domingo, 24 de agosto de 2008

A calçada da igreja

Igreja Matriz de Ipaumirim

O cenário desse texto não é um campo de futebol, um clube, um salão de beleza, ou um barzinho ,mas uma calçada, não uma qualquer, a da Igreja de Ipaumirim.
Eu nasci no dia 16 de julho de 1946. Nessa data teve inicio a participação da calçada da igreja na minha vida. Nesse dia pratiquei o primeiro ato imprudente, mamãe pediu a papai que fosse buscar mãe Petronila, para me ajudar a nascer, só que quando ele saiu, resolvi não esperar e nasci sozinha. Na volta quando ele já vinha, sabe onde? É isso aí acertou! Já ouviu o choro e mãe Petronila apenas cortou o umbigo.
Crianças ali ensaiaram os primeiros passos, entre elas estavam: Eu, Maria Luiza, Maria José, Geysa, Antonio, meu irmão e José Strauss, ambos de saudosa memória. Até porque quando as crianças demoravam a andar, as mães levavam seus filhos para a calçada da Igreja, pegavam nas duas mãozinhas e diziam: Vamos pra missa! E iam até entrar na casa do Senhor.
Quem dos arredores dessa localidade nunca brincou ou brigou na calçada da Igreja? Luís Carivaldo, Maria Luiza, Sônia, Chaguinha, Socorro Ribeiro, Rosa Maria, Vilani, Cícero ou Aristóteles, Graças, de Senhor Damião, Flaucides, Escolástica, Fátima Lemos, Faquito, Célia de Dedé, Antocildo,Vanda, Valquiria, José Mujica, Anchieta, Sebastião(Lau), Geraldo, Eraldo de Centor e outros mais. As brincadeiras e os brincalhões ainda se estendiam até dentro da Igreja. Inúmeras vezes, Maria Lourenço e Madrinha Beatriz nos deram broncas por estarmos correndo dentro da casa de Deus. Neli Cassiano cedo da noite ia rezar o terço, também não poupou os “pssius” e repreensões, dizendo: deixe de brincadeira dentro da igreja, menino! Espero que não se ofendam os citados e os que não foram citados também.
E a primeira missa à noite? Perdeu quem não estava lá. Tenho certeza que tinha mais gente na calçada da Igreja do que dentro, cada um que cochichava, que fazia comentários interessantes: quem já viu missa de noite é o fim do mundo; outro respondia: missa tem que ser em latim, o padre de costas para o povo e às 6:00Hs da manhã; outros acrescentavam nunca mais assisto missa!
Na Semana Santa os curiosos e curiosinhos, inclusive eu e meu irmão Antonio, ficávamos na calçada da igreja esperando Julinha e sua amigas(mulheres de vida livre)muito bem vestidas de trajes preto virem assistir as cerimônia da Quinta Feira Santa.Quem lembra o carnaval dos anos 50 em Ipaumirim? Na minha infância três carnavalescos me marcaram: Mundinho, filho de Raimundo Paulo, com trajes de bebê, João Bosco Macedo, com a bicicleta toda enfeitada, o chapéu com dizeres: ou casa de Noca ou mamãe sem nora e Jader(Bereco) que não ficava atrás. E qual seria o melhor local para vê-los passar? A calçada da igreja.
E os hipnotismos do padre Juarez, tinha crianças que bastava ver o padre, já fechava os olhos e começava a sorrir: vendo nossa Senhora ou entrava em desespero vendo o fogo do ínferno. Cícero ou Aristóteles, ao ser hipnotizado chorava vendo a mãe dele e nós, crianças ficávamos comovidas, chorando também, porque fazia pouco tempo que a mãe dele havia morrido. A meninada, logo cedo pela manhã, ao meio dia ou à noitinha já estava sentada na calçada da Igreja, em frente a casa de Zé Macedo.
Acredito, que não houve manifestação maior do que a passagem da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, talvez tenha sido o maior acontecimento neste local, houve muita emoção, muito choro, acenos com lenços brancos, até pombas deram show.
As missões de Dom Francisco de Assis Pires, também trouxe muita gente para a calçada da Igreja, me lembro de um incidente, que se não fosse trágico, seria cômico, uma mulher passou mal, durante a pregação devido o amontoado de pessoas e o calor, algumas pessoas correram para socorrer e o povo sem entender nada, sem saber o que estava acontecendo corria sem rumo e sem direção. O missionário começou a gritar: Calma, foi um ataque e quanto mais o frade gritava, foi um ataque, mas se entendia foi uma tapa, eu fui escapar na casa de Antonio Dantas, nesse corre corre saiu gente machucada.
Seria interessante citar os nomes dos namorados, dos anos 50 que participaram da história da calçada da Igreja, só que como há muito tempo sai de Ipaumirim, não sei quem casou com quem, então para evitar constrangimentos prefiro abrir espaço para que eles contem suas historias. Citarei algumas travessuras, sem contar os travessos, pois prometi guardar segredo. Na época moça decente, isto é, direita como chamavam os mais velhos, namorava sentado ao lado um do outro e aquele que sentasse muito próximo do namorado, as más línguas das “Caindinhas” ficavam ocupadas por um longo tempo. Nas festas da Igreja havia 2 partidos: azul e vermelho, quem era do azul usava lacinho azul, quem era do vermelho, lacinho vermelho e isso facilitava alfinetes e broches nas mãos da gurizada e a turma começava a brincar correndo, rodeando os casais, muitos desses se sentiam incomodados, o que eles não sabiam era que “os santinhos do pau oco” estavam unindo os casais com broches ou alfinetes e o nosso divertimento era observar quando eles se levantavam.Espero que o(a) mentor (a) dessa astúcia escreva um novo texto contando com mais detalhes.
A calçada da Igreja tinha outra turma cativa: papai, Maria Abreu Adautiva, Auta, esposa de Zé Maria, Socorro e Dorinha Duarte, Socorro Nóbrega, Maria Luiza, Vilani, Blandina, Miriam, Socorro Vieira, Luizete, Maria Gonçalves, Maria de Sousa, Olga, Ilca, Jandira, Anita... os assuntos variavam desde quem seria eleitos: Virgilio Távora ou Parsifal Barroso, até as paqueras ou “Flerts” hoje “ficas” das senhoritas Ipaumirinenses.Tem muito o que se contar da calçada da igreja: a festa do dia das mães; os filmes do padre Argemiro, a espera das aulas de Socorro Pontes, na sala de Carlota, a chegada dos noivos, batizados, anjos e defuntos, a reunião dos moradores do sitio são Pedro no final da feira, aguardando o caminhão, a comemoração da emancipação política; e a espera de uma das visitas mais ilustres de Ipaumirim Dr. Francisco Vasconcelos de Arruda, meu padrinho de batismo, a quem tenho um profundo respeito à sua memória.
Vi da calçada as procissões e as via sacras, os anúncios dos espetáculos do Circo Araujo, a peregrinação de Raimundo Rocha e Joana Doida, o abalroamento de bicicleta em Fátima Lemos, e o namoro de Heitor e Adalgisa, escondido de Dona Glória.
Quem conheceu Luiz Nóbrega, líder político, coerente, firme, hospitaleiro, fiel e Paizão? Não era somente seus filhos Dr. Luiz Filho, Sebastião Nóbrega, Maria Eunice, Maria Luiza, e Vilani, tinha seus filhos de coração Socorro Nóbrega, Maria das Dores e Socorro Duarte, dedicava amor paternal a Maria Abreu, Maria Henrique, Maria Lourenço, tinha outros adotivos: meia centenas de moradores do sitio São Pedro e a comunidade infantil de Ipaumirim. Seus filhos não dependiam de cor, sexo idade ou religião, porque seu coração enorme. Quem da minha idade não teve o afeto e o carinho de papai Lalá? Eu sim e louvo a Deus ,por isso. Mas realmente quero registrar o choro incontido de papai Lalá, na calçada da igreja, quando ele viu em 58, se não me engano, um grande número de pessoas faminta, de sacos vazios nas mãos em busca de alimentos para saciar a fome dos filhos. Imediatamente, após o choro, ele firme e decidido disse: ninguém fecha o comércio enquanto eu for vivo e providenciou alimentos para todos.
Um fato muito triste também aconteceu na minha vida, quando eu estava na calçada da Igreja, minha mãe suicidou-se jogando querosene e ateando fogo a seguir. Talvez tenha sido por isso que as lembranças da calçada ficaram durante tanto tempo em minha memória.
Como a vida é uma sucessão de alegrias e tristezas e uma seqüencia de fatos, a calçada da Igreja continua fazendo parte da minha historia.
Em 1998, após 50 anos, meu filho Pablo Sávio, portador de medalhas de artes marciais na categoria de Kung-fu, fez uma apresentação em meio a multidão e tendo como palco a calçada da Igreja, não sabendo ele nem os presentes que era mais um fato na participação da calçada da Igreja na minha vida. É isso aí...
(Texto de Maria do Carmo Brito Mendes)

