domingo, 10 de agosto de 2014

Cruzada Eucarística de Ipaumirim - 1962

Através de sua filha, Mirlei, Vanda Luna nos enviou uma foto muito importante para a memória de Ipaumirim e  da Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Identifiquei algumas pessoas. Vc pode nos ajudar a identificar as demais. É só identificar a fila que ela está, o nº correspondente e nos enviar. Vc pode colocar nos comentários do blog, enviar para o e-mail luiza_ipaumirim@yahoo.com.br ou ainda colocar no próprio mural do blog. Desde já agradecemos a colaboração.

Clique na imagem para ampliar

MENINAS

FILA 1  (NA BASE DA FOTO –  da esquerda para direita)

1. ???????
2. Judite Holanda
3. Josélia Almeida
4. Francineide  Maciel
5. Cândida Ramos
6. lembro demais mas não lembro o nome. Penso que se chamava Socorro.
7. Geysa Souza e Silva
8. Maria Zilma Alves
9. Fátima Lemos
10. Rita de Cassia Vieira
11. Zefinha Ribeiro

FILA 2  (da esquerda para direita)
1.      ???
2.      ???
3.      Divanês Batista
4.      ???????
5.      ?????
6.      Célia Lustosa
7.      Dolores
8.      Valquíria Gonçalves
9.      Graça de Senhor Damião
10.  Ligia Maria Fernandes (Oncinha)

FILA 3 ( da esquerda p/direita)

         1.   ? 
         2. ?
         3.   ?

         4.Socorro Sobreira
         5.   ????

6       6.    ??
         7.    ?? 
         8.  Acho que é Maria, filha de D. Aurora,  irmã de Adautiva 
         9.   ???

      Obs: lembro muitas delas mas não lembro o nome.

                FILA 4 (Superior – da esquerda p/direita)


1.      Auxiliadores Pires
2.      Toinha Evangelista

3.      ??

4.      Ilza Ernesto
5.      ??
6.      Deusimar Batista
7.      Joaninha de Pedro Osório
8.      Vanda Luna
9.      ???
10.  ???


 MENINOS
 FILA 1  (inferior – da esquerda para direita            

   1.      Francisco Adalberto (Nino de Maurde)
2       2 .        José Alves Filho
3       3.       Zé do BEC
4       4.      Acho que é Vieirinha de Bonifácio
5       5.      ???
6       6.         François Maciel
7        7.      Tadeu Menezes Pontes
8         8..      ??

FILA 2 (DA DIREITA PARA ESQUERDA)

1.??
2. ??
3. José Aécio (de Mirô)
4. ??
5. João Bosco Crispim
6. João Bosco de D. Aurora (Besouro)
7. Vicente Crispim (de Aurélio)

FILA 3 (da esquerda para direita)

1.     1.  ??
2.      2. Filho de Antonio Carvalho
3.     3.  Francisco Lemos (Faquito)


FILA 4 (da esquerda para direita)
1.      Antônio Nery (Antonio fuá)
2.      ??
3.      Nenen de Zomeiro
4.      ??
5.      Luiz Carivaldo
6.      ??
7.     Josecy Almeida
obs: Entre os de batina,  só reconheci Padre José Ismar Petrola de Melo Jorge, 1º vigário de Ipaumirim. É o último à esquerda na fila superior. Os outros não lembro assim como não lembro dos que estão de gravata. Se vc souber quem são os que não estão identificados , por favor, identifique e  mande o nome e a posição pelo nº da fila para o  e-mail luiza_ipaumirim@yahoo.com.br  ou pelo meu facebook.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Templo de Salomão da Igreja Universal e a arquitetura da destruição

O que há em comum entre Las Vegas e Disneylândia com a recém-inaugurada réplica do Templo de Salomão construída pela Igreja Universal? Las Vegas é a cidade que irradia hiper-realismo kitsch para todo o planeta com suas réplicas da Torre Eiffel, Esfinge de Gizé e palácios romanos da Antiguidade. Ao lado da Disneylândia, foi o primeiro parque temático da História, complexas cenografias de neons, gesso, concreto e metal que, assim como o Templo da Igreja Universal, exploram a fé nas entidades “espirituais” – Deus, jogo, sorte e animações digitais. E assim como shoppings e prédios corporativos espelhados, o Templo é mais um “bunker” em uma cidade que não se integra. Mais um exemplo de arquitetura da destruição, dessa vez a serviço da teologia da prosperidade cuja igreja esconde a mesma natureza dos cassinos: a banca sempre ganha.

