sábado, 6 de setembro de 2008

Lembranças de Geraldo

Geraldo Maciel
(Geraldo Miado)
Maria Luiza,
Bom dia, como fã nº 'nem sei quanto', (pois são tantos), desse correio de informações: úteis, agradáveis e de muitas recordações, que novamente ocupo esse pequeno espaço para expressar minha nostalgia e ao memo tempo, alegria, em ver fotos de pessoas que nunca sairam de minha memória, apesar de um pouco 'lenta'. Vi a foto de 'Nena Velho' (por sinal, jovial), filho de Altair, irmão de Geraldinho e sobrinho de 'Prato de Barro', meus amigos de infância lá na rua de cima, perto do Posto de Gasolina de Zé Felinto, pai de Jomar, que deve ter a minha mesma idade; Zé Mojica, (ná época, bagunceiro) filho de Zé Saraiva do Caminhão que fazia linha de Ipaumirim p/ Juazeiro do Norte (se não me engano).
Mas, um dos principais motivos dessa minha conversa fiada, é contar uma passagem lá nos anos '60', que aconteceu no distrito de Unha de Gato, quando meu pai foi visitar uma rocinha que ele tinha por lá. Foi ele e 'Zezinho', que nessa época, deveria ter menos de 20 anos.
Ao chegarem em um 'Boteco', o sr. João Vital entrou para descansar e prosear um pouco com o vendeiro, seu conhecido de longas datas. Nesse ínterim, Zezinho aproveitou p/ beber uma 'curtinha', (pinga), nisso, o dono da venda olhou p/ ele e p/ pai ao mesmo tempo, e com receio de seu João não gostar, foi colocando a 'mardita' bem devagarinho no copo. Foi quando meu pai encarou o dono da venda e falou: 'Bote sem medir, que pago sem contar'.
Esse é o 'SLOGAN', que carrego comigo até hoje, quando tô com vontade de bebericar uma 'destilada'.
Abraços, Geraldo.
Valeu !!!
Abraço e mande sempre suas memórias e fotos que publicaremos com maior prazer.
MLuiza

Álbum da semana

Festa de janeiro
sentados: (da esquerda p/ direita) : Lequinha de Luídio, não sei quem é a moça, Flávio Lúcio, Chico de Aurélio, Leylton e Chico Farias.
de pé: (esquerda p/ direita) : Francimar Maciel, João Bosco Vieira, Vivaldo Alves, João Bosco Macedo, Germano (de Chico Germano), o da cabeça branca não sei o nome mas sei que é Felizardo, Aldeísio, Cícero César, Paulo de Dino e Edmilson Nery.

Festa de janeiro
as mesmas pessoas da fotos anterior e mais: eu (Maria Luiza, ao centro)
e esse rapaz ao lado de Francimar Maciel não sei quem é.


Vicente de Aurélio e Disraeli


Cleomar e Zezé Cassiano


Zé Gonçalves (Zé Galego)


Roberto Ney
(filho de Marley Arruda e D. Olga)


Luizita, Magna e Maria Gonçalves


Joana D'arc


Fátima Dore


Dãozinho de Melo


Zé de Dino

Jarismar Alves


Vilany Nóbrega e Blandina Henrique


Anchieta Nery

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sábado em queda livre

APELO AOS MORADORES DO ALTO BANDEIRANTE

Por Cairo Arruda
(Membro da ACI e ACEJI)

A Sociedade Beneficente de Ipaumirim – SBI, à custa de desmedido esforço e determinação da sua atual Diretoria, tendo à frente a sua Presidenta Edneide Ferreira Ramos, o Secretário Rubens Dário Rolim e o Tesoureiro Manoel Parnaiba Gonçalves, com a valiosa colaboração do empresário Bosco Macedo e Giseldina Macedo, e do então Secretário de Finanças do Municpio, Vivaldo Alves, instalou no Bairro Alto Bandeirante, na antiga sede do Lions Clube, a Clinica Rosinha Leite, cujo objetivo é prestar assistência médico-ambulatorial gratuita aos moradores daquele próspero subúrbio da cidade de Ipaumirim.
Trata-se de um serviço de caráter filantrópico, apolítico-partidário, sem discriminação alguma.
Os dirigentes da citada Associação, esperavam contar com mais apoio daquela comunidade, não só utilizando-se da assistência do estabelecimento, mas também
colaborando com o que lhe fosse possível, para que o empreendimento prosperasse ou, em última análise, se mantivesse sem grandes dificuldades.
Fomos informados, de que a sua situação está necessitando de mais ajuda material, principalmente, da parte dos altobandeirenses, por sinal, os mais beneficiados com a sua existência, bem assim, do Poder Público Municipal, mais precisamente da Secretaria de Saúde do Municipio, a fim de que ela possa dar continuidade ao seu trabalho na área de saúde.
Chamamos a atenção da população daquele bairro, no sentido de prestigiarem a sua clinica ambulatorial, tornando-se sócios da entidade que a mantém – a SBI, cuja mensalidade é de apenas R$ 3,00.
Contribuam para que ela não venha a fechar suas portas, por falta de um maior apoio por parte da comunidade que a viu nascer.
Eis aqui o nosso veemente apelo aos habitantes do Alto Bandeirante, extensivo aos ipaumirinenses de boa vontade!

E-Mail: cairomiri@yahoo.com.br

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Dia 03, esteve em Iguatu o Secretário de Segurança do Ceará, Roberto Monteiro, participando de uma reunião sobre o Planejamento Participativo e Regionalizado , uma ação do Governo do Estado, para realização das oficinas de Monitoramento das Ações e Projetos Prioritários. Da reunião, participaram representantes de Acopiara, Cariús, Catarina, Jucás, Orós, Quixelô, Baixio, Cedro, Icó, Ipaumirim, Lavras, Umari e Várzea Alegre. Baturité está recebendo delegados de Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia e Redenção.
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Grampeando retalhos de memória