sábado, 23 de agosto de 2008

Álbum da semana

Raadmila


Joelma e Cineide

Nena de Altair


Zé Mujica e Celinha


Avani Oliveira e seu filho Marcus


Romeu Montoril
último proprietário da Algodoeira Ipaumirim


Márcio Nóbrega

Macial e Paulo Gonçalves

Lucineide Santos
Diamantina - MG

Kalline Alcântara

Gerry Adriano

Geysa e sua filha Paulinha

Francisquinha de Firmino e sua nora Socorro

Comício de Geraldo
- Felizardo -
Alzenira Holanda e filhos

A ordem é desacelerar


VERÔNICA MAMBRINI


Nada de apertar a agenda para caber mais um compromisso. Adeptos do slow life declaram alforria do relógio na hora de comer, viajar e trabalhar


SLOW DESIGN

"Stop. A vida parou ou foi o automóvel?" Em poucas palavras, o poeta Carlos Drummond de Andrade expressou a aflição que corre junto com o tempo na cidade. Almoçar um lanche rápido, ficar preso no trânsito, correr para buscar os filhos na escola, descansar, se divertir – são muitas atividades para apenas 24 horas.
Para a maioria dos habitantes das metrópoles, essa rotina é comum. Mas precisa ser assim? Não, pelo menos na opinião dos adeptos do slow life (vida devagar).
Partindo do princípio de que uma pessoa vive em média 700.800 horas e que gastamos 70 mil delas no trabalho, esse movimento defende a idéia de não concentrar tanta energia só nesse aspecto da vida. Mas não há regras rígidas: tudo o que eles querem é liberdade para viver sem atropelos.
O pessoal do slow food, por exemplo, foge das refeições apressadas. Delivery, comida congelada? Nem pensar. Mas há especialidades para todos os gostos na vida slow: andar, vestir, comer, morar, educar, envelhecer, produzir.
Essas formas de viver sem pressa estão no manifesto em que Kakegawa, no Japão (onde nasceu o movimento), se declarou uma cidade slow em 2002, trazendo propostas para uso mais prazeroso e equilibrado do tempo.

SLOW FOOD

O movimento ganha adeptos no Brasil, onde as pessoas começam a se reunir para discutir formas de eliminar os ralos por onde o tempo escorre na rotina. Um dos idealizadores desses encontros é o terapeuta corporal Jorge Mello.
“Organizar mal as prioridades gera frustração, porque você acaba se dedicando demais a coisas que não lhe dizem respeito”, diz Mello.
Em encontros em cafés e piqueniques apelidados de simplenics, as pessoas conversam sobre como obter mais tempo para o que gostam. O equilíbrio entre o que traz bem-estar e o que causa perturbação é chamado de “ponto de suficiência”.
A stylist Vanessa Montoro pode nunca ter pensado nesse rótulo antes, mas vive há tempos conforme o slow life. A criadora de roupas e acessórios em seda tingidos naturalmente aprendeu o prazer de tricotar e crochetar com a avó e o transformou em ofício. “Como o processo é todo manual, levo até 30 dias para fazer uma peça.
É um trabalho raríssimo, que máquina nenhuma consegue fazer”, explica. Isso tem um preço: algumas peças chegam a custar R$ 2 mil. Essa preocupação em produzir artigos que durem e sejam atemporais se enquadra numa tendência chamada slow design.
“Acho o conceito de moda absurdo: ela é passageira, te atropela. Ainda estamos no inverno e as lojas já estão em liquidação! É uma agressão, totalmente contra o que eu faço”, afirma Vanessa.

SLOW TRAVEL

É claro que viver assim em tempo integral é para poucos. Tanto que o movimento slow nasceu em países desenvolvidos. Na Itália, surgiu o slow food.
Depois de ajustes na sua vida, ela mudou o escritório para casa, em São Paulo, concentrou seu diaa- dia no bairro e agora sobra tempo para refeições com a família e os amigos à mesa – como reza a cartilha do slow food.
Os adeptos, que participarão de um encontro mundial em outubro na Itália, pregam a valorização de produtos orgânicos e de pequenos produtores, e claro, dedicação às panelas. “Dá trabalho, mas, se você não abrir esse espaço, ele não existirá”, acredita Cenia.
Essa percepção do tempo que as pessoas tentam controlar está na dimensão psicológica (por isso 15 minutos num consultório médico parecem uma eternidade, mas voam entre amigos) e na social, em que é preciso se desdobrar entre trabalho, família, trânsito, etc.
Para o filósofo Luiz Felipe Ponde, quem adere à tendência passou por uma sofisticação intelectual e econômica. “É quase impossível você ser slow na Etiópia, sempre há custos envolvidos”, afirma.
Sem um centavo no bolso, Mariane Lins Cavalheiro, 24 anos, tinha acabado de se formar em administração quando decidiu passar uma temporada fora do País. Fez as malas e partiu para a Holanda, onde foi trabalhar como babá para uma família.
Descobriu o slow travel como um jeito relativamente barato de aprofundar a experiência. “Em um ano, conheci 11 países”, conta. “Você pode fazer isso em dois meses, mas aí vem a filosofia do slow travel.
É conhecer a cultura, as pessoas e fazer o que você realmente gosta.” Vale conhecer menos, divertindo-se mais. “Afinal, você não tem que voltar cansado das suas férias”, resume Mariane.

DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ:

por Dr. Ernesto Artur
CARDIOLOGISTA

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias;
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos;
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde;
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem;
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.;
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes;
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro;
8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro;
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo;
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estomago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo;
11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida . Isto é para crédulos e tolos sensíveis.
Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

Fonte: blog do Crato

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Falar é fôlego...

