sábado, 13 de outubro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

Um dia, conversando com meu pai, Vicente Gomes, perguntei pra ele a razão do nome de minha sobrinha, filha de Haroldo, ser Gesilda. Ele me respondeu: “- porque essa é minha última mensagem ao patrão.” Patrão que soube se fazer amigo. Zé Macedo era a referência do meu pai. Ele era capaz de lembrar-se de cada gosto, cada palavra, cada gesto, cada conselho do velho patrão e quase pai. Nunca o vi mencionar o seu nome sem reverência e respeito. Em minha em casa, em Recife, acometido de Parkinson, com dificuldades na fala, fazia questão de me contar passagens de sua vida junto ao amigo. Parecia querer deixar gravado em algum lugar que fosse além dele, a sua eterna gratidão e infinito carinho. Suas vitórias, dores, alegrias eram vividas pelo meu pai como se fossem próprias. E eu, às vezes, ficava me perguntando como se constrói um amor assim incondicional, profundo e infinito. Quando Genilda estava doente, ele já tão castigado de seqüelas do Parkinson que lhe privava do convívio saudável e o condenava a observar o mundo porque já lhe era difícil falar, me chama e diz: “Não seria bom Genilda vir passar uns dias aqui com a gente? Quem sabe ela melhorava um pouco passando uns dias por aqui ?”. Para aproximar Zé Macedo dos mais jovens que não o conheceram, eu poderia dizer que ele era o pai de Bosco e Giseldina, avô de Irma, que a maioria conhece. Para os mais antigos, eu poderia lembrá-lo como o dono da Loja Macedo que ficava na esquina da Rua Coronel Gustavo Lima com o Largo da Feira, atualmente descaracterizado como Praça São Sebastião. Poderia dizer ainda que foi o chefe da família que morou na casa que atualmente é de Dr. Anchieta. Mas eu prefiro dizer que estou falando da mais cara lembrança do meu pai.

(Esta carta eu encontrei guardada no cofre da loja. Foi um presente de Bosco para o meu pai. Tentei, de certa maneira, acompanhar as épocas a que se refere, ora com fotografias, ora com informações complementares na coluna ao lado. Mais que uma carta, é um legado que repassa com detalhes as dificuldades do princípio do século. O conteúdo é muito longo para um blog e será subdivido em capítulos publicados, aos domingos, na seqüência do Domingo Memorioso. O capítulo de hoje trata do período de 1899 a 1920.)
Construirás os labirintos impermanentes / que sucessivamente habitarás.
(Cecília Meireles, "Desenho", in O Estudante Empírico).

AUTOBIOGRAFIA E REMINISCÊNCIAS
(José Macedo)

Nasci no dia 8 de setembro de 1899, em uma sexta feira, às 6 ½ horas da noite no Sítio Baixa Grande, município de Mulungu (1), na Serra de Baturité, meus pais Antonio Joaquim de Jesus Macedo e Edeltrudes Camelina de Macedo.
Meu pai antes sua morte, em 8 de outubro de 1914, na Fazenda Veados, município de Canindé (2), deixou para cada filho uma caderneta escrita de próprio punho com seus dados biográficos e úteis conselhos que depois de 50 anos observo-os e guardo em minha memória. Foi esta caderneta a única herança que nos legou e que muito proveitosa tem sido para mim.
Desde muito tempo que meus filhos mais velhos vinham insistindo para que eu descrevesse algo de minha vida, afim de conhecerem a trajetória de minha existência desde a infância até a data presente em que conto 64 anos de idade.
Sobre este ponto de vista eu vinha vacilando, não por inércia e sim por faltar-me a instrução precisa para este mister, pois os meus conhecimentos adquiridos naquela época, são inferiores ao atual curso primário.
Meu saudoso pai, foi pequeno proprietário na Serra de Baturité, porém, arruinando os tempos e faltando a safra de café, a principal fonte de renda daquela região foi obrigado a hipotecar os imóveis e mais tarde ficar sem eles. Como não tinha outra fonte de renda, resolveu fixar residência em Canindé e, como era homem que havia cursado o seminário de Fortaleza, tendo feito o 3º (terceiro) ano de Teologia, colocou-se como professor no colégio dos frades, naquela cidade, ganhando a importância de 100$000 mensais (cem cruzeiros , moeda atual) com essa importância sustentava uma família de 13 pessoas. Tudo em casa era racionado e a situação melhorava um pouco, quando meus dois irmãos, Moisés e Isaias que se encontravam no Amazonas mandavam algum dinheiro.
Minha irmã mais velha, Ester, que hoje conta com 80 anos, havia estudado com meu pai e adquirido alguns conhecimentos, portanto estava habilitada a alfabetizar as crianças. Botou uma escola para ensinar os meninos da vizinhança cobrando 2$000 mensais (dois cruzeiros) por cada menino.
Naquele tempo por falta de conhecimentos pedagógicos usavam fazer medo às crianças ameaçando aos que não estudassem de botá-los na marinha, o bicho papão, o terror das crianças. Era o tempo da palmatória, do piparote e outros castigos. Eu, que era um pouco inteligente, e o medo da marinha, dedicava-me de corpo e alma aos estudos, dentro de uma semana aprendi a carta do ABC, passei para o primeiro livro e a tabuada.
Nos dias de sexta-feira, tínhamos argumentos de tabuada e soletrar nomes. A professora colocava a meninada em roda, todos de pé, e começava: 5 e 6 noves fora vezes 2, quase todos erravam, então chegava a minha vez, logo respondia 4, pegava a palmatória e dava um bolo em cada um; a mesma coisa acontecia com o soletrar dos nomes, cabendo-me sempre o primeiro lugar, e assim passei 4 anos estudando com minha boa e dedicada irmã que nunca me deu um bolo e tratou-me com especial carinho. Quando ela não sabia mais para ensinar-me, meu pai que já havia deixado o colégio dos frades, empregava-se nas fazendas de homens ricos para ensinar-lhe aos filhos, então eu o acompanhava viajando na garupa dos animais que conduzia.
Foi assim que adquiri os conhecimentos com os quais estou escrevendo estas memórias, pois só estudei até a idade de doze anos. Como não tínhamos residência fixa, fomos morar no Sítio Monte Alegre, de propriedade de uma grande amiga e benfeitora de nossa família, D. Amelina Barbosa Cordeiro. Enquanto a família ali morava, eu fui para Riachão, hoje Capistrano de Abreu (3), como empregado de Francisco Nunes, ordenado de 25$000 (vinte e cinco cruzeiros). Naqueles tempos, eu contava com meus quinze a dezesseis anos. Em todos esses empregos, eu era sempre tratado com certo desprezo não tendo direito a sentar-me na roda da família do patrão. Em Riachão, o patrão tinha uma fábrica debeneficiar algodão e temendo algum sonho eu ia dormir dentro dela, junto aos fardos de algodão no meio de terrível imundície a fim de defendê-la de algum gatuno. Muitas vezes, depois de deitado, ouvia alguma pancada. Levanta-me e saia vigiando todos os compartimentos reparando as portas se estavam trancadas, etc e etc.
Em Riachão, sonhei com um mundo melhor, consegui juntar 100,00 e resolvi
conhecer a capital do meu Estado: Fortaleza. Tomei o trem da R.V.C. e ali chegando hospedei-me na primeira pensão que encontrei:, a Pensão Machado que, naquele tempo, ficava na Praça General Sampaio, perto da estação da R.V.C. Pagava uma diária de 5$000 (cinco mil réis ou seja cinco cruzeiros) . Era uma época de frio porém o hoteleiro não botou lençol e eu acanhei-me de pedir. Embrulhava-me com a própria rede e fazia travesseiro da roupa.
Em Fortaleza, eu não tinha conhecidos portanto ninguém me orientava. Muitas vezes, perdi-me bem perto da pensão e tinha que dar 200 réis a um garoto para ensinar-me. Como a minha hospedagem ficava perto da estação da via férrea, certa noite encontrei-me na Praça do Ferreira, o ponto mais central da capital. Quis voltar para dormir e fui ao ponto esperar um bonde, olhei para um que se aproximava e vi a placa – Estação, paguei um tostão de passagem, sentei-me no banco, o veículo moveu-se a seguir. Adiante, notei que tomava um rumo diferente da minha hospedagem, mesmo assim segui ao ponto terminal que era justamente a estação de bonde e o veículo ia recolher-se, um tanto acanhado perguntei ao motorista qual o bonde que me conduziria a estação da via férrea, respondeu-me que tomasse na praça o bonde que tinha esse nome. Assim, tive que voltar e fiz como me foi ensinado, neste vai e vem foram gastos 300 réis (valor atual de 30 centavos).

(Estação Central de Fortaleza)

