sábado, 17 de agosto de 2013

Álbum da semana: IP em branco e preto

 Antonio Baraúna
Do FB de Dorinha Duarte
 
 Dona Maria Baraúna
FB de Dorinha
 
 Zezim Maciel
Do FB de Dorinha Duarte


Lúcia Dore
Do arquivo de Lúcia Dore

 Blandina, Sonia Sampaio, Geysa, Fátima Lemos, Gisele, Amazonina e Lúcia Dore
A criança é uma das filhas de Zilda e gilberto Dore. A outra não reconheci.
Do arquivo de Lúcia Dore
 
 Cândida, Zé Holanda, Lúcia Dore, Luizete Sarmento, José Henrique e Maria Souza
 Arquivo de Lúcia Dore
 
 Lúcia Dore e sobrinha (Tânia)
Arquivo de Lúcia Dore
 
 Filomena, de Ilca e Josa
Do FB de Filomena


Antigo Colégio XI de Agosto, ao lado da ponte
 
 
 Lúcia Dore, Naylê, Terezinha Nóbrega. Não reconheci as outras pessoas. As crianças acho que são Regnorberto e um dos meninos de Terezinha.
Do arquivo de Lúcia Dore


 Dona Rosário, Lúcia Dore, Neuma de Euclice (as demais não reconheci)
Do árquivo de Lúcia Dore


 Festa de São Sebastião
Vilany Nóbrega, Zé Brasil, Maria Eunice, Vicente Gomes, Alaís,
Luiz Leite,  Maria Luiza e João Jorge
 Seu Manuelzinho, esposa e Rosinha
(acho que peguei no FB de Aída)
 
 Sete de setembro em IP
 Arquivo de Lúcia Dore


Maria Luiza e Vilany Nóbrega (irmãs)

Maria Nóbrega, Rosamaria, Maria Luiza e Luiz Neto



Genilda, Giseldina, João Bosco e Toinzão Macedo

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Observação sobre o texto abaixo

Nos comentários ao texto original publicado abaixo há uma observação que merece registrada. Segundo o comentarista,  no segundo tópico há uma confusão entre PIB e orçamento.

A classe média é hipócrita, critica o bolsa família mas adora uma renúncia fiscal


O mito da classe média explorada I: Bolsa-Família Pobre, Bolsa-Família Classe-Média e Bolsa-Família Milionária


Um espectro ronda os condomínios brasileiros: o espectro dos impostos. Toda a sociedade deve ser unir a essa jornada: do papa Francisco a Edir Macedo, de Aécio Neves a Eike Batista, de José Serra a José Dirceu, da Família Marinho a Daniel Dantas.

Que partido, ao propor um imposto para financiar a saúde ou a educação, não foi acusado de antilibertário, castrador e déspota. Que partido de oposição, por sua vez, não lançou a seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de explorador?

Toda a história da humanidade pode ser resumida na luta do Estado versus cidadão explorado, espalhada hoje na vadiagem dos pobres não pagadores de impostos sustentados por políticas públicas financiadas com dinheiro público oriundo de impostos e a classe média explorada pagadora religiosa de impostos. Assim foi entre os aristocratas atenienses e os escravos vagabundos, entre os patrícios e os ociosos dos plebeus que não sustentavam o senado, entre o barão e o imbecil preguiçoso do servo. Toda a história da humanidade pode ser resumida na luta entre o Estado opressor e o indivíduo oprimido, na qual a opressão se expressa pelo pagamento de impostos.

Se fosse um manifesto que procurasse sintetizar sua visão de mundo, o acima poderia, talvez, expressar o teor das reivindicações da classe média. A classe média parte do seguinte pressuposto: ela é a classe (sic!) verdadeiramente explorada, que paga seus impostos; portanto, o explorador é o Estado (sic!). As outras classes (sic!) não são exploradas, seja porque são ricas e não precisam trabalhar, seja porque são pobres e não pagam impostos, sobretudo imposto de renda. Então, como tsunami, ela se volta com ódio mortal aos impostos diretos, sobretudo o Imposto de Renda, o IPTU e o IPVA, alegando que são impostos que ela majoritariamente paga, transformando-se em pilar de sustentação do corrupto Estado brasileiro.

Com um maniqueísmo típico, ela relaciona a pujança dos congressistas com os impostos, alegando que é ela que os sustenta. Ainda por cima, volta-se para as políticas sociais, alegando também que é ela que sustenta todo esse desperdício. Mas, para chegar a essas conclusões estúpidas, ela elimina muitos e muitos conceitos e constatações que não permitiriam, com um mínimo de rigor lógico, obtê-las. Para chegar a essas conclusões, ela se faz a classe mais ignorante da composição social brasileira.

Vamos analisar alguns tópicos:

1º Classe média não sabe nada de carga tributária.

Ao contrário do que boa parte da classe média pensa, ela paga poucos impostos. E não falo comparando com a média dos países ricos, quando ela alega que lá, pelo menos, há serviços de qualidade – o que revela que, no fundo, ela só quer pagar o que “consome”, como shopping center.

Falo comparando com outros segmentos populacionais da sociedade brasileira. Grande parte da carga tributária brasileira é fruto de impostos indiretos, que são aqueles que estão na cadeia produtiva e compõem o preço da mercadoria, já que nenhum burguês que se preste fica com esta conta na medida em que pratica altivamente a política da socialização dos prejuízos. Os impostos indiretos são pagos por qualquer pessoa quando compra qualquer mercadoria ou serviço. Estima-se que 48% a 50% da arrecadação brasileira ocorram através de impostos indiretos, o que significa que todos, independente da classe ou segmento, pagam a conta, porque todos consomem. Enquanto isto, os tributos diretos representam cerca de 28% da carga tributária brasileira.

2º Classe média não sabe nada da distribuição da carga tributária brasileira.

Como o consumo consiste em 50%, em média, da composição de gasto da família brasileira, o pagamento de impostos indiretos passa a significar grande parte da receita do Estado. Entretanto, quanto menor a renda familiar, maior a incidência do consumo sobre ela, fazendo com que, proporcionalmente, essa família pague mais impostos indiretos comparados com famílias com maior renda. Ou seja, o problema não é o pobre que não paga imposto, porque ele paga, mas o rico que paga pouco, pois o comerciante, industrial ou prestador de serviços transfere os seus impostos para o preço da mercadoria.