Mais do que insolência, incitação à violência
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Assim classifico as palavras do Presidente da República proferidas num palanque no interior do Ceará. Ele não se limitou a ofender com palavra de baixíssimo calão os estudantes brasileiros. Ele espalhou, pela enésima vez, o veneno da discórdia entre nós.
Lula tem o hábito de lançar pobres contra ricos, assim como de lançar negros contra brancos. Ele nos dá o direito de pensar que gosta de nos ver desunidos, pois assim pensa que ficamos mais fracos e seu governo mais forte.
A maior prova de que o Brasil não é como ele descreve, é ele mesmo. Pobre, muito pobre, e mestiço, hoje é Presidente da República. O mérito é seu. A insensatez é nossa, de permitir que ele se dirija a nós com esse palavreado.
Ainda estamos esperando pela revolução na Educação prometida pelo Lula nas duas vezes em que tomou posse do Planalto. Não há de ser com a sopa de letrinhas que ele cita como a maior maravilha do mundo. Não é pelo telhado que se começa uma casa, mas pelos alicerces.
A Educação Infantil, que compreende creches, escolas maternais, jardins de infância, e a Classe de Alfabetização, ocupa os 6 primeiros anos da criança. Todas as crianças brasileiras nascidas no ano 2000, por exemplo, se houvesse política educacional séria, já estariam inteiramente alfabetizadas e cursando a primeira série do ensino fundamental. Em 2015, poderíamos comemorar a primeira geração de brasileiros com o Ensino Fundamental completo.
Mas não. Primeiro foram cuidar dos doutores em potencial, para poder dizer nos palanques que não é só filho de rico que estuda em universidades, o que é uma falácia. E de que adianta formar doutores com o nível indigente de hoje? Advogados, médicos, engenheiros, até jornalistas, que afinal lidam com a palavra em seu dia a dia, mal sabem escrever! E há faculdades de medicina onde a anatomia é aprendida em livros ou na Internet...
Antes de ser doutor, é preciso saber ler, escrever, ser fluente, saber falar, e ter o direito de desenvolver um talento com o qual se tenha nascido. Em um país musical como o nosso, já pensaram se as escolas públicas oferecessem aulas de música, como em países civilizados acontece? Ou os belos resultados que teríamos nas Olimpíadas, se em cada escola houvesse ao menos uma quadra de esportes e uma piscina?
Não me venham dizer que a culpa não é só do Lula. É sim. Os outros, segundo Lula, desde Cabral, só cuidaram da educação dos ricos. Cabia a ele, como chefe do Partido dos Trabalhadores, cuidar dos pobres, não é? E ele o que fez? Deu à Grande Indústria Universitária Brasileira uma chance e tanto de seus donos ficarem bilionários. Essa foi a grande reforma educacional da Era Lula.
Nos últimos meses, parece que finalmente chegaram à conclusão de que a Escola Técnica é imprescindível. Em maio deste ano, o ministro Haddad declarou que “até 2010, estaremos inaugurando 150 escolas técnicas”. Reparem bem: o Ministro da Educação utiliza linguagem marqueteira. “Estaremos inaugurando”. “Inauguraremos”, para ele, com certeza pega mal, é linguagem de &*&*&*.
A linguagem do Lula ofende a ele e aos seus. É prova de que faz parte de seu vocabulário diário essa palavrinha. Está tão habituado, que provavelmente nem se dá conta do que disse. O que nos incomoda, ou o que deveria nos incomodar, é esse seu péssimo hábito de jogar brasileiros contra brasileiros. Isso é maldade em estado puro.
Seus defensores, diria mais, seus seguidores, dirão que ele é bom, generoso, e que está defendendo os humildes. Não é o que parece. Nem o que está sendo feito no Brasil.
Dirão também que ele não teve tempo. Curioso... JK em 5 anos (uma lástima, a meu ver), construiu uma cidade. Londres, bombardeada sem piedade pela Luftwaffe, em 1950 já não mostrava as cicatrizes da guerra nas ruas. Mao aniquilou todo e qualquer resquício da cultura ocidental na China, inclusive proibindo o estudo dos grandes mestres da música clássica, como Bach ou Beethoven. Em menos de vinte anos, a China recuperou o tempo perdido e além de orquestras sinfônicas de peso, seus instrumentistas andam abiscoitando os primeiros lugares nos grandes concursos internacionais.
Não pensem que é com alegria que escrevo este texto. Ao contrário, é com muita tristeza. Saber que ainda vamos esperar não sei quanto tempo para ter uma geração completamente alfabetizada, é dorido. E ver o presidente estimular o aparecimento de um fosso instransponível entre nossos jovens, é pior ainda.

Sábado em queda livre:



ALIANÇAS
(J. Flávio Vieira)


Existe uma regra imutável em política interiorana. Tudo é maquiavelicamente permitido. Só existe um erro grave, terrível, um pecado imperdoável : perder . Todas as demais tramóias, armadilhas, safadezas serão pouco a pouco perdoadas , desde que se tenha em mãos aquele solvente perfeito, aquele apagador infalível de pecados : o poder. Assim é perfeitamente esperado e permitido : matar, esfolar adversários, roubar, corromper, estuprar, saquear, comprar votos e consciências, enfim violar os dez mandamentos, os sete pecados capitais , desde que se saia vitorioso no pleito eleitoral. Sartre dizia que o inferno são os outros, na política o inferno são os outros adversários vitoriosos. O poder traz consigo uma espécie de imunidade, uma anistia tácita para todos os crimes cometidos e a cometer. Nada mais reles e solitário que um candidato derrotado nas urnas.
Em Matozinho não podia ser muito diferente. Os períodos pré, pós e eleitoral eram marcados por golpes baixos, falcatruas,conspirações, puxadas de tapetes de todos os tamanhos e cores. Imaginem neste ano a ansiedade que deve estar acometendo os candidatos quando a Justiça Eleitoral proibiu quase que tudo : bandas em comícios, carros de som a toda altura, camisetas. Como pôr a locomotiva política para andar se o combustível da máquina é justamente uma mistura de dinheiro sujo, quinquilharias e promessas vãs ?
Na eleição passada, Matozinho pegou fogo. O prefeito Sanderval Bandeira, conhecido por “Bandalheira”, buscava a reeleição. Do outro lado Bebé Fonseca lhe saíra na oposição junto com Tõim Araguaia , o vice na chapa oposicionista. Tõim mamara nas tetas do PCB, tinha lá um discurso ainda de antes da queda do muro, mas ultimamente resolvera aderir à candidatura direitista de Bebé. Como Lula , descobriu que é impossível chegar ao paraíso sem molhar as barbas nos lagos do purgatório e inferno. Estava ali , pois, na vice de um candidato do PFL, ou do DEMO, já que o partido resolvera assumir suas verdadeiras raízes. O certo é que a coisa pegou fogo. Bebé coordenava uma rede grande de crediaristas e não lhe faltava dinheiro para campanha e Sanderval abriu os cofres públicos no financiamento da própria candidatura. Já há quinze dias do pleito, a derrama de dinheiro e promessas parecia inimaginável.
Consta que Bibiano, um morador de Cel Serapião Garrido, dirigiu-se ao Comitê de Sanderval Bandeira, solicitando um par de alianças : ia contrair matrimônio no fim de semana. Sanderval o recebeu com um abraço e , em meio a uma centena de promessas daquele mesmo dia, arrolou mais esta. Garantiu a Bibiano que no dia do casório ele passasse no Comitê para pegar as argolas matrimoniais. O noivo confiou na palavra do prefeito, talvez fosse o único da cidade que tivesse esta coragem. No dia, conforme combinado, procurou o Comitê e se desesperou. Nada tinha sido providenciado. O casamento estava marcado para as cinco horas e faltavam apenas trinta minutos. E o pior é que o informaram que Sanderval estava num comício na Rua do Caneco Amassado. Partiu para lá, encontrando uma multidão enorme que havia comparecido menos para ouvir a conversa mole do prefeito e mais para ver a banda de forró que animaria o evento. Com dificuldade, começou a romper a multidão , tentando se aproximar do palco, onde Sanderval já pronunciava seu discurso. Tomou chegada e havendo alguma visibilidade, começou a pular e a gritar , com os braços levantados. Os dois dedos da mão esquerda , o fura-bolo e o cata-piolho, formavam uma roda, lembrando a aliança prometida e o indicador da mão direita entrava e saia pela rodinha, lembrando o dedo que receberia a argola matrimonial. De longe, Sanderval vendo aquela marmota , começou a suar frio, não conseguia entender a simbologia e pensou com os seus santinhos :
--- Meu Deus ! Já prometi tanta coisa que não dá pra controlar. E pra aquele ali, que diabo foi que prometi ? Será que foi o cu ?
O certo é que, terminado o comício, os puxa-sacos o tranqüilizaram:
-- Eram alianças seu prefeito, é que o gesto do homem era feio demais, vôte !
Bibiano teve que adiar o casamento e buscar outros meios para adquirir o indispensável utensílio de amarramento de gente em tronco de altar. Rogou praga pra tudo quanto é lado e o bicho tinha língua tinhosa. Sanderval perdeu a eleição para Bebé, por larga margem de votos, embora o IMAPE - Instituto Matozense de Pesquisas Eleitorais houvesse previsto o contrário.
Alguns dias depois da peia eleitoral, Sanderval reuniu seus assessores de Campanha para avaliar o pleito. O que havia finalmente acontecido ? Gastara uma fábula, buscara de todas as maneiras possíveis distribuir com os eleitores favores de todos os tipos e maneira e o resultado havia sido aquele: Nas labaredas do inferno por pelo menos quatro anos! Vários membros do Comitê emitiram sua opinião. Alguns falaram em traição de vereadores, outros acharam que , com as pesquisas do IMAPE, favoráveis a Sanderval , todos tinham se acomodado. Por último, o prefeito, com voz embargada, fez a síntese da derrota eleitoral:
--- Sinceramente, amigos, eu não sei o que aconteceu... Gastei o que a prefeitura não tinha... Dei tudo o que me pediram, tudo ! Só não dei mesmo o cu !
Parou um pouco, fitou tristemente todos e finalizou :
---- Mas também não consta que tenham pedido, não consta não !

De olho neles!!!