E eu, aqui, esperando um telefonema que acho que não virá. É chato mas é preciso dar um tempo quando as coisas dependem dos outros. Para relaxar enquanto espero, de olho no telefone que fica perto do computador, resolvi dar uma geral nos jornais on line. Só dá grampo, quem grampeou quem não devia mas foi grampeado, será grampeado e se assim não acontecer, você está fora da mídia. Pelo menos por uns tempos.
Quem não é importante nem tem cabelos longos sofre abstinência de grampos. É vip ser grampeado e eu cortei o cabelo ontem.
Fiquei pensando em Ip, nos cortes que Ninita Baraúna dava em meu cabelo. Lembrei dos tempos que Nair de Josa (era ela mesma ou outra pessoa?) frisava cabelos. Aquele cheiro de amoníaco na cabeça e a mulherada ainda conseguia arrumar namorado. Nem amoníaco era obstáculo para as investidas masculinas. E até que era bonitinho ver o cabelo enroladinho. Quem não tinha idade para passar pelas habilidades de Nair, se virava com um lápis e uma tirinha de pano. O cabelo bem repartido em quadradinhos, enrolava no lápis e amarrava cada mecha com uma tirinha de pano. Depois, soltava e ele ficava com um cacheadinho que não fazia feio diante dos frisados. Foi com esse look que eu fui entregar a coroa para outra menina (não lembro quem) coroar Nossa Senhora, numa festa do mês de maio lá no antigo grupo. Meu cabelo ficou horroroso, pixaim. Repartiram do lado, ficou pior ainda. Mas não podia recuar e lá fui eu assim mesmo. Nesse dia, mamãe do céu deve ter falado com Jesus e ele, de repente, descontou os pecados da metade da minha vida pela vergonha que eu sentia.
Mulher nunca se contenta. As do cabelo liso queriam encaracolados. As do cabelo encaracolado queriam liso. E tome grampo para fazer as toucas. Sem as modernas técnicas de relaxamento, não havia muita opção para cabelo pixaim. Passava-se uma pasta que tinha um cheiro insuportável de soda cáustica e espichava o que podia. Tinha também um pente de ferro aquecido que passava e alisava com mais resultado mas deixava um cheiro de cabelo queimado e tinha que passar vários dias sem lavar a cabeça. Se o cabelo fosse curto ficava com aspecto teso, grudado como se tivesse passado goma arábica. Parecia uma cuia cabeluda. Cabeleira de tamanho médio parecia uma vassoura de piaçava, espetada. Aí chegava o socorro dos bobes, presos com grampos para não deixar marcas. Lembro de Terezinha, morena jeitosa de sobrancelha bem delineada com lápis preto, que trabalhava na casa de minha tia Cristina. O cabelo já estava impermeável de tanto passar o pente de ferro. Outra opção era comprar uma peruca kanekalon feita de cabelo sintético. Além de horrorosas, esquentavam o couro cabeludo. Parecia cabelo de boneca.
A libertação dos encaracolados chegou com o slogan black is beautiful e a famosa cabeleira black power. Era a glória do pixaim e o fim da tirania do laquê com aquele cheiro de breu que ficava na cabeça.
Black is beautiful, black is beautiful
Black beauty so peaceful
I wanna a black I wanna a beautiful,” cantava Elis Regina nas paradas de sucesso.
Quem não se lembra de Paulo César Caju, aquele jogador estiloso da seleção brasileira, que tinha sua cabeleira black power pintada de acaju? Era o bicho!!!
Lembro ainda das manicures pioneiras: Alaíde de Jiló e Bia de Manuel Sapateiro, acho que tinha mais uma mas não recordo quem era. Criança não fazia unhas, tinha que pintar com o esmalte Coty comprado nas bancas da feira. Como eram sortidas aquelas bancas, pó, batom, rouge, perfume, talco, não faltava nada. A maioria vinha de Cajazeiras para a feira do domingo. Mas também tinham as bancas locais como a de Mirô e ainda a bodega de tia Cristina e a de Luiz Didico que vendia perfumarias. Quando se comprou a bodega de Luiz Didico para ampliar a loja, descobrimos que ele era fã de perfumes pois muitos vidros estavam abertos e um pouco usados. Rapaz vaidoso Luiz Didico. E cheiroso, naturalmente.
Adautiva, de Dona Aurora, costurava para as finas e fofas em ocasiões especiais. Cortava um godê duplo como ninguém. Cira Sampaio era uma exímia costureira de calça comprida. Tinha um corte perfeito. E tinha D. Mariinha de Antonio Dantas que parece que costurava principalmenbte para homens. Entre outras, lembro que me fizeram roupas: Socorro Ramos e Mundinha de Zacarias. Eu ficava sentada esperando para provar a roupa e Zacarias arrumando as fotografias ou pendurando-as num cordão para secar. A maioria era foto 3x4 principalmente perto da temporada eleitoral. Vez por outra ele me fazia um comentário:
- Veja como fulano está bonito no retrato! Quando que ele tem essa cara?! E tem gente que ainda reclama.
Eu ficava ar-ra-sa-da. A foto do meu primeiro título eleitoral foi obra dele e era horrível. Eu ficava pensando se ele teria feito o mesmo comentário a meu respeito. Ainda tenho guardado meu velho título tirado por meu pai. Lá na loja, embaixo do balcão, tinha uma caixa de sapato cheia de fotos 3x4 que meu pai mandava tirar para fazer o título dos eleitores.
Eu nunca fui vaidosa mas adorava votar de roupa nova. Na minha idade, eleição era uma festa. E eu acreditava em festas e fadas.
Uau! até que enfim o telefone chama!

MLuiza
Recife - PE

A dança das cabeças - edição 2008


Diap revela os 100 “Cabeças” do Congresso em 2008

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) concluiu a publicação Os “Cabeças” do Congresso Nacional, que aponta a lista dos 100 parlamentares mais influentes do ano. Essa é a 15ª edição do levantamento.
De acordo com o Diap, 71 deputados e 29 senadores são os congressistas decisivos no processo legislativo federal em 2008. O PT é o partido com mais parlamentares influentes: 27. Por sua vez, o PMDB aparece com 17. O PSDB aparece em terceiro lugar, com 14 nomes.
Nesta edição, 12 parlamentares entraram para o grupo dos mais influentes do Congresso. “Todas as cinco regiões do País: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste tiveram parlamentares de 1º mandato entre os deputados e senadores mais influentes do Congresso Nacional em 2008”, afirma o Diap.
Seis parlamentares que faziam parte do grupo em ascensão em 2007 passaram para o seleto grupo de parlamentares mais influentes do Congresso em 2008.“São quatro deputados e dois senadores. Por partido, o PT foi quem mais se beneficiou com a ascensão de parlamentares para o seleto grupo de 'Cabeça' do Congresso Nacional. São eles: Dr. Rosinha (PR), que já compôs a lista dos 'Cabeças' nos anos de 2001 a 2004; o deputado Pedro Eugênio (PE), que chega pela 1º vez entre os “Cabeças”; e o também debutante Vignatti (SC)”, afirma o órgão.
Confira quem são os parlamentares mais influentes em 2008, segundo o Diap.
Acre:
SenadoresTião Vianna (PT), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB)
Alagoas:
SenadorRenan Calheiros (PMDB)
Amapá
SenadorJosé Sarney (PMDB)
Amazonas
SenadorArthur Virgílio (PSDB)
Bahia
Deputados
ACM Neto (DEM) , José Carlos Aleluia (DEM), Juthay Júnior (PSDB), Sérgio Barradas Carneiro (PT), Valter Pinheiro (PT)

Ceará
Deputado
Ciro Gomes (PSB)
Senadores
Inácio Arruda (PCdoB), Patrícia Saboya (PSB), Tasso Jereissati (PSDB)