Segundo dados da Receita Federal, uma família com renda de até R$ 400,00 destina 57,85% para habitação (aqui tem IPTU, pois o dono da imobiliária ou o cedente faz o cidadão pagar em parcela destacada no começo do ano ou embute no preço do aluguel, o que desmente a ideia segundo a qual pobre não paga imposto direto), 45,34% para alimentação (impostos indiretos), 11,81% para transporte (impostos indiretos), 8,28% para vestuário (impostos indiretos) e 6,26% da renda com despesas com saúde (impostos indiretos, já que grandeparte destina-se para medicamentos inexistentes na rede pública de saúde ou automedicação). Reparou que não há espaço orçamentário para lazer? (recomendo a leitura -
AQUI - do documento: "Carga Tributária no Brasil")

Peguemos o ICMS. Enquanto que o ICMS incide sobre a renda familiar monetária em famílias que recebem até R$ 400,00 em 11,08%, em famílias com renda acima de R$ 6.000,00 o mesmo tributo incide 6,03%. Algo parecido ocorre com o PIS e Cofins e IPI, ainda que este seja mais igualitário, o que é também um problema quando se pensa que sistema tributário justo é aquele que, à luz da equidade e igualdade, trata desiguais de forma desigual. Bem, então a classe média partiria para uma defesa ferrenha de uma reforma tributária que cobre mais dos ricos, taxando renda e fortuna desonerando produtos, sobretudo aqueles ligados ao consumo imediato, qual seja, alimentação, habitação e vestuário simples? Não, ela defende ferrenhamente a diminuição da carga tributária, em alguns casos a extinção de impostos, taxas e contribuições, como foi o caso da CPMF.****Ela confronta a sua moral e bom costume contra qualquer política de assistência a trabalhadores pobres e miseráveis, afirmando que ela, explorada, está sustentando vagabundo que não sabe votar. Bem, por que ela faz isto?

Aqui é uma mistura de ignorância, preconceito e autopreservação. Analisando sucintamente os valores despendidos dos impostos pelo Estado brasileiro, chegamos à constatação que muito do que é arrecadado é direcionado para pagamento de juros e rolagem da dívida pública.

Mas o que isso significa? Significa que metade da média dos trabalhos dos brasileiros (PIB) é direcionada para pagamento de dívida e juros para os poucos que possuem títulos da dívida pública. Mas quem são os detentores de títulos da dívida pública? Famílias milionárias. Contabiliza-se algo em torno de 20 mil clãs, segundo o IPEA, que se apropriam de 70% dos juros pagos pelo Estado, com garantia de superávit primário de 5 a 6 % do PIB subscrita em programa econômico oficial, em contraposição aos 11 milhões atendidos pelo Programa Bolsa-Família, que resume seus parcos recursos a 1% do PIB brasileiro.

Diante disto, proponho, sintetizando as indicações de Leonardo Sakamoto, que chamemos o pagamento de títulos da dívida pública de Bolsa-Família Milionária, e o pagamento do programa governamental a famílias trabalhadoras de baixa renda de Bolsa-Família Pobre.

Mas façamos um esforço maior para compreender o absurdo da coisa. Agrupemos todas as políticas públicas que, em tese, são direcionadas ao trabalhador – digo em tese porque, além da corrupção, há PPP, projetos duvidosos, como o TREM BALA, que não é para quem para em Capão Redondo e sim em Higienópolis, programas elitistas de Ciência e Tecnologia, onde hoje grande parte vai para inovação em multinacionais e suas prestadoras de serviço, isenção de impostos como programas sociais, como bolsas de estudo em entidades privadas de todas as etapas de ensino e Planos de Saúde, retirando investimento de escolas públicas e SUS e direcionando dinheiro público para escolas privadas e planos privados, etc.etc.etc..

Agrupemos as seguintes áreas: Ciência e Tecnologia Gestão Ambiental, Saneamento, Habitação, Urbanismo, Direitos da Cidadania, Cultura, Educação, Saúde, Trabalho, Assistência Social, Segurança Pública, Transporte e Desporto e Lazer. Por ora, vamos retirar a Previdência Social, que corresponde a, aproximadamente 19% do PIB. Somando todos os investimentos, chega-se a bagatela de 10,8 % do PIB. Somando com Previdência Social (lembrando que o grosso pago é de funcionários públicos federais, algo distante dos que recebem programas sociais), chega-se a 29% do PIB. Muito abaixo dos 47% de amortização (que não existe, pois a dívida só cresce, o correto seria rolagem) e pagamento de juros da dívida pública. Sim, o pagamento de juros e o tal do superávit primário superam todos os anos o investimento em saúde e educação, como pode ser visto em 2011 e 2012 e provavelmente em 2013, que possui uma previsão de 42% do PIB para pagamento de juros e amortização da dívida, algo em torno de R$ 900 bilhões.

Chega-se a conclusão de que a classe média não é contrária a políticas de distribuição de renda, mas tão somente ao programa Bolsa-Família Pobre, pois destila seu ódio tão unicamente a esse programa de distribuição de renda. O Bolsa-Família Milionária é fruto de desejo da família de classe média, quando já não participa da jogatina da bolsa de valores com seus parcos títulos do BB. Almejam entrar no clã dos herdeiros do programa Bolsa-Família Milionária, o qual “distribuiu” em 2008 R$ 162 bilhões quando o Imposto de Renda arrecadou na fonte-salário R$ 50 bilhões e um total de R$ 190 bilhões.

Segundo o IPEA, uma família que recebe menos do que dois salários mínimos, para o mesmo ano de 2008, teve que trabalhar 197 dias para pagar impostos (mais do que seis meses cara pálida), ao passo que quem recebe mais do que 30 salários mínimos teve que trabalhar 106 dias (pouco mais do que três meses). Em tese, um pobre trabalha praticamente duas vezes mais do que um playboy para pagar o fisco, mesmo não tendo que pagar, formalmente, imposto direto. Então, por que o ódio ao Bolsa-Família Pobre?