13ª Súmula Vinculante veda nepotismo nos Três Poderes

O Supremo Tribunal Federal (STF) acaba de aprovar, por unanimidade, a 13ª Súmula Vinculante da Corte, que veda o nepotismo nos Três Poderes, no âmbito da União, dos Estados e dos municípios. O dispositivo tem de ser seguido por todos os órgãos públicos e, na prática, proíbe a contratação de parentes de autoridades e de funcionários para cargos de confiança, de comissão e de função gratificada no serviço público.
A súmula também veda o nepotismo cruzado, que ocorre quando dois agentes públicos empregam familiares um do outro como troca de favor. Ficam de fora do alcance da súmula os cargos de caráter político, exercido por agentes políticos.
Com a publicação da súmula, que deverá ocorrer em breve, será possível contestar, no próprio STF, por meio de reclamação, a contratação de parentes para cargos da administração pública direta e indireta no Judiciário, no Executivo e no Legislativo de todos os níveis da federação.
Confira o enunciado da Súmula Vinculante nº 13:
“A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”

Fonte: http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=94747


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Proibição do STF alcança parentes até 3º grau
Oswaldo Miranda


Como previsto, o STF aprovou nesta quinta (21) a súmula que proíbe a contratação de parentes na administração pública. Vale para os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Aplica-se às esferas federal, estadual e municipal. Pelo texto, fica proibida a nomeação de cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau. Vedou-se também a esperteza da “nomeação cruzada”, quando uma autoridade contrata os parentes da outra e vice-versa. O texto da súmula é curto e grosso. Anota o seguinte: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta, em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” No entender do Supremo, estão excluídas da proibição as chamadas nomeações para cargos políticos: ministros, secretários de Estado e dos municípios.
Se for respeitada, a decisão do STF produzirá uma revolução no serviço público. A partir de agora, a contratação de parentes –ou a manutenção dos já efetivados—pode ser contestado diretamente no Supremo, por meio de uma simples reclamação.
Doravante, o gestor público ao menos terá de pensar dez vezes antes de manusear a caneta.
No Congresso, templo de nepotismo, a decisão do STF fez brotar uma idéia esdrúxula: a criação de uma cota para a nomeação de parentes.
Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que, na Câmara, não passa. Será? Garibaldi Alves (PMDB-RN) informou que, no Senado, será feito um rastreamento da parentela.
O próprio Garibaldi terá de pôr no olho da rua um sobrinho. Efrain Moraes (DEM-PB), primeiro-secretário da Casa, terá de mostrar o caminho do meio-fio a seis sobrinhos.
São apenas dois exemplos que, embora emblemáticos, estão longe de constituir casos isolados.

Fonte: http://www.cearaagora.com.br/index.htm

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Prospera no Senado a idéia da ‘cota para parentes’

De mansinho, os senadores içam à superfície um debate que corre pelos corredores do Congresso com uma velocidade de água morro abaixo.
Envolve, veja você, a criação de uma cota para a nomeação de parentes no Legislativo. Uma maneira de driblar a proibição imposta pelo STF.
“Eu defendo sim”, diz, por exemplo, com hediondo desassombro, Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que empurrou três parentes para dentro da folha salarial do Senado.
"É importante ter uma qualificação. Não posso pegar um motorista e colocar no cargo de um assessor mais alto..."
"...Enquanto não há uma norma proibindo, eu uso o critério da lógica: dos cargos 20 funcionários, três são parentes...”
“...Antes não tinha nada que dizendo que não podia. Mas é preciso acabar com abusos, eu reconheço."
Engana-se o senador. “Antes” havia, sim, um texto “dizendo que não podia.” Texto graúdo: a Constituição da República.
O Supremo não fez senão interpretar o que reza a Constituição. O tribunal não legislou. Apenas apontou uma transgressão tão corriqueira quanto inaceitável.
Entre os senadores que estão tiriricas com a “intromissão” do STF está o valoroso Mão Santa (PMDB-PI). Emprega em seu gabinete a “bela” Adalgisa, mulher dele.
Portanto, caro contribuinte, “atentai bem.” Trate de vigiar os passos de seus representantes. Os e-mails da turma, convém lembrar, estão disponíveis no sítio do Senado.
Para facilitar-lhe o trabalho, a caixa de correspondências de Mozarildo está disponível aqui.
Fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/

O apoio de Solange

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Visita ao país dos ricos mais ricos

(Clóvis Rossi)

SANTANDER - Já tratei recentemente, neste espaço, da lenda da queda da desigualdade e dos números da miséria brasileira, explicitada em pesquisa que o Ibase (a ONG do Betinho) fez com os beneficiados pela Bolsa Família. Faltava só visitar os ricos. Andrés Oppenheimer ("Miami Herald", prêmio Pullitzer) se antecipou e mostra o que só pode ser surpresa para os que acreditam em duendes ou na lenda da queda da desigualdade.
Vejamos os dados por ele coletados no "Informe Mundial da Riqueza-2008", preparado por Capgemini e Merrill Lynch:
1 - Os ricos da América Latina estão enriquecendo mais rapidamente que seus pares de todas as demais regiões do mundo e já acumularam US$ 6,2 bilhões em valores financeiros, sem contar imóveis e coleções de arte.
2 - Nos três anos mais recentes, os ricos latino-americanos viram suas fortunas aumentar 20,4%, enquanto os pobres árabes donos do petróleo só ficaram 17,5% mais ricos. Os norte-americanos, então, tadinhos, engordaram suas contas apenas 4,4% (essa gente ainda vai morrer de fome nesse ritmo).
3 - Em que países os ricos ficaram ainda mais ricos? Adivinhou: Brasil, claro, o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores. Ah, no segundo lugar no torneio do enriquecimento aparece quem?
Sim, ela, a Venezuela do "socialismo do século 21" (vai ver que é o socialismo que distribui renda para os ricos). Só depois é que aparece o Chile, que, desde a ditadura Pinochet, é o queridinho dos tais mercados.
Conclusão, algo óbvia, mas correta de Oppenheimer: "Em vez de ostentar o recorde de concentração de riqueza, a região deveria esforçar-se para ter maior número de indivíduos moderadamente ricos e muito menos pobres". E o Brasil deveria parar de festejar lendas e misérias.

Viva a Argentina!

(Juremir Machado)
Eu adoro perder para a Argentina. Ainda mais quando os hermanos nos humilham. Tomar 'chocolate' é algo que me fascina. Sou masoquista. Amo ser pisoteado por adoradores de tango e por eleitores dos Kirchner.
Um país que estabelece uma dinastia democrática neoperonista me seduz. Há algo de extraordinário nessas operações nostálgicas que fazem de uma nação um museu arqueológico.
Os Estados Unidos tentaram com os Clinton passar o poder de marido para mulher, mas não conseguiram. Felizmente, já tinham chegado lá, na fórmula tradicional do pai para filho, com os Bush. A população mundial é um rebanho nos currais de poucas famílias.
No Brasil, sempre atrasado, só chegamos a esse patamar de civilização com a família Garotinho, no Rio de Janeiro, já esquecida. Certo é que vibro quando a Argentina nos surra. É a prova de que não somos sempre os melhores do mundo. Graças a Deus. O esporte só é interessante quando os títulos e as medalhas mudam de mão.
Se Michael Schumacher não tivesse parado, a Fórmula 1 teria morrido. Se Phelps continuar nas piscinas, a natação será um tédio. O melhor das competições são as grandes e inesperadas derrotas.
Um atleta que ganha sempre se torna um chato. Tocar com as nádegas no chão pode ser um importante exercício antropológico de relativização. Baixa a crista. O esporte continua a ser, como na época dos nossos ditadores fardados, um instrumento de ufanismo ideológico nacionalista. Galvão Bueno, na Rede Globo, é um Médici do microfone.
Pra frente, Brasil, salve a Seleção. Mas a Seleção não se salva. Brasil, ame-o ou deixe-o jogar mal. Em campo, o time tenta adormecer o adversário com a sua falta de ousadia e de agressividade. Os argentinos não caíram nessa estratégia enfadonha e nos massacraram.
Cada vez mais, o esporte cumpre duas funções essenciais: salvar-nos do tédio dos domingos à tarde e incutir-nos uma boa auto-estima com o chapéu alheio.
É a melhor maneira de fazer ginástica sem precisar sair do sofá. Sem contar que o esporte, especialmente o futebol, serve de alternativa para alguns capítulos de novela. O seu papel mais importante, no entanto, é geopolítico. Entenderam?
Uma Olimpíada serve para desmascarar todas as hipocrisias universais: aceitam-se a censura, o desrespeito aos direitos humanos, partilhar bons momentos com ditaduras, o trabalho infantil, a mentira, o cinismo, tudo.
É uma situação especial em que os países se encontram para celebrar tudo aquilo que não praticam em nome de uma falsa idéia de participação desinteressada.
Cada um quer ser o melhor e pronto. Nada contra. O problema é provar isso na hora do corpo a corpo. No Brasil versus Argentina da última terça, de repente, os clichês se inverteram: a Argentina era o Brasil, o Brasil era a Argentina.
Os argentinos driblavam, dançavam, atacavam e sorriam. Os brasileiros, duros e medíocres, batiam, apelavam, perdiam a cabeça e davam vexame. Os comentaristas buscavam desesperadamente uma explicação racional para o nosso fracasso.
Uma falha em nossa estratégia ou um problema na postura dos nossos jogadores teria de justificar o injustificável. A verdade, contudo, era bem mais simples: os argentinos eram melhores.
A idéia de que, em futebol, o Brasil deve ganhar sempre é uma doce mentira que a realidade teimosamente insiste em negar. Argentina e Brasil são iguais: duas faces do mesmo chocolate ufanista. A hegemonia esportiva é a última palavra do nacionalismo.