Distrito Federal
Deputados
Augusto Carvalho (PPS), Magela (PT), Rodrigo Rollemberg (PSB)
Senador
Cristovam Buarque (PDT)
Espírito Santo
Deputada
Rita Camata (PMDB)
Senador
Renato Casagrande (PSB)
Goiás
Deputados
Jovair Arantes (PTB), Sandro Mabel (PR), Ronaldo Caiado (DEM)
Senador
Demóstenes Torres (DEM)
Maranhão
Deputado
Flávio Dino (PCdoB)
Senadora
Roseana Sarney (PMDB)
Mato Grosso do Sul
Senador
Delcídio Amaral (PT)
Minas Gerais
Deputados
Gilmar Machado (PT), Paulo Abi-Ackel (PSDB), Nárcio Rodrigues (PSDB), Rafael Guerra (PSDB), Virgílio Guimarães (PT)
Pará
Deputado
Jader Barbalho (PMDB)
Senador
José Nery (PSol)
Paraná
Deputados
Abelardo Lupion (DEM), Dr. Rosinha (PT), Gustavo Fruet (PSDB), Luiz Carlos Hauly (PSDB)Ricardo Barros (PP)
Senador
Osmar Dias (PDT)
Pernambuco
Deputados
Armando Monteiro (PTB), Fernando Ferro (PT), Inocêncio Oliveira (PR), Maurício Rands (PT)Pedro Eugênio (PT), Renildo Calheiros (PCdoB), Roberto Magalhães (DEM)
Senadores
Jarbas Vasconcellos (PMDB), Marco Maciel (DEM), Sérgio Guerra (PSDB)
Piauí
Senador
Heráclito Fortes (DEM)
Rio de Janeiro
Deputados
Chico Alencar (PSOL), Eduardo Cunha (PMDB), Fernando Gabeira (PV), Jorge Bittar (PT), Miro Teixeira (PDT), Rodrigo Maia (DEM)
Senador
Francisco Dornelles (PP)
Rio Grande do Norte
Deputado
Henrique Eduardo Alves (PMDB)
Senadores
Garibaldi Alves (PMDB)
José Agripino Maia (DEM)
Rio Grande do Sul
Deputados
Beto Albuquerque (PSB), Eliseu Padilha (PMDB), Henrique Fontana (PT), Ibsen Pinheiro (PMDB), Marco Maia (PT), Mendes Ribeiro Filho (PMDB), Onyx Lorenzoni (DEM), Vieira da Cunha (PDT), Tarcisio Zirmmermann (PT)
Senadores
Paulo Paim (PT), Pedro Simon (PMDB)
Rondônia
Senador
Valdir Raupp (PMDB)
Roraima
Deputado
Luciano Castro (PR)
Senador
Romero Jucá (PMDB)
Santa Catarina
Deputados
Carlito Merss (PT), Fernando Coruja (PPS), Paulo Bornhausen (DEM), Vignatti (PT)
Senadora
Ideli Salvatti (PT)
São Paulo
Deputados
Aldo Rebelo (PCdoB), Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB), Antônio Carlos Pannunzio (PSDB), Antônio Palocci (PT), Arlindo Chinaglia (PT), Arnaldo Faria de Sá (PTB), Arnaldo Madeira (PSDB), Cândido Vaccarezza (PT), José Aníbal (PSDB), José Eduardo Cardozo (PT), Luiza Erundina (PSB), Márcio França (PSB), Michel Temer (PMDB), Paulo Pereira da Silva (PDT), Paulo Renato Souza (PSDB), Regis de Oliveira (PSC), Ricardo Berzoini (PT), Vicentinho (PT)
Senadores
Aloizio Mercadante (PT)
Eduardo Suplicy (PT)
Sugestão: vá ao Portal da Transparencia Brasil, entre no link excelencia e vc vai ver a ficha de cada um deles.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A los tiempos...

Telefone grampeado paga conta?



Fortemente constrangido

Dora Kramer
O Estado de S. Paulo
3/9/2008


O envio da diretoria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para o altar dos sacrifícios já no primeiro dia útil da crise instalada no fim de semana, quando a revista Veja exibiu prova da existência de uma usina de invasões de privacidades em Brasília, foi entendido como um sinal de rigor e agilidade por parte do presidente Luiz Inácio da Silva.
Houve, de fato, uma alteração no padrão habitualmente adotado no Palácio do Planalto para a administração de escândalos. Mas nada que autorize entusiasmos com a rapidez e a austeridade da “ação” do presidente da República.
Primeiro, porque não foi uma ação, foi uma reação. Segundo, não foi rápida e, terceiro, não revelou o vigor e sim a fragilidade de Lula diante de um Supremo Tribunal Federal unido e disposto ao combate, caso se repetisse o roteiro de sempre.
Aquele velho conhecido: surge a denúncia, uma sindicância interna é aberta, a Polícia Federal inicia inquérito para investigar “a fundo”, ministros produzem versões contraditórias sobre o episódio, o Congresso põe o caso em alguma CPI e o presidente Luiz Inácio da Silva queda-se em mutismo absoluto esperando a passagem do vendaval.
Se a coisa fica muito feia, toma-se a corda em seu lado mais fraco, providencia-se ali uma punição a título de satisfação ao público e assunto encerrado.
Desta vez, o governo fez uma passada meteórica pelas preliminares e apresentou logo um suspeito. E por que fez isso? Porque se viu diante de uma emergência: ou fazia alguma coisa logo, apresentava um alvo qualquer, ou se arriscaria a se tornar ele mesmo o alvo de uma artilharia pesada.
A cobrança pública por providências, desde sábado, não partiu de um Congresso desmoralizado, nem de uma oposição acuada ou de uma opinião pública difusamente indignada.
Quem pressionava era a cúpula do Poder Judiciário, a guardiã da Constituição, dona da palavra final sobre as leis, a única instituição com poder e credibilidade suficientes para, em determinado momento - não precisava nem dizer, bastava insinuar que o presidente da República hesitava na defesa do Estado de Direito -, levar Lula às cordas.
Daí a necessidade de alterar a programação habitual e começar pelo fim: a apresentação do suspeito. Um ato inédito. O governo sempre se recusou a adotar o método consagrado no governo de Itamar Franco, quando seu então braço direito, Henrique Hargreaves, foi afastado do Palácio em função de denúncias envolvendo irregularidades nos Correios e reconduzido ao posto depois de inocentado.
Não que tenham faltado cobranças nesse sentido, ao contrário. As inúmeras foram rechaçadas pelo governo Lula sob o argumento da presunção de inocência e que demissões, mesmo temporárias, equivaleriam a condenações antecipadas.
A regra, até agora seguida sem exceção, levaria à suposição de que o governo agiu agora de forma diferente porque já dispunha de base sólida para apresentar o suspeito sem correr o risco de transformá-lo em réu injustamente.
A reação das autoridades ontem em Brasília mostrou que, quem chegou a essa conclusão, precipitou-se. Do vice-presidente da República, José Alencar, ao ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, passando pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Jorge Felix, saíram todos em defesa do diretor demitido da Abin, Paulo Lacerda.
Um homem inatacável, um profissional bom e confiável, uma vítima de armação de gente interessada em desmoralizar a agência foi o mínimo que se ouviu a respeito da pessoa apresentada na noite anterior como chefe dos principais suspeitos.
Junto a esses elogios, ganharam reforço também as versões sobre a possibilidade de as escutas ilegais não terem sido produzidas dentro do aparelho de Estado, mas por quadrilhas de “ouvidores” (no mau sentido) do setor privado, vale dizer, Daniel Dantas.
Uma hipótese nem de longe a ser jogada fora, dada a trajetória de obscuridades protagonizadas pelo esquisitíssimo rapaz.
Agora, se vai nessa direção a desconfiança mais forte e se no dia seguinte o governo inteiro põe a mão no fogo por Paulo Lacerda, por que o afastamento em regime de exceção?
Por qualquer caminho que se vá, chega-se ao mesmo lugar: para proteger o presidente Lula de uma confrontação com o Supremo Tribunal Federal no âmbito onde este é autoridade máxima e àquele cabe submissão absoluta jurada no ato da posse: a legalidade.
Enaltecido o presidente poderia ser caso tivesse sido dele a iniciativa de compreender o significado da disseminação dos grampos. Mas tal entendimento não havia ainda se apresentado à cena, a despeito das várias denúncias (inclusive do próprio presidente do Supremo) sobre a propagação da invasão de privacidade da capital da República.
Apareceu apenas quando a situação foi traduzida para o idioma de Lula, um ás na distinção entre o que pode lhe render benefícios ou lhe causar prejuízos políticos no exercício do poder.