3º Classe média é hipócrita porque adora uma renúncia fiscal

Pagar imposto direto seria ótimo para uma política tributária mais justa, pois permitiria construir um sistema mais justo em que os mais ricos pagassem mais. Entretanto, no Brasil, pagar imposto direto, mesmo com todas as reclamações, é bom, mas não para o Estado Brasileiro, e sim para o contribuinte que consegue pagar imposto de renda e pagar menos impostos indiretos. Como o sujeito pode abater quase tudo na declaração e ainda consegue a restituição do Imposto de Renda, o Imposto de Renda transforma-se em uma boa política de fomento para muitos setores privados (e privatizados). Assim sendo, no Brasil o Imposto de Renda não é um dever, mas um direito obrigatório, mais ou menos como o voto.

Direito por que o sujeito vê parte de sua renda usada para fins privados voltar para o seu bolso. Quando o Estado restitui um plano de saúde ou a mensalidade de escola particular, fomenta-se o mercado privado da saúde e da educação. Veja, há pessoas que compram um plano privado de saúde ou pagam a mensalidade de escola privada porque sabem que o governo vai depositar em sua conta parte do que foi gasto. Contudo, esse dinheiro que cai na conta do consumidor vai para o bolso do plano de saúde e do dono da escola privada, como ocorre hoje com o subsidio dado às empreiteiras com o Minha Casa Minha Vida. Na prática, é subsidio.

No ano de 2011, esse subsídio a todos os setores que imaginar, segundo o IPEA, perfez R$ 137 bilhões. Em Imposto de Renda de Pessoa Jurídica foram R$ 28 bilhões, enquanto que para Pessoas Físicas foram R$ 16 bilhões. Se você colocar no bolo isenções como IPI, Igrejas etc.etc., a coisa passa dos R$ 300 bilhões. Só com plano de saúde, estima-se isenções na ordem de R$ 16 bilhões, um quarto do orçamento do Ministério da Saúde – sem contar também a dificuldade do SUS de restituição dos Planos de Saúde para tratamentos mais caros, uma vez que eles empurram sem dó para o SUS. Como isso passa pela classe média para que ela gaste em setores privados, os quais ela quer distância daqueles prestados pelo Estado (serviço público), proponho que chamemos de Bolsa-Família Classe-Média.

A restituição faz parte da política de “distribuição” de renda constituída pelo Estado brasileiro, sem a qual setores privados (e privatizados) diminuiriam sua margem de lucro e aumentariam o valor dos convênios e mensalidades. Essa política ajuda a induzir a classe média a fugir do serviço público. Ah, já sei, a classe média vai para o setor privado porque o setor público é ruim. Errado. Ela vai para o setor privado e piora o serviço público porque retira orçamento dele com indução do Estado, comprometido com a margem de lucro dos planos de saúde e escolas privadas.

Quem sabe minimamente de História da Educação sabe do comprometimento histórico do Estado brasileiro com as escolas privadas. Quem acompanha os jornais, sabe que Dilma, no começo do ano, bem antes das manifestações de junho, propôs a universalização dos planos privados a baixo custo com subsídio estatal nos moldes do Tea Party. O lobbydesses setores é fortíssimo, são grandes financiadores de campanha (Sobre o assunto, leia - AQUI  e AQUI ) .

Ah, restituição não é bolsa, é restituição, como o próprio nome diz. Mas veja, se o Bolsa-Família Pobre é fruto de impostos, taxas e contribuições, e se sabidamente grande parte da arrecadação vem dos impostos indiretos, e se sabidamente grande parte dos impostos indiretos são pagos pelos trabalhadores pobres, então é justo tratar o Bolsa-Família Pobre como restituição também, porque o mecanismo é o mesmo. Pagaram impostos e tiveram parte dos impostos restituídos. Mas como ninguém trata o Bolsa-Família Pobre como restituição, e sim como bolsa, então é razoável também que tratemos a restituição do Imposto de Renda como Bolsa-Família Classe-Média.

Recentemente, houve a notícia de que 1,6 milhões de famílias devolveram, voluntariamente, os cartões por considerarem que não necessitam mais do programa, pois ultrapassaram o valor de R$ 140,00 por indivíduo. Façamos uma média de que, por ano, uma família do Bolsa-Família Pobre receba R$ 1.000,00. Digamos que uma pessoa receba uma restituição com o mesmo valor. Será que ela devolveria? Nunca ouvi falar. Devolver restituição de imposto de renda ou desistir dela na elaboração da declaração ninguém quer... ou se existe, estou convicto que são casos não chegam a 1 milhão de pessoas. Leia - AQUI

4º Todo mundo fala do impostômetro, mas e o sonegômetro?

A sonegação de impostos, segundo o sonegômetro, pode chegar a R$ 415 bilhões em 2013. Isto equivale a - Mais que toda arrecadação de Imposto de Renda (R$ 278,3 bilhões). - Mais que toda arrecadação de tributos sobre a Folha e Salários (R$ 376,8 bilhões). - Mais da metade do que foi tributado sobre Bens e Serviços (R$ 720,1 bilhões). - 5.156.521 ambulâncias; - 1.441.319 postos de saúde equipados; - 8.647.916 postos policiais equipados; - 12.456.996 salários anuais de policiais (SP); - 30.079.710 salas de aula; - 20.377.006 salários anuais de professores do ensino fundamental (piso MEC); - 612.241.888 salários mínimos; - 1.241.699.072 cestas básicas; - 2.986.330 ônibus escolares; - 4.010.628 km de asfalto ecológico; - 18.672.964 carros populares (Fiat Mille Economy 2p); - 13.836 presídios de segurança máxima; - 143.137.931 iphone 5 (16Gb); - 11.860.000 casas populares (40m²); - 16.000.000 de bolsas família por 31 anos (básico R$70,00). Leia -
AQUI

Bem, quem sonega imposto? É aquele que paga impostos indiretos? Não, não tem jeito, está embutido no preço da mercadoria. Quem sonega é aquele que paga tributos diretos, seja Pessoa Física ou Jurídica. Então façamos o cálculo político. Pobre paga imposto indireto, que é o que compõe a maior parte da carga tributária; pobre proporcionalmente paga muito mais imposto e, portanto, trabalha mais dias, mais do que seis meses para dar conta do fisco; pobre não paga imposto direto, o qual ainda permite a restituição de parte e a sonegação para quem paga (por isso que no Brasil é um direito obrigatório, e não um dever); e o problema é o Bolsa-Família Pobre? O Bolsa-Família Classe-Média é ignorado pela classe média por questão de hipocrisia e pelos milionários por interesse de subsídio a setores privados (e privatizados), e o Bolsa-Família Milionária também o é por questão de hipocrisia pelos milionários e pela classe média explorada que sonha em pertencer ao seleto grupo.