Fonte: http://entrelacos.blogger.com.br/

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Poesia sempre

A tecelã
(Mauro Mota)

Toca a sereia na fábrica,
e o apito como um chicote
bate na manhã nascente
e bate na tua cama
no sono da madrugada.

Ternuras da áspera lona
pelo corpo adolescente.
É o trabalho que te chama.
Às pressas tomas o banho,
tomas teu café com pão,
tomas teu lugar no bote
no cais do Capibaribe.

Deixas chorando na esteira
teu filho de mãe solteira.
Levas ao lado a marmita,
Contendo a mesma ração
Do meio de todo o dia,
a carne-seca e o feijão.

De tudo quanto ele pede
Dás só bom-dia ao patrão,
e recomeças a luta
na engrenagem da fiação.

Ai, tecelã sem memória,
de onde veio esse algodão?
Lembras o avô semeador,
com as sementes na mão,
e os cultivadores pais?
Perdidos na plantação

Ficaram teus ancestrais.
Plantaram muito. O algodão
nasceu também na cabeça,
cresceu no peito e na cara.

Dispersiva tecelã,
esse algodão quem colheu?
Tuas pequenas irmãs.
Deixando a infância colhida
e o suor infantil e o tempo
na roda da bolandeira
para fazer-te fiandeira.

Ai, tecelã perdulária,
esse algodão quem colheu?
Muito embora nada tenhas,
estás tecendo o que é teu.

Teces tecendo a ti mesma
na imensa maquinaria,
como se entrasses inteira
na boca do tear e desses
a cor do rosto e dos olhos
e teu sangue à estamparia.

Os fios dos teus cabelos
entrelaças nesses fios
e outros fios dolorosos
dos nervos de fibra longa.

Ó tecelã perdulária,
enroscas-te em tanta gente
com os ademanes ofídicos
da serpente multifária.

A multidão dos tecidos
exige-te esse tributo.
Para ti, nem sobra ao menos
Um pano preto de luto.

Vestes as moças da tua
idade e dos teus anseios,
mas livres da maldição
do teu salário mensal,
com o desconto compulsório,
com os infalíveis cortes
de uma teórica assistência,
que não chega na doença,
nem chega na tua morte.

Com essa policromia
de fazendas, todo dia,
iluminas os passeios,
brilhas nos corpos alheios.

E essas moças desconhecem
o teu sofrimento têxtil,
teu desespero fabril.

Teces os vestidos, teces
agasalhos e camisas,
os lenços especialmente
para adeus, choro e coriza.

Teces toalhas de mesa
e a tua mesa vazia.

Toca a sereia da fábrica,
e o apito como um chicote
bate neste fim de tarde,
bate no rosto da lua.
Vais de novo para o bote.
Navegam fome e cansaço
nas águas negras do rio.

Há muita gente na rua
parada no meio fio.
Nem liga importância à tua
Blusa rota de operária.
Vestes o Recife, e voltas
para casa, quase nua.

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Mauro Mota nasceu no Recife a 16 de agosto de 1911. Criado em Nazaré da Mata, iniciou-se na escola primária da professora Alice Vieira. Feitos os estudos secundários na capital, no Ginásio do Recife e no Colégio Salesiano, bacharelou-se em Direito em 1937. Não se sentiu atraído pela profissão, dedicando-se ao jornalismo, no qual se iniciara em 1934 e ao magistério desde 1942, sobretudo como professor do IEP (1950-1972), nomeado catedrático por concurso de provas e títulos.
Profundamente integrado ao jornalismo mais no Diário de Pernambuco, a partir de 1941, Mauro Mota só se decidiu a estrear em livro em 1952, embora seu nome, a essa época, já houvesse conquistado projeção nacional como poeta, aparecendo continuamente nos suplementos literários do Rio de Janeiro e nos do Recife. Esse livro foi Elegias. Como ele, conquistou o "Prêmio Olavo Bilac", da Academia Brasileira de Letras. Saudado pela crítica como grande poeta, Mauro Mota iniciou, então, sua notável carreira literária, onde a poesia se apresenta como o fator principal de sua projeção no mundo das letras. Mas na obra do autor, também a prosa ganha relevo especial na projeção do seu nome, abrangendo a crônica, o folclore, os estudos de sociologia regional e a geografia.
Além de professor em diversos estabelecimentos de ensino em Pernambuco, foi Diretor do Diário de Pernambuco; Diretor Executivo do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (1956-1970) e Diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco (1971-1972). Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana de Letras, foi Diretor do Arquivo Público Estadual de Pernambuco. Pertenceu ao Conselho Federal de Cultura.
Alguns livros de Mauro Mota: Poesia - A Tecelã; Os Epitáfios; Canto ao Meio; Itinerário; Antologia Poética. Prosa - O Cajueiro Nordestino; O Pátio Vermelho; Modas e Modos; Os bichos na fala da gente; Bê-a-bá de Pernambuco.
Sua bibliografia é ampla e diversificada, tendo sido incluído em muitas antologias nacionais. Muitos de seus Seus poemas foram traduzidos em inglês, francês, italiano e castelhano.
Faleceu no Recife, em 22 de novembro de 1984.

Fonte: www.cec.pe.gov.br/imagens/mauromota.jpg


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Notícia promissora

Juazeiro do Norte

Presidente Lula inaugura amanhã o Campus da UFC no Cariri


O Campus da UFC no Cariri será inaugurado nessa quarta-feira, 20, às 16h, pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que vem acompanhado do Ministro da Educação, Fernando Haddad. A Pró-Reitora de Assuntos Estudantis, Profª Clarisse Ferreira Gomes, representará a Reitoria da UFC na solenidade, a ser realizada às 16h, nas novas instalações do campus, situadas no bairro Universitários, em Juazeiro do Norte. Ali foi concluída a primeira etapa do complexo, que ocupará, no final, uma área de 23 hectares.
O Campus do Cariri inclui também as unidades de Barbalha, onde funciona a Faculdade de Medicina, desde 2001, e a do Crato, a ser construída em terreno de 16 hectares, cedido pela Prefeitura daquele município, no bairro de Muriti. Após quase dois anos de atividades funcionando em instalações cedidas pela Universidade Regional do Cariri (Urca), o Campus da UFC em Juazeiro abrigará, em sua sede definitiva, os cursos de Administração, Biblioteconomia, Engenharia Civil e Filosofia, assim como o de Agronomia, que aí funcionará provisoriamente, até que sua sede seja construída no Crato.
As novas instalações contam com sete salas de aula, cinco laboratórios (Física, Química, Biologia, Materiais e Informática – este último com 40 computadores), cinco gabinetes para coordenações de curso e nove para professores, uma biblioteca, sala de reunião e sala de desenho, entre outras dependências de apoio. A segunda etapa do projeto está em fase de conclusão e deve ser entregue em outubro, segundo o Prof. Ricardo Ness, Vice-Diretor do Campus. Incluirá mais salas de aula, laboratórios, auditório, sala de multimeios, gabinetes e salas de apoio. A terceira etapa deverá ser licitada em setembro.