Era minha intenção arranjar um emprego no comércio, não trazia nenhuma carta de recomendação, portanto não era portador de credenciais que me recomendassem. Mesmo assim, fui bater à porta da firma J. Lopes & Cia, estabelecidos com o comércio de tecidos, armazém de miudezas e artigos de exportação. Dirigi-me ao chefe da firma, Sr. João Lopes, homem de cara dura e autoritário, falei o emprego, fez-me algumas perguntas, se sabia ler e escrever, mandou assinar o nome, etc. Depois de minucioso interrogatório, disse que ia colocar-me e que me apresentasse ao gerente, Sr. Plínio, no armazém da praia, de compras de osso, crina de animais, chifres, etc. e as refeições seriam em sua casa residencial. Conforme as instruções recebidas apresentei-me ao gerente, assumi o emprego e para o almoço este disse-me que chegasse em casa do patrão 11 1/2horas. Como eu tinha um relógio Roscópia que me havia custado 5$000 réis (cinco cruzeiros) cheguei em cima da hora pois sempre gostei de ser pontual e cumprir ordens. Quando fui chegando em casa do patrão, o pessoal estava terminando o almoço e o chefe foi logo passando um áspero carão por eu ter chegado atrasado. Finalmente, mandaram que eu entrasse, com muito acanhamento, vestido de trajes humildes, com meus sapatos de couro de bode, saí pisando os tapetes do Sr. João Lopes. Sentei-me e pouco comi, dado o acanhamento que me encontrava.
Depois de um mês trabalhando na praia, fui transferido para o armazém de miudezas, na Rua Major Facundo. Como na época eu tinha uma boa letra e pouco se usava máquina de escrever, fui designado para o serviço do borrador, cálculo e extrair fatura que era escrita com tinta de cópia.
Naquele tempo, não havia Ministério do Trabalho, o empregado trabalhava as horas que o patrão quisesse, sem direito a qualquer extraordinário. Assim, entrávamos no armazém às 6 horas da manhã e saíamos às 7 da noite, muitas vezes ia até às 9 horas.
Eu atravessava uma das fases mais difíceis da existência humana que era o tempo da adolescência o excesso de trabalho físico e mental e a alimentação deficiente, pois alimentava-me duas vezes por dia em horas retardadas, causou-me um grande esgotamento nervoso que, apesar de ter tomado muito remédio, ainda hoje sofro as conseqüências.
Existe um adágio que diz: mal de muitos, consolo é. No mesmo armazém que eu trabalhava, tinha um rapazinho da minha idade por nome Raimundo Ribeiro, filho de um velho carpinteiro carregado de família, este era mais humilde do que eu, nosso ordenado era o mesmo com a diferença que eu tinha bóia e ele à sua própria custa. Muitas vezes, quando o armazém fechava para o almoço, ele não ia em casa e depois dizia-me , o meu almoço hoje foi um pão de tostão. O pobre rapaz vinha trabalhar com roupa remendada. Certa ocasião, o patrão reclamou que o traje dele não estava decente, respondeu ser o ordenado insuficiente para comprar roupas.
Mas seu Ribeiro era persistente e trabalhador, cursou a Fênix Caixeiral (4) e diplomou-se em perito contador. Deixou o emprego, conseguiu algum crédito, foi negociar por conta própria, casou-se e fez uma certa independência financeira, porém de tanto passar fome na sua adolescência terminou bem moço morrendo de tuberculose.
Cerca de um ano durou minha via crucis em Casa de J. Lopes & Cia. Toda sorte de humilhação me era imposta, algumas vezes encontrava cédulas de dinheiro entre as folhas do borrador, experimentando a minha honestidade porém a tentação do vil metal não me seduziu.Corria o ano de 1918 quando vem do Amazonas (5) meu irmão mais velho por nome Isaías, eram quatro os que se destinaram ao inferno verde. Moisés e Natal lá ficaram sepultados, regressaram Joel e Isaías, este último trouxe um pequeno capital e convidou-me para seu auxiliar no comércio, estabelecendo-se na cidade de Aurora onde fomos todos residir.
Inicialmente, a coisa não correu muito bem para nós. Com o comércio de tecidos meu irmão era um homem desambientado devido ao longo tempo que passou no Amazonas, não conhecia o ramo do negócio que abraçou e quando ia à praça fazer compras era sempre enganado pelos tubarões.
Distante de Aurora trinta quilômetros, achava-se a povoação de Boa Esperança, reduto do célebre caudilho José Inácio de Souza, grande chefe político e protetor de cangaceiros. Aquela povoação tinha seu nome na história pois lá que os célebres Viriatos, em anos remotos, se estabeleceram com vários bandidos que saquearam as cidades vizinhas, inclusive o estado da Paraíba que fica nos limites. Como Boa Esperança, oferecia certa vantagem comercial, resolvemos transferir a casa comercial para lá onde fomos residir com a família. Efetivamente fazíamos mais negócio porém o meio social era o pior possível. Os habitantes da localidade eram pessoas rudes e bem poucos sabiam ler e escrever, não havia escola para alfabetização das crianças e nem sequer tinha uma agência de correio. A cidade de Milagres era a sede do município onde residia o Cel. Domingos Furtado, poderoso chefe político e adversário de José Inácio. Na época das eleições, este juntava seu pessoal, botava à frente 20 ou 30 cangaceiros e lá ia votar. O adversário, por sua vez, armava outro tanto de cangaceiros e desta maneira dava-se o pleito que aliás era a bico de pena, naquela época não havia voto secreto.
Oriundos dos sertões de Pernambuco, existia um grupo de cangaceiros chefiados por Luiz Padre e Sebastião Pereira, (6) estes quando se viam acossados pela polícia daquele estado, refugiavam-se na proteção de Major José Inácio, no Sítio Barros, onde estavam garantidos. Os bandidos que usavam duas a três cartucheiras, um grande punhal e rifle, vinham sempre fazer feira em Boa Esperança. Muitas vezes, entravam em nosso estabelecimento 20 a 30 bandoleiros, pediam apenas cigarros, lenços e outras coisas de pequeno valor. Naquele tempo, não havia facilidade de crédito e se bem que procurássemos desenvolver outros ramos de negócios como fosse algodão e peles, pouco lucro tínhamos.
Ao terminar o ano de 1918, apareceu, em todo Brasil, uma grande epidemia que recebeu o nome de Bailarina ou Febre Espanhola(7) por ter sido oriunda da Espanha e alastrou-se pelo mundo inteiro. No Rio de Janeiro, os carroceiros saíam pelas ruas gritando de porta em porta – tem cadáveres? Tem cadáveres? – e os que iam encontrando colocavam nas carroças e jogavam nos valados pois nos cemitérios não haviam cômodos para sepulturas separadas. Naquele tempo, minha família estava residindo em Aurora e eu encontrava-me só em Boa Esperança. Perto da casa que eu residia era a igreja e o surto epidêmico tomou conta da vila e do campo em geral. Nisto, fui acometido do terrível mal e mais dois vizinhos, um do lado esquerdo e outro do lado direito. O sino passava quase todo dia dobrando sinal anunciando a morte daqueles que foram contagiados pela doença.
Como encontrava-me sem ninguém para tratar-me a não ser uma velha quase caduca, por nome Perpétua, que algumas vezes trazia uma xícara de chá ou um caldo salgado, minha boa irmã Ester sabendo da minha situação foi dar-me assistência. Tanto tratava de mim quanto dos dois vizinhos e mais pessoas que pudesse. Certa noite, eu acordei e ouvi uma exortação: “Jesus, Maria, José, minha alma vossa é, eu vou com Jesus, Jesus vai comigo” pois eram os meus dois vizinhos que estavam morrendo, avalie o leitor minha situação naquele momento.
Dias depois eu melhorava e minha irmã foi atacada pela doença e teve que voltar para Aurora, tanto ela como Juventude, outra irmã, estiveram às portas da morte.
Iniciando o ano de 1919, a epidemia continuava e por onde se passava via-se o luto, a orfandade, e a viuvez. Os sertanejos que sobreviviam ao terrível flagelo, ansiosos aguardavam a vinda do inverno. Passou-se o mês de janeiro, e veio fevereiro, nem uma gota de água caiu das nuvens. Teve início o mês de março e o homem do sertão com os olhos fitos no nascente procurava divisar um relâmpago que prenunciasse a vinda de uma chuva, tudo em vão. Ainda restava a última esperança, era o dia 19 de março, dia de São José, promessas e fervorosas preces foram elevadas aos céus, mas as benfazejas chuvas não chegavam e, assim, mais um flagelo caiu sobre a terra mártir e o povo pobre foi lutar conta a fome e a nudez.
Ondas de retirantes esmolambados e famintos perambulavam pelas estradas sem rumo certo implorando uma esmola pelo amor de deus. . Os criadores, depois de esgotarem os últimos recursos de rama de juazeiro, xiquexique e mandacaru, saíam com seus rebanhos por estrada afora com reses magras à procura de forragem. Aqui, ali, acolá caía uma rês extasiada que servia de pasto aos urubus. Conheci um criador por nome José Tavares, proprietário de dois sítios, um denominado Algodões e outro no Riacha de Cuncas que possuía 280 reses, quando iniciou a seca, e 17 bois mansos. Lutou, gastou suas economias no tratamento dq criação e ao terminar a seca disse que havia escapado apenas 9 bois mansos, o restante do gado morreu todo.
O inverno de 1920, apesar de ter começado tarde e terminado cedo, deixou alguma fartura.
Dando um passo atrás, quero falar sobre nossas atividades comerciais de 1919 a 1920. Existia naquele tempo o prolongamento da Estrada de Ferro Baturité, cujos trabalhos começavam de Aurora à região do Cariri, (8) como o comércio de tecidos estava fraco, fomos fornecer aos operários daquela ferrovia em Ingazeiras onde demoramos cerca de um ano, como os pagamentos eram muito retardados pouco lucro tivemos.
Quero agora citar um caso que me ocorreu como fornecedor. Eu fornecia a um operário por nome Luiz Domingos, adiantei-lhe uma rede no valor de 25,00, deu 5,00 por conta e ficou devendo o restante e deixou o fornecimento. Mandei-lhe um recado pedindo que viesse pagar o restante. Certa noite, por volta de 2 horas da madrugada, uma pessoa bate á porta. Vou atender com certa precaução, mesmo sem acender a lamparina, abro apenas a parte superior da porta e noto á minha frente o Luiz Domingos com a rede enrolada que vinha me entregar e pedir os 5,00 que me havia dado. Recebi o embrulho e disse que somente pela manhã poderia restituir-lhe aquela importância, logo que o homem saiu acendi a luz e verifiquei que a rede estava toda rasgada de faca.
Pelas 7 horas da manhã, abri o fornecimento onde eu dormia e momentos depois aparece o operário que vinha receber os 5,00. Neste momento, chegam outros operários para se fornecerem. O Domingos com seu grande punhal à cinta começou a insistir para receber o dinheiro que me havia dado, por último, começou a injuriar-me com palavras de baixo calão. Apesar de minha inferioridade física e de arma, pois apenas uma pequena faca enferrujada que estava sobre uma banca que pus à mão, e fazendo da fraqueza, força, pus o homem para correr.

(continua no próximo domingo.......)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

SÁBADO EM QUEDA LIVRE

Aproveitando o sábado para fazer uma atualização da nossa lista que ficou bem maior com a colaboração de Flávio Lúcio, Gerardo de Adoldo, Vania Maria, Nazaré Sampaio, Lucia Dore e Maria do Carmo Brito. Algumas famílias foram citadas pelo nome dos mais velhos, que eu lembrava, e quando tinha descendentes que residiam ou residem na cidade, eu escrevi ao lado " e descendentes". Tem gente que eu lembro o rosto e não lembro o nome. Fazer o que? Claro que deve ter muitos erros. Conto com todos para melhorar.