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O Estado não é policial, é frouxo

Clóvis Rossi
Folha de S. Paulo
2/9/2008


Dois presidentes, Gilmar Mendes, do STF, e Garibaldi Alves, do Senado, viram nos "grampos" em seus telefones um "estado policialesco".
É precisamente o contrário. Estado policialesco pressupõe um Estado forte, onipresente, hiperativo. O que existe no Brasil é um Estado frouxo, inerme, ausente exatamente onde a sua presença é mais necessária.
Episódios como o dos "grampos" contra duas das mais altas autoridades da República, para não mencionar Gilberto Carvalho, o mais próximo assessor do presidente Lula, só demonstram o quanto o atual governo é omisso. Prova-o a seguinte frase do ministro da Justiça, Tarso Genro, falando precisamente sobre interceptações telefônicas: "Estamos chegando a um ponto em que temos de nos acostumar com o seguinte: falar no telefone com a presunção de que alguém está escutando".
Traduzindo: o chefe da Polícia Federal, em vez de se indignar -e agir em conseqüência, o que seria ainda mais relevante-, prefere conformar-se com a sua incompetência, impotência, inapetência ou tudo isso ao mesmo tempo para controlar atividades que desrespeitam o Estado de Direito. Fosse menos relapso, o ministro diria que tomaria todas as providências para que a arapongagem deixasse de ser tão disseminada e que os inocentes poderiam ter a "presunção" de que só são ouvidos pelos seus interlocutores.
Se seu chefe, o presidente da República, também fosse menos relapso, teria afastado o ministro no ato, para demonstrar que não compactuava com a omissão do subordinado. Como não o fez, é forçado a agir tardiamente, punindo o policial, Paulo Lacerda, que foi o símbolo de uma elogiada PF. Não há símbolo que resista no governo Lula. Cai um após o outro sempre que qualquer labareda chega perto do presidente.

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Perguntar só por perguntar
Folha de S. Paulo
3/9/2008

1 - Se o delegado Paulo Lacerda foi afastado da Abin em benefício da "transparência" da investigação sobre o grampo no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, significa que ele, se mantido no cargo, "embaçaria" o processo?

2 - Se é assim, como a lógica elementar indica, não seria o caso de demiti-lo em vez de afastá-lo temporariamente? Afinal, um funcionário suspeito de ser capaz de atrapalhar uma investigação não deve chefiar nada, certo?

3 - Se Lacerda fez um bom trabalho na PF -e o fez, sim-, por que agora humilhá-lo publicamente com o afastamento que coloca em suspeição sua lisura?

4 - Se Lacerda foi preventivamente afastado, por que não o foi também o general Jorge Félix, afinal, superior hierárquico de Lacerda como chefe do Gabinete de Segurança Institucional? A lógica não deveria ser a mesma? Ainda mais que o próprio general, segundo a Folha, teria dito que a principal hipótese para os grampos é um ou mais funcionários da Abin terem sido contratados pelo banqueiro Daniel Dantas para executar o trabalho. Se essa informação é correta, então o general demonstra ter "hipóteses" antes mesmo de a investigação começar, o que pode, ante seu nível hierárquico, conduzir o processo investigatório a uma linha que, de repente, é incorreta.

5 - Se, como já disse orgulhosamente o ministro da Justiça, Tarso Genro, todo mundo deve falar ao telefone com a "presunção" de que alguém está ouvindo, por que os chefes do crime organizado, mesmo quando presos, continuam falando ao telefone, até dos presídios, com a maior tranqüilidade e, portanto, sem tal "presunção"? Ou será que é mais difícil -além de bem mais perigoso- grampear prisioneiros condenados do que cidadãos em liberdade e sem crimes a eles imputados?

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O grampo é cultural

Fernando Rodrigues
Folha de S. Paulo
3/9/2008

Aqui, na convenção republicana, por óbvio não se fala nada a respeito da grampolândia em Brasília. Mas entro no assunto para concordar com a definição do Estado brasileiro ("frouxo, inerme, ausente") feita ontem por Clóvis Rossi. Arrisco-me a ampliar o conceito.
O Estado brasileiro gosta dessa esculhambação geral. A falta de controle serve muito bem aos políticos. Eles vão se acomodando ao problema em vez de resolvê-lo. Quando cheguei a Brasília, na década de 90, um senador da República dado a bizarrices havia encomendado um revestimento acústico completo para seu gabinete. Rico, pagou de seu bolso.
Não seria melhor denunciar as tentativas de escuta clandestina em vez de revestir o gabinete?, perguntei na minha ingenuidade de neófito brasiliense. A resposta: "Impossível. Não vale a pena comprar essa briga. Eles ouvem quem eles querem. Não quero me indispor. Então, tento me proteger".
Mais adiante, durante o episódio dos grampos na Telebrás, em 1998, agentes do antigo SNI e dos porões do governo militar tiveram a ousadia de grampear uma conversa do presidente Fernando Henrique Cardoso. Vários políticos tiveram acesso às fitas. Cada um divulgou a parte que mais lhe convinha. Eram de oposição e da situação. Não há notícia de nenhum ter tentando realmente acabar com a mania nacional dos grampos.
Esses fatos se deram no governo FHC. Agora, sob Lula, pouca coisa mudou. É difícil afirmar ter havido um aumento dos grampos. Certamente as mazelas do país estão mais visíveis. Sabe-se até quantas linhas são monitoradas: 397 mil. Lula começou a atacar o problema pelo lado mais frágil. Afastou a direção da Abin. Incomodar as telefônicas, exigindo investimentos para tornar a burla mais difícil, é algo que ficará para depois. Típico.

Artigos sugeridos por Flávio Lúcio

Pensando em IP



Ainda bem que esse problema não deve acontecer em Ip. Nossos políticos declaram patrimonios tão modestos que as nossas eleições são puro exercício de cidadania. Confiando nas declarações de bens que publicadas no TSE, não há grana para gastar.

Os gastos declarados em 2004 são tão acanhadinhos...

Aguardemos a publicação da primeira parcela de 2008 que já era para estar disponível no site do TSE desde o início de agosto.





Estudo da Transparência Brasil mostra as relações entre doações eleitorais realizadas por políticos e o patrimônio que eles declaram à Justiça Eleitoral, destacando-se os que são candidatos nas eleições de 2008.


• Setenta por cento dos candidatos em eleições fazem doações eleitorais, geralmente a si próprios, mas não exclusivamente. Entre os eleitos, o porcentual se eleva a 85%.

• De um total de 2.632 parlamentares em exercício nas principais Casas legislativas brasileiras, 1.974 financiaram campanhas em 2004 ou em 2006 (muitos o fizeram em ambos os pleitos).

• Nada menos de 155 deles (7,9% dos 1.974) fizeram doações em 2004 ou em 2006 que superaram o total dos bens que declararam à Justiça Eleitoral.

• Nessas Casas legislativas há 933 candidatos às eleições municipais deste ano, dos quais 756 contribuíram para campanhas em ao menos um dos dois últimos pleitos. Desses, 49 (ou 6,5%) doaram a alguém (geralmente eles próprios, mas não exclusivamente) mais recursos do que afirmaram possuir.

• Os que doaram a campanhas mais de 50% de seu patrimônio declarado são 250 entre todos os que estão em exercício e 80 entre os candidatos em 2008.

• Lideram a lista os parlamentares do Mato Grosso do Sul, com média de 65,3% de generosidade eleitoral sobre o patrimônio declarado, seguidos pelos do Amazonas (51,5%), Maranhão (50,3%) e Piauí (48,6%).

• Ver o relatório em www.excelencias.org.br/dpat.pdf.

Os dados são recolhidos pela Transparência Brasil e publicados na ficha de cada político em seu projeto Excelências (http://www.excelencias.org.br/).

As informações relativas à relação doações/patrimônio para todos os parlamentares em exercício nas principais Casas legislativas brasileiras são agregadas em www.excelencias.org.br/@dpat.php, com acesso aos candidatos beneficiados pelas doações de cada político.