Fonte: Prof. Luiz Antônio Maciel de Paula, Chefe de Gabinete da Reitoria da UFC
http://www.campuscariri.ufc.br/portal/

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UFC GANHA CAMPUS AVANÇADO JÁ COM PROJETOS DE EXPANSÃO
Para o prefeito de Juazeiro, Raimundo Macedo, a instalação do Campus Avançado da UFC se constitui numa das mais importantes obras dos últimos tempos em Juazeiro do Norte. O município contribuiu com a iniciativa quando doou 200 mil metros quadrados de área e toda a infra-estrutura como moderna avenida de acesso, água, luz e telefone. O Campus será inaugurado às 16 horas desta quarta-feira, dia 20 de agosto, prelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito. Raimundão comemora o fato da UFC se instalar oficialmente em Juazeiro já com planos para a instalação de sete novos cursos cada um com 50 vagas aderindo ao programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. Assim, em 2011, serão imp lantados os cursos diurnos de tecnólogo em Gestão Ambiental e Agronegócio. Curso diurno profissional de Engenharia Agrícola e Ambiental, além do diurno bacharelado em Sistemas de Informação e noturno em Ciências da Computação. Para 2012, a previsão é dos cursos diurnos profissional em Engenharia Mecânica e, em nível de tecnólogo, noturno em Produção Joalheira.

Fonte: http://tarsoaraujo.blogspot.com/
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Previsão de implantação dos novos cursos

Fonte: http://www.campuscariri.ufc.br/

QUARTA VIA: orçamento municipal


Entendendo o Orçamento Municipal

O orçamento municipal é onde estão definidos os recursos financeiros necessários à execução das políticas sociais públicas. Sem orçamento bem feito, municipalização, participação, descentralização e autonomia são apenas intenções.
O orçamento transforma em recursos financeiros os objetivos e prioridades da administração pública: do poder público e das comunidades organizadas.
A participação dos cidadãos na vida do município precisa estar refletida no orçamento municipal. Num quadro de recursos financeiros escassos, os diferentes grupos sociais competem para que suas demandas e necessidades específicas sejam priorizadas. O orçamento municipal (sua elaboração e sua execução) reflete o resultado dessa competição.

Os prazos do Executivo e Legislativo para elaboração e aprovação da proposta orçamentária estão estabelecidos na Lei Orgânica Municipal, com as votações das dotações orçamentárias (destinação dos recursos financeiros) acontecendo, geralmente, no final do 1º semestre do ano que antecede a execução do orçamento. Portanto, já no começo do ano, deve-se iniciar um processo democrático de definição das prioridades municipais que comporão o orçamento do ano seguinte.
Fonte: http://www.mp.mg.gov.br/extranet/visao

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Descaso com o Orçamento expõe falta de projeto


Está cada vez mais raro encontrar prefeitos que se preocupam em eloborar a peça orçamentária dos municipais para os quais governam e, mais ainda, os que buscam discutir o futuro das cidades com o cidadão.

STANISLAW GUARANI


Quem se importa com isso?
Anualmente as administrações públicas municipais precisam elaborar o orçamento anual do município.
Orçamento é uma ferramenta de extrema importância para o planejamento das ações de um governo para com a cidade. Nele, a prefeitura municipal prevê as receitas, frutos dos impostos e contribuições que pagamos, e estima as despesas onde a administração pretende desenvolver suas ações no campo da educação, saúde, assistência social, obras, serviços, manutenção da máquina administrativa e demais despesas.
Partindo deste princípio, o orçamento simplesmente define o futuro de um município e conseqüentemente o destino dos seus cidadãos.
Por ser uma ferramenta tão importante é lamentável que não seja discutida com a população, teoricamente quem deveria mais se interessar pelo destino do dinheiro público.
Para maior tristeza, na maioria das vezes o orçamento público não é discutido nem dentro da administração pública. É isto mesmo o que você entendeu! A maioria dos prefeitos assina uma peça orçamentária, geralmente montada pelo contador da prefeitura, que vai ser discutida e votada na Câmara Municipal, sem sequer saber sobre o conteúdo daquilo que ele está assinando.
Você certamente deve estar pensando, mas os vereadores farão a aferição e análises necessárias para a boa definição da aplicação dos recursos da prefeitura.
Outro engano, meu caro leitor. Em regra, os vereadores não sabem ler uma peça orçamentária. Assim sendo, o vereador que entende um pouco de orçamento leva ligeira vantagem sobre os demais colegas, que acabam servindo de massa de manobra para as pretensões do prefeito. É cada vez mais raro vermos emendas de vereadores no orçamento municipal.
É no orçamento municipal que deveria ficar clara a definição das prioridades do governante. Onde e quanto se pretende investir em obras e serviços? Quantos funcionários públicos concursados precisam ser contratados? Quanto é a estimativa de gasto com a manutenção da máquina pública? Enfim, onde queremos chegar com este orçamento municipal?
Como os governantes não têm conhecimento do que pretendem fazer no próximo ano, o orçamento municipal é uma mera lei, que poderá ser alterada ao bel prazer do prefeito, principalmente nas cidades onde a Câmara Municipal não exerce sua prerrogativa de fiscalização do executivo municipal, permitindo ao prefeito remanejar por decreto até mais de 40% do orçamento, sem necessidade de autorização dos vereadores.
O orçamento municipal, sem planejamento e mal elaborado, é o primeiro passo para a improvisação, característica marcante nos municípios maus administrados e a mercê de governantes do tipo coronéis modernizados.
Na própria ONU existe a recomendação para que os orçamentos sejam discutidos com a população, mas são muito poucos municípios com governantes progressistas, que aceitam o desafio e ousam tentar levar esta discussão com os moradores.
Assim, é possível entender as “prioridades” dos governantes. Na maioria das vezes agem apagando incêndios e tapando buracos, sem planejamento e gastando mais do que o arrecada. Os déficits nas prefeituras têm sido a regra, sendo raros os casos onde existe equilíbrio entre receita e despesa.
Sem planejamento nas administrações municipais, com prefeitos e assessores incompetentes, existe um ou outro projeto casual, mais de efeito que necessidade, articulando mídia e vaidade pessoal, cujo resultado mostra municípios desorientados, endividados, carentes de propostas sérias e população desmotivada com seus governantes.
Ainda assim, pesquisas mostram alguns prefeitos se sustentando com relativa aprovação pública mesmo tendo um discurso sem conteúdo, mas sedimentado pelas generalidades e com forte apelação religiosa [fundamentalismo?].
Todavia, as mesmas pesquisas apontam a dificuldade deste tipo de governante em se manter no poder, caso apareçam adversários com propostas, conteúdo e com histórico de realizações.
Sem dúvida são características não muito fáceis de encontrar em políticos, mas sempre é possível estimular a população a pensar sobre uma nova característica. Aí a competência do marketing é fundamental. Mas também aí já é outro assunto.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


TERÇA POESIA E PROSA

Por Não Estarem Distraídos
(Clarice Lispector)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.

Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.

No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.

Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

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Uns Versos

(Adriana Calcanhotto)

Sou sua noite, sou seu quarto

Se você quiser dormir

Eu me despeço

Eu em pedaços

Como um silêncio ao contrário

Enquanto espero

Escrevo uns versos

Depois rasgo

Sou seu fado, sou seu bardo

Se você quiser ouvir

O seu eunuco, o seu soprano

Um seu arauto

Eu sou o sol da sua noite em claro, um rádio

Eu sou pelo avesso sua pele

O seu casaco

Se você vai sair

O seu asfalto

Se você vai sair

Eu chovo

Sobre o seu cabelo

pelo seu itinerário

Sou eu o seu paradeiro

Em uns versos que eu escrevo

Depois rasgo

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Poesia da amante

Adalgisa Néri


Eu te amo

Antes e depois de todos os acontecimentos

Na profunda imensidade do vazio

E a cada lágrima dos meus pensamentos.

°°°

Eu te amo

Em todos os ventos que cantam,

Em todas as sombras que choram,

Na extensão infinita do tempo

Até a região onde os silêncios moram.

°°°

Eu te amo

Em todas as transformações da vida,

Em todos os caminhos do medo,

Na angústia da vontade perdida

E na dor que se veste em segredo.

°°°

Eu te amo

Em tudo que estás presente,

No olhar dos astros que te alcançam

Em tudo que ainda estás ausente.