1 - Ademar Barbosa
2 - Adolfo Augusto de Oliveira
3 - Afonso Alves (pai de Ilma)
4 - Afrodísio Dias
5 - Alberto Moura
6 - Alceu Laurentino e descendentes
7 - Alexandre Gonçalves e descendentes
8 - Altair, da família de Macial
9 - Amaro Farias
10 - Antonio Baraúna e descendentes
11 -Antonio Correa e Maura
12 - Antonio Dantas
13 - Antonio Ernesto
14 - Antonio Gonçalves (pai de Geralda) e descendentes
14 - Antonio Miguel
15 - Antonio Oliveira e descendentes
16 - Antonio Ribeiro e descendentes
17 - Argemiro Vieira e descendentes
18 - Aristides, pai de Zé, Vicente e Elza
19 - Artur Né
20 - Aurélio Crispim
21 - Azarias Barbosa, dono do bar, perto de seu Afonso
22 - Azuil Crispim
23 - Balbina, mãe de Carmelita, que vendia chá
24 - Balbino Rolim
25 - Barbosa, pai de Dona Mirian
26 - Barrin, marido de Dona Hélia, pai de Deca
27 - Batista de Dona Toinha e descendentes
28 - Bevenuto (Nutim)
29 - Bonifácio Vieira
30 - Carretão
31 - Casé
32 - Cassiano, sogro de Socorro, morava na Rua do Sol
33 - Castro Alves e descendentes
34 - Cazuza Leandro
35 - Centôr Henrique, irmão de Josa
36 - César Rolim (da farmácia, 1939/1942)
37 - Cesarina
38 - Chico Felizardo e descendentes
39 - Chico Germano e descendentes
40 - Chico Maria
41 - Chico Olívio e descendentes
42 - Cícero Bento e descendentes
43 - Cícero Fernandes
44 - Cícero Lopes e descendentes
45 - Cícero Maciel
46 - Cícero Victor e descendentes
47 - Cili Estolano
48 - Chagas Bindá
49 - Cirilo Alves Sampaio
50 - Cirilo Serra e descendentes
51 - Cisim Saraiva
52 - Claudino José Duarte
53 - Cleonice, catequista, tia de escolástica
54 - Colares, marido de Socorro Felinto
55 - Cristina Lemos e descendentes
56 - Custódio, do beco
57 - Dedé Lustosa e descendentes
58 - Del Saraiva
59 - Deusdete (marido de Dona Laura) e descendentes
60 - Diassis Nunes
61 - Dino, marido de Joaninha
62 - Diógenes Rolim
63 - Dionísio Olímpio
64 - Doca Moreira
65 - Doca Parnaíba
66 - Doca Romão
67 - Domário, do bar
68 - Domingos Né
69 - Dona Aurora, mãe de Adalberto
70 - Dona Madalena
71 - Dona Odete e descendentes
72 - Donato Crispim
73 - Elesbão (dentista)
74 - Epitácio Nóbrega e descendentes
75 - Ernani Dore e descendentes
76 - Eugênio
77 - Eusébio Henrique e descendentes
78 - Expedito Dantas e descendentes
79 - Família Costa (pai de Chico Costa, Valmir)
80 - Família de Xeringa
81 - Família Dió
82 - Francisco Rolim
83 - Genésio Sapateiro
84 - Glória Rodrigues (mãe de João, Raimundo e Adalgisa)
85 - Herculano Moreira Lima
86 - Higino Diniz e descendentes
87 - Ilná Xavier (mãe de Zé Omar e Ermano)
88 - Isidro Nery e descendentes
89 - Jader Santana
90 - Jerônimo Jorge e descendentes
91 - Jesuíno e decendentes
92 - Jiló (pai de Alaíde)
93 - João Alves (pai de Zé Alves) e descendentes
94 - João Castelar e descendentes
95 - João Gouveia
96 - João Leandro
97 - João Josué
98 - João Olímpio (pai de Socorro e Salete Olímpio),
99 - João Pereira (Lauredite)
100 - João Romão (Estacada)
101 - João Vital (pai de Osmar Arruda)
102 - João Sobreira e descendentes
103 - João Vital (pais de Osmar Arruda)
104 - Joaquim Henrique, marido de Águida (mestre Joaquim)
105 - Joaquim Henrique, marido de Dona Carlota
106 - Joaquim Pires e descendentes
107 - Joaquim Ricarte
108 - Joca Albuquerque
109 - Joceli de Ritinha
110 - Josa de Mirô e descendentes
111 - Josa de Nair
112 - José Batista
113 - José Claudino e Terezinha
114 - José de Melo e descendentes
115 - José Felinto e descendentes
116 - José Holanda e descendentes
117 - José Josué e descendentes
118 - José Macedo
119 - José Maria Ribeiro (Coletor)
120 - José Osório e descendentes
121 - José Raimundo (pai de Expedito Duarte) e descendentes
122 - José Rodão (pai de Maria Cléa e Eunice)
123 - José Saraiva de Araújo
124 - José Sarmento
125 - Júlia, mãe de Tutu, Sofia e João
126 - Julinha, mãe de Elza
127 - João Evangelista
128 - Lauro Coutinho
129 - Leandro Ferreira (pai de Ana Lúcia)
130 - Leonidas que morava vizinho a casa de Ademar
131 - Letícia (mãe de Sandoval Marinheiro)
132 - Luiz Antonio Gonçalves e descendentes
133 - Luiz Arruda
134 - Luiz Barbosa e descendentes
135 - Luiz Brás
136 - Luiz de França
137 - Luiz Ferreira
138 - Luiz Leite (morava vizinho a seu Donato)
139 - Luiz Leite da Nóbrega e descendentes
140 - Luiz Santana
141 - Luiz Trajano e descendentes
142 - Manasses de Nilce e descendentes
143 - Manezão
144 - Mano Ferreira (pai de Raimundo de Mano) e descendentes
145 - Manu Gonçalves e descendentes
146 - Manuel Duda
147 - Manuel Gomes
148 - Manuel Ladislau
149 - Manuel Peliz, marido de Bernardina Ribeiro
150 - Manuel Sapateiro e descendentes
151 - Manuel Vicente (pai de Rosinha)
152 - Manuel, pai de Esquerdinha
153 - Maria Antonia, mãe de Expedita e Antonio Boneco
154 - Maria da Paz
155 - Maria de Lourdes Batista Rolim
156- Maria Lourenço e Maria Henrique
157 - Maria Luna (mãe de Beatriz)
158 - Maria Moreira (mãe de Dão Moreira) e descendentes
159 - Maria Petronila
160 - Maria Ribeiro (mãe de Zefinha)
161 - Maria Rita (mãe de Liége)
162 - Maria Vigário
163 - Marileide Albuquerque
164 - Miceno Dias e descendentes
165 - Miguel Arruda e descendentes
166 - Maria Serafim, mãe de Mundinha e Francisquinha
167 - Miceno Alexandre
168 - Miceno Dias
169 - Mundô Romão
170 - Naninha Alexandre e descendentes
171 - Neco Jacinto e descendentes
172 - Nel Brito
173 - Nenen (pai de Nilda Pessoa)
174 - Nenen Moquinho
175 - Nezinho e Vicentina e descendentes
176 - Nildo Fernandes
177 - Nogueira, pai de Amazonina
178 - Nogueira Gouveia
179 - Nonato, pai de Maria
180 - Odilon Nery e descendentes
181 - Osório Bernardino Sena (Gerente da Souza Fernandes em 1940/42)
182 - Otacílio Josué e descendentes
183 - Otílio e Adautiva
184 - Pai de Edmilson Alcântara (Jia)
185 - Pai de Fatinha Crispim
186 - Pai de Tica, Elias e Tiburtino
187 - Pedro Alexandre e descendentes
188 - Pedro Lacerda
189 - Pedro Osório e descendentes
190 - Pio Saraiva
191 - Pitota, casado com Marieta
192 - Quininha Velozo e descendentes
193 - Raimundo Leandro (pai de Piedade)
194 - Raimundo Machado
195 - Raimundo Melquíades e descendentes
196 - Raimundo Nazário (pai) e descendentes
197 - Raimundo Paulo e descendentes
198 - Raimundo e Francisquinho Severino
199 - Raimundo Victor
200 - Rosária, mãe de Josecy e Josélia
201 - Saint Clair (escrevia assim???) , morava vizinho a casa de Zé Henrique onde hoje é a casa paroquial.
202 - Santina, mãe de nego Chico e Valfrido
203 - Sebasto Barbosa e descendentes
204 - Senhor Damião
205 - Senhor Gonçalves
206 - Senhora Gonçalves (mãe de Zenira)
207 - Seu Sales (Pai de Theodoro)
208 - Severino Dudu e descendentes
209 - Teodoro Albuquerque, que foi delegado
210 - Totó Olímpio
211 - Valdevino (pai de Geralda, casada com Gilberto, filho de Nutim)
212 - Valdomiro Freitas
213 - Vicência Cassiano e descendentes
214 - Vicente Alves de Lima (Bidu) e descendentes
215 - Vicente Barbeiro (pai de Vânia, Manicure)
216 - Vicente Benedito e descendentes
217 - Vicente Ferreira (pai de Artista, Zeca, Assis)
218 - Vicente Gomes de Morais
219 - Vicente Piquili
220 - Vitorino e descendentes
221 - Zacarias Pontes
222 - Wilson Barros
223 - Zé Barros (Bananeira)
224 - Zé Bezerra (da sinuca)
225- Zé Fernandes
226 - Zé Gonçalves (Blandina)
227 - Zé MiltonZé Neco e descendentes
228 - Zeca Felizardo
229 - Zé Viana (pai de Olga)
230 - Zezé Dias

SEXTA CRÔNICA



Eu sei, mas não devia

(Marina Colasanti)


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Fonte: http://www.releituras.com/mcolasanti_eusei.asp

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

QUINTO PECADO

Gente

Hoje, deixei todo mundo em jejum. Ontem, o provedor deu problema e hoje não deu para entrar. Fui trabalhar, resolver alguns problemas e só cheguei agora. Inté.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

QUARTA VIA

"No passado, o futuro era melhor"
(Mia Couto)

"Um por todos, todos por um" (1911)