Fonte: http://tarsoaraujo.blogspot.com/

O que faz a diferença

Jornada ampliada e participação da comunidade fazem a diferença

04/09/2008

Os alunos de ensino fundamental e médio da escola Simão Ângelo, em Penaforte, têm a oportunidade de participar de projetos como a jornada ampliada - freqüentam a sala de aula nos dois turnos - e do reforço quando têm deficiência em disciplinas como Português e Matemática. "Chamamos o pai, a mãe ou o responsável e comunicamos as deficiências do aluno, então oferecemos o reforço", explica a diretora Maria do Socorro de Carvalho Almeida.
A escola com a comunidade e os pais se comprometeram a reduzir os casos de dengue que se registraram no primeiro semestre deste ano, através do Projeto Sacudindo Penaforte na Luta Contra a Dengue, e conseguiram. Também foi realizado um programa de conscientização sobre o lixo doméstico. "Sabemos que o lixo é um dos graves problemas do século XXI, então nós começamos a conscientizar as pessoas sobre o acondicionamento e o lugar certo para colocar os resíduos. Na escola também temos os mutirões de limpeza. Todos participam", completa.
Com 720 alunos de ensino fundamental, médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Escola estadual Simão Ângelo funciona desde 1981. É aberta nos três turnos e também nos fins de semana recebendo estudantes, familiares e a comunidade para cursos, palestras e eventos sociais. "Antes, aconteciam roubos e pichações. Mas agora, nada disso ocorre. Todos zelam para manter a escola e boas condições porque serve para todos", diz a diretora.

Morre Waldick Soriano



O corpo do cantor Waldick Soriano, que morreu no início da manhã desta quinta-feira (4), vítima de câncer, vai ser enterrado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. O horário e o local do velório ainda não foram confirmados pela família.
Aos 75 anos, ele tratava de um câncer na próstata há mais de dois. Por causa do seu estado de saúde, o cantor, que vivia em Fortaleza, veio para o Rio de Janeiro em abril. Desde o último domingo (31), ele estava internado no Instituto Nacional do Câncer.
Nascido em Caetité, no Sertão da Bahia, Waldick tem mais de 40 anos de carreira e entre os seus sucessos, do gênero brega, estão "Eu não sou cachorro, não" e "Tortura de amor". Antes de se tornar cantor, ele chegou a ser peão, motorista de caminhão e garimpeiro, antes de ir a São Paulo tentar a sorte no meio artístico, no final dos anos 50.
Depois de algum esforço – sem obter sucesso imediato e sem querer pedir dinheiro à família – conseguiu gravar sua música "Quem És Tu?". A partir de então começou a chamar a atenção por seu repertório de canções sobre amores malsucedidos e por seu visual excêntrico – sempre de óculos escuros e vestido de preto.
Nos anos 60 firmou-se como cantor de “dor-de-cotovelo”, gravando vários discos com composições próprias que versavam sobre o mesmo assunto. Popularizou-se mais no Nordeste do que em outras regiões, até o grande sucesso de "Eu Não Sou Cachorro Não", que o tornou nacionalmente conhecido.
A música ganhou uma versão caricatural em inglês gravada pelo cantor Falcão, e denominada "I'm Not Dog No". No ano passado, o cantor voltou aos holofotes e lançou CD e DVD embalado pelo documentário sobre sua vida “Waldick, Sempre no Meu Coração”, dirigido pela atriz Patrícia Pillar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Na vizinhança...

Força-tarefa - Ainda nesta primeira quinzena de setembro, duas comissões de órgaõs federais estarão no Ceará. A primeira parada das comitivas será Fortaleza. O objetivo específico porém será o interior do Ceará: Milagres, localizado na Região do Cariri.

Alça de mira - Milagres também receberá mais visitas ilustres, quando outubro chegar. Senadores Demóstenes Torres - aquele mesmo dos grampos - e Magno Malta, presidente e relator, respectivamente, da CPI de Combate à Pedofília, querem ouvir depoimentos naquela cidade cearense.
No Icó..
Estamos trazendo mais informações a respeito do retorno do vice-prefeito, José Jaime Rodrigues Bezerra Júnior (PSDC).
A decisão do retorno e à posse como prefeito do município de Icó ao vice-prefeito, Jaime Júnior , foi uma ação civil pública do Ministério Público, visando o exercício do cargo de pefeito municipal, como havia sido determinado pela desembargadora Gisela Nunes da Costa.
O texto dessa nova decisão, que foi lido no Programa Rubens Brasil, da Rádio Brasil FM, pedia a posse de imediato do vice-prefeito, para o retorno da ordem e aos trabalho no Palácio da Alforria. Assina o texto o Juiz de direito, Luiz Carlos Saraiva Guerra.
Ainda consta no documento, que houve um agravo de intrumento que tramita no Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE). Este agravo estaria no fato da saída precoce de Jaime Júnior da prefeitura municipal de Icó.
Mais informações a qualquer momento no "Icó é Notícia"
Em Umari...

O bicho tá pegando nos tópicos do forum da comunidade Umari - CE, no orkut. Sobrando para Ipaumirim, é claro..

Novo diretor da Abin trabalhou para Daniel Dantas




O governo escolheu a dedo o substituto de Paulo Lacerda na Abin. Chama-se Wilson Trezza.
Deve-se à repórter Fernanda Odilla a revelação de que Trezza já trabalhou para Daniel Dantas.
Sim, exatamente, ele mesmo: o suspeito-geral da República, preso e solto duas vezes na Operação Satiagraha.
Entre fevereiro de 2002 e março de 2003, o novo mandachuva da Abin bateu ponto na Fundação Brtprev. Era diretor de Seguridade.
Geria os planos de benefícios dos colaboradores da Brasil Telecom, empresa submetida à época ao controle de Daniel Dantas.
"Não me relacionava com ele", diz Trezza, um oficial de inteligência, que ingressou na atividade de informação em 1981, no velho SNI.
Antes de ser contratado pela Brtprev, Trezza passara uma década distante do SNI e da sucessora Abin. Nesse período, servira ao governo FHC.
Primeiro como secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência.
Depois como diretor administrativo do Ministério da Educação, sob o hoje deputado Paulo Renato (PSDB-SP).
E 2003, depois da passagem pelo braço previdenciário da Brasil Telecom, Trezza voltou à Abin.
Agora, é assediado pelo desafio de identificar os responsáveis pelo “grampogate”.
Entre as hipóteses sob investigação há uma suspeita levantada por Jorge Félix.
O general, superior hierárquico de Trezza, disse e repetiu, em privado, que o grampo que vitimou Gilmar Mendes pode ter sido uma encomenda de Daniel Dantas, o ex-patrão do novo diretor da Abin.
Responda rápido: é possível dormir com um barulho desses?


Deu na Folha de S.Paulo




Na maior parte dos casos, soltura só não ocorreu porque os detentos não têm defensores que comuniquem ao juiz o término da pena
Sistema carcerário atual contrasta com as 2 decisões favoráveis obtidas por Daniel Dantas em menos de 48 horas junto ao Supremo

De Lilian Christofoletti:


As duas decisões favoráveis obtidas pelo banqueiro Daniel Dantas em menos de 48 horas junto à mais alta corte do país contrastam com a realidade do sistema carcerário brasileiro. Estima-se que até 9.000 pessoas estejam atrás das grades apesar de já terem cumprido pena condenatória.
Na maior parte dos casos, a soltura só não ocorreu ainda porque muitos não têm defensores que comuniquem ao juiz o cumprimento da pena.
Se forem levados em conta os que aguardam julgamento em prisão preventiva -a mesma modalidade imposta a Dantas-, o abismo é ainda maior.
O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça estima que o país tenha hoje cerca de 133 mil pessoas em preventiva, ou seja, 30% da população carcerária.
Apesar de o tempo máximo da preventiva ser de 81 dias, não é raro encontrar presos há mais de dois anos, que dividem cela com condenados e não têm data de julgamento.
O banqueiro Dantas, investigado por uma movimentação ilegal de cerca de R$ 3 bilhões para fora do Brasil, foi preso duas vezes pela Justiça Federal em menos de dois dias.