°°°

Eu te amo

Desde a criação das águas,

desde a idéia do fogo

E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

°°°

Eu te amo perdidamente

Desde a grande nebulosa

Até depois que o universo cair sobre mim

Suavemente.

Eleição - O que faz a diferença

Atenção: tirem as crianças da sala. Começa amanhã no rádio
e na televisão o período de 45 dias de propaganda eleitoral
gratuita de candidatos a prefeito e a vereador.

Gratuita, de fato, não é. Pois custa uma grana preta tentar produzir programas de boa qualidade. E ao fim e ao cabo para quê? Para serem ignorados pela maioria dos eleitores.
Política é carreira para os mais narcisistas entre nós. Pense bem: o aspirante a um mandato eletivo é obrigado a se apresentar ao distinto público como o melhor entre os melhores. Na verdade como o único que merece subir ao pódio. E para isso, muitas vezes tem que esculachar os adversários – embora prometesse jamais fazê-lo, limitando-se ao debate de idéias e à defesa de propostas de governo.
O que esperar de programas estrelados por esse tipo de gente?
Ora, além do auto-elogio, o que essa gente imagina que desejamos ouvir. Imagina, não, tem certeza.
Candidato com pinta de vencedor, que consegue arrecadar muito dinheiro, não dispensa pesquisas. São elas que o orientam a dizer o que o eleitor quer escutar – o que nem sempre é o que o candidato gostaria de dizer. Ou o que ele pensa. Às favas todos os escrúpulos!
Propaganda tem mais compromisso com a verossimilhança do que com a verdade. Por mais que não exista verdade absoluta, o jornalismo é forçado a persegui-la.
Notícia honesta é a melhor versão de um fato. Uma boa peça de publicidade é a criação mais sedutora para vender um produto. Em busca de voto, o candidato vira um produto - queira ou não. E como tal é tratado pelos que cuidam de sua imagem.
Os marqueteiros afirmam que candidato não pode ser vendido como se vende um sabonete, por exemplo. Ou uma cerveja.
Menos, menos... Se dissessem o contrário perderiam o emprego.
As mais sofisticadas técnicas de propaganda utilizadas para a venda de qualquer produto estão a serviço do candidato que possa pagar por elas. Tem dinheiro? Leva. Sem a garantia, no entanto, de que levará junto a atenção do eleitor.
Em agosto de 2002, o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi, pesquisou o interesse do brasileiro pelos programas de propaganda dos candidatos a presidente da República. Descobriu que não passavam de 22% os espectadores assíduos. E veja quanto Coimbra foi generoso: classificou como assíduo o que respondeu ter assistido a pelo menos um ou dois programas por semana.
Espectadores eventuais somaram 32% do universo pesquisado. E os não espectadores, 46%.
Coimbra repetiu a pesquisa em 2006 e obteve resultados parecidos. Ele resume: mais da metade dos brasileiros não gosta ou detesta os programas. Um terço os tolera. E cerca de 15% juram que gostam deles.
O que pode fazer então diferença em matéria de propaganda eleitoral? Os comerciais de 30 segundos ou de um minuto dos candidatos.
Sabe por quê? Porque você não sabe o momento que eles irão ao ar. Assim não tem como escapar deles.
É justo admitir: os comerciais são menos chatos do que os programas. E por isso mais eficientes.
Foi em 1996 que pela primeira vez os candidatos a prefeito tiveram direito a repartir 30 minutos diários de comerciais. O número de comerciais por candidato depende do número de deputados federais dos partidos que o apóiam.
Quanto mais desconhecido for um candidato, maiores suas chances de crescer nas pesquisas de intenção de voto turbinado pelos comerciais, segundo Coimbra.
Poucos sabiam quem era Celso Pitta até ele ser lançado para disputar a prefeitura de São Paulo. Em pesquisa do Instituto Datafolha, Pitta tinha 4% das intenções de voto no fim de julho de 1996. Empurrado pelos comerciais, saltou para 43% um mês depois.
No mesmo período, e em parte também pela mesma razão, Luiz Paulo Conde, candidato a prefeito do Rio de Janeiro, saiu de 4% das intenções de voto para 38%. E Cássio Taniguchi, candidato a prefeito de Curitiba, de 24% para 48%.
Os três se elegeram.

domingo, 17 de agosto de 2008

Notas de domingo

Transferência

O vigário de IP, Padre Ranilson, foi transferido. Breve a paróquia conhece seu novo novo pároco. A comunidade católica do município deve agradecer ao vigário por sua iniciativa na promoção da fé católica.


Agenda política 2008

A campanha 2008 pega fogo em IP. Muita mobilização, os fuxicos de sempre. Espero que o juiz tenha normatizado o uso exagerado dos carros de som que passam estourando os tímpanos da população. Aliás, a poluição sonora na cidade não é subproduto da eleição, é o mix da falta de educação com ausencia do poder público na administração da cidade. Pudera...

Programas de governo

Alguém já leu, viu, ouviu falar no programa de governo dos candidatos a prefeito de IP? E as propostas políticas dos candidatos a Câmara Municipal? Do jeito que a população anda ressabiada com o comportamento do legislativo municipal, no Brasil, é bom saber o que o seu candidato pretende fazer se for eleito.


Prestação de contas

Até hoje ainda não foi disponibilizada a prestação de contas dos candidatos de Ip no site do TSE. Depois do valor que Maluf declarou, tudo é possível.


O marasmo de sempre

Enquanto vários municípios do interior se mobilizam para participar de programas governamentais, iniciativas culturais privadas e outras oportunidades, Ip continua na sua vidinha acomodada. É o vício da dependencia que alimenta os males da política e nos deixa à margem do século XXI. Mas, pelo menos, nesse caso, a política não pode responder sozinha por essa preguiça secular impregnada no comportamento coletivo. Acorda Alagoinha!!!

CPI DA PEDOFILIA AGENDA VISITA AO MUNICÍPIO DE MILAGRES, REVELA ISTOÉ
Por: Luciano Augusto

Complica-se a situação do candidato Hellosman Sampaio, do PMDB do deputado Eunício Oliveira, à prefeitura de Milagres. A CPI da Pedofilia agendou uma visita ao Município para investigar as denúncias de violência existentes na cidade. A CPI também deve apurar outras supostas acusações a Hellosman Sampaio. A informação está publicada na edição desta semana da revista Istoé, que está nas bancas. Leia mais sobre esse assunto na revista Istoé:
Reincidente
A CPI da Pedofilia agendou uma visita ao município de Milagres (CE), onde há denúncias de que um dos candidatos a prefeito estaria envolvido com exploração sexual infantil. O candidato já esteve na mira de outra CPI sobre abuso de menores
Fonte: http://www.cearaagora.com.br/index.htm

Diocese do Crato

No próximo dia 23 de agosto, Dom Fernando Panico ordenará, na Catedral de Nossa Senhora da Penha, em Crato, 7 novos padres caririenses. Seis são sacerdotes diocesanos e um é religioso pertencente à Congregação dos Servos de Jesus, que tem a sede na cidade de Campos Sales.

Fonte: http://www.caririag.blogspot.com/

Centro de Convenções do Cariri

Crato aguarda o início da construção do Centro de Convenções do Cariri. A previsão é que isso ocorra nos primeiros meses de 2009. Será o maior investimento feito pelo governo do Ceará na Cidade de Frei Carlos nos últimos 25 anos. Esse centro será um equipamento polarizador regional que contemplará diversas atividades culturais e sociais tais como seminários, cursos profissionalizantes, exposições feiras, teatro, dentre outras.
O Centro de Convenções do Cariri será construído às margens da estrada Crato – Juazeiro, no bairro Muriti, próximo a projetada Cidade Universitária – num terreno de aproximadamente 20 mil m2 – e ficará distante a 5 km do centro da cidade e a 10 km do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte. Sua estrutura contará com aproximadamente 4 mil m2, abrigando dentre seus principais ambientes, espaço para oficinas, um teatro com capacidade para 1.000 (mil) pessoas, quatro auditórios com capacidade para 250 (duzentos e cinqüenta) pessoas cada, uma sala multiuso com flexibilidade de layout, além de um restaurante.
Fonte: http://www.caririag.blogspot.com/


Basílica Menor

No próximo dia 15 de setembro, durante missa solene, será feita a leitura do Decreto do Papa Bento XVI concedendo ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte o título de Basílica Menor. Entre as igrejas católicas – espalhadas pelo mundo – algumas são distinguidas pelo Vaticano com esse título, o que permite um vínculo particular com o Papa e a Diocese de Roma. Geralmente são santuários importantes de peregrinação. Este é o caso do templo juazeirense que teve início numa humilde capelinha construída pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro em 1827. Por orientação de Dom Fernando Panico a Basílica Menor de Juazeiro do Norte poderá ser citada abreviadamente: “Basílica-Santuário de Nossa Senhora das Dores”.