24.10.1911

"A ata da reunião realizada em Juazeiro, no Ceará, em 24 de outubro de 1911, sob o patrocínio do Padre Cícero, é um documento revelador de como se fazia política e se exercia o poder no Brasil da República Velha. Os “coronéis” que controlavam os municípios da região firmam acordo de paz, com o objetivo de impedir disputas entre eles e garantir a estabilidade do poder local. O entendimento poderia ser batizado com o lema dos Três Mosqueteiros, citado no documento _ “Um por todos, e todos por um”. Ele deixa claro que, a partir daquela data, nenhum chefe político tentaria derrubar um colega de outro município ou daria guarida a cangaceiros. Eventuais disputas entre os signatários passariam a ser arbitradas pelo governo do Estado. Sob a benção do Padre Cícero, é claro."
Aos quatro dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e onze, nesta vila de Juazeiro do Padre Cícero, Município do mesmo nome, Estado do Ceará, no paço da Câmara Municipal, compareceram à uma hora da tarde os seguintes chefes políticos: Coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe do Município de Missão Velha; Coronel Antônio Luís Alves Pequeno, chefe do Município do Crato; Reverendo Padre Cícero Romão Batista, chefe do Município do Juazeiro; Coronel Pedro Silvino de Alencar, chefe do Município de Araripe; Coronel Romão Pereira Filgueira Sampaio, chefe do Município de Jardim; Coronel Roque Pereira de Alencar, chefe do Município de Santana do Cariri; Coronel Antônio Mendes Bezerra, chefe do Município de Assaré; Coronel Antônio Correia Lima, chefe do Município de Várzea Alegre; Coronel Raimundo Bento de Sousa Baleco, chefe do Município de Campos Sales; Reverendo Padre Augusto Barbosa de Meneses, chefe do Município de São Pedro de Cariri; Coronel Cândido Ribeiro Campos, chefe do Município de Aurora; Coronel Domingos Leite Furtado, chefe do Município de Milagres, representado pelos ilustres cidadãos Coronel Manuel Furtado de Figueiredo e Major José Inácio de Sousa; Coronel Raimundo Cardoso dos Santos, chefe do Município de Porteiras, representado pelo Reverendo Padre Cícero Romão Batista; Coronel Gustavo Augusto de Lima, chefe do Município de Lavras, representado por seu filho, João Augusto de Lima; Coronel João Raimundo de Macedo, chefe do Município de Barbalha, representado por seu filho, Major José Raimundo de Macedo, e pelo juiz de direito daquela comarca, Dr. Arnulfo Lins e Silva; Coronel Joaquim Fernandes de Oliveira, chefe do Município de Quixadá, representado pelo ilustre cidadão major José Alves Pimentel; e o Coronel Manuel Inácio de Lucena, chefe do Município de Brejo dos Santos, representado pelo Coronel Joaquim de Santana.A convite deste, que, assumindo a presidência da magna sessão, logo deixou, ocupou-a o Reverendo Padre Cícero Romão Batista, para em seu nome declarar o motivo que aqui os reunia. Ocupada a presidência pelo Reverendo Padre Cícero, fora chamado o Major Pedro da Costa Nogueira, tabelião e escrivão da cidade de Milagres, que também se achava presente. Declarou o presidente que, aceitando a honrosa incumbência confiada pelo seu prezado e prestigioso amigo Coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe de Missão Velha, e traduzindo os sentimentos altamente patrióticos do egrégio chefe político, Excelentíssimo Senhor Doutor Antônio Pinto Nogueira Acioli, que sentia d'alma as discórdias existentes entre alguns chefes políticos desta zona, propunha que, para desaparecer por completo esta hostilidade pessoal, se estabelecesse definitivamente uma solidariedade política entre todos, a bem da organização do partido, os adversários se reconciliassem e ao mesmo tempo lavrassem todos um pacto de harmonia política. Disse mais que, para que ficasse gravado este grande feito na consciência de todos e de cada um de per si, apresentava e submetia à discussão e aprovação subseqüente os seguintes artigos de fé política:Art. 1o Nenhum chefe protegerá criminosos do seu município nem dará apoio nem guarida aos dos municípios vizinhos, devendo pelo contrário ajudar a captura destes, de acordo com a moral e o direito.Art. 2o Nenhum chefe procurará depor outro chefe, seja qual for a hipótese.Art. 3o Havendo em qualquer dos municípios reações, ou, mesmo, tentativas contra o chefe oficialmente reconhecido com o fim de depô-lo, ou de desprestigiá-lo, nenhum dos chefes dos outros municípios intervirá nem consentirá que os seus municípios intervenham ajudando direta ou indiretamente os autores da reação.Art. 4o Em casos tais só poderá intervir por ordem do Governo para manter o chefe e nunca para depor.Art. 5o Toda e qualquer contrariedade ou desinteligência entre os chefes presentes será resolvida amigavelmente por um acordo, mas nunca por um acordo de tal ordem, cujo resultado seja a deposição, a perda de autoridade ou de autonomia de um deles.Art. 6o E nessa hipótese, quando não puderem resolver pelo fato de igualdade de votos de duas opiniões, ouvir-se-á o Governo, cuja ordem e decisão será respeitada e estritamente obedecida.Art. 7o Cada chefe, a bem da ordem e da moral política, terminará por completo a proteção a cangaceiros, não podendo protegê-los e nem consentir que os seus munícipes, seja sob que pretexto for, os protejam dando-lhes guarida e apoio.Art. 8o Manterão todos os chefes aqui presentes inquebrantável solidariedade não só pessoal como política, de modo que haja harmonia de vistas entre todos, sendo em qualquer emergência "um por todos e todos por um", salvo em caso de desvio da disciplina partidária, quando algum dos chefes entenda de colocar-se contra a opinião e ordem do chefe do partido, o Excelentíssimo Doutor Antônio Pinto Nogueira Acioli. Nessa última hipótese, cumpre ouvirem e cumprirem as ordens do Governo e secundarem-no nos seus esforços para manter intacta a disciplina partidária.Art. 9o Manterão todos os chefes incondicional solidariedade com o Excelentíssimo Doutor Antônio Pinto Nogueira Acioli, nosso honrado chefe, e como políticos disciplinados obedecerão incondicionalmente suas ordens e determinações.Submetidos a votos, foram todos os referidos artigos aprovados, propondo unanimemente todos que ficassem logo em vigor desde essa ocasião.Depois de aprovados, o Padre Cícero levantando-se declarou que, sendo de alto alcance o pacto estabelecido, propunha que fosse lavrado no Livro de Atas desta municipalidade todo o ocorrido, para por todos os chefes ser assinado, e que se extraísse uma cópia da referida ata para ser registrada nos livros das municipalidades vizinhas, bem como para ser remetida ao Doutor Presidente do Estado, que deverá ficar ciente de todas as resoluções tomadas, o que foi feito por aprovação de todos e por todos assinado.Eu, Pedro da Costa Nogueira, secretário, a escrevi.Padre Cícero Romão Batista - Antônio Luís Alves Pequeno - Antônio Joaquim de Santana - Pedro Silvino de Alencar - Romão Pereira Filgueira Sampaio - Roque Pereira de Alencar - Antônio Mendes Bezerra - Antônio Correia Lima - Raimundo Bento de Sousa Baleco - Padre Augusto Barbosa de Meneses - Cândido de Ribeiro Campos - Manuel Furtado de Figueiredo - José Inácio de Sousa - João Augusto de Lima - Arnulfo Lins e Silva - José Raimundo de Macedo - José Alves Pimentel.

NOTA TRISTE



"NINGUÉM MORRE, AS PESSOAS DESPERTAM DO SONHO DA VIDA'

(Raul Seixas)

Comunicamos o falecimento de D. Ivone, esposa de Zé Henrique,

mãe de Geysa, Giselle, Strauss e Jair.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

TERÇA POÉTICA com Gregório de Matos

"Gregório de Matos, poeta barroco brasileiro, nasceu em Salvador/BA, em 20/12/1623 e morreu em Recife/PE em 1696. (...) Influenciado pela estética, estilo e sintaxe de Gôngora e Quevedo, é considerado o verdadeiro iniciador da literatura brasileira. De família abastada (seu pai era proprietário de engenhos), pôde estudar com os jesuítas em Salvador. Em 1650, com 14 anos, abala para Portugal, formando-se em Direito pela Universidade de Coimbra em 1661. (...) Volta ao Brasil pouco depois de 1678. Sua obra poética apresenta duas vertentes: uma satírica (pela qual é mais conhecido) que, não raro, apresenta aspectos eróticos e pornográficos; outra lírica, de fundo religioso e moral. (...) É uma espécie de poeta maldito, sempre ágil na provocação, mas nem por isso indiferente à paixão humana ou religiosa, à natureza, à reflexão e, dado importante, às virtualidades poéticas duma língua européia recém-transplantada para os trópicos."
Epílogos


Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha
Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.
Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.
Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.
Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.
Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.
Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.
E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.
Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.
Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.
Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.
E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os serões?............Sermões
Não se ocupam em disputas?.........Putas.
Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.
O açúcar já se acabou?..................Baixou
E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu
Logo já convalesceu?.....................Morreu.
À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.
A Câmara não acode?...................Não pode
Pois não tem todo o poder?...........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence.
Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.


................

Serenata
(Cecília Meireles)
Dize-me tu, montanha dura,
onde nenhum rebanho pasce,
de que lado na terra escura
brilha o nácar de sua face.
Dize-me tu, palmeira fina,
onde nenhum pássaro canta,
em que caverna submarina
seu silêncio em corais descansa.
Dize-me tu, ó céu deserto,
dize-me tu se é muito tarde,
se a vida é longe e a dor é perto
e tudo é feito de acabar-se!

domingo, 7 de outubro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

(PEDINDO DESCULPAS PELO ATRASO NA POSTAGEM. DEU PANE NA REDE DO EDIFÍCIO.)


Há algum tempo, eu me entusiasmei com a Fundação da Associação Cultural e Recreativa de Ipaumirim (ACRI). Fui uma das suas primeiras associadas e uma ferrenha defensora de sua criação. A ACRI começou a partir do 1° ou 2° Encontro dos Filhos e Amigos de Ipaumirim uma importante iniciativa de Zenira, a quem chamamos carinhosamente Zê, e Socorro Olímpio. Lembro que na reunião da fundação estavam presentes: Zé, Socorro Olímpio, Bosco Macedo, Flávio Lúcio, Anchieta, Crispim e eu. Estruturamos uma diretoria praticamente formada por ipaumirinenses que viviam fora justamente para excluir a iniciativa do ranço politiqueiro que divide as pessoas, desagrega, envergonha e empobrece o município. Animada com o resultado das festas e com a alegria da primeira diretoria, imaginei a possibilidade de abrir um site para a ACRI. O nome do site era Mais Ipaumirim. Cheguei a estruturar o projeto do site, falei com Adriano, do ipaumirim.com, que foi muito solícito. Felizmente ou infelizmente, o site não vingou por mil razões que não vem ao caso mas durante esse período, eu cheguei a coletar informações interessantes que, aos poucos, estou publicando no blog ALAGOINHA.IPAUMIRIM. Na ocasião, pedi a Cairo Arruda, hóspede de Blandina, minha vizinha, alguns dados pessoais e alguns registros sobre Ipaumirim. O texto que ora publicamos foi produzido pelo próprio Cairo e gentilmente me foi enviado.

(Cairo Arruda e Miriam)

Sou, de fato, natural de Tururú, município da Zona Norte do Ceará, mas, oficialmente, filho do Barro, na região Sul do Estado; nascido em 1938.
O terceiro filho da prole de oito do casal Miguel Vasconcelos de Arruda e Francisca Ferreira Arruda.
Transferi-me dali, muito pequeno, pois o meu estado de saúde exigia um meio maior, no caso, Fortaleza, para ser convenientemente tratado; o que levou meu pai a desfazer-se de um complexo comercial composto de farmácia, armazém de cereais e fábrica de tear. Na capital cearense, estabeleceu-se com mercearia, no Bairro do Alagadiço, e depois, com o comércio de peles de animais, na Rua Castro e Silva.
Por motivo de falta de saúde, o início dos meus primeiros estudos foi retardado.
De Fortaleza, eu já com a saúde restabelecida, a minha família, em 1946, esteve por algum tempo Alagoinha (Ipaumirim), levada que foi pelo tio Chico Arruda, industrial na Região. Daí, para o Barro, onde cursei o primário, no Educandário Santo Antonio, dirigido pelo meu genitor.

Portador do curso primário, em 1951, fui estudar na Escola Agro-Técnica Vidal de Negreiros, em Bananeiras – PB, cursando ali dois anos de Iniciação Agrícola, o equivalente às primeira e segunda séries ginasiais. De lá, em 1954, os meus pais já residindo em São Pedro, Distrito de Milagres (hoje, município de Abaiara), continuei os meus estudos no Liceu do Ceará, em Fortaleza, morando em casa de tios. Por toda a década de 50, conclui o ginasial e secundário. Durante esse período, já residindo na Casa de Estudante, tudo conseguido através dos tios Chico e Raimundo Arruda, fui funcionário do Departamento do Serviço de Pessoal – DSP (órgão estadual) e da Cooperativa de Crédito de Fortaleza (pequeno banco).
No começo dos anos 60, estabeleci-me com farmácia em Baixio, em sociedade com João Bosco Leite Tavares (de saudosa memória), permanecendo por quase dois anos.
Em 1962, aportei em Ipaumirim, com um único objetivo: negociar e ajudar na educação dos meus irmãos mais novos. O nosso comércio (meu e do meu pai), de início, restringiu-se à farmácia, ampliando-se depois, para o de eletrodomésticos e outros artigos, tendo como ponto de apoio – a Farmácia e Magazine Arruda; e após o casamento, em 1966, com Mirian Barbosa, à frente da farmácia Barbosa Lima, quando se deu a fusão das duas firmas: Miriam B. Lima e Arruda Filho & Cia. Ltda.
Enquanto residi em Ipaumirim, exercitei o jornalismo, como correspondente dos jornais Correio do Ceará, Unitário e Diário do Nordeste, de Fortaleza, e como cronista das Rádios Difusora e Alto-Piranhas, de Cajazeiras – PB, na qualidade de integrante da Associação Cearense de Imprensa – ACI e da Associação Cearense de Jornalistas do Interior – ACEJI.
Em 1968, como os meus irmãos mais moços já haviam concluído o ginasial em Ipaumirim e precisavam continuar seus estudos, e como eu era mais conhecido nos meios cajazeirenses, o meu pai me convenceu a abrir, em sociedade com ele, uma filial da farmácia, Cajazeiras, recebendo a denominação de Farmácia arruda, funcionando na Rua Tenente Sabino, onde permaneci dois anos, tendo ele me substituído.
Depois, voltei a dirigir a Farmácia Barbosa Lima, em Ipaumirim, passando, por insistência do tio Chico Arruda, a figurar na política local, como vereador, e, em 1972, candidatando-me com êxito, também a seu pedido, ao cargo de prefeito, para o período de 1973-1977, sem abandonar as atividades farmacêuticas.
No segundo semestre de 1977, transferi-me para Fortaleza a fim de assumir a função de Diretor Administrativo do Serviço de Processamento de dados do Estado do ceará – SERPROCE, por nomeação do então Governador Adauto Bezerra; deixando a família em Ipaumirim, em virtude dos estudos das filhas Cairami e Kátia, e da necessidade da esposa, Mirian, ter que ajudar a sua mãe, Joaninha, nos negócios da farmácia, como também concluir o seu mandato de Diretora da Escola Estadual Dom Francisco de Assis Pires.
Permaneci no SERPROCE até 1991, quando me aposentei. Nesse interregno, exerci, temporariamente, a sua presidência. Aposentado, voltei ao ramo de farmácia, transferindo para a capital cearense, a empresa Mirian B. Lima, de Ipaumirim, e estabelecendo-me no Bairro Edson Queiroz, onde funcionei até 1999 quando ela encerrou definitivamente as suas atividades.