Ciro Gomes procura um candidato a presidente



Duas vezes candidato a presidente da República, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) topa ser candidato a vice em 2010. Está à procura de um candidato a presidente para completar sua chapa.
Mais de uma vez ele já disse ao governador Aécio Neves, de Minas Gerais, que aceitaria ser candidato a vice dele caso o PSDB prefira Aécio ao governador José Serra como candidato à sucessão de Lula.
Mais de uma vez também já disse à ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, que está disposto a ser vice em uma chapa encabeçada por ela.
Ciro apenas está sendo realista. Só há uma chance de ele ser candidato a presidente com esperança de vencer: se Lula desistisse de bancar o nome de Dilma. E se convencesse o PT a apoiá-lo.
É mais fácil para qualquer um de nós cruzar por aí com o mico-leão-dourado do que essas duas coisas acontecerem.
Se Dilma não vingar como candidata, Lula irá atrás de outro nome do PT. Por sua vez o PT não abrirá mão de disputar a eleição com candidato próprio. Nem pensar.
Qualquer candidato do PT avalizado por Lula será forte, fortíssimo justamente na região onde Ciro armazena seu estoque de votos: o Nordeste.
É ali aonde Lula conseguirá transferir para seu candidato a maior quantidade possível de votos.
Ciro sabe disso. Por isso é um candidato a vice à procura de um cabeça de chapa.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Urna eletrônica NÃO é inviolável

Sílvio Meira*
A infra-estrutura brasileira de eleições, informatizada e universal, é um feito da engenharia e políticas nacionais. Não resta a menor dúvida de que a urna eletrônica e o sistema de apuração por trás dela funcionaram - e funcionam- muito melhor do que o sistema baseado em cédulas, mapas e tinta que tínhamos antes. Prova disso é que famílias e coronéis, brasil a dentro, perderam o controle quase secular que tinham de algumas cidades [em certos casos, regiões] porque não aprenderam a fraudar o sistema eleitoral informatizado na velocidade de sua evolução.
Mas, desde sua chegada, a urna eletrônica é cercada de polêmica. uns, mais radicais [e usando argumentos, digamos, convincentes] dizem que o sistema é furado, pura e simplesmente. Outros, mais condescendentes, apontam as melhoras que poderiam ser introduzidas para tornar o sistema bem mais confiável do que é.
Acontece que o crime organizado está querendo organizar muita coisa e as eleições são parte importante do que [parece] que pode ser "organizado". De um lado, tem gente cobrando eleitor tirando foto de voto na urna pra mostrar pra cabo [?] eleitoral, sob pena de danos muito significativos à sua existência terrena. Estes são, poderíamos dizer, os brucutus, a turma da força bruta. De outro, está a galera da inteligência do crime, vendendo eleições, por milhões. Ou pelo menos dizendo que vende -e entrega- resultados.
E acontece que estamos no Brasil, e a oferta de "eleger quem fosse, por um preço" acabou vazando… por todo canto, como anúncio viral em rede social. e o ministro Ayres Britto, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, teve que reagir, na sua moeda. Segundo declaração do ministro, "o sistema é absolutamente inviolável".
Acontece que este blog, além de cético, escreve software há 35 anos e não acredita em sistemas "absolutamente invioláveis"… até porque há resultados fundamentais [da teoria da computação…] que nos levam à conclusão exatamente oposta. tudo indica que, num sistema linguístico qualquer, temos que escolher entre consistência e completude. Se o sistema for consistente [ou seja, não dá pra pra provar que 0=1], há verdades, no sistema, que não podem ser provadas. Por outro lado, se pudermos demonstrar tudo o que é verdade, o sistema é inconsistente, ou seja, também podemos provar um 0=1 aqui, outro ali, enfim, em todo lugar. Ou eleger qualquer um, mesmo sem voto…
Mas uma discussão do sistema eleitoral nestes termos [teóricos] não é razoável, porque prática é a vida e as eleições. Mesmo sabendo que o ministro está teoricamente [pois não existem sistemas - do tipo do sistema eleitoral- invioláveis] errado, resolvemos consultar um dos maiores especialistas brasileiros em segurança de informação sobre o assunto e a sua resposta a nosso emeio está abaixo. Sabendo das implicações de suas declarações, nosso personagem se escondeu por trás do codinome frodo [baggins, o filho adotivo de bilbo, do senhor dos anéis], o hobbit que tomou pra si a responsabilidade de detonar orodruin, a montanha do mal da terra do meio, da trilogia fantástica de j. r. r. tolkien. Coisas de gente de segurança.
Sim: mas o que disse frodo? A conversa é longa. Leia e entenda porque o ministro Ayres Britto está errado mas, mesmo assim, nosso sistema eleitoral informatizado pode continuar sendo melhor do que qualquer outro, de papel, desde que tomemos os devidos [muitos] cuidados…

blog: as urnas brasileiras sao invioláveis? até que ponto? por que? se alguém quiser violar uma urna, quais são as opções?
Um dos maiores erros cometidos por quem não trabalha diretamente na área de segurança de sistemas é afirmar que existe sistema inviolável. Não existe 100% de segurança. Sistemas mais críticos devem possuir mecanismos que permitam identificar que houve uma falha ou violação de segurança e, a partir disso, tornar possível a tomada de decisões sobre a falha. Não se pode afirmar que tal sistema seja inviolável, ou que qualquer sistema seja inviolável.
Até onde se sabe, as urnas eletrônicas brasileiras possuem suporte a tais mecanismos de auditoria, permitindo, em caso de violação, a possibilidade de se detectar uma quebra de segurança.
Um ponto de falho da segurança das nossas urnas é que elas são construídas sobre de sistemas operacionais tidos como inseguras como DOS, que é utilizado nas primeiras urnas e, mais recentemente, Windows CE. Estes dois sistemas permitem técnicas de debugging que facilitam a realização de
engenharia reversa sobre a plataforma da urna. Quem tem mais de 30 anos lembra do DEBUG do DOS e o utilizou no seu dia a dia para depurar problemas de execução. Este mesmo procedimento pode ser utilizado nas nossas urnas e não é nada muito complicado de ser feito. Há rumores, não confirmados, de que grupos de especialistas em segurança tiveram acesso a urnas e utilizaram desta técnica para realizar alterações no funcionamento normal dos programas do sistema.
Ainda sobre esta pergunta, vale salientar e refletir sobre as palavras de
Josef Stalin: “Quem vota e como vota não conta nada; quem conta os votos é que realmente importa.” O que nos leva a sair da urna e tentar entender o que acontece com os "votos" depois que eles "saem" das urnas. Quem garante que não há falhas nos sistemas de recepção e processamento dos dados? Outro ponto importante, nesta análise, é que alguns dos softwares utilizados no sistema eleitoral possuem falhas de segurança não divulgadas. O artigo The Vulnerability Economy ilustra o tamanho do mercado de segurança de falhas não divulgadas. Este problema não afeta apenas as urnas eleitorais mas qualquer sub-sistema que faz parte do sistema eleitoral. E é sabido que partes do sistema eleitoral possuem falhas não divulgadas.