Aqui é um ponto interessante, porque a classe média se junta com os burgueses ricaços, que, abraçados à distância, voltam a raiva e ódio aos trabalhadores pobres. A explicação é simples. É muito mais fácil e óbvio odiar o que você não quer ser do que você quer ser, almeja e sonha todos os dias fazendo gracinha para o chefinho em busca de uma progressão na carreira. Odiar o pobre, ter frêmito de prazer ou bocejo de indiferença quando um grupo de extermínio mata pobre e preferencialmente preto – “É tudo bandido!” –, é consequência lógica de quem tem horror a proletarização, como bem lembra Marilena Chauí (ver vídeo -
AQUI).

Mas não é só isso. Os direitos sociais, como saúde, educação e transporte, por exemplo, a classe média os obteve nos últimos 20 anos de forma privada, ainda que com qualidade para lá de duvidosa. Ela compra esses direitos sociais. Quem é da década de 1990 vai se lembrar. Quando da onda das privatizações, era comum ouvir, além da ineficiência inerente do setor público, que o mesmo deveria existir somente para quem não conseguisse ter renda suficiente para ter acesso ao mesmo serviço oferecido pelo setor privado. O que está implícito? O setor público é apenas um ente subsidiário do setor privado mais eficiente. Assim, serviço público é coisa pobre para pobre, porque ele deveria estar na rebarba das políticas estatais, dimensionadas prioritariamente pelas agências reguladoras.

Como a classe média conseguiu alçar vôo no Plano Real para ter acesso aos direitos sociais de forma privada, o setor público transformou-se em algo a ser evitado, inclusive na sociabilidade mais rasa que se possa imaginar – entre uma praça e um shopping para um passeio familiar, advinha qual é a escolha? A praça de alimentação –. Qual foi a consequência? Além de transformar o privado em espaço precípuo de sociabilidade, recrudescendo o individualismo, retirou pessoas das fileiras de luta por melhoria do setor público. Então, a questão na década de 1990 não era melhorar a educação pública, a saúde pública e o transporte público, porque foram substituídos pela saúde privada, a escola privada e o carro individual moderno privado em oposição às carroças de Collor. A questão era ter acesso individual a esses direitos.

Nesse sentido, qualquer imposto é visto como uma barreira para a consecução individual dos direitos mercantis. A CPMF foi um grande exemplo. Para quem tem saúde privada, o imposto é uma excrecência. Daí o entendimento de que estaria financiando algo para os outros, pecado mortal da contemporaneidade. Juntou-se a esse sentimento a necessidade de a burguesia eliminar um instrumento razoavelmente eficaz de rastreamento de movimentações financeiras “atípicas”, e o trabalho foi feito.

De forma mais abrangente, qualquer medida que modifique as regras desse jogo é vista como um ataque do Estado à individualidade, metamorfoseada em individualismo. Observe o caso da regulamentação das empregadas domésticas, cuidadoras e babás. Esse caso mostra algo latente na sociedade brasileira, que é a anulação de qualquer medida que modifique as regras do jogo, mesmo que sejam regras do continente que todos têm por estima como exemplo de civilidade e até de Civilização e que as práticas a serem eliminadas remontem práticas escravagistas. Logicamente que essa característica da sociedade brasileira é intensificada pelo fosso da desigualdade social.

A Professora Fúlvia Rosemberg possui uma argumentação da qual gosto muito. Em sociedades mais igualitárias, onde a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é pequena, pagar uma empregada, com salário mínimo, consiste em pobreza imediata. Se um alemão recebe 5.000 euros, mas o salário mínimo, digamos, é de 3000 euros, sobram para ele 2.000 euros, menos do que o empregado e o salário mínimo. Como a diferença entre os mais ricos e os mais pobres no Brasil é imensa, isso faz com que se constituía um mercado de prestação de serviços inúteis de trabalhadores sub-remunerados para quem possui renda, parecido com o Brasil-Colônia, pautado na ojeriza ao trabalho manual. Como a classe média pode pagar por uma babá, por exemplo, para cuidar de seus filhos, ela não coloca na ordem do dia o atendimento público de escolas públicas de educação infantil, porque a mãe trabalha normalmente e esse serviço está a contento, ainda que não seja profissional com um professor. Isso explicaria por que as creches somente agora estão sendo expandidas, por que não foram colocadas ontologicamente na ordem do dia do movimento feminista brasileiro, mais direcionado historicamente a questões sobre o corpo.
Estúpida que acha que pedir um chá à empregada às 10h00m da noite é “direito”. Peguei a foto menos chocante, porque a cara dela está desfigurada por botox. Leia - AQUI.

Faz sentido. Se você oferece uma educação privada ao seu filho, por que lutar por uma escola pública de qualidade (mesmo sendo um professor de escola pública)? Se você possui um plano de saúde privado, por que lutar por uma saúde pública de qualidade (mesmo sendo um médico ou enfermeiro de posto público)? Pode até lutar, mas sempre será no nível da solidariedade e do voluntarismo, o que é relevantíssimo, mas não é ontológico. Sob uma visão mais solipsista, pagar imposto transforma-se em um entrave para o “crescimento pessoal”, mensurado pelo aumento da capacidade de consumo, o que inclui aquilo que seriam direitos sociais e constitucionais.

A única coisa que a classe média não conseguiu obter de forma privada foi segurança, muito em função dos custos e do monopólio flexibilizado do Estado, sobretudo para os milionários nos condomínios de alto padrão, o que explica as visões mais fascistas sentidas atualmente, como o apoio velado e explícito a grupos de extermínio e redução da maioridade penal. Quando se analisa o caso do governo estadual paulista, isso é mais grave, pois, além da xenofobia bandeirante já naturalizada, como o governo estadual privatizou quase tudo (estradas e rodovias), municipalizou a educação e entregou a saúde para Organizações Sociais (OS), não sobrou quase nada para o governador governar de forma direta, a não ser as polícias, especialmente a militar, o que resultou na militarização das questões sociais. Na prática, os governadores paulistas transformaram-se em comandantes das polícias, explicando as suas aparições quase que diárias em programas policiais.
Ação na Cracolândia. 