RETALHOS DO PASSADO

Os anos 60 lembram-me alguns eventos – uns, menos, outros, mais importantes mas que merecem destaque e devem ser revelados: A injusta cassação, pela Revolução de 64, do mandato de Deputado estadual do tio Chico Arruda, representante de Ipaumirim na Assembléia Legislativa do Estado e uma de suas maiores lideranças políticas, fato este, que causou indignação e revolta a seus familiares e amigos.
A volta de Ademar Barbosa à chefia da Municipalidade, em 1966, com o apoio dos industriais locais e devido à neutralidade do tio Chico Arruda quanto àquela eleição municipal. A astúcia do meu irmão, Arruda Sobrinho, que, aos 15 anos, em pleno período revolucionário de 64, nas suas experiências na área de eletrônica, instalou um rádio transmissor, chegando a atingir um raio de ação de aproximadamente 30 km, e que foi motivo de admiração de ouvintes ipaumirinenses e da circunvizinhança, e também de denúncia por parte de quem tinha interesses contrariados, cujo parelho foi lacrado pelo Agente Postal Telegráfico local, por determinação superior; (Mas, ele, persistindo em busca do seu ideal, chegou a concretizá-lo anos depois, ou seja, em 1979, com a instalação da Rádio Vale do Salgado Ltda., em Lavras da Mangabeira, que, diga-se de passagem, não foi instalada em Ipaumirim porque o município não fazia parte do Plano Nacional de Radiodifusão).
A demolição do antigo prédio do Colégio XI de Agosto, pelos dirigentes da CNEC, por sinal, contestada por nós (membros da família Arruda), por intermédio do serviço de alto-falantes do Magazine Arruda, sob a alegativa de que o imóvel devia ser preservado por se tratar de um patrimônio histórico da cidade.
Da década de 70, trago algumas boas recordações.
Recordo-me bem do trabalho desinteressado do Lions Clube, como um dos seus fundadores e ex-presidentes, destacando-se uma das suas principais promoções, àquela época – o Festival da cerveja – cuja renda era destinada, principalmente, ao Natal das crianças pobres, e uma festa popular de muito agrado da sociedade ipaumirinense.
Relembro também a luta titânica dos companheiros leões para construir a sede própria do clube, no bairro Alto Bandeirantes, em terreno doado pelo saudoso Cel. Mano Ferreira, cuja obra e eletrificação, por mim conseguida no segundo Governo do Cel. Virgílio Távora, através do CL Aécio de Borba (seu super-secretário), contribuíram largamente para a maior urbanização daquele bairro. Dessa brava luta, participaram, dentre outros, CLs Vicente Taveira Sobrinho (o popular Castro Alves, de saudosa memória), Raimundo Ferreira de Sousa, Donato Crispim de Menezes, Antonio Ribeiro Cisalpino, Antonio Airton de lima e a minha pessoa.
Quando prefeito, vem-me à lembrança, a batalha que empreendi para equipar com recursos próprios da Prefeitura, (o Governador de então não deu uma pequena ajuda), o Hospital Maternidade Maria José dos Santos, denominação esta em homenagem a mais antiga mulher ipaumirinense (Dona Piquili, na intimidade); e a minha alegria e admiração de considerável parte da população quando ali foram realizadas as primeiras cirurgias de médio porte a cargo do cirurgião Manuel Arruda, de Sousa – PB, ora prestando seus serviços médicos àquele estabelecimento, tendo como pacientes o popular carreteiro Louro Piauí, operado de apendicite, e um membro da Família Felismino, do Sítio Umburana, de quem não recordo o nome, que sofreu uma facada no tórax, tendo ambos sidos bem sucedidos.
Vem à minha mente, também, a fundação, em 1975, da Sociedade Beneficente de Ipaumirim, uma espécie de substituta da operosa Associação Rural de Alagoinha (que foi dignamente presidida pelo saudoso José Macedo e que teve em sua tesouraria, a não menos digna figura de Vicente Gomes de Morais). A Sociedade Beneficente de Ipaumirim, dentre outros benefícios prestados á comunidade ipaumirinense, é mantenedora da Casa Doutor Arruda e do memorial do ex-deputado Francisco Vasconcelos de Arruda, os quais conservam a maior parte do acervo deixado por aquele homem público e, modéstia à parte, o grande emancipador de Ipaumirim.
A nota triste dos anos 70 foi, sem dúvida, a morte prematura, aos 62 anos, do tio Chico Arruda, ocorrida em 23.10.1972, em Fortaleza.
Recordo-me por fim, do soneto de Mirian, minha mulher, feito por ocasião do 3° aniversário de emancipação político-administrativa deste município, intitulado "Ipaumirim".
(Miguel Cairo Arruda)


IPAUMIRIM
(Mirian Barbosa)

Três décadas de vida independente
Marcam tua história, querida terra minha.
Relembro com saudades, no presente,
O teu passado, antiga “Alagoinha”.

Do esforço audaz, intrépido, valente
De um certo jovem que como ideal tinha
Te ver cidade liberta, imponente,
Desabrochaste tu “pequenininha”.

E agora estás adulta, transformada.
Em teu perfil, uma saudade imensa
Há de sempre marcar tua caminhada.

Dentro de ti há algo que não muda:
A gratidão que dás em recompensa
Ao grande benfeitor “Doutor Arruda”







sexta-feira, 5 de outubro de 2007

SÁBADO EM QUEDA LIVRE



IPAUMIRIM SEM OPÇÃO? NUNCA!!!

Meu ultimo artigo nessa coluna que fez um passeio pela área religiosa gerou muito polêmica. Uns apoiaram o texto, outros me condenaram dizendo que eu havia brincado com Deus. Ora, os que me condenaram são piores do que eu, pois ao fazerem isso eles julgam-se o próprio Ser Supremo. Assim, eu teria brincado com o Pai Celestial, já eles brincam de ser DEUS e me condenam. Não é lindo isso? Mas tudo bem, aceito meus desafetos, pois sou amante da democracia.
Mas como gosto de andar por caminhos tortuosos, como o Cristo pela via-crúcis - ai toquei de novo em religião e já estou pensando nos puritanos de plantão dizendo: ele agora se comparou ao Cristo - mas eu sou assim mesmo, foi Deus quem me fez assim(risos!) e não posso me furtar o direito de uma incursão noutra área não menos espinhosa: A POLÍTICA.
Lá vou eu. Corre a boca pequena que o ex-prefeito Miraneudo Linhares e o atual gestor Luis Alves andam confabulando para lançar uma candidatura única ao pleito municipal de 2008. Fala-se ainda que caso essa fusão das duas maiores forças políticas de Alagoinha se concretize, ela torna-se imbatível pois ninguém ousaria enfrentá-la. Bom, se os dois andam realmente conversando eu não sei, mas se for verdade a candidatura não será única, avisa ai pra todo mundo que SOU CANDIDATO A PREFEITO EM 2008!
Farei isso porque entendo que de Alagoinha já foi tirado muita coisa e uma das poucas que ainda resta é o direito de escolha do gestor municipal. E quais seriam os argumentos dos defensores dessa idéia macabra? Eu conheço alguns: uns dizem que é chegada a hora de uma pacificação, outros falam que eleição com disputa arruína financeiramente o município. Não acredito em nenhuma delas ou em qualquer outra que tente montar essa farsa política.
Os malefícios da candidatura única são gritantes e qualquer um pode analisar comigo. Ora, se com oposição os governos de Luiz Alves e Miraneudo Linhares não contribuíram muito para o município, imaginem uma aliança dos dois sem oposição para questionar.
Falar de pacificação é outra balela. Há em Alagoinha lideranças políticas que tal e qual os políticos mineiros “não se unem nem no câncer”. Diria até que alguns afirmariam que se seu opositor fosse escolhido para ir para o céu junto dele, o mesmo pediria a Deus para solicitar vaga no reino de Lúcifer. É um lá e outro cá.
Não obstante, tenho frisado como escriba que na nossa terra tudo pode acontecer, pois já é possível ver comendo no mesmo prato quem num passado muito recente tratava o opositor de ladrão, mafioso, corrupto, canalha, safado, rapariga, cachorra, vagabunda e, acreditem, até de viado, ou outros termos mais pejorativos da nossa gloriosa politicalha.
É isso por enquanto. Mas antes de terminar vou logo fazer minha defesa perante o Tribunal Regional Eleitoral dizendo que ainda não estou fazendo campanha, pois, como cutuquei raposas velhas com dedo curto, elas podem, caso me candidate de verdade, pedir minha impugnação.
Espero adesões. Quem tem coragem de caminhar comigo?

Texto de: Rubens Dário Vieira
Psicólogo do Centro de Referencia da Assistência Social (CRAS) e Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Ipaumirim.