blog: se alguém quisesse violar o sistema eleitoral, a fragilidade estaria só na urna?
Como dito anteriormente, existe um sistema de retaguarda que realiza a contagem dos votos e, no meu entender, os componentes deste sistema seriam o ponto ideal para fraudar o processo eleitoral. Stalin, entre outros, já via tal alternativa. Outro ponto importante e bastante negligenciado é que todos os envolvidos no processo eleitoral, do lado dos tribunais regionais e do TSE, afirmam que a urna é inviolável e que, em caso de violação (!), há mecanismos para identificar tais atos. Particularmente, eu posso acreditar nisso. No entanto, a pergunta que fica no ar é: o que se faz quando tais violações ocorrem?
Vamos a um exemplo: ligar uma urna eletrônica antes do horário previsto não é permitido, e a urna acusa tal ação. Neste caso, a pergunta complicada é “porque, mesmo com o sistema acusando a falha no processo definido, a urna com problema não é considerada inapta?” Não houve violação (tecnológica) de segurança, mas de processo. E não parece haver um controle ou auditoria para vetar ou validar tais falhas. Assim, como dar credibilidade a um processo eleitoral que
não consegue tratar nem casos simples como este?

blog: existe algum indício de que o sistema já foi violado em eleições anteriores?
O site
www.votoseguro.org descreve várias situações, em eleições anteriores, que podem ser consideradas violações do sistema eleitoral. Há, também, relatórios de análises feitas por pesquisadores brasileiros e estrangeiros que têm conclusões bastante diferentes das do Ministro sobre a inviolabilidade do sistema eleitoral.
Como consultor, recebi uma análise feita em algumas urnas de um certo estado, que acusavam que os HASHs [nota do blog: um tipo de assinatura digital] dos programas utilizados nas urnas diferiam daqueles que o TSE indicava para muitas das urnas. Teria sido um erro no TSE ou, neste caso, houve mesmo violação? Nunca ficamos sabendo, porque o TRE do estado e o TSE não investigaram o problema. Utilizando um debugger, como dito anteriormente, se identificaria desvios no fluxo de execução do programa. Mas, até onde eu sei, o TSE preferiu não investigar a fundo o ocorrido, declarando que houve um erro lá mesmo no TSE. Bom… esta opção é a mais fácil e minimiza o problema. Só que, em segurança de sistemas, esta postura é ótima para qualquer hacker. Como se diz, no meu tipo de negócio, neste caso “La seguridad soy jo”.

blog: das últimas [supostas] evidências de violação até o momento, o que foi feito para que o sistema não seja violado [novamente]? se isso não é suficiente, o que deveria ser feito?
Não há evidência de evolução significativa na segurança do sistema eleitoral, por parte do TSE, pelo menos não com respostas concretas e comprováveis a problemas apontados em diversos relatórios sobre eleições passadas.
Para um processo considerado critico ter credibilidade, é necessário que seja regulado de forma clara e por uma entidade que não seja parte interessada nele. Um erro clássico, que ocorre neste caso do sistema eleitoral, é que o TSE desenvolve o sistema, define os procedimentos, regula sua aplicação e audita os resultados. Em tal tipo de contexto, qual o interesse do TSE em assumir que houve alguma falha grave no processo eleitoral, capaz de invalidar uma eleição? Quem garante que não se sabe de falhas (graves, talvez) mas elas não são divulgadas?
Acredito que um primeiro passo para melhorar a confiabilidade e transparência do processo eleitoral seria a criação de um sistema regulatório, a cargo de uma entidade isenta e que, em caso de falha no processo, tenha condições de analisar o problema do ponto de vista de uma regulação previamente acordada. Não há um CNJ para a Justiça? Talvez fosse o caso de um CNE para as eleições, para supervisionar o sistema eleitoral.
Este seria o primeiro passo. Outra abordagem, que eu confesso não saber se foi feita, mas que algumas entidades reclamam não ter tido a possibilidade de chegar a tal ponto, é fazer com que especialistas em segurança auditem a urna e tentem descobrir se ela é ou não violável. Eu, particularmente, me interessaria muito por tal trabalho. Esforços semelhantes sobre urnas semelhantes à nossa
apontam muitas falhas na urna. Por fim, e neste caso eu não consegui verificar a autenticidade dos vídeos, há registros de violação da segurança de urnas emprestadas para votações no Paraguai. Se estas imagens (1, 2, 3, 4, veja nesta ordem) forem verdadeiras, acho que temos que ficar muito preocupados.

Resumo da ópera? Especialistas em segurança de informação, como frodo, não têm tanta confiança no nosso sistema de eleições eletrônicas quanto o presidente do TSE. Não que o sistema seja furado e esteja sendo manipulado em todas as eleições. Mas há indícios de que pode ter sido o caso e parece que, mantido o estado de coisas, pode acontecer de novo [ou de vera]. O sistema bem que poderia estar sujeito a uma auditoria pública, aberta, transparente, para aumentar a confiança do processo. por que não? Não resta dúvidas de que nosso sistema eleitoral é um dos melhores do mundo. Se pudermos fazê-lo ainda melhor e tão inviolável quanto possível, a um custo aceitável para a democracia brasileira, que razão nos levaria a não tentar?…
*Silvio Meira: Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

QUARTA VIA: Educação

ESCOLAS TÊM ATÉ SEXTA PARA SE INSCREVEREM NO PRÊMIO CONSTRUINDO A NAÇÃO
Por: Luciano Augusto

Escolas públicas e privadas do Ceará têm até sexta-feira (5 de setembro) para se inscreverem na oitava edição do Prêmio Construindo a Nação. O objetivo do prêmio é estimular instituições de ensino a desenvolverem, em conjunto com seus alunos, projetos que contemplem temas voltados à cidadania nas comunidades onde estão inseridas.
O concurso é realizado pelo Instituto da Cidadania Brasil, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Social da Indústria (SESI). No estado, a coordenação é do SESI/CE. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no endereço eletrônico www.institutocidadania.org.br.
O Prêmio Construindo a Nação foi instituído para destacar, valorizar e mostrar como exemplo, criando referências, as ações que as escolas públicas e privadas - do ensino médio, ensino fundamental e educação de jovens e adultos (EJA) - realizam com a presença ativa de seus alunos no diagnóstico e ações práticas de solução a problemas das comunidades onde estão situadas. Os temas escolhidos deverão ser obrigatoriamente vinculados à cidadania.
Os prêmios serão um troféu às escolas vencedoras e uma placa de reconhecimento aos segundos e terceiros classificados em cada categoria.Todas as escolas que enviaram projetos e se enquadraram no regulamento receberão um certificado de participação.
Serviço
Prêmio Construindo a NaçãoInscrições até sexta-feira (5/9) - www.institutocidadania.org.br
Informações: 3466-5831 (SESI/CE)

Fonte: http://www.cearaagora.com.br/index.htm

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TEMPO INTEGRAL
Dentro da escola; longe da rua

Ricardo Moura
da Redação

Em Cascavel e Russas, a jornada ampliada funciona como alternativa ao trabalho infantil. A informática é um dos grandes trunfos da escola Maria Magalhães, de Itapipoca. Esses são alguns exemplos da educação em tempo integral no Interior. 70% dos alunos da escola Olavo Irineu de Araújo chegam às escolas regulares lendo e escrevendo. Em Cascavel, há nove escolas que atuam em tempo integral, atendendo cerca de 500 crianças .

Fazer com que as crianças passem mais tempo em sala de aula para que não sejam alvos do trabalho infantil e das drogas. Esse é o objetivo de um projeto de tempo integral desenvolvido no município de Cascavel. Uma das comunidades atendidas é Bica, considerada uma área de risco por causa de seus baixos indicadores sociais. É lá que funciona a escola Olavo Irineu de Araújo, que atende 50 alunos entre seis e sete anos.