A questão da distribuição tributária no Brasil deve ser compreendida para além dos números. Ela deve ser entendida como a síntese das mazelas sociais, políticas e culturais, expressão moderna de um estado perpétuo de injustiça mesmo para uma visão estritamente republicana. Oxalá às manifestações tenham trazido um ar diferente para todo esse jogo. Agora, é preciso fazer com que esse ar rume para uma política tributária que promova justiça aos injustiçados, porque são eles que sustentam o Bolsa-Família Classe-Média e o Bolsa-Família Milionária.
 
Fonte:http://oobservatoriodascoisassemsentido.blogspot.com.br/2013/08/o-mito-da-classe-media-explorada-i.html

A lenta adaptação do país aos novos marcos


(Luis Nassif)

Ex-presidente da Petrobras, Secretário do Planejamento do governo da Bahia, José Sérgio Gabrielli tem uma explicação razoável para os problemas enfrentados pelo país na área de infraestrutura e na implantação de novos modelos de concessão. A explanação foi feita durante o seminário “Investimentos em Infraestrutura” do projeto Brasilianas.
De um lado, o fato das regiões mais distantes (com menos infraestrutura) crescerem mais do que o centro (com mais infra). Esse fenômeno explicitou de forma mais contundente as vulnerabilidades da infraestrutura brasileira.
***
No caso dos municípios, especialmente os menores, o principal problema não é a gestão, falta de projetos, mas a relação custeio x investimento – que tem feito muitos deles recusar investimentos federais relevantes.
Esse paradoxo decorre do melhoria da renda das famílias, com as diversas redes de proteção social, e do gradativo enfraquecimento financeiro dos municípios.
As redes de proteção social tornaram-se parte integrante da política nacional e fundamentais para o dinamismo da economia. Dos 417 municípios da Bahia, 262 recebem mais , da soma da Bolsa Família mais Previdência Social, do que as prefeituras recebem do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Com a melhoria de renda, os miseráveis tornam-se consumidores e incluídos no mercado de cidadania. O governo federal criou uma série enorme de programas públicos para levar investimentos aos municípios. Só que as prefeituras (especialmente dos municípios menores) não têm recursos sequer para bancar despesas operacionais. Às vezes o município tem recursos mas sofre as restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Daí a razão para em alguns casos, como no + Médicos, a União se responsabilizar também pela contratação dos médicos.

***
O problema maior não é a falta de recursos, mas a adaptação do país a mudanças institucionais ainda não perfeitamente operacionalizadas.
Há mudanças radicais no marco regulatório do setor elétrico e grandes transformações nos marcos do gás. Nesse momento enfrenta-se a implantação muito recente do marco regulatório das ferrovias, centralizando a compra de capacidade de carga (pela Valec), diferenciando a compra da capacidade do transporte da operação e da execução da obra ferroviária.
Também há mudanças radicais no marco regulatório dos portos. Foi definida a infraestrutura, mudou-se a relação entre terminais privados e públicos, os operadores poderão ser ofertadores de serviços portuários.
Depois de três anos de paralisação, muda-se o marco regulatório do setor de mineração, com nova discussão sobre o papel da exploração, das empresas juniores, a relação com empresas mais consolidadas, o processo de descoberta e desenvolvimento da produção.
O primeiro leilão do pré-sal, o campo de Libra, será em outubro. Está-se no início da montagem da Empresas Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. (PPSA), a estatal incumbida de administrar os contratos do pré-sal. Entra-se no leilão ainda sem estar muito claro o que irá fazer.
Essas mudanças criam conjunto de novos marcos, novas exigências e procedimentos obrigando os atores a um processo mais lento de aprendizado.
Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-lenta-adaptacao-do-pais-aos-novos-marcos

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Porque é assim

 
Apaixonar não tem particípio decente, descura o pretérito, escarnece o futuro e carece de gerúndio. Aliás, apaixono-me, apaixonas-te, apaixona-se e parou. Tudo no presente do singular. Ninguém se apaixona no plural: nós os dois nunca nos apaixonámos ou nos apaixonaremos. Exortar paixão padece de uma singularidade muito própria e presente, jamais, a cada tempo, correspondida ou subordinada. Paixão vem de um só canto, não é transmissível, não segue para além de mim, de ti, dele ou dela. É coisa de eremita, de hedonista estóico, de um único ser. É construção solitária. Faz-se e desfaz-se no âmago de cada um sem necessidade de consulta prévia. Devidamente cuidada e alimentada é produto da sua própria insistência, não está condicionada pela empatia ou antipatia alheia. Tudo o que se lhe reflecte detém-se impotente: é um outro mundo, à medida dos nossos anseios e acometimentos, que se faz inalcançável. E quando se esboroa, será sempre porque a ela se segue outra. Mais espectacular e repleta de desfaçatez. Porquê? Porque é assim.

Amor é outra coisa, é o pote cerrado no fim do arco-íris. É vírus estranho e externo, vem lá do norte, vem quando dele já estamos desprecavidos e esquecidos. Amar conjuga-se de todas as formas e feitios, estira-se regalado pelo gerúndio, espraia-se pelo plural, percorre todos os tempos mais-que-perfeito e, brioso, avança para o imperativo. É sismo interno à pele e às entranhas; libertação incontrolável de energias opostas que nos predispõe bovinos contemplativos. É epicurista de berço, mas é sobre a dor que mais e melhor se alonga, mais e melhor se define extrínseco, surgindo como forma maior que reabre o Divino, onde o culto é lúbrico a nós dois, ao dístico das nossas identidades, tornado uno e indivisível. Como qualquer ser inerte sem hospedeiro, não passa de prosa ou de vã filosofia crivada pelos tempos em papiros empoeirados já esquecidos, mas, como qualquer ácido nucleico, encontrando quentura e frequência cardíaca, se propaga em surtos ciclicamente pandémicos, exalando torrencial harmonia e felicidade.

 Por isso mesmo, paixão pode ser só problema meu, mas amor será sempre um problema nosso.
 