Bancos arrecadam mais de R$ 50 bilhões com taxas de clientes


O Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil público para apurar se está havendo abuso na cobrança de taxas bancárias. Um relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que, em 2006, os bancos brasileiros arrecadaram R$ 52,6 bilhões só com tarifas cobradas de clientes – verba responsável por um crescimento de 130% nos lucros. A receita é mais do que o dobro da obtida com as tarifas em 2002: R$ 24,2 bilhões.
O sistema financeiro brasileiro não possui, atualmente, normas que definam quais são as tarifas que o banco deve cobrar. O Banco Central proíbe apenas a cobrança de alguns serviços considerados essenciais como fornecimento de cartão magnético ou talão de cheque, fornecimento dos documentos que liberem garantias de qualquer espécie, manutenção de conta de poupança e fornecimento de um extrato mensal.
Fora os serviços essenciais, os bancos podem criar tarifas como quiserem e cobrar livremente pelo serviço oferecido. De acordo com o BC, são cobradas ao todo 74 tipos diferentes de tarifas. Diante de tal quadro, o Ministério da Fazenda e a Febraban revelaram interesse em regular o setor a partir da definição de regras de geração de tarifas bancárias. Representantes das duas instituições devem se reunir na próxima semana para tratar do assunto. (Radioagência NP)


E vc aí, preocupado, pensando que o seu dinheirinho da CPMF está sustentando o Bolsa Família.... vc está sustentando também o lucro dos bancos. E muito mais.........


quinta-feira, 4 de outubro de 2007

SEXTA CRÔNICA

SEM MEDO
(Danusa Leão)

Escrever: todo mundo devia escrever uma ou duas páginas por dia, ou pelo menos todo fim de semana, contando como têm sido seus dias, falando sobre sua vida, suas alegrias, tristezas, decepções, felicidades. Para isso não é preciso saber escrever; seria uma espécie de diário, para ler daqui a 20 ou 30 anos, e que um dia será encontrado por um neto ou bisneto que, sabendo mais de suas origens, como foram seus pais e avós, talvez compreendam melhor por que são como são. Para isso basta um caderno e uma esferográfica - e uma gaveta com chave, pois essas confissões só devem ser lidas pelos outros com a permissão de quem escreveu, a não ser que já tenha morrido. E pense um pouco: você deve ter passado por coisas que prefere não lembrar, que estão lá dentro contidas, reprimidas, e das quais acha que já esqueceu, já que não pensa nelas - quem não passou? Não pensa mas elas estão lá, travando seus atos, impedindo que você seja livre desses bloqueios e possa ser, conseqüentemente, mais feliz. Escreva; escreva, pois escrever faz bem. Falar, seja com a maior amiga, um padre ou com o psicanalista, não é o suficiente. Falar toda a verdade, sem nenhuma censura, com sinceridade total, só se consegue a nós mesmos, e isso quando temos coragem. Fácil não é. E se certos acontecimentos são difíceis de serem lembrados, mais difícil ainda é de serem colocados no papel. Mas isso é só no início; depois dos primeiros dias vai se tornar um hábito, como se estivesse conversando com você mesma, porque ninguém com mais capacidade para entender por que fez certas coisas, praticou atos que foram censurados pelos amigos e pela família, do que você. Só você, e mais ninguém. À medida que os acontecimentos mais difíceis vão sendo escritos, mais coragem você vai ter para continuar escrevendo, e pouco a pouco vai perceber que está mudando. Os fatos mais dolorosos, nos quais não conseguia nem pensar, vão ficando mais leves; conseqüentemente, você vai ficando mais leve. E vai perceber que, sem o peso que carregou durante tanto tempo lá no fundo de você mesma, é como se tivesse se libertado. Não vai se esquecer das tristezas pelas quais passou, mas vai conseguir vê-las de frente, pois não há esforço maior do que o de não querer pensar numa coisa, achando que assim vai evitar o sofrimento. Escreva para você, sem esconder nada, sem nenhum pudor de confessar os vexames pelos quais passou, as tristezas, e até os momentos de glória, que também não são fáceis de contar, até porque desses ninguém está interessado em ouvir.Vá por mim: escrevendo, você vai mudar. Quando não houver mais áreas obscuras na sua vida, aquelas que você nem sabia que eram tão pesadas e te impediam de usufruir de todos os momentos como eles merecem ser vividos, vai se sentir mais leve. Vá, escreva. Não tenha medo de não conhecer bem o português, ou porque não sabe botar as crases no lugar certo; nada disso tem a menor importância. Acredite: isso aconteceu comigo, e a vida hoje me parece muito, mas muito melhor do que era. Eu me libertei não das minhas lembranças, mas dos meus fantasmas, e tenho a consciência de ser uma nova pessoa; uma pessoa que tem muito mais prazer em viver do que tinha antes de escrever. E não é isso que todos queremos?
Fonte: http://www.paratexto.com.br/

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

QUINTO PECADO

RISOTO DE JERIMUN COM CARNE SECA E QUEIJO COALHO

Ingredientes:

Sal

50 ml de azeite de oliva

1 dente de alho picado

1 colher (sopa) de salsinha

01 cebola picada

300 gramas de carne seca

Pimenta-do-reino branca

Cebolinha verde picada

Modo de preparo:


Deixe a carne seca de molho de um dia para outro. Cozinhe a carne na água, de preferência na panela de pressão, e depois desfie. Aqueça uma frigideira, adicione azeite e refogue a cebola picada, o alho picado, a salsinha e a cebolinha. Coloque a carne, mexa e tempere a gosto. Reserve.

Acompanhamento:

01 kg de jerimum sem casca

01 cebola picada

100 ml de azeite de oliva

500 gramas de arroz

250 ml de vinho branco

2 litros de caldo de frango

80 gramas de manteiga

300 gramas de queijo coalho

50 gramas de parmesão ralado

Acompanhamento:

Cozinhe a abóbora, escorra e faça um purê (pode ser servida em cubos). Refogue a cebola no azeite de oliva, adicione o arroz e refogue, mexendo bem. Adicione o vinho branco e espere evaporar, sempre mexendo. Coloque aos poucos o caldo de frango quente e cozinhe em fogo baixo, mexendo seguidamente, até o arroz ficar "al dente". Junte a manteiga, o queijo e o parmesão. Incorpore o purê de abóbora. Por fim, monte o risoto nos pratos e distribua a carne seca sobre as porções.

ARROZ A CARUARU

Ingredientes:
04 xícaras de arroz cozida

01kg de carne de sol desfiada

01 cebola desfiada

Alho picado

Cebolinha picada

01 lata de milho verde

300g de jerimum cozido e em cubos

300g de batata doce cozida e em cubos

01 colher de chá de colorífico

500g de queijo coalho

04 colheres de sopa de manteiga

Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:

Aqueça a manteiga e refogue a cebola e o alho, juntamente com a carne de sol. Deixe refogar muito bem. Polvilhe o colorífico e misture mais um pouco. Coloque o arroz e misture tudo muito bem. Acrescente o milho verde, a batata, o jerimum e o queijo. Misture tudo e acrescente por último a cebolinha. Sirva imediatamente. Esse arroz não precisa de acompanhamento, ele é um prato único.

ARROZ DE CABIDELA

Ingredientes:

01 galinha em pedaços

Sangue da galinha

01 cebola roxa grande

03 colheres de sopa de vinagre

03 dentes de alho

150g de bacon

Azeite

Pimentão picado

Cebolinha picada

Sal e pimenta a gosto

02 xícaras de arroz

Água o quanto baste

Modo de Preparo:

Primeiro, bata no liquidificador o sangue da galinha com o vinagre, azeite a gosto, sal, pimenta do reino e água o quanto baste. Aqueça uma panela e coloque o azeite para esquentar. Refogue os pedaços de galinha, temperados com sal e pimenta. Acrescente o bacon e deixe refogar tudo junto. Tampe a panela e deixe refogar bem. Acrescente o alho, a cebola e o pimentão e refogue tudo mais um pouco. Agora coloque o arroz, a cebolinha, o sangue batido. Misture tudo e complete com água até cobrir todos os ingredientes da panela. Tampe e deixe cozinhar.

MAS O QUE EU GOSTO MESMO É BAIÃO DE DOIS COM TOUCINHO TORRADO E OVO FRITO. TEM IGUAL????????

terça-feira, 2 de outubro de 2007

QUARTA VIA

A PROPÓSITO DA ELITE.........

Mala tempora currunt

"Leio, fascinado, um artigo de João Mellão na página 2 de O Estado de S.Paulo de hoje. Orgulha-se de pertencer a uma elite, esclarece que elite significa a nata em cada setor da sociedade, nega, não sem veemência, a dicotomia bom povo-elite má, forjada pela obsessão esquerdista. E assim por diante. Quero deixar claro que este post não é resposta, apenas uma oportunidade para meditar. Pensamentos esparsos, sem maiores propósitos de revelar a verdade. Por exemplo. Aceito o pensamento de João Mellão, e reconheço a presença de uma elite do futebol. Na qual milita o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib.
Não seria elite que manda no seu rincão, graúdo ou miúdo? E este Brasil, grande, notavelmente dotado pela natureza, vocacionado para ser bem sucedido, não deve à sua elite o fato de estar tão mal das pernas? Ou por que entregaram o ouro ao bandido, ou por que eles próprios, os componentes da elite, cuidaram da bandidagem.
Os povos são todos iguais, o que mudam são as circunstâncias. As nossas foram criadas por quem? Pelos predadores iniciais e, ao surgir a oportunidade, pelos predadores nativos.
E o povo, que tem a ver com isso? Os indígenas foram sistematicamente enganados e dizimados. Não eram tão bons de trabalho, e então vieram os africanos, imigrados, digamos assim, debaixo do sibilar do chicote, e os sinais da escravidão ainda estão presentes. Hoje a maioria é mestiça, e este é o povo brasileiro. Que esperar dele? Que faça por conta própria a revolução?A elite nativa sempre apostou na cordura e na resignação do povo. Sergio Buarque de Hollanda chamava-a, ironicamente, de cordialidade. João Mellão, aplicado representante da elite paulistana em outros tempos definida como quatrocentona, rejeita a dicotomia elite-povo. Difícil escapar a ela, impossível mesmo, sobretudo em um país como o Brasil, tão desigual, um dos mais desiguais do mundo, seus rivais são Nigéria, Serra Leoa, e outros do mesmo porte.
Quando da Revolução Francesa, inequivocamente burguesa, incumbiram-se os burgueses de empurrar o povo à Tomada da Bastilha. Os insufladores e organizadores da revolta, pela qual hoje ninguém se queixa, estavam fartos (cansados?) de sofrer as conseqüências da prepotência aristocrática e eclesiástica. Na França dos fins de 1700 os iluministas eram farol nas trevas, mas o país vivia no caos. Falta de autoridade de um lado, miséria e criminalidade do outro. Os nossos burguesotes provincianos estão cansados da miséria e d criminalidade, na qualidade de manifestações populares, e apavorados pela possibilidade de que o povo comece a dar o ar de sua graça. Os burgueses daquela França eram, no mínimo, mais espertos.Alguma mudança está no ar, e é isso que agita a chamada elite à qual Mellão orgulha-se de pertencer. Lula é o primeiro sintoma da mudança. Não estou a analisar o governo atual, de muitos pontos de vista me decepciona, mas o que me parece enxergar transcende a decepção. As vitórias de Lula em 2002 e 2006 me dizem que algo mudou. O povo não se incomoda se o seu candidato está de gravata e terno escuro, formou-se em alguma faculdade e sabe mais de um idioma, e a mídia perde seu tempo na tentativa de propor o tipo perfeito. A mídia, instrumento afiado a serviço da elite, não chega mais.Mala tempora currunt, diria meu pai, Giannino. Para a elite. A qual, além do mais, não sei que características haveria de ter em um país onde apenas 5 por cento da população ganha de 800 reais mensais para cima. Enquanto 0,01 por cento são nababos, andam de helicóptero e Ferrari, moram em castelos, exibem-se o tempo inteiro nas colunas sociais e escondem-se em suas vivendas cercadas por muralhas mais compactas do que as da Roma imperial.O povo não costuma ser bom por natureza. Pelo contrário, a miséria e a indigência são caldo de cultura da ignorância, da violência, da criminalidade. Tais as condições do povo, tão humilhado e espezinhado a ponto de se contentar com o auxilio familiar de escassos reais distribuído pelo governo Lula. Já se definiu a plebe como rude e ignara. De verdade, a definição cabe à perfeição para qualificar a elite brasileira. Quem se orgulha de fazer parte dela, deveria dar-se ao respeito. "

(Blog do Mino, 28.09.2007)
Fonte: http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/


Os valores da nossa “élite”.