"É aqui que muitas crianças passam a ter uma rotina, a cuidar do asseio corporal. Os pais, em geral, são artesãos e passam dois, três dias fora de casa. Nós damos um norte a eles, além de o espaço funcionar como um patamar para as séries iniciais. 70% dos alunos que passam por aqui chegam às escolas regulares lendo e escrevendo. Elas passam a não sentir tantas dificuldades", explica a diretora da escola, Cedima Carvalho.

A mudança gerou reação. As mães temiam o fato de as crianças passarem tanto tempo longe de casa. As resistências só foram superadas com o tempo. Mesmo contando com a confiança das famílias, Cedima afirma que alguns problemas persistem, como o grande número de faltas. "Quando chega a época (da coleta) do caju (de setembro até dezembro), há muita evasão. Todo dia saímos da escola para ir pegar aluno em casa. Eles gostam de vender as castanhas para ter seu próprio dinheiro", relata.

A professora Adriana Moreno, 31, está na profissão há sete anos. Para poder dar aulas nesse novo modelo de ensino, teve de passar por uma série de capacitações. Alfabetizar os alunos, segundo ela, é o maior desafio. Mais da metade dos pais dos estudantes são analfabetos. A saída, explica, é adotar recursos como a hora do canto, fantoches e a leitura de muitas fábulas. "Tentamos suprir as necessidades delas e trabalhar muito com a comunidade", acrescenta.

No município, há nove escolas que atuam em tempo integral, atendendo cerca de 500 crianças, de acordo com Oledilma Targino, coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação. "Estávamos em uma situação delicada. Houve uma melhora substancial", disse. Assim como em outras escolas com a jornada estendida, a Olavo Irineu tem aulas de reforço no contraturno e atividades culturais, como dança e teatro. Assim como em algumas escolas, a infra-estrutura é o seu principal problema. O prédio é pequeno e falta espaço para as crianças brincarem e fazerem suas refeições. Com uma ampliação do local, mais turmas poderiam ser formadas.


SAIBA MAIS

O QUE DIZ A LEI

Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB), de 1996:
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. º 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino.

NÚMERO DE ESCOLAS COM ENSINO EM TEMPO INTEGRAL POR MUNICÍPIO
Camocim 1
Canindé 2
Cascavel 9
Horizonte 2
Iguatu 3
Itapipoca 1
Itarema 1
Juazeiro do Norte 1
Maranguape 1
Morada Nova 3
Parambu 2
Pedra Branca 1
Quixeramobim 1
Russas 5
Tianguá 3
Várzea Alegre 1

Fonte: levantamento feito por O POVO e Secretaria da Educação (Seduc).
http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/816461.html

Ciência e Tecnologia

Cientistas mapeiam a enzima responsável pela multiplicação do cancêr
Jornal do Brasil

FILADÉLFIA - Cientistas deram nesta segunda-feira um grande passo para a criação de novos remédios para o tratamento do câncer. Segundo a mais recente edição da revista Nature, uma equipe do Wistar Institute, na Filadélfia, Estados Unidos, conseguiu mapear a enzima responsável pela reprodução “infinita” das células cancerosas. Trata-se da parte mais ativa da telomerase, que, quando ativa, ajuda as células a se reproduzir. Em pleno funcionamento, esta enzima aparece em nove a cada 10 tipos de tumor. A descoberta pode levar à criação de remédios que bloqueiem a sua ação.
Todas as células do corpo têm esse relógio natural, os telômeros, que diminuem cada vez que as células se dividem. Depois de um determinado número de divisões, os telômeros diminuem de tamanho, chegando a um ponto em que não se dividem mais. O processo é responsável pelas mudanças no corpo durante o envelhecimento, quando a divisão das células diminui. No entanto, algumas células, como células-tronco embrionárias, usam a enzima telomerase para manter o comprimento dos telômeros, e muitos tumores “seqüestram” a enzima para alimentar seu crescimento indeterminado.
O pesquisador Emmanuel Skordalakes disse que o mapa detalhado ajudaria a identificar alvos moleculares para os remédios.
– A telomerase é um alvo ideal para o tratamento de quimioterapia, porque está ativa em quase todos os tumores humanos, mas inativa na maioria das células normais – explica. – Isso quer dizer que um remédio que desative a telomerase provavelmente funcionaria contra todos os tipos de câncer, com poucos efeitos colaterais.
O professor Rob Newbold, da Brunel University, em Uxbridge, acrescentou que a “telomerase controla a evolução dos cânceres e é uma característica chave das células cancerosas humanas”:
– A idéia é que, desta maneira, você pode transformar células cancerosas imortais em mortais, bloqueando a telomerase.
Segundo o cientista, a descoberta da estrutura é “muito importante” e certamente ajudará na fabricação de novos remédios.
Usando a técnica de cristalografia em raios-X, os pesquisadores conseguiram determinar em que ponto da estrutura tridimensional da telomerase ocorre a atividade.
– Foi muito animador – contou Skordalakes. – Pela primeira vez conseguimos ver como a telomerase acontece no fim do cromossomo para iniciar a replicação dos telômeros.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Bela foto

Fonte: olhares.aeiou.pt

Terça poesia e prosa

Edward Hopper
Ano: 1926
Local:Washington - DC
Técnica:Óleo sobre tela
Título: Eleven a.m. - Onze horas da manhã
Coleção:Hirschorn Museum and Sculptures Garden, Smithsonian Institute, Doação da Fundação Joseph H. Hirschorn, 1966.

A Obra de Edward Hopper

Realista imaginativo, esse artista retratou com subjetividade a solidão urbana e a estagnação do homem causando ao observador um impacto psicológico. A obra de Hopper sofreu forte influência dos estudos psicológicos de Freud e da teoria intuicionista de Bergson, que buscavam uma compreensão subjetiva do homem e de seus problemas. O tema das pinturas de Hopper são as paisagens urbanas, porém, desertas, melancólicas e iluminadas por uma luz estranha. "Os edifícios, geralmente enormes e vazios, assumem um aspecto inquietante e a cena parece ser dominada por um silêncio perturbador". (Proença, 1990, p. 165). Obras de estilo realista imaginativo. Arte individualista, embora com temas identificados aos da Ash-can School. Expressão de solidão, vazio, desolação e estagnação da vida humana, expresso pelas figuras anônimas que jamais se comunicam. Pinturas que evocam silêncio, reserva, com um tratamento suave, exercendo freqüentemente forte impacto psicológico. Semelhança com a pintura metafísica.
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ADULTOS
Vladimir Maiakóvski

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto, com as mãos metidas nos bolsos rasgados, vagava assombrado.
À noite vestis os melhores trajes e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim Moscou me sufocava de abraços com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, no bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão, surpreendo o pulsar selvagem do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora, abria-me ao sol e aos jatos d'água.
Entrai com vossas paixões! Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei, qualquer um o sabe!
O coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração - em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga acumulada torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável não para o versos de veras.

Eloquência Singular
Fernando Sabino

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
— Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
— Não sou daqueles que...
Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem — que recusa? — ele que tão facilmente caia nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar tempo:
— ...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
— ...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
— Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:
— Não sou daqueles que, dizia eu — e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo:
— Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo quanto é gramaticóide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
— ...não sou daqueles que, conforme afirmava...
Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa, daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
— Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que...
— Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
— Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
— Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem — e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.
— Eu? Mas eu não disse nada...
— Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
— Que é que você acha? — cochichou um.
— Acho que vai para o singular.
— Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
— Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
— Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
— Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
E entrava por novos desvios:
— Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
— Senhor Presidente, meus nobres colegas!
Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito de desfechou:
— Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.


Texto extraído do livro "A companheira de viagem", Ed. do Autor - Rio de Janeiro, 1965, pág. 139.