Nessa semana foi inaugurado em São Paulo o suntuoso novo prédio da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), uma réplica do que teria sido o Templo de Salomão como descrito na Bíblia. Os detalhes que envolveram a construção do complexo de 74 mil m2 de área construída são faraônicos: todo o piso do templo e o altar são revestidos com pedras trazidas de Israel. O altar traz a Arca da Aliança, descrita na Bíblia como o local em que Salomão construiu para guardar os Dez Mandamentos no primeiro Templo, em torno do século 11 a.C, em Jerusalém. Foram ainda trazidos do Uruguai doze oliveiras para reproduzir o Monte das Oliveiras, local sagrado onde Jesus teria transmitido alguns dos seus ensinamentos.

O templo supera em quatro vezes o tamanho do espaço construído do Santuário Nacional de Aparecida (SP), além da grandiosidade dos altos custos de R$ 685 milhões.

Como era de se esperar, a mídia partiu para cima lembrando a célebre frase de Balzac: atrás de uma grande fortuna há um crime. Desde 2010 sob investigação pelo Ministério Público, fala-se em alvarás irregulares, desrespeito à lei de zoneamento, falta de contrapartidas de trânsito exigidas pela CET, irregularidades na importação de matérias usados na construção etc.


Templo de Salomão: parque temático religioso?
Mas até aqui está se passando batido por uma questão básica: como assim, uma luxuosa réplica do Templo de Salomão no meio do bairro industrial e de comércio popular do Brás? Em meio a velhos prédios industriais, cortiços onde vivem bolivianos e peruanos explorados pelas oficinas de confecção do bairro, ergue-se um complexo que ocupa um quarteirão inteiro que ainda conta com heliponto para o alto staff da IURD. O que esse violento contraste representa?

A retórica promocional da “obra jamais vista na atualidade”, como regozija o jornal da IURD Folha Universal, como não poderia deixar de ser é teológica: dar a oportunidade aos fiéis de pisar no chão que testemunhou os eventos bíblicos. Porém, as raízes da inspiração dessa réplica do Templo são bem mais terrenas e estão bem aqui, no presente.

Ironias e sincronismos


Não há como deixar de associar as imagens da entrada do templo com muitos detalhes dourados e a suntuosidade kitsch guardada por seguranças de ternos pretos e óculos escuros com a imagerie de Las Vegas. Aqui iniciam as grandes ironias e sincronismos.

Da réplica da esfinge de Gizé em Las Vegas
ao Templo de Salomão em São Paulo
Ponto inaugural do pós-modernismo, Las Vegas é a cidade que irradia hiper-realismo para todo o planeta com suas réplicas da Torre Eiffel, Esfinge de Gizé e palácios romanos da antiguidade. Ao lado da Disneylândia, foi o primeiro parque temático da História, complexas cenografias de neons, gesso e concreto que, assim como a IURD, exploram a fé nas entidades "espirituais" – Deus, jogo, sorte e animações digitais.

A noção de parque temático transformou-se em um paradigma cultural do pós-modernismo. Tudo pode se converter em cenografias, réplicas ou pequenos universos fechados em si mesmos onde turistas, crentes ou jogadores podem ser transferidos para mundos virtuais. Para o filósofo francês Jean Baudrillard a própria realidade estaria sendo “disneyficada”, isto é, cidades e paisagens se convertendo em réplicas de parques temáticos e filmes publicitários de TV. Pense em cidades como Campos do Jordão ou a cidade de Cancun no México: a primeira, onde fachadas e paisagismo fazem de tudo para se assemelhar aos cartões postais europeus e comerciais de TV de chocolate; e a segunda se esmera em se aproximar dos simulacros do México construídos por Hollywood.

A Teologia da Prosperidade


Mas por que essa seminal noção de parque temático foi irradiada dos EUA para todo o planeta? O que essas suntuosas réplicas kitschs da Torre Eiffel de Las Vegas ao Templo de Salomão em São Paulo querem nos dizer? Nesse ponto, turistas, crentes e jogadores estão unidos por um denominador comum ideológico que animam essas réplicas vazias: a teologia da prosperidade.

Las Vegas vende a fé no sonho americano da sorte da iniciativa
Dos shoppings ao Templo:
a estética "bunker"
individual, escondendo o fato de que a banca sempre ganha; turistas querem demonstrar a si mesmos e para os outros o sucesso pessoal em fotos ao lado das suntuosas réplicas (não por acaso vendiam nas imediações do Templo de Salomão camisetas do tipo “Eu estive lá” no dia da inauguração); e religiosos que acreditam nas bênçãos financeiras de Deus em templos dourados fakes.