ELEIÇÕES 2008: Eleição de vereador depende do quociente eleitoral


Em 5 de outubro próximo, eleitores de todo o Brasil irão às urnas para escolher o prefeito e o vice-prefeito de cada cidade, além dos representantes da Câmara de Vereadores. Apenas nos municípios que possuem mais de 200 mil eleitores há possibilidade de segundo turno, dia 26 de outubro, para a escolha do prefeito. A Lei das Eleições (Lei 9.504/97) prevê um segundo pleito se nenhum candidato conseguir a maioria absoluta dos votos — 50% mais um — no primeiro turno.
Na eleição para prefeito e vice-prefeito adota-se o princípio majoritário, assim como na escolha de presidente da República, governadores e senadores. De acordo com este princípio, será considerado eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos (sem contar brancos e nulos), como prevê o artigo 3º da Lei das Eleições.
Para a escolha dos vereadores é utilizada a eleição proporcional, como no pleito para deputado federal e estadual. Neste sistema, não é necessariamente eleito quem consegue mais votos. Para elegerem-se, os candidatos dependem do quociente eleitoral e partidário.
Quociente Eleitoral
Só poderão concorrer à distribuição dos lugares na Câmara Municipal, os partidos e coligações que alcançarem o quociente eleitoral — resultado da divisão do número de votos válidos (todos os votos excluídos brancos e nulos), pelo de lugares a preencher no Legislativo local. De acordo com o artigo 111 do Código Eleitoral (Lei 4.737/65), se nenhum partido ou coligação alcançar o quociente eleitoral, até serem preenchidos todos os lugares, serão considerados eleitos os candidatos mais votados.
Na última eleição para vereador, em 2004, por exemplo, o maior quociente eleitoral foi da cidade de São Paulo: 108.308 votos. Ou seja, para eleger um vereador, o partido ou coligação teria que conseguir, no mínimo, essa quantidade de votos. Foi por causa do quociente eleitoral que, no último pleito municipal, na cidade do Rio de Janeiro, um vereador com 6.827 foi eleito, enquanto outros com mais de 16 mil votos não saíram vitoriosos.
Quociente Partidário
Os partidos elegem a quantidade de candidatos que o quociente partidário indicar. Para chegar à quantidade de cadeiras que cada legenda ou coligação terá, ou seja, o quociente partidário, divide-se o número de votos que obteve pelo quociente eleitoral. Quanto mais votos a legenda ou coligação conseguir, maior será o número de cargos destinados a ela. Os cargos devem ser preenchidos pelos candidatos mais votados do partido ou coligação.
Com os quocientes eleitorais e partidários pode-se chegar a algumas situações. Um candidato A, mesmo sendo mais votado que um candidato B, poderá não alcançar nenhuma vaga se o seu partido não alcançar o quociente eleitoral. O candidato B, por sua vez, pode chegar ao cargo mesmo com votação baixa ou inexpressiva caso seu partido ou coligação atinja o cociente eleitoral.
Quando sobram vagas, mesmo depois de preenchidos os quocientes partidários, faz-se uma nova conta, chamada de cálculo de distribuição das sobras com base no artigo 109 do Código Eleitoral. Para esta distribuição utiliza-se a votação válida de cada partido que já conquistou vagas, dividida pelo número de vagas obtidas no quociente partidário, mais um.
Cadeira de vereador
O número de cadeiras disponíveis na Câmara Municipal é proporcional ao número de habitantes, de acordo com o artigo 29, inciso IV, da Constituição Federal. Para municípios de até um milhão de habitantes, por exemplo, haverá o mínimo de nove e máximo de 21 vereadores.
Em agosto de 2004 o Supremo Tribunal Federal definiu que os municípios têm direito a um vereador para cada 47.619 habitantes (Recurso Extraordinário 197.917). A decisão e os critérios que estabeleceu foram firmadas no mesmo ano, na Resolução 21.702/2004 do TSE.

Fonte: http://blogdeiguatu.blogspot.com/

Brasileiros acreditam que a corrupção é maior nas câmaras municipais



Patrícia Aranha
Estado de Minas

Os vereadores estão na berlinda. O brasileiro acredita que a corrupção, um dos grandes problemas do país, está mais presente nas 5.552 câmaras municipais. Depois delas, no ranking dos ambientes mais corruptos estão a Câmara dos Deputados, as prefeituras e o Senado. Apesar dos escândalos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a Presidência da República vem em oitavo lugar, atrás também das pessoas mais ricas, dos governos estaduais e dos empresários.
Os dados são da pesquisa encomendada pelo Centro de Referência do Interesse Público (CRIP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ao instituto Vox Populi e que será discutida em 4 de setembro num seminário onde também será lançado o dicionário A corrupção: ensaios e críticas, patrocinado pela Fundação Konrad-Adenauer, com artigos de 61 pesquisadores e mais de 400 páginas.
Proximidade
No levantamento, feito com recursos da Fundação Ford, foram ouvidas, em maio, 2.421 pessoas, em 139 municípios, desde localidades pequenas como Novo Horizonte do Oeste (RO), com 9,6 mil habitantes, até o berço do sindicalismo, São Bernardo do Campo (SP), com 780 mil habitantes, além das capitais. Um dos coordenadores do CRIP, o cientista político Leonardo Avritzer, acredita que as câmaras e prefeituras foram identificadas como ambientes mais corruptos porque estão mais próximas da população. “Não quer dizer que as outras instituições são menos corruptas, mas que a percepção é maior no nível local”, avalia.
Reflexos dos escândalos
A pesquisa revela como o brasileiro se comporta em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de 77% considerarem a corrupção como um problema muito grave e mais da metade (54%) avaliar que ela aumentou muito nos últimos anos, quando perguntados se a elevação está relacionada ao governo Lula, apenas 17% respondem que sim. Três quartos dos entrevistados (75%) repetem o bordão do governo, de que o que houve não foi elevação da corrupção, mas maior apuração dos casos escondidos. Apesar da aparente incoerência, as respostas se relacionam com outras sondagens de opinião pública, feitas durante os maiores escândalos do primeiro e segundo mandatos de Lula, que mostravam o chamado “efeito teflon”, ou seja, que nenhuma denúncia colava na imagem do presidente.A pesquisa constata o reflexo de uma maior exposição dos escândalos na mídia. O caso do ex-presidente do Senado Renan Calheiros, que entre outras denúncias foi acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista e de usar laranjas na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas, é mais lembrado pela população do que o do metrô de São Paulo, que envolve propina e mortes, mas ocupou menos páginas de jornais. “O caso Renan é grave, mas não levou a mortos, nem teve um volume de recursos supostamente desviado como o do metrô paulistano”, lembra o cientista político Leonardo Avritzer. O brasileiro avaliza o papel da mídia: 87% dizem que ela está atenta aos casos de corrupção e 60% acham que ela age de forma imparcial.Gravidade
O levantamento UFMG/Vox Populi revela que o brasileiro percebe a corrupção como algo mais grave quando praticada por alguém eleito para defender os seus direitos ou que recebe salários pagos pelo governo. Quase a metade (45%) dos entrevistados acha que o ato que prejudica o Estado é mais corrupto quanto feito por funcionário público ou político. A imagem do alto escalão do governo é ruim perante a população. Nada menos que 48% dos entrevistados acreditam que a maioria dos que ocupam altos cargos no governo aceitariam entrar num esquema de desvio de verbas públicas se fossem convidados, enquanto outros responderam que a metade se corromperia. Apenas 14% disseram que uma minoria seria seduzida.
O brasileiro tende a ser mais tolerante com os desvios feitos pelos que são iguais a ele. Um policial que usa seu poder para tirar vantagem ou dinheiro de alguém é mais malvisto do que alguém que paga um funcionário público para agilizar a papelada numa repartição.