter uma textura mais líquida, não fixa muito tempo nos lábios. se você quiser que ele dure mais, escolha um que seja mais cremoso e menos líquido. Outra opção é passá-lo apenas no centro dos lábios, assim, ele se espalha pelo resto da boca naturalmente.


1. Gloss labial, Cherry, catherine hill. r$ 24
2. Glam Shine, Always Pink, L’oréal. r$ 31,90
3. Gloss com DMAE Luzes, Mascavo, racco. r$ 22,80
4. Lip Vapour, Darling, bodyography. r$ 86,90
5. Super Lustrous Lipgloss, Pink Afterglow, revlon. r$ 41,50


Fotografia: Luciano Munhoz
Assistente de fotografia: Luis Egidio
Produção: Michele Paladini
Make e cabelo: Carla Barbosa
Modelos: Camila Trindade (Ford)

Fonte: http://atrevida.uol.com.br/beleza-gente/191/artigo177323-3.asp

Cá comigo: tudo bem, tem celebridade que tá usando batom preto, amarelo, roxo, azul.... mas o vermelho será sempre o mais bonito. Sou beradeira, adoro encarnado.

ML

domingo, 1 de agosto de 2010

Som do domingo

Cair em grande estilo

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Álbum da semana

Luiza (eu) no Encontro Anual da Família Leite, em Recife,
a família da minha avó materna que reencontramos 100 anos
depois que meu bisavô foi embora de Pernambuco
para a antiga Alagoinha. O reencontro foi através da internet,
via blog alagoinha.ipaumirim
Vanduir Crispim

Rita e Salete Vieira

São João em Felizardo - 2010

São João em Felizardo - 2010

São João em Felizardo - 2010

Viviane e Marta

Arabelle e Geórgia

Nazaré e Chaguinha

Suilan e Torres Neto

Olga

Maria Cristina Lemos


Kelly Lemos e Séfora Gonçalves

Crisvane Lemos


Celso Sales