O Kitsch e o pastiche: a arquitetura da destruição


O kitsch, fake e pastiche predominam na estética do novo riquismo da teologia da prosperidade do Templo de Salomão. É a estética dos novos tempos: pilares e pedras são cenográficos, sustentados na verdade por estruturas metálicas e de concreto; luz amarela para criar uma atmosfera de “rusticidade”; obreiros da igreja vestidos de “levitas” (termo do Velho Testamento, “descendentes de Levi”, um dos 12 filhos de Jacó) para recepcionar os visitantes; o batistério, colocado atrás da Arca da Aliança, com vitrais dourados no teto e no fundo para criar a sensação de que o batismo ocorre no interior da Arca; menorás (castiçal de sete braços) enormes estilizadas em dourado na entrada... e dourado, muito detalhes em dourado por todo lado, a verdadeira cor fetiche do novo riquismo.

Tudo no templo é efeito especial, ilusão, simulações, um verdadeiro trompe l’oeil com truques de perspectiva e ilusões de ótica. A essência dos parques temáticos que une a Las Vegas, a matriz de toda ideologia que pretende esconder que a banca sempre vence.

 E como acabamento o pastiche: ao lado da simulação da Arca da Aliança uma esteira rolante destinada a carregar o dízimo dos fiéis diretamente para uma sala-cofre!

Mas há outra ironia no Templo de Salomão, dessa vez arquitetônica e urbanística: sua suntuosidade é agressiva, tal como os bunkers em que se converteram os shopping centers e prédios corporativos cercados por fachadas espelhadas. Eles não se integram organicamente com a paisagem urbana, mas se convertem em microuniversos fechados em si mesmos, protegidos por escudos do meio ambiente hostil.
O kitsch e o pastiche do novo riquismo

A cidade de São Paulo tem uma tradição nesse, por assim dizer, “ecletismo arquitetônico” onda nada se integra, tornando o cenário urbano ainda mais agressivo: dos “monstrumentos” como a estátua do Borba Gato aos bunkers dos shoppings e prédios espelhados, o Templo de Salomão que se assemelha a uma gigantesca caixa de pedra que de repente se ergue em meio de depósitos e cortiços é a confirmação dessa verdadeira arquitetura da destruição.

O ascetismo mundano da Igreja Universal


Mas até aqui ainda estamos fazendo um exercício de análise puramente estético e arquitetônico. O Templo de Salomão representa algo mais profundo e preocupante que se conecta com a arquitetura da destruição: o “ascetismo mundano” da teologia da prosperidade.

O sociólogo alemão Max Weber viu na ética protestante uma espécie de ascetismo mundano, bem diferente da ética católica: enquanto no monge o impulso da fé é voltado para o interior, ao contrário, na ética protestante há um componente mundano ou externo no ascetismo pela necessidade de demonstrar não somente a Deus, mas aos outros a sua renúncia e sacrifício, provando a todos ser um merecedor das graças divinas.

Mas essa ética protestante se hipertrofiou no pentecostalismo com a teologia da prosperidade: não basta apenas deixar obras na Terra para ser merecedor das bênçãos divinas. É necessário criar uma imagem de sucesso e prosperidade. Deus precisa se certificar que você acredita Nele. Por isso, nessa espécie de marketing pessoal divino o crente deve se demonstrar positivo, assertivo e seu sucesso deve ser realçado e divulgado.

Talvez daí compreendamos o porquê do pentecostalismo ser tão apegado às imagens e histórias do Velho Testamento do que aos ensinamentos de compaixão, perdão e amor ao próximo do Novo Testamento: a teologia da prosperidade é severa com o indivíduo que deve vencer a todo custo. É uma teologia intolerante com os perdedores, assim como o Deus do Velho Testamento era com os pecadores.

A suntuosidade kitsch do Templo de Salomão é autorreferencial: quer demonstrar não apenas a Deus, mas principalmente aos seus próprios fiéis que a IURD é próspera e vitoriosa, e principalmente que cada um dos visitantes poderá ter um quinhão do seu sucesso.

Assim como os jogadores que adentram em um cassino de Las Vegas, crentes na sorte de agarrar uma fração da riqueza de toda aquela suntuosidade de réplicas em neons. O problema é que a banca sempre ganha.

FONTE: http://cinegnose.blogspot.com.br/2014/08/o-templo-de-salomao-da-igreja-universal.html

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Arroxa, Felizardo!

      Fonte: Ipaumirim.com

quarta-feira, 23 de julho de 2014

terça-feira, 22 de julho de 2014

Cante com Arnaldo Antunes


MEU CORAÇÃO
(Arnaldo Antunes)