"Em clima de feriadão, elaborei um decálogo para quem queira disputar espaço na “élite” nacional. Porque, convenhamos, elite mesmo é outra coisa, é Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Eduardo das Neves, Santos Dumont, Bartolomeu de Gusmão, Chico Buarque, Chiquinha Gonzaga, Maísa, Elis Regina, Gilda de Mello e Souza, Tarsila do Amaral, Pagu, só pra começar...

Flávio Aguiar

Eu já escrevi alhures que o Brasil tem uma elite e uma “élite”.Nossa elite é formada por gente como José de Alencar, Machado de Assis, Maria Esther Bueno, Tostão, José Mindlin, Carvalho Pinto, Celso Furtado, Didi, Daiane dos Santos, Maria da Conceição Tavares, Luis Gonzaga Belluzzo, Raymundo Faoro, Antonio Candido, Chico de Oliveira, Abdias do Nascimento, Marilena Chauí, Anita Garibaldi, Sepé Tiaraju, Zumbi, Tiradentes, Maria Quitéria e por aí foi e vai por este Brasil afora e adentro.
Já a nossa “élite”... são aqueles que acham que são a nossa elite. Que detestam abrir a janela e dar com bananeiras ao invés de pinus eliótis. No máximo temos aqueles pinheiros recurvos e tronchos, em forma de taça. Detestam sair à rua e encontrar nosso povo com cara de povo e não uma paisagem de calendário impresso na Suíça.Mas enfim, é a “élite” que temos.
Assim, imaginei alguns mandamentos para quem queria nela entrar.
1. Use frases como: “se este fosse um país minimamente sério...”, “se este fosse um país civilizado...”.
2. Não fale alto, mas esteja convencido de que você deve adorar transporte coletivo – na Europa, é claro. Porque aqui, quanto mais espaço pra carrão importado e menos pra corredor de ônibus, melhor.
3. Despreze tudo o que for nacional. E adore tomar vinho europeu de quinta categoria pagando os tubos na seção de importados.
4. Desenvolva urticária ao ouvir falar em “América Latina”, “Mercosul”, “Evo Morales”, “Hugo Chavez”. “América Latina” é coisa do tempo de “poncho e conga”, lembra? Sonhe com a Alca, acordos unilaterais com os Estados Unidos, e outras coisas assim elevadas. Quem sabe alguns bairros de S. Paulo e mais algumas ruas selecionadas no país poderiam ser admitidos na União Européia?
5. África, então, dá erisipela. Nem pensar. Governo Lula? Cruzes! Tome Engov.
6. Ache o fim do mundo as sacolas dos sacoleiros que vão ao Paraguai. Bom mesmo é saco de supermercado de Miami.
7. Só freqüente restaurante que não sirva caipirinha de pinga. Caipirinha, só caipiroska, mesmo que a vodka seja de oitava categoria.
8. Considere que “corrupção” é coisa de e para pobre. Se for nordestino e tiver a pele escura, melhor ainda. Tem até pesquisa acadêmica corroborando isso...
9. Suspire nostalgicamente pelo tempo em que empregada doméstica só podia pegar o elevador de serviço.
10. Não leia a Carta Maior. Nem o Correio da Cidadania. Nem a Revista do Brasil. Ou a Carta Capital. Ou o Brasil de Fato. Ou qualquer coisa semelhante. Se ler, é para desancar, chamar de chapa branca pra baixo. Imprensa, só a grande. Mesmo que esteja cada vez mais marrom.
E boa sorte. Inclua-nos fora disso, e aproxime-se pra lá. "

(Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.)
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3716
MEC aponta irregularidades em ONGs

"Ministério da Educação exige a devolução de R$ 13 milhões repassados às ONGs.
O Ministério da Educação apontou irregularidades no uso dos recursos destinados as organizações não-governamentais contratadas para o Programa Brasil Alfabetizado, lançado em 2003. Com isso, o MEC exige a devolução de R$ 13 milhões que foram repassados a ONGs (Organizações Não Governamentais) para alfabetização de jovens e adultos.
A decisão foi tomada após a realização de uma auditoria pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) nas 47 instituições. Ao todo, 23 organizações apresentaram algum tipo de problema, que vão desde a utilização indevida dos recursos até desvios de dinheiro.
O ministério bloqueou R$ 3,8 milhões das entidades, que já gastaram cerca de R$ 10 milhões. De acordo com as normas do programa, a ONG recebia os recursos anualmente. Entretanto, algumas delas já haviam gastado grande parte dos recursos. No caso da Alfalit Brasil, por exemplo, dos R$ 6 milhões recebidos, só restou R$ 14 mil no momento em que a conta foi bloqueada.
Ao todo são duas instituições do Rio, cinco de São Paulo, oito da Bahia e outras dos Estados de Amazonas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, além do Distrito Federal. Ainda existem outras ONG que estão sendo investigadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) , em função do uso irregular dos repasses. Em função dos desvios, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou que, no ano que vem não serão realizados convênios com ONGs no Brasil Alfabetizado. Ele ainda ressalta que o programa será executado prioritariamente por professores da rede pública, que receberão o pagamento diretamente em suas contas bancárias - sem intermediários.
O programa gastou no ano passado R$ 207 milhões, valor que subiu para R$ 315 milhões repassados em 2007. O aumento se deve à ampliação do valor médio gasto mensalmente por aluno, que foi de R$ 100,00 para R$ 200,00 e dos tipos de bolsas oferecidas. "

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

TERÇA POÉTICA

Com a poesia popular, de Zé Limeira

(Sem título)

O meu nome é Zé Limeira
De Lima, Limão , Limansa
As estradas de São Bento
Bezerro de Vaca Mansa
Vala-me, Nossa Senhora
Ai que eu me lembrei agora:
Tão bombardeando a França

Ninguém faça pontaria
Onde o chumbo não alcança
E vou comprá quatro livro
Prá estudá leiturança
Bem que meu pai me dizia:
Jesus , José e Maria,
São João das Orelha mansa

Ainda não tinha visto
Beleza que nem a sua,
De cipó se faz balaio
A beleza continua
Sete-Estrelo, três Maria
Mãe do mato pai da lua

A beleza continua
De cipó se faz balaio
Padre-Nosso, Ave-Maria,
Me pegue senão eu caio
Tá desgraçado o vivente
Que não reza o mês de maio

Sei quando Jesus nasceu,
Num dia de quinta-feira,
Eu fui uma testemunha
Sentado na cabeceira
São José chegou com um facho
De miolo de aroeira

Um dia o Reis Salamão
Dormiu de noite e de dia,
Convidou Napoleão
Pra cantá pilogamia
Viva a Princesa Isabé
Que já morô em Sumé
No tempo da monarquia

Zé Limeira quando canta
Estremece o Cariri
As estrêla trinca os dente
Leão chupa abacaxi
Com trinta dias depois
Estoura a guerra civí

(fonte: http://www.facom.ufba.br/pexsites/musicanordestina/limelet.htm)

SEGUNDA BEM HUMORADA

MARKETING OPORTUNO

Cartaz na porta de uma igreja: "SE VOCÊ ESTÁ CANSADO DE PECAR, ENTRE"
E alguém escreveu embaixo: "SE NÃO ESTIVER... LIGUE-ME”
SHIRLEY - 9315.6874 - Serviço Completo.

BRAVURA MASCULINA

A verdadeira bravura está em chegar em casa de madrugada, ser recebido pela esposa com uma vassoura na mão e ainda ter peito pra perguntar:
- Você vai varrer a casa ou voar pra algum lugar?!?

EXAME MÉDICO

Régis, analista de sistemas, está com muita dor no braço direito e resolve ir ao medico.Chegando lá, o doutor lhe diz:
- Tenho um novo computador aqui, basta você urinar neste potinho e ele nos dirá o que você tem!
- Ha ha ha! Não acredito nisso! sou analista de sistemas e nunca ouvi tamanha asneira! Mas, vamos lá!
Régis urina no potinho e entrega ao doutor, que o coloca no compartimento de análise do computador. Aperta um botão aqui, outro ali. Passados uns 30 segundos, sai um papelzinho:

##################
Régis Magalhães
35 anos
Branco
Analista de Sistemas
Artrite no braço direito
##################

- O quê!? Como essa máquina fez isso! Eu quero fazer o exame de novo!
Régis vai p/ casa. No dia seguinte, desta vez em jejum, faz xixi no potinho e leva à máquina para nova análise. Passados outros 30 segundos, sai outro papelzinho:

##################
Régis Magalhães
35 anos
Branco
Analista de Sistemas
Artrite no braço direito
#################

- Doutor, realmente não acredito. Me dê outro pote!
Régis vai para casa. Faz xixi dentro. Pede para mulher e a filha fazerem também. Coloca um pouco de óleo do carro e ainda por cima se masturba e coloca o resultado no potinho. Mistura tudo e leva para o doutor pensando:
- "He he he! Agora quero ver!"
O doutor coloca o pote no computador. Sai o papel:

##################
Régis Magalhães
35 anos
Branco
Analista de Sistemas
Corno
Filha grávida de 3 meses
Seu carro precisa fazer uma revisão no motor

Próxima vez que se masturbar, faça-o com a mão esquerda, pois
BRAÇO DIREITO ESTÁ COM ARTRITE, PORRA!

##################

MINEIRO EM LUA DE MEL

O mineiro, ia se casar, e a família da noiva insistiu que passassem a primeira noite, na casa dos pais da noiva.
O mineiro concordou, mas o problema é que ele era virgem, e morria de medo de falhar ou não saber direito como funcionar na primeira noite. Resolveu esconder uma garrafa de pinga embaixo da cama, no quarto em que iam ficar, para criar coragem na hora do "vamos ver" e não falhar.
Terminada a festa de casamento, os dois foram para o quarto. Mal entraram no quarto, os pais da noiva foram para o quarto ao lado, para ouvir os acontecimentos, pois na casa não tinha forro, e tudo que se passava num quarto, era ouvido no outro. Assim que a noiva foi ao banheiro se arrumar, o mineirinho enfiou a mão embaixo da cama e pegou a garrafa de pinga. Quando foi tomar um gole, percebeu que a garrafa estava vazia, e gritou!
- Eita! Já mexeram aqui!
- No que o pai da noiva gritou do outro quarto:
- Mexeram não, meu filho! É que as muié da nossa famia são larga memo!

domingo, 30 de setembro de 2007

DOMINGO MEMORIOSO

Domingo Memorioso traz, hoje, as lembranças de Joana D’arc Vieira Guedes compartilhadas por ex-alunos da Escola Pingo de Gente. As fotos foram gentilmente cedidas por Joana que as guarda carinhosamente. O texto da matéria também é dela e os depoimentos são de pessoas da comunidade que participaram, direta ou indiretamente, do cotidiano da escola.