(Paulo Abreu e Lima)
 
 

PAC2: Icó e região são contemplados com caminhão caçamba

 Publicado no Diário Oficial da União [DOU] do último dia 26 de julho, a Portaria nº 57, de 17 de julho de 2013, do Ministério do Desenvolvimento Agrário [MDA] informou a lista dos municípios beneficiados com caminhão caçamba. No Ceará, 181 municípios foram contemplados com as máquinas.

Na região de Icó, além do município icoense, receberão o  veículo Baixio, Cedro, Iguatu, Ipaumirim, Jaguaribe, Lavras da Mangabeira, Orós, Pereiro e Umari.
Foram selecionados municípios da região do Semiárido, inclusive os acima de 50 mil habitantes e municípios da região de abrangência da Sudene, exceto os da região do Semiárido, que tiveram reconhecida por Portaria do Poder Executivo Federal, situação de emergência em razão da seca e estiagem, inclusive os acima de 50 mil habitantes, a partir de fevereiro de 2012.
Os municípios serão convocados futuramente pelo MDA para as atividades de treinamento e de recebimento dos bens. Os municípios classificados que não enviarem servidores para as atividades de treinamento ou não comparecerem aos atos de entrega perderão o direito ao recebimento do bem.
O maquinário foi doado aos municípios pelo Governo Federal através do Programa de Aceleração do Crescimento [PAC 2]. Os equipamentos serão destinados à construção e melhoria das estradas vicinais, que fazem a ligação entre meio rural e área urbana, para facilitar o transporte da produção da agricultura familiar, além de outras utilidades.
* Com informações da Aprece
Fonte:http://www.icoenoticia.com/2013/08/pac2-ico-e-regiao-sao-contemplados-com.html

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tatuagens incríveis em 3D


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O nível de habilidade de cada um desses tatuadores chega a ser inacreditável!

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Fonte: http://obviousmag.org/sphere/2013/08/tatuagens-incriveis-em-3d.html#ixzz2bzrb91Ni

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Novo Sempre Vem! (por Alberto Kopittke)

Escultura de Ron Mueck

E se muitos dos problemas que estão mobilizando milhões de jovens em todo o mundo não puderem ser resolvidos pelos governantes dos seus países? E se as reivindicações não forem apenas por mudanças em relação a quem ocupa os governos, mas sobre o que é o próprio governo?

Muito se tem discutido sobre a dimensão nacional da atual onda de mobilizações que varreu o Brasil em junho: mobilidade, planejamento urbano, inclusão social, liberdades morais, luta contra a corrupção, reforma política. Mas não são apenas as questões “de cada país” que estão por trás do fato de milhões de jovens, nos mais diversos países do mundo, estarem saindo às ruas.
Existe um sentimento muito maior que tem feito as pessoas se mobilizarem, questões muito mais amplas do que dizem os cartazes, posts no Facebook ou tweets. Existe algo implícito nas mobilizações que estão ocorrendo em todo o mundo, algo que não é dito por que simplesmente não sabemos o nome, e que, por enquanto, é apenas possível de ser sentido por quem está nas ruas e no máximo teorizado abstratamente pela Academia ou por poucos quadros políticos.
É um sentimento de pertencimento a um movimento que não se resolverá com mudanças sobre como são eleitos e o que fazem os 600 e poucos representantes do povo brasileiro (embora todos saibamos que isso é muito importante!). É um sentimento que quer apoiar e estar ao lado dos jovens que estão nas ruas da Turquia, do Egito, de Nova Iorque, de Paris, de Madri, de Atenas ou de Santiago do Chile. É um sentimento de quem descobre fazer parte de algo maior, um sentimento de identificação com o que até então não passava de um “estrangeiro”.
É um sentimento que de tão novo ainda não tomou forma e é difícil de expressar num cartaz. Como se dizia “antigamente”, ainda não é um “Programa Político”. Não existem Partidos que tratem dele porque não existem Parlamentos que o discutam. Ele é um sentimento político porque trata sobre a forma como as pessoas vivem no mundo, mas não cabe nas atuais instituições da política.
Aos poucos, de forma cada vez mais rápida, as fronteiras entre os países têm deixado de serem divisões ou as línguas, barreiras para a compressão. As imagens instantâneas de um jovem sendo agredido, distribuídas de forma instantânea por outro jovem ali presente, sem a frieza de uma agência de notícias, já falam uma linguagem universal, que supera qualquer diferença cultural, religiosa ou étnica.
Esse processo não começou ontem e talvez nem seja tão recente assim (é capaz que os historiadores do futuro vejam que ele já tem alguns séculos), mas é inegável que ele está atingindo um novo estágio de velocidade, de conexão, de identidade, de universalidade. Provavelmente ainda não seja o estágio de maturidade necessária capaz de fazer brotar novas instituições, mas ele já começa a ensaiar os seus primeiros passos dessa nova etapa.
Ao longo da história as mobilizações sociais sempre vieram antes das definições. O povo sempre sabe quando algo está errado, quando a violação dos seus direitos atinge níveis inaceitáveis. Primeiro vem a indignação individual, depois a coletiva e apenas depois, muito tempo depois, elas são interpretadas, se transformam em sujeito político e se tornam instituições.
Questões como o Sistema Financeiro, o Meio Ambiente e os direitos de liberdade e privacidade na Internet, já não podem ser resolvidas no âmbito nacional, são temas globais, para os quais os Estados nacionais praticamente não têm mecanismos para atuarem de forma efetiva.
Talvez o dia em que os cartazes dessas ruas e praças venham a ter as mesmas mensagens e se mobilizem de forma verdadeiramente articulada, lutando por novas instituições globais, ainda possa demorar, mas para a tristeza dos que professaram o fim da história, esse dia já está em gestação, no coração desses milhares de anônimos.

Alberto Kopittke é advogado e vereador em Porto Alegre

Fonte:http://www.sul21.com.br/jornal/2013/08/o-novo-sempre-vem-por-alberto-kopittke/
 

Analfabetismo (Machado de Assis)


   
    
Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.  
Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:  
Quando uma constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.
A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:  
— A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, – por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.
Replico eu:

— Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições …
— As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.

E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.  