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente
E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar
[Refrão]
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente
E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar
[Refrão 5x]
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender

domingo, 20 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Nós temos tudo


nós não temos muito dinheiro: não vamos a restaurantes, compramos marca branca, roupa na primark. não temos iphones, nem plasmas, nem bimby. nunca comemos bifes do lombo. temos um carro que às vezes não pega. nas férias vamos às praias da caparica. vendemos o que já não precisamos para ganhar algum. tentámos emigrar para não estarmos sempre a contar tostões. nunca conseguimos poupar: nunca sobra nada. houve meses piores: em que um pacote de fraldas fazia diferença nas contas. em que adiávamos as contas da luz para o mês seguinte. mas as coisas vão correndo bem, vão andando: e às vezes compramos frango assado para o jantar. um brinquedo novo para eles. entradas no oceanário. caracóis e gelados na esplanada. o nosso frigorífico tem sempre comida. eu faço um bolo todas as semanas. vivemos bem: não sinto falta de nada.
em abril ele foi despedido.
chegou a casa: abraçou-me. pediu desculpa. disse-me: fui despedido.
disse-lhe que ia correr tudo bem, que iamos arranjar trabalho: ele, eu. eu ia servir às mesas outra vez. a maria e o miguel dormiam a sesta na nossa cama. conseguiamos vê-los: um sono já leve. vi na cara dele o medo de não ter o que lhes dar: um brinquedo novo. gelados na esplanada. uma bolacha. um medicamento. uma sopa. encostado à parede ele chorou enquanto eu lhe limpava as lágrimas. 
ele começou a trabalhar este mês.
foram semanas difíceis: ele a adaptar-se a estar sempre em casa connosco. eu e eles a adaptarmo-nos a estar sempre em casa com ele. às vezes mais nervosos porque os dias passavam. às vezes mais deprimidos porque os dias passavam. às vezes com medo porque os dias não paravam de passar. é mais difícil do que se pensa: lidar com isto foi difícil.
mas passou: ele começou a trabalhar. correu tudo bem. tivemos sorte.
eles não sentiram falta de nada.
estava a pensar em todas estas coisas quando vi um apelo: uma família em dificuldades. o pai desempregado, a mãe, um filho, uma menina como a maria. pediam alimentos. pensei que podiamos ajudar. não acredito em deus: naquele momento apeteceu-me agradecer-lhe este novo trabalho. expliquei à maria o que íamos fazer: iamos comprar comida para uma menina como ela. e ela ajudou-me a colocar as coisas no cesto enquanto dizia: massa para a menina. arroz para a menina. leite para a menina. cereais para a menina. disse-lhe que se ela quisesse também podia dar um brinquedo dela à menina. quando chegámos a casa ela correu para o quarto para o escolher.
sozinha na cozinha passei os alimentos para um saco grande: a massa, o leite, o feijão, o arroz.  lembrei-me que não tinha arroz agulha na minha despensa: tinha carolino, arroz de risotto, basmati, integral. não tinha agulha. guardei um dos 4 pacotes na minha despensa.
a maria apareceu à minha frente com a carolina na mão: queria dá-la à menina. perguntei-lhe se tinha a certeza. se não ia sentir falta dela: era a única boneca que ela tinha com cabelo. ela pediu durante meses um bebé com cabelo. ela disse que tinha a certeza: queria dá-la à menina: meteu-a no saco.
fui espreitar o miguel: dormia aconchegado, enrolado nos meus lençóis que cheiravam a amaciador. estava a ficar melhor da gastroenterite: dei-lhe tudo o que ele precisava nesses dias: medicamentos para as cólicas, peito de frango cozido, papa de arroz, bananas e puré de maçã, torradas com compota. não lhe faltou nada. beijei-o na testa: deixei-o dormir.
fiz uma chávena de café, cortei uma fatia do bolo que fiz naquela semana e sentei-me no sofá de 4 lugares a ver um dos 74 canais que nunca vejo. quando olhei para o lado vi a maria: estava a brincar com a carolina. perguntei-lhe se já não a queria dar. ela respondeu-me que sim, que a queria dar. estava a brincar com ela porque "às vezes vou ter saudades dela e ela vai ter saudades minhas". eu não respondi: sorri: olhei para a televisão.
à minha frente sempre: a maria. para lá e para cá. parou: com as mãos nos meus joelhos disse-me "sabes mãe, a carolina é a única que tem cabelo, mas este bebé tem dentes, este tem chapéu, este tem uma banheira e este fala.": atrás dela alinhados no chão: 4 bonecos. ela tinha um sorriso no rosto enquanto apontava para eles. "vês?"-perguntou. vi. vi: carolino, risotto, basmati, integral.
levantei-me envergonhada. eu não sou uma pessoa egoísta, a sério que não. mas senti-me a maior, a pior das egoístas: senti-me mal. mais pequenina do que ela, que com 3 anos já é tão grande. disse-lhe que sim, que via. disse-lhe que ela tinha razão. chamei-me nomes enquanto tirei o arroz agulha da minha despensa e o coloquei no saco: a carolina já lá estava outra vez.
às vezes digo que os meus filhos me mudam todos os dias, me ensinam coisas: grandes lições.
uma vez uma amiga que ainda não é mãe perguntou-me: a sério? tipo o quê?
tipo isto, "vês?".