CENTRO DE ARTES E RECREAÇÃO PINGO DE GENTE

A razão da fundação desta escola, em Ipaumirim, na década de 80, é que eu Joana D'arc já havia trabalhado em Fortaleza com educação pré-escolar e tinha me identificado muito com esse trabalho. Voltando de Fortaleza para fazer pedagogia na UFPB em Cajazeiras, passei a morar novamente em Ipaumirim , queria muito trabalhar. Já havia participado de congressos na educação pré-escolar e chegando em Ipaumirim os pais tomaram conhecimento e passaram a me incentivar, assim foram chegando pessoas de várias cidades do Brasil inteiro, para assumirem as agências do Banco do Brasil e BEC, daí veio a necessidade de funcionar mais rapidamente uma escola para atender a todos. "Assim nasceu o Pingo de Gente". Iniciou com 68 alunos, logo atingiu 90 e não parou mais de crescer. Esse crescimento fez surgir a necessidade de ampliação. A cada ano a última turma formava a seguinte. Então já funcionando de 1ª à 4ª série tive que fazer um Convênio de Entrosagem com a Escola de 1º Grau D. Francisco de Assis Pires, para poder trabalhar com documentação e expedir transferências.
O Pingo de Gente era a outra casa daquelas crianças, era a diversão, socialização, a escolinha que todos amavam. A aprendizagem; objetivo maior; daquela casa de ensino fazia com que os alunos transferidos não sentissem nenhuma dificuldade em acompanhar os colégios das cidades em que eles chegavam:Fortaleza, Natal, São Paulo etc. Esse era o depoimento dos pais enviados para mim.
As festas eram muito bem organizadas nos mínimos detalhes com teor rigoroso de bom atendimento, era para todos um grande acontecimento. A cidade não tendo muita opção essas festas representavam para os pais um grande encontro de bons e grandes amigos. A escola seguia o método de línguas do CCAA( Fortaleza) onde as crianças aprendiam a ler num prazo de 60 dias, isso era motivo de orgulho para os pais.
Todos os anos os professores eram capacitados, a fim de se habilitarem no trabalho infantil e eu exigia dedicação extremamente rigorosa aquelas crianças. As datas especiais eram comemoradas em grande estilo. O Clube Recreativo de Ipaumirim era palco para muitas peças de teatro vindas de fora, apresentação de palhaços, valsinha do ABC, conclusão da 4ª série. O parquinho infantil era adorado por todos, as atividades eram sempre inovadoras.
Como tudo na vida passa, um dia tive que sair de Ipaumirim. A escola deixou de funcionar causando em mim uma tristeza muito grande e acredito que em toda a família " Pingo de Gente". Hoje guardo boas recordações e carinho de todo esse povo que me apoiou. Sinto-me lisonjeada e orgulhosa quando sei que "aquelas crianças da tia Joana" muitas estão formadas.
Deixo o meu agradecimento por esse espaço que me foi dado para resgatar a importância daquela Unidade de Ensino. Tia Joana hoje psicopedagoga, continua amando todos vocês da mesma forma. Aproveitei para criar a comunidade "Adorava o Pingo de Gente", participem!!! Ficarei grata em manter contato novamente com todos vocês que um dia fizeram parte da minha vida. Termino esse depoimento muito emocionada...
Um grande abraço
Joana D'Árc Vieira Guedes


SER PROFESSOR (A)

É buscar dentro de cada um de nós forças para prosseguir, mesmo com toda pressão, toda tensão, toda falta de tempo... Esse é nosso exercício diário!
Ser professor (a) é se alimentar do conhecimentoe fazer de si mesmo (a) janela aberta para o outro. Ser professor (a) é formar gerações, propiciar o questionamento e abrir as portas do saber. Ser professor (a) é lutar pela transformação... É formar e transformar, através das letras, das artes, dos números... Ser professor (a) é conhecer os limites do outro. E, ainda assim, acreditar que ele seja capaz... Ser professor (a) é também reconhecer que
todos os dias são feitos para aprender... Sempre um pouco mais... Ser professor (a) É saber que o sonho é possível... É sonhar com a sociedade melhor...
Inclusiva... Onde todos possam ter acesso ao saber... Ser professor (a) é também reconhecer que através das letras, das artes, dos números É sonhar com a sociedade melhor... Inclusiva... Onde todos possam ter acesso ao saber...
Ser professor (a) é também reconhecer que somos, acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar, esbravejar. Porque assim também ajudamos a pensar e construir o mundo. Todos os dias do ano são seus, professor(a)!
Parabéns!
Fonte: htttp://www.sinpro-abc.org.br/download/bol261.pdf

DEPOIMENTOS

"Bom, eu era muito pequeno quando entrei no Pingo de Gente. Minha mãe Luci conta que eu entrei lá quando tinha dois anos de idade, no 'maternalzinho'. Era tão pequeno que a bermuda parecia uma calça comprida. Pouco tempo depois, meu irmão mais novo também começou a estudar lá com um ano e seis meses. Foi preciso abrir exceção porque o menino era muito novo (!). Mãe precisava ir a Cajazeiras com minha irmã (que também estudava lá) todo dia pela manhã. Como era muito pequeno, lembro vagamente da fardinha, que era azul, e tinha um bolsinho na frente. Também lembro da farda suja de tinta guache, da massinha de modelar. Por um tempo a gente morou vizinho à escola, ou seja, mãe tinha o controle da gente on-line (hehehehe). Meu irmão Otávio era danado, mordia os colegas, comia o lanche dos outros, tia Larrubia que ficava todo tempo no pé pro menino não fazer mais 'arte'... Como era vizinho de casa, ele quase sempre fugia e voltava pra casa, e mãe ia deixar de volta. A gente aqui tem muita foto de desfile de Sete de Setembro, eu vestido de palhaço, com um monte de palhaço ao redor em cima de um escorregador...
Bom, qualquer coisa que eu lembrar depois mando de novo..... "
(Antonio Landim, universitário, Fortaleza. participação especial Luci Landim (mãe).



"Parece-me que quando cruzava aquela porta do Pingo de Gente algo diferente acontecia, mas o que seria isso que me inquietava a ponto de desejar estar sempre na escola, de vestir aquele uniforme inesquecível, de vestir aquela bata para aula de arte, de subir e descer no movimento da gangorra, enfim, cada lugar daquela imensa casa, que na nossa imaginação de criança tornava-se bem maior, oferecendo-nos um mundo de magia e conhecimento, de alegrias e brincadeiras, cuja arte de ser criança manifestava-se na ação diária de adentrar naquele mundo do conhecimento, no qual a cor dava vida aos desenhos e pinturas das paredes das salas, vida ao nosso constante e inquieto talento de criar e de aprender...E dessa forma o Centro de Arte e Recreação Pingo de Gente foi mais que uma escola, foi um mundo onde a imaginação não tinha limites, onde o aprender ultrapassava os muros da escola, onde a diversão nos inspirava a felicidade de sermos crianças que vivenciavam a doce e terna experiência do desenvolvimento do conhecimento. "(Wescley Jorge, Jornalista, Fortaleza)




"Joana D’arc, o prazer é meu, está me comunicando com pessoas tão inteligente inclusive você que sempre admirei sua capacidade como profissional que administrava uma INSTITUIÇÃO EDUCACIONAL DE UMA QUALIDADE SEM TAMANHO. Adorava ir buscar Luiz Jean, só pra ficar olhando e admirando a ornamentação da escola e saia encantada com tamanha criatividade. Amava ler o slogan: GENTE MIÚDA DE INTELIGÊNCIA SEM TAMANHO. Fiquei deslumbrada com um desfile que você organizou, o ano eu não lembro, mas lembro-me de um pelotão com as crianças todas caracterizadas de soldados com armas feitas de jornais e uma linda faixa com a frase: ADULTOS,USEM NOSSAS ARMAS!" (Vânia Maria, professora, Maranhão)


"Trabalhar no PINGO DE GENTE foi um grande prazer e uma experiência inesquecível. Todos nós, professores e alunos, amávamos aquela escola,era um prazer e uma honra trabalhar em uma instituição com tamanha credibilidade. Éramos uma equipe unida em prol de um só objetivo:encaminhar o caminho certo para os nossos alunos. E tenho certeza de que os princípios por nós ensinados, cada um carrega consigo ate hoje. A todos os ex alunos e professores um grande abraço......." (Gudalupe, professora, Brasília)

" Oi, sou Liliana ex aluna da escolinha Pingo de Gente(a minha 1 escola).Esta escola traz boas lembranças, pois coisas boas a gente nunca esquece.Lembro até hoje das nossas festinhas de São João na Toca do Jia, dos desfiles feitos na rua onde as meninas desfilavam com suas bonecas, enfim de todas as festas organizadas pelas nossas tias. Lembro da tia Joana, tia Larubia, tia Vera, tia Débora ou seja, de todas as professoras que fizeram parte desta grande escola. Meus irmãos estudaram lá também. Um começou a estudar com dois anos e o outro com um ano e alguns meses, pois este entrou cedo porque minha mãe tinha que sair e não tinha com quem deixar, daí colocou para estudar lá. Lembro de alguns amigos que fiz na escolinha: Tattiane, Idalina, Viviane, Hélia, Luiz Jean, Izabelli, Maévia, Michelle( todos da mesma sala) ô tempo bom! Enfim, estudar nesta escola foi muito importante na minha educação sendo para mim a melhor escola que tive na minha vida. Amei estudar neste lugar e conhecer ótimas pessoas." (Liliana Landim Conrado, estudante de Farmácia, Fortaleza)


"O Pingo de Gente foi o começo da caminhada, ardoa, mas gratificante.a michelle, estudou sim lá, ela está casado hoje, está muito felizum grande abraço, tudo de bom!. "(Michel Jorge, estudante de Fisioterapia, Fortaleza)




"Iniciei minha vida estudantil na Escolinha Pingo de Gente, onde fiz o maternal I e II, foi um período muito importante, onde curto olhando minhas fotos. Lembro-me muito bem das tias Branca e Lelê, especialmente da tia Joana D'arc, diretora tratável e amável com os alunos. Adorei essa idéia de resgatar lembranças da cidade. Hoje sou Terapeuta Ocupacional, realizada na profissão que escolhi. Beijos!!!!!!"
(Kacia Rochelle, Fortaleza)



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"Como ninguém, você exerce com maestria essa função. Você professora,
já foi criança e...
ontem você não entendia muitas coisas, hoje precisa se fazer entender,
criar soluções.
No seu dia-a-dia a sua capacidade de amar é colocada à disposição de todos.
Quando você volta para casa, a tarefa ainda não está terminada,
mas a sua consciência está em paz.
Você corre em paralelo com o tempo para não ficar ultrapassado.
Aceita-se todo por dentro para mostrar a seriedade que é exigida
e ainda sorrir para aqueles que precisam de afeto.
Na sua angústia existencial ainda se propõe a ajudar a quem procura.
Você avalia. Que coisa difícil é avaliar.
Aprova , reprova e finalmente recupera.
Pelos caminhos da sua vida você vai encontrando tantas portas.....
umas quase se fecham, quando deveriam se abrir.
Tantas que se abrem, quando deveriam fechar-se.
Portas sombrias, enferrujadas, à espera de alguém ansioso por um toque,
outras escancaradas pela falta de responsabilidade e amor.
E você, passo a passo,
vai contribuindo para cada uma delas.
Você transforma, ilumina, esclarece, compreende e vence o desafio.
É o suave mistério da sua vocação.
Como você é importante!!!"

PARABÉNS JOANA