Glossário      
  
Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles:  Forma utilizada para indicar uma pessoa qualquer, um fulano de tal, utilizada nesta crônica por Machado de Assis para representar um político qualquer. Segundo Antenor Nascentes, em seu Tesouro da Fraseologia Brasileira, o Fidelis Teles de Meireles Queles é um quidam, isto é, uma figura sem importância, um tal, um tal, uma pessoa indeterminada.
  
cf. Antenor Nascentes.  Tesouro da Fraseologia Brasileira . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 3º Ed., 1986.

Fonte: http://www.dzai.com.br/vanderdeandrade/blog/blogvanderdeandrade?tv_pos_id=66114

CRÔNICA ESCRITA EM 1876.

Não existem políticos como antigamente


Por Cairo Arruda (membro da ACI)
 
A eleição do palhaço Tiririca para Deputado Federal por São Paulo, é um exemplo típico de que a classe política brasileira (com raras exceções) está deveras desacreditada, e que estamos vivenciando uma séria carência de líderes propriamente ditos.
Quem vem acompanhando de perto a vida político-partidária do passado ao presente, pode, com conhecimento de causa, fazer uma comparação de comportamento entre os homens públicos daquela época e os de agora.
Naqueles velhos tempos, para um parlamentar chegar a ser eleito Presidente da Câmara dos Deputados e/ou do Senado, necessitava ter bons antecedentes, competência comprovada e liderança junto aos seus pares. Atualmente, para isso acontecer, prevalecem os conchavos político-partidários, e também os interesses e conveniências do Poder Executivo. Cite-se o exemplo de José Sarney e Renan Calheiros...
Saudosos tempos de partidos fortes – destacando-se UDN e PSD – de parlamentares de espírito partidário, íntegros, fiéis às suas convicções, e que colocavam o Parlamento e a Pátria acima dos seus interesses.
Recordo-me  de alguns deles. Em São Paulo: Franco Motoro, Ulisses Guimarães, Mário Covas; No Rio de Janeiro: Nelson Carneiro (autor do projeto de lei do divórcio), Carlos Lacerda (por sinal, um grande tribuno); no Rio Grande do Sul: Leonel Brizola, Pedro Simon (que ainda está na ativa), Getúlio Vargas; Em Minas Gerais: Plinio Salgado, Tancredo Neves, Itamar Franco, Afonso Arinos, José Açencar; No Ceará: Virgilio Távora, Martins Rodrigues, e o piauiense que fez política  na Terra Alencarina, Flávio Portela Marcilio, que foi honroso Presidente da Câmara Federal;  Na Paraíba: João Agripino, Humberto Lucena (salvo engano, Presidiu a Câmara dos Deputados), Pedro Sátiro, Ruy Carneiro; Em Pernambuco: Miguel Arrais (cearense que fez sua carreira política em terras pernambucanas, chegando a governador);, Jarbas Vasconcelos (ainda exercendo o cargo de senador); Em Alagoas: Teotônio Vilela; Na Bahia: Juraci Magalhães, Rui Barbosa, Valdir Pires. No Rio Grande do Norte, Aluizio Alves.
Para limpar a sujeira que aí está, a nossa esperança encontra-se nos jovens e no Ministério Público, que é integrado por pessoas bem-intencionadas, patriotas verdadeiros (em sua grande maioria), que chegaram ao posto através de concurso público, sempre dispostos a defenderem os direitos da sociedade, principalmente dos excluídos e injustiçados.
Com o apoio dessa nova geração, que luta a bem das justas causas (como fizeram recentemente, saindo às ruas pacificamente), os brasileiros tendem a viver dias melhores, concorrendo para passar o Brasil a limpo, e honrando os nossos antepassados!

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domingo, 11 de agosto de 2013

Ser pai é...


Para os pais

 
É fácil fazer filhos e constituir família
O difícil é ser pai, alicerce e paradigma.
Herói de carne e osso para deixar de herança
Paz, amor e integridade.
Em nome do pai
Carregamos o seu sobrenome.
(José Eduardo Moreto)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

 Michael Austin - Red Dress

"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
... sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem" 
(Guimarães Rosa)

Sempre música


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nota de falecimento

João Castelar
1917 - 2013
 
Fiquei sabendo, agora, do falecimento de Seu João Castelar que ocorreu no início da semana. Seu João era uma pessoa de fino trato, muito discreto e atencioso. Lembro dele no cartório que ele tinha em Ip. Sempre fico comovida quando as pessoas do tempo da minha infância vão embora. Nem preciso ter intimidade com elas mas a cada vez que mais uma se vai parece que o passado vai ficando mais longe. Que Deus lhe acolha e conforte sua família. 

Fashion post

 
A minha mãe, que depois de dar à luz meia dúzia manteve uma elegância de despertar a inveja, disse-me uma vez e uma vez bastou: uma mulher nunca deve usar nada que se sobreponha a ela própria.
Retive a lição. Nenhum batom deve ser mais poderoso do que o sorriso, da mesma forma que é triste se uma sombra nas pálpebras for mais densa e expressiva do que o olhar que emoldura. Também o verniz das unhas é excesso se se der o caso de chamar mais a atenção do que as mãos, com as suas linhas e os seus gestos, impacientes ou ternos. Colar ou gargantilha que brilhem mais do que a curva do pescoço para os ombros e as suaves concavidades das clavículas, são um desperdício. Tecido nenhum, textura nenhuma pode inspirar mais o toque do que a sua própria pele. As cores e os padrões não podem berrar ao ponto de não se conseguir ouvir o que ela tem para dizer. E os sapatos não podem ser um objeto de desejo mas antes despertar o desejo de espreitar os pés. Por fim, o perfume, o perfume é suicídio se for mais apetecível do que o cheiro natural, porque muitas usam o mesmo perfume mas o cheiro de um corpo não se repete nem se esquece.

Lembrei-me disto porque agora se usam tanto os livros e está na moda apregoá-los, exibi-los, enumerá-los, fotografá-los, agendá-los com rigores de calendário e comprá-los compulsivamente como roupa ou bijutaria. Não vale a pena. Não vale a pena ostentar o livro se não saltar à vista a inteligência.

É tudo uma questão de escolher entre a elegância e o carnaval.
 

domingo, 4 de agosto de 2013

Faxina geral

 


Estava precisando fazer uma faxina em mim...
Jogar fora alguns pensamentos indesejados,
Tirar o pó de uns sonhos,
lavar alguns desejos que estavam enferrujando...
Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.
Joguei fora ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei...
Joguei fora a raiva e o rancor nas flores murchas
Guardadas num livro que não li.
Peguei meus sorrisos futuros e alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão:
paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de uma amiga sem gratidão, lembranças de um dia triste...
Mas lá havia outras coisas... belas!!!
Uma lua cor de prata... os abraços...
aquela gargalhada no cinema, o primeiro beijo...
o pôr do sol... uma noite de amor .
Encantada e me distraindo, fiquei olhando aquelas lembranças.
Sentei no chão,
Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima -
pois quase não as uso - e também joguei fora!
Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que
fazer, se as esqueço ou se vão pro lixo.
Revirei aquela gaveta onde se guarda tudo de importante: amor, alegria, sorrisos, fé…..
Como foi bom!!!
Recolhi com carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos,
perfumei na esperança,
passei um paninho nas minhas metas
e deixei-as à mostra.
Coloquei nas gavetas de baixo lembranças da infância;
em cima, as de minha juventude, e...
pendurado bem à minha frente,
coloquei a minha capacidade de amar... e de recomeçar...

Martha Medeiros


O anzol e o peixe

                  (Mauro Santayana) 


(JB)-Uma boa notícia: o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal brasileiro cresceu 47,5% entre 1991 e 2010, segundo o "Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil-2013", divulgado ontem pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. 

       Com isso, o IDHM geral do Brasil mudou de "muito baixo" (0,493), em 1991 para "alto desenvolvimento humano" (0,727), em 2010. Em 2000, o IDHM geral do Brasil era 0,612, ou seja, ainda considerado médio.
       O IDHM não é a média do índice por municípios, mas cálculo feito a partir das informações do conjunto da população brasileira em relação a três indicadores: vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e padrão de vida, este último determinado pela renda.
        Segundo a publicação, alcançamos  alto padrão quanto à longevidade e à renda, e  padrão apenas “médio” quanto à educação. O dado não causa espanto uma vez que, em 2011, ocupamos o 88º lugar entre l27 países, segundo ranking elaborado  pela Unesco – órgão da ONU dedicado à cultura e à educação. 
        Por sua vez, outro relatório, o de “monitoramento global”, indica que o Brasil foi dos países que mais aumentaram o investimento em educação, tendo um dos melhores programas de combate ao analfabetismo do mundo.    
        No geral, no entanto, os municípios que mais avançaram estão no Norte e Nordeste, o que indica que a renda da população mais pobre do país está mais alta, embora permaneça baixa com relação às regiões mais desenvolvidas, como a do Vale do Paraíba, em São Paulo, que está próxima à dos Estados Unidos.
      Existe, no entanto, uma grande diferença entre acesso à educação – que se considera, no Brasil, a freqüência à escola – e o acesso ao conhecimento. 
      Muitos alunos têm chegado às universidades públicas, religiosas e privadas, sem estar devidamente preparados - as últimas quase sempre mais preocupadas com o faturamento. Outros também tem tido acesso, com critério de seleção que não é muito rigoroso, a programas em que o Brasil investe muito, como ”Ciência Sem Fronteiras”.
     Embora tenhamos universidades como       a USP, considerada a melhor entre os países de língua portuguesa e espanhola, caímos seis posições no último ranking. Encontramo-nos ao lado do México, e atrás de algumas nações latino-americanas, como o Chile.
    O Governo anuncia que pretende aumentar o número de escolas integrais, de 49 para  60.000 em curto espaço de tempo. É uma excelente medida, mas não basta retirar a criança da rua, seja assim, ou fazendo-a ajudar os pais,  ao cuidar dos irmãos menores, enquanto eles trabalham.
    É preciso aproveitar o tempo extra para que assimilem cultura, com teatro, leitura, artes plásticas, atividades que ensinem as novas gerações a pensar. Temos avançado – e precisamos caminhar muito mais - na melhora da qualidade de vida da população. Estamos aprimorando o sabor do peixe, mas precisamos ensinar o povo a pescar, por meio do conhecimento.

Fonte: http://www.maurosantayana.com/

sábado, 3 de agosto de 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Para refletir: em IP, qual será a relação entre o crescimento do FUNDEB e do IDEB?

          

Em Pernambuco, recurso do Fundeb cresce muito mais que Ideb

 
          
     
O crescimendo dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) entre os anos de 2009 e 2011 em Pernambuco não foi acompanhado pelo crescimento dos números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade da educação no Brasil. Nesse período, os recursos do Fundeb para as redes públicas municipais de Educação Básica do Estado cresceu 40,98%, enquanto o Ideb melhorou apenas 5,97%. Os dados são de um levantamento feito pela Crontroladoria-Geral da União (CGU) com dados das fiscalizações do Fundo realizadas pelo órgão nos últimos anos em todo o país.
Leia também: CGU descobre irregularidades no Fundeb

Em Pernambuco, a CGU fiscalizou a Secretaria Estadual de Educação e as Secretarias Municipais de 24 municípios escolhidos por sorteio. No período apresentado pelo relatório, os repasses do Ministério da Educação para esses municípios saltou de R$ 1,68 bilhão para R$ 2,38 bilhões. Já o Ideb dessas cidades evoluiu apenas de 3,35 para 3,55.
Também há disparidade para os alunos da Educação Básica matriculados na rede estadual, para os quais os recursos do Fundeb cresceram 36,25% nos dois anos, ao passo que o Ideb avançou apenas 7,07%. O dinheiro, que totalizava R$ 1,28 bilhão em 2009 chegou a R$ 1,75 bilhão em 2011. No mesmo período, o Ideb foi de 3,30 para 3,53.
No país, a CGU identificou fraudes nos processos de licitação para compra de material para Educação em 73% das prefeituras. A Controladoria, porém, não divulga a listagem dos municípios. No Estado, os municípios fiscalizados foram São Lourenço da Mata, Serra Talhada, Surubim, Tabira, Tamandaré, Afogados da Ingazeira, Águas Belas, Araripina, Cachoeirinha, Capoeiras, Carnaubeira da Penha, Casinhas, Granito, Ingazeira, Jurema, Paranatama, Paudalho, Paulista, Petrolina, Pombos, Sairé, São Benedito do Sul, São Caitano e São João.